Newton Braga Rosa Comitê Editorial



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Cavalos


Ruy Filho e Odilo haviam acabado de encilhar e estavam nos fundos da fábrica de erva mate do tio Ruy, em Cruzeiro, dentro de uma garagem de caminhão.

Os dois, já montados, resolvem assustar Newton. O cara da cidade, além de ser pirralho (quando se tem 9 anos, três fazem muita diferença) não sabia nada de cavalos.

- Um primo inútil, pensavam os outros dois (um pentelho diriam hoje).

Começam a aproximar os cavalos lenta mas ameaçadoramente.

Correr ficaria chato e só iria piorar a situação, pensou Newton. Dos filmes de far-west ele sabia que cavalo corria muito.

Disfarçando o medo e como quem não quer nada, a vítima vai recuando, de costas, sem perceber que atrás havia o buraco para troca de óleo dos caminhões.

Cai lá no fundo.

Pronto. Estava armada a confusão. Como os dois iriam explicar para a tia Ruth, sempre atenda à guarda dos sobrinhos em férias, um acidente tão insólito.

Newton, no fundo do buraco olha para a cima e, no alto daquelas paredes escuras, vê quatro cabeças olhando para baixo. Dois estavam assustados. Os outros dois olhavam com uma certa curiosidade, quase indiferente. Pareciam ruminar alguma coisa.

Meu Ídolo


Newton, Elvio e Ruy estavam em Cruzeiro, no pomar do vô Aurélio, se preparando para andar a cavalo. O primeiro não escondia o nervosismo e excitação. Ruy tinha o cavalo dele (um tubiano) é claro. Os outros dois iam ter que decidir no par-ou-ímpar quem iria na frente primeiro, comandando as rédeas. Newton ganhou e foram inúteis os apelos do Élvio que, apropriadamente argumentava que já sabia montar.

- Sorteio é sorteio, respondeu Newton, contrariando o bom senso.

E lá estava o jovem da cidade pronto para uma das suas primeiras aventuras equinas que, diga-se de passagem, iria durar pouco.

Pacientemente Ruy explicou as regras básicas: para o cavalo virar para a esquerda devia-se puxar a rédea da esquerda; para a direita a outra e , para parar "puxe as duas ao mesmo tempo".

- Para parar puxo as duas?

- É, respondeu Ruy.

- É barbada, pensou Newton.

O Élvio montou atrás, e o cavalo lentamente começou a mover-se.

- "Para parar, puxe as rédeas", lembrou Newton. O puxão, súbito e forte fez o cavalo se agitar. Em vez de parar ele se mexeu mais ainda.

"Para parar, puxe". Outro puxão ainda mais forte e o bicho deu uma empinada linda. Élvio caiu.

Agora Ruy gritava: "solta a rédea, solta, solta". Não tinha lógica. Antes ele havia dito que para um cavalo parar tinha que puxar. Este estava se mexendo cada vez mais.

Meio confuso com os termos técnicos Newton pensou que rédea era aquilo que passaram por baixo da barriga do cavalo, para prender a cela. Bem que Newton achou que Ruy havia apertado demais. O Bicho estava com a barriga espremida ! Por isto estava se mexendo.

- Talvez falte força, concluiu Newton. Pelo jeito tem que puxar com muita força para se parar um cavalo.

Este último gesto foi fatal.

O cavalo empina e derruba o neófito ginete em cima da cerca de arame farpado. Ficou pendurado na cerca. No braço, o arame arrancou um naco de uns 15cm da parte interna. Tem cicatriz até hoje.

Começa o corre corre.

Alguém aplicou um torniquete improvisado para estancar o sangramento e levaram Newton para o hospital. Foram todos a pé carregando o guri lomba acima.

O Hospital de cruzeiro, por volta de 1950 e poucos não era lá estas coisas. Parecia ser o caso mais grave do dia. Newton começa a ficar preocupado. Só havia freirinhas. Cada uma que olhava o ferimento saia a cata de outra mais experiente. No fim estavam todas em volta tentando estancar o sangramento.

No meio da confusão Newton vê Roque chegando na porta da enfermaria.

- Finalmente alguém competente, pensou. Roque sabe tudo. Sempre foi meu ídolo Estou salvo concluiu.

Roque se aproxima, olha o ferimento e sai na direção da porta. Se agarra no marco e pára. Dá um meio rodopio e cai, desmaiado.

As enfermeiras correm para atender Roque.

Newton fica ali, na maca, olhando a cena. Abandonado e sem esperanças.

Foi Com a Pequena.


Tia Diva reúne os três filhos e pergunta:

- Quem cortou esta toalha?

A toalha de plástico sobre a mesa, novinha, ainda com aquele cheiro de plástico gostoso estava com as bordas cortadas em tirinhas, bem fininhas. Ainda era uma toalha de plástico, nova, só que agora era franjada. Um trabalho de raro talento.

Ninguém se acusa, mas de alguma forma todos sabiam que só podia ser a Sílvia, na época por volta de cinco anos.

No dia seguinte é armado um interrogatório em cima da principal suspeita. Inútil. Não há confissão.

Mais um dia e com o assunto estrategicamente esquecido, tia Diva pergunta com todo o jeito:

- Filhinha, tu cortaste a toalha com a tesoura grande ou com a pequena?

- Foi com a pequena, mãe.


A Idéia


Augusto, com seus 4 anos, havia ganho um capacete de brinquedo.

- Mãe, este não é de motoqueiro.

- Por que, pergunta Sílvia.

- Falta aqui ó, apontando para o lugar onde, nos capacates de verdade havia a viseira de acrílico transparente.

Enquanto Augusto brincava, Sílvia improvisou uma viseira, com uma lâmina de plástico recortada a tesoura, por ela mesma.

- Filho, vem cá que a mamãe teve uma idéia, mostrando a viseira improvisada na mão.

Augusto acompanha atentamente a fixação da lâmina no capacete com fita durex. Concluída a instalação, Augusto sai contente para continuar a brincar.

Após algumas hora volta o guri com a viseira na mão reclamando, meio decepcionado:

- Mãe, a tua idéia caiu.

Instinto Selvagem


Ornélio estava terminando sua lua de mel, no clima romântico e aconhegante de Gramado.

Já passava do meio dia. Estava quase virando uma nova diária.

Vai na portaria fechar a conta, mas deixa as malas no quarto.

O casal volta para pegar as malas e é envolvido pelo clima. Quem sabe uma despedida? Voltaram para a cama.

No meio do ato, irrompe porta adentro do quarto a arrumadeira, com balde, pano, vassoura e todo equipamento. A Portaria tinha autorizado a limpeza do quarto, que já deveria estar vago.

Neste instante o casal se abriga, conforme o instinto de cada um:

Ela se cobre com o lençol. Ele dá um pulo e entra para o roupeiro.

- Puxa, mas que instinto estranho, pensou a nubente.

Estava, agora, mais preocupada com a reação do marido do que com a indiscrição da arrumadeira.

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