Newton Braga Rosa Comitê Editorial



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Crônicas
Legítimas

de Braga
Newton Braga Rosa

Comitê Editorial

(Comendadores do V Encontro)

Robson e Larissa

Odilo e Fátima

Amaro e Raquel

Ruy e Arminda

Luciana e Mauro

Ricardo e Liliana

Luziane


Rosa, Newton Braga

Crônicas Legítimas de Braga. Porto Alegre, RS: Editora Fundação Leca Braga, 1995. 60p

I. BRAGA. II Título. III Crônica IV Estórias

CDU 681.3

_________________________________

Índices para catálogo sistemático:

Estórias 681.3:658.6

Contos de Família 681.3: 659.2

Reprografia: Centrocópias, P.Alegre

Tiragem: 60 exemplares

Arquivo/Versão: cro-txt e cro-cap 22.set.95

A fotografia mostra a nossa cara, mas só o conto desvenda um pouco do nosso jeito.

A crônica é a fotografia da alma.


Adaptado de Mário Quintana

APRESENTAÇÃO
Estas crônicas foram compiladas ao longo dos trabalhos de preparação do quinto encontro da família Braga, em 1995. Elas relatam histórias que revelavam o jeito de ser, um pouco da alma e do inconsciente coletivo que nos une.

Todas histórias são verídicas (ou deveriam ser), mas algumas estão distorcidas pelo tempo (muitas são de 50 anos atrás) e, obviamente, pelos contadores dos "causos". Talvez a maior parcela dos descalabros caiba ao autor destas crônicas. Colocar no papel é difícil. Mas se alguém fosse ponderar todos os riscos desta empreitada, não haveria estórias. "É preferível o risco da crítica do que perder parte da nossa memória", concluiu nosso conselho editorial, formado pelos comendadores do Encontro de 1995.

Promete-se aos eventualmente injustiçados amplo direito a defesa, em público, durante o próximo Encontro da família.

Os Bragas tem uma maneira muito especial de ser. Meio "trancados", segundo os mais condescendentes. Não há dúvida que os enxertos, como são carinhosamente tratados os agregados por casamento, é que dão o colorido (e a dimensão) da família. Todos são potencialmente personagem destas histórias.

O título desta coletânea de crônicas vem da expressão -"esta é legítima de Braga". Ela era usada principalmente pelos filhos do Leca quando queriam dizer que a estória, a festa, o churrasco ou qualquer outro evento era bem típico da família.

Apesar do volume já estar muito maior do que o previsto originalmente, muitas histórias interessantíssimas ficaram de fora. Faltou tempo e espaço. Assim, o autor encoraja a todos que comuniquem suas sugestões e também relatem suas histórias (diretamente ou através do seu representante no comitê editorial) para uma eventual segunda edição, ampliada e revisada, das "Crônicas Legítimas de Braga".


SUMÁRIO


SUMÁRIO 5

Dente Mole 9

O Endereço 10

Na Tacha 11

Pé de Milho 11

Sem Bis 12

O Baile 12

5 Estrelas 13

Criança Sofre 1 14

Criança Sofre 2 14

Nenê Voador 15

A Parte de Baixo 15

O Troféu 16

Não Atira 17

Rodada em Falso 18

Desfalque Não. 18

Até tu Comadre? 19

Despedida 20

Passagem Estreita 21

Formigas 21

A Bordo da "Roma" 22

Mãos ao Remo 23

As Rapaduras 24

Abóbora Defumada 25

Dívidas 25

Cavalos 26

Meu Ídolo 26

Foi Com a Pequena. 28

A Idéia 29

Instinto Selvagem 30

Parlamentarismo 31

A Mortadeleira 32

Um rádio de Presente? 32

Três ex-Fuscas 33

Dois DKW 34

Ajuda Anita 35

Rasante 36

Os Motoristas 36

Meia Lua 37

Fusca de Professora 38

Café da Tarde 38

Chinelada Corretiva 39

Primos e Irmãs 40

A Carteira 41

Moinho 42

Cinzas do Charuto 42

Missa das Sete 43

O Buraco 43

Na Escada 44

Prefiro Crua 45

Fim de Férias 47

O Céu Pode Rasgar 47

O Escore 47

Injustiça 48

Discretíssima 49

Cheiro de Vela 49

44 50

O Conselho 51

Só com Música 52

Braga Modelo Econômico 1 53

Braga Modelo Econômico 2 53

As Malas 53

Dia de Cão 55

Freio de Mão 57

A Caneta do Poeta 58

Dente Mole


O tio Ruy estava sempre inventando alguma coisa diferente para a gurizada. Dava asas à fantasia infantil e levava a imaginação das crianças à loucura, com brincadeiras diferentes e atrevidas. Era o tio bagunça, com que toda criança sonha.

Naqueles tempos nem todos adultos se interessavam realmente pelo que uma criança dizia. Ele, ao contrário, se lembrava dos assuntos da última conversa e do nome dos amigos da gente. Isto era muito gratificante.

Valia a pena apresentar uma idéia ao tio Ruy. Ele ouvia com atenção e era companheiro certo para qualquer arte. Aliás, ele sempre achava uma maneira de aprimorar uma arte. E tudo isto envolto no aroma gostoso do charuto que dançava para uma lado e outro da boca, deixando aqueles dedos, meio gordos, amarelados do alcatrão.

Entretanto todo este prazer exigia atenção permanente. De repente você poderia passar de proponente à vítima da brincadeira.

Logo, a primeira regra era estar muito atento. Muito mesmo.

A segunda era cuidar do nariz. Ele gostava de agarrá-lo, não pela ponta dos dedos, o que já seria cruel. Mas sim pelas articulações. Ou seja, dobrava o indicador e o pai-de-todos e, com a ponta que se formava, num gesto rápido, agarrava o nariz da vítima. Depois torcia. Um terror que várias gerações vão lembrar por muito tempo.

Se você estivesse com dente mole deveria ter cuidado redobrado.

Aliás, um dente mole era tão interessante para o tio Ruy, que a rigor a gente não precisava se preocupar com o nariz.

Ele examinava com olhar entendido. Testava com o dedo. Sem que percebesse, a vítima era sutilmente envolta com os joelhos para evitar qualquer tentativa de fuga.

Se o seu dente mole estivesse "maduro", é certo que você iria perdê-lo naquele instante.

O problema é que nem sempre estava tão maduro assim.

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