Norman L. Geisler William E. Nix Introdução Bíblica Como a Bíblia chegou até nós



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Traduções principais


As mais antigas traduções da Bíblia tinham o propósito duplo que não pode ser subestimado: eram usadas a fim de disseminar a mensagem dos autógrafos ao povo de Deus, e ajudá-lo na obrigação de manter a religião pura. A proximidade dos autógrafos também indica sua importância, visto que conduzem o estudioso da Bíblia de volta aos primórdios dos documentos originais.

O Pentateuco samaritano


O Pentateuco samaritano pode ter-se originado no período de Neemias, em que se reedificou Jerusalém. Não sendo na verdade uma tradução, nem versão, mostra a necessidade do estudo cuidadoso para que se chegue ao verdadeiro texto das Escrituras. Essa obra foi, de fato, uma porção manuscrita do texto do próprio Pentateuco. Contém os cinco livros de Moisés, tendo sido escrito num tipo paleo-hebraico, muito semelhante ao que se encontrou na pedra moabita, na inscrição de Siloé, nas Cartas de Laquis e em alguns manuscritos bíblicos mais antigos de Qumran. A tradição textual do Pentateuco samaritano é independente do Texto massorético. Não foi descoberto pelos estudiosos cristãos senão em 1616, embora fosse conhecido dos pais da igreja, como Eusébio de Cesaréia e Jerônimo, tendo sido publicado pela primeira vez na obra Poliglota de Paris (1645) e, depois, na Poliglota de Londres (1657).

As raízes dos samaritanos podem ser encontradas na antigüidade, na época de Davi. Durante o reinado de Onri (880-874 a.C.) a capital havia sido estabelecida em Samaria (1Rs 16.24), e todo o Reino do Norte veio a ser conhecido como Samaria. Em 732 a.C. os assírios, sob Tiglate-Pileser III (745-727), conquistaram a parte nordeste de Israel e estabeleceram a política de deportar os habitantes e importar outros povos cativos para outras terras conquistadas. Sob Sargão II (em 721 a.C.) seguiu-se o mesmo procedimento, quando esse rei conquistou o resto de Israel. A Assíria impôs o casamento misto sobre os israelitas que não haviam sido deportados, a fim de garantir que nenhuma revolta ocorresse, pois os povos estariam automaticamente perdendo sua nacionalidade e absorvendo as culturas de outros povos cativos (2Rs 17.24— 18.1). De início os colonos adoravam deuses próprios. Quando os judeus voltaram do cativeiro babilônico, ou um pouco depois disso, esses colonos aparentemente desejaram seguir o Deus de Israel. Os judeus impediram que os samaritanos fossem integrados, e estes, por sua vez, se opuseram à restauração (v. Ed 4,2-6; Ne 5,11— 6;19). No entanto, por volta de 432 a.C, a filha de Sambalate com o neto do sumo sacerdote Eliasibe, O casal misto foi expulso de Judá, e tal incidente provocou o fato histórico do rompimento entre judeus e samaritanos (v. Ne 13.23-31).



A religião samaritana como sistema separado de adoração na verdade data da expulsão do neto do sumo sacerdote, em cerca de 432 a.C. Por essa época, um exemplar da Tora pode ter sido levado a Samaria e colocado no templo que havia sido construído no monte Gerizim, em Siquém (Nablus), onde se estabelecera um sacerdócio rival. Essa data no século v pode explicar tanto o texto paleo-hebraico quanto a dupla categorização ou divisão do Pentateuco samaritano em Lei e livros não-canônicos. Esse apego samaritano à Tora e o isolamento desse povo, separado dos judeus, resultou em que a Lei foi submetida a uma tradição textual à parte. O manuscrito mais antigo do Pentateuco samaritano data de meados do século XIV e trata-se de um fragmento de um pergaminho — o rolo chamado Abisa. O códice do Pentateuco samaritano mais antigo traz uma nota sobre ter sido vendido em 1149-1150 d.C, embora fosse muito mais velho. A Biblioteca Pública de Nova Iorque abriga outro exemplar que data de cerca de 1232. Imediatamente após a descoberta desse exemplar, em 1616, o Pentateuco samaritano foi aclamado como superior ao Texto massorético. No entanto, depois de cuidadoso estudo, foi relegado a posição inferior. Só recentemente esse documento reobteve um pouco de sua antiga importância, ainda que seja considerado até hoje de menor importância do que o texto massorético da lei. Os méritos do texto do Pentateuco samaritano podem ser avaliados pelo fato de apresentar apenas 6 000 variantes em relação ao Texto massorético, e em sua maior parte constituem diferenças ortográficas que se considerariam insignificantes. Há ali a afirmativa de que o monte Gerizim é o centro de adoração, e não a cidade de Jerusalém, com acréscimos aos relatos de Êxodo 20.2-17 e Deuteronômio 5.6-21. Às vezes o Pentateuco samaritano e a Septuaginta concordam a respeito de uma redação que, todavia, "é diferente do Texto massorético; provavelmente isso se deva a que aqueles trazem o texto original. No entanto, o Pentateuco samaritano reflete tendências culturais na ambientação hebraica, como inserções sectárias, repetições das ordens de Deus, impulsos no sentido de modernizar certas formas verbais antigas e tentativas de simplificar as partes mais difíceis da redação hebraica.

