Nomes & homenagens



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NOMES & HOMENAGENS


Desde os tempos das Freguesias que alguns nomes curiosos marcaram o território sergipano, compreendido entre os rios Real e São Francisco. As Freguesias, que sempre tomavam nomes invocativos de santos, muitas vezes agregavam nomes populares, incorporando-os. É o caso de Pé do Banco, incorporado ao nome da Freguesia de Jesus, Maria, José e São Gonçalo, hoje Siriri. Propriá já se chamou Urubu de Baixo, ou Urubu do baixo rio São Francisco. Ao longo do tempo os nomes surgiram e desapareceram, foram mantidos ou trocados, numa dinâmica que tem sido pouco considerada. A memória, que conserva o cotidiano das experiências pessoais e sociais, perde força com o ritmo das cidades, modernizando-se.

Aquidabã já foi Cemitério, Arauá já teve o nome de Parida, Nossa Senhora das Dores é o nome novo de Enforcados, como Porto da Folha substitui a denominação de Buraco, Boquim a de Lagoa Vermelha, Gararu a de Curral de Pedras e Nossa Senhora da Glória a de Boca da Mata, Cristina a de Chapada ou Chapada dos Índios, Rosário o de Catete e Muribeca a de Sítio do Meio. Muitos dos nomes decorrem das denominações dos primeiros povoamentos, outros são trocados pelas mais diversas influências. Em 1943 o Departamento Estadual de Estatística, dirigido por João Carlos de Almeida, preparou um projeto de mudança de nomes de vários municípios sergipanos, para evitar que existissem no Estado 20 localidades homônimas de outras anteriormente existentes no País.

Pelo projeto, que virou o Decreto-lei 377, de 31 de dezembro de 1943, Simão Dias era o novo nome de Anápolis, Tobias Barreto substituía Campos, Carmelita seria o nome novo de Carmo, Darcilena em lugar de Cedro, Ariquitiba para Cristina, Indiaroba para Espírito Santo, Jaboatã para Jaboatão, Paraissú para Richão, Rosário do Catete, em lugar de Rosário, Juruama substituindo Santo Amaro, Tarapitanga, para São Francisco, Frei Paulo para São Paulo, Irapiranga para Itaporanga, Inajaroba para Santa Luzia e Cotinguiba em lugar de Socorro.

Muitos nomes prevalecem até agora, sem mudanças, como Simão Dias, Tobias Barreto, Rosário do Catete, Indiaroba, Frei Paulo, outros voltaram ao que eram antes, como Cedro, Jaboatã, Riachão, agora do Dantas, São Francisco, Santo Amaro, Itaporanga, que ganhou o da Ajuda, Socorro que acrescentou Nossa Senhora e Santa Luzia, que ganhou o acréscimo de Itanhy. Ariquitiba não demorou, e Cristina virou Cristinápolis, como Vila Nova virou Neópolis. Paraissú, Tarapitanga, Juruama e Irapiranga não vingaram nas respectivas localidades onde o decreto-lei fixou.

Darcilena é um nome composto de Darci – Darci Vargas, mulher de Getúlio Vargas – e de Helena – mulher do Interventor da época, Augusto Maynard Gomes. Irapiranga era, segundo alguns estudiosos, o nome antigo do rio Vaza-Barrís, que passa por Itaporanga. A propósito dos dois topônimos, ainda hoje se tem, em Aracaju, uma placa na rua do Cedro, grafada Darcilena, enquanto a Estação ferroviária de Itaporanga ostenta o letreiro Irapiranga.

O mesmo Decreto-lei tratou das vilas homônimas, por isto Canindé mudou para Curituba, Igreja Nova para Sambambaia, Providência, que antes chamou-se Panelas, para Itabi e Santa Rosa para Cambuatá. Canindé retomou o nome, como do São Francisco, como Santa Rosa, agora de Lima. A denominação de Itabi prevaleceu quando da criação do município, em 1953. Sambambaia não foi ainda emancipado.

Canindé presta homenagem a um líder indígena do mesmo nome, que chefiou por muitos anos os Janduís, na região do Rio Grande do Norte, enfrentando inimigos brancos, em memoráveis combates. O topônimo, dos mais antigos de Sergipe, sobreviveu, recentemente, às modificações impostas pela construção da barragem e da hidroelétrica de Xingó, e está se tornando num ponto de atração turística, explorando a potencialidade do rio São Francisco, onde as águas represadas dão destaque ao cenário dos paredões rochosos.

