Nestor Makhno: a crítica à Autoridade e ao Estatismo na Destruição da Revolução Russa



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Nestor Makhno: A Crítica à Autoridade e ao Estatismo na Destruição da Revolução Russa.

Rômulo de Souza Castro1

“Tem acontecido na Historia, que os trabalhadores tem derrotado o Capital, porém a vitória tem escapado logo de suas mãos, porque algum poder Estatal tem emergido, combinando os interesses do capital privado com os do capitalismo de Estado, a fim de triunfar sobre os explorados.” (Dielo Trouda)


O presente artigo pretende fazer uma reflexão sobre a contribuição de Nestor Makhno para o pensamento político anarquista. Destacaremos dois pontos principais: o debate sobre a constituição do Estado Soviético e a perspectiva do autor sobre a aliança operário camponesa. Os textos que utilizamos são relativos aos anos da revolução russa, principalmente as declarações do Exercito Insurgente da Ucrânia (EIU), a Makhnovitina, e da União dos Camponeses. Os textos de Nestor Makhno são memórias escritas já no exílio na França e do grupo de exilados russos, Dielo Trouda. A riqueza dos seus textos está na capacidade de perceber a constituição do Estado Soviético pela ação política dos bolcheviques e relacionar a centralização do Estado, o fortalecimento de uma autoridade central, a derrota da Revolução, retomando assim a chaves de análises desenvolvidas por Proudhon e Bakunin. Seus textos, do Dielo Trouda e os documentos do Exército Insurgente podem ser inscritos diante de duas grandes problemáticas: o processo de centralização estatal e o desenvolvimento do Estatismo que leva a derrota da revolução.

Makhno foi um dos primeiros autores do campo do anarquismo revolucionário a dirigir críticas e observar com perspicácia o processo de centralização estatal e o avanço do estatismo promovido pelo bolchevismo, que destrói o protagonismo dos trabalhadores.

Sua crítica é fundamental para o entendimento da derrota da revolução russa, se diferenciando das interpretações marxistas – de Kaustky a Trotsky, liberais e conservadores. A critica de Kautsky se assenta sobre uma perspectiva do completo desenvolvimento das forças produtivas e da luta no plano de avanços dentro da democracia liberal. Por sua vez, a resposta de Trotsky vincula o fracasso da revolução a estrutura e relações sociais da Rússia no momento revolucionário para explicar que “a revolução teve lugar num país atrasado, que de qualquer modo não poderia construir o socialismo inteiramente só; por causa do fracasso da revolução da Europa, em particular na Alemanha, entre 1919 e 1923, ela ficou isolada: além do mais, o pais foi completamente desvastado pela guerra civil” (Castoriadis, 1989 )

Além disso, Trotsky se opõe a má política da burocracia, aos excessos de seus poder, não põe jamais em questão a sua essência. Diferentemente de Trotsky2 que identifica a degeneração burocrática como a ascensão de um grupo de dirigentes, ou mesmo, somente de Stalin, como as causas do “desvio” da revolução de outubro, o anarquista ucraniano já identifica na proposta no marxismo, particularmente do bolchevismo, o avanço da centralização do poder. Defende assim uma política de descentralização do poder, do Federalismo, iniciado pelos Sovietes, e assim, continua a linha teórica de Bakunin ao perceber que o Estado, a centralização de poder, e o desenvolvimento do estatismo provoca a derrota da revolução na medida em que a liberdade de ação e associação do autogoverno dos trabalhadores é suplantada pela autoridade de um aparato burocrático altamente centralizado que impede assim o estabelecimento relações igualitárias e livres.

O problema da desigualdade é debatido por Maknno já no exílio, através do grupo Dielo Trouda, na análise do XIV Congresso do Partido Bolchevique. Muito claramente destaca a permanência do estatuto desigual entre camponeses e operários, estes últimos privilegiados em relação aos primeiros, mesmo sobre a insígnia da aliança operária-camponesa conduzidas pelos Bolcheviques, que disponibilizou grande e particular atenção a questão, sobretudo a partir das proposições de Lênin e da instauração da NEP. Portanto, não se trata de uma “crítica” político-moral, de traição de um programa e de uma teoria, como definido em grande parte pela análise de Trotsky. Muito pelo contrário se trata efetivamente da praxis do programa do marxismo revolucionário, o bolchevismo, e neste caso específico de sua práxis revolucionária, no contexto do fim da primeira guerra mundial e durante a guerra civil.


Vida e Obra

Nestor Makhno nasceu em 27 de outubro de 1889, filhos de uma família de camponeses pobres de Gulyai-Polye, no sul da Ucrânia, situada na província de Ekaterinoslav entre o Rio Dnieper e o Mar de Azov. Foi trabalhador agrícola desde os 8 anos de idades. Aos 12 anos começa a trabalhar em uma granja. A região é formada por grupos étnicos de origem cossaca, com forte tradição militar e de independência em relação ao poder central de Moscou. A existência das tradições da Volnitza desde do século XIV, constituem uma experiência histórica particular de manutenção de comunas rurais com resistência, dominação ou colaboração junto ao poder central de Moscou.

A Revolução de 1905 também provoca mudanças, principalmente no aumento da agitação “anarco-comunista” e camponesa. Em 1906 com dezessete anos passou a fazer parte de um grupo anarquista em Goulai-Polé, formado por Wladimir Antoni, conhecido como Zaratrusta. Entre os anos de 1906 e 1907, já atuando no grupo anarco-comunista faz parte da resistência da Aldeia ao Sotnia Negra, organização pogromista. Neste mesmo período, resistiram a proposta do governo de Moscou de formação de uma camada de camponeses proprietários, recorrendo as táticas de incêndios das propriedades senhorial e de fazendas de Koulakis. Depois de ataques aos distritos policiais é preso em 1908

Foi primeiro condenado a pena de morte, mas sua pena foi convertida em prisão perpétua na prisão de Butyrki, em Moscou. Na prisão sua saúde se deteriora. Passa a ter contato com outros anarquistas, como Pedro Arshinov, onde passa a ter mais discussões teóricas de Bakunin, do anarquista polonês Jan Machajsky (1866-1921) e do anarco-sindicalista russo Gregori Maximoff (1893-1950). Com a Revolução de Fevereiro de 1917 é libertado e retorna a sua região, no sul da Ucrânia. Em março de 1917, em Goulai-Polé, reuniu os anarquistas que lá deixara quando condenado a prisão perpétua pelo czarismo. Em Junho do mesmo ano ajuda a fundar a União de Camponeses de Goulai-Polé, para organizá-los contra o governo Kerenski. No mesmo mês os camponeses de Goulai-Polé e os operários e Alexandrovska se associam e formam uma União Profissional. O grupo anarco-comunista é reorganizado em julho de 1917, tendo em vista que dois terços do grupo foi exterminado pela repressão czatista. Em vista da demora do governo dar uma solução para a questão agrária, os camponeses de Gulai-Polé e região resolveram se agir contra as políticas do governo provisório. Organizaram um congresso de camponeses que “enviou delegados aos operários das cidades para concluir com eles uma união que proclamaria propriedade pública a terra, as fábricas e as usinas, o primeiro passo em direção a uma sociedade nova baseada no autogoverno das massas trabalhadoras, sem nenhuma tutela do Estado e de seus órgãos autoritários” (Makhno, 1988)

Segundo Makhno “Foi nessa mesma aldeia de Goulai-Polé que foi organizado, por minha iniciativa, um congresso de grandes e pequenos proprietários rurais, no curso do qual lhes foram arrebatas e queimadas todas as escrituras de propriedade” (1988) Em agosto de 1917 são formados Comitês de Defesa da Revolução que passa a organizar destacamentos armados de camponeses para distribuir terras na região e acabar com o arrendamento e outras formas exploratórias. O “Comitê de Defesa da Revolução tinha feito desarmar todos os burgueses e anular todo direito à propriedade privada sobre as terras, fábricas, usinas e outras empresas públicas” (Makhno, 1988) No verão de 1917 os anarco-comunistas da região de Goulai-Polé se mobilizaram organizando Uniões Operárias e Camponesas e rompem com os organismos de poder do governo provisório. São organizados Comitês agrários com os camponeses que se vinculam aos Sovietes de Deputados Camponeses, Operários, Soldados e Cossacos. Na noite do dia 25 de outubro de 1917 o Palácio de Inverno é conquistado pelo Partido Bolchevique sob direção de Lenin.3 A qual Makhno classifica como “golpe de Estado de outubro na Rússia”.

