Nilma Helena França Gibertoni



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TURISMO E GERONTOLOGIA:

ELO DE CONTRIBUIÇÃO DE DESENVOLVIMENTO BIOLÓGICO, PSICOLÓGICO E SÓCIO-EDUCATIVO DO IDOSO.
Movimentos Culturais e Sociais como Espaço Educativo

Nilma Helena França Gibertoni


ASSER / UNICEP

Em cada momento, em cada estudo junto aos idosos, percebemos e adquirimos novos sentimentos, emoções, testamos nossos limites, informações são adquiridas e experiências são trocadas.

Quanto a esta pesquisa, pude sentir a amplitude e grandiosidade que este seguimento traz a todos que dele participa. Foi dado ênfase na importância da boa vivência do idoso, sem a intenção de estudar em profundidade o envelhecimento ou seu retardo.

Teve como objetivo, mostrar a importância do turismo-lazer para a terceira idade, sua contribuição para o desenvolvimento biológico, psicológico, sócio-educativo, e o conhecimento do turista real e potencial.

A metodologia foi fundamentada em conceitos baseados nas principais contribuições em Gerontologia e Turismo, confrontados com os dados coletados da pesquisa de campo.

Foram abordados os:



  • Aspectos biológicos, psicológicos e sociais do envelhecimento: sendo analisado o envelhecimento como etapa da vida, onde ocorrem mudanças de ordem biopsicosocial, que afetam a relação do indivíduo com o meio; mostrando condições de mudanças, acreditando no potencial de transformação do idoso, através de contatos sociais onde normalmente as pessoas buscam os outros quando experimentam alegria, tristeza e stresse;

  • Aposentadoria, tempo livre e lazer: modificando a percepção de lazer, como um dos valores mais importantes para o preenchimento do tempo livre (ócio), diminuindo tensões e eliminando o desgaste físico-mental; e

  • Turismo: análise dos atrativos turísticos, equipamentos e serviços de infra-estrutura de apoio turístico para a terceira idade.

A pesquisa bibliográfica foi complementada pela Pesquisa de Campo, realizada através de amostragem, por questionários aplicados em indivíduos que freqüentam grupos de Convivência para Terceira Idade e de indivíduos escolhidos aleatoriamente em locais públicos, consultórios, supermercados num total de 100.

Dos 100 questionários, 30 foram desprezados, pois, somente indivíduos com mais de 60 anos que deveriam fazer parte da amostragem. Dos 70 restantes, 50 foram confirmados como turistas reais e 20 como turistas potenciais.

O turista real faz parte de grupos da 3ª idade. Nas sua maioria são do sexo feminino, num total de 40, entre 60 anos a 83 anos, casadas ou viúvas. A renda mensal (soma da aposentadoria + pensão do marido) varia entre R$ 200,00 a R$ 2.000,00.

Quanto ao sexo masculino, formados pelos 10 indivíduos, todos aposentados, a faixa etária é de 60 a 73 anos, casados com salário mensal R$ 200,00 a R$ 3.000,00.

Ambos os sexos, dão preferência no seu “tempo livre”, a viagem de um dia.

Viajam por lazer, como forma de conhecer coisas novas, proporcionando um relacionamento com pessoas, raças e culturas diferentes.

Analisando os depoimentos apresentados nos questionários de turismo como lazer:


  • é o melhor momento da minha vida;

  • é o relacionamento entre pessoas de diferentes locais;

  • nunca teria coragem ou oportunidade de fazer o que fiz (toboágua, flouting);

  • se meu pé, pernas, ossos doem, valeu a pena pelo dia que passei;

  • mais um dia bem vivido;

  • aprendo muito;

Confirma as palavras de LIMMERMANN (1996)

“... este momento revela elementos como interação e relacionamentos, percepções, motivações, satisfações e noção de prazer, etc...”

Quanto ao local físico foram unânimes em afirmar que deve ser limpo, com piscina para lazer e hidroginástica, salão de jogos, local para caminhadas e baile.

Viajam quase todos os meses. Participam de encontros culturais e esportivos.

Realizam bingo, rifas, pagam mensalidades, para abater o preço dos passeios e ajudar os que possuem baixo salário.

Os turistas potenciais, que possuem “tempo disponível”, renda e vontade de viajar, não realizam esta atividade pois encontram sempre uma “desculpas” para que isso não se realize.

Fizeram, parte da analise 15 indivíduos do sexo masculino, com salário de R$ 1.000,00 a R$ 4.000,00, casados, aposentados, com atividades no comércio ou no artesanato.

O perfil do turista potencial feminino num total de cinco(5), de 60 a 83, são viúvas, com salário de R$ 200,00 a R$ 500,00. Não viajam porque são responsáveis pelos netos, fazem também artesanato como forma de aumentar a renda.

Ambos os sexos gostariam de viajar como lazer.

O turista potencial pode-se tornar um turista real, desde que o incentive, mostrando a importância do lazer, seus direitos como indivíduo, como forma de novos relacionamentos, conhecimento e integração.

Através da metodologia empregada, pudemos confirmar os objetivos propostos, demonstrando a importância do turismo para a 3ª idade, como também o conhecimento do perfil do turista real e potencial.

Percebemos que os indivíduos que participam dos grupos comunitários têm uma organização de seu dia-a-dia bastante diferente daqueles que não participam. O turismo como lazer proporciona ao idoso a possibilidade de iniciar novos relacionamentos afetivos, novos costumes e hábitos, conhecimento, gosto e preferência que contribuam para dar um sentido mais positivo para sua velhice.

Embora a pesquisa demonstre pontos positivos no relacionamento do idoso de igual para igual, deve-se tomar precaução para que não se transforme em segregação , que não se isole e se distancie das pessoas de outras idades.

É chegada a hora de darmos atenção a educação e a saúde do idoso, para que ele possa desfrutar a sua vida, com dignidade que tem direito.

Precisam ser incentivados para o lazer, entendendo como forma de descanso, de distração, novos relacionamentos e de desenvolvimento sócio-educativo, engajamento e mudanças positivas no seu comportamento.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, José Vicente de. Turismo: fundamentos e dimensões. 5. ed. São Paulo: Ática, 1998. (Série Fundamento, 98).


DEECKEN, Afonso. Saber envelhecer. Tradução: Carmem Maria T de Lyra. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
ERBOLATO, Regina M. P. de. Gostando de si mesmo: a auto-estima. In: NERI, Anita Liberaleno; FREIRE, Sueli Aparecida (org.). E por falar em boa velhice. Campinas: Papirus, 2000.
LIMMERMANN, Adonis. Turismo Rural: um modelo brasileiro. Florianópolis, Ed. Do Autor, 1996.
LOPES, Alzira C. Como viver feliz seus 100 anos. São Paulo: Paulina, 1993.
MEDEIRO, S. L. Saúde e qualidade de vida na opinião dos idosos. Gerontologia, n.2, v.1, jul./dez., 1994.
RODRIGUES, Mara Costa; RAUTH, Jussara. Os desafios do envelhecimento no Brasil. In: FREITAS, Elisabeth Viana et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.


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