Neros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital


Os gêneros emergentes no meio virtual



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3. Os gêneros emergentes no meio virtual

Vimos até aqui um enquadre histórico, social e tecnológico para a abordagem dos gêneros da mídia virtual pelo uso da escrita eletrônica. As formas textuais emergentes nessa escrita são várias e versáteis. Veremos a seguir quais são os traços mais interessantes para abordá-las e defini-las. O grande risco que corremos ao definir e identificar esses gêneros situa-se na própria natureza da tecnologia que os abriga. Seu vertiginoso avanço pode invalidar com grande rapidez as idéias aqui expostas. Isso obriga-nos a ter muita cautela nas afirmações feitas.


Antes de mais nada, ressalto que não vamos tratar como gênero a home-page (portal, sítio, página), já que não ela passa de um ambiente específico para localizar uma série de informações, operando como um suporte e caracterizando-se cada vez mais como um serviço eletrônico. Uma home page não passa de um catálogo ou uma vitrine pessoal ou institucional. Também o hipertexto20 não pode ser tratado como um gênero e sim como um modo de produção textual que pode estender-se a todos os gêneros dando-lhes neste caso algumas propriedades específicas. Por fim, não tomamos os jogos interativos (sejam eles educacionais ou não) como gêneros virtuais, pois no geral eles são suportes para ações complexas envolvendo vários gêneros na sua configuração.
Desconheço levantamentos exatos de quantos gêneros poderiam ser identificados na mídia virtual e ignoro se já há uma designação consagrada para os mesmos21. Entre os gêneros mais conhecidos e que vêm sendo estudados podemos situar pelo menos estes (com designações tentativas):

  1. e-mail22 (correio eletrônico na forma com formas de produção típicas). Inicialmente um serviço (electronic mail), resultou num gênero (surgiu em 1972/3 nos EUA).




  1. bate-papo virtual em aberto (room-chat)23 (inúmeras pessoas interagindo simultaneamente). Surgiu como IRC na Finlâdia em 1988.




  1. bate-papo virtual reservado (chat) (variante dos room-chats do tipo (2) mas com as falas acessíveis apenas aos dois selecionados, embora vendo todos os demais em aberto).




  1. bate-papo agendado (ICQ) (variante de (3), mas com a característica de ter sido agendado e oferecer a possibilidade demais recursos tecnológicos na recepção e envio de arquivos).




  1. bate-papo virtual em salas privadas (sala privada com apenas os dois parceiros de diálogo presentes). Uma espécie de variação dos bate-papos de tipo (2).




  1. entrevista com convidado (forma de diálogo com perguntas e respostas num esquema diferente do que os dois anteriores).




  1. aula virtual (interações com número limitado de alunos tanto no formato de e-mail ou de arquivos hipertextuais com tema definido em contatos geralmente assíncronos).




  1. bate-papo educacional (interações síncronas no estilo dos chats com finalidade educacional, geralmente para tirar dúvidas, dar atendimento pessoal ou em grupo e com temas prévios).




  1. vídeo-conferência interativa (realizada por computador e similar a uma interação face a face; uso da voz pela rede de telefonia ou a cabo)




  1. lista de discussão (grupo de pessoas com interesses específicos, que se comunicam em geral de forma assíncrona, mediada por um responsável que organiza as mensagens e eventualmente faz triagens).




  1. Endereço eletrônico (o endereço eletrônico seja o pessoal para e-mail ou para a home-page tem hoje características típicas e é um gênero).

Entre os mais praticados estão os e-mails, bate-papos virtuais e listas de discussão. Hoje começam a se popularizar também as aulas virtuais no contexto do ensino à distância. Em todos esses gêneros a comunicação se dá pela linguagem escrita. Como veremos, esta escrita tende a uma certa informalidade e a uma menor monitoração e cobrança pela fluidez do meio e pela rapidez do tempo.


Em certos casos, esses gêneros emergentes parecem projeções de outros como suas contrapartes prévias, o que sugere a pergunta de se os designers de softwares seguiram padrões pré-existentes como base para moldagem de seus programas. Como os novos gêneros só são possíveis dentro de determinados programas, parece que a resposta deve ser sim.24 Mas não devemos confundir um programa com um gênero, pois mesmo diante da rigidez de um programa, não há rigidez nas estratégias de realização do gênero como instrumento de ação social. O que se deveria investigar é qual a real novidade das práticas e não a simples estrutura interna ou a natureza da linguagem.
Por exemplo: nos bate-papos virtuais abertos são construídas identidades sociais muito diversas do que nas conversações face a face. Este aspecto não está nos domínios de controle de nenhum engenheiro de software. O engenheiro pode, quando muito, controlar a ferramenta conceitual, mas não os usos e, muito menos os usuários. Isto significa que os usos não podem ser controlados em toda sua extensão pelo sistema. Assim ocorre também com as línguas naturais de um modo geral. Embora haja um sistema lingüístico subjacente a cada língua, ele não impede a variação. As variações não são aleatórias e sim sistemáticas, no caso dos usos lingüísticos. Já no caso dos usos de softwares interativos, que fundam usos resultantes em gêneros textuais, as projeções dos engenheiros são ainda mais fracas. A rigidez do programa fica por conta de sua característica formulaica, já que em última análise todos os gêneros produzidos no contexto da mídia virtual têm um sabor de formulários mais ou menos discursivos e não de múltipla escolha.
Mas em que é que os gêneros virtuais divergem de suas contrapartes reais? Essas divergências são essenciais para produzirem gêneros novos? Aspecto reiteradamente salientado na caracterização dos gêneros emergentes é o intenso uso da escrita, dando-se praticamente o contrário em suas contrapartes nas relações interpessoais não virtuais. Será isso relevante na caracterização do gênero emergente ou é um aspecto que nos leva apenas a repensar a nossa relação com a escrita e com a oralidade, mas não a relação entre ambas?
Se nos dedicarmos a uma análise de detalhe dos gêneros emergentes na mídia eletrônica em geral (telefonia, rádio, televisão, Internet), veremos que algumas das idéias a respeito da interação verbal deverão ser revistas. Por exemplo, a presença física não caracteriza a interação conversacional em si, mas sim determinados gêneros, tais como os que se dão nos encontros face a face. De igual modo, a produção oral não é necessária, mas apenas suficiente para determinar a interação verbal, pois é possível uma interação síncrona, pessoal e direta pela escrita transmitida à distância, o que já era em parte possível pela comunicação pelo telégrafo e pelo código Morse. Mas no caso atual há uma série de novidades que não apenas simulam, mas realizam efetivamente a interação. Veja-se o quadro abaixo com os gêneros emergentes e suas contrapartes pré-existentes sugerindo um paralelo formal e funcional:
GÊNEROS TEXTUAIS EMERGENTES NA MÍDIA VIRTUAL SUAS CONTRAPARTES EM GÊNEROS PRÉ-EXISTENTES





Gêneros emergentes

Gêneros já existentes

1

E-mail

Carta pessoal // bilhete // correio

2

Bate-papo virtual em aberto

Conversações (em grupos abertos?)

3.

Bate papo virtual reservado

Conversações duais (casuais)

4

Bate-papo ICQ (agendado)

Encontros pessoais (agendados?)

5

Bate-papo virtual em salas privadas

Conversações (fechadas?)

6

Entrevista com convidado

Entrevista com pessoa convidada

7

Aula virtual

Aulas presenciais

8

Bate-papo educacional

(Aula participativa e interativa???)

9

Vídeo-conferência

Reunião de grupo/ conferência / debate

10

Lista de discussão

Circulares/ séries de circulares (???)

11

Endereço eletrônico

Endereço postal

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