Munira mohamad kassab



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL /FIOCRUZ- UNIDADE CERRADO PANTANAL

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE DA FAMÍLIA


IDENTIFICAR O CONSUMO DE ÁLCOOL ENTRE ADOLESCENTES INDÍGENAS DA ETNIA TERENA NAS ALDEIAS DO MUNICÍPIO DE SIDROLANDIA/MS

SIDROLANDIA /MS

2011

MUNIRA MOHAMAD KASSAB

IDENTIFICAR O CONSUMO DE ÁLCOOL ENTRE ADOLESCENTES INDÍGENAS DA ETNIA TERENA NAS ALDEIAS DO MUNICÍPIO DE

SIDROLANDIA/MS





Trabalho de Conclusão de Curso realizado como requisito para obtenção do título de especialista em Atenção Básica em Saúde da Família, pela UNASUS/FIOCRUZ/UFMS, sob a orientação da Tutora Esp. Priscila Maria Marcheti Fiorin.




SIDROLANDIA /MS

2011

RESUMO

O alcoolismo é o conjunto de agravos que estão associados ao consumo exagerado e prolongado do álcool. É entendido como hábito de consumo excessivo de bebidas alcoólicas, que levam a conseqüências graves ao organismo. As pessoas têm consumido cada vez mais esta droga, dentre elas, o maior público alvo são os adolescentes. A adolescência é uma fase conturbada da vida, onde geram conflitos pessoais, sociais e familiares; e marcantes transformações físicas e psicossociais. A aplicação deste estudo visa identificar o consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes indígenas da faixa etária de 13 a 19 anos, da etnia terena nas aldeias do município de Sidrolandia /MS. A presente pesquisa foi quantitativa, descritiva. Os dados foram obtidos através da realização de um questionário contendo 23 questões, aplicado na escola indígena da Aldeia Córrego do Meio em julho de 2011. A pesquisa demonstrou que 50% dos adolescentes em questão consomem bebidas alcoólicas, sendo que a faixa etária dos 15 aos 18 anos são do sexo masculino, o qual teve maior incidência. O álcool por ser uma bebida usada com maior freqüência e de fácil acesso, faz com que os jovens consumam muito cedo e de forma indiscriminada. Diante dessa problemática, são necessárias medidas de controle de acesso ao álcool e conscientização desses adolescentes acerca das conseqüências que esta droga traz.



Palavras chave: Consumo de álcool, alcoolismo entre adolescentes indígenas, conseqüências do uso de álcool.

ABSTRACT

Alcoholism is the set of conditions that are associated with prolonged and excessive consumption of alcohol. It is understood as a habit of excessive consumption of alcoholic beverages, leading to serious consequences to the organism. People are increasingly consumed the drug, among them the biggest target audience are teenagers. Adolescence is a turbulent phase of life, where they generate conflicts personal, social and family, and remarkable physical and psychosocial changes. The application of this study is to identify the consumption of alcohol among indigenous adolescents from age 13 to 19 years, Terena ethnic villages in the municipality of Sidrolândia / MS. This research was quantitative, descriptive. Data were obtained by conducting a questionnaire containing 23 questions, applied to the indigenous school of Middle Creek Village in July 2011.The survey showed that 50% of adolescents consume alcoholic beverages in question, and the age of 15 and 18 are male, which had a higher incidence. Alcohol used to be a drink more frequently and easily accessible, means that young people consume too early and indiscriminately. Faced with this problem, measures are needed to control access to alcohol and awareness of these teenagers about the consequences that this drug brings.
Keywords: Consumption of alcohol, alcoholism among indigenous adolescents, consequences of alcohol use. 

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    9. calculate

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    18. apprize

    19. compute


INTRODUÇÃO

O Brasil é um país cheio de diversidades, tradições culturais, miscigenação, no campo dos saberes e modos de vida são vastas as diversidades.

Certos tipos de condutas, como o uso de substâncias químicas que podem prejudicar a saúde, para diminuir a ansiedade ou mascarar alguns problemas enfrentados na vida, ou pela forma de se expressar no meio da sociedade em que vive, podem levar o seu uso à dependência. O que em princípio na vida é usado como forma de alívio diante das dificuldades pode tornar-se um meio de agravar o que já estava ruim, e potencializar ainda mais os danos à saúde (MELONI; LARANJEIRA, 2004).

O jovem tem iniciado o uso de álcool cada vez mais cedo. Vieira et al. (2007), mostra que a média de idade para o primeiro uso do álcool é de 12 anos. Segundo Chiapettin et al. (2007), é no período da adolescência que devido a vontade de tornarem-se independente da família.

O alcoolismo nem sempre é visto como uma doença, mas acomete grande número de pessoas e envolvem sérios danos psicossociais. É difícil aceitar e assumir a dependência do vício (PINHO, 2009).

Segundo Menendez (1982) conceitua alcoolização "como o conjunto de funções e conseqüências positivas e negativas relacionadas à ingestão de álcool em conjuntos sociais estratificados, e não apenas o estudo dos alcoólicos dependentes, nem os excessivos, nem os moderados, mas sim o processo que incluem todos e que evita considerar o problema em termos de saúde e/ou enfermidade mental". Esse conceito busca o entendimento do significado que o beber pode assumir em uma dada cultura, independentemente de ser problemático ou não, e viabiliza o acesso às regras e normas que regem o uso de álcool, assim como a respectiva transgressão (SOUZA, et al., 2007).

As mudanças socioculturais no processo de colonização muitas vezes com o sofrimento individual e/ou coletivo é fator determinante para a quebra do equilíbrio individual e/ou social, e o alcoolismo contribui como uma das manifestações do desequilíbrio juntamente com outras (GUIMARÃES et al., 2007).

Existem diversas evidências que apóiam a idéia de que fatores sociais e culturais regulam a forma pela quais as pessoas fazem uso de bebidas alcoólicas. Algumas culturas estimulam a abstinência do uso de álcool, e outras que são permissivas.

Nas culturas mulçumanas, a influência sobre o beber é explicitamente negativa; Nos países do mediterrâneo, o beber é ativamente endossado, sendo alta, nesses países, a prevalência de problemas clínicos associados ao beber, como a cirrose hepática, por exemplo. Na Itália, prevalece o uso de bebidas com baixo teor alcoólico, bem como o beber junto com as refeições. Enquanto na Itália recusar-se a beber é aceitável, na França isto não se dá da mesma forma, ao contrário da Itália, a embriaguez pública na França é tolerada (SOUZA et al., 2006).

A cultura passa a ter um caráter dinâmico, heterogêneo, em constante construção com as diversidades de opções de caminho, reelaborando se diante dos acontecimentos históricos. Para a cultura dos indígenas, conceber a relação com o álcool diante do contato interno e étnico, iniciado há alguns séculos, onde subgrupos que apresentam uma forma de beber não vistas como destoantes do ponto de vista cultural, presumem-se a partir desse ponto em um processo de buscar estratégias para minimizar e/ou superar os problemas encontrados. Além de superar as limitações associadas ao uso do conceito impreciso de “alcoolismo”, rever estratégias de caráter quali-quantitativo que possam num futuro romper barreiras disciplinares, para abordar a questão do uso de álcool nas populações culturalmente diferenciadas (SOUZA et al., 2007).

Os problemas relacionados ao uso de álcool, de acordo com sua própria natureza, podem ser simples e generalizados, visto que a fronteira que separa a maneira de beber sociamente e de forma problemática está estreitamente relacionada às dimensões socioculturais e históricas do “beber” (BARROS, 2005).

As bebidas alcoólicas, embora fossem consumidas pelos indígenas americanos, foram popularizadas na América em torno de 1607 (LIMA, 2003).

O consumo de bebidas alcoólicas por comunidades indígenas apresenta-se como um grave problema social e de saúde, principalmente pelos danos acarretados, como suicídio e violência. No caso do alcoolismo indígena um agravante é a forma drástica de como é utilizado, potencializando problemas interiores de questões socioculturais (FUNASA, 2000).

Nas comunidades indígenas por contextos históricos e culturais, torna-se um problema definir quando a ingestão de álcool é caracterizada como um vício (SOUZA, 2002).

