NOÇÕes sobre tratamento de esgoto 1- como e quando se deve trata o esgoto sanitário



Baixar 79.41 Kb.
Encontro18.07.2016
Tamanho79.41 Kb.

Aula 14 A – Noções sobre tratamento de esgoto


NOÇÕES SOBRE TRATAMENTO DE ESGOTO

4.1- Como e quando se deve trata o esgoto sanitário
O lançamento de esgoto sanitário sem prévio tratamento, num determinado corpo d´água, pode causar deterioração da qualidade dessa água, que passaria, então, a ser uma ameaça à saúde da população.

No entanto, nem sempre isso é uma verdade. Dependendo da relação entre carga poluente lançada e a vazão desse corpo d´água, a variação de qualidade pode não ser significativa. Se imaginarmos o Rio Negro, em cujas margens situa-se a cidade de Manaus, no Estado do Amazonas, certamente que as vazões máximas de esgoto sanitário daquela cidade são infinitamente menores do que as vazões mínimas do Rio Negro. Neste caso, não seria aconselhável um dispendioso sistema de tratamento de esgoto, uma vez que o seu lançamento certamente não iria afetar a qualidade da água do rio. O mesmo se poderia dizer das cidades à beira-mar.

No entanto, tanto num caso quanto noutro caso, é prática aconselhável que o lançamento seja feito de maneira criteriosa, após um pré-tratamento (remoção de sólidos grosseiros e areia), e conduzidos por emissários que levem esse esgoto até um ponto onde seu lançamento não prejudique estética e sanitariamente um eventual uso dessa água para lazer de contato primário.

Com isso, queremos dizer que o nível de tratamento sempre vai depender da análise das condições locais. Partindo-se para o outro extremo, um tratamento, em nível secundário, pode não ser suficiente em determinados casos, como se viu na análise feita para a cidade de São Paulo.

Felizmente, do ponto de vista técnico, já são conhecidas inúmeras opções para se fazer o tratamento dos esgotos. Cada uma delas com vantagens e/ou desvantagens do ponto de vista de área necessária, eficiência obtida no tratamento, utilização ou não de equipamentos eletromecânicos com conseqüente consumo ou não de energia, sofisticação ou não de implantação e operação, necessidade ou não de mão-de-obra especializada. Isso pode facilitar a escolha de uma técnica mais adequada para cada caso, existindo opções adaptadas tanto para as pequenas comunidades quanto para as megalópoles. Cada cidade, com suas características próprias de clima, topografia, preço dos terrenos, características do corpo d´água a ser utilizado para fazer os despejos tratados irá ditar a técnica ou as técnicas a serem escolhidas.

No mundo todo, as técnicas utilizadas no tratamento do esgoto sanitário têm sido muito diversificadas. Sistemas sofisticados de lodos ativados, em nível terciário, de alta eficiência, repleto de equipamentos de última geração, porém grandes consumidores de energia e que exigem mão-de-obra qualificada na sua operação, contrapõem-se a simples lagoas de estabilização, de média a boa eficiência, que não consomem energia, são de operação bastante simples, mas que exigem grandes áreas para sua implantação. Outros sistemas anaeróbios, como o RAFA – Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente e manto de lodo ou mesmo FAFA – Filtro Anaeróbio de Fluxo Ascendente, que apresentam normalmente uma baixa eficiência, quando comparados com os demais sistemas aeróbios, mas que apresentam baixo custo de implantação e de operação podem ser implantados como tratamentos precedentes a sistemas aeróbios. Mesmo para os sistemas de lodos ativados, há opções variadas quando se pretende implantá-los nas comunidades de menor porte; tais como o valo de oxidação, o sistema carrossel e o sistema batelada, como se verá mais adiante.

Modernamente, a decisão sobre a melhor técnica a ser utilizada também tem sido facilitada. O técnico ou o político deverá ter obrigatoriamente em mãos uma ferramenta valiosíssima, na qual poderá se basear na tomada de decisões; o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (RIMA); instrumentos estes tornados obrigatórios pela Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA 001/86, quando se pretende a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Esses estudos devem levar em conta o quesito qualidade (pela avaliação de impactos das diversas técnicas disponíveis), que englobam o custo (pela análise custo-benefício de cada opção) e nos quais, acima de tudo, o bom senso deverá estar presente. Deve-se ressaltar que esses estudos devem englobar também o destino final a ser dado ao lodo, naquelas opções em que sua geração e necessidade de disposição estejam presentes.

4.2- O que se pode fazer nos casos mais simples
Para atender sistemas individuais tais como residências ou condomínios isolados, há a opção de se utilizar fossas sépticas FS, também chamadas de decanto-digestores. O efluente das FS poderá ser lançado em sumidouros (SU), valas de infiltração (VI) ou passar antes por valas de filtração (VF) ou por filtros anaeróbios de fluxo ascendente (FAFA), antes da disposição final, que poderá ser feita também em rios ou córregos.


4.2.1- Fossas sépticas de câmara única
As fossas sépticas ou decanto-disgestores consistem geralmente de uma câmara, cuja função é permitir a sedimentação, o armazenamento dos sólidos sedimentáveis (lodo) e sua digestão, que ocorre em ambiente anaeróbio. Dessa decomposição, é gerado o gás natural (CH4 + CO2), além de pequenas quantidades de gás sulfídrico, (H2S), mercaptanas etc. Fazendo-se um paralelo com o tratamento convencional, através de lodos ativados, a fossa séptica estaria, ao mesmo tempo substituindo o decantador primário e o digestor de lodos de uma estação convencional, sem nenhum consumo de energia.

O volume total da fossa ou do tanque séptico, seguindo-se a nomenclatura adotada na NBR-7229 (ABNT, 1993) é a somatória dos volumes de sedimentação, digestão e de armazenamento de lodo e pode ser calculada pela expressão:


V = 1.000 + N (C Td + k Lf)

Onde:


V = volume útil em litros;

N = número de pessoas ou unidades contribuição;

C = contribuição de despejos, em litros/pessoa x dia (Tabela 4.1);

Td = tempo de detenção, em dias (Tabela 4.2);

k = taxa de acumulação de lodo digerido em dias, equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco (Tabela 4.3);

Lf = contribuição de lodo fresco, em litro/pessoa x dia ou litro/unidade x dia (Tabela 4.1)



Tabela 4.1- Contribuição de esgoto “C” e de lodo fresco “Lf” por tipo de ocupação

Tipo e ocupação das edificações

Contribuição de esgoto “C”

(litros/pessoa x dia)

Contribuição de lodo fresco “Lf”

(litros/pessoa x dia)

1- Ocupantes permanentes:

Residência de alto padrão

Residência de padrão médio

Residência de baixo padrão

Hotéis (exceto lavanderia e cozinha)

Alojamentos provisórios


160


130

100


100

80

1

1

1



1

1


2- Ocupantes temporários:

Fábrica em geral

Escritórios

Edifícios públicos e comerciais

Escolas (externatos) e locais de longa permanência

Bares


Restaurantes e similares

Cinemas, teatros e locais de curta permanência

Sanitários públicos (4)

70

50



50

50
6

25 (1)

2 (2)


480 (3)

0,3


0,20

0,20


0,20
0,10

0,10


0,02
4,0

Observações: (1) por refeições (2) por lugares disponíveis

(3) apenas acesso aberto ao público (estações rodoviárias, ferroviárias, estádio                        esportivo, logradouros públicos (4) por bacias sanitárias disponíveis



Fonte: NBR – 7229 (ABNT, 1993) .
Tabela 4.2 – Tempo de detenção dos despejos “Td

Contribuição diária (litros)

Tempo de detenção “Td

Em dias

Em horas

Até 1.500

1,00

24

De 1.501 a 3.000

0,92

22

De 3.001 a 4.500

0,83

20

De 4.501 a 6.000

0,75

18

De 6.001 a 7.500

0,67

16

De 7.501 a 9.000

0,58

14

Mais que 9.000

0,50

12

Fonte: NBR 7229 (ABNT, 1993).

Tabela 4.3- Valores da taxa de acumulação de lodo digerido “k”

Intervalo entre limpezas

(anos)



Valores de “k”(em dias), por faixas de temperaturas ambientes “t”, (em oC)

t < 10

10 ≤ t ≤ 20

t > 20

1

94

65

57

2

134

105

97

3

174

145

137

4

214

185

177

5

254

225

217

Fonte: NBR-7229 (ABNT, 1993).

Tabela 4.4- Profundidade útil em função do volume útil do tanque séptico

Volume útil (m3)

Profundidade útil (m)

Mínima

Máxima

Até 6,0

1,20

2,20

De 6,0 a 10,0

1,50

2,50

Mais que 10,0

1,80

2,80

Fonte: NBR – 7229 (ABNT, 1993)

No interior da fossa séptica, flotando na superfície do líquido, forma-se uma camada de escuma constituída de gorduras e substâncias graxas, misturada a gases oriundos da decomposição anaeróbia (CH4, CO2, H2S). Por esse motivo, é importante que a saída da FS seja dotada de defletores ou que a mesma seja feita num nível abaixo da superfície, conforme detalhado na Figura 4.1, evitando-se que a escuma saia juntamente com o efluente da FS. Para evitar um acúmulo indesejável dessa escuma, deve-se prever a chamada caixa de gordura, na saída da tubulação das cozinhas. Essa caixa deve ser construída antes da FS, e sua função é justamente reter as gorduras.




Figura 4.1 – Corte esquemático de uma fossa séptica

Segundo Batalha (1986), quando se sabe previamente que a limpeza da FS será feita por uma bomba ou caminhão limpa-fossa, deve-se prever uma tubulação vertical, com diâmetro mínimo de 0,15 m, e cuja extremidade inferior deverá se situar a 0,20 m do fundo, para facilitar a introdução do mangote da bomba (Figura 4.2 a). Onde for possível a descarga por pressão hidrostática, deve-se instalara dispositivo hidráulico, com tubo de diâmetro mínimo de 0,10 m e com altura hidrostática mínima de 1,20 m (Fig. 4.2 b). A limpeza da FS pode ser feita anualmente. No entanto, não se recomenda a limpeza completa. Deve-se deixar no mínimo 25 litros de lodo como inóculo para facilitar a degradação da matéria orgânica depositada posteriormente. A digestão anaeróbia se dá principalmente no lodo, sendo desprezível a sua ação nos sólidos dissolvidos que saem no efluente das FS, provavelmente pelo pouco tempo de detenção desses últimos na FS. No interior da fossa séptica, flotando na superfície do líquido, forma-se uma camada de escuma constituída de gorduras e substâncias graxas, misturada a gases oriundos da decomposição anaeróbia (CH4, CO2, H2S). Por esse motivo, é importante que a saída da FS seja dotadas de defletores ou que a mesma seja feita num nível abaixo da superfície, conforme detalhado na Figura 4.1., evitando-se que a escuma saia juntamente com o efluente da FS. Para evitar um acúmulo indesejável dessa escuma, deve-se prever a chamada caixa de gordura, na saída da tubulação das cozinhas. Essa caixa deve ser construída antes da FS, e sua função é justamente reter as gorduras.
Como se sabe, da degradação anaeróbia da matéria orgânica, resulta, entre outros, o gás metano (CH4), que é um gás combustível e que pode causar explosões. Ao abrir a tampa da FS para limpeza, deve-se evitar acender fósforos. Recomenda-se ainda que seja prevista uma tubulação, chamada de coluna de ventilação (ver Figura 4.2), que fará a comunicação da câmara livre da FS com ar atmosférico, evitando o acúmulo de gases nessa câmara.

O líquido efluente da FS é ainda altamente contaminado por coliformes fecais e dotado de uma DBO solúvel relativamente alta, e isso deve ser levado em conta na sua disposição final. Segundo dados reconhecidos por Azevedo Netto e Lothar Hess (apud Batalha, 1986), foram observadas as seguintes eficiências de remoção nos efluentes de FS bem projetadas e bem construídas:




  • DBO (demanda bioquímica de oxigênio): 40 a 60% de remoção.

  • DQO (demanda química de oxigênio): 30 a 60% de remoção.

  • SS (sólidos sedimentáveis): 50 a 70% de remoção.

  • OG (óleos e graxas): 70 a 90% de remoção.


Figura 4.2. Dispositivos para ventilação e limpeza das fossas sépticas. Fonte: Batalha (1996)


4.2.2. - Disposição e/ou tratamento do efluente das fossas sépticas
Segundo Batalha (1986), diversos fatores são usualmente considerados na seleção da técnica e do local mais adequados para disposição e/ou tratamento do efluente das fossas sépticas, como por exemplo, taxa de infiltração do esgoto no solo (permeabilidade do solo), disponibilidade de espaço, inclinação do terreno, profundidade do lençol freático, natureza e profundidade do leito rochoso, variação do fluxo de esgoto, distância das águas superficiais e poços e, no caso de valas de filtração ou filtro anaeróbio lançando seus efluentes em corpos d´água receptores, os usos dessa água de jusante. Para essa finalidade, pode-se então utilizar: sumidouros (SU – Fig. 4.3.a); valas de infiltração (VI – Fig. 4.3.b); tratamento por valas de filtração VF – Fig. 4.3 c) e tratamento em filtro anaeróbio de fluxo ascendente (FAFA, Fig. 4.3.d)


Figura 4.3 a, b – Disposição final do

Efluente das fossas sépticas

Figura 4.3 c, d – Tratamento do efluente

das fossas sépticas




4.2.2.1- Teste de absorção do efluente de fossas
A NBR – 7229/93 prescreve dois métodos para determinação da taxa de absorção do solo. Um deles é baseado nas experiências de Ryon e deve ser feito no terreno que irá receber o sumidouro ou as valas de infiltração, sempre no próprio local escolhido e na profundidade prevista.

Para possibilitar a execução do teste, executa-se previamente uma escavação no solo com 30 cm de lado e 40 cm de altura (conforme Fig. 4.4 a). O fundo da escavação deve ser preenchido com 10 cm de pedra britada nº 1, restando então 30 cm de altura livre. Enche-se essa escavação com água até a altura de 15 cm e anota-se o tempo gasto para que a água infiltre e desça para o nível de 14 cm de altura. Caso esse tempo seja menor do que três minutos, deve-se repetir o teste 5 vezes, sempre anotando o tempo gasto para que a água infiltre 1 cm no solo, adotando-se o menor valor de taxa obtida nos cinco testes. A taxa de infiltração no solo pode ser estimada por um ábaco apresentado na Figura 4.4 b. Deve-se entrar no ábaco com o valor do tempo consumido para que a água infiltre 1 cm no solo, obtendo-se diretamente a taxa correspondente.





Fig. 4.4 (a) Fig. 4.4 (b)


Fig. 4.4 a- Esquema da escavação para o teste. Fig. 4.4 b- Ábaco para cálculo da taxa de infiltração. Fonte: NBR – 7229 (ABNT, 1993).

4.2.2.2 - Sumidouros

O efluente de uma fossa séptica pode ser lançado em sumidouros (ver Fig. 4.3 a), quando a taxa de absorção do solo for igual ou superior a 40 L/m2 x dia. Normalmente os solos que possuem essa taxa de infiltração são as argilas arenosas e/ou siltosas, variando a areia argilosa ou o silte argiloso de cor amarela, vermelha ou marrom (Batalha, 1986). Os sumidouros podem ser construídos com alvenaria de tijolos, blocos, ou pedra ou ainda por anéis pré-moldados de concreto, desde que sejam feitos furos na parede lateral e deixado o fundo livre para permitir a infiltração. A lateral externa e o fundo do sumidouro devem ser preenchidos com pedra britada nº 4 (Fig.4.3.b). As lajes de cobertura dos sumidouros devem ser de concreto armado, dotadas de abertura de inspeção com no mínimo 0,60 m na sua menor dimensão, com tampões hermeticamente fechados.

Segundo Batalha (1986), a distância mínima entre os sumidouros e os poços de água de abastecimento deve ser de 20 m, e o fundo do sumidouro deve estar no mínimo a 3,00 m acima do lençol freático. A questão da distância para os poços de água de abastecimento depende da natureza do solo. Recomenda-se no caso de solos muito arenosos (alta permeabilidade), que a distância mínima seja maior do que a preconizada por esse autor. Segundo a NBR-7229 (ABNT, 1993), o volume do sumidouro deve ser estimado com base na taxa de absorção do solo, devendo-se considerar como área de infiltração, além da área do fundo, também a área das paredes laterais. A profundidade deve ser considerada a partir do nível da tubulação de chegada do líquido.

4.2.2.3- Valas de absorção
A disposição do efluente líquido das fossas sépticas através de valas de absorção é considerado o processo mais eficiente sob o ponto de vista sanitário. O processo consiste no encaminhamento do efluente das fossas sépticas a um sistema de coletores convenientemente assentado, de modo a permitir absorção dos esgotos pelo solo, através de juntas ou furos, ou percolação através de uma camada filtrante artificialmente adicionada nas valas.

Em função da existência ou ausência de efluentes destas valas, o sistema é classificado da seguinte maneira:


- vala de infiltração – sem efluente final;

- vala de filtração – com efluente final.


a) Valas de infiltração

O sistema de valas de infiltração consiste em um conjunto de canalizações, assentado a uma profundidade racionalmente fixada, em um solo cujas características permitem a absorção do esgoto afluente da fossa séptica conectada ao sistema. A percolação do líquido através do solo permitirá a mineralização dos esgotos, antes que o mesmo se transforme em fonte de contaminação das águas subterrâneas e de superfície que se deseja proteger.

As valas de infiltração (ver Fig. 4.3-b) podem ser utilizadas, quando a taxa de absorção do solo estiver na faixa entre 20 L/m2 x dia e 40 L/m2 x dia. Normalmente os solos que apresentam essa taxa de infiltração são as argilas de cor amarela, vermelha ou marrom, medianamente compactas, variando para argilas pouco siltosas e/ou arenosa (Batalha, 1986).

A NBR-7229/93 sugere que se deve executar no mínimo duas valas de infiltração, escavadas com profundidades na faixa de 0,60 m a 1,00 m, com larguras na faixa entre 0,50 m e 1,00 m, espaçamento mínimo entre elas de 1,00 m (medidas entre suas laterais) e comprimento máximo de cada vala de 30 m. O tubo utilizado deve ser do tipo perfurado (na metade inferior), ter diâmetro mínimo de DN 100, assentado com inclinações variando na faixa entre 0,20 % e 0,30%. A norma recomenda ainda recobrir a parte superior da camada de brita com papel alcatroado ou similar. O efluente deve ser uniformemente distribuído entre as valas de infiltração, o que se consegue pela construção de uma caixa de distribuição, com largura interna mínima de 0,45 m e altura interna entre 0,40 m e 0,50 m. A geratriz inferior interna das tubulações de saída, em direção às valas de infiltração, deve estar no mesmo nível e a 0,15 m do fundo da caixa. A tubulação de entrada na caixa de distribuição deve estar a uma altura de 0,30 m do fundo da caixa.

Segundo Batalha (1986), as valas de infiltração devem estar afastadas pelo menos 7 m das árvores de grandes raízes, no mínimo 20 m dos poços de água de abastecimento e no mínimo 3 m acima dos lençóis freáticos. O autor recomenda que eventuais plantações sobre as valas de infiltração se limitem a gramados de raízes pouco profundas. Diz ainda que, na média pode-se estimar a extensão das valas de infiltração em 6 m por pessoa.

b) Vala de filtração

Os sistemas de valas de filtração são constituídos de duas canalizações de esgotos superpostas, com a camada entre as mesmas ocupada com areia .

O sistema é empregado quando o “tempo de infiltração”do solo não permite adotar outro sistema mais econômico (valas de infiltração) e/ou quando a poluição do lençol freático deve ser evitada.

Segundo Batalha (1986), a opção pelas valas de filtração somente deve ser feita quando a taxa de absorção do solo for insuficiente e nenhum outro método para disposição do efluente da fossa séptica for viável, uma vez que se trata de uma opção de custo relativamente maior do que as demais opções.


As partes componentes do sistema têm as seguintes funções:


  1. canalização superior – funciona como sistema de irrigação subsuperficial (valas de infiltração);

  2. camada de areia – tem a finalidade de filtrar o líquido infiltrado;

  3. canalização inferior – funciona como sistema de drenagem.

O efluente final poderá ser encaminhado para os corpos d’água ou, em casos especiais para um sistema de sumidouros, devido ao alto grau de tratamento apresentado.


As valas de filtração devem ter profundidade na faixa de 1,20 a 1,50 m, largura na base inferior de 0,50 m e comprimento máximo de 30 m. Tanto nas tubulações de distribuição quanto nas coletoras, o diâmetro deverá ser DN 100; a declividade longitudinal de assentamento das tubulações deve estar na faixa de 0,20 a 0,33%. A tubulação superior é perfurada na metade inferior, e a tubulação inferior é perfurada na metade superior. Na parte superior da camada de brita deve-se prever colocação de papel alcatroado ou similar (NBR – 7229/93).
O efluente da fossa séptica, contendo apenas sólidos dissolvidos ou finamente particulados, ou seja, com as mesmas características do efluente de um decantador primário, utilizado no tratamento convencional, passa pela camada de brita (não saturada e contendo, portanto, oxigênio do ar).

A passagem desse líquido, pela camada de pedra, vai possibilitar a formação de um filme biológico, constituído de bactérias e outros microrganismos. Essa massa biológica fica aderida à superfície das pedras, exatamente como no filtro biológico, e os sólidos contidos no líquido vão aderindo (ou sendo absorvidos), nessa camada. A presença do oxigênio possibilita a degradação aeróbia da matéria orgânica pelos microorganismos presentes. A camada de areia grossa permite a formação de um filme biológico, na sua superfície superior, fazendo uma espécie de filtração complementar, como no filtro lento.

Visando à maior eficiência desse tratamento, deve-se prever a interligação da camada de brita com a atmosfera para uma adequada renovação do ar, o que pode ser feito com instalação de tubulações de ventilação nas caixas de distribuição e de coleta ou, se possível, até mesmo diretamente ligada à tubulação inferior (aquela que recebe o efluente já tratado), como previsto na norma NBR – 7229/93.

Segundo a NBR – 7229-93, a opção pela fossa séptica seguida de vala de filtração pode resultar numa eficiência na remoção da DBO, na faixa de 80 a 98%, ou seja, comparável aos sistemas de tratamento mais sofisticados.



4.2.2.4 - Filtros anaeróbios de fluxo ascendente (FAFA)
Assim como as valas de filtração, o filtro anaeróbio de fluxo ascendente FAFA (ver Fig. 4.3.d) é também uma alternativa ao tratamento do efluente das fossas sépticas, quando o destino final é um corpo d’água receptor, mas apresenta eficiência menor do que as valas de filtração (75 a 95% segundo a NBR-7229/93). Trata-se de um tanque que pode ter a forma cilíndrica ou prismática de seção retangular ou quadrada, dotada de fundo falso perfurado. O efluente da FS entra por esse fundo falso, atravessa os furos da laje que sustenta o material de enchimento. Esse enchimento pode ser feito com pedra britada no. 04; anéis de Rashid ou mesmo bambus cortados em pequenos pedaços. O leito com anéis de Rashid plásticos são muito mais eficientes do que o leito de pedra, em função de sua alta relação área superficial/volume, além do baixo peso. Quando utilizados, há necessidade de uma tela para evitar a sua fuga juntamente com o efluente. A função do material de enchimento é permitir a fixação de um filme biológico, neste caso constituído por bactérias e outros microorganismos anaeróbios, responsáveis pela degradação da matéria orgânica.

A altura do material de enchimento é sempre fixada em 1,20 m. Tanto a altura acima do material de enchimento (nível da calha do vertedora) quanto o fundo falso devem ter altura de 0,30 m resultando numa altura total de 1,80 m, para qualquer volume de dimensionamento do filtro (NBR – 7229/93). Segundo Batalha (1986), o diâmetro mínimo do filtro deve ser de 0,95 m; quando retangular, a largura mínima deve ser de 0,85 m e o volume mínimo de 1250 litros. O nível de saída do filtro anaeróbio deve estar a no mínimo 0,10 m abaixo do nível da fossa séptica ou de eventual caixa de distribuição. O fundo falso deve ser perfurado com aberturas de 3 cm de diâmetro espaçadas a cada 15 cm.

A NBR – 7229/93 recomenda o seguinte método de dimensionamento:
V = 1,60 N .C. Td
Onde: V = volume útil (litros);

N = número de contribuintes;

C = contribuição unitária (L/pessoa x dia) e

Td = tempo de detenção (dias – ver tabela 4.2);

A = V/1,80
Onde: A = área do filtro em planta (m2)


4.3- Disposição do efluente sólido das fossas sépticas

A parte sólida retida nas fossas sépticas (lodo) deverá ser removida periodicamente, de acordo com o período de armazenamento estabelecido no cálculo destas unidades.

A ausência de limpeza destas unidades é devida, principalmente às seguintes razões:


  1. desconhecimento pelo usuário desta obrigatoriedade;

  2. incapacidade material para a execução desta tarefa;

  3. má localização das unidades das fossas sépticas;

  4. falta de locais adequados para a disposição do lodo;

  5. aversão ao manuseio da matéria fecal;

  6. negligência do usuário.

A falta de limpeza das fossas no período fixado, acarretará diminuição acentuada da sua eficiência.

Recomendam-se intervalos variando-se de 1 a 3 anos. Geralmente, efetua-se a limpeza das fossas quando o lodo atingir camada igual ou superior a 50 cm, ou 1/3 da profundidade do líquido no tanque, para unidades maiores.

Pequenos números de fossas isoladas de pouca capacidade não apresentam problemas para a disposição do lodo. Nesses casos, o lançamento no solo e mesmo em rios, evitando-se problemas sanitários, poderá constituir uma solução.

Quando o número de fossas sépticas é bastante grande ou a unidade utilizada é de grande capacidade, a quantidade de lodo removido não poderá ser lançado no solo e muito menos nos cursos d’água. Para este caso recomenda-se a aplicação de processos idênticos aos adotados nas instalações convencionais de tratamento.



Assim sendo, os efluentes sólidos das fossas sépticas poderão ser lançados nas seguintes instalações de tratamento:

  1. Estações de tratamento de esgotos;

  2. Centrais de tratamento de lodo.





©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal