Newton aquiles von zuben



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EU E TU a saber Qpfer com a tradução que ele utilizou em uma passagem bíblica - Darnahung - pois este evoca melhor a riqueza do sentido da raiz hebraica qarab, “estar próximo” no sentido de “aproximar”. Na verdade, este conceito implica a existência de dois seres. Um deles, tentando diminuir a distância que os separa, se aproxima (qarab) através de um qorban. Diante da dificuldade de encontrarmos um termo com a mesma riqueza de sentido, preferimos o termo oferta com a conotação de presente que se oferece a alguém. A oferta - qorban - é aquilo que me proporciona a proximidade na presença. O homem oferece seu presente, sua oferta para poder aproximar-se da presença de Deus. Podemos notar também, que em outro contexto Buber escolheu para a tradução de todas as formas derivadas da raiz - ya'ad - formas correspondentes do gegenwaertigsein. Fiel ao sentido rico do ya'ad, Buber traduz a tenda na qual Deus se faz presença, se faz presente, por “Zelt der Gegenwart”. Em sua obra ”Koenigtum Gottes” (O reino de Deus) Buber fala da “das Zelt der goettlichen Begegnung oder Gegenwaertigung” (tenda do encontro ou da presentificação de Deus). Assim cremos que o termo escolhido oferta no sentido de presente se aproxima da intenção manifestada no texto, isto é, de um encontro onde se quer estar na presença de Deus. A oferenda, aquilo que é oferecido, relembra a vontade constante de renovar sempre este “encontro”.

22 EIGENWESEN. Literalmente poderia ser traduzido por ser próprio. É um termo inusitado, mesmo em alemão, aliás Buber aprecia muito forjar palavras não se importando com o uso ou o sentido que possam ter na linguagem comum. Em uma carta ao tradutor da primeira edição inglesa de EU E TU Buber recusou o termo individualidade. Como Buber estabelece uma distinção entre Eigenwesen e Person, o tradutor recorreu aos conceitos já consagrados na linguagem filosófica de pessoa e indivíduo. No contexto Eigenwesen é o EU da palavra-princípio EU-ISSO enquanto que Person é o EU da palavra-princípio EU-TU. Eigenwesen se refere à relação homem com o seu “si-mesmo”. Preferimos então a expressão ser egótico ou simplesmente o termo “egótico”, embora se trate de um termo pouco comum. Mais adiante Buber utiliza o termo Bigenmensch que traduzimos por egotista.

23 SCHIBBOLETH. Marco Distintivo.

24 Valore no original.

25 DER ELEKTRISCHE SONNE. É uma expressão curiosa. Segundo Buber o homem do qual se fala aqui colocou no teto uma forte luz elétrica, como um pequeno sol que pode ser uma defesa contra os tormentos de um sonho em estado de vigília e também um símbolo para os pensamentos que ele invoca. Assim a Lâmpada elétrica seria o “sol elétrico” ou o “sol artificial da noite”.

NOTAS DA TERCEIRA PARTE



26 Evangelho de S. João 10: 30.

27 Khandogya, Upanishad III 14,4.

28 Afirmação de Mestre Eckart.

29 SCHIEDLICHKEIT.

30 IMMER-WIEDER -WERDEN-MUESSEN.

31 “GRANDE VEICULO“. É a tradução do Mahayana. O Grande Veículo é um ramo do Budismo formado por várias seitas sincréticas que se encontram sobretudo no Tibet, no Nepal, China e Japão. Sua língua se baseia em cânones do sânscrito, acredita em um ou vários deuses; apregoa o ideal bodhisattva da compaixão e da salvação universal. Ao lado do “Grande Veículo” existe o “Pequeno Veículo”, Hynayana, que é um ramo menor e mais conservador do Budismo dominante principalmente no Ceilão, Burma, Tailândia e Cambodja. Adota a escrita Pali, que é utilizada tanto como linguagem escolar como linguagem litúrgica.

32 REDLICHKEIT. Pode ser traduzido por honestidade, integridade. Possui a mesma raiz de reden falar, rede fala, discurso.

