Nos limites da autonomia: reflexões sobre práticas de blind review e editoria de revistas científicas em administraçÃo no brasil. Resumo



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NOS LIMITES DA AUTONOMIA: REFLEXÕES SOBRE PRÁTICAS DE BLIND REVIEW E EDITORIA DE REVISTAS CIENTÍFICAS EM ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL.
RESUMO
Este trabalho em forma de resenha crítica tem a finalidade de discutir os fatores que explicam as diferenças de qualidade existentes entre a produção científica nacional e internacional, focalizando os aspectos institucionais da produção acadêmica em administração no Brasil e o processo de revisão de trabalhos para revistas especializadas.

Palavras- Chave: Produção Acadêmica. Administração. Brasil
THE LIMITS OF AUTONOMY: REFLECTIONS ON BLIND REVIEW OF PRACTICES AND IMPRINT OF 

SCIENTIFIC JOURNALS FOR ADMINISTRATION IN BRAZIL
ABSTRACT

This work in the form of critical review has the purpose of to discuss the factors that explain the quality differences between the national and international scientific production, focusing on the institutional aspects of academic administration in Brazil and in the process of reviewing papers for journals.

Keywords: Academic Production. Administration. Brazil.

  1. Introdução

A proposta deste artigo é fazer uma análise critica do artigo “Nos limites da autonomia: reflexões sobre práticas de blind review e editoria de revistas científicas em administração no Brasil.”


O artigo em questão tem como objetivo discutir os fatores que explicam as diferenças de qualidade existentes entre a produção científica nacional e internacional, focalizando os aspectos institucionais da produção acadêmica em administração no Brasil e o processo de revisão de trabalhos para revistas especializadas. Busca-se compreender os arranjos organizacionais dessas revistas que impactam a qualidade dos artigos publicados, visando contribuir para a geração e difusão de modelos alternativos de estruturas institucionais.

Para alcançar esses objetivos os autores entendem que seria preciso uma análise abrangente do sistema de produção científica no país. Do mesmo modo, essa análise os move a questionar sobre quais serão os arranjos institucionais futuros que possibilitarão a melhoria da qualidade na produção científica na área de administração para que os pesquisadores brasileiros possam se equiparar com colegas de outros países.

Nessa perspectiva, a organização do artigo passa pela recuperação do debate sobre a pesquisa brasileira em administração. As questões escolhidas para serem analisados foram: os modelos internacionais devem inspirar a nossa construção do conhecimento? Como a comparação entre o sistema brasileiro e o de outros países pode nos auxiliar a melhorar a qualidade da nossa produção científica? Qual a contribuição do processo de revisão de congressos e revistas acadêmicas e sua relevância para a produção do conhecimento?

Os autores fazem referência a outros estudiosos, tais como Carvalho e Vieira (2003), para alertar para o risco de pesquisadores brasileiros incorporarem produções estrangeiras como modelos, sem maiores reflexões e críticas, e dessa forma produzirem textos inadequados à realidade brasileira. Nessa reflexão, fica o alerta para que o conhecimento em administração no país não seja prejudicado.

No entanto, os autores citam Simmel (1950) e alertam para o fato de que esses riscos não devem impedir o trânsito de idéias, pois sempre existirá criatividade mesmo nos trabalhos que reproduzem algo e o isolamento em relação ao estrangeiro pode levar ao empobrecimento da comunidade acadêmica. Também foi destacada a importância de os brasileiros se inserirem no debate internacional e que, para tal inserção, as pesquisas brasileiras devem seguir parâmetros de qualidade aceitos pelas comunidades científicas internacionais.


  1. Contribuições

Uma contribuição importante trazida por este artigo está no fato de ele questionar os fatores que explicam as diferenças entre a produção acadêmica brasileira e a internacional: instituições, mercado e cultura local.

Ao frisar a questão de mercado foi levantada uma problemática referente a qual é a responsabilidade dos autores na superação da diferença de qualidade entre as publicações nacionais e internacionais e, referindo-se a Bertero (2007), sugere que os autores adquiram o hábito de ler periódicos internacionais se quiserem publicar neles.

A questão da cultura local foi trabalhada ao fazerem referência à responsabilidade dos pareceristas, a cultura é utilizada como elemento explicativo para o fato de os artigos serem aceitos ou rejeitados. Neste ponto, é discutida a questão da ética e da moralidade dos pareceristas. Desse modo, os autores recorrem à compreensão de Kant em torno do que venha a ser autonomia para afirmar que é preciso questionar a proteção incondicional da preponderância do parecer sobre o processo decisório de aceitação de um artigo.

