Museu escolar: o que dizem os inventários



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MUSEU ESCOLAR: O QUE DIZEM OS INVENTÁRIOS

(SANTA CATARINA / 1941-1942)i

Marilia Gabriela Petryii (UDESC)

marilia_petry@yahoo.com.br

Palavras-chave: Museu escolar. Cultura material escolar. Santa Catarina.

O presente artigo insere-se nas discussões a respeito da cultura material escolar enquanto potencializadora de projetos educacionais e está articulado a pesquisa que busca descortinar o universo de materiais escolares que povoaram as escolas catarinenses em fins do século XIX e decorrer do XX.

Este texto trata especificamente de museus escolares do início da quarta década do século XX num contingente variado de escolas em território catarinense. Procura identificar diferenças e semelhanças destes museus escolares, por meio da exploração de listas de inventários remetidas pelas escolas ao Departamento de Educação do estado, e refletir a respeito. Para tanto, usará como fonte primordial um livro de inventário que agrega listas do ano 1941 e 1942.

O texto está organizado em três partes: a primeira intenta dar contornos ao que seriam os museus escolares; a segunda explora características do livro-inventário, fonte escolhida para análise; a terceira cruza os dados dos inventários das escolas a fim de aprofundar a reflexão.
Museu Escolar: um museu dentro da escola?
Na emergência de novos objetos de estudo, na esteira da História Culturaliii, encontram-se os objetos escolares:
Carteiras, utensílios diversos, cadernetas de professores, exercícios, provas, boletins escolares, livros de ocorrência, cadernos e trabalhos de alunos, uniformes, quadros-negros (ou de ardósia), bibliotecas escolares, livros dirigidos ao estudante ou ao professor, muito podem dizer sobre métodos de ensino, disciplina, currículo, saberes escolares, formação de professores... (LOPES; GALVÃO, 2005, p. 83).
Os museus escolares fazem parte deste universo. Reúnem objetos e auxiliam a compor a materialidade das escolas, embora não sejam tão visíveis na cena escolar que fornece fontes para a história da educação quanto os livros ou o quadro negro, por exemplo.

Em um primeiro momento, a referência a museus escolares pode remeter a uma imagem de museus públicos, como os de arte ou históricos, porém, ocupados da temática escolar. Esta inferência, certamente, não está totalmente equivocada. Os museus escolares dos séculos XIX e XX ocupavam-se da temática escolar, da recolha e organização de material para o ensino dos escolares, mas não da guarda da sua memória.

A passagem abaixo ilustra esse entendimento. Eisenmengeriv, ao prefaciar o livro de Bannwarthv, assinala:
Em toda escola verdadeiramente digna de ser chamada como tal, deve existir um conjunto bem dotado de objetos variados servindo de base ao ensino concreto. Este conjunto é o Museu escolar. Todas as peças que contém devem ser cuidadosamente escolhidas e responder a um objetivo bem determinado, estar metodicamente apresentadas a fim de graduar os esforços solicitados aos alunos. Pode se achar que tal escola que possua um conjunto de objetos, estabeleceu um verdadeiro museu escolar. Tal museu, tal professor, pode-se dizer. Um museu escolar, instrumento de progresso intelectual, não é mais um conjunto de objetos quaisquer, um monte de pedras não é uma casavi. (EISENMENGER, In: BANNWARTH, 1925, p. 9)
Nos dias de hoje, quando ouvimos falar em museu escolar, é comum remetermo-nos a museus responsáveis em salvaguardar a memória escolar, como, por exemplo, o “Museu da Escola de Minas Gerais”, o “Museu da Escola Catarinense”, ou o “Centro de Memória da USP”, entre tantos outros. Por sua vez, um conjunto de produções tem indicado que quando falamos em museu escolar no curso dos séculos XIX e parte do XX, estamos lidando com museus “originalmente escolares”, presentes no interior das escolas, funcionando como auxiliares do ensino, e não como locais de preservação de memória.

Embora na literatura se encontrem com frequência diferentes formas de defini-los, para efeitos deste trabalho adotamos a seguinte perspectiva: num primeiro momento, distinguimos duas modalidades de museu escolar, uma, presente dentro das salas de aula e outra, em um gabinete específico nas escolas. Embora ocupem diferentes espaços físicos, cumprem a mesma função de auxiliar as atividades pedagógicas. Um terceiro tipo, também muitas vezes chamado de museu escolar, seria o Museu Pedagógico, caracterizado como um instituto de pesquisa, responsável pela formação em serviço dos professores e pela disseminação de ideias pedagógicas. No Brasil, tivemos o Museu Pedagógico Nacional, denominado, Pedagogium, criado em 1890, no Rio de Janeiro, durante a atuação do Ministro da Instrução Pública Benjamin Constant (Decreto Ministerial n° 667, de 16 de agosto de 1890). Na Espanha, o Museu Pedagógico Nacional foi criado em 1882 e aberto em 1884, tendo Manuel Bartolomé Cossío como seu diretor. O museu durou por 59 anos.

Os museus escolares, entendidos como os que dão suporte à atividade de ensino, integraram os discursos modernizadores da educação, tanto na Europa quanto no Brasil, particularmente quando defendiam um ensino pautado em objetos concretos. Como proposta para o ensino primário, embora a literatura demarque fins do século XIX como marco inicial, têm-se indicativos de que sua existência seja mais remota e acompanha as origens do método intuitivo. Segundo Fernando Palyart Pinto Ferreira (1913-1914vii), a fundação dos museus escolares data dos fins do século XVIII e sua criação se deve ao padre luterano João Frederico Oberlin, que os introduziu nas escolas do Ban de La Roches, nos Vosges, seguindo o método de Pestalozziviii. Conforme Ferreira (1913-1914), os museus escolares são consequência do método intuitivo, sendo, portanto, necessários onde se quer seguir este método.

Conforme indicado inicialmente, a literatura tem assinalado que, apesar de servirem à mesma finalidade pedagógica, há diferentes formatos de museus escolares. A produção estudada até o momento sinaliza diferentes orientações sobre possíveis modos de organizar, discussões, enfim, de caráter prático (metodológico) e por vezes teórico.

Ferdinand Buissonix, no Dicionário de Pedagogia e Instrução Primária de 1887, explica:
A expressão museu escolar poderia se aplicar às coleções de toda natureza formada pelo professor com vistas ao ensino. Mas o termo é tomado geralmente dentro do seu sentido mais restrito, ele designa sobretudo os objetos de ensino conhecidos pelo nome lições de coisas. Um museu escolar é, portanto uma coleção de objetos, alguns naturais, outros fabricados, destinados a dar às crianças ideias claras, exatas, de tudo que as rodeiax. (BUISSON, 1887, p. 1991 – grifos do autor)
Considerando a expressiva circulação do Dicionário de Buisson no campo educativo da época, percebemos ecos dessa definição em diferentes trabalhos, com destaque para o texto de Manuel Antunes Amor (1935). Buisson é considerado um importante intelectual da educação e suas obras são utilizadas como fonte de pesquisa em história da educação.

Ocupando-se da temática dos museus escolares, o trabalho de Diana Vidal (1999) traz uma definição de Manoel José Pereira Frazão, datada de 1884, a qual consta nas Atas e pareceres do Congresso da Instrução de 1882-1883. Para Manoel Frazão:


Chama-se museu escolar uma reunião metódica de coleções de objetos comuns e usuais, destinados a auxiliar o professor no ensino das diversas matérias do programa escolar. Os objetos devem ser naturais, quer em estado bruto, quer fabricados, e devem ser representados em todos os estados por que os fizer passar a indústria. Os que não puderem ser representados em realidade, se-lo-ão por desenhos e por modelos. (FRAZÃO citado por VIDAL, 1999, p. 110)
Para ilustrar a fala de Frazão, apresentamos dois exemplares da coleção de quadros do Museu da Escola Catarinense, oriundos da extinta Academia de Comércio de Santa Catarina. Chamados de quadros instrutivos, caracterizam o ciclo de produção de um produto, da matéria-prima à sua forma final. Como pode se visualizar abaixo, os quadros contêm pequenas amostras de produtos em estado natural, fotografias de lavouras ou indústrias, e novas amostras do produto manufaturado, colados sobre papel, posteriormente envidraçados. No caso da coleção mencionada, os quadros são assinados por Alfredo Teixeira Junior e indicam como localidade a cidade de Santos (SP). A coleção do Museu da Escola Catarinense conta com quadros sobre arroz, seda, fibras têxteis, café, algodão, milho, feijão e mamona.






Figura 1 - Quadro instrutivo

Fonte: Acerco do Museu da Escola Catarinense.

Figura 2 - Quadro instrutivo

Fonte: Acerco do Museu da Escola Catarinense.

Ainda na esteira dos trabalhos de Diana Vidal (2006; 2009), localizamos textos nos quais a autora se debruça sobre o estudo dos museus escolares, concentrando-se na análise de sua composição material, com destaque para os quadros parietais, sobretudo de fabricação francesa, comercializados pela Maison Deyrolle. De acordo com a autora, há uma série desses quadros, denominados “Musées Scolaires”, traduzidos para o português por Menezes Vieira. Alguns exemplares integram o acervo da Escola Caetano de Campos. Estes quadros, bem como coleções de objetos, eram ofertados como recursos didáticos para o ensino de ciências naturais, história e geografia humana (VIDAL, 2009). Diana Vidal explora ainda, em seus trabalhos, a atuação de Menezes Vieira e as relações comercias entre a Maison Deyrolle, enquanto Menezes foi diretor do Pedagogium. Abaixo exemplos dos referidos quadros retirados do site da Maison Deyrolle.









Figura 3 - Musée Scolaire

Fonte: http://www.deyrolle.com

Figura 4 - Musée Scolaire

Fonte: http://www.deyrolle.com

Com os indicativos até aqui apresentados, é possível considerar que, em linhas gerais, um museu escolar é uma junção de objetos, naturais e/ou fabricados, pertencentes aos reinos mineral, vegetal e animal, organizados em coleções pelos professores e alunos, destinados ao ensino, caracterizando-se como instrumento auxiliar.

Se, por um lado, alguns autores se ocuparam ou cunharam conceitos de museus, há textos e autores que trazem orientações práticas de como fazê-lo. Fernando Palyart Pinto Ferreira (1913-1914) é um deles. Autoridade no campo pedagógico português, o educador fornece inúmeros elementos práticos para a formação de um museu, desde a disposição que o professor precisa ter para conseguir artigos, até os utensílios que poderia utilizar para prepará-los e conservá-los.
Desejamos na nossa escola um museu? Entusiasmemos as crianças, peçamo-lhes o seu concurso; e com o seu e nosso trabalho a organização será rapida. Visitemos fábricas e peçamos amostras, que no-las darão, façamos excursões, não nos envergonhemos de acompanhar os nossos alunos levando a tiracolo as suas malas de lona para os produtos minerais, e as caixas para herborisar, condução de insectos, reptis, etc.; e de volta, na escola, preparemos umas cousas e ponhamos outras a bom recato, esperando a sua vez: – e no fim de poucos dias encontra-nos-hemos com algumas dezenas de exemplares utilissimos, e valorizados desde o primeiro momento. (FERREIRA, 1913-1914, p. 5)
Para Fernando Pais de Figueiredo (1924), “a criança deve instruir-se, vendo, fazendo. Para tanto, o museu escolar deve ser considerado como a mais cabal integração do ensino intuitivo, e todos o devem reconhecer ainda mesmo aqueles muito acorrentados [...] ao velho aforismo do magister dixit!” (Id., p. 451). Para Figueiredo, o museu faz da natureza um instrumento didático. Professores e alunos devem ter atração pelo trabalho, e este deve estar assentado num regime “acentuadamente prático e duma idealidade recreativa sempre crescente” (Id., p. 448). Para que as crianças compreendam, é necessário que seja claro e concreto o ensino. “[...] O ensino intuitivo é o único que cabalmente satisfaz a todas as exigências modernas, ainda as mais banais” (Id., p. 449).

A partir deste cenário inicial, composto a partir de um levantamento na bibliografia sobre a temática, vemos uma vasta produção européia durante o século XX e uma expressiva repercussão em território brasileiro, em congressos, relatórios e documentos reguladores do ensino.

Nos últimos anos, as pesquisas acerca do tema no Brasil estão crescendo paulatinamente, com destaque para os trabalhos de Diana Vidal (1999; 2006; 2009), e as pesquisas mais recentes de Paulo Sily (RJ), doutorando na UERJ, que tem apresentado resultados de suas pesquisas em congressos nacionais e internacionais a respeito das práticas educativas do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Este museu, segundo o autor, produzia coleções didáticas e mapas murais e os distribuía entre as escolas, para o ensino de História Natural nos museus escolares. Zita Rosane Possamai (RS) tem trabalho (2010) sobre as ações do Museu do Estado do Rio Grande do Sul, em parceria com as escolas. A autora tangencia a questão dos museus escolares quando trata do fornecimento pelo Museu do Estado de coleções de rochas, minerais e amostras de solo para as escolas. Ana Maria Lourenço Poggiani (SP) apresentou o artigo “Museu escolar: experiências e perspectivas na educação brasileira” (2009) e está redigindo sua dissertação de mestrado sob o título “A importância dos museus pedagógicos na educação brasileira na primeira metade do século XX”, ao abrigo da Universidade Católica de Santos. Temos localizado ainda importantes produções com origem em estudos de investigadores franceses, espanhóis e portugueses.
Memórias de inventário
Conforme anunciado inicialmente, privilegiou-se neste estudo um livro de inventário datado de 1941 e 1942. Tal documento, utilizado aqui como fonte principal, contém inventários de diversas escolas públicas catarinenses, tanto de grupos escolares quanto de escolas isoladas e desdobradas, enviados ao Departamento da Educação nos anos 1941 e 1942.

De acordo com a legislação educacional, as escolas tinham obrigação de elaborar inventários anuais, regulamentação que encontramos no Regimento Interno dos Grupos Escolares de 1914. Segundo ele, os porteiros eram responsáveis pela apresentação ao diretor do inventário da escola, e os professores, o inventário da classe que regiam. Do cumprimento dessa obrigação dependia o pagamento de seu salário do último mês em exercício; cabia ao diretor apresentar, findo o seu mandato, o inventário geral ao novo diretor, sob a mesma pena.

O inventário deveria ser feito em três vias: uma seria transcrita no livro de inventário da escola; outra ficaria com o professor, porteiro ou diretor demitido ou transferido; a última era remetida ao Diretor da Instrução Pública. O preenchimento do inventário deveria obedecer ao seguinte: quantidade; móveis; estado de conservação; valor e um campo destinado a observações (Portaria n. 153, 18 jun. 1941).

Deveriam ser excluídos do inventário os objetos estragados pelo uso, tornados inaproveitáveis. Neste caso, o diretor deveria anotar no campo de observações: “estragado pelo uso ou danificado”. Encontramos um exemplo ilustrativo do atendimento a esta observação. Ao listar os objetos referentes ao ensino de física e química, o professor responsável assim registra: “Não pomos o valor dos acidos por estarem estragados pelo tempo” (Grupo Escolar Victor Meirelles, 1941).

Já o diretor do Grupo Escolar Felipe Schmidt (1941), na introdução do inventário da escola, menciona: “Não dei preço de alguns objetos do museu por não encontrar quem soubesse o valor deles, mormente estando eles em mau estado”. Esta anotação revela, de certa forma, a peculiaridade dos objetos que compõe um museu, tais como amostras de pedras, crânios de pequenos animais, entre outros.

O livro aqui analisado apresenta um total de 237 inventários/escolas. Destas, 23 correspondem a Grupos Escolares e 213 a Escolas Públicas Isoladas, Desdobradas e/ou Mistas, e uma escola indefinida, predominando a presença do primeiro tipo de escola no curso de 1941 (21 grupos escolares), e da segunda em 1942 (212 escolas públicas). Deste cenário quantitativo, apenas 11 escolas apresentaram inventário de museu escolar. Em termos percentuais, equivalem a 4,64% por cento. Essa distribuição pode ser mais bem visualizada na tabela 1.

Tabela 1 – Número de escolas que apresentaram inventário e quantidade de museus

1941

1942

Total


Grupos escolares

Escolas isoladas ou desdobradas

Escola indefinida

Total parcial

Grupos escolares

Escolas isoladas ou desdobradas

Total parcial

21*

2

1**

24

1

212***

213

237

* 9 grupos escolares possuíam museu; ** 1 museu; *** 1 escola desdobrada possuía museu

Fonte: Sistematização de dados do Livro de Inventário 1941-1942.

Por sua vez, o Estado contava com 2.336 escolas primárias no ano 1941 e 2.403 em 1942, conforme tabela abaixo.


Tabela 2 – Quantidade de unidades escolares nos anos 1941 e 1942 em Santa Catarina



Ano

Ensino em geral

Ensino primário

1941*

2.404

2.336

1942**

2.488

2.403

* Anuário Estatístico do Brasil 1941/1945: Educação. Ensino em Geral. Principais resultados regionais. Organização didática e movimento escolar, segundo as categorias do ensino 1938/1941. Unidades escolares. (p. 392-395)

** Anuário Estatístico do Brasil 1946: Educação. Ensino em Geral. Principais resultados regionais, segundo as categorias do ensino 1942. Unidades escolares. (p.422-423)




Cotejando as informações registradas nas duas tabelas, notamos que o número de escolas agregado no livro de inventário aqui analisado corresponde a 1,02% em 1941 e a 8,86% em 1942, em relação ao total de escolas primárias existentes no estado. Não podemos fazer maiores observações, no momento, sobre a expressividade dos museus ou sobre o cumprimento da obrigação de enviar inventário ao Departamento de Educação. Devido ao estágio de andamento da pesquisa, não é possível ainda afirmar a existência de outros livros de inventário.

Dos inventários enviados ao Departamento de Educação, foi possível identificar as cidades representadas no mapa abaixo. A figura 5 é representativa do universo de municípios possíveis de identificar no presente momento, uma vez que nem todas as escolas informaram precisamente o nome do município em que se localizavam.

Figura 5 – Municípios que remeteram inventário ao Departamento de Educação (1941-1942)



Fonte: Sistematização de dados do Livro de Inventário 1941-1942.
Deste conjunto de 237 escolas, 11 informaram possuir museu escolar.

Figura 6 – Escolas que possuíam Museu Escolar e município onde se localizam



Fonte: Sistematização de dados do Livro de Inventário 1941-1942.

Das 11 escolas, não foi possível identificar o nome e cidade correspondente a apenas uma, por isso esta escola não está indicada no mapa; entretanto, a análise do conteúdo de seu inventário foi integrada a este texto. Destas, os Grupos Escolares Jerônimo Coelho e Victor Meirelles fizeram parte da primeira geração de grupos escolares do estado de Santa Catarina construídos a partir da Reforma da Educação de 1911.

Observamos também, na figura 6, que apenas uma das 10 escolas que possuíam museu não é grupo escolar, o que indicaria uma possível predominância de museus em grupos escolares. Uma primeira hipótese para esse “predomínio” é a presença do museu na estrutura física do grupo escolar, considerando que a ele se destinava uma sala específica, conforme estabelece o Regimento Interno de 1914. Outra hipótese é a não-visibilidade dos museus em escolas isoladas e desdobradas, por ocuparem, em geral, apenas um cômodo. Os objetos do museu, nestes casos, acabavam diluídos entre tantos outros. Já a hipótese para o aparecimento, mesmo que inexpressivo, de um museu escolar em uma escola com este perfil, é que o museu constitua um elemento didático, a serviço do método intuitivo (mas não só), aparecendo, desta forma, em escolas que adotavam o método, independente da estrutura física. Esse dado é importante porque informa a existência de museus escolares em escolas isoladas e desdobradas, o que em geral não é referido na produção da área.

Quanto à descrição dos objetos, as tabelas preenchidas pelas escolas para o inventário seguem um padrão relativamente estável, semelhante ao proposto pela Portaria n. 153, de 1941, englobando os seguintes pontos:





Número de ordem

Quantidade

Qualidade [descrição do objeto]

Estado de conservação

Valor

Observações

Alguns inventários são um pouco mais específicos. Fornecem o valor unitário do objeto e o valor final em relação a toda a quantidade. Outra mudança perceptível é na nomenclatura usada para cada coluna da tabela. Em alguns casos, ao invés de qualidade, usa-se especificação ou objetos e utensílios; contudo, sempre com o mesmo sentido. Embora houvesse uma recomendação, cada escola assumiu um modo próprio de compor seu registro.

Como característica espacial, verificamos que cinco dos onze museus ocupam uma sala própria; quatro, dividem o espaço com a Biblioteca; outro, está instalado em uma sala juntamente com a Biblioteca, o Clube de Leitura e a Cooperativa Escolar de Consumo. Quanto ao museu da escola desdobrada, não foi possível identificar se possuía sala própria ou se funcionava junto à sala de aula. Outra possibilidade de investigação é de sua existência dentro das salas de aula. Isto poderia ser apurado por meio da análise de todos os componentes descritos nos inventários, visto que o documento-fonte aqui utilizado é bastante descritivo neste aspecto. Contudo, restringimo-nos, no presente estudo, à análise dos inventários específicos de museus, não sendo possível apreender a existência de museus in loco nas salas de aula, trabalho do qual nos ocuparemos mais adiante.

Como lógica de construção das listagens temos:



  • em cinco museus a descrição dos objetos apresenta uma organização visível, separando os objetos de acordo com categorias;

  • dois museus relacionam apenas móveis;

  • um museu divide os objetos de acordo com a função e instituição a que se vincula (objetos do museu e objetos da biblioteca);

  • dois museus mencionam apenas os objetos que o compõem, não listando móveis;

  • um museu apresenta os objetos e móveis desordenadamente.



Um armário + vidrinhos + pedras + quadros = Museu Escolar?
Os indícios apurados indicam diferentes formas de apropriação do conceito de museu e de suas formas de operacionalização. Embora, de acordo com as definições apresentadas até aqui, um museu se traduza pela reunião de objetos de diferentes naturezas recolhidos e organizados especialmente para o ensino escolar, verificamos que nem todos apresentavam diversidade de objetos, alguns listavam apenas móveis; outros, apenas demais objetos. Além disso, o item que mais se sobressaiu foram os quadros, ou pranchas pedagógicas, em praticamente todas as áreas de ensino. São quadros sobre o trigo e o pão, a indústria vidreira, o sistema nervoso, os insetos nocivos, entre outros.

A descrição de utensílios, tanto de ordem organizativa (mobiliário), quanto de ordem didática (quadros, pequenos animais, exemplares de rochas, entre outros artigos), sugere uma lógica de constituição do acervo que se relaciona com um princípio pedagógico ao qual o museu se vincula. Isso quer dizer que a prioridade dada a determinado tipo de objeto para compor um museu revela a afinidade com uma proposta pedagógica (ensino intuitivo ou outro método). Por outro lado, não podemos apontar a intenção pedagógica de determinada escola apenas pelos materiais que ela relaciona em um inventário.

Podemos, porém, arriscar-nos a inferir que uma escola que afirma possuir no acervo do seu museu itens tais como os relacionados na tabela abaixo, está mais próxima do ideal de educação ativa e intuitiva esperado pela presença de um museu escolar.

Tabela 3 – Amostra dos objetos descritos no inventário do Grupo Escolar Professor Davi do Amaral



  • Blusa antiga de senhora

  • Par de sapatos de criança; antigo

  • Par de sapatos de senhora; antigo

  • Casco de cágado

  • Casco de tatu

  • Casulo de seda

  • Coleção de 24 tipos de borboleta

  • Copo de chifre

  • Couro de cobra

  • Couro de lagarto

  • Couro de pingüim

  • Crânio de cão

  • Crânio de macaco

  • Cupinzeiro

  • Esqueleto de gado

  • Garrafa com jararaca

  • Pombo de pedra feito pelos índios

  • Queixada de cação

  • Vidro com dois ovários de galinha

  • Pedaço de árvore canforada

  • Vidro com areia do mar

  • Vidro com areia do rio

  • Vidro com cristais de soda

  • Vidro com chumbo lascado

  • Vidro com fragmento de estalagmite

  • Pedras cristal

  • Pedras diversas (fossilizadas)

Fonte: Sistematização de dados do Livro de Inventário - 1941-1942, p. 100.


Levando em conta estas informações iniciais, para aprofundar a análise do conteúdo dos inventários extraímos as informações das colunas “descrição do objeto”, em detrimento das outras (quantidade, estado, valor, etc.), pois o espaço disponível para o presente texto seria insuficiente para incluir todas as variáveis.

Os objetos listados pelas escolas foram cruzados com as categorias propostas por E. Bannwarth (1925) para organizar os itens que deveriam compor um museu, categorias estas referentes a um item de estudo (conteúdo), a fim de tentar apreender, de certa forma, a engenharia dos acervos dos museus aqui analisados, sobretudo no que diz respeito às possibilidades dos conteúdos a serem trabalhados a partir dos objetos.

Optamos por utilizar as categorias propostas por Bannwarth, por terem sido consideradas de maior diversidade e, consequentemente, de maior alcance por diferentes matérias. Ferdinand Buisson também propôs uma organização para os itens de um museu. Em alguns pontos Buisson e Bannwarth são bastante próximos; todavia, como já foi mencionado, Bannwarth apresenta mais subdivisões, conforme se observa na tabela 4.

Tabela 4 – Plano de um Museu Escolar



A. Lições de coisas

1. Alimentação

2. Aquecimento, iluminação

3. Vestuário

4. Habitação

5. Indústrias diversas


B. Ciências Naturais

1. O homem

2. Higiene prática

3. Animais


C. Ciências usuais


1. Física

2. Química



D. Botânica


1. Botânica geral

2. Herbário



E. Agricultura


1. O solo e o campo

2. A pradaria e o jardim



F. História

G. Instrução cívica

H. Geografia

I. Geologia

1. As rochas

2. Fenômenos geológicos



J. Matemática


1. Cálculo

2. Sistema métrico

3. Geometria


K. Moral

L. Língua francesa [portuguesa]

Fonte: BANNWARTH, 1925.

No esforço de visualizar a possível utilidade didática de cada um dos objetos inventariados pelas escolas, procedeu-se a uma nova reorganização, agrupando os objetos não mais por escola, mas por área de ensino, de acordo com as expectativas e repertório presentes, do que deduzimos poder fazer parte de determinada disciplina.

As tabelas que seguem no decorrer do texto foram construídas para dar legibilidade à infinidade de listas de inventários, possibilitar a comparação e dar uma ideia geral dos objetos/conteúdos presentes nos museus. A partir dessa organização, foram computadas as informações de nove escolas, do total de onze, pois duas escolas mencionaram possuir apenas móveis no museu. Por sua vez, são doze as categorias propostas por Bannwarth para disposição das coleções.

Na tabela 5, podemos visualizar cada item de estudo e o número de museus que possuíam objetos que correspondem ao item, ou seja, quantos museus poderiam servir de instrumento auxiliar ao ensino de ciências naturais, geografia, etc. Verificamos que o item mais contemplado diz respeito às ciências naturais, dado que reforça a ideia de que os museus em grande parte eram museus de ciências naturais.


Tabela 5 – Itens de estudo a que os museus atendem



Item de estudo

Nº de museus que atendem ao item

Ciências naturais

9

Geografia

7

Lições de coisas

5

História

5

Matemática

5

Ciências usuais

4

Botânica

3

Agricultura

3

Geologia

3

Instrução cívica

2

Moral

2

Língua francesa [portuguesa]

2


Fonte: Sistematização de dados do Livro de Inventário - 1941-1942.

Por outro lado, sabemos que os objetos destinados ao ensino de uma disciplina não são tão imutáveis e as disciplinas nem tão estanques, o que significa dizer que essas categorias são flutuantes, à proporção que um mesmo objeto pode servir de base para o estudo de diferentes assuntos. Nesta reflexão, usamos como exemplo o estudo da língua materna, como é possível conferir no Programa dos Grupos Escolares e das Escolas Isoladas do Estado de Santa Catarina de 1914. Na disciplina de Linguagem Oral, os alunos deveriam: “[...] Descrever assumptos representados pelas estampas do museu (quadros contra o alcoolismo, apparelhos agrarios, quadros da industria pecuaria) orientando o professor as descripções, de modo a educar os alumnos quanto a concatenação nas descripções.” (p.47-48 – grifos do original). Ou seja, objetos que deduzimos fazerem parte de estudos sobre moral, agricultura e indústrias, são destinados igualmente a outra função.

Pela análise da tabela 6, verificamos que as escolas cujos objetos contastantes nos museus contemplam um número maior de conteúdos são: Jerônimo Coelho (Laguna); Victor Meirelles (Itajaí) e Felipe Schimidt (São Francisco do Sul). As duas escolas cujos museus abrangeram apenas um item de estudo foram: Gustavo Capanema (Presidente Getúlio) e Escola Estadual Desdobrada (Joinville). De todos, o item que não foi atendido por nenhuma escola foi “fenômenos geológicos”.

Tabela 6 – Número de itens de estudo (categorias) a que cada escola atende



Categorias

Iniciais do nome das escolas

V.M.

Ind.

L.R.

J.C.

G.C.

F.S.

D.A.

A.G.

Des.

A. Lições de coisas

1. Alimentação

X







X










X




2. Aquecimento, iluminação

X

























3. Vestuário

X







X







X







4. Habitação

X







X
















5. Indústrias diversas

X







X




X




X




B. Ciências Naturais

1. O homem

X




X

X




X

X







2. Higiene prática




X




X




X










3. Animais

X

X

X

X

X

X

X

X

X

C. Ciências usuais

1. Física

X







X




X

X







2. Química

X













X

X







D. Botânica

1. Botânica geral

X







X







X







2. Herbário




























E. Agricultura

1. O solo e o campo

X







X







X







2. A pradaria e o jardim

X

























F. História




X




X




X

X

X




G. Instrução cívica







X







X










H. Geografia

X

X

X

X




X

X

X




I. Geologia

1. As rochas




X

X










X







2. Fenômenos geológicos




























J. Matemática

1. Cálculo







X

X




X




X




2. Sistema métrico




X




X




X




X




3. Geometria







X

X




X










K. Moral

X







X
















L. Língua francesa [portuguesa]




X




X
















Total

14

7

7

17

1

12

10

7

1

Fonte: Sistematização de dados do Livro de Inventário - 1941-1942.

