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O DÍZIMO
NO NOVO TESTAMENTO E

NA IGREJA CRISTÃ




Angel Manuel Rodríguez

Biblical Research Institute, Silver Spring, MD

O Dízimo no Novo Testamento e na Igreja Cristã


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O D Í Z I M O


NO NOVO TESTAMENTO E NA

IGREJA CRISTÃ










Angel Manuel Rodríguez

Biblical Research Institute

Silver Spring, MD

Departamento de Mordomia da Associação Geral


INTRODUÇÃO

Nosso estudo anterior a respeito do dízimo na Bíblia indicou que a prática e a teologia do dízimo tem sua origem no Velho Testamento. Isso levanta algumas questões referentes à relevância da lei para a igreja cristã. Em que medida essa transferência é valida e defendível? No caso de ser defendível, que parte da legislação deve ser incorporada pela igreja e em que base isso deve ser feito? Há alguma evidência ao fato dos cristãos sustentarem o ministério do evangelho por meio dos dízimos? Devemos enfrentar e tratar essas questões a fim de revelar o fundamento bíblico para a prática do dízimo na igreja cristã. Neste tema, pode-se imediatamente detectar elementos de continuidade e descontinuidade entre os dois Testamentos que deveriam ser seriamente considerados por todo aquele que busca compreender esse assunto importante.





FUNDAMENTO PARA A PRÁTICA CRISTÃ DO DÍZIMO

O chamado aos cristãos para sustentarem o ministério evangélico por meio dos dízimos, normalmente, fundamenta-se na evidência reunida no Velho e Novo Testamentos.


Origem Pré-Israelita
Já vimos que no Velho Testamento o dízimo não era um requisito cerimonial imposto por Deus sobre os israelitas apenas e exclusivamente como resultado da aliança que Ele fez com eles no Sinai. Embora a origem dessa prática seja desconhecida aos historiadores do pensamento e das práticas religiosas, ele já é mencionado no Velho Testamento, antes de se tornar prática israelita. Naquela ocasião, o dízimo era considerado como algo comum entre o povo de Deus, conforme evidenciado pelas experiências de Abraão e de Jacó (Gênesis 14, 28). O interessante é que Abraão entregou seu dízimo a um reino e sacerdote que vivia na cidade cananita, mas que era adorador de Yahweh. O dízimo foi aqui recebido por uma pessoa não relacionada com o patriarca, sugerindo que essa prática não se limitava a um único grupo étnico.
Apoiado por Jesus
O que Jesus diz em Mateus 23:23 e Lucas 11:42 é um claro endosso ao dízimo.1 Jesus está condenando os fariseus que são extremamente cuidadosos no dízimo, mas “desprezam a justiça e o amor de Deus” (Lucas 11:42). Ou, como Mateus apresenta, “mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade” (23:23). Jesus está ecoando as palavras de Amós: o zelo religioso e o compromisso para com a justiça, misericórdia e amor devem estar juntos (cf. Lucas 18:12). Então Ele acrescenta: “Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas [dízimo]”, NVI.
Pode-se argumentar que Jesus estava falando como judeu e que, portanto, não se deve aceitar Seu comentário como tendo valor para os cristãs porque depois da cruz esse sistema foi findado.2 Porém, essa linha de argumentação carece de fundamentação séria.3 A passagem é absolutamente clara quanto à atitude de Jesus em relação ao dízimo,4 e em nenhum outro lugar no Novo Testamento somos informados a respeito da mudança de Sua visão quanto ao dízimo.
Deveríamos ter em mente que o evangelho de Mateus foi escrito muito depois da ressurreição e ascensão de Jesus e que foi escrito por cristãos de origem judaica. Para eles, as palavras de Jesus teriam significado uma reafirmação do dízimo e não uma rejeição dele pelos cristãos.5 Por outro lado, Lucas foi escrito para uma audiência não judaica e, ao usar as palavras de Jesus referente ao dízimo, parece que está encorajando os cristãos a devolverem o dízimo.6 As palavras de Jesus, proferidas originalmente aos hostis líderes judeus, são agora usadas pelos escritores bíblicos para instruir a igreja. Ao ouvir e ler os evangelhos de Mateus e Lucas, as comunidades cristãs estão sendo convidadas a fazerem exatamente o que Jesus estava requerendo de sua audiência original. Cristo estava endossando o princípio do dízimo no Velho Testamento entre seus seguidores.7
Inferido por Paulo
Paulo instruiu os crentes quanto à importância de fazer provisão para as necessidades daqueles que se dedicavam ao ministério do evangelho. Em I Coríntios 9:13 ele está primeiramente se referindo ao sistema usado no Velho Testamento para atender às necessidades daqueles que oficiavam no templo. Isso era feito principalmente por meio do dízimo e, em limitada extensão, por meio das ofertas (cf. Números 28:8-24). Paulo prossegue ao traçar um paralelo entre os sacerdotes e levitas e aqueles que estavam proclamando o evangelho. Ele parece estar argumentando que os envolvidos no ministério do evangelho deveriam recebem os meios para sua subsistência, pelo menos, da mesma forma que se procedida com o sistema sacerdotal do Velho Testamento. Em outras palavras, ele estava usando a lei do Velho Testamento referente ao dízimo como modelo para as dádivas dadas pelos cristãos.
O apóstolo está informando a igreja de que, com respeito ao sustento do ministério, “não devemos fazer menos do que o requerido pela lei judaica”.8 A implicação é que Paulo não considera o dízimo como incompatível com a vida cristã, antes que ele o vê como útil e necessário no cumprimento da missão da igreja ao mundo. Note que a idéia de que aqueles que proclamam que o evangelho deveriam ser sustentados por aqueles que crêem no evangelho, não é a idéia de Paulo, mas do Senhor; Jesus mesmo, ordena-o. O verbo traduzido para “mandar” (diatasso), designa uma declaração oficial e com autoridade dada, nesse caso em particular, pelo Senhor para a igreja.
Perspectiva Positiva em Hebreus
A passagem mais longa sobre o dízimo, no Novo Testamento, está registrada em Hebreus 7:1-10, e revela uma disposição positiva em relação a ela. O autor está analisando o encontro entre Abraão e Melquisedeque, e afirmando certos pontos teológicos significativos em sua argumentação. O fato de que Abraão deu o dízimo a Melquisedeque é tido como clara evidência da superioridade do sacerdócio de Melquisedeque sobre o de Arão. A passagem pressupõe que o dízimo é uma prática divinamente ordenada. Não há rejeição do dízimo, antes um reconhecimento implícito de seu valor e significância.9 É interessante observar que visto que Melquisedeque era um tipo de Jesus, pode-se sugerir que, de forma simbólica, Abraão estava devolvendo seu dízimo a “Jesus”.
Resumo
Podemos concluir que o dízimo, certamente, não é incompatível com a mensagem cristã e que não pode e não deveria ser restrito ao sistema cerimonial do Velho Testamento. Nesse sentido o Velho Testamento em si aponta para o fato de que o sistema de dízimos existia como uma expressão da convicção religiosa muito antes que existisse um israelita. Para o cristão, o dízimo não é apenas uma prática do Velho Testamento irrelevante para os crentes, mas parte da compreensão cristã da verdadeira mordomia. Pode-se, de fato, sugerir que “a prática dos cristãos devolverem o dízimo surgiu da tradição hebraica e é aí onde descobrimos seu rico significado”.10
No que diz respeito ao dízimo, o pouco que o Novo Testamento fala sobre ele sugere conformidade com o princípio do Velho Testamento de devolver a Deus um décimo de tudo o que ganhamos e lembra-nos de seu propósito e importância. O Novo Testamento condena o dízimo como uma manifestação de justiça própria e desafia o crente a também praticar a justiça, misericórdia e amor (Lucas 18:12; Mateus 23:23). O propósito básico para devolver o dízimo permanece o mesmo: O Senhor o utiliza como meio de sustento daqueles que dedicam sua vida a proclamar o evangelho. O significado teológico do dízimo no Velho Testamento reside exatamente no fundamento do dízimo cristão.



ELEMENTOS DE DESCONTINUIDADE

Havendo dito isso, é necessário reconhecer que, com respeito ao dízimo, há diferenças significativas entre o Velho e o Novo Testamentos que devemos levar e conta antes de chegarmos a conclusões finais. As diferenças são importantes mas, como observaremos, não indicam mudança no sistema ou descontinuidade radical.


Relacionado ao Santuário e ao Templo
O dízimo estava associado no Velho Testamento com o santuário e com o templo como a habitação do Deus entre Seu povo. Os cristãos consideram o templo israelita totalmente desnecessário porque agora têm acesso ao santuário celestial onde Cristo está intercedendo por eles diante do Pai. A igreja, como o lugar de encontro para os cristãos, não é o equivalente do templo israelita. No Novo Testamento ela é chamada, sem dúvida, de templo espiritual, mas não deve ser confundido com o templo da mesma natureza e função do templo israelita. O antecedente histórico das igrejas cristãs é, antes, a sinagoga judaica, que era um lugar de culto e para o estudo das Escrituras. A cristandade não tem um lugar centralizado de culto que possa ser associado com o sistema de dízimo.
Relacionado aos Levitas e Sacerdotes
Os cultos do Velho Testamento estavam sob o controle do sistema sacerdotal, e Deus designara o dízimo aos levitas e sacerdotes. Esse não é o caso no Novo Testamento. O sistema sacerdotal findou com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, que é agora o único que mantém o ofício sacerdotal na igreja. Não há levitas na igreja. Os ministros do evangelho não são vistos como sacerdotes. Seu ministério tem como modelo o ministério terrestre de Cristo e não o sistema sacerdotal do Velho Testamento. A igreja cristã não possui sacerdotes e levitas para receberem o dízimo do povo.
Os levitas Entregavam o Dízimo aos Sacerdotes
No sistema israelita os levitas recebiam o dízimo e então devolviam um décimo dele aos sacerdotes. Visto que não há sacerdotes na igreja cristã, simplesmente, é impossível seguir essa prática. É evidente que no Velho Testamento, o dízimo estava diretamente associado com a administração levítica do dízimo, tornando impossível transferir para o Novo Testamento o mesmo sistema encontrado no Velho Testamento.



PESQUISA DOS PRINCÍPIOS

Tendo em vista que encontramos elementos significativos de descontinuidade e continuidade entre o Velho e o Novo Testamentos na questão do dízimo, é necessário concluir que ao transferir a prática do dízimo para a igreja cristã, devemos considerar os princípios subjacentes no sistema. Ou seja, deve-se reconhecer que embora os detalhes externos dos sistemas passam variar, há alguns princípios fundamentais que podem ser incorporados ou expressados em uma configuração diferente. Há alguns princípios imutáveis no sistema do Velho Testamento que podem ser facilmente incorporados na teologia e prática cristãs.


