Norman L. Geisler William E. Nix Introdução Bíblica Como a Bíblia chegou até nós


A extensão do cânon do Antigo Testamento



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8. A extensão do cânon do Antigo Testamento


A aceitação inicial dos 22 livros (correspondentes exatamente aos nossos 39) das Escrituras hebraicas não resolveu a questão de uma vez por todas. Estudiosos de eras posteriores, nem sempre totalmente conscientes dos fatos a respeito dessa aceitação original, tornavam a levantar questões concernentes a determinados livros. A discussão deu ensejo a que surgisse uma terminologia técnica. Os livros bíblicos aceitos por todos eram chamados "homologoumena" (lit, falar como um). Os livros bíblicos que em certa ocasião tivessem sido questionados por alguns foram classificados como "antilegomena" (falar contra). Os livros não-bíblicos rejeitados por todos foram intitulados "pseudepígrafos" (falsos escritos). Uma quarta categoria compreendia livros não-bíblicos aceitos por alguns, mas rejeitados por outros, dentre os quais os livros questionáveis, chamados "apócrifos" (escondidos ou duvidosos). Nosso tratamento girará em torno dessa classificação em quatro tipos.

Os livros aceitos por todos — homologoumena


A canonicidade de alguns livros jamais foi desafiada por nenhum dos grandes rabis da comunidade judaica. Desde que alguns livros foram aceitos pelo povo de Deus como documentos produzidos pela mão dos profetas de Deus, continuaram a ser reconhecidos como detentores de Inspiração e de autoridade divina pelas gerações posteriores. Trinta e quatro dos 39 livros do Antigo Testamento podem ser classificados como "homologoumena". Os cinco excluíveis seriam Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Ester, Ezequiel e Provérbios. Visto, porém, que nenhum desses livros foi alvo de objeção muito séria, nossa atenção pode voltar-se para os outros livros.

Os livros rejeitados por todos — pseudepígrafos


Grande número de documentos religiosos espúrios que circulavam entre a antiga comunidade judaica são conhecidos como "pseudepígrafos". Nem tudo nesses escritos "pseudepigráficos" é falso. De fato, a maior parte desses documentos surgiu de dentro de um contexto de fantasia ou tradição religiosa, possivelmente com raízes em alguma verdade. Com freqüência a origem desses escritos estava na especulação espiritual, a respeito de algo que não ficou bem explicado nas Escrituras canônicas. As tradições especulativas a respeito do patriarca Enoque, por exemplo, sem dúvida são a raiz do livro de Enoque. De maneira semelhante, a curiosidade a respeito da morte e da glorificação de Moisés sem dúvida alguma acha-se por trás da obra Assunção de Moisés. No entanto, essa especulação não significa que não exista verdade nenhuma nesses livros. Ao contrário, o Novo Testamento refere-se a verdades implantadas nesses dois livros (v. Jd 14,15) e chega a aludir à penitência de Janes e Jambres (2Tm 3.8). Entretanto, esses livros não são mencionados como dotados de autoridade, como Escrituras inspiradas. À semelhança das citações que Paulo faz de alguns poetas não-cristãos, como Arato (At 17.28), Menânder (1Co 15.33) e Epimênides (Tt 1.12), trata-se tão-somente de verdades verificáveis, contidas em livros que em si mesmos nenhuma autoridade divina têm. A verdade é sempre verdade, não importa onde se encontre, quer pronunciada por um poeta pagão, quer por um profeta pagão (Nm 24.17), por um animal irracional e mudo (Nm 22.28) ou mesmo por um demônio (At 16.17).

Observe que nenhuma fórmula como "está escrito" ou "segundo as| Escrituras" é utilizada quando o escritor sagrado se refere a tais obras! "pseudepigráficas". É possível que o fato mais perigoso a respeito desses falsos escritos é que alguns elementos da verdade são apresentados comi palavras de autoridade divina, num contexto de fantasias religiosas que em geral contêm heresias teológicas. É importante que nos lembremos! de que Paulo cita apenas aquela faceta da verdade, e não o livro pagão j como um todo, como conceito a que Deus atribuiu autoridade e fez constar do Novo Testamento.


A natureza dos pseudepígrafos


Os pseudepígrafos do Antigo Testamento contêm os extremos da fantasia religiosa judaica expressos entre 200 a.C. e 200 d C Alguns desses livros são inofensivos teologicamente (e.g., Sl 151), mas outros contêm erros históricos e claras heresias. Desafia-se com vigor a genuinidade desses livros pelo fato de haver quem afirme que foram escritos por autores bíblicos. Os pseudepígrafos" refletem o estilo literário vigente num período muito posterior ao encerramento dos escritos proféticos, de modo que muitos desses livros imitam o estilo apocalíptico de Ezequiel, de Daniel e de Zacarias -ao referir-se a sonhos, visões e revelações. No entanto, diferentemente desses profetas, os "pseudepígrafos" com freqüência tornam-se mágicos. Os pseudepígrafos" ressaltam, sobretudo, um brilhante futuro messiânico, cheio de recompensas para todos quantos vivem em sofrimento e abnegação. Sob a superfície existe, com freqüência, um motivo religioso inocente, porém desencaminhado. Todavia, a infundada reivindicação de autoridade divina, o caráter altamente fantasioso dos acontecimentos e os ensinos questionáveis (e até mesmo heréticos) levaram os pais do judaísmo a considerá-los espúrios. O resultado, pois, é que tais livros foram corretamente rotulados de "pseudepígrafos".

O número dos pseudepígrafos


A coleção modelar de "pseudepígrafos" contém dezessete livros. Acrescente-se o salmo 151, que se encontra na versão do Antigo Testamento feita pelos Setenta. A lista principal é a seguinte:


Lendários

1. O livro do Jubileu

2. Epístola de Aristéias

3. O livro de Adão e Eva

4. O martírio de Isaías



Apocalípticos

1. 1Enoque

2. Testamento dos doze patriarcas

3. O oráculo sibilino

4. Assunção de Moisés

5. 2Enoque, ou O livro dos segredos de Enoque

6. 2Baruque, ou O apocalipse siríaco de Baruque *

7. 3Baruque, ou O apocalipse grego de Baruque


Didáticos

1. 3Macabeus

2. 4Macabeus

3. Pirque Abote

4. A história de Aicar



Poéticos

1. Salmos de Salomão

2. Salmo 151



Históricos

1. Fragmentos de uma obra de Sadoque

De modo nenhum essa lista é completa. Outros são conhecidos, mesmo alguns muito interessantes que vieram à luz quando da descoberta dos rolos do mar Morto. Dentre esses estão o Gênesis apócrifo e Guerra dos filhos da luz contra os filhos das trevas etc. (v. cap. 12).





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