Sobre este momento, Makhno afirmou:

Mas esses dois partidos, o primeiro bem organizado, o segundo marchando obedietemente sob as ordens do astucioso Lênin, souberam ganhar no momento preciso as massas revolucionárias; e arrastando-as com a fórmula “O Poder aos Sovietes locais dos Deputados operários, camponeses e soldados”, e felicitando-as por seu Slogan “A terra aos camponesas, as usinas e as fábricas aos operários”, ele puseram um dique para a Revolução; depois, tendo a sua disposição grandes quantidades de papel e máquinas impressoras, inundaram as cidades e os campos com seus manifestos, declarações e programas(1988)
Sobre os anarquistas neste momento ele disse:
Os anarquistas tiveram, nesse golpe de Estado em Petrogrado, Moscou e outras cidades industriais, um papel particularmente destacado, na vanguarda dos marinheiros, dos soldados e dos operários. Mas por falta de estrutura, eles não puderam ter sobre o país uma influÊncia revolucionário comparável à desses dois partidos que tinham formado um bloco político sob a direção deste mesmo astucioso Lênin e sabiam exatamente aquilo que deviem empreender antes de mais nada neste exato momento e de que força e energia dispor”(1988)
Para completar afirma: “Esse golpe de Estado foi pois acolhido com júbilo, e eles se esforçaram por favorecer sua extensão em suas terras. Todavia, o fato de que esse golpe de Estado tinha levado ao poder os Bolcheviques e os S.R de Esquerda não agradava absolutamente aos trabalhadores ucranianos” (Makhno, 1988)

Em 20 de dezembro de 1917 é assinado o decreto organizando a polícia política, a Tcheka. As forças da Rada Ucraniana ameaçavam invadir toda a região e já lutavam contra os bolcheviques nas principais cidades ucranianas, mas os bolcheviques não tinham presença entre os camponeses. Cossacos vindos da frente alemã se unira ao general Kaledin para combater a revolução

Em “3 de janeiro de 1918, o comando da Guarda Vermelha Bolchevique, Bogdanov, dirige um apelo aos operários e camponeses de Goulai-Polé, pedindo-lhes auxilio. Em resposta, centenas de anarquistas marcham para Alexandrovska, para reforçar a resistência à contrarevolução”(Tragtenberg,1989). As disputas entre bolcheviques e S.R de Esquerda aumentam pelo controle do Comitê Revolucionário. O regimento 48 de berdiansk, partidários de Kaledin, é derrotado com ajuda da Federação Anarquista de Alexandrovska.

Os bolcheviques tomam Kiev em 25 de Janeiro de 1918. Inicia-se a troca direta de produtos entre o campo e a cidade. Estabelece-se contato com os trabalhadores têxteis de Prokhorov e Morozov. Também se associam aos proletários de Moscou. Entretanto, a remessa de tecidos de Moscou para Goulai-Polé é detida por autoridades soviéticas, que iniciam um processo de centralização do poder dos comissários, tendo em vista a instauração do comunismo de guerra. As relações entre autoridades bolcheviques e os camponeses na região se deterioram. A situação militar na Ucrânia piora rapidamente a partir da assinatura do Tratado de Paz de Brest-Litovsk, em 03 de Março de 1918. O tratado entre os Bolcheviques e o governo imperial alemão abres as portas do país aos autro-alemães. No mesmo mês, Kiev e todo território até o Rio Dnieper é ocupada pela Rada Ucraniana. Seiscentos mil homens a serviço da Rada tentam atravessar o Rio. Batalhões bolcheviques e outros autônomos resistem ao ataque. Nesse processo os camponeses passam a Insurreição generalizada contra os donos de terras e o exército austro-alemão. Makhno organizar um exército de 1500 homens em Goulai-Polé conseguindo armas com o comandante dos guardas vermelhos, Bilinkevitch. Nesta situação e condição surge o Exército Insurgente da Ucrânia (EIU), conhecido como Makhnovitina4, como forma de autodefesa e de implementação das medidas de tomada das terras.

Uma análise detalhada da composição do movimento makhnovista se apresenta como heterogêneo, em termos de tipo de trabalhadores, mas de maioria camponesa, sendo dentro do campesinato a maior fração de campesinatos médios, aqueles mais combativos e os principais agentes da revolução de 1917.

Em Junho de 1918 Makhno vai a Moscou, onde se encontra com Lenin. Depois do surgimento do EIU, a Macknovitina, em outubro-novembro inicia-se ataque geral contra a reação de Hetman e da Burguesia ucraniana organizada na Rada, como força estatal, a Perlurovschina.

Nesse processo o movimento machnovista desarma a burguesia, combate os destacamentos cossacos que lutam ao lado do exército branco e confiscam todas as usinas. Nesta região da Ucrânia entre 1918 e 1920 sobre coordenação da União dos Camponeses de Goulai-Polé, do Soviete de Deputados Camponeses e operários e do grupo anarquista-comunista de Goulai-Polé são colocada em práticas o auto-governo dos trabalhadores, sobre o lema: “Liberdade ou Morte” e “Terra para os Camponeses, e Fábricas para os Operários”. Segundo Mallet (1978)

A comienzos de 1918, cuando una unión de fuerzas del Ejército Rojo y de la Makhnovina ocupó durante un corto espacio de tiempo la ciudad de Katerynoslav, surgieron diferencias en lo relativo al poder político (Byelash, pp. 213214). Sin embargo, las fuerzas bolcheviques invasoras que tomaron el área de Sinelnikoro-Hulyal Polye-Alexandrovsk, a finales de enero y comienzos de febrero de 1919, eran tan escasas, que el comandante rojo Antonov no tenía otra alternativa que la alianza con Makhno (Byelash, pp. 224-225)
Durante os primeiros meses de 1919 a região de Gulai Polé era autogovernada pelos operários e camponeses. A ação da união anarco-comunista da região foi de organização em Janeiro, Fevereiro e Abril de uma série congresso regionais de camponeses e operários para discussão econômicas e militares. A principal questão militar era a luta contra o exército contra-revolucionário de Denekin. O segundo congresso, em Fevereiro de 1919, é voltado para mobilização voluntária. A delegação do Conselho Regional Revolucionário Militar de Camponeses e Operários e Insurgentes indicou a criação dos sovietes livres sem representação partidária. É formado o autogoverno dos trabalhadores e umas principais questões político-militares definidas é o engajamento na luta contra Denikin. É estabelecido o acordo com Exercito Insurgente da Ucrânia (EIU) como divisão autônoma do Exercito Vermelho como manutenção de suas estruturas, nome e bandeira preta. Nessa altura o EIU contava com 20 mil operários e camponeses. “Poco después se haría un arreglo similar con Grigoriev por parecidas razones (Adams, pp. 155157). En mayo de 1919, dos tercios del Segundo Ejército Ukraniano se unieron a las fuerzas de Makhno y Grigoriev.” (Mallet, 1979)

Segundo Arshinov (1927), a orientação bolchevique era primeiro absorver a Mackhnovitina, entretanto, com o fracasso dessa opção política, passaram a desqualificar o movimento como composto de camponeses ricos. Em Abril de 1919 o terceiro congresso regional se coloca contra os plano de Moscou. O comandante da divisão do Exército Vermelho, Dibenko, declarou fora da lei a realização do Congresso e contra-revolucionários seu participantes.5

A aliança de Grigoriev, na Ucrania, um chefe de um exército guerrilleiro popular e antissemita com os comunistas é desfeita. Os makhnovistas disseram:

"¿Quién es Grigoriev? [...] Con las primeras palabras de su Llamamiento universal empieza por proclamar que Ucrania está actualmente dominada por "quienes crucificaron a Jesús" y por gente "salida del hampa de Moscú". ¡Hermanos! ¿Acaso no les suena a un sombrío llamamiento a los pogromos antisemitas? ¿Acaso no sienten el deseo del atamán Grigoriev de romper los vínculos fraternos que unen la Ucrania revolucionaria con la Rusia revolucionaria? [...] Es un traidor a la revolución y un enemigo del pueblo, pero el partido des los comunistas bolcheviques no es menos enemigo de los trabajadores. Con su dictadura irresponsable, ha creado entre las masas un odio que sirve actualmente a Grigoriev y podría servir mañana a cualquier aventurero.

¡Muerte a los traidores y enemigos del pueblo! ¡Abajo la persecución nacionalista! ¡Abajo los provocadores! ¡Viva la unión general de los obreros y de los campesinos! ¡Viva la comuna trabajadora universal libre!

Firma el colegio da la plana mayor del ejército makhnovista. Miembros responsables del colegio: Batko Makhno, Chubenko, Mijalev-Pavlenko, Oljovik, Puzanov, Sharovski, Gorev, Archinov, Veretelnikov, Chuchko, Karpenko.

Miembros del comité ejecutivo de los campesinos, obreros y diputados del ejército rojo de Alexandrovsk, presidente del comité ejecutivo de distrito: Andrishchenko, director de administración Shpota, director de abastecimiento, Gavrilov, miembro del comité político de la ciudad, Bondar."

Em Junho os Makhnovistas derrotam o exército liderado pelo ex-aliado Grigoriev6. No Quarto Congresso em 15 de junho os soldados do Exército Vermelho são convidados a enviar representantes. Antonov e Kamenev são enviados a região e exigem a dissolução do Comitê Regional Revolucionário. Neste momento, toda região próxima ao Mar de azov é controlada pelo EIU. Em outubro é organizado o Congresso Regional de Camponeses e Operários em Alexandrovska.

Em janeiro de 1920 o EIU é considerado fora da lei pelas autoridades soviéticas. Durante todo o ano de 1920 o Estado Soviético passa a lutar contra a Mackhnovitina e inicia se uma série de difamações e propaganda por meio da sua imprensa. Entre os meses Março e Setembro o EIU teve que lutar contra os sistemas estatais em surgimento, tanto o soviético como da Rada Ucraniana. Segundo Arshinov

Durante esse período nômade (junho-julho de 1920) se constitui o órgão superior que devia dirigir a atividade do exército e do movimento machnovista: o Conselho dos Inssunretos Revolucionário da Ucrânia, formado por sete membros eleitos e ratificados pela massa dos guerrilheiros. Três setores principais do exército – os de assuntos e operações militares, o de organização e de controle e a de instrução e cultura - estavam submetidas a esse Conselho”

Segundo Malet (1979)

La polémica alcanzó su punto álgido con los ataques de Trostky a primeros de junio de 1919, cuando, a las primitivas diferencias, se añadió el empeño de emplazar el odio, por el deseo de Denikin de abrirse camino, para lo cual, cada uno echaba las culpas al otro. Luego, Makhno recibió pocos laureles por parte de la prensa soviética, a pesar de su participación en la derrota de Denikin en el otoño de 1919. El periódico bolchevique Zvezda dirigió una ofensiva dialéctica contra los “nabat” anarquistas en la Katerynoslav ocupada por la Makhnovina de octubre a diciembre de 1919, pero se veían obligados a actuar prudentemente con los Makhnovinistas, ya que abrigaban la esperanza de adoctrinar a un elevado número de ellos para llevarlos al lado bolchevique. Su temor principal estribaba en el poder del contraespionaje Makhnnovinista, que era considerado por los bolcheviques como el gobierno real de la ciudad. Las ideas anarquistas fueron atacadas, y hasta Makhno fue tácitamente olvidado hasta que se produjo la ruptura definitiva en enero de 1920. Makhno, incluso, permaneció inactivo durante el movimiento anti Denikin, para poco después incrementar sus actividades militares antisoviéticas. Durante los meses de junio y julio, el Ejército Rojo se vio obligado, en más de una ocasión, a desviar sus mejores fuerzas contra la Makhnovina. (Kubanin, pp. 119-121; Konevets, pp. 96-97; Frunze, 1919, pág. 181; Rudnev, pág. 86).”

Na luta contra Wrangel os bolcheviques são obrigados a realizar outro acordo com os EIU. “De todas formas, tan pronto como Wrangel fue derrotado, los bolcheviques rompieron la alianza. La justificación aducida se convirtió en un lugar común, en una forma normal de actuación en este tipo de situaciones con el uso de una típica fraseología”7

Segundo Malet (1979):

Debe quedar perfectamente claro, por todo lo expuesto, que el ánimo que alentaba a los gobiernos soviéticos, era el de la destrucción física e ideológica de Makhno y la Makhnovina. Lenin y Trotsky pusieron un gran interés personal en el empeño. Lenin dio muestras de cierto cinismo cuando telegrafió a Kamenev y Rakovsky, y luego dirigió la misiva al gobierno soviético de Ukrania, en mayo de 1919, diciendo: «Indudablemente estaremos en peligro mientras no limpiemos pronto el Dombas. De momento, y hasta que Rostov sea ocupada, deberemos mostrarnos diplomáticos con las fuerzas de Makhno...» (Grazhdanskaya Voina, Vol. 2, pág. 16). Pero ya antes del ataque a Hulyai Polye, el 26 de noviembre de 1920, Lenin instó a Kakovsky a «mantener una observación minuciosa de todos los anarquistas y a preparar documentos de naturaleza criminal, tan pronto como fuera posible, sobre la base de que tales cargos puedan lanzarse contra ellos. Tales órdenes y documentos deberán ser secretos, y darse las instrucciones precisas al respecto» (Goneniya, pág. 24).”

