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Nome: __________________________________________ N.º: _________ Turma: ______

Química – Prof. Luiz Antônio

Entendendo o funcionamento do “bafômetro”


Introdução
Pessoas de bom senso sabem que dirigir embriagado é atitude irresponsável e possivelmente criminosa. É por isso que várias campanhas de mídia e iniciativas do poder público alertam para a necessidade de prevenir o uso de bebidas alcoólicas por motoristas, evitando, com isso, que muitas vidas sejam ceifadas precocemente. Acontece que há pessoas que ignoram essas campanhas e as conseqüências já sabemos, especialmente após os feriados prolongados.
O tema é polêmico, mas a utilização dos chamados “bafômetros” ou sensor de álcool, por sua praticidade e eficiência, poderia contribuir, em muito, para fiscalizar (e se for o caso punir) infratores perigosos que andam (ou correm) por aí.







Fundação Thiago de Moraes Gonzaga conta hoje com três
mil voluntários em suas ações no Rio Grande do Sul.

Crédito: Fundação Thiago de Moraes Gonzaga.














Campanhas de mídia fortes são realizadas, mas o problema persiste.

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O álcool em nosso organismo e a direção (certamente perigosa)


Quando uma pessoa ingere bebidas alcoólicas, o álcool passa rapidamente para a corrente sangüínea e, conseqüentemente, atinge todas as células, inclusive as cerebrais, alterando o comportamento. Sabe-se que fatores importantes como o peso corporal, a gradação alcoólica da bebida e a capacidade genética interferem na absorção de álcool pelo sangue, mas a intoxicação é inevitável, quando a ingestão é elevada. Os sintomas vão de leve euforia (a pessoa fica “alegre”) até o estupor alcoólico. Apresentando esses sintomas, o motorista poderá, muito provavelmente, ser responsável por uma tragédia. Isso porque a capacidade de a pessoa dirigir é altamente comprometida, tendo em vista que a coordenação motora e reflexos (que exigem respostas rápidas) são afetados.





No Brasil, 16 milhões de pessoas são dependentes do álcool, que é uma droga socialmente aceitável. Este consumo é a terceira causa de absenteísmo (falta ao) no trabalho, o que compromete quase 5% do Produto Interno Bruto - PIB (segundo Rui Nascimento, superintendente nacional do SESI, citado na Revista Proteção, N.º152, ago/2004, pág.28).






Mais de 1000 brasileiros morrem, por ano, vítimas de acidentes causados por excesso de álcool e cerca de 10% de todos os acidentes com vítimas, resultam de dirigir com excesso de álcool no sangue. Isso porque a bebida alcoólica dá uma falsa sensação de segurança; causa euforia; diminui o controle muscular e a coordenação; prejudica a habilidade de avaliar velocidades, distâncias; reduz a acuidade visual e a capacidade de lidar com o inesperado.





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A legislação brasileira: direção e concentração de álcool no sangue

O CTB ou CódigoTrânsito Brasileiro estabelece:
Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica.
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa - retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação.
Parágrafo único. A embriaguez também poderá ser apurada na forma do art. 277.

Art. 276. A concentração de seis decigramas de álcool por litro de sangue comprova que o condutor se acha impedido de dirigir veículo automotor.
Parágrafo único. O CONTRAN estipulará os índices equivalentes para os demais testes de alcoolemia.
Art. 277. Todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito, sob suspeita de haver excedido os limites previstos no artigo anterior, será submetido a testes de alcoolemia, exames clínicos, perícia, ou outro exame que por meios técnicos ou científicos, em aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu estado.
Parágrafo único. Medida correspondente aplica-se no caso de suspeita de uso de substância entorpecente tóxica ou de efeitos análogos.

Teor alcoólico

O consumo de álcool é medido por doses. Uma dose equivale a 14 gramas de álcool. Para se obter a dose-equivalente de uma determinada bebida, deve-se multiplicar a quantidade da mesma por sua concentração alcoólica. Tem-se, assim, a quantidade absoluta de álcool na bebida. Veja exemplos:

Cálculo da Dose-Equivalente de Álcool de uma Bebida

BEBIDA

mL

T.A.

VOLUME (mL)

g (álcool)

DOSE

Vinho tinto

150

12

18

14,4

1

Cerveja (lata)

350

5

17,5

14

1

Destilada

40

40

16

12,8

1

LEGENDA: T.A.=teor alcoólico (%); VOLUME=(volume em ml x T.A.)/100;


g ÁLCOOL=VOLUME x 0,8 ou a densidade do álcool; DOSE=14 g

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A legislação brasileira diz que a concentração de álcool no sangue superior a 0,6g/L incapacita o indivíduo para conduzir veículos. Em outras palavras, uma pessoa de porte médio, a qual possui 5 litros de sangue, com essa concentração de álcool no sangue teria ingerido 5mL de álcool puro. Também podemos dizer que é como se ela ingerisse uma lata de 350mL de cerveja ou 100mL de uísque.


O nosso organismo é capaz de eliminar o álcool de vários modos. Observe o quadro:

MODO DE ELIMINAÇÃO

CONCENTRAÇÃO(%)

Expiração: alvéolos pulmonares

10


Excreção: sistema urinário

Metabolismo: fígado

90

É devido ao primeiro processo que existem os chamados “bafômetros”, pois como o sangue circulante, contendo álcool, passa pelos pulmões, onde ocorre as trocas gasosas ou hematose, parte do álcool é exalado pela pessoa que teria ingerido alguma bebida alcoólica. Esse álcool exalado dessa forma é proporcional à quantidade do mesmo na corrente sangüínea. É o “bafo” de babado que poderá ser verificado pelos aparelhos em questão.





Teste do “bafômetro”.

O “bafômetro” descomplicado


O “bafômetro” ou sensor de álcool determina a quantidade de álcool ingerido por uma pessoa. Para tanto, usa como base o princípio de que o álcool contido no sangue está em equilíbrio com o álcool no ar dos pulmões (troca de gases). Há vários tipos de aparelho. O mais simples é o que usa o dicromato de potássio (K2Cr2O7), uma substância alaranjada que, em meio fortemente ácido, reage com o “bafo” de álcool ou etanol, sendo convertida em ácido acético e íons Cr(III), de coloração verde.
A reação é bastante complexa, como podemos ver no equacionamento:


3CH3CH2OH + 2K2Cr2O7 + 8H2SO4  2Cr2(SO2)3 + 2K2SO4 + 3CH3COOH + 11H2O

Etanol Cr+(laranja) Cr+3(verde) Ácido acético



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Utiliza-se também nitrato de prata (AgNO3) a fim de precipitar o acetato existente no equilíbrio:




CH3COOH H+ + CH3COO

Ácido acético Acetato



Trata-se, na verdade, de uma reação de oxi-redução. Quanto maior a concentração de álcool, mais intenso é o verde. Esse princípio foi desenvolvido em 1958 pelo norte-americano R. F. Borkenstein. O ar soprado passa por um mostrador. Ele seleciona e introduz na solução química somente a última parte do sopro, formada pelo ar alveolar, aquele que se encontra em equilíbrio com o sangue. O limite máximo de álcool no sangue permitido no Brasil (a Lei poderá ser alterada para menor) é 0,6g de álcool por litro de sangue, enquanto que em outros países que restringem o uso de álcool é de 0,3g por litro de sangue.

Construindo um “bafômetro” na escola
A construção de um bafômetro e a simulação de seu funcionamento pode ser realizada utilizando alguns materiais básicos de laboratório. Como alguns reagentes químicos são corrosivos e a reação realizada é exotérmica, seguir as orientações do professor de química é essencial.
I. Materiais necessários:
- Solução sulfocrômica (pergunte ao professor como prepará-la), álcool (etanol, 92ºGL), solução de nitrato de prata;

- Tubos de vidro em “I”, “L” e em “U” (podem ser de plástico);

- Rolhas furadas;

- Canudo de refrigerante;

- Balão de fundo chato ou frasco “erlenmeyer”.
II. Montagem:
Monte o “bafômetro” conforme o esquema, mas peça ajuda ao professor para os detalhes da montagem.
soprar










Álcool (etanol)


Solução sulfocrômica

+

nitrato de prata



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III. Procedimentos:


1. Sopre, com força, no canudinho descartável e observe se o ar soprado “arrasta” o etanol até a solução sufocrômica (alaranjada). Aguarde alguns instantes e anote as alterações observadas.
2. Peça a outros colegas que repitam o procedimento, tendo o cuidado de trocar o canudinho adaptado para o sopro.

IV. Análise de dados:


01. Qual a cor apresentada pela solução sulfocrômica, após soprar o canudinho? O que teria acontecido?
02. Nos textos apresentados anteriormente, aparece o equacionamento da reação ocorrida. Por que ela é dita reação Redox ou oxi-redução? Qual o agente oxidante? E redutor? Qual espécie química se oxida? Qual se reduz?
03. Por que álcool é considerado composto orgânico? Qual a outra substância orgânica presente na reação, sendo um dos produtos da mesma?
04. A quais funções químicas pertencem as substâncias orgânicas presentes?
05. De acordo com a IUPAC o álcool utilizado tem o nome “etanol”. Justifique esse nome.
06. O produto orgânico da reação realizada no bafômetro é utilizado em nosso cotidiano. Qual a sua importância? Segundo a IUPAC, qual seu nome?
07. Supondo que uma pessoa tenha ingerido duas latas de cerveja (350mL) qual a quantidade absoluta de álcool ingerida?
08. Ainda com relação à questão anterior, supondo uma pessoa de 70kg, qual a quantidade provável de álcool por litro de sangue? Essa pessoa está apta para dirigir? Justifique.

V. Bibliografia


Coleção Explorando o Ensino, v. 5 – Química. Hálito culpado: o princípio químico do bafômetro. Brasília: Ministério da Educação, Saecretaria de Educação Básica, 2006.

Diversidade. Química. 3. série. Livro da coordenação. Curitiba: Positivo, 2008.


LABIANCA, D.A. Estimation of blood-alcohol concentration. Journal of Chemical Education. Easton,69(8):628-32, 1982.

www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/etanol1.htm


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