Na sequência de Cascais e os Seus Cantinhos



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Encontro29.07.2016
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PREÂMBULO
Vêm estes Recantos na sequência de Cascais e os Seus Cantinhos, que se apresentou a 19 de Dezembro de 2002. Reúnem-se aqui deambulações de 2001 e 2002 pelos mais variados sítios do concelho, na busca do inusitado, do pormenor histórico, do monumento significativo… de Património, enfim!…

Um pouco ao acaso das circunstâncias – que, diga-se desde já, houve circunstâncias. Segui, por isso, a ordem por que os textos foram aparecendo nas páginas semanais do Jornal da Região – Cascais. Certo é que, aqui e além, porque se voltara ao tema ou porque assim ficava mais lógico, se ajuntaram textos escritos em épocas diferentes sobre o mesmo assunto, visto, porém, de outro ângulo; e ficaram no mesmo capítulo as deambulações em que o espaço de página nos obrigara a artificiais parcelamentos. Mas foi excepção – que se preferiu manter a cronologia e assinalá-la no final de cada apontamento, pois há salpicos só compreensíveis se se verificar a data em que ocorreram.

Regressámos frequentemente a meados do século passado, por temermos que boa parte desses tempos e dos seus usos e costumes, depressa absorvidos pelo “progresso”, ficassem sem memória escrita. Escusar-me-á o leitor se, aí, com frequência – quiçá com demasiada frequência, perdoar-me-á! – se assume a primeira pessoa. Também para afirmar que de uma opinião se trata, de uma vivência… Outros tiveram outra, mais enriquecida e enriquecedora, sem dúvida. Esta não passa de uma das… mil e tantas!

Cenários são de paixão – pelas pessoas, pelo ambiente (que tem, desta feita, um lugar muito especial e compreende-se porquê, dada a onda avassaladora do cimento armado de ‘cidades por inventar’…), pela História, pela omnipresença do mar…

Consolou-me ir sabendo que a mensagem passava, em gesto compassado de espicaçar pausados deslumbramentos, a remar contra o frenesim quotidiano: «Imagine! Tantas vezes passara por ali e nunca reparara!»… Dentro da «casa» em que, afinal, mais deveríamos viver, observar, estar activos, maravilhar-nos!…

Seguimos, pois, por aí. Ao deus-dará, parece. Agora, detemo-nos no tempo sem tempo do laboratório da Guia, outro mundo insuspeitado. Mais além, falamos com o Sr. Conde de Castro Guimarães e ouvimo-lo, noite afora, ao piano, na sua «sala vermelha». Bisbilhotamos vidas de célebres hóspedes de hotéis e de personagens famosos: «Perpassa por ali a fragrância do tabaco da Virgínia ou dos cigarros turcos, dos perfumes de Paris e dos uísques sem idade»… Sabemos de Fausto de Figueiredo, visionário. Entramos de mansinho no religioso aconchego de ermidas. Metemo-nos com a guarnição de Oitavos: «Olá, amigo, não há malga de sopa cá prà gente?».

Não esquecemos pitadas de História, sobretudo da que está mais perto de nós, mas também nos embrenhámos em histórias de Romanos a prestarem cultos a divindades locais, em serena comunhão…

Caminhada quase ritual, de facto, na observação miúda de um quotidiano que, assim, teimamos em que não passe despercebido – mais atentos vamos ficando ao mundo que nos envolve.

Páginas escritas ao ritmo da semana – para também serem lidas assim, na pausa do labutar…

Cascais, 10 de Setembro de 2004








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