Notas do tradutor douglas wile



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Significado dos Quatro Cantos Diagonais no T'ai-chi ch'üan
Os quatro pontos cardinais referem-se aos quatro lados do quadrado, ou seja, Aparar, Puxar para Trás, Pressionar e Empurrar. Antes de entender que o quadrado pode se tornar redondo e o princípio da infinita alteração de quadrados e círculos, como pode alguém pretender dominar as técnicas dos quatro cantos? É muito difícil alcançar a maestria do quadrado, círculo e pontos cardinais. Todavia, quando se começa a cometer erros de leveza, peso, flutuação e abaixamento, aí então os quatro cantos entram em jogo. Damos um exemplo: se nossos movimentos são desajeitados e incorretos devido ao peso parcial ou meio peso, naturalmente executaremos as técnicas dos quatro cantos, ou seja, Puxar para Baixo, Tangenciar e Ataque com o Ombro ou com o Cotovelo. Ora, se pecamos também pela dupla sobrecarga, da mesma maneira surgirão as técnicas dos quatro cantos.

Com o uso da técnica errônea, não temos escolha a não ser usar os quatro cantos para auxiliar o retorno à estrutura do quadrado e da circularidade. Portanto, Puxar para Baixo, Tangenciar e Ataque com o Ombro ou Cotovelo compensam as deficiências. Aqueles que atingiram um alto nível de habilidade depois de muito praticar, devem também dominar o Puxar para Baixo e o Tangenciar, para tudo retornar ao centro. Deste modo, os quatro cantos têm uma função suplementar e contrabalançam as deficiências.


O Sentido do Aspecto Marcial do T'ai-chi
O T'ai-chi é suave por fora e duro por dentro, no seu aspecto marcial. Se procurarmos constantemente ser suaves por fora, naturalmente desenvolveremos a dureza por dentro, depois e longo tempo. Isto não quer dizer que pensamos deliberadamente em dureza, pois, em verdade, nossas mentes sempre focalizam a suavidade. A dificuldade está em ser duro por dentro, restringindo sua expressão externamente. A suavidade deve ser empregada o tempo todo no confronto com o adversário, o que quer dizer que devemos unir a suavidade com a dureza, e então reduzir a dureza a nada. Como pode ser isto alcançado? Em termos breves, uma vez dominados o penetrar, aderir, juntar e acompanhar, e compreendido o movimento consciente, pode-se progredir na interpretação da energia. Depois de aprender a interpretar a energia, chega-se naturalmente aos mais elevados níveis de perfeição. Enfim, completaremos nosso dever e atingiremos o objetivo.

No que se refere ao assombro de poucas gramas serem capazes de repelir muitos quilos, como pode ser isto possível se sua habilidade não alcançou o nível supremo? Portanto, depois de compreender o penetrar, aderir, juntar e acompanhar, pode-se desenvolver os dons de ver, ouvir, leveza e sensitividade.


Tratado do Antes e Depois na Aquisição de Habilidade

de Interpretar Energia no T'ai-chi
Antes de sermos capazes de interpretar energia, pecamos sempre por pender, fraqueza, perda e resistência. Depois de sermos capazes de interpretá-la, ainda há a possibilidade de cometermos erros no parar, levantar, interromper e de continuidade. Antes de interpretar energia, é natural que haja falhas técnicas, mas depois de se poder interpretá-la, como pode isto persistir? Quando se chega a um estágio de aparente interpretação, mas não de interpretação de energia propriamente dita, isto é, num estado de ambivalência, ainda serão imprecisos o interromper e o contatar, provocando vários enganos. Antes de se atingir a mais elevada perfeição, parar e levantar perderão a medida correta e será fácil cometer erros. Enquanto não se dominar o interromper, contatar, parar e levantar, e não se entender verdadeiramente a interpretação da energia, esses erros serão inevitáveis.

Portanto, todos aqueles que não desenvolveram verdadeiramente a arte de interpretar energia não alcançaram a precisão, pois a sua visão e a sua audição não têm base. Somente quando se compreende a percepção de olhar distante, próximo, à esquerda e à direita; a percepção aural de levantar, cair, da lentidão e da pressa; a percepção cinestésica de esquivar, retornar, provocar e terminar; e a percepção de movimento de virar, mudar, avançar e recuar, pode-se dizer que há verdadeira maestria da interpretação de energia.

Depois de sermos capazes de interpretar energia, chegamos naturalmente à mais alta perfeição, degrau por degrau. Teremos superioridade no remover, estender, mover, serenar, abrir, fechar, levantar e abaixar, pois todas estas ações encontrarão fundamento. Tendo como base o remover, estender, mover e serenar, quando um parece entrar o outro abre, quando um emite o outro fecha, quando alguém observa a aproximação do outro, ele abaixa, e quando alguém observa o oponente escapando, ele levanta. Só depois de tudo isso pode-se alcançar a máxima perfeição. Ao entendê-lo, como pode alguém não cuidar de hábitos como sentar, dormir, andar, beber, comer, urinar e defecar, de modo a promover os melhores resultados? Desta maneira progredimos consecutivamente, de médias para grandes conquistas.
O Significado da Medida, Décima, Centésima e Milésima Parte
Nas artes marciais, primeiro aprendemos a abrir e expandir, e depois a contrair e recolher. Somente depois de assimilar o abrir e expandir, pode-se começar a examinar o contrair e recolher. Depois de dominados o contrair e o recolher, pode-se começar a pesquisar os metros, decímetros e, para além deles, centésimas e milésimas divisões. Quando dominamos o metro, podemos fazer divisões em decímetros; após dominarmos os decímetros, podemos efetuar a divisão da centésima parte; quando a centésima parte foi dominada, então podemos passar à milésima divisão da medida inicial. Isto esclarece o que significam metros, decímetros, centésima e milésima parte.

Há dez divisões no metro (decímetro), cem no centímetro , mil no milímetro; há, portanto, números definidos. Há um ditado ancestral que afirma ser a defesa pessoal uma questão de números. Se entendermos o conceito de número, podemos acertar o metro, o decímetro, as centésimas e milésimas divisões. Todavia, ainda que sejamos capazes de entender o conceito de número, como seríamos capazes de medi-los, sem a transmissão secreta?

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CAPÍTULO 7

APLICAÇÕES DE AUTO-DEFESA NO T’AI-CHI CH’ÜAN

Do T'ai-chi ch'üan shih-yung fa

( Aplicações de Auto-Defesa no T'ai-chi ch'üan ),

de Yang Ch’eng-fu. Taipei: Chung-hua wu-shu

ch’u-pan-she, 1974 ( 1a. edição, 1931 ).

Também do T'ai-chi ch'üan yün-chen t’u-chieh

( Os Verdadeiros Princípios do T'ai-chi ch'üan

Ilustrados e Comentados ), de Sung Shih-yüan.

Taipei: Hua-lien ch’u-pan-she, 1967.

E ainda do T'ai-chi ch'üan yung-fa t’u-chieh

( Aplicações do T'ai-chi ch'üan Ilustradas

e Comentadas ), de Yang Ch’eng-fu.

Taipei: Hua-lien ch’u-pan-she, 1980.



O Símbolo do T'ai-chi


O significado do símbolo do T'ai-chi reside na produção mútua de yin e yang, na substituição complementar do duro e do suave, nas mil mudanças e nas dez mil transformações. Este é o fundamento para o T'ai-chi ch'üan. O Tui-shou é a incorporação do símbolo do T'ai-chi.

Introdução Original ao T'ai-chi ch'üan
O T'ai-chi foi legado por Chang san-feng, o Imortal. O Imortal era nativo de I -chou, na província Liaotung. Ele nasceu durante a última parte da dinastia Sung (960-1126) e sua denominação taoísta era San-feng. Ele tinha 2,10 m de altura, com os ossos de uma garça e a postura de um pinheiro. Sua face era como a de uma lua ancestral, com olhos generosos e sobrancelhas que lhe davam uma aparência bondosa. Sua barba era semelhante a uma lança e usava sempre o mesmo chapéu de bambu, seja no inverno ou no verão. Carregando um espanador feito de crina de cavalo, ele podia cobrir mil milhas em apenas um dia .

Durante o começo do reinado de Hung-wu (primeiro imperador T’ai tsu da era Ming, 1368 - 1628), ele viajou para as montanhas T’ai-ho, em Szechwan, pretendendo desenvolver as artes taoístas e estabelecendo-se no Templo do Vazio de Jade. Ele podia recitar os Clássicos de cor, após uma única leitura. No vigésimo sétimo ano do reino de Hung-wu, ele viajou para as montanhas Wutang, em Hupei, onde adorava discutir os Clássicos e a filosofia com a gente local.

Um dia, ele estava lendo os Clássicos em recolhimento, quando um alegre pássaro pousou no pátio exterior. Seu canto era como as notas da cítara. O Imortal espiou a ave de sua janela. O pássaro então surgiu do alto como uma águia, em direção a uma cobra que estava enrolada no chão. A serpente olhou fixamente para a ave e ambos começaram a lutar. O pássaro mergulhou com um grito, abrindo as asas e batendo com elas, como uma ventarola. A longa serpente, por sua vez, começou a sacudir a cabeça como um dardo, para cá e para lá, evadindo-se das asas do atacante. A ave voou de volta para o topo de uma árvore, muito frustrada e desconcertada; mas fez nova investida,valendo-se de suas asas. Novamente a cobra contorceu-se, dardejando com a cabeça e mantendo-se fora de qualquer injúria, tudo a partir de sua posição espiralada. O confronto prosseguiu por um longo período, sem que houvesse um desfecho decisivo.

Depois de um tempo, o Imortal veio para fora, mas a ave e a serpente haviam desaparecido. O Imortal recebeu uma revelação deste combate. A forma espiralada da serpente era como o símbolo do T'ai-chi e continha o princípio do suave superando o rígido. Baseado nas transformações do T'ai-chi (a Grande Polaridade), ele desenvolveu o T'ai-chi ch'üan para cultivar a energia sexual (ching), ch’i e espírito (shen), movimento e tranqüilidade, aumento e diminuição, e também para incorporar os princípios do I Ching. Isto passou por muitas gerações, tendo seu valor mais e mais apreciado. Em Pequim, há uma imagem do Imortal no Templo da Nuvem Branca, para admiração dos visitantes.


Uma história de Yang Lu-ch’an
Quando o Mestre veio para a capital, Pequim, sua fama espalhou-se por todas as partes. Havia sempre uma sucessão de artistas marciais que vinham para demonstrar seu respeito. Um dia, quando ele estava sentado em meditação, aproximou-se um monge sem ser anunciado. O Mestre levantou-se para recebê-lo, notando que o monge tinha estatura muito forte e quase 2 metros de altura. O monge saudou-o, expressando a sua grande admiração. O Mestre já estava a ponto de responder humildemente, quando o monge voou para cima dele, atacando-o com os punhos. O Mestre recolheu ligeiramente o peito e bateu com a palma direita no punho do monge. Como se fosse atingido por um raio luminoso, o monge foi atirado para além de um biombo, com seu corpo ainda em posição de ataque, com punhos fechados. Depois de um longo tempo o monge, com uma aparência bastante solene, desculpou-se, dizendo: “Eu fui extremamente rude”.

Mestre Yang convidou-o a ficar para uma conversa e descobriu que ele era um lutador de Shaolin; seu nome era Ch’ing-te. O monge abordou-o com inumeráveis perguntas. Ele então perguntou: “há um momento atrás, por que fui surpreendido e incapacitado de demonstrar minha bravura?”. Mestre respondeu: “foi porque estou sempre em guarda”. Em seguida, o monge inquiriu: “como pode ser capaz de reagir tão rapidamente?”. E Mestre disse: “isto é o que se chama emitir energia como lançar uma flecha com um arco”. O monge respondeu: “eu tenho vagado por muitas províncias, sem encontrar perícia igual à sua. Eu lhe imploro que me ensine o segredo da leveza e sensitividade do T'ai-chi”.

Mestre não respondeu à última questão, mas viu um pardal entrar voando pela janela e circular em torno dele. Ele rapidamente apanhou-o em sua mão e disse ao monge: “este pássaro é muito dócil e vou me divertir um pouco com ele”. Colocou o pardal em sua mão direita, cobrindo-o gentilmente com a esquerda. Ao remover a mão esquerda, simultaneamente a ave bateu as asas, querendo voar. O Mestre usou a técnica de “subitamente encobrir, subitamente revelar” e o pardal foi incapaz de voar. Isto porque, independentemente da espécie, todo pássaro deve primeiro aplicar energia com os pés, para que possa levantar vôo. Os pés do pardal foram incapazes de encontrar um lugar para exercer pressão, pois a mão que lhe serviria de apoio abaixava gradualmente. Novamente, Mestre cobriu-o e soltou-o, sem que ele fosse capaz de voar. Depois da terceira vez, o monge, tomado de admiração e espanto, exclamou: “sua arte é verdadeiramente miraculosa!”. O Mestre sorriu e lhe falou: “dificilmente isto merece ser chamado de miraculoso. Ao praticar-se o T'ai-chi por um certo tempo, o corpo todo torna-se tão leve e sensitivo, que o peso de uma pena não pode ser adicionado sem colocá-lo em movimento e uma mosca não pode pousar sem o mesmo efeito”. O monge curvou-se profundamente em respeito, ficou hospedado por três dias e depois partiu.
Comentários de Yang Lu-ch’an sobre o Clássico do T'ai-chi ch'üan
Esta é uma transmissão do Mestre Chang San-feng, das montanhas Wutang. Ele desejou longevidade para todos os homens de valor do mundo, e não apenas aos que praticam as técnicas das artes marciais.
Tão logo alguém se mova, o corpo inteiro deve ser leve e sensitivo, e todas as suas partes devem estar bem conectadas.

Ao praticar a forma, não use força bruta; assim você será capaz de adquirir leveza e sensitividade. A forma inteira deve ser executada com um único fluxo de ch’i.


O ch’i deve ser abaixado e o espírito deve ser recolhido no interior.

Se o ch’i não está bloqueado, ele é como a brisa do mar, capaz de soprar as ondas e formar vagalhões. Serene a mente e concentre o espírito. É isto que quer dizer recolher o espírito no interior.


Não permita falhas; não permita saliências ou concavidades; não permita descontinuidades.

Ao treinar a forma, busque a perfeita totalidade. Não deve haver a mínima irregularidade. A movimentação deve ser lenta e sem rupturas.


A raiz está nos pés, a energia é emitida para cima pelas pernas, é controlada pela cintura, e encontra expressão nas mãos e nos dedos. Dos pés para as pernas, e destas para a cintura, deve haver um completo fluir do ch’i. Só então é possível avaliar as oportunidades e ocupar uma posição superior.

Ao praticar o T'ai-chi ch'üan, as partes superior e inferior do corpo devem estar bem coordenadas. O poder intrínseco (ch’i) sobe pelas solas dos pés, atravessa as pernas e alcança a cintura. Aí então, a partir da coluna para os ombros, ele ruma para as mãos e dedos. O corpo todo é um único ch’i. Quando ele é usado para avançar ou recuar, o poder intrínseco é infinito.


Se formos incapazes de avaliar as oportunidades e tomar a posição superior, nosso corpo será dispersado em confusão. Procure pelas fraquezas na cintura e nas pernas. O mesmo é verdadeiro acima e abaixo, à frente e atrás, à direita ou esquerda. Tudo isto tem relação com a mente, e não com coisas exteriores.

A fraqueza não encontra-se nas coisas exteriores, mas na atitude mental. Se a mente não está focalizada, o espírito não se concentrará e não seremos capazes de avaliar situações, tomando a posição vantajosa.


Se há um acima, deve haver um abaixo; se há uma dianteira, deve haver uma retaguarda e, se há uma esquerda, tem que haver uma direita. Se a intenção é subir, deve-se prestar atenção abaixo. Quando se quer levantar algo, deve-se aplicar o poder de interromper. Assim a raiz será cortada e sua destruição será rápida e inevitável.

Isto quer dizer que quando nos confrontamos com um adversário, devemos primeiro balançá-lo, de modo a transformá-lo em uma árvore sem raízes. Quando sua postura for instável, ele certamente será derrubado.


Cheio e vazio devem ser claramente distinguidos. Qualquer ponto dado tem o potencial do cheio e do vazio, e todo o corpo possui o seu aspecto dual: cheio e vazio.

No confronto com o oponente, toda postura deve ser cheia na frente e vazia atrás. Ao emitir energia, a perna dianteira suporta o peso do corpo e está cheia, enquanto que a perna da retaguarda está estendida. Sempre tenha clara distinção do cheio e do vazio e você terá naturalmente a habilidade de mudar, segundo a sua vontade.


Todas as articulações do corpo devem estar conectadas, sem permitir a mais leve interrupção.

Todas as juntas do corpo devem ser flexíveis e unificadas. O ch’i deve fluir sem impedimentos e não deve haver descontinuidade na mente.


Uma Explicação do T'ai-chi Macrocósmico e do Microcósmico
Todo o universo é um grande T'ai-chi; o corpo humano é um pequeno T'ai-chi. Sendo o corpo humano a essência do T'ai-chi , não podemos senão praticar a Arte Marcial Suprema (T'ai-chi ch'üan). Tratam-se de inatas sensibilidade e habilidade, que precisam ser retreinadas.

O corpo humano é como uma máquina. Se não é polida por um longo período, ela enferruja e emperra. Quando ela “emperra”, o ch’i e o sangue estão obstruídos e muitas falhas aparecerão. Portanto, se os homens desejam disciplinar seus corpos, devem primeiro treinar o T'ai-chi ch'üan, pois este é o meio mais adequado.

O método para treinar o T'ai-chi consiste em conduzir o ch’i com a mente, sem uso de força bruta. Permita que tudo seja completamente natural. Os músculos e ossos experimentam muito pouca aflição ao flexionar e a pele nenhuma, na dureza de um contato rude.

Como podemos ser fortes, se não usamos força? Na arte do T'ai-chi ch'üan, soltamos os ombros e baixamos os cotovelos. Baixando o ch’i para o tan-t’ien, o ch’i penetra no tan-t’ien, que torna-se então o quartel-general do corpo. A partir dele, podemos mobilizar os quatro membros e uma centena de ossos. Quando o ch’i circula através de todo o corpo, aonde se dirigir a mente, o ch’i a seguirá. Quando alcançarmos este nível, nosso poder será incomensurável.

Portanto, sem usar força bruta e confiando puramente no espírito para mover, os resultados são tremendos. Meu Mestre dizia: “somente de uma enorme suavidade provém uma grande dureza”. Este é também o meu pensamento.
Uma Explanação da Introdução Original de Wang Tsung-yüeh
Conduzindo o ch’i com a mente e dirigindo-o para baixo, ele é capaz de permear os ossos.

Normalmente, durante nossa prática das Treze Posturas, devemos usar a mente para fazer com que o ch’i circule no espaço entre os ossos e a carne. Se a mente age como guia, o ch’i a seguirá. Devemos estar abaixados e abertos nas nossas posturas. É necessário que a atitude mental seja tranqüila. Sem uma mente serena, não pode haver abaixamento e sem este, o ch’i não pode recolher-se nos ossos. Pode-se até ter poder exterior, mas, praticando T'ai-chi ch'üan, o ch’i permeia os ossos e isto é o verdadeiro poder do T'ai-chi.


Deixe o ch’i circular livremente pelo corpo e o corpo será obediente à mente.

Amigos, se desejam que o ch’i circule livremente através de seus corpos, vocês precisam receber a instrução correta sobre as Treze Posturas. Esta é a arte legada por meu último instrutor. Ao executar as posturas, o corpo superior e o inferior devem relacionar-se naturalmente. Se o poder não é forçado, então, e somente então, poderá o ch’i circular livremente. Se as posturas são naturais, a mente comanda e os pés e as mãos a seguirão.


Se somos capazes de fazer o espírito ascender, não há necessidade de temer a indolência e a sobrecarga. Este é o significado de manter a cabeça como que suspensa pelo alto.

O espírito é o regente de todo o corpo. Não somente nas artes marciais, mas em todas as atividades, se o espírito é vivaz, jamais seremos indolentes e lerdos. Portanto, ao falar sobre artes marciais, deve-se primeiro falar da ascensão do espírito. Se desejamos que o espírito suba, é preciso manter a cabeça ereta, com a energia em sua coroa. Ao despertar esta técnica, pode-se compreender o que é “ascender o espírito”.


Nossas sensações devem ser supremamente sensitivas para que possa haver um completo e vivaz desfrutar. Isto é o que se entende por transformações do cheio e do vazio.

Sensação é o que circula entre os ossos e a carne. Há um indescritível tipo de prazer proveniente da prática da forma e da luta. Devemos causar a substância circulante a preencher todo o corpo. Assim, quando queremos ir para a esquerda, ela vai para a esquerda, e quando queremos ir para a direita, ela vai para a direita. Isto é o que entendemos por mudanças do cheio e do vazio no T'ai-chi. O método de transformar a percepção da sensação é como uma garrafa cheia de água até a metade. Se ela inclina para a esquerda a água vai para a esquerda; se é para a direita, ela corre para a direita. Se pudermos atingir tal coisa, não só experimentaremos um vivaz e completo desfrutar, mas também será tão prazeroso quanto dançar. Quando alcançar este estágio, mesmo que alguém queira aconselhá-lo contra a prática desta arte, esse alguém não será bem sucedido, pois com isto podemos apreciar o corpo recebendo infinitas bênçãos.


Ao emitir energia, deve-se estar abaixado, relaxado, tranqüilo e concentrado em uma direção.

Quando enfrentar um atacante, primeiro controle seu próprio movimento, depois ataque de uma direção: aquela em que ele perde seu equilíbrio. Ao emitir energia, seja com a mão, ombro ou cotovelo, abaixe, com a mente relaxada e serena. Emita energia para golpear o oponente em uma única direção. Se sua energia não for dispersa, será fácil lançar o adversário a grande distância.


Nossa postura tem que ser ereta e relaxada, capaz de controlar as oito direções.

Quando a cabeça está ereta e o ponto wei-lü9 alinhado, o corpo não inclina. Nossa atitude mental deve ser relaxada e confortável, com a idéia de esperar pelo movimento com tranqüilidade. A cintura e as pernas são como uma roda vertical, enquanto que ombros e mãos são como uma roda horizontal. Quando elas são capazes de rodar em círculos segundo a nossa vontade, somos capazes de controlar as oito direções.


Dirigir o ch’i é como enfiar um cordão em uma pérola com nove curvas no buraco. Não há lugar onde ele não penetre.

A “pérola de nove curvas” é uma pérola com um caminho arejado por dentro. Se compararmos o corpo humano com a pérola, pode-se ver que os quatro membros e a centena de ossos são todos cheios de curvaturas. Se pudermos dirigir o ch’i nos membros sem falhas, então a habilidade de enfiar o cordão na pérola de nove curvas será nossa.


Quando a energia é colocada em movimento como aço temperado cem vezes, qual a resistência que ela falhará em derrotar?

A energia colocada em movimento “como o aço temperado uma centena de vezes” é a energia interna. Não é uma habilidade adquirida em um só dia. Após dias e meses, pouco a pouco ela é refinada, como o ferro bruto que é temperado ao ser malhado todo dia. Lentamente ele é transmutado em puro aço. Se um facão (sabre) ou uma espada são feitos de tal aço, eles serão incomparavelmente afiados e não haverá “resistência que eles não sejam capazes de anular”. A energia que o T'ai-chi desenvolve é tanto refinada quanto forte e pode destruir até um homem de ferro. O que dizer, então, de oponentes feitos de carne e osso?


Deve-se parecer com o falcão buscando a lebre, com o espírito do gato caçando o rato.

O falcão é um animal capaz de voar, uma ave de rapina. Ele é usado para caçar no inverno. Esta passagem nos diz para imitar a atitude da ave de rapina no confronto com o adversário. Ao observar nossa vítima, nossos olhos se assemelham como se fossemos imobilizá-lo com o nosso bico. Tão logo nossas mãos façam contato, nós o controlamos com nossas garras, assim como o falcão apanha sua presa. Esta comparação não deve ser abusiva, mas estas são palavras do meu último Mestre. Talvez elas peçam por uma explicação. Espero que meus leitores não se confundam. Quando caça ratos, o gato se assemelha ao tigre. Ele permanece na espera, apoiando seu peso nas patas traseiras. Todo seu espírito vital está focalizado no buraco do rato. Quando surge o rato, ele se arremete ferozmente e o captura. Isto descreve a postura do T'ai-chi, a qual envolve recolher o peito e expandir as costas, semelhante ao gato caçando o rato. Espere pela chance, ataque sem hesitação e o oponente será seu.

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