Neste dia que é meu porque é também teu dia Deu-me a vida, por sorte, o bem extraordinário



Baixar 228.32 Kb.
Encontro03.08.2016
Tamanho228.32 Kb.
ANIVERSÁRIO
Neste dia que é meu - porque é também teu dia –

Deu-me a vida, por sorte, o bem extraordinário

De falar-te outra vez, tal como acontecia

Noutros tempos, brindando ao teu aniversário!


Mas, que te hei de dizer?!... Meu verso agora vário

E, na rima feliz, nem sempre está a poesia!

Em momentos assim não vale o dicionário!

Deve a forma amoldar-se inteira à fantasia!


Já cantei ao teu charme e à tua simpatia;

Já tentei desvendar, num poema temerário,

Teus silêncios de encanto e de melancolia!...
Seja, pois, meu soneto apenas o emissário

Deste anseio de paz, de amor e de alegria!

- Uma rosa sem cor no teu itinerário!
Novembro 13, de 1974.

Libemar


TEU RETRATO
Beijo e torno a beijar o teu retrato, Amado,

Orgulhosa e feliz de tê-lo junto a mim!

Alcancei-o, afinal! Um tanto cobiçado,

Representa o meu mundo e é bom beijá-lo assim!...


Na aridez de um sertão restrito, pequenino,

Teu semblante expressivo é uma presença morta,

À qual tento imprimir, num êxtase divino,

Todo o amor que me inflama e, aos poucos, me transporta.


Sinto, agora que o tenho, um bem estar estranho,

Uma vaga impressão de apoio... De abandono...

Como é doce o sabor do pranto com que o banho

E o prazer de afagá-lo antes que chegue o sono!


Teu retrato é um fragmento humilde de passado.

Quando o tenho estou bem! Minha existência pára...

Esmagando-o a sorrir, num beijo apaixonado,

Toma conta de mim uma alegria rara!...


Vibra, ardente a teus pés, meu coração contrito

Quando teimo em roubar à tua imagem fria

Esse beijo sensual, com gosto de infinito,

Cuja falta me faz tão triste... Tão sombria!...


Teu retrato é um fanal de paz, na longa espera

Dos teus braços viris... Da tua voz amiga...

É no caos que me envolve, um sol de primavera,

Láctea estrela a esplender na trama que nos liga!


Toda vez que o procuro e aperto contra o peito,

Meu cansaço esmaece e, aos poucos, tudo é sonho!...

Vejo o céu menos triste e o mundo mais perfeito!

Há um encanto maior nos versos que componho.


Teu retrato é o meu régio e emocional presente!

- Cetro, louro, troféu, razão da minha glória! –

Possa eu sempre adorá-lo assim, perdidamente,

Para minha alegria e bem da nossa história!


Bem mais perto entrevejo os sonhos que não tive,

E vislumbro à distancia o espectro da saudade!

Tenho em mãos teu retrato... E a minha fé revive

Quadros bons que tentei formar na mocidade.


Ao beijá-lo, febril, minha alma se emaranha

Numa esteira de luz, imponderável... Oca!...

Vai buscar-te no espaço e, ardente, te acompanha...

Penso então que és só meu e... Beijas-me na boca!...


Maio 23, de 1959.

Libemar.


EXORTAÇÃO
A vida nos enlaça, após tão longa espera,

Fundindo e matizando os nossos descaminhos...

Deixemo-nos prender assim, nessa atmosfera

De paz, que nos impele a prosseguir sozinhos!


É tempo de sorrir! Façamos doe espinhos

Muralhas, sobre as quais se enrosque e enflore a hera!

Tentemos burilar no amor nossos carinhos,

Felizes por servir ao “Pai”, na mesma esfera!


Pugnemos pela glória deste ideal! Pondera

Que é inútil conservar na mente ódios mesquinhos!

Abramos a alma ao bem, numa intenção sincera!
Se um Deus nos permitiu chegar ao fim juntinhos,

Saibamos converter o inverno em primavera,

Sonhando, mãos nas mãos, - autênticos pombinhos!
Junho 12, de 1980.

Libemar.


NÓS
N - Nossos mundos sem cor caminham lado a lado,

I - Impregnados de amena e amarga suavidade!

V - Vens... Teu riso é gentil; teu gesto é descuidado!

A – A salinha nos prende e, então, muito à vontade,

L - Levitamos no azul, num vôo emocionado,

D – Desprendidos do caos... Sem ódios... Sem passado...

O - Orgulhosos de nós, de nossa intimidade!
J - Jogo fora o cansaço e as frustrações da idade...

O - OS teus céus enchem de alma os meus “jardins fechados.”

S - Sou canção de embalar na tua mocidade!...

É -És luz viva a esplender na angústia do meu fado!
­Agosto, 4, de 1976.

Libemar.


***

A você, Nivaldo, amigo moço de gente velha, com votos de muita paz, saúde e grandes alegrias. Lembre-se de mim e queira-me bem, que não é pecado e não custe dinheiro. - Wanda César.

***

AGRADECIMENTO
Senhor, eu Te agradeço a prova insofismável

Do Teu poder sem par, do Teu amor supremo!

Mostrastes-lhes que és vivo, imenso, incontestável!

Que, à luz do Teu querer, não há de opor-se o Inferno!


Devolves ao Teu servo a Igreja de onde, um dia,

Tiraram-no o despeito e a sedição perjura!...

Jamais pude esquecer o “rictus” de agonia

Desse último sermão... Tão cheio de amargura!


Perplexa, alma abatida em negro aturdimento,

Busquei-te sem cessar, numa oração magoada!

Porém, não duvidei, sequer por um momento,

De que esta fé sem leis seria contemplada


Retorna ao Teu aprisco o amigo que escolheste,

Como apascentador gentil do Teu rebanho!

Detenho-me a indagar por que lhe não valeste,

Lançando-o, - réu sem culpa, às mãos de um povo estranho?!


Bem sabes quanto orei!... Por anos mal vividos,

Cultuei clamando aos Céus, na mesma e amarga prece!

“Senhor: conduz Teu Anjo, em glória, aos Teus remidos”,

“Pois, tudo o que selaste é santo e... Não perece!”


“Ajuda-me a esperar o quanto for preciso!”

“Mas vibre a voz feliz do Justo no Teu Templo!”

“Que o bem suplante o mal, e o Juiz não entre em juízo!”

“Que possa a minta fé servir-lhes como exemplo!”


“E eu Te prometo, ó Pai que, em toda a minha vida,”

“Por mais que a sorte mude, hás de me achar prostrada,”

“Contrita, a agradecer-te a graça recebida,”

“Até que ache, em Teu Reino, a paz tão desejada!...”


Custou! Mas, respondeste! Oh! Bênção! Luz Divina!

O Ungido foi chamado a pastorear os Seus!

Cumpriu-se, integralmente, o que o Teu Livro ensina!

“Pedi, recebereis!” E eu recebi, meu Deus!


Incita-o, pois, Pai santo, a congregar Teu povo!

Juntar os que eram Teus! Cuidar da Tua grei!

Fazer da Tua graça um tema sempre novo,

Que leve o mundo a crer, como eu já acreditei!


Senhor: eu Te pertenço, incondicionalmente!

Provaste-me! Oh! Bem sei! No entanto, sei também,

Que estás diluído em mim! Tão fundo e tão presente,

Que sinto o Teu carinho a me envolver, do Além!