Os targuns aramaicos


A origem dos targuns. Há evidências de que os escribas, já nos tempos de Esdras (Ne 8.1-8), estavam escrevendo paráfrases das Escrituras hebraicas em aramaico, Não estavam produzindo traduções, mas textos explicativos da linguagem arcaica da Tora. As pessoas que realizavam esse trabalho de produzir paráfrases eram chamados methurgeman; desempenhavam papel importante na comunicação da palavra de Deus em língua hebraica (que aos ouvidos samaritanos soava tão exótica), na língua do dia-a-dia que o povo entendia bem. Antes do nascimento de Cristo, quase todos os livros do Antigo Testamento tinham suas paráfrases ou interpretações (targuns). Ao longo dos séculos seguintes o targum foi sendo redigido até surgir um texto oficial.

Os mais antigos targuns aramaicos provavelmente foram escritos na Palestina, durante o século II d.C, embora haja evidências de alguns textos aramaicos de um período pré-cristão. Esses textos primitivos, oficiais, do targum, continham a lei e os profetas, embora targuns de épocas posteriores também incluíssem outros escritos do Antigo Testamento. Vários targuns não-oficiais, em aramaico, foram encontrados nas cavernas de Qumran, cujos textos seriam substituídos pelos textos oficiais do século II d.C. Durante o século III, todos os exemplares do Targum palestino oficial, abrangendo a lei e os profetas, foram praticamente engolidos por outra família de paráfrases dos textos bíblicos, chamadas Targuns aramaico-babilônicos. As cópias do targum que contivessem os demais escritos sagrados, além da lei e dos profetas, continuavam a ser feitas extra-oficialmente.



Os targuns que mais se destacaram. Durante o século III d.C, surgiu na Babilônia um targum aramaico sobre a Tora. Possivelmente se tratasse de uma versão corrigida de texto palestino antigo; mas também poderia ter-se originado na Babilônia, tendo sido tradicionalmente atribuído a Onquelos (Ongelos), ainda que tal nome provavelmente resultasse de confusão com Áqüila (v. cap. 17).

O Targum de Jônatas ben Uzziel é outro targum babilônico em aramaico, que acompanhava os profetas (os primeiros e os últimos). Data do século IV, sendo uma tradução mais livre do texto que a tradução de Onquelos. Esses targuns eram lidos nas sinagogas: o texto de Onquelos ao lado da Tora, que se liam em sua inteireza; Jônatas era lido ao lado de seleções dos profetas (haphtaroth, pl.). Visto que as demais partes do Antigo Testamento (escritos) não eram lidas nas sinagogas, não se produziu nenhum targum oficial, mas havia cópias não-oficiais usadas pelas pessoas de modo particular. Pelos meados do século VII surgiu o Targum do pseudo-Jônatas, sobre o Pentateuco. Trata-se de uma mistura do Targum de Onquelos e alguns textos do Midrash. Outro targum apareceu ao redor do ano 700, o Targum de Jerusalém, do qual sobreviveu apenas um fragmento. Nenhum desses targuns é importante sob o aspecto do texto, mas todos provêem informações importantes para o estudo da hermenêutica, visto que indicam a maneira por que as Escrituras eram interpretadas pelos estudiosos rabínicos.


