Neros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital


Algumas observações finais



Baixar 442.99 Kb.
Página5/5
Encontro29.07.2016
Tamanho442.99 Kb.
1   2   3   4   5

7. Algumas observações finais

A pergunta final é a seguinte: de que novo tipo de lingüística estamos precisando para dar conta de tudo o que as novas tecnologias produzem? Não sei. Mas sei que a lingüística tal como está definida hoje não serve a esses propósitos. Nestas reflexões não foi tentada uma nova saída, mas uma saída para o descarte de algumas posições que ainda não podem justificar uma nova lingüística, mas podem justificar um esforço no sentido de uma nova descrição etnográfica dos tipos de eventos analisados.


Seguramente, os novos meios eletrônicos não estão atingindo a estrutura da língua, daí que sua interface com a lingüística não se dá precisamente no que toca aos aspectos nucleares do sistema, como a fonologia, a morfologia e a sintaxe. Mas estão atingindo o aspecto nuclear do uso pela unidade mais importante que é o texto.39 São novas formas de textualização que surgem e devem ser analisadas com cuidado, em especial quanto aos processos de condução tópica, produção de sentido e relações interpessoais.
Contudo, não creio que estejam sendo anuladas formas já cristalizadas. O poder revolucionário do computador e seu virtuosismo é muito pequeno em relação à anulação do já instituído. Talvez menor do que o que ocorreu quando se passou a separar os textos em páginas e partes, tal como lembrou Morrison (1995). A escrita eletrônica é de qualquer modo ainda reduzida. O que se constata e provavelmente continuará sendo assim por muito tempo é o uso maciço do computador como meio de transporte e armazenamento de textos na forma tradicional. Torna-se necessário pensar o que vem a ser o denominado letramento tecnológico ou letramento digital para além da simples reprodução de textos.
Costuma-se hoje dizer que alguns aspectos da textualização mudaram com o surgimento das novas tecnologias de escrita, como por exemplo, o hipertexto. E aqui estariam sendo necessárias revisões de noções tais como linearidade, estrutura, coesão e coerência, entre outras. Contudo, já parece claro que novas tecnologias em geral não abalam alicerces vizinhos; quando muito podem sugerir nova pintura, novos telhados e fechaduras mais confortáveis.
É assim que inicia um novo capítulo, o da redefinição de conceitos numa era pós-estruturalista ou, se se preferir, pós-moderna com tudo de bizarro que essa expressão possa conter. Entramos, pois, numa era em que a lingüística já se situa essencialmente como uma ciência que trata das práticas comunicativas, ou seja, vê como sua tarefa a análise da língua enquanto atividade interativa. Seguramente, questões éticas e problemas de natureza estética e política passarão a ser preocupações também de lingüistas que discutirão o estatuto epistemológico desses eventos interativos, o formato dessa nova racionalidade e suas implicações para uma teoria da ação. Assim, os congressos de lingüística podem continuar sendo cada vez mais ecumênicos em seus temas.
Referências bibliográficas
BAKHTIN, Michail. [1979]. 1992. Os gêneros do discurso. In BAKHTIN, M. Estética da Criação Verbal. São Paulo, Martins Fontes, pp. 277-326.
BOLTER, j. D. 1991.Writing Space: The Computer Hypertext and history of Writing. Hillsdale, N.J.;

Lawrence Erlbaum.


BRONCKART, Jean-Paul. 1999. Atividades de Linguagem, textos e discursos. Por um interacionismo

sócio-discursivo. São Paulo, Editora da PUC-SP, EDUC.
CHAVES, Gilda Maria Monteiro. 2001. Interação On-line: Análise de Interações em Salas de Chat. In: Vera

Lúcia Menezez PAIVA (Org.). (2001), pp. 37-73.