Segundo estudo da Fundação Nacional de Saúde (2000), um diagnóstico indica que entre as enfermidades mais comuns nos grupos indígenas brasileiros, está o alcoolismo, em especial, nas regiões nordeste, centro-oeste, sudeste e sul, já que os grupos dessas regiões possuem um histórico de contato amplo com a sociedade.

Segundo Ferreira (2001), o processo de colonização foi progressivamente dificultando que os Mbya-Guarani pudessem reproduzir o seu “modo de ser” (ñande rekó), em particular pela redução significativa de suas terras. O “alcoolismo” é essencialmente interpretado dentro deste sistema, sendo visto como uma doença introduzida pelo branco, que reduziu o território Guarani e trouxe a cachaça; a associação desses elementos impede o exercício de seu “modo de ser”, que acaba por separá-lo de Ñanderu (espírito protetor). Uma vez distanciado, a “desproteção” favorece tanto o uso imoderado de álcool como os infortúnios dele decorrentes (SOUZA, et al., 2006).

Segundo estudo epidemiológico de Albuquerque e Souza (1997) e Aguiar e Souza (2001), utilizando-se de instrumentos padronizados para triagem de casos de dependência ao álcool de acordo com critérios biomédicos entre os índios Terena do Mato Grosso do Sul (1997 e 2001), percebeu-se que no ano de 1997 na população com mais de 15 anos foi encontrada uma prevalência de alcoolismo de 18,8% (28,7% entre os homens e 1,7% entre as mulheres). Posteriormente, em 2001, o estudo, encontrou uma prevalência de 11,5% para população acima de 15 anos (22,4% entre os homens e 17,1% entre as mulheres) (SOUZA, et al., 2006).

Uma importante contribuição desse estudo é a observação do aumento da prevalência nas mulheres Terena que moram na periferia da cidade. Na comparação entre as duas realidades, observou também que as mulheres com dependência ao álcool das aldeias eram em geral de meia idade, viúvas; já as mulheres da periferia eram mais novas e estavam trabalhando nas residências dos moradores da cidade. Entretanto, quando considerada a idade acima de 15 anos, a proporção de alcoolistas se elevou para 17,6% na população aldeada e para 19,7% na população vivendo na periferia da cidade de Sidrolândia/MS (GUIMARÃES et al., 2007).

Conforme Oliveira (2001), utilizando um enfoque antropológico, aborda a questão do alcoolismo entre os kaingang, relata que o uso de bebidas alcoólicas fermentadas é um costume antigo, associado tanto ao contexto religioso quanto ao profano. A introdução, de alambiques para a preparação de bebidas destiladas na época da conquista de seu território, está associada ao surgimento dos problemas relacionados ao uso de álcool nessa etnia. O “alcoolismo” tem, por um lado suas raízes na cultura tradicional e por outro, na incorporação e transformação de costumes a partir da conquista, com a introdução da cachaça (SOUZA, et al., 2006).

De acordo com o que Oliveira (2003) em várias etnias e grupos, existe uma dificuldade na separação entre o significado do beber ritualístico e a atual forma de beber, além do caráter lúdico que é conferido à bebida alcoólica, que faz o "índio ficar alegre" e o "ato de beber com os companheiros" depois do futebol ou no final de semana.

Bebidas como o vinho ou a cerveja, não são reconhecidas pelos indígenas como "bebidas de álcool", cabendo somente à pinga esta classificação (GUIMARÃES et al., 2007).

No atendimento dos indígenas dependentes do álcool, as questões étnicas e culturais, o contato com o homem branco, as mudanças dos hábitos de vida impostas por novas condições de socialização, demonstram certas dificuldades de adaptação em seu cotidiano. A principal característica da população indígena do Brasil é a sua heterogeneidade cultural (GERSEM, 2006).

A maneira de beber passa a ser compreendida como um problema a partir do momento em que começa a trazer impactos negativos para a vida do bebedor, de sua família e, sobretudo, de sua comunidade (SOUZA, et al., 2006).

Muitas vezes a pessoa busca tratamento quando está em uma fase crônica, com problemas de saúde instalados ou encaminhados pela família. Os padrões de saúde e doença nas populações indígenas são demonstrados pelo tipo de contato com a sociedade, dentro do seu contexto sociocultural primário (FUNASA, 2004).

Na abordagem terapêutica com os cuidados de saúde do indígena requer cautela, para manter o vínculo de confiança com profissional de saúde, devido às complexas questões socioculturais envolvidas no decorrer dos séculos. Falar do Alcoolismo implica, portanto, em um conhecimento prévio sobre a comunidade em questão (SILVA, 2010).

A situação de vulnerabilidade dos povos indígenas é uma condição universal da espécie humana, de qualquer ser vivo, as ameaças evitáveis estão suscetíveis aos sujeitos de como os seres humanos vivem em circunstâncias íntimas da privação de suas necessidades básicas. A busca de uma consonância entre os problemas e soluções são paradigmas que devem ser quebrados na busca de um equilíbrio diante dos fatores envolvidos há tempos.

O alcoolismo tem sido, portanto, considerado uma das principais causas de mortalidade, seja pelo aumento da ocorrência de doenças como cirrose, diabetes, hipertensão arterial, doenças do coração, do aparelho digestivo, depressão e estresse ou como causa de morte por fatores externos, como acidentes, brigas, quedas, atropelamentos, suicídios, entre outros (GUIMARÃES et al., 2007).

Apesar das campanhas de educação, e advertência, além de medidas governamentais de proibições da fabricação que foram sem sucesso, e que as recomendações de que as bebidas alcoólicas eram desnecessárias e prejudiciais à saúde, ainda assim o consumo vem aumentando de maneira extraordinária (LIMA, 2003).

Vale ressaltar que até momento não há nenhum programa governamental específico a essa população, sob pena de sofrerem todas as conseqüências irreparáveis advindas do uso do álcool que há tempos as populações indígenas vêm enfrentando.

O objetivo deste trabalho é identificar o consumo de álcool entre adolescentes indígenas da etnia Terena, nas aldeias do Município de Sidrolandia/MS. E tem como objetivo específico levantar as causas do uso precoce de álcool entre os indígenas da etnia Terena; relacionar o uso do álcool com as características sócio-culturais e implementar ações em saúde pública para evitar o uso de álcool entre adolescentes.



METODOLOGIA
Esta pesquisa tratou-se de um estudo quantitativo, o qual foi realizado em duas aldeias indígena da etnia Terena do município de Sidrolândia – MS, onde habitam aproximadamente 950 indígenas. Esta população tem sua economia voltada para a agricultura e também para subsistência.

Nas aldeias Córrego do Meio e Lagoinha existem 39 indivíduos entre 13 a 19 anos segundo o Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (SIASI).


Coleta de dados
Foi elaborado um questionário contendo 23 perguntas fechadas, que caracterizaram o hábito do consumo de bebidas alcoólicas. A população do estudo foram os adolescentes indígenas, selecionados das Aldeias Córrego Meio e Lagoinha, situadas no município de Sidrolandia –MS .
Amostragem e planejamento estratégico
Os AIS (Agentes de Saúde Indígenas), em suas visitas domiciliares de rotina, indicaram as residências onde havia usuários de álcool abaixo de 20 anos. Após obtenção de tais informações, foram convocados todos adolescentes incluídos nesse contexto, para participarem de ações de educação em saúde de rotina, a qual é realizada mensalmente pela equipe multidisciplinar (médico, enfermeiro e técnico de enfermagem), nas dependências da escola pública da aldeia Córrego do Meio. Ao término da ação educativa, foi solicitado aos adolescentes que os mesmo permanecessem no local para participarem de uma pesquisa a respeito do consumo de álcool, através do questionário previamente elaborado. Ao todo foram entrevistados 21 indígenas pertencentes à aldeia Córrego do Meio e 09 da Aldeia Lagoinha, entre os gêneros masculinos e femininos.
Desenvolvimento da ação
A execução desta ação ocorreu no mês de julho de 2011. Durante o encontro com os adolescentes indígenas, na semana em que foi realizada a palestra de educação e saúde, foi distribuído o formulário de questões que abordavam o consumo de álcool, foi explicado com deveriam fazer o preenchimento e em caso de dúvida cada adolescente poderia pedir esclarecimentos se achasse necessário. O tempo estipulado para o preenchimento completo das questões foi de 30 minutos. A aplicação do questionário se deu de forma individual e com total privacidade de cada indivíduo e sem exposição de identidade. O formulário aplicado (anexo 1) continha questões que evidenciavam o nível de consumo de bebidas alcoólicas. Ao término do tempo estabelecido, os formulários foram recolhidos e posteriormente levados para analise dos dados obtidos. Através do padrão resposta os resultados foram interpretados e comparados com outras pesquisas realizadas sobre o assunto.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Baseado nos resultados obtidos através do questionário elaborado para detecção do consumo de álcool em adolescentes indígenas, que se deu a realização deste projeto.


Tabela 1 – Características sócio-demográficas de adolescentes indígenas das Aldeias de Sidrolandia/MS, 2011.

Variáveis

N

%

Idade

13 a 15

13

43.3

16 a 19

17

56.7

Sexo

Masculino

18

60

Feminino

12

40

Grau de escolaridade

Fundamental (1ª - 4ª série)

00

00

Médio (5ª - 9 série)

13

43.3

Médio (10ª – 13ª série)

17

56.7

Com quem vive?

Pais

24

80

Avós

06

20

Outros

00

00

Você trabalha?

Sim

09

30

Não

21

70

Segue alguma Religião

Católica

12

40

Evangélica

10

33.3

Nenhuma

05

16.6

Outra

03

10

Total

30

100

Visto que 60% dos jovens são do sexo masculino e 40% do feminino, sendo a faixa etária entre 13 a 19 anos coincide com o grau de escolaridade do ensino médio respectivamente. Desse total a maior proporção dos adolescentes mora com os pais e não exercem atividade remunerada, e cerca de 70% seguem uma doutrina religiosa.


Tabela 2 – Perfil do consumo e freqüência de bebida alcoólica em adolescentes nas Aldeias de Sidrolandia/MS, 2011.

Variáveis

N

%

Já experimentou bebida alcoólica

Sim

30

100

Não

00

00

Se sim, quantos anos tinha

10 a 14

22

73.3

15 a 19

08

26.6

Com quem estava quando experimentou pela 1ª vez

Pais

18

60

Amigos

07

23.3

Outros

05

16.6

Onde você estava quando experimentou bebida alcoólica pela 1ª vez

Em casa

18

60

Bar

03

10

Casa de amigos/conhecidos

09

30

Não lembro

00

00

Outros

00

00

Você usa bebida alcoólica

Ás vezes

14

46.6

Finais de semana

16

53.3

Todos os dias

00

00

Se bebe, quanto bebe

de 1 a 2 copos

07

23.3

de 3 a 5 copos

13

43.3

mais de 5

10

33.3

Você já comprou pessoalmente alguma bebida alcoólica

Sim

09

30

Não

15

50

Já tentei, mas não consegui

06

20

Total

30

100

Conforme tabela 2, percebe-se que 100% dos adolescentes já ingeriram algum tipo de bebida alcoólica, os quais 73.3%, são adolescentes entre 10 a 14 anos e a faixa etária entre 15 a 19 anos somam 26.6%. Outro dado importante observado segundo os jovens indígenas é que 40% estavam com seus amigos e/ou outros, quando fizeram uso do álcool pela primeira vez, enquanto 60% relatam que consumiram essa droga, entre os seus familiares. É muito comum os adolescentes dizerem que começaram a beber porque viram que isso era um hábito de alguém que eles admiravam. Uma pesquisa realizada por VIERA et. al. (2007), revela que familiares foram os primeiros a oferecerem bebidas alcoólicas e que existem na família, pessoas que bebem exageradamente.

Segundo (Meloni; Laranjeira, 2004) a alta prevalência de consumo de álcool por adolescentes, dois fatores são relevantes: idade de inicio do uso do álcool e o padrão de consumo. Estudos sugerem que a idade de início vem se tornando cada vez mais precoce no Brasil, a média de idade para o primeiro uso de álcool é 12, 5 anos. Por sua vez, quanto mais precoce a experimentação, pior as conseqüências e maior o risco de desenvolvimento de abuso e dependência de álcool.

De acordo com os pesquisados, 60% consomem com em suas próprias residências, que 30% fizeram uso na casa de amigos, ficando um quantitativo de 10% que referiram beber no bar.

Os adolescentes responderam que a freqüência do consumo de álcool é de 53.3% nos fins de semana e 46.6% bebem esporadicamente. Em média, 43.3% bebem uma quantidade de 03 a 05 copos de bebida alcoólica e 33.3%, consomem de 05 ou mais copos.



A estatística do estudo revela que 20% tentaram, mas não conseguiram comprar as bebidas para o consumo e 30% obtiveram sucesso na compra da mesma para seu consumo, outros 50% não conseguiram comprá-la.

Tabela 3 – Estatísticas de agravos em relação ao consumo de bebida alcoólica em adolescentes nas Aldeias de Sidrolandia/MS, 2011.

Variáveis

N

%

Tipo de bebida alcoólica que costuma tomar

Vinho

05

16.6

Cerveja

18

60

Pinga

05

16.6

Wisk

00

00

Outros

02

6.6

Você já tomou alguma bebida alcoólica até se embriagar? (“porre”)

Sim

15

50

Não

15

50

Depois de beber você já brigou

Sim

21

70

Não

09

30

Faltou a escola

Sim

17

56.6

Não

13

43.3

Que imagem causa em você a bebida alcoólica

Beleza

04

13.3

Sucesso

00

00

Liberdade

16

53.3

Poder

01

3.3

Inteligência

00

00

Outros

09

30

Total

30

100

Os dados evidenciados na pesquisa demonstraram que a bebida mais consumida nas aldeias, pelos adolescentes indígenas é cerveja, totalizando 60% e metade dos entrevistados, beberam até se embriagar. Segundo dados da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD, 2008), a cerveja é bebida mais consumida entre os jovens, em seguida os vinhos e as bebidas destiladas.

Pôde se verificar que 70% dos jovens indígenas, após beberem, estavam envolvidos em brigas; 56.6% faltaram à escola e dos 30 adolescentes entrevistados, os 09 que trabalham, referem ter faltado o trabalho quando estavam embriagados.

A bebida alcoólica traz sérios agravos de natureza biopsicossocial, quando adolescentes bebem de cinco ou mais doses em uma ocasião, tal comportamento aumenta o risco de uma série de problemas sociais e de saúde, como Doenças Sexualmente Transmissíveis, gravidez indesejada, infarto do miocárdio, acidente de trânsito, violência e ferimentos não intencionais. (Souza & Almeida, 2008).

Outro fato significativo é com relação à acentuada influência que a falsa sensação de liberdade causa nos entrevistados, diante disso 53,3% dos entrevistados elegeram a liberdade; 30% referiram que o poder é a imagem causada entre eles, e 13,3 % responderam beleza.



Tabela 4 – Perfil da relação de consumo de álcool entre familiares dos adolescentes nas Aldeias de Sidrolandia /MS, 2011

Variáveis

N

%

Quem na sua família bebe demais

Pai

14

46.6

Mãe

02

6.6

Irmãos

09

30

Outros

05

16.6

Já conversou com seus pais ou outros familiares sobre bebida

Sim

30

100

Não

00

00

Seus pais conhecem os locais que você freqüenta

Sim

22

73.3

Não

08

26.6

Seus pais conhecem seus amigos

Sim

26

86.6

Não

04

13.3

Total

30

100

De acordo com a tabela 4, o maior etilista entre os membros da família é o pai (46,6%); 36,6% somam irmãos e a mãe. 100% dos pais já conversaram com os filhos sobre essa problemática e em média 80% dos mesmos têm conhecimento dos locais que freqüentam e as companhias com as quais seus filhos convivem.

Visto que apresentou resultados indicativos de problemas pertinentes ao alcoolismo, foram desenvolvidas propostas de controle e prevenção àqueles que são “alvo fácil” do alcoolismo, os adolescentes indígenas.

No entanto, na tentativa de se obter medidas preventivas e de controle, em relação ao alcoolismo foram programadas algumas ações: realização de oficinas de trabalhos manuais como confecções de tapetes, aulas de pinturas, dinâmica de grupos e discussão sobre malefícios do álcool no organismo, desenvolvido material informativo como revistas e gibis dispondo orientações sobre as conseqüências ocasionadas pelas bebidas alcoólicas, jogos, cursos, teatros, debates e palestras.

Através destas ações preventivas e educativas em saúde, espera-se e acredita-se que haja controle e/ ou diminuição do uso dessa substancia entre os jovens indígenas.

O álcool por ser uma bebida usada com freqüência por muitos, inclusive adolescentes, que buscam alívio dos problemas; uma forma de desinibição ou de estar reunido junto aos demais membros do meio em que vivem. Muitos deles não consideram os males os quais estão se envolvendo. Por ser de fácil acesso, o álcool acaba sendo consumido de forma indiscriminada e abusiva, por grande número de pessoas devido à sua cultura.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa apontou que uma parcela de adolescentes indígenas das aldeias do Município de Sidrolandia/MS, consomem bebidas alcoólicas de maneira acentuada e precoce. Tal consideração fica evidente no aspecto que marca esta problemática em relação à freqüência da faixa etária de consumo. Os resultados demonstraram que o índice de consumo do álcool entre os adolescentes se apresentou alto, visto que a iniciativa se deu pela primeira vez, sobretudo com os familiares e a companhia de amigos. Outro fator importante elencado pelos jovens foi a que a bebida alcoólica traz a sensação de liberdade e que esse fator proporciona uma imagem positiva relativa ao álcool.

O Alcoolismo entre indígenas gera ainda um alto índice de violência constatado através das respostas obtidas nos questionamentos feitos aos jovens, uma vez evidenciado que bebida alcoólica gera inúmeros agravos, dentre outros, atos violentos. No obstante, requer cautela pelos conceitos socioculturais envolvidos na sistemática que envolve todo um processo de aspectos culturais e rituais internos.

Alguns estudos demonstram a variação que existe quando se refere ao “alcoolismo” na população indígena, outrora são aplicados de forma universal ou ainda, se aprofundam em questões mais internas e locais.

Existe certa dificuldade na integração do conhecimento produzido sobre o uso de álcool e alcoolização em populações indígenas, termos que às vezes não coincidem com a problemática realidade da dependência ao vício. É necessário considerar a cultura e seus valores como fatores importantes diferenciando entre os "hábitos de beber" e de "ficar bêbado", pois ficar de forma embriagada não se manifesta igualmente em todos os grupos.

Considerando que o consumo de álcool é um problema mundial de saúde pública e que cada vez mais jovens vêm consumindo bebidas alcoólicas, independente de classe social e raça, é que se verificou a necessidade de desenvolver um trabalho voltado para prevenção e controle do alcoolismo em jovens indígenas da etnia Terena, tendo em vista que a falta de conhecimentos sobre os malefícios do álcool, o baixo nível de escolaridade, a baixa renda familiar, a falta de atividades laborais decorrentes do fato de viverem isoladamente, a insatisfação pessoal no que diz respeito à posse e a demarcação de terras indígenas, contribuem sobremaneira para que esses jovens procurem na bebida suprir a baixa perspectiva de vida e mascarar as suas insatisfações pessoais. Quanto maior é o grau de contato com a sociedade nacional envolvente, maior é o risco de exposição ao alcoolismo e outras doenças.

REFERÊNCIAS

LIMA, D. R. Manual de Farmacologia Clínica, Terapêutica e Toxicologia. 1ª edição. São Paulo: Medsi, 2003.


ALAVARSE, G. M. A; CARVALHO, M. D. B. Álcool e adolescência: o perfil de consumidores de um município do norte do Paraná.Glória Maria Assis Alavarse e Maria Dalva de Barros Carvalho Esc Anna Nery R Enferm 2006 dez; 10 (3): 408 - 16. Disponível: www.scielo.br/pdf/ean/v10n3/v10n3a08.pdf Acesso em: agosto de 2011.
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