Newton Braga Rosa Comitê Editorial



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Fim de Férias


Em Bombinhas Robson, no timão do Laser de Newton, chegava na arrebentação da praia com vento de popa.

- Empurra o leme (para aproar), gritava Newton da praia.

Robson e seu amigo Rony estavam confiantes na recém adquirida habilidade de velejar. Mas não tinham apreendido o suficiente. Em vez de empurrar, puxaram o leme.

O barco dá um jaibe. Eles se abaixam e a retranca passa zunindo sobre a cabeça dos dois. Com o balanço brusco largam o leme. Já não sabem para que lado estão olhando. Estão amontoados no cock-pit. O barco gira mais 180 graus e capota em seco. O mastro enterra na areia e a vela rasga.

Fim de férias.

O Céu Pode Rasgar


Bruno por volta dos 4 anos, vai ao aeroporto pela primeira vez. Do saguão a família observa o movimento na pista. Programa de portoalegrense em domingo à tarde.

O céu estava completamente azul, sem núvens. Um dia lindo. Um avião grande taxia, corre na pista e decola. Quando começa a subir, bico empinado para cima, Bruno exclama:

- Puxa pai. Ele vai rasgar o céu!!.

O Escore


Tio Ruy visitava o neto Ruy. Atento, ouvia a história do garoto com seus sete anos:

- Vô, não pude jogar. Meu time perdeu de 8 a zero.

- E se tu tivesse jogado de quando seria o escore, perguntou tio Ruy imaginando que a presença do neto teria feito muita diferença.

O garoto pensa e responde:

- Uns 5 a zero para eles.

Injustiça


Newton, Robson e as esposas estavam tomando um café da noite na casa da vó Diva e planejando o encontro dos Bragas de 1995.

- Pode contar que Braga guarda segredo, diz com um desinteresse mal disfarçado, a tia Diva. Estava curiosa para saber em primeira mão, alguma coisa da festa.

- A senhora não conta mesmo se a Dione ligar? pergunta Marlene.

- Não conto nada para ninguém, reafirmou. Segredo é segredo, enfatiza tia Diva.

Os dois casais desconversam e seguem fazendo planos.

- Onde está a tia Diva, pergunta Suzete?

Surpresa! Falando com a Dione ao telefone, descobre alguém.

Ligou para contar o que tinha acontecido:

- "Não quiseram contar o segredo para mim porque eu iria telefonar imediatamente para ti, Dione".

Que injustiça!!


Discretíssima


Só estavam na casa a Tia Anita, a Vânia e o Tovar. Faltava pouco para o casamento.

Tia Anita, muito zelosa, tem que dar uma saída rápida. Não tem ninguém para deixar em casa. Preocupada, avisa aos fogosos noivos:

- Vou até a casa da tia Ruth e já volto.

- Já volto, repete mais umas três vezes enquanto catava coisas para levar, caminhando meio desordenadamente, de um lado para outro da casa.

Finalmente saiu com o passo apressado, rua acima.

- Vai demorar uns quinze minutos, contabiliza mentalmente o jovem casal, entre olhares cúmplices.

Passam-se uns belos 15 minutos. Foi rápido, mas valeu a pena, pensavam, os noivos.

Na hora esperada, volta a Tia Anita. Encontra os dois tranqüilos, fazendo exatamente o que estavam fazendo quando havia saído, e pergunta:

- Ué? Cadê a Ruth? Me disseram que ela tinha vindo para cá!

Avaliação dos jovens: Tia Ruth chegou, entrou na casa pela cozinha, sem bater, como sempre fazia. Foi até a porta da sala. Viu e saiu. Discretamente.


Cheiro de Vela


Tovar era conhecido pelo seu porte atlético: 1,90m de altura; 90 Kg. Bíceps de fazer inveja a qualquer Swarzenneger.

No dia do casamento o casal está lá na frente da igreja. De frente para o altar e sob o olhar atento dos convidados. A noiva está embebida de felicidade. Mas tensa.

De repente a Noiva, pelo canto do olho, vê o noivo se ajoelhar.

Fica em dúvida. Pelo ritual deveria ficar de pé.

Quando olha melhor vê o noivo desabar. Nem tentou agarrar.

- Não ia conseguir segurar mesmo, teria dito mais tarde.

Correria na igreja. Aparece um médico. Por precaução recomenda que a cerimônia continue mas com o providencial apoio de uma cadeira. Ficaram sentados, até o final.

- Foi o cheiro da vela, tenta explicar ele mais tarde.


44


Não havia muita festa no sobrado dos Bragas. Viviam com pouco dinheiro. Aniversários, nem pensar. A única festa comemorada era ou o Natal, ou o Ano-Novo.

Em 1926, inspirada pela tia Nini, irmã do vô Leca que morava em Porto Alegre, é feito um presépio. Todos gostaram e a partir daí, a cada ano, os presépios vão ficando mais sofisticados. O de 1938 deixou lembranças. Havia areia, um lago, gramado, artefatos do campo e ocupava quase toda a sala.

No ano novo de 1944 foi feito um churrasco, perto do potreiro. Tio Hélio, quem diria, havia bebido demais. Isto era raro.

Ivone, irmã da Evinha, insinua que ele havia passado da conta. Tio Hélio, preocupado com a auto-imagem, diz que não. Afinal os genros do vô Leca tinham que manter a compostura.

- Então faz um 4, ordena Ivone.

Com algum esforço o moço entrelaça as pernas e abre os braços. Ainda não está livre da suspeita.

Ivone ordena:

- Agora quero que tu vás daqui até lá, assim. Ivone dá alguns passos pé-por-pé, colocando o calcanhar na frente da ponta do pé anterior e depois invertendo, para dar o passo seguinte.

- Não tem problema, diz tio Hélio que começa a dar os passinhos. Percorre todo o trajeto indicado, meio desajeitado, mas cumpre a tarefa. Ao final exclama:

- Que tal hein?

- Ora, se tu estivesse realmente são, não terias feito as bobagens que eu mandei, fulmina Ivone.

O Conselho


O Professor Leão, uma pessoa culta e inteligentíssima, foi padrinho de casamento de quase todos jovens programadores do CPD da UFRGS. Seus discursos eram célebres. Dava abordagens simples para assuntos complexos e ainda com pitadas de bom humor.

- Não conviva com o sub-standard, aconselhava.

Seus prematuros cabelos brancos davam um ar de respeitabilidade ao poliglota e germanófilo "Herr Professor". No meio da festa reúnia os noivos e, com convidados por perto dava seu clássico conselho, olhando seria e formalmente para o noivo com o dedo em riste:

- Não faça na primeira noite, nada que você não vai conseguir fazer nos próximos 20 anos.

Sorrisos amarelos dos noivos, ar de desconforto da mãe da noiva e gargalhadas gerais.

Newton só foi casar muitos anos depois, bem mais velho. O Prof. Leão era padrinho de casamento. Já no fim da festa Newton lembra do conselho e pergunta porque ele não havia sido dado.

- Ora, responde Leão, na tua idade tem que sair dando tudo deste a primeira noite.

Só com Música


Na preparação do III Encontro, foi feita uma reunião na casa da Mariza e do Ivo em Gramado. Esta muito frio, chovendo e a neblina era tão forte que, da porta da cozinha, não se consegui enxergar a churrasqueira do outro lado do pátio.

O clima estava perfeito. Tomou-se muito vinho e as mulheres não puderam sair para fazer compras. Assim ficamos juntos, dentro da casa aquecida pela lareira batendo papo e ouvindo música todo o tempo.

No sábado descobriu-se que havia uma única fita k7. Uma seleção das melhores músicas do Emílio Santiago. Tânia cantarolava mostrando toda sua ginga e recurso de voz. Sabia a letra de todas as músicas. No segundo dia, a mesma fita já tinha sido ouvida dezenas de vezes. Não dava mais para agüentar. Entretanto, batia o silêncio e de repente alguém colocava o Emílio de volta. Todos foram embora no domigo à tarde.

Algumas semanas depois Ivo começa a perguntar para cada um, delicadamente:

- Por acaso voce não levou a fita? Poderia haver algum descuido.

Ninguém sabia da fita. Ela sumiu definitivamente.

O que causou estranheza foi a insistência do Ivo. Ele estava mais preocupado do que deveria. Isto foi o suficiente para que as más línguas insinuassem:

- Ele só "funciona" ao som do Negrão.

Mariza sorri enigmaticamente.

Braga Modelo Econômico 1


O hábito de poupar é mais forte do que a razão. Tia Ruth descascava pêssegos para fazer doce quando alguém pergunta:

-Ruth, porque você tira o caroço?

- Para gastar menos açúcar, ora.

Braga Modelo Econômico 2


Tia Anita estava fazendo o enxoval da Vânia, quando alguém, olhando o lençol na máquina de costura, reparou:

- Esta bainha está virada para o lado errado!

Tia Anita, confirmando o problema, lamenta:

- Que pena. Vou perder toda a linha que gastei.


As Malas


Sempre houve alguns códigos secretos na família. A boa reputação das netas do vô Leca era uma preocupação obcessiva das mães. O caso da Marlene, que perdeu a mãe muito cedo, exigia mobilização das irmãs. Elas desempenhavam a guarda com a discrição recomendada pela época, mas com firme determinação. Sempre havia uma das irmãs da Alípia que sabia exatamente o que a Marlene estava fazendo, com quem e aonde. No Mariante a guarda cabia a tia Nilce; em Porto Alegre, à Tia Diva, e assim por diante.

Em outras palavras, não tinha a menor chance.

Em 1961 Marlene casou com Sérgio. A festa foi no Mariante. No mesmo sábado à noite o casal chegou em Porto Alegre, para passar a tão esperada Lua de Mel, no recém apartamento alugado na Protásio Alves, em Petropólis.

- Se for preciso, é só chamar, teria dito tia Diva para Marlene no sábado do casamento.

As irmãs tinham dado a ela parte final da missão de guarda. Final e "muito importante", teriam concluído após uma sisuda reunião. Tudo era bem planejado.

Tia Diva estava em casa, no Partenon, de plantão. Pronta para intervir. Ela tinha poucos recursos para executar a missão. Na época não havia nem telefone para uma ligadinha discreta.

Domingo pela manhã, e nenhuma notícia dos recém casados.

- Isto é um bom sinal, pensou tia Diva.

Provavelmente tinha um plano pronto para cada emergência possível. Braga pensa em tudo. Normalmente começam pela coisas ruins e se martirizam com isto. Como a realidade não consegue ser tão terrível quando os seus sinistros pensamentos, o final acaba sendo sempre do tipo "Está tudo bem. Mas poderia ter sido pior".

Domingo de tarde, e nada. Anoiteceu. E nenhuma notícia dos noivos. A falta de notícia, que até então era uma boa notícia, se transforma em preocupação.

Segunda-feira de manhã e a Marlene não aparece. Tia Diva entra em pânico.

- O que será que aconteceu com a minha querida sobrinha?

Segunda-feira, ao meio-dia, Tia Diva não resiste mais.

-Chega de esperar. É necessário agir! Dispara um dos (muitos) planos de emergência. Determinada, pega um ônibus (não se tinha carro na época) e vai até o apartamento do jovem casal. Sobe, ofegante, os três andares de escada. Descansa um pouco para recuperar o fôlego e toca a campainha. Insiste e ninguém atende. A situação era grave.

- A minha noite mal dormida não tinha sido em vão, pensou tia Diva. Bate mais forte, quase que desesperadamente. Agora era uma pancadaria na porta.

- Aquele cara nunca me enga...

- "Já vai", diz Marlene, com uma vozinha melosa, lá de dentro, interrompendo os pensamentos da tia desesperada.

A porta abre e lá estava Marlene de chambre, meio descabelada, com um sorriso no rosto. Radiante de felicidade.

As malas ainda estavam na entrada, fechadas. Exatamente no lugar onde haviam sido largadas no sábado à noite.

Êta Pereira.


Dia de Cão


Sérgio gostava de receber os parentes e amigos para um churrasco. Suas qualidades no espeto fizeram a felicidade gastronômica dos domingos de muita gente.

Tudo isto regado a uma caipininha competente e uma conversa sempre vibrante, comandada pelo dono da casa. Sempre tinha estórias para contar. Às vezes soltava a veia artística dos Pereiras com poesias gaudérias, declamadas com emoção e voz para encher um galpão (rimou, foi a inspiração da lembrança).

Para Robson, o único guri disponível para as pequenas compras de última hora, era dia de trabalho. Tinha que sair, bem no meio do papo, a cata de refrigerante para os penetras retardados, Cerveja para os penetras contumazes, sal, cebola, fósforo, batata, ovos para fazer mais maionese, farinha de mandioca. E tudo isto no domingo, quando todos bons supermercados e armazéns estavam fechados. Parecia tarefa impossível de gincana. Na hora faltava as coisas mais incríveis. Mas nosso super-guri jamais falhava. O guri recebia a missão e pouco tempo depois voltava sacudindo a sacola de plástico na mão. E a missão tinha que ser cumprida a pé, é claro. Um dia ainda vão descobrir de onde ele conseguia todas aquelas coisas.

Quando eles ainda moravam na Protásio Alves, cada missão implicava em descer três andares de escada. E depois subir, carregando a sacola cheia. Não bastava a esperteza para dar cabo da tarefa. Tinha que ter força também.