Ruas de Aracaju e de todos os municípios sergipanos estão repletas de nomes próprios, que prestam homenagens a figuras, nem sempre conhecidas. Tais homenagens são movidas por sentimentos fortes, de época, que muitas vezes perduram, incorporado à vida cotidiana das cidades. São vultos brasileiros, de biografias eminentes, ou que criaram, em certas circunstâncias, vínculos com a terra sergipana. No primeiro grupo estão estadistas, como o Barão do Rio Branco, Ruy Barbosa, o Duque de Caxias, Osvaldo Aranha, Pedro I, Pedro II, Getúlio Vargas, Tancredo Neves, dentre muitos outros, enquanto no segundo grupo estão pessoas destacadas das administrações federais, como Marcos Freire, que foi presidente da Caixa Econômica Federal e ministro da Reforma Agrária, João Cleofas, Agamenom Magalhães, os generais presidentes – Castelo Branco, Costa e Silva, Emilio Médici, entre outros, ou, ainda, técnicos a serviço de Sergipe, como os engenheiros Basílio Pirro, João Carlos Willagran Cabrita e Saturnino de Brito, além de governantes sergipanos, como Pereira Lobo, Augusto Maynard, Leite Neto, Leandro Maciel, Lourival Baptista, Augusto Franco, e muitos outros.

Os fatos da história também projetam seus personagens, que a sociedade converte em pessoas gratas, merecedoras de todas as homenagens, como João Pessoa, no plano federal, como Fausto Cardoso e Olímpio Campos, políticos locais, todos martirizados.

Algumas datas, que registram episódios marcantes na história recebem a homenagem que garante a posteridade, como o 7 de Setembro, do já distante 1822 – a Independência do Brasil –, 8 de Julho de 1820 e 24 de Outubro de 1824, datas ligadas ao processo de Emancipação Política de Sergipe, 13 de Julho, em louvor ao movimento revolucionário dos tenentes sergipanos, em 1924, 31 de Março de 1964, data do golpe militar que a história consagra como Revolução Redentora.

No mais são personalidades destacadas da vida sergipana, em todos os campos de atividades, cujos exemplos de vida inspiram e justificam as denominações que o tempo guarda, como memória do Estado e do povo de Sergipe.

Este livro, em forma de verbetes, resgata Nomes & Denominações de uso comum, produto de uma legislação ampla, do Estado e do Município para prestar homenagens. Em alguns casos, no entanto, a lei que denomina não prevalece sobre os nomes populares, como é exemplo o conjunto residencial Assis Chateaubriand, que os moradores conhecem com a denominação antiga de Bugio, tipo de macaco grande, pertencente ao gênero Sapapis Kerr, ou de Bugio ou Rabo de Bugio, arbusto da família das combretáceas.

Há na geografia e na história brasileira pelo menos três registros sobre Sergipe: o 1º, uma ilha na Baía de Guanabara (Rio de Janeiro), onde os franceses aportaram em 1555 com o propósito de fundar uma colônia, onde os huguenotes (protestantes calvinistas, perseguidos na França) pudessem estabelecer atividades econômicas; o 2º, um rio na então Capitania da Bahia, onde o governador Mem de Sá estabeleceu seu famoso engenho de açúcar, cujas terras mais tarde foram passadas para o Conde de Linhares, levando a povoação a ser denominada de Sergipe do Conde; o 3º, também um rio, no centro do território situado entre os rios Real, ao sul, e São Francisco, ao norte, e que deu nome às terras mais tarde conquistadas por Cristóvão de Barros. As terras de Sergipe, na verdade, eram parte do Foral da Bahia, hereditariamente entregue ao donatário Francisco Pereira Coutinho e que fracassando o sistema das Capitanias Hereditárias reverteu à Coroa portuguesa, por indenização ao herdeiro Manoel Pereira Coutinho, passando a ser conhecidas como Sergipe del Rey.

Corsários franceses e outros aventureiros exploravam o pau brasil e entravam em contato com os indígenas que habitavam a terra sergipana. Negros da Guiné, fugidos da Bahia, buscavam refúgio nas margens do rio Sergipe, fortalecendo os ajuntamentos livres, que mais tarde foram denominados de Santidades.

Alguns padres jesuítas estiveram no território de Sergipe, visitaram as margens do rio São Francisco e tentaram contatos com os grupamentos existentes, sem êxito, até que em 1575, o padre Gaspar Lourenço, acompanhado do irmão João Salonio, empreenderam a missa catequética, fundando missões em torno das aldeias indígenas.