Quanto aos objetos, conforme indicado acima, os quadros são os mais recorrentes, tanto em quantidade quanto em número de escolas que os possuíam. O conteúdo relativo aos animais foi o que contemplou maior diversidade de artigos, seguido do de física e química. O item que não apresentou quadros e apenas espécies originais da natureza foi o das “rochas”. Geografia, por sua vez, contou “apenas” com mapas e globos geográficos.

Além dessas categorias referentes aos conteúdos de ensino, travestidos em objetos no museu, os inventários fornecem pistas do mobiliário destinado ao armazenamento e à organização das coleções. A quantidade de armários, mesas, estantes e suportes para quadros sugere a demanda de um ou outro tipo de objeto presente. Ou seja, se o museu dispõe de mais suporte para mapas e os próprios mapas, em detrimento de armários para espécies minerais, vegetais e animais, e se a razão de objetos desta natureza é reduzida, pode-se supor que as aulas “de/ou no museu” se centravam mais na observação e visão de gravuras. Diana Vidal (1999) sinaliza para o predomínio da “pedagogia do olhar” nos museus escolares de ensino intuitivo, que privilegiavam a visão, uma vez que o manuseio dos objetos se dava sobremaneira pelo professor, cabendo ao aluno a função de visualizar. Além disso, destaca que os objetos deveriam preferencialmente ser guardados em armários com portas de vidro, para possibilitar a visão, mas impedir o toque.

Pela tabela 7 podemos visualizar que o móvel mais presente em diferentes museus é a cadeira, seguida de mesas e armários.

Tabela 7 – Móveis que compunham os museus


Móvel

Nº de museus que possuem

Armários

7

Armação para quadros

1

Cadeiras

10

Carteiras

4

Escadas

2

Estantes

3

Cavalete para mapas

1

Mesas

7

Quadros negro

3

Fonte: Sistematização de dados do Livro de Inventário - 1941-1942.

Sobretudo no caso de o museu dividir o espaço com a biblioteca, encontramos número elevado de carteiras e cadeiras para os alunos. A presença do quadro negro e das carteiras sugere que em algum momento o ensino era verticalizado, reproduzindo a atuação docente em sala de aula. É possível, ainda, que as carteiras fossem utilizadas para manipulação dos objetos pelos alunos. Para armazenar as coleções, sobressai-se o número de armários, seguido do de mesas, finalizando com o de estantes.


Considerações finais
Os objetos “dizem” muito sobre as sociedades, assim como aqueles produzidos para escolas e apropriados por elas revelam tendências pedagógicas, condições econômicas e materiais; associam-se a saberes e práticas, embora sejam tomados muitas vezes como pressupostos naturais (SOUZA, 2007).

Para desnaturalizar objetos e práticas é preciso conhecê-los a fundo. O intuito deste artigo foi revelar um pouco mais sobre os museus escolares, aqui tomados como expressão da materialidade escolar. Introduzidos nas escolas catarinenses no princípio do século XX, junto a criação dos primeiros grupos escolares, espraiaram-se para demais tipos de escolas e permaneceram em determinadas instituições por um longo período. Todavia, essa “revelação” se fez a partir de inúmeros limites, como a não localização até o momento de exemplares constituintes de museus conservados até os dias atuais. Por outro lado, verificamos como um único documento histórico fornece a possibilidade de visualizarmos mentalmente a base material das escolas, neste caso dos museus escolares, que em alguns momentos mostraram-se tímidos e em outros bastante suntuosos, do ponto de vista da diversidade material.

Diana Vidal (1999) já apontou que no esforço de recompor os usos dos museus escolares, é preciso recorrer à observação de sua materialidade. Exercício que procuramos iniciar neste artigo.
Referências bibliográficas
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PESAVENTO, Sandra Jatahy. História & História Cultural. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

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POSSAMAI, Zita Rosane. “Lições de coisas” no museu: o método intuitivo e o Museu do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil nas primeiras décadas do século XX. In: Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação, 8, 2010. Anais VIII Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação. São Luís: UFMA, 2010. 1 CD-ROM.

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SOUZA, Rosa Fátima de. História da Cultura Material Escolar: Um balanço inicial. In: BENCOSTTA, Marcus Levy (org.). Culturas Escolares, Saberes e Práticas Educativas: itinerários históricos. São Paulo: Cortez, 2007, p. 163-189.

VALDEMARIN, Vera Teresa. Estudando as Lições de Coisas. Campinas: Autores Associados, 2004.

VIDAL, Diana Gonçalves. Por uma pedagogia do olhar: os museus escolares no fim do século XIX. In: VIDAL, Diana Gonçalves; SOUZA, Maria Cecília Cortez Christiano de (orgs.). A memória e a sombra: a escola brasileira entre o Império e a República. Belo Horizonte: Autêntica, 1999, p. 107-116.