Concede-me encontrá-lo em paz, na Sua Igreja!

Cultuar ao Seu comando! Ouvi-1o em pregação!

Cumprimentá-lo, ao fim: “Pastor, Deus o proteja”.

“E lhe recorde, sempre, a força do perdão!...”


No nome forte de Jesus. Amém, e amém!
Setembro 15, de 1990.
Noticia recebida a 22-1l-1990.
Dedicada ao Pastor José Carlos da Silva Bento.
Se eu morresse hoje (22), iria em estado de graça! Porém, ainda falta meio período! Vamos orar. - Wanda César.

***


DUALISMO
Escrevo os versos mais tristes

Quando estou ciente de mim!

Sentindo que ainda persistes

Num sonho que há de ter fim;

Que ao mundo inteiro resistes,

E erras muito agindo assim!...


Escrevo-os rimando à toa,

Numa angústia sem motivo!

E, embora a análise doa,

Dissecando é que eu revivo

Aquela mocinha boa,

De quem ficaste cativo...


Por que esta estranha atitude

De reserva e inquietação?!

E esta paz que não me ilude?!

E esta amarga introspecção?!

E esta capa de virtude?!

E este anseio de afeição?!...


Discussões por quase nada!...

Para, ao fim, tudo acabar...

Reflito e quedo enleada,

Sem querer raciocinar!

Desejo e fujo, humilhada,

Recuo e teimo em voltar!


Eu era uma sombra apenas!

Um presente sem futuro!

Amavas as glórias pequenas

De um passado amargo... Obscuro,

Sonhando as delícias plenas

De um amor pobre e inseguro!


Eu me anulava e extinguia!...

Mas, dentro da minha dor,

Minha alma se comprazia

A cultuar um sonho em flor...

Que é das juras que eu fazia?!

Que é feito do meu valor?!...


Estou magoada, indecisa,

Entre o passado e o presente!

Meu pensamento desliza,

Nebuloso... Reticente!

Meu ser não se concretiza,

E eu me perco de repente!


Por que a minha alma se isola

E o meu corpo não se entrega?...

E o meu coração se estiola,

Enquanto a mente se apega

A este amor que me acrisola

E, aos poucos, me desagrega?!...


Pasmo assim, neste dilema,

Incapaz de me explicar!

Abraço e fujo ao problema,

Meio a rir, meio a chorar...

Traço sempre um novo esquema,

Que me recuso a aceitar!


Se estás perto, eu me angustio,

Sonhando e temendo o sonho!

Se te vais, fica um vazio

Tão absurdo, que eu suponho

Resvalar num mundo frio...

Mergulhar num caos medonho!


E esse riso de mentira...

E esse espanto sem motivo...

Nem sequer a dor me inspira

No desespero em que vivo!

Nas cordas da antiga lira

Já não busco lenitivo!...


A fingir, nesse dualismo,

Paro, atônita, abatida,

Ansiando e temendo o abismo,

Por mim mesma incompreendida...

E aspiro... E me aturdo... E Cismo,

Sem dar forma à minha vida!


Assim, meu viver se arrasta,

Numa ansiedade impotente!

O passado me não basta,

Nem me envaidece o presente!

A emoção já me desgasta...

E eu me aflijo, inutilmente!


Aceito apenas... Não luto,

Numa estática incoerência

E, este céu que eu não desfruto,

Mas desejo com freqüência,

Torna hostil, cada minuto

Deste intérmina existência!...


E um dia, que já vem perto,

Será “simplesmente... Fim, fim!...”

Sorrio e me desconserto,

Dizendo: “é melhor assim?...”

E me afundo num deserto!...

E choro... Com dó de mim!


Maio 14, de 1980.

Libemar.


BALADA DO AMOR PERDIDO
Fim de festa... Um desejo me invade:

Conversar com Você!

Busco em vão dominar a ansiedade,

Rir feliz; mas, por que?!...


Eu só vivia

Pelo bem deste amor,

Que era céu, que era paz,

Que era tudo pra mim!

Mas, pressentia,

Nesse estranho sabor

De alegria infinita,

O princípio do fim...

Eu já sabia

Que è difícil vencer

Quando o mundo interfere

Na vida dos dois!

Eu não queria!

Custei mesmo a entender

Que, em romances fatais,

O pior vem depois!...


Já tentei resistir à saudade!

Cimular... Mas, pra quê?!...

Choro só, sem valor, sem vontade!

Quem me viu... Quem me vê!...


Eu deveria

Tornar menos tristonho

Este resto de vida

Que a vida apagou!

Eu poderia

Esmagar, noutro sonho,

As raízes profundas

Que você deixou!


Eu gostaria

De entregar-me, consciente,

As doçuras febris

De uma nova ilusão!...

Mas, não faria,

Porque aspiro somente

Um lugar, um cantinho

No seu coração.


Outubro 9, de 1970.

Libemar.


CANÇÃO DO AMOR VIVIDO
Eu gosto de você... Como quem gosta

De sol, de céu, de mar, de mesa posta

Para uma ceia amiga à luz de velas...

Você faz-me pensar em coisas belas!

Sentir-me um anjo bom dentro do mundo!

Você resume a paz de algum segundo

Perdido nos confins da eternidade!

É a voz da minha fé! É essa verdade

Sonora e fugidia, que eu persigo,

Que sempre proclamei, que anda comigo!

É luz, é sombra, é cor no meu vazio...

Canção de mar aberto, decano...

Resposta aos meus amargos descaminhos!

Promessa incontestável de carinhos!

Você não é paixão, não é mania!

Nem fuga, nem cansaço... É simpatia,

Encanto, afinidade, inspiração,

Motivo da mais pura exaltação!

Você que me adivinha e me pressente,

Que enfeita os meus espinhos, simplesmente,

Sem nada me pedir, consciente e puro,

É chave do meu Céu... Porto seguro!

Você desfaz em riso a minha dor,

Tornando-me orgulhosa desse amor

Que é hoje o bem melhor dos dias meus!

Você mostra-me, em fim, que existe um Deus!...


Setembro 6, de 1980

Libemar.


***

A Mac Donald Garcia, celebrando o primeiro aniversário de um reencontro que, espero, será para sempre. – Wanda César.

***


PLANOS
Eu programei a minha sorte,

Sem me importar como, ou por que!...

Achei melhor viver sem norte;

Seguir tranqüila, sem você...

Mas, o destino foi mais forte...

E decepções... Ninguém prevê!


Eu decidi que viveria

Sem precisar do seu carinho...

Só não pensei que pagaria

Por este orgulho tão mesquinho!

- A solidão já se anuncia,

- Nublando a paz do meu caminho!


Eu quis fugir... Pôr-me à vontade...

Tornar-me ALGUÉM na tinha terra!

Mas, veio o enfado... A insaciedade...

- A alma, afinal, ninguém desterra!

De que adianta a liberdade

Se o coração mantém-se em guerra?!...


Eu me afastei de sua Gente,

Para ser nada do meu mundo...

Tentei remar contra a corrente...

Meu barco, entanto, foi ao fundo...

Senti-me exausta, de repente...

Morri mil vezes por segundo!


Eu me encerrei na minha vida,

Temendo um sonho malfazejo...

Sorria, abúlica, aturdida,

Sob a impressão sensual de um beijo...

Foi simples, calma a despedida,

Mas, Você... Entrou no meu desejo!


Tudo ocorreu como eu previra.

Mas, o imprevisto aconteceu...

Estou contente de mentira!

Sorrio, canto, e não sou eu!

Recorro ao verso... E a minha lira

Faz-me sofrer, malgrado meu!


Eu me cansei do automatismo

Desta infrutífera existência...

Ergui castelos sobre o abismo...

Tornei o medo em resistência...

O desespero em fatalismo,

Para entregar-me em sã consciência!


Eu me desfiz do meu passado,

Dos bens, dos céus que amei outrora...

Olho o meu mundo estraçalhado

E a solidão não me apavora!

Matei um príncipe encantado...

Estou melhor... Mais eu, agora.


Vi que era inútil fazer planos...

Acostumei-me ao meu destino!

Basta de dor... De desenganos...

Por eles, hoje me incrimino:

- Pensar demais só causa danos!

- Morrer em vida?!... É desatino.


Libemar.

A UMA IRMÃ DE FÉ
Minha irmã que, por Deus, e, em Cristo, me ama e assiste:

Fraternais saudações em nome do Senhor!

Quero dar-lhe um presente humilde, um brinde triste,

Um momento maior do meu pequeno amor!


Quero, enfim, perpetuar, num rasgo de poesia,

Um modelo tão suave e bom como Você!

Saiba o mundo entender que o meu Senhor m-a envia

Como apoio e fanal da serva que não vê!...


Sempre foi de amargura e engano o meu caminho!

Jamais pude aceitar o Deus que me cegou!

Mas, se a sinto a meu lado, ou, se ando ao seu carinho,

Toda a angústia se eclipsa e, em paz, confiante, vou!


Você encarna em meu mundo os olhos que me faltam;

E esse espaço, e esses céus que nunca foram meus!...

5eu amor minimiza as mágoas que me assaltam,

Porque tem o poder de conduzir-me a Deus!


Você é firme na fé; tranqüila na esperança;

Devotada ao perdão, afeita à caridade!

Braço forte do ancião! Delícia da criança!

Defensora da paz pregoeira da verdade!


Bem quisera exprimir-lhe a gratidão imensa

Que o seu doar-se espontâneo e singular me inspira

- Suave amor que não trai nem visa à recompensa,

Feito de alma e emoção! Sem sombras... Sem mentira!


Você é um sopro de Deus, luz clara em minha vida!

Anjo bom partilhando, humilde, a minha cruz!...

Com você junto a mim, dói menos a subida

Para o céu tão complexo e abstrato de Jesus!


Você é crente sincera, autêntica e piedosa,

Pronta sempre a servir e doar-se, onde esteja!

Fê-la o Eterno de uma alma ardente e generosa,

Consagrada ao louvor, votada ao bem da Igreja!


Siga assim, sem temor: Se o Espírito a norteia,

Viva em paz, desprezando a humana veleidade!

Não se acanhe ante o orgulho e a hipocrisia alheia,

Com tinir de sermões e falsa dignidade!


Siga assim, minha Irmã! Nós, páreas, abençoamos

A esta crente invulgar, de enorme coração!

E, ao sabê-la tão nossa, a Cristo suplicamos

Que a conduza, envolvida em calma e proteção!


E eu que a amo, e enalteço, indubitavelmente,

E ambiciono algo mais que simples caridade,

Rogo ao Pai que nos prenda, unidas, suavemente,

Por algemas de eterna e sólida amizade!


Fortifique-nos Deus, na fé, no entendimento,

Na palavra; no amor, na graça e na alegria!

E aguardemos, sem susto, o celestial Evento

Que nos vai libertar desta masmorra... Um dia!


Minha Irmã!... Minha Irmã!... Bendigo ao Deus glorioso

Que me enseja a emoção de proclamá-la assim!

A você coube o encanto, o dom maravilhoso

De fazer transbordar o amor que existe em mim!


Agosto 20, de 1991

Libemar.

***


À senhora Odette Trivelato, neste dia feliz do seu aniversário. Muito obrigada. Mais um agradecimento sincero e cheio de ternura. De fato, a senhora é minha Irmã e, eu disse que chamaria assim à pessoa que realmente merecesse tão lindo titulo.

Espero que goste do meu poema, que é o que eu tenho de melhor para lhe oferecer. Salve 9 de outubro de 1991.

Da amiga sincera e Irmã para sempre. Wanda César

LOUVOR
Glorioso e eterno Deus, Rei justo e onipotente!

Responde a minha humilde e enfática oração!

Mas, para que o Teu Céu me alcance integralmente,

Repreende o meu pecado e dá-me o Teu perdão!


Senhor, eis-me a Teus pés, sem queixas, nem temores,

Buscando, unicamente, o Teu, convívio amigo!

Enfeixa o meu louvor aos múltiplos louvores

De tudo o que Te adora e aspira à paz contigo!


Louvado sejas Tu, Senhor dos sóis imensos!

Dos mundos siderais, complexos e ordenados!

Dos astros a esplender, nos Teus jardins suspensos,

Submissos as Tuas leis, vivendo, aos Teus cuidados!


Louvado sejas Tu, que a Terra deste formas,

Povoando-a de animais, de frutos e de flores

Que as minas concebeste, e ao ar ditaste normas!

Que as águas repartiste, e improvisaste as cores!


Louvado sejas Tu, que a tudo desse vida!

Ao dia, à noite, à chuva, às estações e aos ventos!

E, enfim, já feito o mundo e a meta já vencida,

Ao barro deste forma, e força, e pensamentos!


Louvado sejas Tu, que ao homem proclamaste

Ministro no Teu reino, em calma e segurança!

Mas, vindo ele a ofender-te, a Cruz Te resignaste,

Comprando, a suor e sangue, os bens da antiga Aliança!


Louvado sejas, Pai! Pois, eu, feitura Tua,

Tombei, desvanecida ao sol desta verdade

Que me envaidece, e assombra e, em paz, me perpetua

Na posse do Teu Céu, por toda a eternidade!


Louvado sejas, sim! Louvado, eternamente,

Numa ânsia de ascensão profunda e deslumbrada!

Meu poema Te engrandece, estático, eloqüente,

Prostrando, em contrição, minha alma apaixonada!


Permite que eu Te exalte, em versos, como outrora,

Em rimas, Teu poder supremo desafiei!...

Sagrando-Te o Senhor desta arte obtusa, agora

Talvez eu torne em graça o mal que já causei!


Servir-Te almejo, ó Mestre, em prece, imaginando

O inédito prazer de Te adorar sem véus!

Quão doce e compreender que os Tempos vão chegando,

Em que Te hei de louvar entre anjos... Lá nos céus!


Recebe a minha vida! E a frustração profunda

De Te não dar em dobro os dons que a mim confiaste!

E esta alegria imensa! E o gozo que me inunda

Porque, afinal, Senhor, do caos me arrebataste:...


Deus forte: Deus de amor Concede-me a ventura

De apresentar-Te, sempre, o que há de nobre em mim!

Transmuda o meu louvor profano em glória pura...

Que venha a engrandecer Teu nome... Além do fim!


Julho 13, de 1991.

Libemar.


PROFISSÃO DE FÉ
Creio em Deus, Pai sombrio... A amá-lo me disponho

Porque a vida M-o impôs com tétrica evidência!

Sei que anima o meu ser e eu toda me componho

Do Seu austo, encarnando a Sua própria essência!


Creio em Cristos também... São filhos rejeitados,

Que um pai duro arremessa aos vendavais da sorte!

- Velhos, 6rfãos, sem lar, mendigos, mutilados,

Cuja vida é implorar inutilmente a morte!...


E em espíritos maus que se intitulam Santos,

Endossando a opressão, disseminando a guerra!

Ei-los soltos, a uivar, por todos os recantos,

Programando, na sombra, a perdição da terra!...


Creio em Virgens sensuais, a estremecer no leito,

Evocando um vario que nunca as penetrou!...

Creio em Mães, a enjeitar seus filhos, sem respeito

À alma livre de um Deus, que neles se formou!


Creio em Anjos... Da noite: - amáveis prostitutas,

Tristes flores do asfalto a embelezar o vício!

São, na escala da vida, as más, as dissolutas,

Que só podem brilhar à luz do meretrício!...


Creio em Santos... Sem nicho: espécimes talhados

Para as grandes ,paixões e táticas proibidas...

Vão deixando, após si, cortejos de viciados,

Prostitutas, ladrões, dementes e... Suicidas.


Creio no amplo poder da Igreja... Sacripanta,

Onde o Cristo é servido em taças de ambrosia!

Deslavada mentira! Aberração que espanta,

Endeusando o dinheiro, o luxo e a sodomia!...


Creio em padres venais e pérfidos pastores...

Devotados rufiões do Cristo verdadeiro!

E em profetas geniais... Perfeitos corruptores,

A propor Vida Eterna a peso de dinheiros!


Creio em Bíblias, Corões, Talmudes, e Doutrinas

Amaciadas com mel, para engodar o povo...

No inegável poder das farsas clandestinas,

Para dar ao que é sujo um brilho sempre novo!


Creio em místicos Céus, onde a lascívia impera,

E os Eleitos se dão, com gritos de luxúria!...

Nas celestes Mansões onde a pobreza espera,

Algemada aos tacões de uma Justiça incúria!...


Creio em Deuses de bolso e Crentes de mentira!

Conspurcando os seus Céus, com santa indiferença!

Na esfalfada legião do povo que delira

Neste inferno, onde a paz jamais marcou presença!...


Creio em gestos de amor e laivos de bondade

Entre os Filhos do mundo... Apátridas e ateus,

Em Ascetas medindo o amor e a caridade,

Denegrindo e acusando, em nome do seu Deus!...


Juro, sob a presença eterna de um Deus vivo,

Que este poema é sincero e fala do meu drama!...

Nele estua este anseio ardente, introspectivo,

De entregar-me à voz forte e intensa que me chama!


Mas, quando isto se der, não buscarei exemplos,

Nem nos Céus, nem no mar, nem nos sinais da Terra!...

Meu Herói se recusa a coabitar nos templos,

Com os vis Fariseus, prosélitos da guerra!...


Sei que um Deus vibra em mim!... Que me ama, e me pressente,

E me envolve, e me esmaga, e me disseca inteirara!

Sei também que Ele espera!... - O Mestre é complacente!...

E eu terei de render-me, enfim!... Queira, ou não queira!


Fevereiro 18, de 1975.

Libemar


BRINQUEDO DE CRIANÇA...
Foste o mais caro dentre os mil brinquedos

Com que enfeitei meus dias de criança!

Tinhas minha alma presa entre os teus dedos.

E, na vertigem dos folgados,

Foste o meu sol, minha esperança...
Porém o sonho feneceu depressa!

Toda felicidade se acabou...

Hoje relembro, louca de saudade, uma promessa,

Uma ilusão que ficou.


O tempo passa,

E, por desgraça,

Também a infância passou...

Fiquei bem cedo

Sem meu brinquedo!
Rememorando cenários de outrora,

Sofro em sabê-lo infeliz noutras mãos!

Sem teu amor, o que sou eu agora?

Sombra apagada, a chorar sonhos vãos!...


Libemar.

TRABALHAI
Trabalhai, ovelhas doentes,

No VOSSO humilde labor!

Soes cordeiros inocentes,

Nas mãos duras do Senhor!...


Soes almas predestinadas

A morrer, sem remissão!

Pobres sombras mutiladas,

Despojos de expiação!...


Conferiu-vos Deus a sorte

De viver num mundo vil,

Presa à inclemência do forte,

Para escárnio do redil!


Deus não quer desocupados!

Cumpre apenas... Trabalhar!

São tão negros os pecados!...

Tantos ímpios a salvar!...


Sede pacientes! Zelosos!

Mostrai as vossas mazelas!

Jesus ama os corajosos!

E o mundo... Precisa delas!


Jejuns? Sacrifícios? Preces?...

São coisas de fariseus!

Grãos sem valia nas messes

Especiais do vosso Deus!


Vossos hinos?... São luzeiros!

Incensos de suave odor!

Mas... Alma ganha é dinheiro

Para os cofres do Senhor!


Estendei vossas bandeias

Nada achareis em ficar

Gastando bancos de igrejas,

Num fastidioso clamar!


Vosso orar acomodado,

Quantos maus já conquistou?...

Quem recusa o seu arado,

Por si só se condenou!


O trabalho é lenitivo!

Labutar é dar amor!

E o Crente... É dinheiro vivo

Para as arcas do Senhor!


Trabalhai! Até a agonia!

É o bom Mestre quem nos diz:

Crente néscio e fé vadia,

Não forma igreja feliz!


Cristo entregou Sua vida...

Não apenas pra salvar!

Mas, pra que a ovelha perdida

Aprendesse a trabalhar!


Trabalhando, diariamente,

Achareis consolo e paz

O termômetro do Crente...

São as obras que ele faz!


Já pensastes na alegria

Do grande arrebatamento?.

Que direis ao Pai, no dia

Do supremo julgamento?...


Sede firmes na batalha!

Avivamento?... É peleja!

O Reino... É de quem trabalha!

Quereis ser ratos de igreja?...


De olhar puro e mente aberta,

Sem protestos... Trabalhai!

Se o cansaço vos aperta,

Sede humildes... Rastejai!


Procedei sem rebeldia,

Ligando a palavra à ação!

Se a vossa crença é vazia,

Que dirá vossa oração!


Enfim, que o Rebanho aprenda:

Vai-se o tempo, e a vida passa!

Fé sem trabalho?... É só lenda!

Salvação?... Não vem de graça!


Mas, se o trabalho vos cansa,

Se vos não move a peleja,

Deveis sumir... Sem tardança!

Malditas! Deixai a Igreja!


Fevereiro 2, de 1986.

Libemar.


CROMO
Uma casinha modesta,

Bem distante da cidade.

Lá dentro a alegria, a festa

Na maior simplicidade.


Cordiais, os donos da casa

Desmancham-se em atenções...

Quanta bondade extravasa

Dos seus nobres corações!


Um cachorro perdigueiro

Ladra na noite calada;

Bate um relógio agoureiro...

Recolhe-se a criançada.


Depois é o baile... As sanfonas,

Os violões, os cavaquinhos,

E a valsa lenta, chorona,

E os pagodes, e os chorinhos...


Servem cigarros de palha,

Cachaça e café com broa;

E a caboclada se espalha

No terreiro, rindo à toa!...


Eu sonho e escrevo este verso,

Simples trovas sem valor;

Resumo todo o Universo

Numa casa de interior!


Nela eu me sinto mais gente,

Um pouquinho mais feliz;

Este retrato inocente é um cromo de meu país.
Janeiro 23, de 1.973.

Libemar.


SALMO X
Deus Pai, Rei, Protetor Eterno, Onipotente!