O esforço dos padres da catequese não significou a ocupação ordenada das terras de Sergipe. Depois de episódios sangrentos e igualmente fracassados, a Coroa portuguesa determinou, em 1588, que fosse dada guerra aos indígenas sergipanos. No Regimento Geral do governador Francisco Giraldes estava a clara recomendação da guerra, para os fins específicos de exploração das nitreiras, para extrair o salitre, matéria prima da pólvora, abundante em Sergipe, e abertura de uma estrada que facilitasse a comunicação entre as Capitanias de Bahia e Pernambuco, passando pelo território sergipano.

Morrendo em Lisboa, antes de assumir o cargo de governador, Francisco Giraldes deixou seu Regimento para que as autoridades existentes no Brasil cumprissem a ordem do Rei. Coube a Cristóvão de Barros, conhecido sertanista, afamado comandante de tropas vitoriosas no Rio de Janeiro e em Cabo Frio, organizar e chefiar a expedição conquistadora, em dezembro de 1589. A batalha que matou e cativou milhares de indígenas, terminou no raiar do ano de 1590. O conquistador, com o séquito de soldados e colonos, fundou no local da guerra a povoação de São Cristóvão, em homenagem a Dom Cristóvão de Moura, fidalgo espanhol, representante da Coroa espanhola em Portugal, dando ao local o fórum especial de cidade. Ao fazer do ajuntamento militar uma cidade, Cristovão de Barros deu a São Cristovão mais um título, o de 4ª cidade mais antiga do Brasil, fazendo de Sergipe del Rey uma nova Capitania, subalterna a Capitania da Bahia.

Antes de deixar o território conquistado, Cristovão de Barros doou a seu filho, Antonio Cardoso de Barros, as terras entre os rios Sergipe e São Francisco, deixando como Capitão Thomé da Rocha, com a missão de distribuir entre os soldados e colonos que participaram da guerra lotes de terra para as diversas lavouras e para criatórios de gado e de cavalos. Durante 30 anos os diversos Capitães que governavam Sergipe assinaram cartas de sesmarias, colonizando Sergipe, do sul para o norte e do leste para o oeste, ocupando os terrenos férteis das margens dos rios e as matas de Itabaiana e de Simão Dias.

Em pouco tempo partes das terras de Sergipe estavam ocupadas com grande número de currais de gado, e eram criados os melhores cavalos do Brasil, como registrou Diogo de Campos Moreno no seu Livro que dá razão do Estado do Brasil, provavelmente escrito entre 1610 e 1611. Em outras partes as roças diversificavam a lavoura, tendo a cana-de-açúcar como o principal produto agrícola, permitindo a instalação dos primeiros engenhos. O gado e açúcar estão na base histórica da economia sergipana, e foram produtos essenciais e estratégicos para o abastecimento interno e das Capitanias de Pernambuco e Bahia, que produziam para exportação.

Além dos currais de gado o século XVI deu a Sergipe as legendárias minas de prata de Itabaiana, cobiçadas por brasileiros, portugueses, espanhóis e holandeses. Diversas expedições vararam o território sergipano em busca das minas de Belchior Dias Moreira, o Moribeca, e se não encontraram prata e nem ouro seguiram procurando em outras partes, minerando o salitre, e subindo pelo rio São Francisco até a região de Jacobina, na Bahia, depois até Minas Gerais, onde finalmente realizou-se o sonho de riqueza.

O século XVIII foi o século dos engenhos de açúcar, plantados nas terras pretas e gordas dos massapês, nos vales férteis do Piauí-Piauitinga, do Vaza-Barrís, e principalmente do Sergipe-Cotinguiba-Japaratuba, que deram a Sergipe uma grade produção açucareira, impulsionando o surgimento e o crescimento de povoações e de vilas, estabelecendo um comércio a partir da instalação de estruturas portuárias, trapiches, e onde floresceu a civilização sergipana. A divisão territorial em Freguesias, de administração religiosa, dava o contorno real da vida sergipana. Os vigários responsáveis fizeram, em 1757, o levantamento dos lugares, com seus nomes, situação, população, modos de vida, relacionando igrejas e capelas com seus oragos.

O século XIX, conforme a Memória sobre a Capitania de Sergipe, de autoria de Dom Marcos Antonio de Souza, de 1808, mostrava a Capitania de Sergipe com seu progresso econômico, suas vilas mais prósperas – Santa Luzia do Paagui (hoje Santa Luzia do Itanhy), Tomar (hoje Tomar do Geru), Lagarto, Itabaiana, Santo Amaro (hoje Santo Amaro das Brotas), Vila Nova (hoje Neópolis) e Propriá –, a situação de sua população em condições de lutar pela emancipação política. O sentimento de liberdade tomava conta de Sergipe, estimulando a formação de grupos favoráveis a desanexação do território sergipano, libertando-o da Bahia.

Em 8 de Julho de 1820 uma Carta Régia do Rey Dom João VI emancipou Sergipe, tornando-o Capitania independente, com administração própria. Forte reação dos partidários da posição subalterna de Sergipe, que pediam a reanexação do território, marcaram os anos seguintes, até a proclamação da Independência do Brasil e a organização do Império. Pedro I confirmou a emancipação concedida pelo seu pai, elevou novamente São Cristovão à categoria de cidade, em 1823, e com a Constituição de 1824 Sergipe já aparece como Província, podendo assim organizar sua vida administrativa e política.

O crescimento econômico, a produção do açúcar e de outros importantes itens da pauta de exportação deu novo ânimo à Província e aos sergipanos. Os temas centrais eram discutidos nos Conselhos da Província, na Assembléia Provincial, nos jornais que começaram a circular em 1832, formando opinião pública sobre os problemas de Sergipe, dentre eles a necessidade de mudar a capital, de São Cristovão para um ponto do estuário do rio Sergipe, onde havia melhor condição para o transporte da produção açucareira.

A escolha recaiu sobre o povoado de Santo Antonio do Aracaju, antiga povoação a margem do rio Sergipe, que a partir de 17 de março de 1855, graças a Resolução nº 143, do presidente da Província Inácio Joaquim Barbosa, passou a ser a capital sergipana. A situação geográfica da nova capital permitiu ampliar os esforços do desenvolvimento de Sergipe, ampliando as relações comerciais, fortalecendo as regiões produtoras onde vicejaram atividades artísticas e culturais.

O acanhado povoado de Santo Antonio do Aracaju, núcleo inicial da cidade, não atendia aos interesses que determinaram a mudança da capital. O Governo da Província contratou os serviços de engenharia, nomeando em comissão engenheiros militares, chefiados pelo capitão Sebastião José Basílio Pirro, para construir a nova cidade, na parte baixa, junto ao leito do rio Sergipe. Era preciso, contudo, vencer as condições adversas, aterrar as áreas pantanosas, combater as febres, para construir a cidade. As doenças causadas pelos focos existentes nos pântanos e terrenos inundados, conhecidas genericamente como “febres do Aracaju”, vitimaram o próprio presidente Inácio Barbosa, que morreu em Estancia, para onde viajou em busca de tratamento.

O peão e modelo de aterragem era a praça, onde seria construído o Palácio, símbolo do Poder provincial. Da praça do Palácio (hoje Fausto Cardoso) foram planejadas as ruas, nos três sentidos – norte, sul e oeste, prevendo que a cidade pudesse avançar 1.188 metros em cada direção. Aterrar os charcos, drenar os diversos pontos de armazenamento natural de água e construir os prédios para abrigar os serviços administrativos transferidos de São Cristovão foram as prioridades dos responsáveis pelo planejamento e construção de Aracaju para ser a capital sergipana. O novo presidente da Província, Salvador Correia de Sá e Benevides, levou adiante o projeto, ampliando o trabalho com a organização portuária e os serviços de navegação a vapor. No seu discurso de 20 de maio 1856, perante os membros da Associação Sergipense, ele diz:


“A mudança, pois, da Capital arrancada da solidão para um centro de vida,

foi o primeiro passo percursor de uma nova era para esta importante

Província; foi o primeiro degrau que se deve conduzir ao apogeu do

progresso, riqueza e consideração a que lhe dão direito a índole dos seus

dóceis habitantes, a fertilidade prodigiosa do seu solo.”
A idéia do presidente era dotar as barras sergipanas, a começar pela do rio Sergipe, das condições de navegabilidade, introduzindo a rebocagem a vapor, adquirindo o rebocador Aracaju, que entrou em operação no mesmo ano, protegendo a entrada e a saída das embarcações.

Aracaju continuava em obras. Era a segunda experiência da engenharia militar brasileira. A primeira experiência foi no Piauí, quando dois ou três anos antes, foi mudada a capital de Oeiras para Terezina. Aracaju ganhava os primeiros edifícios: o da Casa de Oração São Salvador (hoje Igreja do Salvador), na esquina da rua São Salvador (hoje Laranjeiras) com a rua do Barão de Maroim (hoje João Pessoa). Um terreno na praça do Palácio estava destinado à construção da igreja matriz de Aracaju, mas terminou cedendo lugar ao edifício da Assembléia. A igreja catedral terminou sendo construída no centro das futuras praças Tobias Barreto e Mendes de Morais, hoje Olímpio Campos. O Palácio do Governo estava, provisoriamente, instalado na praça do Palácio, esquina com a rua da Aurora (hoje avenida Rio Branco, onde sempre funcionou a Delegacia Fiscal).

