Norman L. Geisler William E. Nix Introdução Bíblica Como a Bíblia chegou até nós



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13. Outros testemunhos de apoio ao texto bíblico


A transmissão do texto bíblico pode ser rastreada com certa clareza a partir de fins do século II e início do III até os tempos modernos por meio dos grandes manuscritos. Os elos que ligam esses manuscritos ao século I, no entanto, são uns poucos fragmentos de papiros e algumas citações dos pais apostólicos. Além dessas evidências, há materiais oriundos de descobertas arqueológicas, como os papiros não-bíblicos, os papiros bíblicos ou relacionados à Bíblia, os óstracos e as inscrições.

Os papiros não-bíblicos


A descoberta de papiros, óstracos e inscrições modificou algumas crenças básicas a respeito da própria natureza do Novo Testamento. Até o surgimento das obras de Moulton e de Milligan, Vocabulary of the Greek New Testament, illustrated from the papyri and other non-literary sources [Vocabulário do grego do Novo Testamento, com exemplos de papiros e de outras fontes não-literárias] (1914), de A. T. Robertson, A grammar of the Creek New Testament in light of historical research [Gramática do grego do Novo Testamento à luz das pesquisas históricas] (1914), e de Adolf Deissman, Light from the Ancient East [Luz oriunda do antigo Oriente] (trad. de 1923), o Novo Testamento era considerado livro escrito de modo misterioso, entregue aos seres humanos numa língua que se supunha ser a do Espírito Santo, As obras desses homens, combinadas com os esforços de outros, demonstraram indisputavelmente que o Novo Testamento era um exemplo lúcido de linguagem coloquial do século I, o grego coiné. Descobriram que o Novo Testamento não havia sido escrito numa "linguagem perfeita", como alguns pais latinos da igreja haviam presumido, mas que em seu vocabulário, sintaxe e estilo, o Novo Testamento realmente é um registro do grego coloquial do século I.

Além disso, descobriram entre os papiros não-bíblicos o pano de fundo que constituía os antecedentes religiosos e culturais do século I. Examinando as semelhanças culturais entre esses papiros e o Novo Testamento, verificaram que também havia umas seitas concorrentes, ou religiões que faziam trabalho missionário. O mundo antigo tornou-se um livro aberto que refletia os mesmos padrões de vida e de interesses refletidos na Bíblia. A fraseologia do Novo Testamento era semelhante à do ambiente em que se inseria; aliás, a linguagem da religião popular, da lei e da adoração ao imperador era semelhante à do Novo Testamento.



O fato de uma língua comum ser usada no Novo Testamento e no ambiente ao redor não implica que o Novo Testamento e o ambiente que o cercava tinham o mesmo sentido um do outro. Em outras palavras, os mesmos termos usados por diferentes religiões no máximo poderiam apresentar sentidos paralelos, jamais, porém, os mesmos: o sentido do cristianismo era muito diferente do sentido mundano ao redor. No entanto, algumas conclusões são inevitáveis, como mostram os papiros não-bíblicos. Dentre essas, salienta-se o fato de que o Novo Testamento não foi escrito numa por assim dizer língua do Espírito Santo. Em vez disso, havia sido escrito no grego comum (coiné), comercial, do mundo romano, a língua do povo e dos mercados mundiais. Além disso, os estilos da sintaxe e o vocabulário de Paulo, bem como os estilos de outros autores eram amplamente utilizados no século I. Esses fatos nos levam a crer que, se o grego do Novo Testamento era a língua comum do século I, segue-se que o Novo Testamento deve ter sido escrito no século I.

Papiros bíblicos, óstracos e inscrições




Os papiros bíblicos


Além dos materiais de escrita sobre que versamos no capítulo 12, outros papiros suplementares trazem mais esclarecimento ao texto do Novo Testamento. Um grupo de livros não-canônicos, Logia de Jesus (Dizeres de Jesus), foi descoberto entre os papiros. Uma comparação de seu conteúdo com o texto canônico revela sua natureza apócrifa. Pouca dúvida deve existir de que tais Dizeres apresentam um apelo local, possivelmente herético; no entanto, deram origem a várias coleções de "dizeres" que refletem a experiência religiosa popular dos séculos I e II.

Os óstracos


Os óstracos são cacos de cerâmica freqüentemente utilizados como material de escrita entre as classes mais pobres da antigüidade. Exemplo do uso desse meio de escrita é uma cópia dos evangelhos registrados em vinte peças de óstracos. Seriam o que se poderia chamar "a Bíblia do pobre". Essas peças de cerâmica (v. Is 45.9) permaneceram negligenciadas pelos estudiosos durante muito tempo, mas haveriam de lançar mais luz ao texto bíblico. Allen P. Wikgren relacionou cerca de 1 624 amostras desses humildes registros da história, em sua obra intitulada Greek ostraca [Óstracos gregos].

As inscrições


Alarga distribuição e a grande variedade de inscrições antigas não só atestam a existência dos textos bíblicos na época, mas também a importância deles. Há abundantes gravações em paredes, pilares, moedas, monumentos e outros lugares que têm sido preservadas como testemunhas do texto do Novo Testamento. Essas testemunhas, no entanto, são mero apoio, não tendo grande importância na corroboração do texto genuíno do Novo Testamento.

Os lecionários


Outra testemunha do texto do Novo Testamento que em geral tem sido subvalorizada são os numerosos lecionários (livros usados no culto da igreja), que continham textos selecionados para leitura, tirados da própria Bíblia. Esses lecionários serviam de manuais, sendo usados nos cultos ao longo de um ano. A maior parte desses manuais teria surgido talvez entre os séculos vii e xii, e deles sobreviveram dezenas de folhas e fragmentos de folhas, datados dos séculos iv e vi. Só cinco ou seis lecionários sobreviveram intactos, copiados em papiro, com letras unciais, ainda que essas houvessem sido substituídas pelo tipo de grafia denominado minúsculo.

Embora Caspar René Gregory houvesse relacionado cerca de 1 545 lecionários gregos, em seu Canon and text of the New Testament [Cânon e texto do Novo Testamento] (1912), cerca de 2 000 foram utilizados na obra crítica da United Bible Societies [Sociedades Bíblicas Unidas], The Greek New Testament (1966). A grande maioria dos lecionados consiste de textos para leitura tomados dos evangelhos. Os demais consistem de textos de Atos, às vezes ao lado de trechos das cartas. Ainda que fossem ornamentados com muita elaboração e às vezes até contivessem notações musicais, é preciso que se admita que os lecionários têm apenas valor secundário no estabelecimento do texto genuíno do Novo Testamento, No entanto, desempenham papel importante na compreensão de passagens específicas das Escrituras, como João 7.53— 8.11 e Marcos 16.9-20.


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