“No cemitério de Batalhão os mortos do Jenipapo Não sofrem chuva nem sol; o telheiro os protege



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Discurso pronunciado pelo Senhor Deputado Assis Carvalho (PT/PI) em Sessão Solene de 14.03.2011,

no Senado Federal



No cemitério de Batalhão os mortos do Jenipapo

Não sofrem chuva nem sol; o telheiro os protege

Asa imóvel na amplidão campeira.”

Carlos Drummond de Andrade

Senhor Presidente!

Senhoras e Senhores Deputados!

Queremos saudar a todas e a todos os que aqui vieram e em especial às mulheres que comemoraram no último dia 8 de março o Dia Internacional da Mulher. Mas, sobretudo, saudar ao povo do Piauí, do Meio Norte, do Maranhão, Ceará e Pará, aos representantes aqui presentes..... ...... ....... e agradecer pela presença. Quero saudar de maneira muito especial o Senador Wellington Dias – com quem compartilhei este pedido de Sessão Solene – e aos deputados Jesus Rodrigues, que também subscreveu nosso requerimento, Nazareno Fonteles e a suplente de Senadora Regina Souza, e todos os que vieram render esta homenagem ao Dia da Batalha do Jenipapo.



O Brasil precisa reconhecer o dia 13 de março de 1823 como uma data de suma importância para a nossa história. Não fosse a Batalha de Jenipapo, certamente o Piauí, o Maranhão e o Ceará seriam uma colônia portuguesa, provavelmente uma Guiana. O Piauí travou uma batalha sangrenta pela independência deste país. Essa Sessão Solene é mais uma oportunidade de contribuir para o Brasil conhecer e reconhecer essa parte importante de sua história.

O Brasil precisa saber que o Piauí se insurgiu contra a Coroa Portuguesa, contra o Presidente da Província, o Major João José da Cunha Fidié, que recusava o reconhecimento de nossa independência, declarada pelo próprio Imperador Dom Pedro I, em 1822, às margens do Riacho do Ipiranga, no Estado de São Paulo. Surge então um movimento separatista, liderado por Fidié e incentivado pela Coroa que pretendia desmembrar o Piauí, Maranhão, e parte dos estados do Ceará e Pará, que definimos como Meio Norte, para a criação de uma nova Colônia Portuguesa.

O Brasil precisa reconhecer este episódio que se deu de nossa história, quando numa batalha sangrenta, os brasileiros do Piauí enfrentaram este movimento liderado pelo experiente militar português, com atuação em guerras napoleônicas para declarar fidelidade ao Brasil e a adesão à declaração de independência, conhecida popularmente como o “Grito do Ipiranga”.

O Piauí respondeu “Independência ou Morte”. Foi numa batalha sangrenta, onde os bravos da resistência de Campo Maior deram suas vidas, derramaram seu sangue pela Independência do Brasil. Foram três episódios que merecem respeito. O levante de Parnaíba, a batalha de Campo Maior e a declaração de Oeiras, a Capital da Província.

A luta começa ainda em 1822, com o surgimento do movimento de resistência da Vila de São João da Parnaíba, onde os patriotas brasileiros sob a liderança de Simplício Dias da Silva e João Cândido de Deus da Silva. Daí a data 19 de outubro ser considerada oficialmente como o “Dia do Piauí”. Mas outras duas datas são por demais importantes para história do Piauí e do Brasil.

O Piauí declarou-se independente de Portugal em 24 de janeiro de 1823, quando Manoel de Souza Martins, Visconde da Parnaíba, aproveitando a ausência do Comandante Fidié, que retornava de Parnaíba, onde fora sufocar o movimento rebelde. O comandante foi surpreendido pela notificação da Declaração de Oeiras e marchou de volta com suas tropas para manter o Piauí como colônia portuguesa no Brasil.

No caminho de volta são surpreendidos, mais uma vez, por revoltosos do Movimento de Campo Maior, liderados pelo alferes Leonardo das Dores Castelo Branco, herói estadual que, entrincheirado ao longo do Riacho Jenipapo, com um agrupamento formado por cerca de dois mil homens, entre vaqueiros, lavradores e pescadores piauienses e cearenses, sem nenhum treinamento militar, e armados apenas com o sentimento de liberdade, tentam interceptar o exército português. Na batalha desigual, onde velhas espadas, facas, pedras e paus enfrentaram canhões e homens fortemente armados, onde a astúcia valeu mais que o poder bélico.

Embora os combatentes da Batalha do Jenipapo não tenham derrotado os portugueses, a Guerra da Independência foi vencida pelos piauienses. Durante a retirada das tropas da Coroa, um destacamento de soldados da cidade cearense de Sobral atacou as tropas inimigas e lhes tomou parte do armamento e da munição. Este fato, aliado às baixas sofridas, forçou o Comandante Português a abandonar o Piauí e refugiar-se em Caxias, no vizinho estado do Maranhão. Em 31 de julho de 1823, Fidié e suas tropas foram cercados por piauienses, maranhenses e cearenses e forçados a render-se. Estava consolidada a Independência do Brasil e preservada a unidade nacional.

Por tanto, Senhor Presidente!

O Piauí se sente honrado, orgulhoso e grato no dia de hoje, nesta data histórica, com a realização desta Sessão Solene de homenagem ao povo, de Campo Maior, de Parnaíba, de Oeiras, que, 30 anos antes da fundação da nova capital, Teresina, em 13 de março de 1823, foram decisivas para a consolidação da Independência e Unidade nacional do Brasil.

É possível afirmar que a Batalha do Jenipapo, juntamente com a campanha baiana, foram notáveis manifestações do heroísmo nordestino brasileiro. Queremos, pois, além de render essa singela homenagem, o reconhecimento deste Parlamento Brasileiro e do Brasil para este fato histórico ocorrido em nosso estado e que é o maior orgulho de nosso povo, de nossa gente.

Para além do poema do poeta mineiro Carlos Drumond de Andrade, nos leve o patriotismo de Da Costa e Silva: “E levem pelas quebradas, pelas várzeas e chapadas, teu canto de exaltação. Sob o céu de imortal claridade, nosso sangue vertemos por ti. Vendo a Pátria pedir liberdade, o primeiro que luta é o Piauí”.

Peço licença para solicitar a transcrição na integra do Hino do Piauí, para que conste nos Anais deste Congresso Nacional.

Muito obrigado!



Hino do Piauí

(Letra: Antonio Francisco Da Costa e Silva/ Música: Firmina Sobreira Cardoso)

 

Salve! terra que aos céus arrebatas



Nossas almas nos dons que possuis:

A esperança nos verdes das matas,

A saudade nas serras azuis.

 

Piauí, terra querida,



Filha do sol do equador,

Pertencem-te a nossa vida,

Nosso sonho, nosso amor!

As águas do Parnaíba,

Rio abaixo, rio arriba,

Espalhem pelo sertão

E levem pelas quebradas,

Pelas várzeas e chapadas,

Teu canto de exaltação!

 

Desbravando-te os campos distantes



Na missão do trabalho e da paz,

A aventura de dois bandeirantes

A semente da Pátria nos traz.

 

Piauí, terra querida,



Filha do sol do equador,

Pertencem-te a nossa vida,

Nosso sonho, nosso amor!

As águas do Parnaíba,

Rio abaixo, rio arriba,

Espalhem pelo sertão

E levem pelas quebradas,

Pelas várzeas e chapadas,

Teu canto de exaltação

Sob o céu de imortal claridade,

Nosso sangue vertemos por ti,

Vendo a Pátria pedir liberdade,

O primeiro que luta é o Piauí.

 

Piauí, terra querida,



Filha do sol do equador,

Pertencem-te a nossa vida,

Nosso sonho, nosso amor!

As águas do Parnaíba,

Rio abaixo, rio arriba,

Espalhem pelo sertão

E levem pelas quebradas,

Pelas várzeas e chapadas,

Teu canto de exaltação

 

Possas tu, no trabalho fecundo



E com fé, fazer sempre melhor,

Para que, no concerto do mundo,

O Brasil seja ainda maior.

 

Piauí, terra querida,



Filha do sol do equador,

Pertencem-te a nossa vida,

Nosso sonho, nosso amor!

As águas do Parnaíba,

Rio abaixo, rio arriba,

Espalhem pelo sertão

E levem pelas quebradas,

Pelas várzeas e chapadas,

Teu canto de exaltação

 

Possas Tu, conservando a pureza



Do teu povo leal, progredir,

Envolvendo na mesma grandeza

O passado, o presente e o porvir.


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