Neros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital


GRÁFICO 1: O CONTÍNUO DE GÊNEROS NA COMUNICAÇÃO



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GRÁFICO 1: O CONTÍNUO DE GÊNEROS NA COMUNICAÇÃO

TRADICIONAL IMPRESSA E FALADA
Comunicação

Assíncrona


Interação um a um


Comunicação

Síncrona

Fonte: Simeon J. YATES (2000) P. 236
O Gráfico 1 representa o contínuo entre os gêneros de uma certa escrita (cartas informais) até a fala espontânea nas conversações dialógicas. Há um movimento do relativamente formal, pois as cartas podem receber vários estilos quanto a esse aspecto, até o bastante informal. E igualmente do mais distanciado (comunicação assíncrona) até a comunicação em tempo real a face a face. Por outro lado, pode-se ir desde a comunicação em grupo até a bilateral. Quanto a este aspecto, note-se que uma carta pode ter várias formas de ser (desde uma carta pessoal de um para um (o que parece ser o mais comum) até uma carta circular de um para muito ou de muitos para muitos.
O Gráfico 2 traz os mesmos vetores acima, mas desta vez aplicando-se à comunicação digital. Neste caso, o que se observa é que os e-mails são uma comunicação de fato assíncrona, mas podem ser tanto grupal como individual, tendo uma preferência por sua realização inter-individual. Já a vídeo-conferência distingue-se quanto a isso. Por outro lado, o uso da rede (WWW) em todas as suas modalidades e gêneros abrigados, está num entrecruzamento que permite enorme variedade de realizações em termos de formalidade, informalidade, relações comunicativas e produção síncrona ou não. Mas os bate-papos virtuais ocupam a base que em certo sentido corresponde à situação da comunicação face a face, com as diversas possibilidades apontadas em relação a serem comunicações grupais ou inter-individuais.
GRÁFICO 2: O CONTÍNUO DE GÊNEROS NA COMUNICAÇÃO

DIGITAL MEDIADA POR COMPUTADOR
Assíncronos



Síncronos
Fonte: Simeon J. YATES (2000) P. 237
A distribuição dos gêneros por este contínuo poderia ser feita num quadro multidimensional tomando os parâmetros trazidos no quadro acima e considerando os onze gêneros tratados. Veríamos que há uma ordem muito clara entre eles e sua distribuição se dá de forma não aleatória e sua produção obedece a critérios bastante rigorosos. Gaston Hilgert (2000)27 já mostrava esta questão com muita precisão ao identificar “o contínuo em que se distribuem os gêneros de textos escritos” (p. 52) correlacionando-os dentro do ambiente digital. Além disso, Hilgert comprovou que os chats de que se ocupa em detalhe estão localizados no extremo aqui identificado com a oralidade.
5. Análise dos gêneros da mídia digital
Como é difícil oferecer aqui uma visão completa de todos os gêneros listados acima, nos limitaremos a indicações sumárias, apontando algumas fontes para os que desejam aprofundar-se na questão. Alguns gêneros serão analisados com maior detalhamento e outros apenas apontados em seus traços básicos. Não conhecemos algum trabalho que os trate todos da forma como vêm aqui agrupados, por isso oferecemos este material como uma sugestão altamente provisória.
5.1. As mensagens pelo correio eletrônico (e-mail)
O e-mail (correio eletrônico) remonta ao início dos anos 70, portanto, é uma forma de comunicação que tem hoje cerca de 30 anos. Populariza-se apenas nos anos 80 para assumir a feição atual em meados dos anos 90. Surgiu casualmente nos computadores do Departamento de Defesa dos EUA (ARPANET). Durante quase uma década não tinha mais do que algumas linhas e, embora sua emissão fosse relativamente rápida, a recepção era muito lenta.28 Foi grandemente aperfeiçoado e vem sendo extremamente utilizado, tendo sido vaticinado como “o fim dos correios tradicionais” e das cartas escritas. Contudo, isso não se verificou, assim como os e-livros (livros eletrônicos) não representam a menor ameaça aos livros impressos. Assim foi também com o surgimento do telefone que parecia ser o coveiro dos correios. No entanto, nada mudou nesse particular, assim como a televisão não suplantou o rádio.
Num instigante trabalho sobre o “futuro das cartas” tradicionais diante dos e-mails na CMC, Yates (2000) lembra que com os e-mails entramos em “um novo estágio na história da escrita de cartas”.29 E segundo o mesmo autor (p.233), no ano de 2000 teriam sido remetidos cerca de 7 trilhões de e-mails no mundo todo, quase triplicando as remessas de 1997, que foram em torno de 2,7 trilhões. As perguntas que o autor nos faz são: “os e-mails e a CMC são simplesmente novas versões de meios já estabelecidos como as cartas postais? Seriam os e-mails e a CMC novos meios com suas próprias formas distintas das cartas e outros meios? Como estão os e-mails e a CMC afetando o uso contemporâneo das cartas e outros meios?” (p. 234).
O correio eletrônico é uma forma de comunicação escrita normalmente assíncrona de remessa de mensagens entre usuários do computador. Em certas circunstâncias pode apresentar uma defasagem mínima de tempo entre uma remessa e a resposta, dando a nítida sensação de turnos em andamento, quando ambos estão em conexão on-line, ou então ter defasagem de dias, semanas e meses. No geral, os interlocutores são conhecidos ou amigos e raramente ocorre o anonimato, o que é uma violação de normas do gênero (tal como uma carta anônima). Esta característica o diferencia dos bate-papos. Por outro lado, os e-mails em geral são pessoais, o que o diferencia das listas de grupos ou de fóruns de discussão.
Quanto aos interagentes, os e-mails podem apresentar uma característica interessante: (a) de um emissor a um receptor; (b) de um emissor a vários receptores simultaneamente, no caso de se mandar mensagens com cópias. Quando às possibilidades de vários simultaneamente remeterem a um ou de vários simultaneamente remeterem a vários é mais difícil e pouco usual. Essas variações não trazem grandes conseqüências para a natureza dos textos quanto à sua estrutura, mas podem interferir nas escolhas lingüísticas, como no caso de uma carta pessoal a um amigo ou uma circular a toda uma comunidade. O caso (a) caracteriza tipicamente os e-mails enquanto forma pessoal de correspondência.
Quanto ao formato textual, é normal compará-lo com uma carta. Tem um cabeçalho (padronizado, fixo e posto automaticamente pelo programa, cabendo ao usuário apenas preencher). Parece um formulário de estrutura bipartite, como notou Crystal (2001:95), identificando uma parte pré-formatada e outra livre com o corpo do texto propriamente. Pode receber textos anexados (attachment). De um modo geral o e-mail tem:

  1. endereço do remetente: automaticamente preenchido

  2. endereço do receptor: deve ser inserido (quando não for uma resposta)

  3. possibilidade de cópias: a ser preenchido, visível ou não ao receptor

  4. assunto: deve ser preenchido

  5. data e hora: preenchimento automático

  6. corpo da mensagem com uma saudação, texto e assinatura.30

Em certos casos há o que se pode chamar de encadeamento de turnos, já que em dadas circunstâncias temos uma seqüência relativamente grande de e-mails que não foram apagados e eventualmente podem estar seqüenciados. É uma correspondência com seu arquivo seqüencialmente anexado. Várias “cartas” grudadas como se fossem turnos.


Em muitos casos os e-mails têm a estrutura típica de um bilhete. Sua linguagem é no geral não-monitorada, podendo ser, porém, muito bem elaborada e escrita em separado, já que hoje se permite trabalhar no campo para e-mail com rascunhos que podem ser remetidos mais tarde e não apenas no ato da elaboração como ocorria na década de oitenta do século passado. Seu tamanho não tem um limite, mas no geral não se ultrapassam as 5-10 linhas e não é usual fazer paragrafação, embora alguns costumem realizá-la invariavelmente. A rigor, os formatos neste particular são livres e hoje podem ter arquivos de textos agregados (attachment) em quantidade ilimitada.31
É um gênero que, como as cartas, tem respostas (mas não sempre). Na falta de resposta pode-se supor que o destinatário não recebeu ou não quer responder, ou recebeu e não respondeu. Mas há casos em que o endereço do remetente não funciona na recepção de respostas. O fluxo é determinado não só por decisões pessoais, mas também por condições tecnológicas. Uma das vantagens dos e-mails é sua transmissão instantânea encurtando o tempo de recebimento. Segundo Jonsson (1997:9),

as mensagens eletrônicas podem partilhar as propriedades da carta tradicional, mas podem partilhar as propriedades do telefonema ou a comunicação face a face. Conseqüentemente, os e-mails transgridem os limites entre as noções tradicionais de comunicação oral e escrita.”

Isto, porém, será observado como uma propriedade mais geral da maioria dos gêneros no meio eletrônico. A presença dos emoticons (ícones para sentimentos e emoções) não é tão constante em e-mails como se apregoa e parece que vem diminuindo. Eles aparecem mais nos bate-papos virtuais e menos nos e-mails. Curiosamente, a escrita com maiúsculas nos e-mails dá a sensação de que a pessoa está gritando ou xingando, sendo por isso evitada.
Aspecto interessante e inovador nos e-mails sob o ponto de vista formal é apontado por Jonsson (1997:11) quando lembra a possibilidade de colagens. Esta é uma atividade de construção textual que se tornou possível e comum na escrita digital. Copiar e colar fragmentos é atividade normal em qualquer escrita eletrônica (o que passa para os gêneros nesse ambiente). Mas isso dá aos e-mails uma característica estrutural sistematicamente nova. Pode-se inclusive ter um sistema de resposta de e-mails colando parte do e-mail recebido e dando a resposta; depois mais uma parte com a resposta e assim por diante, na estrutura de turnos. Há pessoas que costumam usar esta estratégia de forma sistemática, o que caracteriza um estilo de escrita de e-mails.
Em sua conclusão à análise dos e-mails, Jonsson (1997:15) observa que essa forma de comunicação tem traços do gênero tradicional conhecido na escrita, mas traz elementos novos, em especial na relação com a oralidade. Assim:

os e-mails introduzem traços inteiramente novos para a comunicação, tais como a colagem gerada pelo software, postagem cruzada e encadeamentos. Os e-mails não se conformam aos domínios tradicionais do discurso oral e escrito, mas transgridem constantemente os limites entre os dois. Assim, pode-se dizer que o e-mail cria seu próprio domínio de discurso no território da comunicação.”



O que se infere deste final do comentário da autora é que os e-mails efetivamente estão constituindo um novo gênero tendo-se em vista suas peculiaridades formais e discursivas.

5.2. Os bate-papos virtuais em aberto (chats)32
Ao concluir suas observações sobre os e-mails, Jonsson (1997:15) reporta-se aos bate-papos virtuais e sugere que o caráter síncrono e a relação face a face por eles simulados lhes dão as peculiaridades distintivas em relação aos e-mails. Com efeito, observando a história dos chats, constata-se que surgiram na Finlândia no verão de 1988, quando Jarkko “WIZ” Oikarinen escreveu o primeiro IRC (Internet Relay Chat), na universidade de Oulu, com o objetivo de estender os serviços dos programas BBS (os e-mails de então) para comunicações em tempo real. De acordo com o próprio Jarkko “o nascimento do IRC se deu em agosto de 1988”.33 De início, funcionava apenas na rede pessoal de Jarkko chamada tolsun.oulu.fi. Após contatos com amigos norte-americanos, já em novembro de 1988 a novidade estava ligada à Internet. Em meados de 1989, eram 40 servidores interligados pelo IRC no mundo todo, mas obrigados a entrar com senhas e identificação pessoal.
Se no início só tinham acesso ao IRC pessoas com senha especial e ligação direta com os servidores em questão, em agosto de 1990 ocorre a primeira dissidência mundial ao surgir o que se chamou a A-net (Anarchy net) que abria o IRC para qualquer um se conectar sem a necessidade de senha. Desde então os programas de bate-papo (chats)34 proliferaram a números espantosos. O certo é que um programa para comunicação limitada entre indivíduos que se conheciam cresceu e em menos de uma década tornou-se um dos gêneros mais praticados da civilização digital.
A análise dos bate-papos (que na realidade são conversas multi-participativas) deveria iniciar pela seleção da sala que se quer freqüentar. Quanto a isso, hoje em dia há a possibilidade de escolha de salas de acordo com interesses específicos. Existem salas classificadas (a) por idade (distribuídas por faixas etárias); (b) por cidades e regiões; (c) por temas; (d) para encontros; (e) para imagens eróticas ou outras; (f) para bate-papos com convidados especiais e assim por diante. Cada um pode entrar a seu gosto, mas há pessoas que se fixam em determinadas salas e dia após dia se encontram com outros que vão formando uma espécie de “comunidade virtual”.
Em seguida deve-se ter em conta a escolha do apelido. Uma etnografia sumária dos bate-papos virtuais abertos mostra que a relação de desconhecimento pessoal que existe entre os participantes se caracteriza pelo anonimato mantido em nicknames (apelidos, nomes de fantasia) atrás dos quais o indivíduo se esconde. Esse anonimato tem repercussões quanto à natureza da construção da identidade e administração das faces. Tal como aponta Crystal (2001:159), essa é uma característica altamente distintiva dos grupos de bate-papo síncronos. Neste sentido, para o autor, o anonimato do meio é um dos traços mais interessantes que conduz da lingüística para a psicologia social (p.166). Essas verdadeiras “máscaras” podem variar com enorme rapidez e o mesmo indivíduo pode entrar em curto lapso de tempo com nomes diversos e até personalidades diversas, o que dá uma volatilidade às identidades sociais. Esses nomes assumem diversos formatos e merecem um estudo a parte. Basta entrar numa sala qualquer para de imediato constatar a variedade e a imaginação (ou falta) que grassa nessas salas em relação aos participantes e às escolhas de seus nomes com forte apelo sexual em muitos casos. Vejam-se alguns exemplos de salas diversas, sejam elas de cidades, adolescentes, sadomasoquistas, lésbicas, gays etc.
NICKNAMES DE PARTICIPANTES DE BATE-PAPOS VIRTUAIS

Senhor das Algemas

Submissa


Malévol@

O FEIO


Gatinha Apetitosa

Solitári@

MaiorAbandonado

Dose Dupla

Florzinha cheirosa

Sem Apelido

**MULHER G@TO**


PINTO LINDO

La Belle de Jour

JUJUBA

*putinha devassa*



GOSTOSA DE+

INSACIÁVEL

CIENFUEGOS/30

Senador


ANINHA 2.8

Ev@ngelic@-30 anos

*Um presente dos Deuses*


Deus Grego

MorenoGato

**MUSA**

O INESQUECÍVEL

@ANDID@

TO@DO/30


FÊMEA VADIA

TRISTE SEM NOME

Psicólogo do Amor

UMALIND@BRUX@SemChapéu

Naturalmente Linda e Modesta

Este aspecto etnográfico merece estudo específico porque revela uma importante faceta oculta de nossa sociedade contemporânea reprimida e que agora aflora no anonimato das salas de bate-papo. Seguramente, esses nomes não são gratuitos e têm um “valor discursivo” e poderíamos fazer até mesmo uma tipologia para as escolhas, tal como sugerido por Crystal (2001:161). Por exemplo:

- nomes ligados à tecnologia: robot, pcman, Pentium, hardware etc.

- nomes ligados á flora, fauna e objetos: tulipa, BMW, Flordeliz, orquídea selvagem, leão, queijinho etc.

- nomes ligados a personalidades famosas: Elvis Presley, Marx, Platão, etc.

- nomes do dia-a-dia: Maria, Catarina, Vera, Tereza etc.

- nomes ligados à ficção, mitologia: Godot, Pantagruel, Minotauro, Helena de Tróia etc.

- nomes ligados a sexo: Pinto Lindo, pica dura, fudedor, comedor, bom de cama, MxM, HBi etc.

- nomes de filmes ou obras: La Belle de Jour, La Nave Vá etc.

- nomes vazios de significação:Eu/H, Eu/M, PP, HH,



A série pode prosseguir com uma catalogação muito extensa, o que revela a criatividade e a imaginação. Esses nomes chamam a atenção e muitas vezes são objeto de comentário. Essas observações valem para todos os formatos de bate-papos, inclusive os duais.
Ao entrarem numa sala os participantes em geral cumprimentam todos genericamente com um “alô” ou um “oi” ou “boa noite”, ou então façam convites “alguém a fim de tc?”, “afim de um papo legal?”, “cadê a mulher mais inteligente?” e outras formas. Se observarmos o que preceituam os estudos conversacionais, notamos que nos bate-papos virtuais se pode não ser responsivo, ou seja, podemos ignorar falas a nós remetidas sem o colapso das interações. Por outro lado, é comum que o sistema provoque confusões tendo em vista a sempre iminente queda de alguém ou a lentidão de uma conexão diante da rapidez de outra, devido a recursos tecnológicos mais avançados (modem de alta velocidade etc.). Isso significa que as atividades obedecem a uma série de habilidades de operação do participante (ser bom digitador, ter presença de espírito e coordenar os parceiros se está falando com vários reservadamente e no aberto). Pois é possível manter simultaneamente vários diálogos paralelos simultâneos e privados.
Quanto aos aspectos lingüísticos, a liberdade é de tal ordem e a massa de dados tão extensa que ainda não se tem uma visão sequer aproximada do fenômeno e para Jonsson (1997:16) o assunto continua uma “terra incógnita”. A linguagem dos bate-papos é de fato bastante livre e envolve, ao contrário de todos os demais gêneros textuais escritos impressos muitos elementos paralingüísticos. Além disso, traz muitas expressões formulaicas, com efeito, de homofonia (cf Fonseca, 201:77). Vê-se isto até em nomes do tipo: “GATO100GATA“ ou “KCTÃO”, “Hta” entre outros.
Hoje há uma série de recursos disponíveis nas salas como fórmulas prévias, que permitem ações muito interessantes e regulares, simulando atividades interativas naturais. O quadro abaixo dá ma idéia dessas operações:
RECURSOS OPERACIONAIS DISONÍVEIS NAS SALAS


Categorias

Atividades possíveis


(1) seleção de parceiros


a) seleção de TODOS: neste caso fala-se para a sala toda; b) seleção de parceiros em conversa no aberto: disponibilidade de escolha e um indivíduo com quem se quer falar, clicando em cima do nome e dirigindo-se a ele no aberto; c) seleção de parceiros para conversa reservada: neste caso fala-se com alguém reservadamente e ninguém observa aquela fala; por outro lado permanece-se vendo todas as demais falas no aberto; d) seleção de um único parceiro e exclusão de todos os demais: assim não se recebe outra fala a não ser do indivíduo selecionado com exclusividade e) eliminação de um indivíduo indesejado: pode excluir do vídeo pelo menos uma pessoa.

(2) envio de sons especiais

Pode-se enviar sons de animais, instrumentos musicais, telefones, suspiros, catarros, tosses, beijos, sustos e vários outros imitando situações diárias.


(3) envio de caretas/ imagens


Os sons podem ser acompanhados de figuras ou caretas do tipo: assustado, bocejando, dentuço, sorrindo, beijo, gargalhada, aprovação, piscada, zanga, indecisão, desaprovação nojo etc.


(4) seleção de comentários



Pode-se acrescer comentários prontos como atos ilocutórios pretendidos. As remessas são: fala para; responde para; concorda com; discorda de; desculpa-se com; murmura para; sorri para; suspira por; flerta com; entusiasma-se com; ri de; dá um fora em; grita com; xinga; ignora mensagem de X.35


(5) sistema de alerta

Pode-se fazer uma marcação de esperas e pedir para o sistema avisar quando se recebe uma mensagem ou uma fala. São sinais tais como: tocar um bip, tocar o telefone ou um instrumento musical.

Entre os aspectos básicos salientes nesse gênero podemos identificar os seguintes traços que o caracterizam na operação dos elementos acima.

(a) são produções escritas no formato de diálogo numa seqüência imediata e retornos rápidos com o sistema de seleções de parceiros descrito em (1), podendo ocorrer muitas confusões pela multiplicidade de indivíduos na sala. Os turnos não se apresentam necessariamente numa seqüência encadeada, já que pode haver aspectos técnicos que impedem isso (demora na transmissão de dados). Assim, permite-se mais de uma contribuição do mesmo participante antes de receber do parceiro uma resposta. A administração das contribuições nos bate-papos virtuais é um problema local novo em relação às interações verbais face a face. Aliás, neste último caso, quando alguém faz reiteradas contribuições sem esperar o retorno do parceiro, surgem cobranças e o diálogo pode chegar à ruptura.36

(b) são produções síncronas apesar de escritas. Mas existe a possibilidade de não ocorrer a sincronia esperada no caso de respostas não imediatas quando o parceiro responde muito tarde ou interage com vários simultaneamente, como se viu em (a) acima.



(c) as contribuições são em geral curtas, não indo além de umas poucas linhas; caracterizam-se como turnos quando olhadas nas relações que se estabelecem no contexto da interação em andamento. Mas, como dissemos, as seqüências nem sempre são ordenadas e pareadas no formato P-R ou de pares adjacentes. Muitas vezes as contribuições são grandes e um participante pode reunir várias falas de outros e remeter a alguém para que as aprecie. Isso é uma forma de “citação de fala” ipsis verbis, impossível em interações face a face. Este aspecto é exclusivo desses gêneros (da família dos bate-papos virtuais). No exemplo a seguir estão as falas de dois participantes EU/H e CALIENTE/M. No segundo segmento,ela manda para ele as falas de outras pessoas às quais ele não tinha acesso:


 (21:59:07) RAMBO reservadamente fala para CALIENTE/M: Alguém a importunava?



(21:59:10) CALIENTE/M reservadamente grita com RAMBO: Olha só isso aqui: (21:54:14) CALIENTE/M reservadamente grita com RAMBO: (21:34:42) KCTÃO reservadamente fala para CALIENTE/M: vc e taradinha ne ...(21:39:20) KCTÃO reservadamente fala para CALIENTE/M: estas a quanto tempo sem transar ...21:42:09) CALIENTE/M reservadamente grita com KCTÃO: está me confundindo com outra ...(21:42:32) CALIENTE/M reservadamente grita com KCTÃO: pois tenho um amante q me dá assitência e estou bem servida.

   (21:59:38) CALIENTE/M reservadamente grita com RAMBO: Ele não para de me tentar – veja essa (21:51:25) KCTÃO reservadamente fala para CALIENTE/M: acho que estas sendo mal amada ...e outras...rsss

 (22:00:03) RAMBO reservadamente fala para CALIENTE/M: que fazemos com ele?

 (22:00:13) RAMBO reservadamente fala para CALIENTE/M: quer que eu o esculhambe no aberto?

 (22:00:23) CALIENTE/M reservadamente grita com RAMBO: nada...estudamos a mente humana com essa materia prima...rsss

(d) a possibilidade de operar comandos e praticar ações que nem sempre são bilaterais. Ocorre a possibilidade de eu ter selecionado alguém e somente ele, mas esta pessoa estar comigo e também estar respondendo a outros de modo que eu não saiba nem possa controlar. E ela pode estar recebendo reservadamente mensagens que eu não controlo. Tudo isso torna a natureza do bate-papo muito diversa do que uma conversação face a face. De algum modo, pode-se dizer que uma sala de bate-papo aberto se dá uma relação mais hiperpessoal do que interpessoal, pois a participação não é centrada no indivíduo e nas relações individuais e sim no grupo. Quando as relações deslizam para o interpessoal mais definido, então surge um novo gênero e a sala aberta é abandonada. Este gênero é o que veremos a seguir.


5.3. Bate-papo virtual reservado
Este formato de participação comunicativa virtual tem as mesmas características que os bate-papos que acabamos de descrever, mas com uma diferença essencial, entre várias outras de menor monta. Isto é: os indivíduos interagem em particular, podendo até isolar-se dentro da sala pela escolha exclusiva de um parceiro. Este gênero opera no mesmo ambiente que o anterior e é uma de suas variações notáveis porquanto a sala e seus recursos ficam os mesmos, mas só ficam presentes as duas pessoas que se selecionaram para interagir reservadamente.
Uma das conseqüências mais interessantes é a maior tranqüilidade dos participantes e a possibilidade de respostas mais ordenadas e na forma de turnos no sentido estrito se assim o desejarem. Pois pode haver espera pela resposta sem que isso se torne pesado. Os turnos vão progressivamente ficando menos carregados de elementos paralingüísticos e a tendência nesses casos é desenvolver algum tema por um certo tempo. Caso os participantes tenham contatos anteriores podem retomar tópicos e desenvolvê-los ou progredir para novas informações.
Muitas vezes esses ambientes isolados de todos os demais são buscados com finalidades específicas, seja para estímulos e brincadeiras sexuais ou para resolver problemas que vinham se acumulando em outros encontros havidos.
Em suma, este gênero tem uma proximidade com a conversação face a face muito maior que o anterior e não apresenta tanto tumulto comunicativo como aquele. Pelo fato de só estarem duas pessoas na sala, tem-se aqui menor índice de distração e concentração bastante clara.
De resto, vale também neste gênero, todas as observações sobre a escolha dos nomes e as operações lingüísticas. Aqui, observa-se que os turnos são mais longos se um tema está em andamento ou então muito curtos num ping-pong.
5.4. Bate-papo ICQ (agendado)
Este gênero de bate-papo virtual agendado ou agendável , denominado ICQ (I Seek You), tem seu próprio programa e uma história à parte. Surgiu em agosto de 1996, em Israel, pelas mãos de seu criador Mirabilis, entrando na Internet quatro meses depois de sua criação. Aspecto curioso desse programa foi o fato de em curto espaço de tempo ter sido instalado em mais de meio milhão de usuários do mundo todo, constituindo-se num dos maiores sucessos mundiais na área de aplicativos interativos. Hoje são mais de 10.000.000 de usuários que se servem desse programa, sendo o mais divulgado e usado.
A pergunta inevitável é: qual a razão de tanto sucesso? Em primeiro lugar, desde o início, o programa se achava em versões em muitas línguas Depois de adquirido pela UOL, em 1998, ele passou a ser divulgado em mais de 20 línguas. Como se desenvolveu em Israel, espalhou-se pela Ásia e África, atingindo a China e o Japão. A vantagem do programa é a possibilidade de criar uma lista de amigos que permanecem em contato sempre que estiverem conectados á rede. Trata-se de uma relação interpessoal bastante definida. Uma das características diferenciais do ICQ é, portanto, o fato de os participantes se conhecerem e poderem entrar com seus nomes ou com apelidos.
Esse programa encoraja interações mais personalizadas, como bem lembra Jonsson (1997:22) e não se dá no total anonimato.37 Isso dá a essas interações a característica de uma chamada telefônica, pois o programa avisa quando alguém procurado (ou da lista de amigos) está on-line e disponível para interagir. Assim, quando alguém está ligado à rede, pode ser encontrado por outro que o procura, desde que esteja em sua lista. É neste sentido que o bate-papo ICQ pode ser tido como agendado ou pelo menos agendável e seguir tópicos combinados ou mais detidamente desenvolvidos. São geralmente interações duais e não em salas múltiplas.
Aspecto diferente do ICQ em relação ao que acabamos de analisar no caso de salas convencionais de provedores comerciais (tipo AOL, UOL, BOL, YAHHO etc.), é o fato de os participantes poderem observar-se simultaneamente nas digitações se assim o desejarem, já que a digitação vai aparecendo on-line, não sendo necessário esperar a remessa do texto após sua conclusão. Essa é também uma das razões porque o programa se tornou tão popular. A possibilidade de uma digitação simultânea (conversação simultânea) torna esse gênero de interação muito mais veloz e atraente.
Aspecto também notado por Jonsson (1997:23) é que o gênero de bate-papo-ICQ tende a conter muito menos emoticons e imagens de uma maneira geral. Isso sobrecarrega menos os textos, mas não elimina esses recursos. Por outro lado, como há mais texto, os turnos podem ficar mais longos ou mais curtos, e dar maior agilidade ou maior conteúdo. Se por um lado há menos “carinhas”, por outro, este gênero incorpora e apresenta muito mais abreviações que vão se tornando convencionais entre o grupo. Com o ICQ pode-se dizer que se criam verdadeiras comunidades virtuais com interesses e similares.
Aspecto importante neste gênero é a possibilidade de remessa de documentos e arquivos sem a necessidade de sair do programa. Ele incorpora, pois, algumas funções específicas a mais. Notável é o fato de ambos os participantes poderem entrar simultaneamente em contato com documentos que estão manuseando, o que lhes dá a sensação de partilharem espaços físicos ou geográficos, como lembra Jonsson (1997:23).
5.5. Bate-papo virtual em salas privadas
Este gênero não oferece novidades em relação aos programas de base anteriores, mas tem um aspecto essencialmente peculiar. Trata-se de uma forma de bate-papo virtual em salas específicas às quais só têm acesso duas pessoas que se comunicam. Tudo o que foi exposto para os bate-papos virtuais em ambientes abertos (item 5.2) se aplica também a esse caso apenas com a diferença de que se trata de uma interação a dois sem a possibilidade de acessar mais ninguém. Isso traz a diminuição sensível de emoticons e em geral diminui as tensões.
Também neste caso a escolha se dá na forma de um pseudônimo, já que os participantes são no geral desconhecidos. Contudo, de acordo com os casos, há pessoas que combinam para se encontrarem nessas salas a fim de conversarem temas específicos.

5.6. Entrevista com convidado
Aqui temos um tipo se serviço que se dá em servidores comerciais que sempre põem à disposição uma personalidade com a qual os interessados interagem. Entre as características centrais definidoras deste tipo de interação on-line, está a figura de um mediador que não aparece e que faz a triagem das perguntas que o entrevistado recebe para responder.
Caso numa sala estejam 30 ou mais pessoas, é evidente que um entrevistado não poderá atender a todos. Neste caso, ele só responderá a algumas perguntas que são escolhidas pelo próprio mantenedor do serviço. Muitas vezes ocorre o fato de haver participantes que fazem perguntas inconvenientes e que não são confortáveis, sobretudo se a entrevistada for uma atriz pornô ou uma dançarina. Nestes casos, só as perguntas julgadas convenientes serão respondidas.
5.7. Aulas virtuais por e-mails
Este gênero é bastante estudado na área educacional e vem sendo cada vez mais praticado no contexto do que se convencionou chamar de Ensino a Distância (EaD).38 A coletânea editada por Vera Lúcia Menezes Paiva (2001) traz uma série de estudos sobre o tema da sala de aula virtual. A autora dedica-se em especial à análise das aulas virtuais no ensino de língua estrangeira no formato de e-mail e bate-papo virtual (Chat). Aqui, como se verá, vou distinguir esses dois momentos em dois gêneros de aulas, já que são estrutural e etnograficamente diversos e fazem parte do discurso instrucional.
Antes demais nada, as aulas virtuais se apresentam em pelo menos três formatos. Um, centrado na exposição (aula expositiva no próprio modelo textual corrido), outro, centrado na exposição e discussão (no formato de e-mails) e um centrado na discussão (os chats). Os primeiros dois ligados à exposição são apresentados neste item como se formassem um gênero único, apesar de suas distinções internas, e um terceiro será analisado em separado no item 5.8. a seguir. Aspecto central que deve ser apontado desde já para os três casos é a característica central dessas aulas: trata-se de eventos essencialmente escritos. Esta é a primeira grande inovação, já que nós sabemos que a aula em geral se dá no formato oral em sua forma canônica. Isso faz pensar desde logo que se está diante de um novo conjunto de gêneros. Além disso, a forma de acesso e o ritmo de trabalho não são mais os mesmos que as aulas tradicionais.
Uma outra razão específica nos leva a distinguir os dois gêneros globalmente. No caso das aulas virtuais temos uma atividade em que as aulas são baseadas numa interação escrita assíncrona, sendo que no caso dos bate-papos educacionais temos uma interação escrita síncrona. Esse aspecto tem algumas conseqüências na forma de se conduzir os trabalhos e na organização das relações interpessoais.
Se fôssemos fazer uma etnografia dessas aulas virtuais e estabelecer uma relação com as aulas presenciais tradicionais, veríamos que certos aspectos mudam radicalmente. Em especial os que dizem respeito à relação temporal e espacial, que trazem muitas conseqüências para novos formatos nas relações interpessoais e nos modos de operacionalização dos horários de trabalho. Assim se as aulas presenciais exigem que todos os alunos estejam simultaneamente na sala com o professor, isso já não ocorre nas aulas virtuais em que o aluno determina tanto o horário como o ritmo da aprendizagem. Paiva (2001a:270-1) aponta este aspecto como um fenômeno de “desterritorialização”, que permite ampliar a biblioteca, aumentar o número de envolvidos e assim por diante, na medida em que tudo o que contribui para a aprendizagem pode ser invocado como material interessante.
Outro aspecto que nas aulas virtuais desaparece é a presença maciça do professor, sendo que o aluno assume boa parte do processo. Assim, a relação entre ambos muda e em conseqüência muda também a natureza do acompanhamento dos trabalhos. Isto fica mais fortemente acentuado no caso dos bate-papos educacionais. Tempo e espaço mais flexíveis, como lembra Paiva (2001a:273), multiplicam os horários e os dias de acesso aos materiais bem como os contatos. Pois cada qual pode escrever seu e-mail expondo as dúvidas ou acessar materiais que estejam disponíveis na rede, ou então ler os e-mails que foram mandados a ele pessoalmente ou aos colegas em geral.
As aulas virtuais, mesmo em seu formato de texto corrido, constituindo praticamente um livro no meio virtual, têm uma organização hipertextual com as condições tecnológicas de acessos e lincagens rápidas e diversificadas. É efetivamente um formato novo que de algum modo representa um gênero textual diverso. Aqui, esse aspecto é tratado em conjunto com os e-mails porque imagino que as mensagens eletrônicas são um tipo de contribuição que se pode dar ao próprio texto de base, já que o hipertexto vai sendo completado pela diluição da autoria (ou ampliação da autoria) com a participação dos leitores. Este formato tem algumas diferenças em relação ao tratado por Paiva (2001a:) porque não trata apenas do ensino de língua estrangeira, mas de qualquer tipo de disciplina.
A hipertextualidade e todas as suas conseqüências em termos de autoria e construção textual estão aqui envolvidas na construção da natureza desse gênero de aula no ambiente virtual. A centração muda da figura do professor para um conteúdo em andamento que pode receber colaborações de múltiplas partes.
5.8. Bate-papo educacional
O ensino à distância, baseado nos programas de Chat educacional, é relativamente recente e data do início dos anos 90, segundo observam Murphy & Collins (1997). Uma diferença básica do gênero bate-papo educacional na relação com os bate-papos virtuais em salas abertas é o fato de os participantes se conhecerem ou serem identificados por seus nomes. Não é comum que nesse ambiente se usem nicknames ou máscaras para se esconder e ficar no anonimato. Por outro lado, estes encontros têm uma estrutura relativamente clara que determina relações interpessoais e conteúdos sancionados. Não é tudo que vale nesses contextos de interlocução educacional.
Assim, esse gênero textual tem sua composição, forma operacional, bem como estilo e ritmo definidos por sua função principal que é a instrucional. Conta com a figura do ‘professor’ e os participantes na condição de ‘alunos’, o que já determina a estratégia de alocação das contribuições. Contudo, dada a natureza virtual e a impossibilidade de um controle efetivo como em sala de aula real tradicional, e as diferenças naturais nos equipamentos em conexão, ele mantém praticamente as mesmas características que os bate-papos em salas convencionais. As diferenças básicas advém da própria natureza instrucional do evento que pretende ser um tipo de aconselhamento ou tira-dúvidas.
A figura do professor é muito mais de um instrutor e dirimidor de dúvidas, que incentiva os demais participantes a agirem com contribuições pessoais. Isso é possível tendo em vista o caráter síncrono do evento, isto é, trata-se de uma interação on-line, ao contrário do que ocorria no caso da aula virtual tal como vista acima. Nesses chats temos uma relação síncrona, como já notado, e isso pode ocasionar distúrbios e até caos em certos casos. Essas aulas não deveriam exceder os 60-90 minutos, pois a partir desse ponto perde-se a concentração e se instala um cansaço físico pelo fato de se digitar o tempo todo.
Tal como observado por Paiva (2001a:272) com base em vários autores, no caso das aulas virtuais no formato de bate-papo (aulas Chat), dilui-se em boa medida o predomínio da fala do professor, de modo que:

Nas comunidades virtuais de aprendizagem, abandona-se o modelo de transmissão de informação tendo a figura do professor como o centro do processo e abre-se espaço para a construção social do conhecimento através de práticas colaborativas. Assim as dúvidas dos alunos são respondidas pelos colegas e deixam de ser responsabilidade exclusiva do professor.” (p.272)



Mudam vários aspectos operacionais, sendo que o espaço não é mais o mesmo e se amplia muito mais.
Neste gênero não há, na maioria dos casos, a possibilidade de conversas paralelas ou reservadas escondidas dos demais participantes. O programa geralmente não conta com recursos desse tipo. O próprio número de participantes é reduzido a um máximo de 10-15 para não tumultuar os encontros. O tempo é delimitado a um máximo de 60-90 minutos. O tópico é de certo modo determinado por questões que estão na pauta do curso ou daquela unidade em debate.
Todos participantes têm o mesmo status, com exceção do monitor ou ‘professor’ que terá o maior número de turnos e mais tempo para respostas. Neste sentido, observa-se que o professor pode esperar várias perguntas e respondê-las em bloco ou então responder uma a uma, o que exige muita disciplina por parte dos alunos que não podem assoberbá-lo com perguntas. Também pode permitir que os alunos interajam entre si com perguntas específicas. O que se nota é a insistência numa pergunta ou comentário quando ele não é logo respondido. Também há alunos que não consideram os colegas e insistem em manter o turno, recebendo muitas vezes observações do professor neste particular.
Isto faz com que neste gênero o ritmo das alocações de turno seja também mais lento do que nas salas de bate-papo abertas. Caso o professor e os alunos se alongam nos turnos, a comunicação tende a ficar monótona. Contudo, esse gênero tem-se revelado muito produtivo no ensino de língua estrangeira, como lembra Fonseca (2001:82).
Mas veja-se este exemplo de bate-papo educacional:


Karla;

Falando em literatura, você tem alguma coisa para me ensinar a trabalhar diferente as figuras de linguagem?

Eduardo;

Grato pelo estímulo Teresa e boa tarde procê.

Karla;

Boa tarde Teresa

Eduardo

Sim Karla. existe muita coisa hoje em dia sobre a questão de estilo relacionada ao que se denominou "vício de linguagem". Veja a revisão que está sendo feita da elipse, da repetição, do anacoluto e outros aspectos.

Karla;

Aprendi literatura decorando, e detesto decorar, acho que não leva ninguém a lugar nenhum. Estou tendo dificuldades em ensinar as figuras, minhas idéias estão falhando na criatividade deste tipo de aula.

Vera;

Voltei !!

Eduardo;

Imagino que o que se chamou de figura de linguagem foi apenas uma estilização das formas orais. É nisto que se funda a retórica.

Eduardo;

Viva, Vera!

Eduardo;

Se você tem interesse em revisões sobre a questão das figuras de linguagem, veja as reflexões sobre a metáfora e a analogia bem como a associação que estão sendo feitas hoje.

Vera;

Está difícil, mas vou tentar. Lamento ter perdido parte da discussão.

Eduardo;

Posso mandar a você uma bibliografia sobreo tema.

Karla;

Mais uma que aceito imensamente... você está anotando o que preciso, pois já me perdi...

Eduardo;

Entaõ, Renata, você já se encontrou nessa balbúrda ordenada?

Karla;

Posso chamá-lo de você, já chamando?

Eduardo;

Sim. Todo mundo deve me chamar de você. Assim ficamos todos iguais. minha grande vantagem sobre vocês é que eu li uns meses antes de vocês os livros que vão ler daqui pra frente.

Karla;

Que bom. Estou gostando muito de conversar com você

Eduardo;

Idem.

Eduardo;

Parece que o André está com problemas

Vera;

Vocês conhecem o livro "Grammatica portugueza pelo methodo cofuso"( São Paulo: Musa,s. d.)? Ele trabalha de maneira interessante as figuras de linguagem.

André;

Tudo bem

Eduardo;

Acho que a Karla e eu somos os únicos que não t~em problemas com essa geringonça.

Karla;

Esses computadores... e seus problemas... o que seria deles sem nós homens?

Eduardo;

Sim. ´´E interessante e tem uma série de informações dadas de maneira bastante clara.

Karla;

Eu nào conheço. De que editora é? É assim mesmo o título?

Eduardo;

Diga lá Karla.

Eduardo;

Aliás, Vera, sorry!

Karla;

Diga lá o quê?

Eduardo;

Foi lapso.

Karla;

Você parece ser muito engraçado...

Eduardo;

É pra Vera dar os dados da Grammatica Confuza...

Eduardo;

Sem uma pitada de humor a vida é baita problema

Karla;

concordo...

Eduardo;

Pior, muito pior do que aprender a fazer e lidar com textos.

Karla;

Cadê a Vera?

Eduardo;

Vera, eu acho que você está num micro muito micro.

Eduardo;

Ele só deixa você falar de vez enquando.

Karla;

A Renata também sumiu

Eduardo;

Isso parece programa prafantasma.

Eduardo;

Qual é a sua formação Karla? Você fez letras?

Eduardo;

Renata, onde está você?

Eduardo;

Todo mundo foi tomar água?

Karla;

Com seu conhecimento, me esclareça uma pequena dúvida, fugindo do assunto texto. É correto um professor de segundo grau, corrigir letra de aluno? Sou formada em letras, atuo atualmente como vice-diretora de 1o. e 2o. grau no turno matutino e professora de 2o. grau de literatura e inglês.

Note-se que Eduardo é o professor ou pelo menos aquele que neste caso conduz a conversa. Há sem dúvida um tópico em andamento, mas ele não é conduzido de forma linear. A maioria das interrupções e dos desvios são motivados por observações a respeito do meio utilizado. Numa análise que fiz de 4 horas de duração desses chats educacionais, observei que em média 20% do tempo é gasto com a administração de problemas operacionais das entradas, e saídas, quedas e lentidões das máquinas. Veja-se no exemplo acima como isso ocorre e chega até a atrapalhar o andamento da discussão.


5..9. Vídeo-conferência interativa
Trata-se de um gênero que se aproxima dos bate-papos virtuais com convidados, mas têm tema fixo e tempo claro de realização com parceiros definidos. São síncronos e essencialmente institucionais com finalidade de trabalho. Essas conferências estão se popularizando e ainda dependem de uma tecnologia mais sofisticada. Como se pode observar nos casos em que elas ocorrem, a escrita é usada em menor intensidade e elas se aproximam dos telefonemas com imagem em circuito fechado.
5.10. Listas de discussão
Estas listas estão hoje entre os gêneros mais praticados na comunidade acadêmica, mas são comuns fora dela. Em certo sentido constituem grupos definidos como comunidades virtuais que se agrupam em torno de interesses bem determinados e operam via e-mails como forma de contato. São gêneros fundados numa comunicação assíncrona.
Não existem temas fixos, mas existe algo assim como um enquadre geral de temas que podem ser falados pelos participantes dessas listas. Elas não são definidas pelo número de participantes e sim pela natureza da participação e identidade do participante. Este é identificado ou pelo seu nome ou pelo seu endereço eletrônico.
A operação de listas é realizada por uma figura que funciona como moderador ou Webmaister que direciona as mensagens e faz a triagem, pois pode ocorrer de alguns participantes importunamente remeterem mensagens que não cabem na lista, seja por razões éticas, políticas ou outras quaisquer. Há, pois, tanto um código de ética como um conjunto de valores que censura a operacionalidade dessas listas.
Aspecto importante dessas listas é que apesar de terem temas relativamente claros a serem tratados quanto ao campo, ainda não há formas definidas de fazê-lo. Por isso, observa-se muita reclamação quanto á “trivialidade” das mensagens e quanto à sua falta de adequação aos propósitos do grupo. No geral, essas listas de discussão se caracterizam por veicular informações úteis ao grupo, mas há listas mais rigorosas que só veiculam reflexões e não admitem recados de ordem pessoal, tais como as buscas de bibliografia, solicitação de endereço de colegas ou fontes de trabalho para artigos, livros ou teses. Também ocorre o caso de tais listas trazerem posicionamentos políticos de um modo geral, o que representa um desvirtuamento de seu papel.
5.11. Endereço eletrônico.
O endereço eletrônico é um dos identificadores pessoais dos indivíduos para todo tipo de participação na comunicação eletrônica. Contudo, em muitos casos ele não aparece, como por exemplo nas salas de bate-papos. Já no caso dos e-mails eles estão sempre presentes como se fossem o “envelope” da carta.
A estrutura dos endereços é hoje padronizada e conta, assim como os endereços postais, com alguns elementos obrigatórios. Quanto à sua relação com os endereços postais, os endereços eletrônicos podem variar muito relativamente ao nome do usuário que é muito mais uma sigla ou uma invenção que o nome pessoal em si. O mesmo indivíduo pode ter uma multiplicidade de endereços eletrônicos a depender de quantas contas ou caixas postais eletrônicas ele tiver aberto. Com as facilidades atuais e a multiplicação de provedores comerciais que permitem “contas eletrônicas grátis”, a maioria das pessoas usa mais de um endereço eletrônico.
Podemos comparar o endereço postal com o endereço eletrônico. O endereço postal tem, em geral, a seguinte configuração (excetuando os casos em que se use uma caixa postal, o que evita nome de rua):


Categorias

Dados

Nome

João Andrade da Silva

Rua da Hora, 45 apto. 145

Bairro de Apipucos

50000-000 Recife PE

Brasil


Logradouro

Bairro

CEP / cidade / estado

País

Já o endereço eletrônico tem esta configuração:




Categorias

Exemplos

Endereço eletrônico pessoal:

(nome/arroba/servidor/natureza/país



lamarcuschi@uol.com.br

lumarc@npd.ufpe.br

Endereço de um portal/ home-page

http://www.uol.com.br

http://www.caixa.org.br

Aspecto extremamente importante no caso de endereços eletrônicos é a exatidão. Esses endereços não admitem nenhuma alteração e um simples espaço a mais ou a mudança de uma letra é suficiente para que ele não funcione. Esta é uma diferença notável dos endereços postais que podem ter até o nome da Rua equivocado, mas o Código Postal (CEP) correto e a carta chega. Em certos casos o carteiro conhece a pessoa pelo número de cartas que recebe ou se trata de pessoa pública.


6. O contínuo Fala-escrita e os gêneros da mídia virtual
Muito se falou sobre os aspectos envolvendo a escrita digital, particularmente nos gêneros mais próximos da oralidade, tal como os bate-papos, mas também no caso dos e-mails. Em algumas avaliações cometeram-se exageros e precipitações que hoje se sabe terem sido enganosas já que se fundavam em programas defasados. Contudo, a questão é relevante e existem aspectos inovadores. Certamente, a escola não pode passar à margem dessas inovações sob pena de não estar situada na nova realidade do ensino. Neste sentido, o letramento digital deve ser levado a sério, pois veio para permanecer.
Vale a pena refletir sobra uma observação de Danet (1997:7), colhida em Yates (2000:234), em que lemos:

Num período de talvez 50 anos, nossa compreensão da natureza do letramento e da função social dos textos escritos terá mudado tão radicalmente que poucos de nós estarão ainda vivos para atestar ‘como as coisas eram’ no final do século XX. Por isso é vital produzir agora investigações sobre as atitudes e as práticas de letramento na cultura impressa enquanto ainda é possível fazê-lo...”



Portanto, o uso da escrita, uma vez radicalizado e tornado comum nas formas dos bate-papos digitais e todas as demais formas de escrita síncrona, poderá alterar a própria forma de se escrever. E isso não seria surpreendente, pois as mudanças que com tanta rapidez ocorrem na linguagem oral pelo fato de a usarmos a todo momento, podem começar a se tornar também mais freqüentes e velozes na escrita pelo fato de passarmos a usá-la com tamanha freqüência. Não seria demais imaginar que um dia se pudesse admitir várias formas de escrita (várias grafias) a depender do contexto de uso dessa escrita. Estamos longe de uma tal atitude, mas ela não é mais impensável.
Para Crystal (2001:170), as interações nos grupos de bate-papos são fascinantes por duas razões: primeiro, por que “providenciam um domínio no qual podemos observar a linguagem em seu estado mais primitivo”; segundo, por que “os grupos de bate-papos fornecem evidências da notável versatilidade lingüística que há entre as pessoas comuns – especialmente o pessoal jovem”. Em conseqüência, o que se tem, em termos lingüísticos, é uma linguagem escrita não-monitorada, não submetida a revisões, expurgos ou correções. É uma linguagem em seu estado natural de produção.
Observa-se que a escrita dos bate-papos, por exemplo, tende a ser mais abreviada. Aparecem muitas abreviaturas, mas boa parte delas é artificial, localmente decidida e não vinga. Essas abreviaturas são passageiras e servem apenas para aquele momento. Mas outras se firmam e vão formando um cânone mínimo que vai sendo reconhecido como próprio do meio. Isso significa que há uma contribuição inegável dessa escrita para a formação de novas variedades comunicativas.
Halliday, em estudo recente (1996), ao analisar as relações entre língua falada e escrita, volta a defender a teoria de que uma das diferenças centrais entra ambas estaria na nominalização mais intensa na escrita, o que também acarretaria grupos nominais mais longos e orações maiores. A fala seria mais segmentada neste aspecto e isto lhe daria uma sintaxe até mesmo “mais intrincada” que a da escrita (Halliday, 1996:348). Para o nosso contexto de argumentação é relevante a sugestão de Halliday (1996:354), quando ele afirma, a propósito das relações entre a escrita nas novas tecnologias computacionais e a escrita na forma tradicional, que “sob o impacto das novas formas de tecnologia”, presenciamos uma nova situação que “está desconstruindo toda a oposição entre fala e escrita”. Neste sentido, para Halliday, assim como ocorreu um passo crítico na história da escrita com o surgimento da imprensa com tipos móveis, agora surge outro passo importante com as novas tecnologias da produção escrita pelo computador com os processadores de texto.
Para Halliday (1996:355), com base na ação dos processadores de texto, chegará em breve o tempo em que “a distância entre a fala e a escrita terá sido largamente eliminada”. Se na escrita impressa, o texto impresso controlava o próprio autor tornando-se dele independente, no caso da escrita com o computador, o autor será o controlador de seu discurso. A consciência das barreiras entre a fala e a escrita vão desaparecendo e tudo indica que as novas gerações iniciadas na escrita eletrônica possam finalmente atingir o que Anderson (1985, citado por Halliday, 1996:355) dizia:

Crianças que aprendem a escrever usando o processador de palavras tendem a compor seu discurso escrito numa maneira que é mais parecida com a fala do que com os tradicionais exercícios da escrita.”



Descontando o exagero dessas posições, o que se observa é que as novas formas de escrita tais como os e-mails e os bate-papos virtuais reproduzem estratégias da língua falada. E uma dessas estratégias é a produção de enunciados mais curtos e com menor índice de nominalizações por frase. Isto propicia, no dizer de Halliday (1996:356), uma escrita mais amigável e mais próxima da fala. Contudo, para o mesmo Halliday, devemos ter cautela diante dessas posições, pois o que está ocorrendo não é uma “neutralização das diferenças entre fala e escrita”, mas sim estão se criando as condições materiais de uma tecnologia que permitirá uma “maior interação entre ambas, do que emergirão algumas novas formas de discurso” (1996:356). Estas formas são os gêneros que acabamos de analisar. No limite, e propiciando um novo espaço, pode-se dizer que os “computadores encorajarão os escritores a integrarem mais e mais materiais não-verbais em sua escrita” (Halliday 1996:358).
Podemos indagar de que modo as novas tecnologias eletrônicas afetam nossos hábitos de ler e escrever. Uma das idéias mais comuns aos que trabalham a relação entre a lingüística e as novas tecnologias da comunicação, em especial a computacional, é a que diz respeito à relação fala e escrita. Quanto a isso, parece claro que a escrita nos gêneros do meio virtual se dá numa certa combinação com a fala, manifestando um hibridismo ainda não bem-conhecido e muitas vezes mal-compreendido.
Há quase um consenso em que a área na qual mais se verifica a presença e a força da computação no contexto da língua é a escrita. Trata-se de um novo espaço de escrita, como disse Bolter, mas é mais do que isso, ou seja, é uma nova relação com os processos de escrita. É o que se chamou de novo letramento. Isto porque, tal como repetimos reiteradas vezes, a escrita é a base da internet.
Parece que muitas coisas mudam nesta questão em especial nossa idéia de produção textual e nossas formas de produção. Para alguns muda a própria noção de texto ao se considerar a questão do hipertexto. Em conseqüência, mudaria a noção de autor, leitor e até mesmo de processos de construção de sentido. Não se trata de aspectos triviais como a maior facilidade de lidar com o texto e de montá-lo e remontá-lo. Pois isso é óbvio, embora do ponto de vista da produção empírica represente uma mudança interessante nas nossas vidas. Imaginem os velhos tempos em que, depois de datilografar um texto com uma máquina de escrever como uma Remington ou uma Olivetti, ou Olympia, nós mudássemos algumas coisas. Devíamos digitar tudo de novo e não apenas fazer nova impressão. Existem facilidades deste tipo que têm conseqüências em outros planos, tais como o aumento de textos e de texto muito iguais.
Em função disto, não é equivocado dizer que aumentou sensivelmente a intertextualidade em especial no próprio autor, que vive se autocopiando. É fácil fazer isto. As citações ficaram mais longas de uma maneira geral e não podemos dizer que melhoraram. Ficou mais fácil de fazer isso sem ter que copiar tanto, já que os modernos scanners são muito adequados para produzir essas cópias.
Quando se reflete sobre questões como as destes últimos parágrafos, reflete-se sobre um novo objeto lingüístico? Seguramente não. Estamos apenas refletindo sobre as conseqüências de uma nova tecnologia numa dada área. Trata-se de uma repercussão interessante, mas de pouca monta para a lingüística enquanto análise da língua e até mesmo dos usos lingüísticos. Pois aqui não está um novo uso e sim uma nova relação com usos existentes.

Aspecto frisado por todos os analistas dos gêneros eletrônicos é o que diz respeito à nova relação com a escrita que eles propiciam. Tudo indica que está se constituindo um novo formato de escrita numa relação mais íntima com a oralidade do que a existente, embora como se poderá notar em análises de muitos autores, as cartas pessoais em nada ficam a dever aos e-mails e aos bate-papos. Mas há inovações sobretudo pela apontada razão da produção ser síncrona, isto é, pela simultaneidade temporal.


E nós sabemos que o tempo real é um dos fatores que dá à produção oral em situações autênticas uma característica peculiar. Por exemplo, auto-correções, hesitações, repetições, truncamentos, reinícios etc., que ficam na própria superfície do texto produzido. Isto pode ser observado na superfície dos textos produzidos nos bate-papos, mesmo de quem tem grande prática e velocidade na digitação. A preocupação com a correção não é grande, mas pode existir.
Observação interessante no contexto do discurso virtual é a construção das identidades sociais numa espécie de contínuo. Podemos dizer que ali se dão interações entre indivíduos no seguinte leque geral, considerando apenas a natureza das relações entre os participantes e os gêneros aqui vistos.

PARTICIPAÇÃO INTERATIVA

ENTRE INDIVÍDUOS


conhecidos desconhecidos anônimos irreais

-e-mail


-bate-papos agendado ICQ -listas de discussão -bate-papos abertos -MUDs

-bate-papos educacionais -bate-papos abertos -bate-papos em salas

-aulas virtuais -bate-papos reservados privadas

-vídeo-conferência -endereço eletrônico

-endereço eletrônico -mails

-listas de discussão -entrevistas

-entrevistas
Isto mostra a variedade de relações que são aqui instituídas num certo contínuo de identidades sociais desde o pessoal e conhecido até o impessoal e irreal quando se interage com monstros imaginários como no caso dos MUDs.


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