Deus Filho, Mestre inspiração do mundo!

Espírito de Deus, luz viva, fogo ardente!

A Ti glória e louvor, segundo após segundo!


Recebe a minha prece inconseqüente e aflita,

Tristíssima oração, que em vagas se derrama!

Venceram-me de novo os Anjos da desdita

E um ódio sem razão mais uma vez me inflama!


Eu que adorava em paz, feliz na Tua graça,

Convicta desse amor que me abrasava inteira,

Bastou-me um só tropeço e a fé tornou-se baça,

Deixando em seu lugar a insídia sorrateira!


Procuro-Te em mim mesma e... A crença se evapora!

Esvai-se-me, impotente, a fé que em vão persigo!

Minhalma se confrange e em meu silêncio aflora

A aspiração mordaz de questionar Contigo!


Ensandecido Jô, que invoca e vitupera,

Detenho-me a indagar, numa ânsia aparvalhada:

“Senhor, onde buscar-Te?! És Gênio? És mito? És fera?”

Por que de nós se esconde a Tua face irada?...”


Milhões de almas afins prostraram-se, espectantes,

Buscando o Grande Evento!... Uma Nação perdida,

Chorou diante de Ti, num só clamor vibrante,

Inerme ante o estertor daquela pobre vida!...


Num mesmo apelo ingente, as religiões se uniram!

Oraram, mãos nas mãos, o infante, o moço e o velho!

Num doido cirandar de fé se confundiram

A Sutra, o Alcorão, a Veda, e o Evangelho!...


Desfiaram-se os jejuns... Dobraram-se as vigílias!...

O incenso Te envolveu e as preces voluptearam!...

Num mesmo clã de amo, fundiram-se as famílias!

E,sem se darem conta, até os ateus... Rezaram!


“Pedi, recebereis!...” Palavras escarninhas!

Pediu-Te uma Nação inteira!... E recusaste!

“Deixai virem a mim, do Pai, as criancinhas!...”

Buscou-Te a infância aflita!... E o rosto lhe voltaste!


Por Lázaro... Serraste os vis grilhões da morte!

E um Povo contemplou-Te, em toda a Tua glória!

Clamou a Pátria em prece... E o ódio foi mais forte!

O mal venceu por fim... Manchando a nossa história!


Marcaste-nos, Senhor! E o que restou de tudo?!...

A mofa dos ateus e a frustração dos crentes!

Uma importância amarga, um desespero mudo

E um “rictus” de apatia ensombrecendo as mentes!...


Agora esta Nação é um palco de vencidos,

Um barco sem timão, um arsenal de escombros!

Pedimos-Te tão pouco!... E fomos repelidos!

Sentimos todo o mundo a nos pesar nos ombros!


Se a minha imprecação Te ofende, ou, Te desgosta,

Se em tudo quanto eu disse há dolo, ou falsidade,

Perdoa-me! Porém, suplico uma resposta

Que possa esclarecer a minha insaciedade!


Senhor, dá-me de novo a paz que tanto almejo!

Permite-me essa amena impossibilidade

Dos que procedem bem, segundo o Teu desejo

E se acreditam sempre os donos da verdade!


Por quê estou sempre em guarda, a analisar-Te os passos,

Tal qual se eu fora Deus e tu um mortal somente?!

Por quê Te hei de atribuir sucessos e fracassos

Se, um sopro, um gesto Teu, pode anular-me a mente?!...


Ampara-me, Deus meu! Concede que eu não pense

Senão como o Teu Povo arrebatado ensina!

Oh deixa-me louvar-te, em graça, num suspense

De amor e adoração, humilde e pequenina!


Extingue no meu ser o pérfido marulho

Dos meus conceitos vãos... Do meu saber sem crenças!

Sufoca o meu despeito! Esmaga o meu orgulho!

Mas, ai! Não me hostilize a Tua indiferença!


Porque, sendo o que sou, se a dor me for imposta,

Jamais compreenderei a essência dos Teus gestos!

E buscarei justiça... E exigirei resposta,

Embora saiba vãos meus fervidos protestos!


Senhor! Não me aniquile a Tua onipotência!

Mas, usa em meu proveito as graças que me deste!

Transforma-me num ser pueril, sem resistência!

Quem sabe assim eu vibre ao Teu poder celeste!...


Sustem, com mãos de amor minhalma que se inclina!

Devassa-me e perdoa a ovelha tresloucada!

Responde à inquietação da Tua pequenina!

Protege esta Nação vencida e desgraçada!...


Abril 21, de 1985.

Libemar.


***

À mui digna Senhora Dona Risoleta Neves, com os meus mais sentidos Pêsames pelo infausto acontecimento.

Da amiga distante: Wanda César.

***


ORAÇÃO À ANTIGA
Eu preciso de Ti, Senhor, nesta jornada

Tão complexa que, ao fim, nem sei como enfrentar!

Dou-Te um cérebro doente, uma alma aniquilada...

Um desejo incontido, absurdo de... Parar!


Fico e, teimo em fugir... Não acho meu lugar

No convívio dos Teus... Sou triste! Revoltada!

Chego mesmo a ter medo: a não acreditar

Que me tens em Tuas mãos... Vencida e conquistada!


Vem! Não tardes, meu Pai! Na minha vida errada,

Só fracassos! Só dor juntei para entregar!...

Recuperas-me... Oh! Sim! Mas... Venho tão cansada!
Dá-me amor! Dá-me luz! Paciência pra lutar!

Mas, por que Te deténs se, agora, estou perdoada?!...

- É que... Devo a um Deus justo! E... Tenho de pagar!...
Janeiro 17, de 1985.

Libemar


***

Meu coração, - ímpio... Herege...

Sente Deus à moda antiga:

Mestre que guia e protege;

Pai que ama, prova e... Castiga!
Deus grandioso! Deus terrível!

Tão distante e tão presente!

Para quem tudo é possível!

Deus profundo! Onipotente!


Libemar

A UMA CARTA
Meu nobre “Inquisidor”: confesso-me espantada

Com tão desconcertante e austero julgamento!

- Teu ídolo está morto... E a jogadora ousada

Dispõe-se a te envolver num golpe fraudulento...


Trair-te eu, que estou presa ao teu devotamento,

Feliz por dar-te a paz que, além, te foi roubada!...

O orgulho empana a luz do teu entendimento

E emprestas ao que é certo uma acepção errada!


Fiz mal trazendo a mim tua alma atormentada,

Tentando objetivar tão belo entrosamento

Numa abertura honesta e desinteressada!
Falhei no meu papel... Magoou-te o meu intento...

Mas, nunca tive em mente armar-te uma cilada,

Pagando com perfídia o teu acolhimento.
Setembro 20, de 1979.

Libemar


IN MEMORIAM
A – Morte arrebatou-te à pressa!De improviso!

N – Não quis, sequer, medir a dor de quem ficava!

T – Tisnou tua alegria! Amordaçou-te o riso!

O – Opôs silêncio e trava à luz que em ti brilhava!

N – Ninguém jamais pensou que irias... Sem aviso!

I – Impunhas-te viver! Mas, Deus já te esperava,

O – Oculto em um lugar qualquer do Paraíso!
R - Relembro o teu carisma! A tua urbanidade!

O – Ouvir-te, era esvaziar uma ânfora repleta

D - De excepcional licor! Fugir à realidade!

R -Revigorar meu ser! Minha emoção de esteta!

I - Incorporar meu nada ao Sol dessa Amizade

G – Gentil que me inspirava uma atração discreta

U – Utópica ambição de minha nulidade,

E – Essência a embalsamar essa apatia abjeta,

S – Suavíssima expressão de além... De claridade!
V - Vieste em plenitude a caridade pura!

I – Incontestavelmente, a Graça está contigo!

E - Enfatizaste o amor! Serviste com brandura!

I – Incentivaste o riso e aos pobres deste abrigo!

R –Recebe, pois, meu poema! É um hino de ternura!

A – Aceita o meu louvor! Descansa em paz... Amigo!
Abril 30, de 1994.

Libemar.


***

À D. Nena Cassim Vieira, com a minha profunda admiração. Wanda César.

***

PEDRO LUA
Pedro Lua foi gerado

Em plena revolução...

Seu pai - grevista afamado –

Entendido em subversão,

Era por muitos chamado

O vendedor da Nação!...


Sua mãe - Rosa Morena –

Viu transcorrer, entre lutas,

Uma vida obscura, plena

De frustrações e labutas,

Até que virou Selena...

- A maior das prostitutas!


Seu nome gerou conflitos!

Seu trabalho à muita gente!

Fez renascer velhos mitos

Na alma de Rosa - a descrente! -

E a rainha dos proscritos

Virou Santa de repente!


Num lampejo de esperança,

Que a febre mais lhe acentua,

Sorrindo, a Nereida avança...

Olha o lago ao fim da rua...

Nele mergulha a criança,

Consagrada à deusa Lua.


Para o pai Pedro era Terra!

Queria sabê-lo forte,

Fazendo planos de guerra,

Sonhando em gênios de morte...

Mas, quem ama às vezes erra...

E a mãe decidiu-lhe a sorte...


Pedro jamais foi menino!

Sem Deus, sem mestres, sem fadas;

Repartia o seu destino

Entre bulhas e noitadas!

Seu olhar grave e ferino

Só via as coisas erradas...


“Vida inútil!...” reclamava.

Seu caminho eram duas trilhas:

Enquanto a mãe o estragava

Com bombons e cigarrilhas,

Seu pai, feliz, lhe ensinava

De petardos e guerrilhas...


De dia Pedro estudava:

A bomba... A granada... A trama...

A trincheira o deslumbrava!

Rastejando... Pés na lama,

Assim mesmo perguntava:

“Por que essa angústia?... Esse drama?...”


De noite... Pedro era humano!

Entre orgias e cantigas,

Sorvia gozos insanos

Nos corpos das raparigas,

Comprando amores profanos,

Vivendo à base de intrigas.


Pedro foi homem, não gente...

Meio herói, meio alquimista,

Via o perigo de frente,

Com doces olhos de artista!

Era amante intransigente,

Trovador e panfletista...


Pedro – o forte – era o mistério...

A descrença... A rebeldia...

Trazia no olhar etéreo

Uma ansiedade doentia...

Não levava o mundo a sério;

Mas, raramente sorria.


Pedro viveu vida inglória,

Sempre absurdo nos seus sonhos.

Seu vulto ficou na história

Dos vencidos... Dos bisonhos...

Sua expressão merencória...

Seus desesperos medonhos...


Já agora andava aturdido

Entre a mentira e a verdade!

O bem lhe havia fugido...

O mal grassava à vontade...

- E aos poucos foi envolvido

Peia própria ingenuidade.


Pensou: “Nem terra... Nem lua...”

“Nem serestas... Nem granadas...”

“É a voz da verdade crua...”

“Por que atitudes forçadas?...”

“Quem marcha... Também recua...”

“E as horas já estão contadas!”


Pedro acabou, simplesmente,

Como qualquer principiante.

Lançou-se em vôo ascendente,

Buscando um mundo distante.,.

Sua alma é estrela cadente...

Seu corpo é cinza... Ou diamante.


Foi breve! O gesto... A fumaça...

O olhar dúbio... O pranto mudo...

E Pedro atrás da vidraça...

- Deus vencido... Herói desnudo...

Depois, o caos... A desgraça,

O incêndio lambendo tudo.


Fevereiro 10, de 1977.

Libemar.


EU QUERIA...
Eu queria que você fosse assim como todos os outros homens que já conheci antes de você!...
Nem alegre, nem taciturno, nem sábio, nem boçal, nem altivo, nem humilde, nem covarde, nem herói, nem milionário, nem mendigo.
Eu queria que você não tivesse história, e que a sua vida se me apresentasse como a do comum dos mortais com os quais palestro todos os dias: vida simples e rotineira.
Eu queria que você ostentasse uma beleza que só eu pudesse apreciar, uma ternura que apenas a mim encantasse e uma inteligência que eu somente soubesse dar valor...
Eu queria que você se assemelhasse tanto aos demais que passasse despercebido entre as mulheres, sem despertar atenções ou provocar comentários.
Eu queria que o mundo o encarasse sem formalidade e as criaturas o contemplassem sem inveja...
Eu queria mesmo que você nunca houvesse parecido diferente aos olhos de ninguém e que jamais alguém manifestasse admiração ouvindo as sílabas do seu nome!...
Eu queria, meu amor, que você me confessasse um dia, entre a emoção e embaraço: “Você, querida, foi a primeira!”

***
EU QUERIA...


Eu queria ter uni telefone, para ouvir-lhe a voz todos os dias...

Eu queria poder gozar dessa grande felicidade que é poder falar com você, sem que nada e ninguém censurassem os meus atos.


Eu queria falar de falar de uma porção de coisas, de um misto de sentimentos que fervilham no meu cérebro de sonhadora incorrigível e amante infeliz!
Eu queria enfrentar com naturalidade a sua voz, que é uma presença oculta lá do outro lado do fio e não quedar aturdida, paralisada pela emoção, confusa e vazia de pensamentos...
Eu queria que você nem sequer notasse o meu nervosismo e conversasse comigo como fala às pessoas de sua amizade.
Eu queria chegar ao telefone todas as manhãs com a alma cantando de alegria, na expectativa febril de uma palestra cordial e aguardá-la segura de mim mesma, na certeza de que você não falharia.
Eu queria poder dizer-lhe num acento natural de espontaneidade e bom humor: “boa tarde, meu bem: esperei um dia inteiro para falar-lhe mais à vontade; e que a espera não houvesse sido senão de um dia...”.
Eu queria que você me dissesse sorrindo, numa feliz antecipação da entrevista seguinte: “Até amanhã!” E essa frase soasse eternamente, num luminoso augúrio de indissolubilidade definitiva.
Eu queria que o número do meu telefone fosse tão fácil que você o decorasse mesmo sem sentir, como decora as melodias habituais aos seus ouvidos, como eu decoro o seu nome, os seus gestos, as coisas que você diz e as narrativas que você faz.
Eu queria que você me dissesse uma tarde ao fim de uma telefonada: “Venha, que eu preciso muito de você!...”
Libemar.

MINHAS MÃOS
Minhas mãos nada traçam,

Nem por certo traçarão!

Tempo houve em que já buscaram

O sonho, a glória, a emoção...

Mas, ai! Inúteis quedaram,

Como inúteis ainda são!


Minhas mãos são dissonâncias

Numa existência sem cor!

Não sabem vencer distâncias...

Nem se estendem para o amor!

Só dizem de angústias... De ânsias...

De incertezas... De amargor!


Mãos sem viço... Mãos cansadas,

Que não vibram por ninguém!

Falenas desesperadas,

Suspirando pelo Além...

Forasteiras desdenhadas,

Que nunca foram de alguém!


Mãos que vivem por viver,

Se entregam sem lutar...

Que já não podem prender,

Nem metas delinear...

Que só entendem de escrever...

- Que só me fazem chorar!


Minhas mãos... - Duas derrotas...

- Dois farrapos de ilusão...

- Vestígios de antigas rotas...

- Frágeis barcos sem timão...

- Lembranças vagas... remotas

De jardins em solidão!


Pobres ninhos destroçados...

Tristes pedras sem valor...

Cus sem luz... Lírios fanados

Sob um verto abrasador...

Círios lúgubres... Velados...

Amargos poemas de amor!


Minhas mãos, indiferentes,

À ninguém podem mentir!

São cordiais, mas, displicentes...

Sempre ansiosas de fugir...

Lagos turvos... Sóis ausentes...

Sem passado e sem porvir!


Minhas mãos não prendem vidas...

Nem sonhos devem guardar...

Sempre sós... Sempre esquecidas,

Não são feitas para amar...

- Gaivotas de asas partidas,

- Sós e inertes vão murchar!...


Outubro 15, de 1989

Libemar.


REVISÃO
Hoje eu senti, de repente,

Vontade de me encontrar...

Um desespero incoerente,

Uma ansiedade invulgar!

E compreendi, tão somente,

Que era tempo de... Parar.


Passei meu mundo em revista...

Dissequei meu coração...

Numa atitude imprevista,

Testei-me, e feri-me, em vão...

Busquei ser clara, otimista...

Joguei castelos no chão...


Olhei de frente a criança...

- A debater-se, entediada,

- Entre a descrença e a esperança,

- À um tempo aflita e encantada,

- Borrasca amando a bonança...

- Anseio espreitando o nada...


Pensei, depois, na menina...

- Inquieta... Contraditória...

- Garota abstrata... Franzina...

- Perdida entre o enfado e a glória...

- Numa inocência divina...

- Estranha, quase incorpórea!


Vi depois a adolescente...

- A mágoa... A revolta... O susto...

- O ardor da frase eloqüente...

- O gesto contido a custo...

- O desencanto impotente...

- Ao peso de um fado injusto!


Voltei-me sobre os meus passos...

- Buquês de encontros furtivos...

- Céu repartido em pedaços...

- Sentimentos negativos...

- E a sorte apertando os laços...

- E os traumas... Vivos... Tão vivos!


- E os dias, longos, rolando...

- Entre emoções descabidas...

- Ecos de um piano, povoando

- Minhas vigílias perdidas...

- E a chuva fria, enfeitando

- A mais cruel das despedidas!


- E o tédio, e as horas correndo,

- Numa apatia assombrada...

- E a Musa, aos poucos, morrendo

- Mal florida... Mal amada...

- E a criança, envelhecendo...

- Sem beijos... Sem Deus... Sem nada!


Então, revendo tudo isto,

Senti-me inútil... Pequena...

Quero evadir-me... E resisto...

Impor-me...E não paga a pena...

Por que me aferro e persisto,

Se a miragem me envenena?!...


Sofrendo embora, ainda aceito

A minha taça de fel...

Meu mundo era bom... Perfeito...

Mas, falhei no meu papel...

- A Atriz não agiu direito...

E a platéia foi cruel!


Hoje o meu drama se aviva

E eu sinto a morte mais perto...

Não vejo alternativa

Para o meu destino incerto...

Recuo ante a perspectiva

De um caminho mais aberto!


Sou covarde por feitio...

Esquiva por natureza...

E, em sendo assim, renuncio

Mergulhar nesta incerteza...

Sonho o repouso... O vazio...

Mas, tal gesto quer... Nobreza


- Nobreza que, a mim, me falta...

- Lisura que nunca tive...

Meu fim é girar, na malta

Dos vencidos, em declive...

Quando a ansiedade me assalta,

Ordeno: “És covarde!... Vive!...”


Fevereiro 2, de 1978.

Libemar.


COLEGIAL
Menina com quem brinquei,

Nos meus tempos de criança;

Na qual depunha confiança,

De quem recebia amor!

Menina a quem sempre amei,

Tão falante e extrovertida!

Fragmento da minha vida,

Que eu levo para onde for!


Você falava comigo,

Sempre atenta e delicada,

Como se eu fosse uma fada,

Uma boneca de espuma!

Se me punham de castigo,

Você jamais me acusava!

Sofria quando eu chorava,

Às vezes, por coisa alguma!


Um dia... Alguém m’a levou!

E seguimos separadas!

Dois mundos, duas estradas,

Dois destinos diferentes!

Quando a sorte nos juntou,

Depois de amargas jornadas,

Éramos jovens, frustradas,

Mas, assim mesmo, contentes!


E eu voltava, novamente,

A ser a sua menina,

Sonhadora, pequenina,

Reclamando proteção!

Você ouvia, ansiosamente,

As doidices que eu falava!

E, essa amizade avultava

No meu triste coração!


De outra vez!... Eu fui-me embora!

Nossos caminhos, truncados,

Seguiram sós, distanciados,

Por curvas longas, fatais!

E a amiga alegre de outrora,

Foi judiada pela vida!

Chorou, sofreu, desvalida,

Sem ter quem lhe ouvisse os ais!


Às vazes, eu me indagava:

“Que fará minha Amiguinha?!”

“Tal qual eu vive sozinha?”

“Terá problemas? Vai bem?...”

Se acaso, em sonhos quedava,

Se retornava ao passado,

Você surgia a meu lado,

Maternal como ninguém!


E a sorte, outra vez, nos une!

Somos árvores fendidas,

Desgalhadas, retorcidas,

Por um ciclone cruel!

Mas, nossa amizade, imune

Aos percalços da jornada,

Na ternura acrisolada,

Cumpre, invicta, o seu papel


Nestes versos, minha Amiga,

Peço perdão pelos dias

De indizíveis agonias

Que eu sei bem, não evitei!

Permita Deus que eu consiga

Retribuir-lhe, com ternura,

Aquela afeição tão pura,

Da qual nunca duvidei!


Valeu! Chegamos unidas,

Trocando velhas memórias!

Muitas dores... Poucas glórias!

Em prosas longas, sem fim...

Lado a lado, as nossas vidas

Deslizam sobre águas mansas!

Somos de novo crianças!

E é tão bom pensar assim!


Menina do meu passado!

Foi-me o mundo tão mesquinho!

Preciso do seu carinho,

Da sua dedicação!

Nosso fardo é bem pesado!

Porém, vivendo a verdade

Desta profunda amizade...

Velhos tempos voltarão!


Janeiro 11, de 1989.

Libemar.


***

À você, Lita, Risoleta Pinto Cardoso Ribeiro, esta homenagem, com carinho e grata admiração. - Wanda César.

***

VERSOS DE NOEL
Se eu pudesse estar sempre em paz junto ao teu peito,

Sem pensar no amanha, alheia aos "nãos" da vida,

E, em teus braços, vibrar, nesse aconchego estreito

De dois seres afins na “Terra Prometida”,


Se eu pudesse explicar-te a angústia mal contida

Do meu riso sem cor, no meu falar suspeito,

E entregar-te, afinal, feliz, desinibida,

A emoção mais profunda e o beijo mais perfeito...


Mas, não devo... E pergunto: assiste-me o direito

De tentar impingir-te a cruz que me é devida

E de urtigas tarjar os louros do teu preito?!...
Esta idéia me aturde... E eu fico repartida

Entre o sonho e a razão... O amor e o preconceito...

Cada dia mais só, mais triste e mais perdida!
Dezembro 25, de 1979.

Libemar.


PARA A TUA VOZ
M – Mais um dia se esvai, monótono e sombrio,

A – Aumentado esta dor que avaramente oculto!

C - Caí a noite e eu me encolho em mim, no meu vazio.

D – Decidida a inspirar meu poema no teu vulto!
O - Olho atrás o passado e arrisco um verso estulto,

N - Na ânsia atroz de elevar-me a um mundo menos frio.

A – “Arremedo de amor! Concluo. É quase insulto”

L – “Levar longe a ilusão, por simples desfastio!“
D - De repente, eu me espanto em face da verdade...

G - Grave e mansa em meu sonho a tua voz ressoa,

A - Absorvendo as visões da minha insaciedade.
R - Retrocede o cansaço... A angústia se esboroa...

C - Cai a noite... E eu descubro a medo uma vontade

I – Incontida de amar-te... E, então, minha alma voa,



A - A buscar no silêncio a tua voz tão boa!
Outubro 7, de 197.

Libemar.


MEU ÍDOLO
Meu Ídolo extinguiu-se, inapelavelmente,

Num trágico estertor de chamas e estilhaços!

Tornou-se o pedestal grandioso em sarça ardente,

Fugindo à proteção ansiosa dos meus braços!...


A Santa e o seu altar de rendas e de laços,

Perderam-se, afinal, numa aura incandescente.

Só então eu me detive, aflita, a alma em pedaços,

Rezando sobre o caos, num gesto contracente!


Agora, a olhar o nada, eu paro de repente...

Meu Ídolo me assombra e exige os seus espaços

No abismo que se abriu, medonho, à minha frente!
A Esfinge me contempla e espreita os meus cansaços

Com olhos espectrais, ambígua e reticente...

- E a incógnita persiste, a endurecer-lhe os traços...
Barretos, outubro 9, de 1979.

Libemar.


SÃO FRANCISCO DE ASSIS
São Francisco de Assis - a flor da mocidade,

O fanal da elegância, o rei da cortesia;

Misto de anjo e de herói, arroubo e suavidade,

Inclinado ao prazer, afeito à bizarria!


São Francisco de Assis - Doçura e simpatia,

Desapego e afeição; meiguice e veleidade;

Entusiasta da fé, amante da alegria;

Fonte excelsa de amor, espelho de humildade!


São Francisco de Assis - candura e ingenuidade!

Peregrino do bem, escravo da poesia;

Emissário da paz, padrão de caridade!
São Francisco de Assis perdoa a vilania

Dos que, em nome de Deus, conspurcam a verdade,

Explorando o teu culto em “santa” hipocrisia!...
Dezembro 14 de 1958.

Libemar.


ODE A BARRETOS
O forasteiro ousado

Olhou-te, deslumbrado,

Dormindo ao sol ardente

De um intérmino verão...

E assim, vez primeira,

Uma canção tropeira

Vibrou festivamente,

No teu rude coração!


Vencendo cruas lutas,

Esse homem de labutas,

Conhecedor profundo

De brejais e socavões,

Chegou pisando forte,

Amedrontando a morte,

E o seu labor fecundo

Tomou conta dos sertões.


A golpes de machado,

Teu seio foi rasgado...

Formaram-se as fazendas,

E o progresso floresceu!

O fumo das queimadas,

O odor das charqueadas,

Fizeram-se em legendas

Na Cidade, que cresceu.


Circula em teu “chão preto”

O sangue que Barreto,

Com força de gigante,

No teu ventre inoculou...

Ó mãe de ilustres filhos!

Sou parte de teus trilhos!

Louvado aquele instante

Em que um Herói te desposou!.


Dezembro 13, de 1978.

Libemar.


SOBRE A CARIDADE
Bendito este Homem bom, que fez da caridade,

Seu Gládio, seu Troféu, seu Marco e seu Esquema!

Jesus a praticou, com prodigalidade,

Vivendo-a, plenamente até à agonia extrema!...


Feliz o “Irmão” que a tem, por norma e por emblema,

Pois, nela se acrisola e atinge a Eternidade!

Divina em sua essência, é perfeição suprema,

Que exige um alto grau de esmero e dignidade!


Virtude humilde e ardente!

Imune a sexo ou cor! Sem Credos, sem Fronteiras,

Que excede ao próprio Amor, porque ... Ama sem medida!
Onde haja pranto ou dor, ali tem suas trincheiras!

Despreza as glórias vãs! É estóica! É desprendida!

Do Mestre é Graça e Dom! - Primeira entre as primeiras!
Dezembro 24, 1994.

Libemar.


***

Dedicada ao Dr. Arnaldo Peixoto, como prova de respeito, admiração e carinho dos deficientes visuais da Associação dos Cegos de Ribeirão Preto. – Wanda César.

***

MINHA RAZÃO
És a razão desse encanto

Que me envolve devagar!

Para a tua alma, no entanto,

Sou passa-tempo vulgar!


Foste sonho, chama viva,

No altar da minha paixão!

Sempre esperança, evasiva,

Motivo de distração...


Sonho com tua voz mansa,

Torrão de ambrosia e mel!...

Mesmo a dizer-me: “Criança!”

Sei que cumpres o teu papel!


Numa fonte de tristezas,

Nos momentos de alegria,

Minhalma é flor sem defesa,

Rolando ao leu... Na enxovia!


Naquela tarde... Partiste...

E eu... Tão sozinha fiquei!

No entanto... Jamais pediste

Beijos que, em sonho, te dei!


Meu coração – companheiro –

Bem cedo apegou-se ao teu!

Mas... Outro chegou primeiro...

Tranqüilo, abriu-o... E... Venceu!


Que importa ao mundo o meu drama!

Que me importa o que ele diz!...

A alegria de quem ama

Não é, apenas, ser feliz!


Fui “Tolinha!” Fui “Criança!”

Muitos erros pratiquei!

Mas, no amor, sempre um se cansa!

Porém, eu... Não me cansei!


Setembro 3, de 1997

Libemar
Catálogo: groups
groups -> Tae 06 – Financiamento da Seguridade Social
groups -> 14-1 Ciclo de conversão de caixa
groups -> Gerência 5 recursos humanos 7 comercial 9 contábil/fiscal/financeira 20 tele(marketing) 27 atendente 29 design/publicidade/comunicaçÃO 30 informática 31 comércio exterior 36 logística / almoxarifado / expediçÃO 36 engenharia 41 projetos
groups -> Formado ou cursando Contábeis, Administração, Economia, Direito. Rotinas e experiência de constituição de Empresas, conhecimento de órgãos públicos. Salário à combinar + vr +VT, horário comercial. Bairro São Francisco
groups -> 1 Para o trabalhador avulso, pode ser considerado como salário de contribuição: a as gorjetas
groups -> Logo correta é a letra "C"
groups -> Pedagogia waldorf (Diversos textos retirados de sites diferentes) Introdução V. W. Setzer
groups -> Introdução
groups -> O conceito, a doutrina e as origens do cooperativismo
groups -> Marshall berman tudo que é SÓlido desmancha no ar a aventura da modernidade


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal