Norman L. Geisler William E. Nix Introdução Bíblica Como a Bíblia chegou até nós



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As traduções modelares da bíblia em inglês


Enquanto os protestantes se ocupavam em fazer traduções da Bíblia para a língua da Inglaterra, seus correspondentes católicos romanos começavam a sentir desejo semelhante. Após a morte de Mary Tudor em 1558, Elizabete I ascendeu ao trono, e os exilados católicos romanos de seu reino empreenderam uma tarefa semelhante à dos exilados protestantes em Genebra, durante o reinado de Mary. A multiplicidade e a diversidade das traduções foi tanta, que quando Tiago i assumiu o trono em 1603, fazia-se necessária uma tradução mais unificada, para que os vários grupos dentro da igreja pudessem recorrer a uma autoridade comum em seus debates teológicos. Em decorrência dos esforços então postos em ação, a Bíblia do rei Tiago, a mais influente de todas as traduções dos protestantes ingleses, foi produzida.

A Bíblia de Rheims-Douai (1582,1609)


Em 1568, um grupo de católicos romanos exilados da Inglaterra fundou a Faculdade Inglesa de Douai, em Flandres. Eles procuravam treinar sacerdotes e outros que preservassem sua fé católica. William Allen (1532-1594), cônego de Oxford durante o reinado de Mary Tudor, liderou a fundação da faculdade e sua mudança para Rheims, na França, quando surgiram problemas políticos em 1578. Em Rheims, a Faculdade Inglesa passou à direção de outro estudioso de Oxford, Richard Bristow (1538-1581), que fora a Douai em 1569. Durante essa época, Allen foi chamado a Roma, onde fundou outra Faculdade Inglesa e mais tarde passou a cardeal. Em 1593, a Faculdade Inglesa de Rheims voltou para Douai.

A hierarquia romana desejou uma tradução inglesa da Vulgata latina, e Allen expressou esse desejo por carta a um professor da faculdade em Douai, em 1578. Gregory Martin (m. 1582), ainda outro estudioso de Oxford, empreendeu a tarefa. Martin havia obtido o título de Master of Arts (ma) em 1564. Nessa época, renunciou ao protestantismo e foi a Douai para estudar. Em 1570, passou a dar aulas de hebraico e de Escritura Sagrada. Ele deu prosseguimento à sua tradução do Antigo Testamento ao ritmo de cerca de dois capítulos por dia até sua morte em 1582. Logo antes de sua morte, o Novo Testamento foi publicado com muitas notas. Essas notas foram feitas por Bristow e por Allen. Aos seus esforços aliaram-se os de outro protestante convertido ao catolicismo, William Reynolds, embora seu papel na tarefa não seja conhecido com certeza.

Enquanto a tradução de Rheims do Novo Testamento (1582) tivesse sido projetada para contrapor-se às traduções inglesas protestantes, ela teve algumas limitações sérias. Foi uma versão fraca do texto para o inglês e se baseou em outra tradução, e não na língua original do Novo Testamento. Os tradutores se guardaram "contra a idéia de que as Escrituras deviam sempre estar na nossa língua materna, ou de que deveriam ser ou foram ordenadas por Deus para ser lidas indiferentemente por todos". Não apenas isso, mas os tradutores não esconderam o fato de estarem fazendo um trabalho polêmico, como mostram suas copiosas notas. O Novo Testamento foi reeditado em 1600, em 1621 e em 1633.

Entrementes, o Antigo Testamento, que de fato foi traduzido antes do Novo, teve sua publicação adiada. Limitações financeiras e o aparecimento de diversas novas edições do texto da Vulgata impediram a publicação da tradução de Douai doAntigo Testamento até 1609. Sua segunda edição foi lançada em 1635. A tradução em si foi iniciada por Martin e provavelmente terminada por Allen e por Bristow, com notas a mente fornecidas por Thomas Worthington, embora os pormenores sejam tão obscuros, que essas questões não podem ser precisas com certeza. Ela foi baseada no texto de Louvain, não oficial, da Vulgata(1547), editado por Henten, mas conformou-se ao texto sixtino-clementino de 1192. A tradução em si foi toda uniforme, até no uso ultraliteral dos latinismos. As notas eram basicamente projetadas para fazer a interpretação do texto harmonizar-se aos decretos do Concilio de Trento (1546-1563).

