Norman L. Geisler William E. Nix Introdução Bíblica Como a Bíblia chegou até nós



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20. As traduções da Bíblia para o inglês moderno


A Bíblia é o livro mais divulgado do mundo. Uma das evidências mais fortes disso é o grande número de traduções e a variedade de línguas para as quais já foi traduzida. A Bíblia inteira já foi traduzida para mais de duzentas línguas, e partes dela aparecem em mais de mil línguas e dialetos. Essas traduções ilustram amplamente o elo definitivo na cadeia que provém de Deus para nós, mas nossa principal preocupação e atenção serão dirigidas à tradução da Bíblia para o inglês. Nosso levantamento estará centrado nas traduções com base nas Bíblias de Rheims-Douai e do rei Tiago, de fins do século XV e começos do XVI.

As traduções e as versões católicas romanas


A principal tradução da Bíblia em inglês para os católicos romanos durante a era da Reforma foi a de Rheims-Douai, de 1582,1609 (v. cap. 19). Ela se impôs lentamente, mas veio a dominar o cenário até 1635; sendo publicada diversas vezes após essa data. Não obstante, não se tratou da única tradução católica romana da Bíblia para o inglês.

A Bíblia de Rheims-Douai-Challoner


Embora diversas impressões da Bíblia de Rheims-Douai fossem feitas após 1635, não foi senão em 1749-1750 que Richard Challoner, bispo de Londres, publicou a segunda edição revisada. Essa edição foi pouco mais que uma nova tradução da Bíblia para o inglês, pois aproveitou diversas melhorias na tradução da Bíblia feitas durante o século XVIII. Em 1718, e.g uma nova tradução do Novo Testamento da Vulgata foi publicada por Cornelius Nary. Em 1730, Robert Witham, presidente da Faculdade Inglesa de Douai, publicou uma revisão do Novo Testamento de Rheims. Esse apresentava certas revisões atribuídas a Challoner, que havia sido colega de Witham em Douai após sua conversão do protestantismo. Uma quinta edição do Novo Testamento de Rheims foi publicada em 1738. Ela continha algumas revisões geralmente atribuídas a Challoner e foi a primeira edição revisada desse Novo Testamento publicada em mais de um século (a quarta edição revisada fora publicada em 1633). Em 1749, Challoner publicou seu Novo Testamento de Rheims revisado, o que fez novamente em 1750,1752,1763 e 1772. Sua revisão do Novo Testamento de Douai foi publicada em 1750 e em 1763.

Desde aquele tempo, outras edições da Bíblia de Rheims-Douai foram publicadas, mas praticamente todas baseadas na revisão de 1749-1750. Por conseguinte, o padre Hugh Pope observou corretamente que "os católicos de fala inglesa do mundo todo têm para com o dr. Challoner uma imensa dívida de gratidão, pois ele lhes forneceu pela primeira vez uma versão portátil, econômica e de fácil leitura, que, a despeito de uns poucos defeitos inevitáveis, suportou o teste de duzentos anos de uso".23 Tem havido tantas revisões e edições dessa Bíblia de Challoner, que ela difere muito da Bíblia original de Rheims-Douai, já não sendo correto identificar essa obra pelo nome da sua predecessora. E, por sinal, a tradução que Challoner fez da Bíblia.


A Bíblia da Confraria de Doutrina Cristã


A primeira Bíblia católica romana dos Estados Unidos (1790) foi uma grande edição in-quarto do Antigo Testamento de Douai e uma mistura de diversas revisões de Challoner combinadas com a edição de 1752 do texto do Novo Testamento de Rheims-Challoner. Essa Bíblia foi na realidade a primeira Bíblia in-quarto de qualquer espécie em inglês a ser publicada na América do Norte. De 1849 a 1860, Francis Patrick Kenrick fez uma nova revisão da Bíblia de Challoner em seis volumes, embora alegasse ter feito sua tradução da Vulgata latina, após compará-la diligentemente com os textos hebraicos e gregos. Dessa época em diante, outras edições apareceram nos dois lados do Atlântico.

Em 1936, teve início uma nova revisão do Novo Testamento de Rheims-Douai sob os auspícios da Junta Episcopal da Confraria de Doutrina Cristã. Foi nomeada uma junta de 28 estudiosos, para que trabalhassem na revisão sob a direção de Edward P. Arbez. O texto usado como base foi o da Vulgata latina, mas foram aproveitadas as melhorias recentes advindas das pesquisas de estudiosos da Bíblia. Muitas das expressões arcaicas das revisões anteriores foram eliminadas, como também muitas das copiosas notas. O texto foi organizado em parágrafos, e foi empregada a ortografia americana. A gráfica St. Anthony Guild Press publicou o Novo Testamento da Confraternidade em 1941, que foi prontamente adotado pelos católicos de fala inglesa em todo o mundo em decorrência da Segunda Guerra Mundial.



O papa Pio xii publicou a encíclica Divino afflante Spiritu (1943) declarando que as traduções da Bíblia podiam basear-se nos textos originais em hebraico e em grego, e não apenas na Vulgata latina. Essa foi uma brusca inversão na posição tomada pelos tradutores da Bíblia de Rheims-Douai (v. cap. 19). Após as restrições do tempo da guerra terem caído, a Confraria começou a publicar uma nova versão do Antigo Testamento Ao contrário de qualquer tradução feita por católicos em mais de um milênio e meio, essa seria baseada nas línguas originais e não em alguma tradução latina anterior. Até 1967, os quatro volumes foram concluídos e publicados. Começou-se a trabalhar, então, sob a direção de Louis F. Hartman, numa nova versão do Novo Testamento. Em 1970 a New American Bible [Nova Bíblia americana] foi publicada. Ela baseava-se nos mais recentes aperfeiçoamentos da crítica literária e foi traduzida diretamente dos textos hebraicos e gregos.

A tradução de Knox


Da mesma forma que a Bíblia da Confraria de Doutrina Cristã é a Bíblia católica romana oficial dos Estados Unidos, a tradução de Knox é a Bíblia católica romana oficial da Grã-Bretanha. Ela foi solicitada por Ronald A Knox em 1939, quando ele, recém-convertido ao catolicismo romano, pro-pôs à hierarquia inglesa a produção de uma nova tradução. Embora uma nova tradução para o inglês tivesse sido publicada em 1935 (Versão de Westminster das Escrituras Sagradas), e um novo texto da Vulgata latina viesse a lume em 1945, depois da encíclica do papa Pio XII, em 1943, monsenhor Knox não incorporou esses materiais no seu Novo Testamento (1945), nem nas traduções do Antigo Testamento (1949). Em vez disso, baseou suas traduções no texto da Vulgata sixtino-clementina de 1592. Contudo em 1955, a hierarquia romana deu sua sanção oficial à tradução de Knox para os católicos de língua inglesa. Desde o início, a tradução de Knox repousa sobre um alicerce muito mais fraco que o da versão da Confraria Americana sua sucessora, a Nova Bíblia americana. Essas são baseadas em mais recentes evidências de manuscritos, bem como nos textos das línguas originais. Além disso, a tradução de Knox traz textos e traduções inferiores aos da Versão de Westminster das Sagradas Escrituras, que permanece obra não-oficial.

As traduções católicas em linguagem moderna


A posição inicial da Igreja Católica Romana para com a publicação das Escrituras por leigos foi longe de entusiasta. O papa Pio IX condenou as sociedades bíblicas de seitas pestilentas em seu famoso Sílabo de erros (1864), cerca de sessenta anos após a fundação da Sociedade Bíblia Britânica e Estrangeira, em 1804. Ele refletia a atitude da hierarquia católica romana em geral, mas havia quem achasse que a Bíblia deveria ser colocada nas mãos dos leigos católicos. Foi já em 1813, e.g., que um grupo entusiasta de membros da igreja fundou a Sociedade Bíblica Católica Romana e publicou a Bíblia de Rheims-Douai sem notas. Em 1815, o mesmo grupo publicou outra edição melhorada da mesma tradução.

Entrementes, apareceu um bom número de edições da Bíblia para os católicos romanos, dentre as quais a Bíblia de Coyne (1811), a Bíblia de Haydock (1811-1814), o Novo Testamento de Newcastle (1812), a Bíblia de Syer (1813-1814), a Bíblia de MacNamara (1813-1814), o Novo Testamento de Bregan (1814) e a Bíblia de Gibson (1816-1817). Outras Bíblias foram publicadas durante todo o século XIX, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos. Em 1901, uma admirável versão dos evangelhos foi publicada pelo padre dominicano Francis Spencer. Ele completou o restante do Novo Testamento logo antes de sua morte, em 1913, mas essa obra só foi publicada em 1937. O Novo Testamento do leigo foi publicado pela primeira vez em Londres, em 1928. Continha o texto de Challoner do Antigo Testamento, na página esquerda, e notas polêmicas, na direita. Em 1935, uma excelente nova versão do Novo Testamento foi publicada sob a supervisão editorial de Cuthbert Lattey, S.J. Essa Versão de Westminster das Sagradas Escrituras se baseou nas línguas originais do Novo Testamento, mas não recebeu a sanção oficial da hierarquia católica romana. Seguindo os mesmos princípios, o primeiro fascículo do Antigo Testamento foi publicado. O trabalho continuou, mas demorou a ser concluído por conta da morte de Lattey, em 1954. Por causa da posição da tradução de Knox, é difícil imaginar que a Versão de Westminster receberá reconhecimento oficial da igreja.

Uma versão completamente americanizada do Novo Testamento surgiu em 1941 como o primeiro fascículo da Versão da Confraria de Doutrina Cristã. Em 1956, James A. Kliest e Joseph L. Lilly publicaram mais outra tradução intitulada Novo Testamento traduzido do grego original com notas explicativas. Provavelmente a mais importante tradução recente nessa categoria produzida por estudiosos católicos romanos é A Bíblia de Jerusalém. Embora seja traduzida dos textos originais, ela deve muito à La Bible de Jerusalém (1961), cuja introdução e notas foram traduzidas sem variação substancial, diretamente para o texto inglês. Essas notas representam 0 trabalho da ala "liberal" dos estudiosos católicos da Bíblia, embora a tradução em si seja basicamente literal e contemporânea em estilo.

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