Procedimentos Diferentes no Velho Testamento
O Velho Testamento em si indica que a logística do dízimo pode variar. Fica claro que o sistema levítico não é indispensável para o dízimo; que ele não pertence à essência dele. Sabemos disso porque, antes que houvesse um levita, o dízimo já fora praticado por Abraão e Jacó. De imediato, isso permite a implementação do dízimo na igreja cristã mesmo na ausência de um sistema levítico.
Relevância da Teologia do Dízimo
Segundo, a teologia do dízimo não está restrita a um ambiente cultural específico ou a um período histórico determinado. Deus sempre deveria ser reconhecido como o Criador do céu e da terra e, portanto, como o legítimo proprietário do universo. O dízimo é a expressão concreta do reconhecimento e aceitação do fato. Por meio dos dízimos, os cristãos proclamam que tudo pertence a Deus, não apenas pela criação mas também pela redenção. A natureza do dízimo como algo santo, ou seja, como pertencendo a Deus e não a nós, transcende o sistema levítico e pode ser incorporado na teologia cristã. É vã a pesquisa bíblica em busca de evidência que apóie a conclusão de que a santidade do dízimo foi descartada por Cristo.
Os Receptores do Dízimo São Apontados por Deus
Embora seja verdade que o elemento mais forte da descontinuidade se encontra na falta de um sistema levítico na igreja cristã, é óbvio que o princípio subjacente é transferível. O dízimo pertencia ao Senhor e não aos levitas. Deus escolheu-os para servi-Lo em tempo integral e decidiu usar o dízimo para prover-lhes as necessidades. Há dois princípios importantes aqui. Primeiro, Deus escolhe aqueles a quem Ele dará o dízimo como um meio de subsistência. A autodesignação não é o meio para se tornar recipiente do dízimo. Segundo, os escolhidos eram aqueles a quem Deus indicava para dedicar sua vida ao serviço exclusivo de Seu povo. O Novo Testamento identifica estes como os ministros do evangelho que eram chamados por Deus e reconhecidos pela igreja para serem instrumentos especiais do Senhor na proclamação do evangelho.
Os Ministros e o Dízimo
A igreja cristã não reconhece a distinção entre seus membros em termos de cargos. O obreiro evangélico é um leigo que realiza determinado serviço para o Senhor e para a igreja. O que é exigido de um membro regular da igreja é também esperado do ministro; ambos devem trazer seus dízimos ao Senhor. A distinção no Velho Testamento entre o sacerdote, levita e o povo de Israel é desconhecida no Novo Testamento. Esse elemento de descontinuidade torna possível e necessário ao ministro devolver o dízimo ao Senhor.
O recolhimento e administração do dizimo e sua conexão com o santuário israelita deve ser cuidadosamente considerado a fim de identificar os princípios por trás da prática. Isto passaremos agora a examinar.



CASA DO TESOURO

A questão que deveríamos examinar agora se relaciona ao uso e administração do dízimo uma vez que foi dado pelo povo ao Senhor. Como ele era coletado, guardado e distribuído para os levitas e sacerdotes? Isso nos irá ajudar a definir os princípios que poderiam então ser usados na igreja cristã.


A Casa do Tesouro no Velho Testamento
O dízimo, obviamente, era levado para algum lugar específico e ali depositado. Identificar a casa do tesouro não é uma questão muito difícil, visto que Malaquias 3:10 identifica-a, explicitamente, para nós: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa...”. “Casa do tesouro” é uma tradução do termo hebraico bayith, “casa, templo, palácio”. É o mesmo termo usado em seguida e traduzido como “em minha casa”. Bayith é muitas vezes usado no Velho Testamento para designar o templo como a “casa/palácio” do Senhor. A casa do tesouro localizava-se no complexo do templo e consistia de salas especiais construídas para o propósito específico de armazenar os dízimos e as ofertas. Isso sugere que a distribuição do dízimo também era centralizada.
Há várias outras passagens nas quais o dízimo está implícita ou explicitamente associado com o santuário ou templo. De acordo com Números 18:21, o dízimo era entregue aos levitas pelo seu trabalho na “tenda da revelação”, ou santuário. Uma conexão mais direta entre o santuário e o dízimo se encontra no verso 24. Os israelitas separavam seu dízimo no lar, traziam-no para o Senhor, apresentando-o como uma oferta. A apresentação do dízimo, como uma oferta, deve ter tido lugar no santuário.
De acordo com Deuteronômio 12:5, 6, os israelitas deviam trazer suas ofertas e os dízimos ao Senhor para um local centralizado e definido onde “o Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas tribos para ali pôr o seu nome, para sua habitação”. Eles deveria fazer isso assim que entrassem na terra de Canaã. O Senhor queria que tivessem um lugar de culto e este seria o Seu santuário. Era a esse lugar que se esperava que os israelitas levassem seus dízimos. A implicação óbvia é que havia uma casa do tesouro centralizada. No reino do Norte de Israel havia dois centros de culto e, aparentemente, as pessoas traziam os dízimos a ambos (Amós 4:4).
Coleta e Distribuição do Dízimo no Velho Testamento
Mais informação referente à coleta e administração do dízimo se encontra em II Crônicas e Neemias, respectivamente, nos períodos pré e pós-exílio. Ambas passagens necessitam de alguma consideração.
O Sistema de Dízimos de Acordo com II Crônicas 31:5-12
Durante a reforma do culto no reinado de Ezequias, foi estabelecido um sistema para coleta e distribuição dos dízimos, em Judá, que pode refletir a forma pela qual o sistema funcionava, não apenas durante os dias desse rei, mas também durante a monarquia. Dentre as características mais importantes do sistema, encontramos:

Centralização da coleta dos dízimos e das ofertas: Como resultado da apostasia do rei Acaz e do povo de Judá, o templo teve de ser fechado e as pessoas deixaram de trazer seus dízimos e ofertas. Durante a reforma, Ezequias pediu que o povo trouxesse suas ofertas e dízimos ao templo. A resposta foi extremamente positiva e foi reunido grande número de bens para o sustento dos levitas e dos sacerdotes (II Crônicas 31:4-8). Foram construídas novas despensas no templo para abrigar tudo o que foi trazido (v. 11).