Uma vez mandaram o guri comprar "Continental com Filtro" (o Pereira ficou mais sofisticado depois que saiu do Mariante). O guri volta. Sobe os três andares de escada e anuncia:

- Pai, não tem.

- Como não tem. Vai lá de novo.

Só depois da terceira tentativa frustrada descobriram que o Robson, com seus 5 anos, estava pedindo no bar "Continual Fram Quico". Deve ter sido falta de oxigenação provocada pelo excesso de esforço.

Mais tarde, na Vila dos Comerciários não tinha escada, mas também não tinha onde comprar por perto.

- Para mim, "dia de churrasco é dia-de-cão", resumia sua sina dominical, parafraseando o filme de Dustin Hoffmann (Dia de Cão), que fazia sucesso na época.


Freio de Mão


Néio, com seus 14 anos, mostra para Marlene o carrinho de lomba feito com rodas de carrinho de criança.

- Tem até freio, dizia mostrando uma alavanca de madeira que arrastava no chão, quando puxada na parte de cima.

Vão até a rua Farias Santos, que era em descida, e que chegava na Protásio Alves (uma avenida movimentadíssima, de fluxo contínuo).

Néio na frente e o sobrinho, Robson, com seus 4 anos atrás. Marlene ainda adverte.

- Cuidado com a esquina.

- Não tem problema, a gente freia e faz a curva.

Néio anda um pouquinho e testa o freio. A ponta da madeira raspa no chão e o carro pára.

- O freio funciona, concluiu.

Só não disseram que roda grande em carrinho de lomba dá uma velocidade enorme. É como despencar lomba abaixo com uma bicicleta, sem freio.

O bólido ganha velocidade.

A uma distância segura da esquina o motorista puxa a alavanca do freio no meio das pernas. Está rápido demais. Puxa mais forte e a velocidade continua a aumentar.

Binho, sentado atrás está radiante com a brincadeira do carrinho do Tio. O Tio está assustado. Marlene vem correndo atrás desesperada, gritando:

- Freia, freia, freia.

Finalmente o atrito com o chão desgasta o sarrafo que deixa de tocar no solo. Estão sem freio, em corrida destrambelada rumo à avenida.

Foram salvos por um solavanco maior que capota o carrinho. Saem os três rolando pela calçada até baterem no muro. Quebrados do tombo, mas vivos.

A Caneta do Poeta


Quando concluíram o primeiro grau em Mariante, Celso e Sérgio se mudaram para Taquari, para poderem continuar a estudar.

- Foi lá que eu peguei o meu, lembra a Dalva como toda a sua simpatia e expontaniedade.

Quando concluíram o segundo grau, os gêmeos se mudaram para Porto Alegre. Iam tentar passar no Vestibular. E trabalhar para pagar os próprios estudos. Celso passou, na primeira tentativa, no concorrido vestibular para Ciências Contábeis da UFRGS. Um feito notável que demostrava competência, determinação e muita vontade de vencer.

Em 1973, suas qualidades eram mais uma vez colocada à prova. Celso havia feito concurso para fiscal do ICM. Foi reprovado na prova de português. A banca não concordou com sua interpretação de uma poesia de Vinícius de Moraes.

Entra com recurso. Em vão.

Só restava uma chance. Celso descobre que Vinícius estava fazendo um show em São Paulo. O jovem, que nunca havia saído do estado, embarca num ônibus para uma tentativa final.

Consegue chegar em São Paulo e hospeda-se no mesmo hotel do Vinícius. O Poeta estava muito ocupado, atendendo imprensa, outros artistas em busca de oportunidade e detalhes do show. E sempre com um copo de Whisky na mão.

Numa destas consegue entrar no mesmo carro do poeta. Um assessor, já com pena daquele rapaz persistente, lembra:

- Vinícius, vamos resolver o problema do gaúcho aqui.

Vinícius lê a petição e assina, atestando que a interpretação do candidato estava correta.

"A intrepretação do próprio autor é a única que não pode ser contestada", foi o parecer, meio a contragosto, do relator do recurso.

Celso consegue o queria. Estava passado no concurso.

- E a caneta?

- Que caneta? A do título.

- Ah, sim!

Vinícius assinou a petição e ainda deu a caneta de presente para o Celso.



Realização

Fundação

Leca Braga
Missão: "canalizar as ações assistenciais dos

descendentes de Anna&Leca Braga para a região do Mariante, dando aos encontros da família uma dimensão benemérita".

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