CRYSTAL, David. 2001. Language and the Internet. Cambridge, Cambridge University Press.
DANET. B. 1997. Books, letters, documents. Jornal of Material Culture 2(1): 5-38.
ERICKSON, Thomas. 2000. Making Sense of Computer-mediated Communication (CMC): Conversations as

genres, CMC Sustems as Genre Ecologies. In the Proceedings of the Thirty-Third Hawaii International Conference on Systems Science. (ed. J. F. Nunamaker, Jr. R. H. Sprague, Jr.), January, 2000. IEEE Press. Lido em: http://www.pliant.org/personal/Tom_Erickson/


ERICKSON, Thomas. 1997. Social Interaction on the Net: Virtual Community as participatory Genre.

(Publicado no Proceedings of the Thirtieth Hawaii International Conference on System Science. January, Vol. VI, pp. 13-21, 1997, Mauai hawaii). Citado a partir de cópia do: http://www.pliant.org/personal/Tom_Erickson/VC_as_Genre.html


FAUSTINI, Christiane Heemann. 2001. Educação a distância: um curso de leitura em língua inglesa para

informática via Internet. In: V. L. M. PAIVA (Org.). 2001, pp. 249-268.


FONSECA, Lorena. 2001. Alocação de Turnos em Salas de Chat e em Salas de Aula. In: PAIVA (Org.).

2001, pp. 74-85.


HAFNER, Katie & Matthew LYON. 1996. Where Wizards Stay Up Late. The Origins of the Internet.

New York: Simon & Schuster Inc.


HALLIDAY, M.A.K. 1978. Language as Social Semiotic. The social interpretation of language and meaning. London, Edward Arnold.
HILGERT, Gaston. 2000. A construção do texto “falado” por escrito na Internet. In: Dino PRETI (org.). Fala

e escrita em Questão. (Projetos Paralelos – NURC/SP - Núcleo USP – Vol. 4). São Paulo, Humanitas, pp. 17-55.
LINDAHL, Greg “wumpus”; Vesa “vesa” ROUKONEN; James NG; Thuomas HEINO & RICHARD. S.d.

History of IRC (Internet Relay Chat)” Copiado em outubro de 2001 no site: http://damiel.haxx.se/irchistory.html
HOLMES, Janet & Miriam MEYERHOFF. 1999. The Community of Practice: Theories and methodologies

in language and gender research. Language in Society, 28(1999)173-183.


JONSSON, Ewa. 1997. Electronic Discourse. On Speech and Writing on the Internet. Luleã University of Technology. Department of Communication and Languages. (Extraído de: <http://www.ludd.luth.se/users/jonsson/D-essay/ElectronicDiscourse.html
LAVE, Jean & Etienne WENGER. 1991. Situated learning: Legitimate periphereal participation.

Cambridge and new York, Cambridge University Press.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. 1997. Oralidade e escrita. Signótica, Goiânia, UFGO, nº 9 (1997):119-146
MARCUSCHI, Luiz Antônio. 1999. Linearização, cognição e referência: o desafio do hipertexto. Línguas

E Instrumentos Lingüísticos, Editora Pontes, nº 3(1999): 21-46.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. 2000. O hipertexto como um novo espaço de escrita em sala de aula. In: José

Carlos de AZEREDO (org.). Língua Portuguesa em debate. Conhecimento e Ensino. Rio de Janeiro, Editora Vozes, pp. 87-111.


MILLER, Carolyn R. 1884. Genre as social action. Quarterly Journal of Speech. 70(1984):151-167.
MILLER, Carolyn R. 1994. Rhetorical Community: The Cultural Basis of Genre. In: Aviva FREEDMAN &

Peter MEDWAY (eds.). 1994. Genre and the New Rhetoric. London, Taylos & Fracis, pp. 67-78.


MORRISON, Kent. 1995. Estabelecendo o texto: a institucionalização do conhecimento por meio das

formas históricas e filosóficas de argumentação. In: J. BOTTÉRO e K. MORRISON.