Os levitas eram as pessoas indicadas para receberem os dízimos e as ofertas: Dois levitas, Conanias e Simei, foram encarregados de armazenar os dízimos e as ofertas no templo. Nessa tarefa foram auxiliados por outros dez levitas. O rei Ezequias e Azarias, o oficial responsável pelo templo, atribuíram-lhes essa responsabilidade (vs. 12-13).
A distribuição dos dízimos e das ofertas era centralizada: Um levita e seis indivíduos eram responsáveis pela distribuição dos dízimos e das ofertas. Esses indivíduos iam às cidades dos sacerdotes “para fazerem com fidelidade a distribuição a seus irmãos, segundo as suas turmas, tanto aos pequenos como aos grandes” (v. 15). Eles também distribuíam o dízimo a “varões da idade de três anos para cima, todos os que entravam na casa do Senhor” (v. 16).
Em acréscimo, era da responsabilidade deles atribuir as porções aos levitas com mais de vinte anos de idade, e a suas esposas e filhos, com base nos registros genealógicos (vs. 17-18). Os homens eram designados para dar uma porção aos descendentes de Arão “que estavam nos campos dos arrabaldes das suas cidades” (v. 19). Este é um grupo diferente do mencionado no verso 15. Eram os sacerdotes que viviam fora das cidades, nas fazendas, e que não deviam ser esquecidos durante a distribuição do dízimo.11
O que encontramos é um sistema centralizado de coleta e distribuição do dízimo, sob o controle e supervisão de indivíduos nomeados pelas autoridades para desempenharem essas tarefas. O diagrama abaixo ilustra o sistema usado na coleta e distribuição do dízimo.
Coleta do Dízimo


Os israelitas trazem o dízimo



Os levitas coletam o dízimo



Templo: Casa do tesouro



Distribuição do Dízimo


Templo: Casa do Tesouro



Distribuído pelos levitas








Levitas

Sacerdotes





Sistema de Dízimo de Acordo com Neemias
Esse sistema é, em certo sentido, igual ao estabelecido por Neemias em Jerusalém (10:38, 39; 12:44; 13:5, 12). Aqueles que voltaram do exílio renovaram sua aliança com o Senhor e expressaram sua disposição de se submeter ao pacto da lei, incluindo as leis que regulavam as ofertas e os dízimos (Neemias 10:37). O procedimento era simples:
a) Em Jerusalém, as pessoas traziam seus dízimos e ofertas para os depósitos da Casa de Deus, o templo. As primícias eram dadas diretamente aos sacerdotes porque, de acordo com a lei, estas lhes pertenciam (10:37).
b) O dízimo era entregue aos levitas, como representantes do Senhor.
c) Fora de Jerusalém, as pessoas não levavam o dízimo ao templo, mas ele era recolhido nas cidades pelos próprios levitas (10:37). Devemos lembrar que os levitas viviam entre os israelitas e não tinham terra por herança. Era mais fácil para o povo dar-lhes do dízimo onde eles viviam do que levá-lo ao templo em Jerusalém. Isso sugere que havia vários centros locais onde o dízimo era recolhido e armazenado.
d) Contudo, um sacerdote devia acompanhar os levitas quando estes recebiam o dízimo (v. 38a). Isso protegia a integridade do sistema.
e) Os levitas traziam “o dízimo dos dízimos à casa do nosso Deus, para as câmaras, dentro da tesouraria” (v. 39a). Embora o texto não nos informe, provavelmente, esse dízimo era distribuído entre os sacerdotes (cf. 13:5).
f) Homens eram selecionados para estar a cargo dos depósitos “para as ofertas alçadas, as primícias e os dízimos” (12:44). “dos campos, das cidades, os quinhões designados pela lei para os sacerdotes e para os levitas” (v. 44b). Essas porções eram aquelas dadas aos levitas que viviam em Jerusalém. Isso é sugerido pelo fato de que no v. 47 é dito que o povo também separava “as suas porções destinadas aos levitas” (cf. 13:5)
Logo depois que Neemias partiu para Susã, o sacerdócio se corrompeu e o povo deixou de dar seus dízimos e ofertas. Quando ele voltou e reformou o sistema, o povo começou novamente a trazer seus dízimos ao templo. Neemias colocou um sacerdote e um levita a cargo dos depósitos e deu-lhes dois assistentes que eram responsáveis pela distribuição dos suprimentos a seus irmãos (13:12-13). O sistema foi de alguma forma descentralizado, permitindo aos centros locais, em toda a terra, coletar o dízimo e distribuí-lo entre os levitas. Uma porção do dízimo era também levada ao tempo para os levitas que viviam em Jerusalém. Podemos ilustrar o sistema conforme aparece abaixo:
Coleta do Dízimo em Jerusalém