O Talmude e o Midrash


Surgiu um segundo período na tradição dos escribas do Antigo Testamento, entre 100 e 500 d.C., conhecido como o período talmúdico. O Talmude (lit., instrução) desenvolveu-se como um corpo da lei civil e canônica hebraica, com base na Tora. O Talmude basicamente representa as opiniões e as decisões de professores judeus de cerca de 300 a 500 d.C, consistindo em duas principais divisões: o Midrash e a Gemara. A Mishna (repetição, explicação) completou-se perto de 200 d.C, como se fora um digesto hebraico de todas as leis orais, desde o tempo de Moisés. Era altamente considerada como a segunda lei, sendo a Tora a primeira. A Gemara (término, finalização) era um comentário ampliado, em aramaico, da Mishna. Foi transmitida em duas tradições: a Gemara palestina (c. 200) e a Gemara babilônica, maior, dotada de mais autoridade (c. 500).

O Midrash (lit., estudo textual) na verdade era uma exposição formal, doutrinária e homilética das Sagradas Escrituras, redigida em hebraico ou em aramaico. De mais ou menos 100 até 300 d.C, esses escritos foram reunidos num corpo textual a que se deu o nome de Halaka (procedimento), que era uma expansão adicional da Tora, e Hagada (declaração, explicação), ou comentários de todo o Antigo Testamento. O Midrash de fato diferia do Targum neste ponto: o Midrash eram comentários, em vez de paráfrases. O Midrash contém algumas das mais antigas homilias do Antigo Testamento, bem como alguns provérbios e parábolas, textos usados nas sinagogas.


Traduções siríacas


A língua siríaca (aramaico) de algumas partes do Antigo Testamento e até mesmo de alguns manuscritos do Novo Testamento, era comparável ao grego coiné e ao latim da Vulgata. O aramaico era a língua comum do povo nas ruas. Visto que os judeus da época do Senhor Jesus sem dúvida alguma falavam o aramaico, a língua daquela região toda, é razoável presumir que os judeus que moravam na vizinha Síria também falassem esse idioma. Por sinal, Josefo relata que os judeus do século I faziam proselitismo nas áreas a leste da antiga Nínive, perto de Arbela. Seguindo o exemplo deles, os primeiros cristãos partiram para a mesma área geográfica e prosseguiram até a Ásia Central, a índia e a China. A língua básica desse grande ramo do cristianismo era o siríaco, ou o que F. F. Bruce chamava "aramaico cristão". Uma vez que a igreja começou a mover-se, saindo da Síria, desenvolvendo seus esforços missionários, tornou-se premente a necessidade de uma versão da Bíblia especial para essa região.

Siríaca peshita. A Bíblia traduzida para o siríaco era comparável à Vulgata latina. Era conhecida como Peshita (lit., simples), O texto do Antigo Testamento da Peshita deriva de um texto surgido em meados do século II ou início do III, embora a designação Peshita date do século IX. É provável que o Antigo Testamento houvesse sido traduzido do hebraico, mas recebeu revisão a fim de conformar-se com a lxx. A Peshita segue o Texto massorético, supre excelente apoio textual, mas não é tão confiável, como testemunha independente do texto genuíno do Antigo Testamento.

Acredita-se que a edição padrão do Novo Testamento siríaco derive de uma revisão datada do século v, feita por Rabbula, bispo de Edessa (411-435). Sua revisão de fato se fez em manuscritos que continham versões siríacas, cujo texto foi alterado para aproximar-se mais dos manuscritos gregos que na época eram usados em Constantinopla (Bizâncio). Essa edição do Novo Testamento siríaco, mais a revisão cristã feita no Antigo Testamento siríaco, viria a ser conhecida como Peshita. Em obediência à ordem de Rabbula, segundo a qual um exemplar de sua revisão fosse colocado em cada igreja de sua diocese, a Peshita obteve ampla circulação de meados do século v até seu final. Em decorrência de sua atuação, a versão Peshita veio a tornar-se a versão autorizada dos dois ramos principais do cristianismo siríaco, os nestorianos e os jacobitas.



Versão siro-hexaplárica. O texto siro-hexaplárico do Antigo Testamento era uma tradução siríaca que ocupava a quinta coluna das páginas da obra de Orígenes intitulada Héxapla (v. cap. 17). Embora fosse traduzida por volta de 616 por Paulo, bispo de Tela, essa obra na verdade jamais criou raízes nas igrejas siríacas. Isso aconteceu em parte por causa da tradução fortemente literal do texto grego, em violação ao idioma siríaco. Esse caráter literal da tradução fez que o texto siro-hexaplárico se tornasse ferramenta muito útil para determinar o texto correto dos Héxapla. Alguns trechos desse manuscrito sobreviveram no Códice mediolanense, que consiste em 2 Reis, Isaías, os Doze, Lamentações e os livros poéticos (exceto Salmos). O Pentateuco mais os livros históricos sobreviveram até cerca de 1574, mas depois desapareceram. À semelhança da Peshita, o texto dessa versão é basicamente bizantino.

Diatessaron de Taciano (c. 170). Taciano foi um cristão assírio, discípulo de Justino Mártir em Roma. Depois da morte de seu mentor, Taciano voltou a seu país de origem e produziu uma harmonia dos evangelhos; à base de "tesoura e cola", denominada Diatessaron (lit., através dos quatro). A obra de Taciano é conhecida principalmente mediante referências indiretas, mas havia sido amplamente utilizada e popularizada, até ser abolida por Rabbula e Teodoreto, bispo de Cirro, em 423, pelo fato de Taciano ter pertencido à seita herética dos encratitas. A obra de Taciano tornou-se tão popular que Efraim, pai sírio da igreja, escreveu um comentário sobre ela, antes que Teodoreto conseguisse que todas as cópias (cerca de cem) fossem destruídas. Para substituir o Diatessaron, Teodoreto apresentou outra tradução dos Evangelhos dos Quatro Evangelistas.

Visto que o Diatessaron não sobreviveu, é impossível saber se originariamente havia sido escrito em siríaco ou, mais provavelmente, em grego e, depois, traduzido para o siríaco. O comentário de Efraim sobre o Diatessaron foi escrito em siríaco, mas também se perdeu. Uma tradução armênia do comentário sobreviveu, no entanto, assim como duas versões arábicas do Diatessaron. Ainda que a obra original do Diatessaron fosse calcada fortemente no Novo Testamento, e pudesse suportar a crítica textual, constitui testemunho secundário, a partir de uma tradução e do comentário traduzido, e acrescentaria pequeno peso ao texto original dos evangelhos. Observa-se, contudo, um fato: o Diatessaron recebeu influência de textos do Novo Testamento, tanto do Oriente como do Ocidente.



Manuscritos da Antiga siríaca. O Diatessaron não foi a única forma de textos dos evangelhos usada pelas igrejas siríacas. Entre os estudiosos havia a tendência de mantê-los separados, e lê-los separadamente. Até mesmo antes da época de Taciano, escritores como Hegésipo mencionaram outra versão siríaca da Bíblia. Esse texto dos evangelhos em siríaco antigo era típico do texto ocidental, tendo sobrevivido em dois manuscritos. O primeiro deles é um pergaminho conhecido como Siríaca curetoniana; o segundo é um palimpsesto conhecido como Siríaca sinaítica. Esses documentos eram chamados "Os Separados", pelo fato de virem tramados entre si, à feição do Diatessaron de Taciano. Embora haja diferenças entre os dois textos, ambos refletem a mesma versão de um texto que data de fins do século II, ou início do III. Nenhum texto do resto do Novo Testamento em siríaco antigo sobreviveu até nossos dias, embora tenham sido reconstituídos com base em citações nos escritos dos pais da igreja oriental.

Outras versões siríacas. Três outras versões siríacas requerem um comentário especial, ainda que reflitam textos que surgiram depois daqueles de que já tratamos. Em 508 completou-se mais um Novo Testamento siríaco, que incluía os livros omitidos pela Peshita (2 Pedro, 2 João, 3 João, Judas e Apocalipse). Na verdade, o trabalho era uma revisão da Bíblia toda feita pelo bispo Policarpo, sob a direção de Zenaia (Filoxeno), bispo jacobita de Mabugue, situada a leste da Síria. À tradução Siríaca filoxeniana revela que a igreja siríaca não aceitara o cânon do Novo Testamento como um todo até o século VI. Em 616, outro bispo de Mabugue, Tomás de Heracléia, reeditou o texto filoxeniano, ao qual adicionou algumas notas marginais ou o revisou completamente, num estilo bem mais literal. Essa revisão ficou conhecida como a versão Siríaca heracleana, embora a parte do Antigo Testamento tenha sido feita por Paulo de Tela, como informamos anteriormente. O comentário crítico do livro de Atos da heracleana é o segundo documento mais importante que traz o texto ocidental; só é ultrapassado em importância pelo Códice Beza. A terceira versão siríaca é conhecida como Siríaca palestinense. Não existe versão completa do Novo Testamento relacionada à Siríaca palestinense. É provável que seu texto date do século v e sobreviveu em fragmentos apenas, em sua maior parte oriundos de lecionários dos evangelhos que datam dos séculos XI e XII.

Traduções secundárias


Ainda que o Pentateuco samaritano, o Talmude e os mais antigos manuscritos do Midrash houvessem sido escritos em paleo-hebraico, com caracteres hebraicos, e, por isso, nem chegam a qualificar-se como traduções, provêem todavia uma base para os trabalhos posteriores de tradução, pois fazem que as Escrituras fiquem disponíveis ao povo de Deus. Os targuns aramaicos e as várias traduções siríacas da Bíblia reforçaram mais ainda essa tendência, ao colocá-las nas línguas básicas dos judeus e dos cristãos primitivos. A partir dessas versões básicas surgiram várias traduções secundárias. Tais traduções secundárias têm pouco mérito textual, mas dão indicação da vitalidade básica das missões cristãs e do desejo dos novos crentes de terem a Palavra de Deus em suas próprias línguas.

Traduções nestorianas. Quando os nestorianos foram condenados no Concilio de Éfeso (431), seu fundador, Nestório (m. c. 451), foi colocado num mosteiro, como parte de um compromisso que levou muitos de seus seguidores a aderir a seus adversários. No entanto, os nestorianos persas separaram-se e fundaram uma igreja cismática. Espalharam-se pela Ásia Central e até o extremo leste da Ásia, traduzindo a Bíblia para várias línguas à medida que se iam deslocando. Dentre essas traduções estão as chamadas versões sogdianas. São versões baseadas nas Escrituras siríacas e não nos textos hebraicos e gregos. Só pequenos fragmentos dessa obra permaneceram, e todos do século IX em diante. Nenhum desses textos, todavia, é significativo, visto serem traduções de uma tradução. A devastadora ação de Tamerlane, "o chicote da Ásia", quase exterminou os nestorianos sua herança, perto do final do século IV.

Traduções arábicas. Depois do surgimento do islamismo (após a Hégira, ou fuga de Maomé em 622 d.C), a Bíblia foi traduzida para o árabe, a partir do grego, do siríaco, do copta, do latim e de várias combinações desses idiomas. A mais antiga das várias traduções arábicas aparentemente derivou-se do siríaco, talvez da Antiga siríaca, mais ou menos na época em que o islamismo surgiu como potência considerável na história (c. 720). Maomé (570-632), fundador do islamismo, só conhecia a história do evangelho mediante a tradição oral, e assim mesmo com base em fontes siríacas. A única tradução padronizada do Antigo Testamento para o árabe é a que foi feita por um estudioso judeu, Saadia Gaon (c. 930). À semelhança das traduções nestorianas, as traduções arábicas abrangem desde o século IX até o XIII. As traduções arábicas, com exceção do Antigo Testamento, baseiam-se em traduções e não nas línguas originais, pelo que oferecem pouca ajuda à crítica textual, se é que podem ajudar em alguma coisa.

Traduções para o antigo persa. Duas traduções dos evangelhos para o persa antigo são conhecidas, mas basearam-se em textos siríacos do século XIV e num texto grego posterior. Esse apresenta alguma semelhança com o texto cesareense, mas apresenta pouco valor quanto à crítica textual.
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