MURPHY, Karen L. & Mauri P. COLLINS. 1997. Communication Conventions in Instructional Electronic

Chats. Lido no site: http://www.firstmonday.dk/issues/issue2_11/murphy/index.html


PAIVA, Vera Lúcia Menezes. (org.). 2001. Interação e Aprendizagem em Ambiente Virtual. Belo Horizonte,

FALE- UFMG.


PAIVA, Vera Lúcia Menezes. 2001a. Aprendendo inglês no ciberespaço. In: PAIVA, Vera Lúcia Menezes.

(org.). 2001, pp. 270-305.


PEMBERTON, Lyn. 2000. Genre as a Structure Concept for Interaction Disign Pattern Languages. Lido em:

http://www.it.bton.ac.uk./staff/lp22/genredraft.html (10/05/2002).
PETERS, 2002. Ensino a Distãncia. São Leopoldo, Editora da UNISINOS.
RHEINGOLD, Howard. 2000. The Virtual Community.Homesteading on the Electronic Frontier.

Cambridge, Massachusets; The MIT Press.


SACKS, Harvey./ Emanuel SCHEGLOFF / Gail JEFFERSON. 1974. A simplest systematics for the organization

of turn-taking for conversation. Language 50: 696-735.


SWALES, John M. 1990. Genre Analysis. English in academic and research settings. Cambridge,

Cambridge University Press. (especialmente, pp. 1-65).


THOMPSON, Bob & John COTTER. 1996. Talking Headers. The Washigton Post Magazine (04/10/1996)

Reproduzido no site: http://www.olografix.org/gubi/estate/libri/wizards/email.html (Com base em HAFNER & LYON, 1996).


WALLACW, Patrícia. 1999. The Psychology of the Internet. Cambridge, Cambridge University Press.
WALTHER, J. B.. 1996. Computer-Mediated Communication: impersonal, interpersonal and hyperpersonal

interaction. Communication Research. 23(1):3-43.


WENGER, Etienne. 1998. Communities of Practice. Learning, Meaning, and Identity. Cambridge,

Cambridge University Press.


YATES, J. & W. J. ORLINOWSKI. 1992. Genres of Organizational Communication: A Structural Approach

to Studying Communication and media. Academy of Management Science Review. 17 (2): 299-326.


YATES, Simeon J. 2000. Computer-Mediated Communication. The Future of the Letter? In: David BARTON

& Nigel HALL (EDS.) 2000. Letter Writing as a Social Practice. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins, pp. 233-251.




1 Texto da Conferência pronunciada na 50ª Reunião do GEL – Grupo de Estudos Lingüísticos do Estado de São Paulo, USP, São Paulo, 23-25 de maio de 2002.

2 Observa Crystal (2001:21) que a expressão “e-” foi a expressão do ano em 1998. Veja-se em quantos casos ela apareceu: e-mail (correio eletrônico) ; e-book (livro eletrônico); e-therapy (terapia virtual); e-manager (negócios eletrônicos); e-busness (negócios virtuais) e uma infinidade de outras. A expressão ‘eletrônico’ ou mesmo ‘virtual’ (talvez em menor escala, também ‘digital’) passou a fazer parte do dia-a-dia de quase todos nós. Mas em especial o caso dos e-mails está se tornando uma epidemia incontrolável.

3 Dizer que os gêneros são históricos equivale a admitir que eles surgem em determinados momentos na História da Humanidade. Contudo, no geral, não temos a história da maioria dos gêneros. J Yates e W.J. Orlikowski (1992), por exemplo, analisaram o surgimento dos memorandos na virada do século XIX e mostraram como esses gêneros surgem numa relação muito estreita com mudanças institucionais, novas exigências e formas de relacionamento e novas tecnologias. Os gêneros virtuais prestam-se para um trabalho deste tipo porque não têm mais de 30 anos, podendo-se reconstituir com facilidade sua história. Além disso, eles se situam num meio de extrema velocidade em relação a mudanças. Esta é uma razão a mais para que nos dediquemos a eles, como sugere Erickson (1997:4) de onde extraí algumas dessas observações.

4 Não está nos objetivos desta exposição fazer uma análise do impacto da tecnologia eletrônica na civilização contemporânea. Nem se pretende aqui realizar algum tipo de estudo histórico. Para uma visão mais clara dos desmembramentos, pode ser consultado o trabalho de Ewa Jonsson (1997) que analisa alguns desses aspectos desde os meados dos anos 60 quando a ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) do Pentágono uniu pela primeira vez computadores situados em regiões geográficas distantes. Era o germe da Internet que chegaria aos anos 90 com impressionante desenvolvimento e versatilidade. Trabalho importante para se ter uma visão mais completa dessa história é o livro de Katie Hafner e Matthew Lyon (1996).

5 O termo ‘discurso eletrônico’ será ainda objeto de definição mais precisa e vem sendo trabalhado sistematicamente por Ewa Jonsson (1997) de quem são adotadas várias das idéias tratadas adiante.

6 Para uma visão da dimensão dos problemas aqui envolvidos remeto à obra de Patrícia Wallace (1999), onde se poderá observar os casos mais complexos de relação quase-psicótica ou diretamente distorcida com a máquina. O assunto já vem merecendo atenção de pais, educadores e responsáveis pela saúde pública.


7 Fique claro que a noção de Internet é aqui tomada na acepção ampla que lhe dá o Dicionário Aurélio –Século XXI, na sua versão eletrônica, ou seja: Internet segundo Aurélio:

Qualquer conjunto de redes de computadores ligadas entre si por roteadores e gateways, como, p. ex., aquela de âmbito mundial, descentralizada e de acesso público, cujos principais serviços oferecidos são o correio eletrônico (q. v.), o chat (q. v.) e a Web (q. v.), e que é constituída por um conjunto de redes de computadores interconectadas por roteadores que utilizam o protocolo de transmissão TCP/IP.



Assim, a Internet é algo diverso da WWW e outros fenômenos que estão nela abrigados.

8 Como já se observou nestes poucos parágrafos, usaram-se aqui vários termos como equivalentes para designar esse fenômeno. Assim, embora demos preferência à expressão mídia virtual, usamos indistintamente mídia eletrônica, mídia digital e tecnologia digital hoje correntes na literatura sobre esses temas.

9 Torna-se imperativo citar aqui o livro Interação e Aprendizagem em Ambiente Virtual, recentemente organizado e editado por Vera Lúcia Menezes PAIVA (FALE-UFMG, Belo Horizonte, 2001) com uma série de textos, a maioria deles referidos ao longo deste trabalho.

10 Thomas Erickson (2000:3) aponta este aspecto mostrando que houve, nas últimas décadas, uma guinada da perspectiva taxionômica na visão dos gêneros (teoria clássica) para uma visão do gênero como situado, isto é, observa-se o gênero na relação com a comunidade social, a história, a cultura e os propósitos comunicativos.

11 Veja-se quanto a este aspecto o trabalho de J.B. Walther. 1996. Computer-Mediated Communication: impersonal, interpersonal and hyperpersonal interaction. Communication Research. 23(1):3-43.

12 Embora pouco relevante neste contexto, observo que a noção de sincronia a que me refiro aqui tem a ver apenas com a produção num tempo concomitante, ou seja, os interlocutores operam no mesmo tempo. Isto distingue-se da noção de simultaneidade, pois esta diz respeito ao tempo de produção. Neste caso trata-se da possibilidade de observação da produção no seu ato imediato de produzir. Isso é possível no caso de certos programas como o ICQ que permite observar a pessoa digitando e se refazendo na digitação. No caso desses programas tem-se uma relação síncrona e simultânea. Este aspecto deveria ser melhor analisado um dia, mas não é tema desta investigação.

13 Como os gêneros são históricos e muitas vezes estão ligados às tecnologias, elas permitem que surjam novidades nesse campo, mas são novidades com algum gosto do conhecido. Observem-se as respectivas tecnologias e o alguns de seus gêneros: telegrama; telefonema; entrevista televisiva; entrevista radiofônica; roteiro cinematográfico e muitos outros que foram surgindo com tecnologias específicas. Neste sentido é claro que a tecnologia da computação, por oferecer uma nova perspectiva de uso da escrita num meio eletrônico muito maleável, traz mais possibilidades de inovação.


14 Neste momento me refiro ao meio em sentido restrito de meio físico de comunicação, tal como a Internet, o rádio, o telefone, o papel impresso e assim por diante. Assim, não considero a linguagem um meio desse tipo, mas uma forma constitutiva da realidade. Quanto a isso, adoto a noção de linguagem como atividade interativa de caráter sócio-cognitivo e não como um meio de transmissão de informações. Descarto, pois, a conhecida metáfora da linguagem como conduto, canal ou de transporte de idéias.

15 Não está nos propósitos nem nos limites deste estudo um aprofundamento da noção de ‘comunidade de fala’ ou ‘comunidade lingüística’, ‘redes sociais’ ou a nova noção de ‘comunidade de práticas’ tal como exposta em Janet Holmes e Miriam Meyerhoff (1999) ao distinguirem essas noções de forma sistemática. Quanto a isso pode-se ver também o trabalho de Etienne Wenger (1998) sobre as Comunidades de Práticas.

16 Na realidade, pode-se indagar se existem Comunidades Virtuais. Howard Rheingold (2000) escreveu uma obra sobre o tema com um capítulo final intitulado “Rethinking Virtual Communities”, acrescido á edição de 2000, que não aparecia na edição de 1993. Ali ele expõe os problemas com essa noção quando se trata da expressão “comunidade virtual”.

17 Afasto-me aqui da noção de comunidade lingüística, tal como definida na sociolingüística, pelas razões levantadas por Miller (1994:72-73), já que aquela noção aproxima-se de uma categoria taxionômica fundada no domínio da língua. Contudo, a noção de “comunidade retórica” como proposta por Miller (1994:73) e caracterizada como uma “projeção discursiva, um constructo retórico” ou uma espécie de “entidade virtual” e não real, parece-me pouco adequada para este caso, já que Miller (1994) tem em mente grandes entidades culturais como comunidades retóricas.

18 Em seu clássico estudo de 1984 Miller afirmava serem os gêneros “artefatos culturais” sem definir o que entendia com cultura. Em trabalho posterior, a autora (1994:68) retoma a questão para definir aquela expressão e assume a posição de William, para quem a cultura seria “ ‘um modo particular de vida’ de um tempo e um lugar, em toda a sua complexidade experimentada por um grupo que entende a si próprio como um grupo identificável”. Isto explicaria, para a autora, a singularidade dos gêneros em cada cultura e sua profunda relação com os espaços culturais.

19 Veja: http://www.utne.com

20 Para maiores detalhes sobre a natureza e o funcionamento do hipertexto, veja-se Marcuschi (1999 e 2000) bem como a vasta bibliografia ali citada. Antônio Carlos Xavier (da UFPE) vem desenvolvendo tese de doutoramento na UNICAMP sobre o Hipertexto na sociedade.

21 Não gostaria que se tomassem os nomes aqui dados aos gêneros como designações definitivas. Parece, por exemplo, que o que aqui se denomina “bate-papos educaionais” vem sendo chamado de “Chats educacionais” e assim por diante.

22 Note-se que o termo já vem sendo dicionarizado nessa forma tanto pelo Dicionário Aurélio Século XXI, como pelo Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 1.0. Assim, não traduzo para “correio eletrônico”, como seria o normal fazê-lo.