O Novo Testamento de Rheims esteve em circulação tempo suficiente para exercer influência importante nos tradutores da Bíblia inglesa de 1611. A tradução de Douai do Antigo Testamento, contudo, não foi publicada a tempo de influenciar esses tradutores. Com uma rainha protestante no trono e com um rei protestante por sucessor, a Bíblia de Rheims-Douai tinha pouca possibilidade de competir com as traduções protestantes já no mercado ou substituí-las, A escassas de reimpressões da Bíblia de Rheims-Douai revela que os católicos "não temiam que os poucos exemplares existentes fossem encontrados nas mãos de cada lavrador". Depois de 1635, foram feitas diversas reimpressões, mas a segunda edição revisada não surgiu senão em 1749-1750, quando Richard Challoner, bispo de Londres, deu sua importante contribuição.

A Bíblia do rei Tiago (1611)


Em janeiro de 1604, Tiago I foi convocado a comparecer à Conferência de Hampton Court em resposta à Petição Milenar que recebeu ao dirigir-se de Edimburgo para Londres após a morte de Elizabete I. Perto de mil líderes puritanos haviam assinado uma lista de queixas contra a igreja da Inglaterra, e Tiago desejava ser o pacificador nesse novo reino, colocando-se acima de todos os partidos religiosos. Ele tratou os puritanos com maus modos na conferência, até que John Reynolds, presidente puritano da Faculdade Corpus Christi, em Oxford, levantou a questão de ser feita uma versão autorizada da Bíblia para todos os partidos dentro da igreja. O rei expressou seu apoio à tradução porque o ajudaria a livrar-se de duas das traduções mais populares e elevar a sua estima aos olhos dos súditos. Foi nomeada uma junta, à semelhança daquela da Bíblia de Genebra, que Tiago considerava a pior de todas as traduções existentes. Ela e a Bíblia dos bispos eram as Bíblias que ele esperava suplantar na igreja.

Seis grupos de tradutores foram escolhidos: dois em Cambridge para revisar de 1Crônicas a Eclesiastes e os livros apócrifos; dois em Oxford para revisar de Isaías a Malaquias, os evangelhos, Atos e o Apocalipse; dois em Westminster para revisar de Gênesis a 2 Reis e de Romanos a Judas. Apenas 47 dos 54 homens escolhidos trabalharam de fato nessa revisão da Bíblia dos bispos. Suas instruções estabeleciam que eles deviam seguir o texto da Bíblia dos bispos, a menos que notassem que as traduções de Tyndale, de Matthew, de Coverdale, de Whitchurche e de Genebra correspondessem mais de perto ao texto original. Esse texto original se baseou em poucos ou nenhum dos textos superiores dos séculos de XII a XV, uma vez que seguiu as edições de 1516 e de 1522 do texto grego de Erasmo, incluindo-se sua interpolação de 1João 5.7. Usar a Bíblia dos bispos como ponto de partida significava que muitas das antigas palavras eclesiásticas seriam mantidas na nova revisão. De forma não oficial, a recente publicação da Bíblia de Rheims-Douai influenciaria a reintrodução de muitos latinismos no texto.



As notas marginais acompanharam a nova revisão, e a chamada Versão autorizada nunca chegou a ser de fato autorizada, nem ser de fato uma versão. Ela substituiu a Bíblia dos bispos nas igrejas porque nenhuma edição dessa Bíblia foi publicada depois de 1606. Ser lançada no mesmo formato que a Bíblia de Genebra conferiu à publicação de 1611 maior influência, assim como para isso contribuiu o uso que fez de expressões precisas. A longo prazo, a grandeza de sua tradução conseguiu vencer a competição com a influente Bíblia de Genebra dos puritanos, sua principal rival. Três edições da nova tradução apareceram em 1611. Outras edições foram publicadas em 1612, e sua popularidade continuou a exigir novas impressões. Durante o reinado de Carlos i (1625-1649), o Parlamento Longo estabeleceu uma comissão para deliberar sobre a revisão da chamada Versão autorizada ou produzir uma tradução totalmente nova. Somente revisões insignificantes resultaram em 1629, 1638, 1653, 1701, 1762, 1769 e duas edições posteriores. Essas três últimas revisões foram feitas pelo dr. Blayney de Oxford. Elas variaram em cerca de 75 mil pormenores do texto da edição de 1611. Pequenas mudanças continuaram a surgir no texto até datas recentes como 1967 no texto da Versão autorizada que acompanha a New Scofield reference edition [Nova edição de referência de Scofield]. Entrementes, foram feitas tentativas de trazer amplas alterações e correções às traduções inglesas da Bíblia em virtude de novas descobertas textuais e por conta da natureza mutável da própria língua.
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