­­­­­­­­_____________________. O Museu Escolar Brasileiro: Brasil, Portugal e França no âmbito de uma história conectada (final do século XIX). In: FERNANDES, Rogério; LOPES, Alberto; FARIA FILHO, Luciano Mendes de (orgs.). Para a compreensão histórica da infância. Porto: Campo das letras, 2006, p. 239-264.

_____________________. A invenção da modernidade educativa: circulação internacional de modelos pedagógicos, sujeitos e objetos no oitocentos. In: CURY, Cláudia Engler; MARIANO, Serioja (org.). Múltiplas visões: cultura histórica no oitocentos. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2009, p. 37-54.


Fontes:
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ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL 1941/1945. Disponível em: Acesso em: 1 fev. 2011.

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ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Inventário escolar do grupo escolar para Departamento da Educação. 1941-1942.

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Portaria n. 153. 18 de junho de 1914. Diário Oficial de 18 de junho de 1941.

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Programa dos Grupos Escolares e das Escolas Isoladas do Estado de Santa Catarina. Aprovado e mandado observar pelo Decreto n. 796, de 2 de maio de 1914. Joinville: Typographia Boehm, 1914.

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Regimento Interno dos Grupos Escolares do Estado de Santa Catarina. Aprovado e mandado observar pelo Decreto n. 795, de 2 de maio de 1914. Joinville: Typographia Boehm, 1914.

BANNWARTH, E. Le Livre Auxiliare des Maîtres pour l’organisation des Musées Scolaires: principes, elèments, classification, usages. Paris: Librairie Classique Fernand Nathan, 1925.

BUISSON, Ferdinand. Dictionnaire de Pédagogie et D’Instruction Primaire. Paris: Librairíe Hachette, 1887, p. 1991-1993.

FERREIRA, Fernando Palyart Pinto. Museus Escolares. In: Separata do Anuário da Casa Pia de Lisboa. Lisboa: Tipografia da Casa Portuguesa, 1913-1914, p. 3-12.



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Galeria virtual Deyrolle. Disponível em: . Acesso em: 28 jul. 2010.

i Este trabalho se articula ao Projeto de Pesquisa aprovado na seleção do Programa de Pós-Graduação em Educação, linha de pesquisa História e Historiografia da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). O título provisório do projeto é “De bolsas a tiracolo: a constituição dos museus escolares em Santa Catarina (1911-1971)”, conta com a orientação da professora Vera Lucia Gaspar da Silva. Esta pesquisa está vinculada também as pesquisas: “Objetos da Escola: cultura material da escola graduada (1870-1950)” (UDESC), coordenada por Vera Lucia Gaspar da Silva, e “História da Escola Primária no Brasil: investigação em perspectiva comparada em âmbito nacional (1930-1961)” (CNPq), coordenada por Rosa Fátima de Souza.

ii Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação, linha de pesquisa História e Historiografia da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Possui graduação em Pedagogia (2010) pela mesma universidade.

iii Ver Pesavento, 2004.

iv G. Eisenmenger, estudioso francês, foi professor Associado da Universidade, Doutor em Ciências, Diretor do Jornal “O trabalho manual, as ciências experimentais e o cinema na escola”, escritor de diversos livros, entre eles, “Manual de ciências naturais” com volumes voltados para cada ano escolar.

v E. Bannwarth, personalidade do cenário educativo francês, professor primário e autor, entre outras, da obra “O livro auxiliar dos professores para utilização de Museus Escolares: princípios, elementos, classificação, usos”, editado em 1925 pela Livraria Clássica Fernand Nathan, em Paris.

vi Tradução livre de: “Dans toute école, véritablement digne de ce qu’on attend d’elle, doit exister un ensemble bien pourvu d’objets variés servant de base à l’enseignement concret. Cet ensemble est le Musée scolaire. Toutes les pièces qu’il renferme doivent être soigneusement choisies et répondre à un but bien déterminé, être méthodiquement présentées afin de graduer les efforts demandés aux élèves. Il peut se trouver que telle école possède un assemblage d’objets, alors que telle autre a su établir un véritable musée scolaire. Tel musée, tel maître, pourrait-on dire. Un musée scolaire, instrument de progrès intellectuel n’est pás plus un assemblage d’objets quelconques, qu’un tas de pierres n’est une maison”.

vii O período compreendido entre os anos 1913 e 1914 corresponde a um ano escolar em Portugal.

viii Conforme Vera Teresa Valdemarin (2004), o referencial teórico do método intuitivo vai além de Pestalozzi e Froebel, encontrando-se no empirismo de Francis Bacon, John Locke e David Hume, nos séculos XVII e XVIII.

ix Ferdinand Buisson (1841-1932), pedagogo francês, reorganizou o sistema da escola primária na França. Foi um dos fundadores da Liga dos Direitos do Homem, recebeu o Nobel da Paz em 1927.

x Tradução livre de: “L’expression de musée scolaire pourrait s’appliquer aux collections de toute nature formées par le maître en vue de son enseignement. Mais ce terme est pris généralement dans un sens plus restreint; il désigne surtout les objets d’enseignement connu sous le nom de leçons de choses. Un musée scolaire est done une collection d’objets, les uns naturels, les autres fabriqués, destinés à donner aux enfants des idées nettes, exactes, sour tout ce qui les entoure”.

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