Norman L. Geisler William E. Nix Introdução Bíblica Como a Bíblia chegou até nós



Baixar 0.88 Mb.
Página30/45
Encontro19.07.2016
Tamanho0.88 Mb.
1   ...   26   27   28   29   30   31   32   33   ...   45

O testemunho oriundo dos antigos escritos apócrifos


A despeito de sua natureza herética e das fantasias de ordem religiosa, os escritos apócrifos dos séculos II e III d.C. fornecem um testemunho corroborativo da existência dos livros do cânon do Novo Testamento. Eles o fazem de várias maneiras. Primeiramente; os nomes desses livros apócrifos, com seus alegados autores apostólicos, são uma imitação muito visível dos livros genuínos, escritos pelos apóstolos do Novo Testamento (v. cap. 10). Em segundo lugar, existe com freqüência uma dependência literária e doutrinária dos livros canônicos, refletida nos falsos escritos. Em terceiro lugar, o estilo e o gênero literário imitam os livros do século I. Em quarto lugar, alguns desses livros (e.g., a Epístola aos laodicenses, supostamente do século rv) são semelhantes em conteúdo aos livros bíblicos (de modo específico Efésios e Colossenses). Em quinto lugar, alguns dos livros gnósticos do século III, de Nag-Hammadi, no Egito (descobertos em 1946), citam vários livros do Novo Testamento. O Evangelho da verdade cita a maior parte do Novo Testamento, incluindo-se Hebreus e Apocalipse. A Epístola de Regino cita 1 e 2Coríntios, Romanos, Efésios, Filipenses, Colossenses e a narrativa da transfiguração, tirada dos evangelhos, usando linguagem joanina em certos lugares.

Resumo e conclusão


Além dos três mil manuscritos gregos, existem ainda cerca de dois mil manuscritos de lecionários que apóiam o texto do Novo Testamento. Além do apoio literário de documentos não-bíblicos que se encontra nos papiros, há numerosos documentos sob a forma de óstracos e de inscrições com citações bíblicas. Bastariam as citações bíblicas feitas pelos pais primitivos da igreja para que praticamente todo o Novo Testamento estivesse preservado. Afora todas essas testemunhas, existem inúmeras alusões e citações dos séculos n e in, encravadas nos livros apócrifos, as quais dão testemunho direto da existência da maioria dos 27 livros do Novo Testamento. No todo, temos aqui um testemunho altamente significativo do texto bíblico.

14. O desenvolvimento da crítica textual


Uma vez reunidos todos os manuscritos e as demais evidências que dão testemunho quanto ao texto das Escrituras, o estudante da crítica textual torna-se herdeiro de uma tradição grandiosa. Ele passa a ter à sua disposição grande parte dos documentos que devem ser usados a fim de apurar a verdadeira redação do texto bíblico. Este capítulo trata do desenvolvimento histórico da ciência da crítica textual.

Distinção entre a alta crítica a baixa crítica


Levantou-se muita confusão e controvérsia em torno da questão da "alta" crítica (crítica histórica) e da "baixa" crítica (crítica textual) da Bíblia. Parte dessa controvérsia resultou da má compreensão do termo crítica aplicado às Escrituras. Em seu sentido gramatical esse termo diz respeito meramente ao exercício do julgamento. Quando se aplica à Bíblia, é usado no sentido de exercício do julgamento da própria Bíblia. Todavia, existem dois tipos básicos de crítica, e duas atitudes básicas diante de cada tipo. Os títulos atribuídos a esses dois tipos de crítica nada têm que ver com sua importância, conforme ilustra o debate que se segue.

A alta crítica (histórica)


Quando se aplica o julgamento dos estudiosos à autenticidade do texto bíblico, esse julgamento se chama alta crítica ou crítica histórica. O assunto dessa tipo de julgamento dos especialistas dias respeito à data do texto, seu estilo literário, sua estrutura, sua historicidade e sua autoria, O resultado é que a alta crítica na verdade não é parte fundamental da matéria Introdução Geral ao Estudo da Bíblia. Antes, a alta crítica é a própria essência da Introdução Especial. Os resultados dos estudos da alta crítica, feitos pelos herdeiros da teologia herética dos fins do século XVIII, não passam de um tipo de fruto altamente destrutivo.

O Antigo Testamento. A última data atribuída aos documentos do Antigo Testamento induziu alguns estudiosos a atribuir seus elementos sobrenaturais a lendas ou mitos. Isso resultou na negação da historicidade e da autenticidade de grande parte do Antigo Testamento por parte dos estudiosos céticos. Na tentativa de mediar entre o tradicionalismo e o ceticismo, Julius Wellhausen e seus seguidores desenvolveram a teoria documental, a qual propõe datar os livros do Antigo Testamento de modo menos sobrenaturalista. O resultado foi que desenvolveram a teoria jedp sobre o Antigo Testamento.



Tal teoria baseia-se em grande parte no argumento de que Israel não possuía escrita, antes da monarquia, e que um Código Eloísta (e) e um Código Javista (J) baseavam-se em duas tradições orais a respeito de Deus ("e" indicava o nome de Eloim e "J" o nome de Jeová [Yahweh]). A esses foi acrescentado o Código Deuteronômico (d) (documentos atribuídos ao tempo de Josias) e o chamado Sacerdotal ("Priestly" em inglês, de onde se origina o "p") do judaísmo pós-exílico. Essas opiniões não agradaram aos estudiosos ortodoxos, pelo que se levantou uma onda de oposição. Essa oposição surgiu só depois de longo tempo, de modo que o mundo dos estudiosos na maior parte seguiu a teoria de Wellhausen, de W. Robertson Smith e de Samuel R. Driver. Quando, finalmente, a oposição levantou sua voz contra a "crítica destrutiva", esta foi considerada insignificante, desprezada e arquivada. Entre os opositores estavam os proponentes de uma "crítica construtiva", como William Henry Green, A. H. Sayce, Franz Delitzch, James Orr, Wilhelm Moller, Eduard Naville e RobertDick Wilson.

O Novo Testamento. A aplicação de princípios semelhantes aos escritos do Novo Testamento surgiu na escola de teologia de Tübingen, por orientação de Heinrich Paulus, de Wilhelm de Wette e de outros. Esses homens desenvolveram princípios que desafiavam a autoria, a estrutura, o estilo e a data dos livros do Novo Testamento. A crítica destrutiva do modernismo induziu à crítica da forma, aplicada aos evangelhos, à negação da autoria de Paulo da maior parte das cartas a ele atribuídas até então. Chegou-se à conclusão de que só se poderia reconhecer como autenticamente paulinas as "Quatro Grandes" (Romanos, Gálatas, 1 e 2Coríntios). Por volta do final do século XIX, estudiosos ortodoxos competentes começaram a desafiar a crítica destrutiva da escola da alta crítica. Dentre esses estudiosos ortodoxos estavam George Salmon, Theodor von Zahn e R. H. Lightfoot. A obra desses homens quanto à alta crítica deve certamente ser considerada crítica construtiva. Grande parte do trabalho recente feito no campo da alta crítica revelou sua natureza racionalista na teologia, ainda que reivindicasse estar fundamentada na doutrina cristã ortodoxa. Esse racionalismo mais recente manifesta-se mais abertamente quando versa sobre certos assuntos como os milagres, o nascimento virginal de Jesus e sua ressurreição física.

A baixa crítica (textual)


Quando o julgamento dos estudiosos se aplica à confiabilidade do texto bíblico, ela é classificada como baixa crítica ou crítica textual. Abaixa crítica aplica-se à forma ou ao texto da Bíblia, numa tentativa de restaurar o texto original. Não deve ser confundida com a alta crítica, visto que a baixa crítica, ou crítica textual, estuda a forma das palavras de um documento, e não seu valor documental. Muitos exemplos de baixa crítica podem ser encontrados na história da transmissão do texto bíblico. Alguns desses exemplos foram produzidos por leais defensores do cristianismo ortodoxo, mas outros provieram de seus mais veementes opositores. Os estudiosos que se interessam por obter o original de um texto, mediante a aplicação de certos critérios ou padrões de qualidade, são críticos textuais. Em geral, o trabalho desses homens é construtivo, e sua atitude básica, positiva. Alguns deles seguem o exemplo de B. F. Westcott, sir Frederick G. Kenyon, Bruce M. Metzger e outros. Os que usam esses critérios para tentar destruir o texto são "descobridores de defeitos", apenas se interessam por encontrar falhas, e seu trabalho é basicamente negativo e destrutivo.

Visto que muitos dos que abraçaram a alta crítica investiram muito tempo e energia no estudo da crítica textual, tem havido uma tendência para que se classifiquem todos os críticos textuais com o termo "modernistas", críticos destrutivos ou críticos apegados à "alta crítica". Ao fazerem isso, alguns cristãos virtualmente "atiraram o bebê no ralo junto com a água do banho". Desaprovar a crítica textual meramente por que certos críticos da "alta crítica" empregaram esse método em seu trabalho dificilmente representa uma posição justificável, digna de ser defendida. A questão mais importante não é se a crítica é alta ou baixa, mas se é sadia, ortodoxa, Trata-se de assunto de evidências e de argumentações, não de pressuposições apriorísticas.


1   ...   26   27   28   29   30   31   32   33   ...   45


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal