Muro de berlim



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powerpluswatermarkobject2921432HISTÓRIA

Profª Isabel Cristina Simonato






MURO DE BERLIM


  1. O MURO QUE DIVIDIU O SÉCULO XX, por Denis Russo Burgierman


Nenhuma construção humana representa tão bem as turbulências dos últimos 100 anos quanto a erguida em Berlim
“O jovem operário Peter Fechter, 18 anos, sabia que era proibido pular o muro que separava Berlim Ocidental de Berlim Oriental. Sabia também que o governo de seu país – a Alemanha Oriental – estava empenhado em evitar que milhares de emigrantes continuassem deixando o país todos os dias em busca de salários melhores e de mais liberdade do outro lado. Mas certamente não calculou direito o risco de afrontar as regras. Era o dia 17 de agosto de 1962. Fechter ultrapassou as cercas de arame farpado e se aproximou do paredão para pulá-lo.

O que se seguiu – uma saravaida de balas, 24 das quais cravadas no corpo do rapaz – marcou profundamente a história deste século. Fechter se tornou a primeira das mais de 800 vítimas do Muro de Berlim. Sangrou por quase uma hora, até morrer. Nenhum dos soldados autores dos disparos ousou aproximar-se. Queriam que servisse de exemplo. Aquela fronteira era para valer.

Um ano antes, em 13 de agosto de 1961, ela fora levantada literalmente da noite para o dia. Seu objetivo era separar Berlim Ocidental, controlada pela República Federal Alemã, capitalista, de Berlim Oriental, pertencente à República Democrática Alemã, de tendência socialista. Até 9 de novembro de 1989 ‘cortou o mundo em dois’. De um lado, um bloco sob a influência capitalista dos Estados Unidos; do outro, os países comunistas liderados pela União Soviética.

Ambas as superpotências consolidaram-se em 1945 com a vitória na Segunda Guerra Mundial sobre a Alemanha. Mas a história da fronteira berlinense é bem mais antiga. Começou em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial, quando a União Soviética já adotara o comunismo; continuou com a Guerra Fria, o confronto permanente, embora não consumado, entre comunismo e capitalismo; e foi até 1989, quando finalmente caiu, sob os gritos de ‘viva!’ da população. Símbolo de uma era, seus últimos pedaços hoje são disputados em leilões. Custam milhares de dólares. Grupos de artistas também lutam para manter de pé os poucos trechos que não caíram. Claro, trata-se de uma ruína preciosa: conta, como nenhuma outra obra humana, a história tumultuada do século que está por terminar.” (SUPERINTERESSANTE, 11/1999.)





  1. O INÍCIO DE UMA NOVA ERA, por Diogo Schelp


Como a queda do Muro de Berlim sepultou o socialismo
“Em Berlim, para lembrar é preciso olhar para baixo. As cicatrizes estão marcadas no chão da capital da Alemanha. Discreta, quase imperceptível, uma estreita faixa de paralelepípedos corta uma avenida de asfalto impecável, invade a calçada e desaparece sob a parede de um moderníssimo prédio. Em outros trechos, a menção ao símbolo maior da Guerra Fria traz uma mensagem mais direta: placas de metal encravadas no solo com a inscrição ‘Muro de Berlim – 1961-1989’ informam que por ali passava a barreira que dividiu a Alemanha, a Europa, a Terra. A queda do muro, em 9 de novembro de 1989, foi um dos eventos raros em que a ruptura com o passado é tão brusca que uma única data marca o início de uma nova era. A Guerra Fria configurou o planeta em metades capitalista e comunista que descarregavam a tensão permanente em guerras localizadas, como a da Coreia e a do Vietnã.

Evidentemente, não foi preciso esperar até 1989 para constatar o fracasso do socialismo. A própria construção do Muro de Berlim, iniciada em 13 de agosto de 1961, foi motivada pela incapacidade do sistema de cumprir as promessas de uma vida melhor à população. Até aquela data, 3 milhões de pessoas haviam fugido da Alemanha Oriental para a Ocidental. Na órbita soviética, cultivava-se a ideia de que, como os alemães eram um povo eficiente, seriam capazes de fazer o socialismo funcionar e, assim, transformar o seu país numa vitrine do sistema. Mas já no fim da década de 70, os dirigentes da Alemanha Oriental admitiram que o desenvolvimento tecnológico da RDA (República Democrática Alemã) estava duas décadas atrasado em comparação ao da República Federal da Alemanha (RFA).

Em maio de 1989, Miklós Németh, o primeiro ministro reformista da Hungria, mandou desativar a cerca elétrica na fronteira de seu país com a Áustria. Estava aberta a primeira brecha na Cortina de Ferro. Atropelado pelas reformas dos países vizinhos e pela onda de protestos, o governo da RDA ensaiou uma tímida lei que permitiria aos cidadãos viajar para o exterior. Ato contínuo, uma multidão se aglomerou nos postos de controle do muro exigindo passagem. No dia seguinte, o ‘muro estava no chão’, derrubado em festa por berlinenses munidos de marretas e picaretas.” (VEJA, 11/11/2009, adaptado)

Blog: belsimonato.wordpress.com

E.E.E.M. Emílio Nemer, Castelo, ES





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