Os israelitas trazem o dízimo



Os levitas recebem o dízimo



Templo: Casa do tesouro

Coleta do Dízimo Fora de Jerusalém


Os Israelitas separam o dízimo




Os levitas e sacerdotes recolhem o dízimo





Centros Levíticos: Casa do Tesouro



Distribuição do Dízimo


Centros levíticos



Enviado pelos levitas









Dízimo

Dízimo do Dízimo

















Levitas

Sacerdotes







Templo em Jerusalém


Princípios Transferidos para a Igreja
O Velho Testamento não nos provê uma descrição detalhada do procedimento seguido na coleta e distribuição do dízimo. Porém, aquilo que encontramos supre-nos com alguns princípios fundamentais a serem usados na implementação do sistema de dízimo na igreja cristã. Primeiro, a coleta e distribuição do dízimo era centralizada – havia um depósito. Os israelitas sabiam que havia um determinado lugar onde se esperava depositassem seus dízimos. Segundo, pessoas específicas eram escolhidas para coletar e distribuir o dízimo. Ninguém deveria assumir essa responsabilidade por si mesmo. Terceiro, o dízimo era entregue a pessoas escolhidas por Deus para serem os recipientes dele. Na igreja cristã essas pessoas têm sido identificadas como os obreiros evangélicos. Finalmente, o sistema centralizado permitia centros de postos avançados para a coleta e distribuição do dízimo. Isso era feito sob o controle e supervisão de pessoas devidamente nomeadas para desempenhar essas tarefas.
Essa informação bíblica tem sido um guia para nossa igreja no desenvolvimento de seu sistema de dízimo e da definição e identificação das casas do tesouro na igreja. Na verdade, o sistema é muito parecido com o estabelecido em Israel no tempo de Neemias. Ele considera a associação local como o depósito: “O dízimo é do Senhor, e deve ser devolvido à casa do tesouro, à tesouraria da associação/missão “12
Os adventistas têm o privilégio de contar com a presença e escritos de uma profetisa por intermédio de quem Deus nos deu instruções específicas referentes à coleta, uso e distribuição dos dízimos.13 Ela escreve: “Chegou o tempo quando os dízimos e ofertas pertencentes ao Senhor devem ser usados no cumprimento de uma decida obra. Eles devem ser trazidos ao tesouro para serem usados de forma ordenada e sustentar os obreiros evangélicos em sua obra”.14 Isso deve ser feito através da igreja como uma estrutura organizacional. A organização foi considerada por ela como essencial para a igreja.15 O “tesouro” a que ela está se referindo é o tesouro denominacional.16 Visto que a coleta e distribuição do dízimo eram centralizadas, ela pôde dizer: “Ninguém se sinta na liberdade de reter o dízimo, para empregá-lo segundo seu próprio juízo. Não devem servir-se dele numa emergência, nem usá-lo segundo lhes pareça justo, mesmo no que possam considerar como obra do Senhor”.17 Em sua abordagem ao dízimo, Ellen G. White enalteceu os princípios bíblicos e aplicou-os à vida da igreja e a seus membros. O que o Senhor indicou através das Escrituras foi confirmado por seu ministério profético.


O DÍZIMO NA IGREJA PRIMITIVA

Vimos até aqui que o Novo Testamento tem uma atitude positiva em relação ao dízimo. Não há qualquer evidência de que os apóstolos o rejeitaram ou se opuseram a ele, considerando-o irrelevante para os crentes. A pergunta que devemos fazer agora é a que trata com a prática cristã do dízimo. Há alguma evidência no Novo Testamento ou na igreja cristã primitiva de que os cristãos devolviam o dízimo?


O Silêncio do Novo testamento
No que diz respeito ao Novo Testamento, não é difícil responder a essa pergunta: Não temos evidência explícita do dízimo na igreja apostólica. Devemos ser cuidadosos a respeito de como interpretar a falta de evidência. Deveríamos ter em mente que qualquer conclusão a que podemos chegar seria baseada no silêncio do Novo Testamento e não em qualquer evidência história ou textual e, por conseguinte, teria pouco valor.
O Novo Testamento deixa claro que as igrejas faziam provisão para o bem-estar dos apóstolos e dos obreiros do evangelho. Porém, é evidente que, às vezes, os cristãos apoiaram os programas da igreja mediante o uso de outras fontes (Atos 2:34, 35, 44). As mudanças nas finanças da igreja foram introduzidas à medida que aumentou a necessidade delas (Atos 6:1-6). O silêncio concernente ao dízimo no Novo Testamento foi interpretado como uma rejeição dessa prática pelos crentes, mas, quando considerado em conjunção com a atitude de Jesus para com o dízimo e os comentários de Paulo, ele pode ser interpretado em termos do apoio ao dízimo ao invés de rejeição. Ou poderia ser que fosse tão natural para os crentes devolverem o dízimo que não havia necessidade de os apóstolos tratarem do tema em seus escritos. Não obstante, uma coisa é clara, ou seja, Jesus não rejeitou o dízimo, antes, encorajou-o. Portanto, poderia ser que fosse natural aos cristãos devolver o dízimo.
O Dízimo na Igreja Pós-Apostólica
Encontramos pouco material referente ao dízimo nos escritos dos pais pós-apostólicos, nos três primeiros séculos da era cristã.18 Havia uma tendência a crer que o dízimo foi substituído pelos ensinos de Jesus.19 Alguns argumentam que os cristãos não devolviam o dízimo porque era um valor muito pequeno para dar ao Senhor. Irenaeus (fl.c. 175-195) escreveu: “Eles [os judeus] certamente que devolviam o dízimo de seus bens consagrados ao Senhor, porém os que haviam sido liberados para separar todas as suas posses para a causa do Senhor, o faziam com alegria e por vontade própria ....”20 Mas esse ideal não foi consistentemente seguido. Cyprian, Bispo de Carthage, (c. 210-258), lamentou: “Então eles venderam suas casas e bens, e depositaram tesouros para si mesmos no céu, ofereceram aos apóstolos a renda para ser usada pelos pobres. Mas agora não damos nem mesmo um décimo de nosso patrimônio e, e embora o Senhor nos ordene vender, do contrário, nós compramos e aumentamos nossos bens”.21 Ele afirmou que a prática levítica de receber das pessoas um décimo dos frutos do solo “é agora mantida com respeito ao clero, para que eles, que foram promovidos pela ordenação eclesiástica, não sejam distraídos da administração divina, nem presos pelas ansiedades e assuntos seculares”.22 O que ele parece estar sugerindo é que o sistema levítico deveria servir como modelo para a oferta cristã.
Durante o quarto século, o dízimo foi promovido muito mais do que pelos primeiros escritores pós-apostólicos. Um bom exemplo disso encontra-se na coleção da lei eclesiástica, datada da última parte do quarto século, chamada de Constituições Apostólicas.23 Ela promove o dízimo, argumentando que as ordens eclesiásticas na igreja correspondem à levítica, e que os bispos são sacerdotes e a igreja é o santuário. A conclusão proferida é que “as oferendas e os dízimos pertencem a Cristo, nosso Sumo Sacerdote, e àqueles que ministram a Ele”.24
Embora o dízimo possa não ter sido um requisito eclesiástico, sabemos que alguns cristãos devotos e piedosos devolviam seu dízimo à igreja. Isso é indicado por uma declaração de John Chrysostom, Bispo de Antioquia (c. 344-407), na qual diz: “Eles [os israelitas] ajudavam as viúvas, os órfãos e os estrangeiros. Alguns me dizem com muita surpresa que fulano e sicrano devolvem o dízimo. Que vergonha que aquilo que era dado por certo entre os judeus, tenha agora se tornado algo surpreendente entre os cristãos. E se a não devolução do dízimo coloca um homem em risco diante de Deus, então considere quantos estão em perigo hoje”.25 Ele sugere em seus escritos que “aqueles que não devolvem o dízimo são inferiores aos judeus”.26 O monge John Cassian (360-425) se refere a um membro da igreja que “nunca fez uso de sua colheita sem antes oferecer a Deus as primícias e o dízimo”.27 Em outro lugar ele menciona um jovem piedoso que trouxe “ofertas de fidelidade entre outros proprietários que estavam ansiosos por oferecer os dízimos a as primícias de seus recursos”.28
No final do quarto século, devolver o dízimo parecia ser uma prática regular na igreja oriental e era usado para sustentar o clero e pobre.29 Augustine (c. 354-430) apresentaram uma tradição cristã no qual o dízimo era aceitável para os cristãos como um padrão mínimo de oferta.30 Foi em 585 a.D., durante o Segundo Sínodo de Macon, que o dízimo oficialmente se tornou um requisito eclesiástico e aqueles que se recusavam pagá-lo eram ameaçados com a excomunhão.31 O dízimo se tornou um requisito legal nos dias de Carlos Magno, imperador romano da época medieval (742-814) e era pago pelas igrejas e clero. Na verdade, a lei estipulava que o dízimo fosse dividido em “três partes – para o bispo e o clero, para o pobre, e para apoiar as estruturas da igreja. ... Uma vez que o pagamento do dízimo se tornou uma questão legal, a excomunhão ou as penalidade temporais eram decretos contra aqueles que se recusavam pagá-lo”.32
Uma breve pesquisa a respeito da história inicial do dízimo indica que, embora no início, aparentemente o dízimo não fosse requerido dos pais pós-apostólicos, ele era, não obstante, praticado por alguns crentes e nunca foi desencorajado. À medida que a igreja cresceu e se desenvolveu, o sistema de dízimos foi mais plenamente encorajado, aceito e impingido pela igreja. Está claro que o dízimo nunca desapareceu da igreja cristã.



CONCLUSÃO

A evidência bíblica indica que a prática de devolver o dízimo não se restringia a determinado período da história ou a um grupo étnico específico. A teologia é personificada, e seu impacto na vida dos crentes e de seu relacionamento e dependência de Deus transcende o tempo e a cultura. O Novo Testamento não rejeita o dízimo e, talvez o mais significativo, é que Jesus mesmo colocou Seu selo de aprovação nele. O sistema usado no Velho Testamento para a coleta e distribuição dos dízimos pode ter variado de tempos em templos, mas há alguns aspectos fundamentais dele que sempre permaneceram válidos e que podem ser transferidos do sistema israelita para a igreja cristã. O Velho Testamento indica que o sistema levítico não é indispensável no sistema bíblico de dízimo. Isso permite a transferência do sistema para a igreja cristã onde não há levitas. A centralização do sistema é também indispensável porque o dízimo pertence ao Senhor, que afirmou onde ele deveria ser armazenado e a quem deveria ser entregue.


É verdade que durante o início do período pós-apostólico houve alguma relutância e mesmo uma tendência de rejeitar o sistema de dízimos entre alguns dos pais apostólicos, mas encontramos também evidência que indica que era ainda praticado por muitos cristãos. Nunca foi considerado incompatível com a fé e prática cristãs e nunca desapareceu da igreja cristã. Poderia ser que a restauração do dízimo na igreja cristã, logo após a conversão de Constantino, no quarto século, baseou-se exclusivamente nas preocupações e necessidades financeiras, mas para nós, há toda uma teologia subjacente no mandamento e que pode enriquecer a vida espiritual e intelectual do crente.



Notas Finais



1 Leiland Wilson, “The Old Testament and Tithe,” Baker’s Dictionary of Practical Theology (Grand Rapids, MI: Baker, 1967), p. 357.

2 O argumento é usado, por exemplo, por Norval Geldenhuys, Commentary on the Gospel of Luke (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1951), p. 342; e Craig L. Blomberg, Neither Poverty Nor Riches: A Biblical Theology of Material Possessions (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1999), p. 136. Não há fundamento exegético para apoiar a sugestão de que de fato Jesus estava querendo dizer: “Observem as normas religiosas se quiserem, mas não negligenciem o que realmente importa” (R. T. France, Matthew [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1985], p. 328). Melhor é a sugestão oferecida por Barclay M. Newman e Philip C. Stine, ou seja, “mas vocês não devem esquecer de fazer as outras também”, “mas não significa que vocês não devem considerar a menor das leis” (A Translator’s Handbook on the Gospel of Matthew [Nova Iorque: United Bible Societies, 1988], p. 738).

3 Há, pelo menos, dois outros incidentes no ministério de Cristo que podem sugerir a alguns que durante Seu ministério Ele endossou o sistema judaico, mas que a mudança ocorreu depois da cruz. Por exemplo, Ele encorajou as pessoas a oferecer sacrifícios no templo (Mateus 5:23-24); porém, sabemos que o Novo Testamento considera o sistema sacrifical como chegando ao fim com a morte sacrifical de Cristo. No entanto, Jesus mesmo estava ciente do fato de que o sistema sacrifical estava por ser encerrado. Ele disse à mulher samaritana que viria um tempo quando o povo já não mais adoraria em Jerusalém (João 4:21-24); sugerindo assim que o sistema sacrifical no templo estava findando. Outro caso é o do leproso que Ele curou (Mateus 8:1-4; Marcos 1:40-44). Jesus lhe disse para ir ao templo e se mostrar ao sacerdote, sugerindo que a lei quanto aos leprosos e o papel do sacerdote ainda eram válidos. No entanto, o motivo para enviá-lo ao sacerdote não era o de obedecer à lei de culto, mas servir de testemunho ao indivíduo e aos outros que Jesus de fato o curara. Além do mais, o fato de haver tocado o leproso indica que Ele não considerava essa lei de culto relevante para a comunidade cristã. Nesses casos, o que parece ser um endosso para a prática do culto é esclarecido pelo próprio Jesus como uma rejeição a ela. Porém, este não é o caso com respeito ao que diz sobre o dízimo.

4 No caso de Mateus, “o dízimo não é negligenciado devido a questões da lei de maior peso, mas subordinado a elas” (W. D. Davies e Dale C. Allison, Jr., The Gospel According to Matthew, vol. 3 [Edinburgh: T. & T. Clark, 1997], p. 295). Donald A. Hagner conclui que “Jesus corretamente sanciona o mandamento do Velho Testamento quanto ao dízimo, mesmo a ampliação dele para incluir as ervas comestíveis” (Matthew 14-28 [Dallas, TX: Word, 1995], p. 670). Aparentemente os fariseus estavam indo além do que a lei requeria, mas de acordo com Jesus “não havia nada realmente errado com isso e Ele não disse que eles não deveriam haver feito isso” (Leon Morris, Luka: An Introduction and Commentary [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1974], p. 223). Daniel J. Harrington comenta que em Mateis, Jesus está “aconselhando a aquiescência com o dízimo (The Gospel of Matthew [Collegeville, MN: Liturgical Press, 1991], p. 326).

5 D. A. Carson, “Matthew” em Expositor’s Bible Commentary, vol. 8, editado por Frank E. Gaebelein (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), p. 482, argumenta que Jesus não está dizendo aqui qual deveria ser a atitude do cristão quanto do dízimo, mas que simplesmente estava censurando os fariseus por aquilo que deveriam ter feito. Ele prefere ignorar o fato de que Mateus foi escrito para cristãos que iriam considerar seriamente a compreensão de Jesus a respeito da lei do dízimo e que iriam pautar sua vida de acordo com esses ensinos. O mesmo erro é cometido por Stuart Murray, Beyond Tithing (Waynesboro, GA: Paternoster, 2000), pp. 44-47. Ambos limitam as palavras de Jesus a mero incidente histórico na vida de Jesus, sem qualquer significado para a comunidade cristã à qual foi escrito.

6 I. Howard Marshall, The Gospel of Luke: a Commentary on the Greek Text (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1978), p. 498, comenta que Lucas “enaltece a lei do Velho Testamento e espera que os cristãos judeus irão continuar a observá-la”. Ele restringe a validade do dízimo aos cristãos judeus, mas nada há no evangelho de Lucas que sustente essa limitação.

7 Conforme Marshall, Luke, p. 498. Mateus 23:23 e Lucas 11:42 não são discutidos por Ulrich Luz em seu estudo a respeito das finanças da igreja no Novo Testamento. De acordo com ele, o bem-estar econômico da igreja não se baseava nas ofertas voluntárias dadas pelos crentes para os pobres e para pagar missionários; veja seu artigo, “Die Kirche und ihr Geld im Neuen Testament”, em Die Finanzen der Kirche: Studien zu Struktur, Geschichte und Legitimation Kirchlicher Ökonomie, editado por Wofgang Lienemann (München: Kaiser Verlag, 1989), pp. 525-554.

8 Wilson, ‘Tithe”, p. 357. Para maior conhecimento a respeito de I Coríntios 9:13, ver o capítulo referente às ofertas no Novo Testamento.

9 Em Hebreus 7:12 Paulo fala a respeito de uma mudança no sacerdócio e na lei, dando a impressão de que a lei que regulava o dízimo não mais é válida. Mas essa leitura da passagem desconsidera o fato de que o que Paulo está discutindo é a lei referente ao descendente genealógico do sacerdote. Seu argumento é de que se há um novo sacerdócio, de acordo com a ordem de Melquisedeque, então a lei que exigiu que todos os sacerdotes fossem descendentes de Arão não mais estava em vigor. Essa lei foi mudada e não pode ser aplicada a Jesus, visto que não era descendente de Arão. A mesma lei também requeria que os descendentes de Levi, que se tornassem sacerdotes, seriam responsáveis pela coleta do dízimo (7:5). Porém, com a mudança na lei, Paulo parece estar dizendo que já não mais é requerido que os cristãos dêem os dízimos aos levitas. Note que Paulo não está dizendo que o dízimo já não mais é válido, antes que o sistema estabelecido para seu recolhimento entre os israelitas não se aplica à igreja porque não há levita nela.

10 Wilson, “Tithe”, p. 357.

11 Ver H. G. Williamson, I e II Crônicas (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1982), p. 377.

12 Livro de Regulamentos da Divisão Sul-Americana da IASD, “V 15 05. 4.”, p. 468.

13 Para um estudo mais detalhado da casa do tesouro nos escritos de E. G. White, ver a brochura de G. Edward Reid, In Search of the Storehouse (Burleson, TX: Southwestern Union, 1998). Para um estudo mais detalhado a respeito do dízimo, nos escritos de E. G. White, ver minha tese “O Dízimo nos Escritos de Ellen G. White”, Departamento de Mordomia da AG, 2001.

14 Manuscript Releases, vol. 19, p. 376.

15 Testemunhos para Ministros, p. 26.

16 Roger W. Coon, Tithe: Ellen G. White’s Counsel and Practice (Hagerstown, MD: Review, 1991), p. 3.

17 Conselhos Sobre Mordomia, p. 101.

18 O estudo inglês, mais recente, sobre a igreja primitiva é de Stuart Murray, Beyond Tithing (Waynesboro, GA: Paternoster Press, 2000), pp. 93-132. Ele tenta mostrar que o dízimo dificilmente era um elemento importante na igreja pós-apostólica.

19 J. Christian Wilson, “Tithe”, Anchor Bible Dictionary, vol. 6, editado por David Noel Freedman (Nova Iorque: Doubleday, 1992), p. 580. Epiphanius, Bispo de Salamis (c. 315-403), é citado como havendo dito que o dízimo e a circuncisão não eram requeridos dos cristãos (ver, Haer, 50).

20 Against Heresies IV, XVII (ANF 1:848-49).

21 Cyprian, On the Unity of the Church, in The Fathers of the Church, ed. Ludwig Schopp (Nova Iorque, NI: Oxford University Press, 1958), p. 73.

22 Cyprian, Epistle LXV.1, (ANF, vol. 5, p. 367).

23 F. L. Cross, ed., The Oxford Dictionary of the Christian Church (Nova Iorque: Oxford University Press, 1958), p. 73.

24 Constituição Apostólica, II.4.25 (ANF, vol. 7, p. 409). Em outra parte, encontramos a seguinte instrução: “Eu mesmo faço uma constituição referente aos primeiros frutos e aos dízimos. Que as primícias sejam trazidas ao bispo e aos presbíteros, e aos diáconos para sua manutenção; mas que todo os dízimos sejam destinados à manutenção do restante do clero, e das virgens e viúvas e daqueles que se encontram sob a prova da pobreza. Pois as primícias pertencem aos sacerdotes e aos diáconos que ministram a eles” (VIII.4.30 [Ibidem, p. 494])

25 Citado por Lukas Vischer, Tithing in the Early Church (Philadelphia, PA, Fortress, 1966), p. 16.

26 Wilson, “Tithe”, p. 580.

27 Cassian, Conference Nesteros I.7 (NPNF, vol. 11, p. 437).

28 Cassian, Conference Theonas, I.1 (NPNF, vol. 11, p. 503).

29 Vischer, Tithe, p. 12.

30 Ver Ibidem, pp. 17-20.

31 E. Sehling, “Tithes II. Ecclesiastical”, na New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. 11, ed. S. M. Jackson (Grand Rapids, MI: Reimpresso por Baker, 1977), p. 454. Ver também J. A. MacCulloch, “Tithes”, Encyclopedia of Religion and Ethics, vol. 12, ed. James Hasting (Edinburgh: T & T Clark, s.d.), p. 349. Louis J. Swift escreveu: “Embora pareça haver um consenso durante os primeiros séculos a respeito do dever de devolver o dízimo, a primeira declaração coletiva sobre o tema aparece no Sínodo de Macon, em 585... que impunha o dízimo a todos os cidadãos com vistas a apoiar a obra da igreja” (“Tithing”, em Encyclopedia of Early Christianity, vol. 2, editado por Everett Ferguson [Nova Iorque: Garland, 1998], p. 1134).

32 MacCulloch, “Tithe”, p. 349.



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