23 Uma observação terminológica: Os denominados chats são na realidade bate-papos virtuais que se realizam em tempo real (on-line) e provém de um programa ou sistema chamado IRC (Internet Relay Chat). Existem muitos sistemas desses. Quanto ao ICQ (I seek you) e os MUDs (Multiple User Domains), trata-se de variações que aqui não serão distinguidas de maneira sistemática, já que no fundo variam apenas como formas operacionais de programar as falas e estabelecer os contatos, mas a produção textual (os bate-papos) não varia substantivamente, a não ser quando se trata de mostrar a natureza dos diálogos. E isto ficará mais claro nas descrições a seguir. Também chamo atenção para o fato de o termo já se achar dicinarizado tanto no “Aurélio” como no Houaiss. Neste, lemos, para o verbete Chat, o seguinte: “forma de comunicação à distância, utilizando computadores ligados à internet, na qual o que se digita no teclado de um deles aparece em tempo real no vídeo de todos os participantes do bate-papo”.



24 Essa questão é de extrema importância e, como vimos acima, nas explicações do engenheiro de software, Thomas Erickson (2000), ao explicar a construção e o funcionamento do programa BABBLE, os disigners tiveram como modelo padrão os gêneros prévios que compõem aquele programa. Assim, um Chat seguiria as estratégias de produção dialógica de uma conversação com simulação das atividades ali desenvolvidas. Mais adiante nos reportaremos a este aspecto na hora de tratar dos bate-papos virtuais em ambientes abertos. Outro engenheiro dessa mesma linha de trabalho é Lyn Pemberton (2000), que no trabalho intitulado “Genre as a Structure Concept for Interaction Disign Pattern Languages”, “explora a idéia de que gênero pode ser uma ferramenta conceitual útil para estruturar padrões interacionais de sub-linguagens” e com isso mapear o território para a construção de softs. O autor toma o trabalho de Swales (1990) como ponto de partida para sua noção de gênero da “vida real”.

25 Temos que distinguir o que é próprio do gênero surgido e o que é devido ao estágio tecnológico. Pois há algum tempo não se podia corrigir a não ser a linha inteira e isto gerava problemas específicos; depois não se podia acentuar; hoje se pode operar com os e-mails do mesmo modo que nos processadores textuais comuns.

26 Para informações mais detalhadas a respeito da linguagem e dos formatos dessas interações imaginárias, sugiro a leitura do cap. 6 de Crystal (2001), pp. 171-194.

27 Sugiro a leitura do texto de Gaston Hilgert (2000) como básica para uma idéia do funcionamento dos bate-papos digitais (chats) em suas peculiaridades relativamente ao funcionamento dos turnos e outras peculiaridades comuns nas interações face a face.

28 Aos que desejarem detalhes históricos sobre o surgimento do e-mail, com Len Kleinrock (cientista computacional da UCLA), sugiro a leitura de “Talking Headers” reproduzido do The Washigton Post Magazine (04/10/1996) no site: http://www.olografix.org/gubi/estate/libri/wizards/email.html

29 É de grande interesse o trabalho de Simeon Yates (2000), tendo em vista as observações tanto técnicas como históricas e a recuperação de dados anteriores. Ele mostra, por exemplo, que o gênero carta surgiu como carta comercial no início século XVII e só após os meados daquele século elas se tornaram privadas. Os memorandos por sua vez surgiram na virada do século XIX para o século XX.

30 Hoje já existem normas para escrever e-mails. Vejam-se sugestões e bibliografia neste sentido em Crystal (2001:107). O autor lembra que para cada equívoco gramatical nos textos de e-mails ocorrem 3 de digitação (p.112); notou ainda que cerca de 80% dos e-mails por ele analisados tinham até 4 linhas e eram raros os que iam além de 20 linhas, sendo que os pessoais eram mais longos que os institucionais (p. 114).