A anunciada visita do Imperador Pedro II e sua comitiva a Sergipe, em janeiro de 1860, alvoroçou a cidade. Várias obras foram feitas em função da visita imperial, como a Ponte de desembarque, (Ponte do Imperador), o Forte, ou Castelo da Praça, obra do engenheiro Pirro e destinado a dar as salvas de boas vindas, o Arco de entrada da rua do Barão, pago pelos portugueses, a Capela ao norte da praça do Palácio, além da preparação do Paço Imperial, adaptação do Palácio da Presidência da Província.

O Imperador visitou em Aracaju, ainda, os prédios da Alfândega, o Cemitério, as obras do novo Quartel para a tropa de linha, a Capitania dos Portos, as obras do novo Palácio, a Câmara Municipal, a Tesouraria Provincial, a Tesouraria da Fazenda, o Quartel da Polícia, os Correios e a repartição das Terras Públicas, as obras do Hospital, da Cadeia, das repartições do Exército, algumas delas de responsabilidade do engenheiro militar capitão Francisco Pereira da Silva e a obra da Companhia de Refinação, entregue ao engenheiro civil Pedro Pereira de Andrade, destinada a melhorar a qualidade do açúcar para comercialização. Tais equipamentos davam a melhor impressão do ritmo de trabalho para construir a nova capital de Sergipe.

O Imperador Pedro II fez uma visita sentimental, ao túmulo de Inácio Joaquim Barbosa, que à época estava na parte dos fundos da Casa de Oração São Salvador, por força da Resolução 453, de 3 de setembro de 1856. Depois de receber homenagens do clero, dos funcionários públicos, das Câmaras de vários municípios, do corpo consular, Pedro II visitou a Barra dos Coqueiros, Maroim, Laranjeiras, São Cristovão, Estancia, além das obras do canal que liga os rios Pomonga e Japaratuba e o Engenho Escurial, em Itaporanga, de propriedade de Antonio Dias Coelho e Melo. Em 1859, ao viajar pelo rio São Francisco, em visita a Cachoeira de Paulo Afonso, o Imperador Pedro II conheceu outros lugares de Sergipe, como Vila Nova (Neópolis), Propriá e Porto da Folha, incluindo a Ilha de São Pedro.

A imagem que Pedro II levou da Província de Sergipe, e de sua capital, era certamente fiel à história que os sergipanos construíam, cotidianamente, em todas as partes do território entre os rios Real e São Francisco. Uma história de afirmação da inteligência e da tenacidade de um povo decidido a promover os avanços necessários para melhorar a vida da Província. Os dados não mentiam.

Em 1870 era criado em Aracaju o colégio Ateneu Sergipense, que funciona, ininterruptamente, até hoje. Logo depois, foi criada a Escola Normal (hoje Instituto de Educação Rui Barbosa), garantindo a escolarização dos jovens sergipanos. Àquela época, Sergipe ganhava destaque em todo o País, pela contribuição cultural de muitos dos seus filhos, como o poeta Pedro de Calasans, o filósofo Tobias Barreto, o crítico Sílvio Romero, os políticos Fausto Cardoso, Coelho e Campos, Olímpio Campos e Martinho Garcez, o filólogo João Ribeiro, dentre muitos outros vultos ilustres, com suas obras.

Em vários pontos da Província eclodiram os movimentos contra a escravidão e a propaganda republicana. Jornais, clubes, sociedades passaram a dedicar suas atenções às questões da atualidade. Vários sergipanos, militares e intelectuais, tomaram parte na campanha abolicionista e tiveram papel especial na proclamação da República. Felisbelo Freire, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Ivo do Prado, Oliveira Valadão, Pereira Lobo, Siqueira Menezes, e outros, deixaram seus nomes gravados na afirmação democrática do Brasil.

Com a proclamação da República, em 1889, Sergipe passa a Estado federado, organizando sua vida jurídica e política, elaborando sua Constituição, promulgada em 18 de maio de 1892. A expansão econômica leva à instalação de fábricas de tecidos, fazendo do algodão uma lavoura preferencial, ocupando centenas de famílias em pequenas oficinas de desencaroçamento. O ciclo do algodão ajuda Sergipe a aumentar o ritmo de desenvolvimento, em décadas seguidas, ao lado do açúcar, do sal, do gado e dos produtos derivados.

Uma tragédia sacode o Estado e emociona Aracaju em agosto de1906. Fausto Cardoso, deputado federal, lidera um movimento revolucionário e depõe o presidente Guilherme Campos, irmão e representante do monsenhor Olímpio Campos, chefe oligarca que atravessou da Monarquia para a República sem qualquer cerimônia. Fausto Cardoso foi morto na praça do Palácio, que hoje leva o seu nome, por uma bala de fuzil de um soldado das forças legais, que tentavam repor o presidente deposto. A morte de Fausto Cardoso comoveu Sergipe e fez Aracaju chorar. O poeta, que dizia que “a liberdade só se prepara na história com o cimento do tempo e o sangue dos homens” tombava em defesa dos ideais democráticos e republicanos.

Os filhos de Fausto Cardoso, atribuindo a morte do pai ao monsenhor Olímpio Campos, que exercia mandato de senador no Rio de Janeiro, cumpriram a vingança e mataram o religioso, em novembro do mesmo ano. Findava no luto um confronto político, um conflito ideológico, nascido décadas antes, quando Fausto Cardoso e Olímpio Campos tomaram, no Recife onde foram estudar, posições antagônicas.

Mas Aracaju continuava o seu embelezamento, com o Jardim Olímpio Campos, com as suas novas praças e ruas. Ganhava um teatro, o Carlos Gomes (depois cine-teatro Rio Branco), e bondes, à tração animal que trafegavam pelas principais ruas do centro. As casas começavam a receber água encanada, substituindo as águas das fontes do Mané Preto, do Anipum, dos Caboclos, da Catinga, das Quiribeiras, da Arueira, da Nação e do Tororó, que eram as mais procuradas. A modernização chegava às construções, com incentivo do Governo que isentava de impostos os tijolos comprimidos, os mosaicos, as telhas francesas, e outros materiais importados.

A década de 1910 trouxe a Sergipe a Diocese, criada em 3 de janeiro, pela Bula Divina Disponente Clementia, do Papa Pio X e seu primeiro bispo, Dom José Tomáz Gomes da Silva. No comando do executivo sergipano, o general José de Siqueira Menezes, republicano destacado e herói de Canudos, empreendia uma verdadeira revolução administrativa: a luz elétrica, o trem, o Horto Florestal e o Código Florestal, o serviço de esgotamento sanitário, a construção de grupos escolares, o monumento a Fausto Cardoso. Outros fatos marcaram a vida sergipana, como a criação do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em 1912, a instalação do aparelho cinematográfico, em 1913, enquanto Aracaju calçava as suas primeiras ruas e praças.

Nem a I Guerra Mundial, nem a gripe espanhola impediram Sergipe de fazer a festa do Centenário de sua Emancipação Política. Uma vasta programação, dirigida pelo presidente Pereira Lobo, celebrava o feito político e espelhava a situação econômica, social e cultural do Estado. Uma missão de artistas italianos, entre os quais Belando Belandi e Oresti Gatti, estava encarregada de reformar e ampliar o Palácio do Governo, e de realizar outros serviços. Um Entreposto mostrava, em Exposição especial, a produção sergipana. Um monumento a Tobias Barreto simbolizava a homenagem ao gênio dos sergipanos, no centro da praça que tomaria, mais tarde, o seu nome. Os fotógrafos Leone Ossovigi, de São Paulo, Fabian, do Rio de Janeiro, e Guilherme Rogatto, italiano residente em Maceió, percorreram Aracaju e várias cidades do interior, registrando a vida do Estado e do povo sergipano. O produto do trabalho fotográfico está no Álbum de Sergipe, obra monumental de Clodomir Silva, e na coleção de cartões postais, comemorativos do Centenário.

Embalado pela festa cívica, Sergipe elegeu seu presidente Maurício Graccho Cardoso, sergipano que fez carreira política no Ceará, depois de passagem pela vida militar. O Governo Graccho Cardoso, malgrado ter enfrentado duas revoltas tenentistas, uma em 13 de julho de 1924, outra em 19 de janeiro de 1926, foi marcado pelo mais puro empreendedorismo. O presidente deu continuidade e ampliou as obras iniciadas por Siqueira Menezes, construiu grupos escolares, criou o Arquivo Público, fez os prédios da Intendência (hoje Prefeitura de Aracaju), tentou a criação do ensino superior, com as faculdades de Farmácia e de Direito, a primeira denominada Aníbal Freire da Fonseca e dirigida pelo médico Augusto César Leite, a segunda Tobias Barreto, cuja direção Graccho Cardoso avocou para ele.