Ainda em outubro de 1920, depois da ação do EIU para vencer exército de Wrangel, é firmado acordo de anistia para todos os anarquistas nas prisões russas e garantia de liberdade de propaganda.8 O EIU derrota o exército branco de Wrangel ao cercá-lo na região de Perekop.

Em 04 de novembro Trotsky ordena:

ORDEN AL COMANDANTE DEL EJERCITO INSURRECCIONAL, CAMARADA MACHNO, COPIA A LOS COMANDANTES DE LOS EJERCITOS DEL FRENTE SUR, N° 00149. EN EL ESTADO MAYOR, MELITOPOL, 3-4 DE NOVIEMBRE DE 1920

Dada la cesación de las hostilidades contra Wrangel, vista su derrota completa, el Consejo Militar Revolucionario del frente sur estima que la misión del ejército de los guerrilleros ha terminado y propone al Consejo Militar Revolucionario del ejército insurreccional que se ponga de inmediato en acción para transformar los destacamentos insurreccionales de guerrilleros en unidades regulares, a fin de que constituyan parte del ejército rojo.

No hay razón para que exista el ejército insurreccional organizado según sus propios principios. Al contrario, la existencia, al lado del ejército rojo, de esos destacamentos que tienen una organización especial y que persiguen fines particulares, causa efectos perfectamente inadmisibles (4), y es por eso que el Consejo Revolucionario Militar del frente sur hace al Consejo Revolucionario Militar del ejército insurreccional la proposición siguiente:

1. Todas las partes del antiguo ejército insurreccional que se encuentran en este momento en Crimea deberán ser incorporadas de inmediato al cuarto ejército soviético, cuyo Consejo Revolucionario Militar se ocupará de la transformación de esas tropas.

2. La sección de las formaciones en Gulai-Polé deberá ser liquidada; los combatientes serán distribuidos en los destacamentos de reserva según las indicaciones del comandante de esa parte del ejército.

3. El Consejo Revolucionario Militar del ejército insurreccional deberá tomar todas las medidas necesarias para hacer comprender a los combatientes la necesidad de las medidas enunciadas.

M. Frunsé, Comandante en jefe del frente Sur. Smilga, Miembro del Consejo Revolucionario y Militar. Karatyguin, Jefe del Estado Mayor.

Entre 15 e 26 de novembro depois da vitória sobre o exército de Wrangel na Crimeia, Trotsky ordena o ataque contra o EIU e o soviete livre de Goulai-Polé e detém “anarquistas” por toda Ucrânia. “Após a derrota do general czarista Wrangel, os bolcheviques, rompendo o acordo formal com as forças de Makhno que participaram dessa luta, metralharam das alturas do istmo de Perekop o Exército Makhnovista que regressava vitorioso pela estreita faixa entre a montanha e o mar.” (Tragtemberg,2006) Goulai-Polé é cercada pelo Exército Vermelho em 26 de Novembro.

O destacamento de Makhno passa então a guerrear contra o Exército Branco e Vermelho, permanecendo quase um ano na Guerra de Guerrilhas. Bastante ferido, Makhno foge para Romênia, através do rio Dniester, em agosto de 1921. É capturado na Romênia, mas consegue fugir para Polônia. Com intervenção de Emma Goldmann, Arshinov, Voline e Rudolf Rocker chega a Berlim, em 1924 e logo depois a Paris em 1925. Trabalha em pequenas oficinas, comércios e em fábrica de automóveis, mas suas condições físicas não permitem que continue por muito tempo trabalhando. Em 1927, contacta os anarquistas espanhóis Buenaventura Durruti e Ascaso, causando grande impressão nos dois. Com problemas pulmonares e vários outros problemas de saúde faleceu em 25 de julho de 1934, em Paris.





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