31 Pude notar, com base em análises de um corpus muito reduzido que os textos de e-mails comparados a cartas pessoais têm frases mais curtas e, em média, apresentam de 3 a 5 palavras a menos por frase. Não há tantas construções encaixadas e o cuidado com a ortografia é bem menor e também não se tem o cuidado da revisão. Há maior número de abreviaturas e siglas. O compromisso com a manutenção tópica é menor, havendo menos desdobramentos paragráficos. Em particular, observa-se um alto uso de dêiticos com referenciação imediata no frame interno do próprio texto. Pode apresentar um uso intenso de elementos truncados com incidência de formas feitas e acréscimo de imagens.



32 Assim, se expressa o Dicionário Aurélio Século XXI em sua versão eletrônica em relação ao verbete já incorporado à língua portuguesa: “Chat - Forma de comunicação através de rede de computadores (ger. a Internet), similar a uma conversação, na qual se trocam, em tempo real, mensagens escritas; bate-papo on-line, bate-papo virtual, papo on-line, papo virtual.”

33 Para maiores detalhes desta interessante história, consulte-se a “History or IRC (Internet Relay Chat)” no site: http://damiel.haxx.se/irchistory.html Aqui está uma exposição do que foram os primórdios do programa e seus desmembramentos.

34 Crystal (2001:129) inicia seu capítulo sobre a linguagem nos chats identificando vários formatos, tais como “chatgroups, newgroups, usergroups, chatrooms, mailing lists, discussion lists, e-conferences e bulletin boards”, decidindo-se por abordá-los em conjunto sob o nome “chatgroups” de forma genérica na relização síncrona e assíncrona. Mas cada um desses formatos poderia constituir um gênero esses eventos internetianos tal como se nota na abordagem detalhada do autor.

35 Quanto a estes comandos comunicativos que servem para administrar aspectos do processo interativo, veja-se Fonseca (2001:77) .E sobre a tomada de turnos dos chats, Chaves (2001) desenvolveu trabalho bastante completo mostrando vários aspectos que se aproximam e afastam das interações face a face.

36 Para uma visão mais completa da administração dos turnos nos bate-papos veja-se Hilgert (2000:26-28) que analisou a dinâmica com muita precisão, sugerindo que uma das características centrais é a rapidez dos turnos, o que é um fato, pois mais da metade deles não vão além de 3 ou 4 palavras. Esta é uma característica distintiva entre esse tipo de comunicação e a interação face a face.

37 Existem versões do programa que permitem a interação com múltiplos usuários de uma só vez e neste caso as salas têm praticamente as mesmas características que o gênero anteriormente analisado.

38 Aspectos interessantes neste sentido podem ser observados no trabalho de Otto PETERS (2002), especialmente no capítulo dedicado a essa questão. Também o trabalho de Christiane H. Faustini (2001) traz observações úteis para entender o funcionamento dessa modalidade de ensino.

39 Embora totalmente desnecessário, deixo explícito neste final de exposição que com texto não penso apenas na escrita, mas em toda e qualquer forma de comunicação humana pela língua (oral ou escrita), pois tudo o que ocorre como evento comunicativo em situações sócio-culturais normais é texto.


Catálogo: twiki -> pub
pub -> Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Goiânia 15ª Promotoria de Justiça
pub -> Ministério público do estado de goiá
pub -> Ormísio Maia de Assis
pub -> Exmo. Sr. Dr. Juiz de direito da vara cível da comarca de itajaí sc sos fundação Mata Virgem
pub -> Docente: Dr. José Manuel E. Valença a informática na saúde
pub -> A consciência como fator preponderante na construção das grandes teorias para a humanidade
pub -> Estrutura curricular (novo projeto pedagógico) licenciatura núcleo Específico de Geografia (20)
pub -> Trabalho De Informática Jurídica «A criptografia» Universidade do Minho. Maio de 20005
pub -> Universidade do Minho Licenciatura em Direito Informática Jurídica Técnicas Criptográficas—Cifras Docente
pub -> Realizado por: Henrique Fernandes da Cunha Nº. 34531 Cristina Laura Silva Ferreira Nº. 31625 Mafalda Joana Saraiva Magalhães N


Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal