Nas asas do desejo



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TELA ALTERNATIVA 2012
PROGRAMAÇÃO

NAS ASAS DO DESEJO
06-03 A história de Adèle H (François Truffaut, 1975)
1863. Baseado na história verídica de Adèle Hugo, filha de Victor Hugo, o célebre autor de Os miseráveis, filmada com paixão e narrada com perfeição pelo enfant terrible do cinema francês, François Truffaut – que faz uma ponta à la Hitchcock, seu grande ídolo –, o filme nos faz mergulhar no mundo mental gradativamente em colapso daquela jovem cujo grande “pecado” foi amar demais. Sem pieguices ou concessões a saídas narrativas batidas, o diretor de Os incompreendidos e Jules et Jim coloca na tela todo o eclipse da razão da protagonista, que vai atrás do homem que ela ama desesperadamente (e esse não é apenas um advérbio surrado, no caso), o tenente inglês Albert Pinson (Bruce Robinson), que ela segue onde quer que ele se encontre. É o colapso da razão sob as lentes do sensível incorrígel François Trufaut. (Entre a Galhofa e a Melancolia).
13-03 Carne trêmula (Pedro Almodóvar, 1997)
A irreverência escandalosa e erotizada dos filmes de Almodóvar chega ao auge em um de seus melhores filmes. Em Carne trêmula, o autor de Matador, A lei do desejo, Ata-me, Kika e Mulheres à beira de um ataque de nervos explora com genialidade o gênero que o consagrou, o melodrama pontuado pela encruzilhada entre o drama e a comédia, com reflexões sobre política, amor, desejo e morte. A história gravita em torno de cinco personagens, destinos que se entrelaçam pelos caminhos da culpa e da redenção. (Cássia Borsero).
20-03 Decálogo II e VI (Krzysztof Kieslowski, 1989)
Ainda que Kieslowski tenha sido o criador de várias obras-primas, O decálogo talvez seja sua obra mais profunda, multifacetada e aperfeiçoada. Originalmente filmado para a televisão polonesa, O decálogo é uma coleção de 10 curtas com menos de uma hora, cada um ambiciosamente apresentando uma história baseada livremente em um dos Dez Mandamentos e todos eles passados no mesmo complexo de apartamentos sombrio de Varsóvia. (1001 filmes).
Decálogo II - Não invocarás o Santo Nome de Deus em vão: Mulher engravida de seu amante e resolve abortar, caso seu marido, gravemente doente, se recupere.
Decálogo VI - Não cometerás adultério: Um jovem tímido e inocente espia sua vizinha pela janela, e se apaixona por ela.
27-03 Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry, 2004)
Brilho eterno de uma mente sem lembranças é não apenas o mais acessível e romântico roteiro de Charlie Kaufman, mas também o mais completo. O terceiro ato funciona como um encanto e reúne maravilhosamente bem todos os temas, personagens e conflitos. A história se passa basicamente dentro da cabeça de Joel Barish (Jim Carrey). Ele sabe que a relação com sua namorada Clementine (Kate Winslet) é moderna, mas leva o maior susto ao descobrir que ela teve suas lembranças sobre ele totalmente apagadas de sua mente. Ao procurar o inventor desse processo, Dr. Howard Mierzwiak (Tom Wilkinson), Joel, num impulso, decide fazer o mesmo. Michel Gondry faz uma bela orquestração com a cinematografia de Ellen Kuras, o desenho de produção de Dan Leigh e a montagem de Valdis Oskarsdottir, de forma que as lembranças se fundem e evaporam aparentemente em uma simples tomada. É maravilhoso ver um casal reviver sua vida a dois, voltando no tempo, mas conseguindo comentar o que cada um está pensando e como cada um se enganou a respeito do outro. Mesmo com essa trama de ficção científica, Brilho eterno não se rende à facilidade dos efeitos especiais. Sua ênfase é sempre nos personagens, nos seus corações e mentes. (Cinema Terra - ficha filmes).
03-04 A bela da tarde (Luíz Buñuel, 1967)
Catherine Deneuve é Séverine, esposa burguesa frígida (talvez até virginal) com o marido Pierre. Acaba assumindo uma vida dupla nas tardes da semana como prostituta. É, ao que parece a forma que encontra para se sentir segura e explorar suas fantasias sexuais prodigiosas e masoquistas. A bela da tarde é um dos filmes mais misteriosos, poéticos e complexos jamais realizados. A psicologia dos personagens nunca é apresentada com simplicidade ou clareza. Nem a natureza do mundo cotidiano onde eles residem. (1001 filmes).
CENAS DO CREPÚSCULO: VIDA E MORTE
10-04 Chega de saudade (Laís Bodansky, 2008)
Como não poderia deixar de ser, Chega de saudade é um filme embalado pela música. Elza Soares e Marku Ribas no palco e mais músicas de todo o tipo, de tangos a Reginaldo Rossi, com direito aos famosos pot-pourris das orquestras de salão. Entre um passo e outro, entre uma birita e um salgadinho, as histórias se cruzam, e falam do envelhecimento, da libido que não se aplaca, das rivalidades, dos ciúmes, dos sonhos perdidos mas que sempre retornam e, sim, sempre e sempre, da aspiração a ser amado, da humana necessidade de viver no desejo do outro. Por isso é comovente, e não patético, o caso do conquistador de meia-idade que dá em cima de uma jovem apenas para voltar, rejuvenescido, ao seu antigo – e veterano – amor. Bela interpretação de Stepan como o velho lobo, tão alegre e malandro como melancólico. (Luiz Zanin)
17-04 Umberto D (Vittorio De Sica, 1952)
Esse filme comovente sobre um burocrata aposentado e seu cachorro Flike ficará para sempre na sua memória. A técnica do diretor Vittorio De Sica e do roteirista Cesare Zavattini é estruturar o filme em torno de uma história pessoal cativante e carregada de emoção que revela, ao ser contada, as condições sociais que lhe servem de cenário. Umberto D foi filmado nas ruas de Roma e os papéis principais são interpretados por atores não profissionais, o que dá ao filme maior urgência e autenticidade. (1001 filmes).
24-04 Morangos silvestres (Ingmar Bergman, 1957)

Possivelmente a mais terna das obras-primas de Ingmar Bergman, Morangos silvestres acompanha a odisseia geográfica e espiritual traçada pelo idoso professor Isak Borg, cujo nome em sueco significa aproximadamente “fortaleza de gelo”. Borg vai de carro, em companhia de sua nora Marianne, de Estocolmo para a Universidade de Lund para receber um título honorário. A força do relato de Bergman deste dia na vida – ou, melhor falando, de uma vida em um dia, pois a longa jornada de 24 horas traz de volta toda sorte de memórias reveladoras – está na maneira segura com que ele combina as realidades objetivas e subjetivas da vida de Borg. (1001 filmes).
08-05 O sétimo selo (Ingmar Bergman, 1957)
Antonius Block, retornando após 10 anos de uma cruzada sangrenta, sente que a fé em Deus é uma doença que deveria ser extirpada da face da terra. Com seu escudeiro Block encontra a morte na forma de um cadáver infestado pela peste antes de encontrá-la em pessoa. Encontra também um malabarista alegre, sua mulher de sensualidade mundana e seu bebê inocente. Se o cavaleiro, constantemente atormentado por curiosidades sobre Deus e o nada representa um lado de Bergman, o simples artista de circo representa o outro. Bergman está sempre indignado e entristecido diante do mal praticado pelos homens, especialmente quando ele é sancionado por uma suposta religião, porém o filme também celebra o amor físico e espiritual, a expressão artística coletiva, a comida, a bebida e a beleza natural. (Adapt de 1001 filmes).
15-05 O regresso para Bountiful (Peter Masterson, 1985)
É 1947. Carrie Watts é uma bem-intencionada, adorável velhinha, como bem sabe seu filho Ludie e sua nora Jesse Mae. Mas viver com Carrie em um minúsculo apartamento em Houston não é fácil. Carrie anseia voltar para Bountiful, a pequena cidade texana em que ela nasceu, casou e criou seus filhos, dos quais só sobreviveu Ludie. O papel de Carrie, desempenhado por Geraldine Page, é maravilhoso, e a interpretação da atriz está entre as melhores do cinema. O elenco todo, na verdade, está soberbo. O filme funciona perfeitamente como um relato pequeno, ricamente detalhado, que concretiza a visão particular de Horton Foote, autor da peça. As serenas paisagens sulistas do dramaturgo são muito diferentes daquelas vistas nas histórias góticas de Flannery O'Connor, todavia umas não negam a validade das outras. (Vincent Canby, New York Times).
22-05 Ensina-me a viver (Hal Ashby, 1971)
Harold, jovem e rico, é um morto-vivo por causa de sua incapacidade de livrar-se de uma fixação edipiana por sua fria mãe, cuja atenção ele tenta atrair, em vão, por meio de uma série hilariante de falsas tentativas de suicídio. Somente quando encontra Maude, velha mas enérgica e anárquica, ele passa a viver de fato. A chave desse filme está na ligação sexual que se forma, gerando revolta em muitos dos personagens e possivelmente em parte do público, até mesmo nos que se veem como “liberais”. Triunfantemente, entretanto, Ensina-me a viver nos livra de todos os preconceitos culturais. (1001 filmes).
GANÂNCIA E PODER
29-05 Pérfida (William Wyler, 1941)
A peça de Lillian Hellman sobre a malevolência da ganância humana, do modo como é apresentada nas maquinações no seio de uma rica família do sul dos Estados Unidos, hoje em dia range audivelmente. Mas você provavelmente jamais verá uma versão melhor do que esta, acariciada pelo trabalho de câmera em profundidade de foco de Gregg Toland, eternizada pela direção de William Wyler e pelos suntuosos valores de produção de Samuel Goldwin e galvanizada por alguns desempenhos superlativos. A sulfurosa Bette Davis, seu rosto uma lívida máscara quando ela expele venero gelado por baixo de um ronronar felino, se supera para dar ao projeto um núcleo magnificamente perverso; ainda assim, ela está em constante perigo de ser desbancada por Duryea, Dingle e Collinge (outros intérpretes). (TM, Time Out Film Guide).
05-06 Yojimbo, o guarda-costas (Akira Kurosawa, 1961)
Ao som de uma trilha sonora (elaborada por Masaru Satou) que contribui positivamente para o desenrolar da trama e de tomadas que inspirariam o spaghetti western do cinema italiano, Yojimbo é um filme de samurais com alma não muito convencional, o que combina com o clima histórico nele retratado. A irreverência de Sanjuro é sem dúvida um ponto interessante do filme, apesar de já não combinar muito com o perfil dos lendários guerreiros da história japonesa. O protagonista usa suas habilidades acima de tudo para conseguir status, dinheiro e conforto, mas, lá no fundo, conserva uma pitada de nobreza e de vontade de fazer justiça. A bela atuação de Toshiro Mifune rendeu-lhe o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza e também uma continuação um ano depois, chamada Sanjuro, na qual o samurai tenta treinar um grupo de jovens, em um filme com menos cenas de luta e mais humor. Yojimbo, dirigido por Akira Kurosawa, é inteligente e, do meio para o final, eletrizante.

(http://tudoaomeuredor.wordpress.com/2010/10/28/yojimbo-o-guarda-costas/)
12-06 Pacto de sangue (Billy Wilder, 1944)
Filme essencial para entender o que é o noir, Pacto de sangue destaca-se pelo envolvente roteiro e pelos fascinantes personagens que povoam o universo obscuro e a predominantemente noturno criado por Billy Wilder. Surgido numa época em que o público havia perdido a “inocência” devido aos acontecimentos do período (como a guerra mundial), o filme atingia os anseios de uma platéia que esperava por filmes mais próximos da realidade, com pessoas comuns agindo de formas inesperadas. Escrito pelo próprio Billy Wilder em conjunto com Raymond Chandler e baseado em livro de James M. Cain, Pacto de sangue narra a história de Walter Neff (Fred MacMurray), um competente vendedor de seguros que é seduzido pela esposa de um cliente, a charmosa Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck), e convencido a assassinar o marido dela, tomando ainda o cuidado de fazer o crime parecer um acidente, para que ela possa receber o seguro em dobro. Mas, para isto, eles terão que enganar o chefe de Neff, o astuto Barton Keyes (Edward G. Robinson). Com uma narrativa envolvente, personagens fascinantes e uma atmosfera única, Pacto de sangue é um dos legítimos representantes do film noir que mereceram o seu lugar na galeria dos grandes filmes da sétima arte. (Roberto Siqueira, Cinema & Debate).
19-06 Sangue negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
Estudo abrasivo sobre a cobiça e os poderes simultaneamente construtivos e destrutivos da competitividade e da ambição, esta obra de Paul Thomas Anderson é um impressionante feito de um roteirista e diretor ainda jovem. O ponto de partida foi o romance Oil, de Upton Sinclair, publicado em 1927. A partir daí, Anderson criou um conto muito pessoal, sombrio e altamente cinematográfico sobre um homem aparentemente desprovido de qualquer virtude redentora. A narração é cheia de nuances e se concentra em longas e quase silenciosas passagens e amplos panoramas abertos. Sangue negro desvenda assim as mais dolorosas profundidades de um homem que poderia ser visto como um gênio e um sucesso, mas que nas mãos de Anderson é pintado como um sociopata carismático. (1001 filmes).
26-06 Trono manchado de sangue (Akira Kurosawa, 1957)
Com bastante justiça, a adaptação habilidosamente arrepiante, formal e extremamente fiel de Akira Kurosawa de Macbeth é considerada uma das mais sensacionais versões para o cinema de uma peça de Shakespeare. A trama e a psicologia são transpostas belamente para o Japão feudal, onde o valoroso guerreiro samurai general Washizu e sua esposa demoníaca, Lady Asaji, impulsionados por uma ambição implacável e inspirados pela profecia de uma bruxa, assassinam seu comandante militar, invadem um reino e se condenam a um fim ritual e inescapável de carnificina, paranoia, loucura e ruína. Elementos do teatro Nô, da tradicional arte de batalha japonesa, de realismo histórico e da reflexão contemporânea sobre a natureza do bem e do mal são fundidos aqui em um mundo opressivo e envolto em neblina, repleto de presságios sinistros e mágicos, com suas florestas e castelos. (1001 filmes).
PAPEIS SOCIAIS DE GÊNERO
07-08 Tudo sobre minha mãe (Pedro Almodóvar, 1999)
Tudo sobre minha mãe – como todos os filmes de Almodóvar – constrói a feminilidade através do olhar irreverente e apaixonado de um homem gay que cresceu cercado por mulheres adoráveis à beira de um ataque de nervos. Quando uma mulher chora em um filme de Almodóvar, é um acontecimento denso, arfante, aristocrático. Ainda assim, com seu jeito de bobo da corte, Almodóvar é o mais entusiasta dos igualitários sociais. Uma freira pode decair, uma prostituta pode ascender ao sucesso e, embora ambas possam se queixar de seus destinos, suas agruras são absolutamente despidas de amargura ou ódio. Até mesmo a paleta de cores é igualitária e o trash possui a sua própria beleza. Os carros que rondam em busca de prostitutas à noite sob uma ponte em Barcelona são banhados pela mesma adorável luz que ilumina os prédios antigos da cidade. (1001 filmes).
14-08 Traídos pelo desejo (Neil Jordan, 1992)
O roteirista e diretor Neil Jordan elaborou um ensaio por vezes cômico e com frequência melodramático das insuspeitáveis leis do desejo nesta fábula em camadas de uma misteriosa mulher, seu amante assassinado em circunstâncias bizarras e um homem envolvido no crime. Tudo é embrulhado em intrigas políticas centradas nas tensões antigas entre o Exército da Grã-Bretanha e os revolucionários irlandeses do IRA. Com suas diversificadas opiniões sobre raça, sexualidade e gênero sexual, Traídos pelo desejo abriu as portas para discussões sobre as complexidades da atração e do desejo erótico. Seu extraordinário sucesso de bilheteria ajudou a transformar o status dos filmes independentes de cinema cult para torna-los uma fatia altamente rentável do mercado – para melhor ou para pior. (1001 filmes).
21-08 Minha vida em cor-de-rosa (Alain Berliner, 1997)
Ludovic, de 7 anos, vive com seus pais e irmãos e acha que é um menino-menina e que vai se transformar em menina a qualquer momento. A criança, como protagonista, levanta a questão da homossexualidade (neste caso, transexualidade) como condição inata, retira a perversão, opção e escolha consciente, elucidando ser apenas uma característica da pessoa, alheia à sua vontade. Ludovic, inocente e de uma doçura ímpar, que nos conquista com seu sorriso e olhar verdadeiros, sofre preconceito e rejeição causados pela intolerância e obtusidade da vizinhança, apenas por ser quem ele é, sem fazer mal a ninguém. Um filme especial, no tom certo, que fará com que pessoas com um mínimo de sensibilidade repensem alguns de seus preconceitos. Recebeu 1 Globo de Ouro, 11 outros prêmios e 5 indicações.

(Patrícia Simone de Araújo Santos, psicóloga).
28-08 Transamerica (Duncan Tucker, 2005)
Bree (Felicity Huffman) é uma transsexual que, antes de mudar de sexo, fez um filho. O garoto, Toby (Kevin Zegers), é agora um adolescente que sonha encontrar o pai que nunca conheceu. Os dois se encontram - sem que ele saiba sobre a identidade verdadeira de Bree - e partem, juntos, numa viagem de carro a Los Angeles.
Há filmes sobre pais que descobrem que possuem filhos já adultos; há filmes sobre filhos que sonham um dia em encontrar seu verdadeiro pai; há filmes sobre preconceito em relação à orientação sexual; há filmes sobre pessoas que não conseguem se sentir satisfeitas com o seu corpo; há filmes sobre transexuais (embora muito raros); e há Transamérica, que reúne todos esses filmes num só. (Kally Samara Medeiros Silva Gomes).
ÉTICA, POLÍTICA, JUSTIÇA
04-09 Dúvida (John Patrick Shanley, 2008)
O reputado Colégio St. Nicholas recebeu o seu primeiro aluno negro. O carismático e vibrante Padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) tem ideias modernas e progressiastas para a Igreja e, além disso, aparenta ter uma relação muito próxima com o aluno negro. A Irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep) é contra a mudança de postura e de costumes na Igreja, e quando repara na atenção especial dada pelo Padre Flynn ao novo aluno, um conflito de grandes proporções irá se iniciar entre ambos... Este, caros leitores, é um filme old school. Não há espaço para fotografia bonita, para efeitos visuais desnecessários. Existe, desde o momento inicial em que esta obra principia, uma concentração total no principal cerne dos filmes - os atores. O trabalho do realizador Jonh Patrick Shanley é exemplar ao nos dar uma realização concentrada nos atores e nas suas interpretações. É fascinante ver que, em cerca de 98% do filme, temos um ou mais atores a ocupar a grande tela do cinema em, praticamente, toda a sua extensão e não nos sentimos, nem por um segundo, aborrecidos ou entediados com o filme. Sentimo-nos, pelo contrário, fascinados com a monstruosa obra que Shanley nos deu. O sucesso deste filme recai de novo neste senhor, uma vez que o argumento por ele escrito é tão rico e repleto de diálogos tão envolventes e inesquecíveis que é impossível não ficarmos, inquestionavelmente, desejosos de ver a trama desenvolver-se. (Da.niel S. Silva, Cine Observador)
11-09 Amém (Costa-Gavras, 2002)
No advento da Segunda-Guerra Mundial, especialista em substâncias químicas para limpeza e tratamento da água é contactado e incluído na força nazista da SS. De fé católica, ao descobrir o uso que os oficiais nazistas fazem de seus conhecimentos em química, o agora agente do império ariano tenta advertir a igreja sobre o extermínio de judeus e acaba recebendo a ajuda de um padre com contatos no alto escalão da organização do Vaticano. Costa-Gravas é conhecido pelos seus projetos polêmicos, e este filme não foge à regra. A produção francesa é contundente e ousada ao retratar a tolerância de grande parte do clero e da administração da igreja católica romana aos atos da “solução final” da Alemanha nazista. Ignorado massivamente pela mídia quando do seu lançamento, em 2002, Amém está entre a leva recente de filmes que conseguem reutilizar a temática do nazismo e do Holocausto abordando facetas ainda não exploradas pela maioria dos filmes produzidos até hoje, e que só com o devido distanciamento podem ser analisadas de forma adequada – construindo uma narrativa poderosa sem ser apelativa, evitando o sentimentalismo excessivo e ufanismo que os filmes estadunidenses costumam apresentar ao tratar do tema. (http://seteventos.com/2006/06/amem-de-costa-gavras/)
18-09 Estado de sítio (Costa-Gavras, 1972)
Estado de sítio (1973) é um dos melhores filmes políticos já realizados. Dirigido por Costa-Gavras, ele é um retrato minucioso da participação direta dos Estados Unidos nas ditaduras militares da América Latina nas décadas de 1960 e 1970. Através da história do seqüestro de um norte-americano e um brasileiro pelo grupo guerrilheiro uruguaio Tupamaro, o cineasta denuncia o papel repressivo do governo norte-americano nas ditaduras latino-americanas. Em Estado de sítio o grupo guerrilheiro Tupamaro sequestra o embaixador do Brasil no Uruguai, Roberto Campos, e o funcionário da polícia norte-americana Philip Michael Santore. O grupo então exige que o governo solte os presos políticos em troca dos sequestrados. O caso gera uma crise política internacional que coloca em evidência a participação criminosa do imperialismo norte-americano na estrutura repressiva dos regimes militares. (Causa Operária online).
25-09 Sessão especial de justiça (Costa-Gavras, 1975)
Baseado em fatos reais, o filme do polêmico e consagrado cineasta Costa-Gravas tem como contexto histórico a ocupação alemã de parte do território francês durante a Segunda Guerra Mundial. Um grupo de jovens estudantes planeja um atentado e um oficial do exército alemão é morto. O governo francês não encontra os responsáveis e assim os alemães exigem a morte de seis “criminosos” para que sirvam de exemplo a futuros manifestantes. Para isso, o governo procura instituir condições jurídicas para a condenação. Foi então criada uma legislação com efeito retroativo com a finalidade de punir militantes da Resistência Francesa. Aprovada a lei, o tribunal se reuniu para julgar e condenar seis prisioneiros escolhidos aleatoriamente dentre os milhares de processos arquivados, ou seja, já julgados e condenados anteriormente. Por ser um tribunal de exceção, vários princípios jurídicos consagrados foram desrespeitados. Fica evidente no filme como, nos regimes totalitários, todos os poderes e instituições são submetidos a um poder político sem limites, mas a aparência de legalidade é mantida. O personagem principal é o Estado moderno autoritário, entretanto não personalizado na figura de algum ditador como Hitler, mas representado por um poder que se oculta e se dilui nos atos dos homens que assumem o poder e na submissão e controle da população. Transcendendo um fato histórico, o filme provoca uma reflexão sobre a natureza do Estado na história política do século XX e a relação entre o homem e o poder, por meio de mecanismos concebidos e executados pelo homem, mas que escapam a seu controle e terminam por controlar o próprio homem. (Luma Simone Pereira Rodrigues)
02-10 Decálogo V e VII (Krzysztof Kieslowski, 1989)
Decálogo V - Não Matarás

Um crime ocorrido em Varsóvia une três personagens: um desocupado, um taxista e um advogado em início de carreira. Episódio que deu origem, posteriormente, ao longa Não Matarás. 57 minutos.
Decálogo VII - Não roubarás
Garota entrega sua filha para a avó criar e se passa por sua irmã. Quando a criança está com seis anos, a verdadeira mãe resolve aproximar-se, levantando antigas mágoas entre as duas mulheres.
Decálogo é um dos projetos mais densos e belos já formatados para a telinha da televisão. Decálogo é Kieslowski – o último dos grandes cineastas europeus a beber na fonte do existencialismo, a exemplo de Bergman e Antonioni – na plenitude de seus poderes de dramaturgo. Nas dez narrativas, todas ambientadas em um conjunto residencial da capital Varsóvia, pessoas comuns enfrentam problemas cotidianos que se manifestam em diversas camadas de significados. Nas histórias, o diretor propõe uma discussão livre sobre temas universais da condição humana: amor, culpa, solidão, amizade, tristeza, ética, medo.
16-10 A pequena loja da rua principal (Ján Kadár, Elmer Klos, 1965)
Talvez o mais comovente drama feito sobre o Holocausto, o filme de Ján Kadár e Elmer Klos trata da moralidade individual e da responsabilidade no contexto de uma sociedade "total", tema provocante que não passou despercebido dos censores tchecos. Embora trate das complicadas questões humanas levantadas pelo relacionamento entre judeus e gentios numa Tchecoslováquia ocupada pelos alemães, o filme descobre uma esperança utópica para a felicidade coletiva no meio do desespero profundo. O protagonista Tono é o carpinteiro que concorda em ser designado como "inspetor ariano" numa lojinha de uma senhora judia, idosa e um tanto caduca. Pela primeira vez Tono é obrigado a conviver com um judeu e o estranho casal acaba ficando próximo. Tono é uma espécie de encarnação do homem comum que, embora desinteressado das questões ideológicas que o circundam, acaba descobrindo que as circunstâncias o fazem escolher e agir. Quando age, assume a responsabilidade e sente culpa, mas também tem uma visão sobre uma comunidade além das ideologias e do sectarismo. Com belas atuações e direção, A pequena loja da rua principal é uma das obras-primas do renascimento tcheco. (1001 filmes).
23-10 Adeus, Lênin! (Wolfgang Becker, 2003)
Alex é um juvem simpático cuja mãe é uma ativista política em prol do futuro socialista da Alemanha Oriental. Ao ver Alex ser preso durante um tumulto, ela desmaia e entra em um coma que dura até os primeiros dias da reunificação. Informado pelos médicos de que qualquer choque poderia matar sua mãe, Alex conclui que o fim do comunismo e o completo desaparecimento da Alemanha Oriental poderiam constituir uma surpresa fatal. Alex decide seguir um plano simples - recriar a velha Alemanha Oriental para sua mãe. Em uma série de cenas engraçadas e tocantes, ele consegue convencer a doente de que a velha ordem sobreviveu. Escoteiros a visitam para cantar hinos socialistas. Alex se torna um especialista em obter gêneros alimentícios horrorosos da antiga Alemanha Oriental que agora não se encontram mais disponíveis. Adeus, Lênin! não sugere em momento algum que a Alemanha Oriental era um lugar maravilhoso para se viver, mas mostra o que se perdeu na onda capitalista, na medida em que os ideais socialistas desapareceram e deram lugar ao dinheiro vivo e ao comércio. (1001 filmes).
30-10 Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita (Elio Petri, 1971)
O detetive dessa história (o ator Gian Maria Volonté) é um homem do qual ninguém ousaria falar mal. Respeitosamente conhecido pelos amigos como “Doutor”, prestes a se aposentar e ciente do poder e reputação que possui, o personagem decide pôr em prática uma espécie de teoria social: certo da impunidade, ele mata a amante (a brasileira Florinda Bolkan) sem preocupar-se em esconder as provas do assassinato. Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita mostra as investigações que o próprio “Doutor” ajuda a conduzir sobre esse assassinato. Assim como o personagem não faz a mínima questão de esconder sua culpa (criando, inclusive, novas provas e situações incriminadoras), a polícia parece fazer questão de não enxergar o óbvio. Mais do que proteger um colega de trabalho, essa negação do óbvio, a chamada “vista grossa”, é um mecanismo de auto defesa que o diretor italiano Elio Petri analisa e critica em seu filme. Não se trataria, no caso, apenas de condenar uma pessoa, mas sim de colocar a moral e a respeitabilidade de toda a corporação em risco. (Lucian F, Já viu esse?)

VIVENDO À MARGEM
06-11 Réquiem para um sonho (Darren Aranofsky, 2000)
Após sua aclamada estreia com Pi (1998), o filme seguinte de Aranofsky é igualmente extraordinário. Réquiem para um sonho acompanha quatro personagens – Harry Goldfarb, sua mãe, sua namorada e sua melhor amiga – pelo mundo de pesadelo do vício em drogas. Cada um tem sua própria maneira de lidar com o seu vício e cada um acaba vivenciando situações diferentes, mas os vícios são causados pelos mesmos motivos, o fracasso do Sonho Americano. Para Aranofsky, o sonho morreu e o seu filme é um luto indigesto para suas vítimas. O verdadeiro motivo para se assistir a Réquiem para um sonho – além de suas ideias inteligentes, o uso fantástico da subjetividade narcótica, o estilo vinculado ao conteúdo e atuações magníficas – está no incrível equilíbrio entre o filme de horror (as sequências finais de loucura provocada pela droga estão entre os momentos mais assustadores que já vi nos últimos anos) e uma ótima comédia judia. (1001 filmes)
13-11 O espantalho (Jerry Schatzberg, 1973)
Numa estrada, Gene Hackman e Al Pacino pedem carona. Hackman é um tipo de cara puro-impulso, violento, macho, mau. Pacino é otimista, engraçado, bondoso, tolo. Por teimosia de Pacino, eles se tornam amigos. Cruzam o país em trens e caronas e vão visitar a irmã de Hackman. São presos e por fim visitam a mãe de um filho de Pacino. O final é digno da época em que foi feito: terrivelmente amargo.

Gene Hackman gosta de dizer que este foi o papel de sua vida. Diz que Jerry ligava a câmera e fazia com que eles improvisassem todo o tempo. Dá para notar isso. Por mais triste que seja a cena, há nela a alegria da criação. Gene Hackman comove quando seu tipo durão amolece. Al Pacino faz um tipo que não é seu costume: faz humor. Ele tem duas cenas hilárias, mas o que mais nos marca são seus enormes olhos escuros, a terrível cena em que ele é quase estuprado e o desespero da sua última cena. O filme, magnífico e sem nenhuma concessão, é marca de diretor cheio de caráter. A era Star Wars encerraria sua carreira. A forma iria sobrepujar o conteúdo.

(http://trombonecomvara.blogspot.com/2011/05/o-espantalho-um-filme-de-jerry.html)
20-11 O homem-elefante (David Lynch, 1980)
Salvo da exibição em um show de excentricidades por um cirurgião bem intencionado, John Merrick tenta se ajustar a um mundo cuja primeira reação a seu rosto deformado é de choque e repulsa. Educado para obedecer à etiqueta e às formalidades da época, o amável Merrick não consegue superar o preconceito e desgosto de muitos ao seu redor. David Lynch, filmando em uma bela fotografia widescreen preto e branco, retrata a Londres do século XIX como um confronto feio e desconfortável entre a exaltada sensibilidade vitoriana e a realidade dura da revolução industrial. Hunt faz o papel de Merrick com uma sensibilidade e dignidade que emanam por sob as toneladas de maquiagem que o tornam irreconhecível. Igualmente excelente está Hopkins, compreendendo que talvez esteja explorando Merrick como uma aberraçãoerraç médica apesar de suas boas intenções. O filme é um grande triunfo para todos, sobretudo para Lynch, que recebeu numerosas honras, o que o ajudou a sair do gueto dos filmes de arte. (1001 filmes).
27-11 O homem sem passado (Aki Kaurismäki, 2002)
Como fazer uma fábula contemporânea sobre o estranhamento do presente e o processo de reificação que progressivamente intermedeia nossas relações com a sociedade? Tome um homem que, amnésico, sem saber seu nome ou proveniência, desprovido de quaisquer atributos psíquicos ou materiais, precisa construir do zero uma existência para si próprio. A maior parte das histórias saberia por onde seguir seu caminho: o personagem vai levar o filme todo para descobrir quem ele é, reencontrar suas raízes, retomar a vida que vivia. O herói sem passado de Aki Kaurismäki faz o percurso inverso. Ele quer viver como ele é, não como aquilo que ele não é mais: ele aceita positivamente sua pecha de homem sem passado. A estranha descoberta chega rapidamente: a sociedade não permite homens sem passado, ela precisa que a cada individualidade seja atribuído um nome, um cartão de identificação, uma atividade. Nessa inadequação entre um personagem que não pode (nem quer) viver com dados que são estranhos a ele e uma sociedade que o obriga em algum grau a ter algum tipo de subjetividade institucionalizável é que O homem sem passado consegue produzir uma beleza difícil, estranha, às vezes cínica, às vezes apenas desencantada, onde o riso (sim, curiosamente trata-se de uma comédia) serve como elemento deflagrador de jogos sociais que de alguma forma impedem e atrapalham nosso herói sem nome: precisar de um nome para abrir uma conta, para encontrar um trabalho, para não ser preso... O homem sem passado não é uma tragédia nem uma comédia, mas um drama: o drama dos milhões de anônimos, pobres e excluídos em geral da lógica social que o filme parece evocar a cada momento. (Ruy Gardnier - adaptado).
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