Com Graccho o Estado ganhou várias estradas, serviço de água e de esgoto, bondes elétricos, estações experimentais de algodão, orientadas pelo técnico norte americano Tomas R. Day, Instituto de Física, Instituto Parreiras Horta, para análises e vacinas, a Escola de Comércio Conselheiro Orlando, e as edições das Obras Completas de Tobias Barreto, em 10 volumes, organizadas pelo magistrado Manoel dos Passos de Oliveira Teles, o Dicionário Biobibliográfico Sergipano, de Armindo Guaraná, Minha Gente, livro de costumes de Clodomir Silva. Aracaju, naquele tempo, assistiu a chegada dos aviões e a fundação da Hora Literária, entidade cultural mais tarde mudada para Academia Sergipana de Letras, formada por 40 Cadeiras, cada uma com seu Patrono e seu fundador.

O açúcar, o sal e o algodão dominavam a economia rural, ajudados pelo gado de corte, pelo gado leiteiro, pelo arroz das várzeas irrigadas do baixo São Francisco, e por uma indústria distribuída pela capital e por vários municípios sergipanos. O banditismo, no entanto, inquietava parte da população. Virgulino Ferreira da Silva entrava e saía, desembaraçadamente, do território sergipano, visitando constantemente o sertão, onde fez amizades e era acoitado, até morrer, em 1938, na Gruta do Angico, em Sergipe. Os movimentos tenentistas da década anterior fez de Sergipe um ponto de convergência dos revolucionários de 1930, liderados no nordeste por Juarez Távora. Augusto Maynard Gomes e Eronides Carvalho assumiram, alternadamente, a chefia do Poder, como Interventores. Eronides Carvalho foi, por pouco tempo, governador constitucional, passando a Interventor, com o Estado Novo decretado em 10 de novembro de 1937 por Getúlio Vargas.

Os torpedeamentos dos navios mercantes, na costa de Sergipe, na madrugada de 16 de agosto mudaram a posição brasileira, então de neutralidade face a II Guerra Mundial. Os navios Baependy, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará, foram torpedeados pelo submarino alemão U-507, que saiu de Bordéus, na França, sob o comando do Capitão de Corveta Harro Schacht, diretamente para a operação nas águas do nordeste brasileiro. Centenas de mortos e feridos deram na praia sergipana, exigindo imediato socorro, dos grupos mobilizados, na mais completa solidariedade. Nas ruas, revoltada, a massa clamava por justiça, pedia a declaração de guerra e apontava estrangeiros, alemães e italianos, como responsáveis pelos torpedeamentos.

Intelectuais promoviam reuniões, organizavam sociedades, publicavam livros, tomando posição política em face das duas circunstâncias fortes: a ditadura de Vargas e a guerra. Vários jovens, homens e mulheres, aderiam à Força Expedicionária Brasileira, organizada para lutar nos campos da Itália e muitos deles voltaram cobertos de glória, como heróis nacionais. A luta política toma cores ideológicas e transformam a redemocratização de 1945 num acerto de contas eleitoral. Candidatos de diferentes partidos pedem ajuda dos comunistas do PCB, enfrentando a censura e o patrulhamento da Liga Eleitoral Católica. José Rollemberg Leite, eleito governador, funda o ensino superior com as escolas de Economia e de Química e oferece donativos do Estado as organizações que quiserem criar as Faculdades de Direito e de Filosofia. Em todo o Estado o Governo instala as Escolas Rurais, numeradas, oferecendo o curso primário no interior.

A década de 1950 coloca novamente Aracaju no centro dos interesses. A capital sergipana vai passar por uma transformação urbana profunda, com o desmonte do Morro do Bonfim, formação gigantesca de dunas, no centro da cidade. A obra é um presente de aniversário, para festejar o Centenário da mudança da capital. O ano de 1955 é todo de festas e são muitos os presentes materiais e intelectuais que Aracaju centenária recebe. Outros eventos, como o Centenário de Nascimento de Silvio Romero, atraem a atenção dos sergipanos e dos brasileiros. A modernização da cidade, a conquista de novos espaços urbanos, o agenciamento de áreas de expansão, os novos prédios timbram uma marca de arquitetura eclética, somatório de contribuições diversas, que garantem a beleza da capital.

A descoberta de petróleo, nos campos de Carmópolis, em 1963 abre novas perspectivas para a economia sergipana. Cinco anos depois, a PETROBRÁS descobre gás natural, pesquisando em lâmina d’água, na plataforma continental de Aracaju. As novas descobertas estimulam a idéia de um modelo de desenvolvimento para o Estado, fundado na exploração e na industrialização das reservas minerais – Halita, Carnalita, Silvinita, Traquidita –, que a mesma PETROBRÁS localizou e cubou, como parte do seu interesse produtor. Outros produtos e subprodutos animaram os governantes na concepção de projetos de Complexo Químico de Base, Polo Cloroquímico e outros que, lastimavelmente, não vingaram.

Politicamente, Sergipe tem seu governador, Seixas Dória, deposto e preso em Fernando de Noronha. Mais uma vez, a ditadura faz grandes estragos entre os sergipanos, frustrando as conquistas que a luta social e política concedera. De outro lado, vários militares sergipanos, de alta patente, assumem comandos importantes, destacando o Estado. Os governantes aprofundam o modelo econômico e aceleram providências, lançando para a população idéias que se tornaram simbólicas para o Estado, como a construção de um porto, que valorizasse o estuário do rio Sergipe, em Aracaju.

O modelo de desenvolvimento, apesar de não ser implantado, levou o Governo a construir o Porto de Sergipe, em mar aberto, na Barra dos Coqueiros, e a Adutora do São Francisco, captando em Propriá água do velho Chico para as indústrias, ao longo do caminho, e para o consumo da população de Aracaju. Por toda a década seguinte o Estado perseguiu seu projeto principal, sem êxito, salvo em alguns pontos como a criação da NITROFÉRTIL (hoje FAFEN), com sua unidade de amônia e uréia, e da PETROMISA, subsidiária da PETROBRÁS para minerar o cloreto de potássio da mina de Taquari-Vassouras (hoje Vale do Rio Doce).

Com o retorno das eleições diretas foi eleito governador João Alves Filho, que ao lado da manutenção do interesse na exploração dos recursos minerais resolveu enfrentar o drama das secas e das estiagens prolongadas, concebendo uma série de medidas singelas de engenharia, e projetos destinados à convivência das populações com um regime insuficiente de chuvas. As adutoras, que desde o Governo Paulo Barreto de Menezes distribuía água em regiões do Estado, e que foram permanentemente ampliadas pelos governadores José Rollemberg Leite e Augusto Franco, construindo a Adutora do São Francisco.

Os anos de 1980 foram igualmente dedicados à adequação das potencialidades minerais, tendo o Presidente da República José Sarney assinado Decreto definindo o Polo Cloroquímico de Sergipe, a ser implantado junto ao Porto de Sergipe. O Governo do Estado, à época sob o comando de Antonio Carlos Valadares, concluiu as obras da área do Polo, deixando-a para as próximas administrações. O retorno de João Alves Filho ao Poder dava continuidade ao esforço comum dos governantes do Estado, embora a conjuntura já não fosse a mesma. O presidente da República, Fernando Collor de Mello, com sua política econômica, freou o projeto mineral de Sergipe, tirou a PETROMISA da PETROBRÁS, tentou vender a FAFEN, e privatizou o setor, frustrando um trabalho sério e consistente, realizado pelos políticos e técnicos sergipanos.

A política do Governo Collor foi prejudicial ao Estado, paralisando as ações que vinham sendo empreendidas há décadas. Sergipe teve de buscar, nos anos 1990, novamente a sua vocação produtiva. Os projetos de irrigação, como o Califórnia, o Platô de Neópolis, e outros visaram fortalecer a produção agrícola, buscando o mercado internacional de frutas tropicais. Os gastos com o modelo industrial de exploração das riquezas minerais não trouxeram os efeitos pensados pelos administradores, e Sergipe se viu novamente tendo que elaborar um modelo de desenvolvimento, para atender à sua população.

Nos últimos oito anos o Governo do Estado se voltou para o fortalecimento das atividades produtivas, revitalizando os setores tradicionais e atraindo investimentos para novas indústrias, que foram instaladas em Aracaju e em vários municípios sergipanos. O governador Albano Franco manteve, ainda, os projetos de irrigação, atuando na região semi-árida do Estado com medidas de efeito imediato, financiadas pelo FIDA, através do programa Pró-Sertão.

Aracaju, como capital do Estado, sede do Governo, onde estão concentrados os serviços é uma caixa de ressonância dos problemas sergipanos. Obrigada a gerar boas condições de vida para a sua população, Aracaju construiu milhares de novas casas, abriu avenidas, criou bairros, mudou o modo e viver, verticalizando as moradias com condomínios espalhados pela zona sul da cidade e conquistou áreas de expansão urbana, para o sul, e de expansão industrial, para o norte, estabelecendo uma convivência mais próxima com os municípios de São Cristovão e Nossa Senhora do Socorro.


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