33 Referência a Nietzsche, ECCE HOMO 3ª parte onde discute o “Assim fala Zaratustra“.

34 Wir koennen nur gehen und bewaehren. Und auch dies “sollen“ wir nicht - wir koennen - wir muessen.

35 Das Wort der Offenbarung ist: Ich bin da aIs der ich da bin.

Esta é a tradução de “EHYEH ASHER EHYEH”. Cremos que se deve compreender a principal preocupação da interpretação buberiana da palavra da revelação como uma importância especial dada ao conceito de “presença”. Deus assegura a Moisés que estará com ele. Por duas vezes Deus começa por EHYEH-eu serei presente. Não se deve perder de vista a questão central que é uma situação de diálogo. Aí não se trata do homem mas de Deus, do nome divino. Para o homem no estado de pensamento mágico, o nome verdadeiro de uma pessoa não é a simples denominação mas a essência mesma da pessoa, de certo modo destilada de sua realidade embora permaneça presente neste nome. A pessoa mesma é inacessível, oferece resistência. Porém através do nome ela se torna acessível. O nome verdadeiro, porém, pode ser diferente daquele que é geralmente conhecido. Este encobre, vela aquele. O nome verdadeiro pode diferenciar-se do nome comum pela pronúncia. A questão a respeito de seu nome, Deus responde a Moisés: Ehyeh asher Ehyeh. A tradução mais comum é: “Eu sou aquele que sou” significando com isso que EHYEH se designa como o existente, o eternamente existente, aquele que persiste imutavelmente em seu ser. Não se pode, entretanto, afirma Buber, tirar do verbo, na linguagem bíblica, o sentido da existência pura. Além disso esta interpretação deixa transparecer um tipo de abstração que normalmente não se manifestava em uma época de vitalidade religiosa em expansão. Buber o entende no seu sentido profundo de “ser presente”. Ademais podemos perguntar: seria a intenção do narrador de mostrar que Deus, em um momento memorável em que anuncia a libertação de seu povo, desejava conservar e acentuar sua distância em vez de apresentar claramente sua proximidade, sua presença? Então, que força e sentido manifesta a clara intenção dos dois “EHYEH”, como se lê em Êxodo 3:12? “Eu serei, eu estarei presente” de modo absoluto e não como em outras passagens “Eu serei presente em tua boca”, “Eu estarei junto de ti”, “Eu não necessito ser invocado pois serei presente junto a vós” Por trás destas palavras, afirma Buber, percebe-se a resposta verdadeira endereçada aos adeptos da magia egípcia e àqueles que foram tocados pela técnica mágica: é inútil tentar invocar o nome de Deus. Com efeito no Egito os mágicos ameaçavam os deuses que não queriam cumprir suas ordens, suas vontades e acatar seus desejos, dizendo-lhes que atirariam seus nomes aos demônios e extrairiam suas bocas de suas cabeças. Se no Egito a religião nada mais era do que regras de magia, no diálogo da “Sarça ardente” a religião é desmagificada.

Além disso o nome de Deus se transforma como afirma Buber: “Dentre todas as suposições relativas ao emprego do nome YHVH pelos Hebreus nas épocas que precedem sua história, uma somente permite tornar tudo isso inteligível, depois que pesquisas foram feitas na direção que ela indica, sem que permaneçam contradições. A meu conhecimento foi Bernard Dhum que a formulou há várias décadas, em um curso inédito da Universidade de Goettingen. Talvez este nome não seja senão um prolongamento de hu (ele) assim como outras tribos árabes chamavam Deus “o uno, o inefável”. O grito, prossegue Buber, dos derviches: Ya-hu se traduz por “Oh! Ele”. E em um dos hinos mais importantes de um místico persa Djelaleddin Rumi pode-se ler: “é o Uno que procuro, é o Uno que eu vejo, é o Uno que eu chamo. ELE o primeiro, ELE o último, ELE é o exterior, ELE é o interior. Não conheço mais ninguém senão Ya-hu (Oh! ELE) e Ya-man-hu (Oh! Ele que é)”. A forma originária do grito pode ter sido Ya-huva, se for permitido ver no árabe huva a forma semítica primitiva do pronome “ele” que em hebraico se diz hu (Cfr. M. Buber MOISE (tradução francesa nas páginas 71 e 72). Então de uma vocalização, de uma exclamação pronunciada no êxtase, meio-interrogação, meio-pronome proveniente do fonema primitivo Ya-hu aparece uma forma verbal precisa. De acordo com regras gramaticais que, na terceira pessoa (havah é idêntico a hayah) significa a mesma coisa que “EHYEH” anuncia na primeira pessoa. “YHVH é aquele que será, que estará ai”, isto é, aquele que estará presente não importa onde ou quando, mas a cada momento do presente e em cada lugar onde alguém estiver presente. Enquanto a exclamação primitiva saudava o Deus escondido, a forma verbal é sua manifestação. Assim lemos no Êxodo: 3:14: “EHYEH, 'eu sou presente', eu serei presente' me envia a vós” e logo depois: “YHVH o Deus de vossos pais me envia a vós”. Podemos pois compreender como Buber entende a palavra da Revelação EHYEH ASHER EHYEH como “Ich bin da aIs der ich da Bin”. Acreditamos poder assim nos aproximar da riqueza de sentido que Buber tentou captar na palavra da Revelação traduzindo-a “Eu sou presente como aquele que sou presente”.


36 Vemos aqui clara alusão aos fragmentos 8, 17 e 21 de Empédocles. No seu fragmento 8 Empédocles afirma: “Dir-te-ei ainda uma outra coisa: não há nascimento para nenhuma das coisas mortais; não há fim na morte funesta; há somente mistura e dissociação dos elementos compostos. Nascimento nada mais é que um nome dado pelos homens a este fato”.

NOTAS DO POST-SCRIPTUM



37 GESPROCHENHEIT. P, um substantivo abstrato forjado por Buber que significa algo que é falado. Diante da dificuldade de tradução daquilo que exatamente quer dizer Buber, preferimos um termo que pode se aproximar do seu significado, fala. A fala como mensagem e como manifestação concreta desta mensagem através da palavra.

38 PESSOA. Não se trata de saber o que Deus é em si mesmo mas o que Ele é na relação com o homem. Deus não é pessoa em sua essência mas em sua relação com o homem. Buber escolhe um caminho radical para a compreensão do ser de Deus em termos de seu sentido para o homem, ao mesmo tempo que empreende uma compreensão do homem em termos de seu ser-com-Deus. Mais adiante Buber emprega o termo Personhaftigkeit, assim como Naturhaftigkeit e Geisthaftigkeit.

39 IN SCHAFFENDEN, OFFENBARENDEN, ERLOESENDEN AKTEN... Criação, Revelação e Redenção. Estes três termos encerram o núcleo da interpretação buberiana da palavra de Deus que é o símbolo do encontro dialógico. Tudo na escritura é genuinamente fala (Gesprochenheit) afirma Buber em sua obra “Die Schrift und ihre Verdeutschung”, pág. 56. A Bíblia é a incessante proclamação de uma mensagem (Botschaft) e a realidade desta proclamação é sempre assumida e está sempre presente. Os três pontos essenciais no diálogo entre a “terra e o céu” são a criação, a revelação e a redenção. A Bíblia encontra as gerações pela exigência de ser reconhecida como a verdadeira história do mundo, isto é, o fato de o mundo ter um começo e um fim. A criação é a origem e a redenção o fim. A revelação, entretanto, não se apresenta como um ponto fixo, datado entre os dois. Mesmo a revelação no Sinal não é este ponto intermediário, mas antes uma contínua escuta e uma tomada de consciência no momento presente de sua atualização. O importante é a apropriação pelo homem do evento bíblico no momento, no instante presente, pois, para Buber, o encontro existencial é central e não está sujeito ao condicionamento histórico. É interessante relembrar, mesmo que rapidamente, uma faceta da mensagem hassídica sobre a redenção. O Hassidismo reage contra o modo messiânico de se distinguir um homem do outro, ou uma época de outras ou uma ação de outras. A força para cooperar na redenção foi atribuída a todos os homens indistintamente. É pela santificação sem preferência de tudo o que se faz, do ato de levar Deus ao longo da vida, a consagração de nosso vínculo com o mundo que pode realizar-se a redenção. Foi tal ensinamento de um vínculo inseparável entre o mundo e o homem que exerceu uma influência marcante sobre Buber a ponto de este afirmar que o destino inevitável do homem é amar o mundo, pois, não é em um pretenso “além” do mundo, mas no seu “interior” que o homem pode encontrar o divino.

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GLOSSÁRIO

Abhaengigkeit, sentimento de dependência

Ablauf decurso

Angessicht face, semblante

Beziehung relação

Bewaerung colocar à prova, comprovar

Begegnung encontro

Bewusstheit Estado de ser consciente ou de ter consciência

Befahren explorar a superfície

Bestimmung destino

Besinnung lembrança

Dinghaftigkeit coisidade

Daszwischen entre

Erleben vivenciar

Erfahren experienciar.

Erfahrung conhecimento prático

Erlebnis experiência interior ou vivida, vivência

Eigenmenschen egotista

Elgenwesen ser egótico ou simplesmente egótico

Gegenseitigkeit reciprocidade

Geist espírito, ver nota

Gegenwart presença, presente

Golem autômato, pedaço de argila animado

Gogenueber face-a-face, parceiro

HeilsIeben vida de salvação

lchhaftigkeit egoidade

Ichbezogenheit egocentricidade

Koerper corpo físico, corpo percebido

Leib corpo vivido

Machtwille vontade de poder

Opfer oferta

Punkthaftigkeit unidimensionalidade

Realitaet realidade

real real

RedIichkeit integridade

Rede fala

Schauen contemplar

Scheinwelt mundo de aparência

Seelenvogel “alma-pássaro”, ver nota

Umkehr conversão

Unterredung conversação

Umfassung envolvimento

Verhaeltnis contato

Verbundenheit vínculo

VerhaItenheit retenção

Vergegenwaertigen presentificar

Vergegenwaertigung presentificação

Verwirklichen atualizar

Vereinigung unificação

Verfremdung alienação

Versenkung absorção

Vorhanden “à mão”. Heidegger explorou mais o sentido de vorhanden ou Vorhandenheit

Wesen traduzimos por ser, natureza, essência e no sentido mais rico em EU E TU por ser presente

Wirklich atual

Wirklichkeit atualidade

Wirklichen atuar

Werk obra

Weisung ensinamento e também direção. É a tradução de Torah.



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