No entanto, o diálogo com Kant poderia ter sido mais bem explorado no sentido de situar as questões que para ele eram importantes, o que ele estava colocando em debate e o momento em que ele escreve com a finalidade de situar melhor essa discussão para o leitor.

Uma das grandes contribuições deste artigo está na constatação de que muitos pareceristas podem estar fazendo seus respectivos trabalhos, seguindo requisitos sem, no entanto, engajar-se de forma ética e moral na atividade de revisão. Ou seja, as atividades dos pareceristas não são práticas “naturais”, todos contêm valores e pontos de vista que muitas vezes estão de acordo com instituições, o que é chamado de decoupling.

Outra contribuição deste artigo se refere a sugestão dada pelos autores de que passe a existir normas a serem seguidas, maior sofisticação na produção de trabalhos, recompensa e avaliação dos revisores. Apesar dessas indicações, todas as questões apresentadas ficam em aberto e servem mais como um estímulo ao debate em torno deste tema.

Para dar continuidade a tal debate, os autores pesquisaram em revistas nacionais e internacionais para identificar processos de revisão e publicação de trabalhos científicos mais praticados. Os procedimentos adotados a partir da reunião de dados primários e secundários que puderam ser percebidos nessas revistas, inclui a identificação de alguns aspectos semelhantes compartilhados por revistas, entre eles aparecem: a decisão a respeito da publicação ou não de um artigo cabe ao editor; o artigo a ser revisado é encaminhado para dois ou três pareceristas; a autonomia dos revisores deve ser respeitada pelos pareceristas; os revisores têm o direito de não avaliar o artigo se eles não abrangerem suas áreas de especialidades.

É relevante considerar a observação de que essas conclusões não devem ser generalizadas ou tomadas como um modelo fechado.

Por meio dessa estratégia de investigação criada pelos autores eles constataram uma diferença importante entre as revistas brasileiras e internacionais. No Brasil os revisores têm assumido papel fundamental, enquanto em outros países este papel é atribuído aos editores. E isso tem sido visto como problema para alguns autores que identificam suas avaliações como superficiais e suas idéias como pouco maduras.

Após ler o artigo atentamente é preciso fazer a seguinte interrogação: quanto tem sido discutido a respeito da autonomia dos autores? Isso tem sido considerado como um elemento de avaliação? A autonomia dos autores tem sido valorizada? Questões como essas auxiliam a refletir sobre os modos como o conhecimento científico vem sendo socializado no país, os elementos valorizados ao se decidir publicar ou não um artigo e, sobretudo, permite que não fiquemos reféns dessa dicotomia existente em torno dos papéis de editores, revisores e autores.


  1. Considerações Finais

Para além das válidas sugestões apontadas neste artigo, é preciso acreditar que do mesmo modo que é cobrada uma maior participação de editores e conselhos editoriais no processo de construção do conhecimento científico em Administração no Brasil seria importante desencadear uma reflexão sobre a autonomia dos autores e suas produções nas mais diversas áreas do conhecimento.

Uma valorização dos autores, tanto quanto de editores e revisores, poderia estimular novas e boas pesquisas que certamente poderão ter como resultado a produção de bons artigos e uma renovação no processo de avaliação que atualmente é feito pelas revistas por todo o país.

Dessa forma, seria possível construir uma qualidade brasileira de produção, contando com contribuições internacionais, mas legitimando os temas conforme as especificidades do Brasil e de acordo com as condições em que pesquisas e textos são produzidos.


  1. REFERÊNCIA

CARVALHO, Cristina Amélia; VIEIRA, Marcelo Milano Falcão. Contribuições da Perspectiva institucional para a análise das organizações: possibilidades teóricas, empíricas e de aplicação. In: Carvalho, C. A., VIEIRA, M. M.F. (org.). Organizações, cultura e desenvolvimento local: a agenda de pesquisa do Observatório da Realidade Organizacional. Recife, Editora UFPE, 2003.


KIRSCHABAUM, Charles. MASCARENHAS, André Ofenhejm. Nos limites da autonomia: reflexões sobre práticas de Blind review e editoria de revistas científicas em administração no Brasil. In: RAE – eletrônica, v8, n.1, art. 5, jan/jun.2009.



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