Notas do tradutor douglas wile



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Na serenidade, seja como a grande montanha; no movimento, como o rio poderoso.

Depois de treinar por longo tempo, as pernas desenvolvem raiz e nossa postura é como a montanha. A força humana não nos pode abalar. A metáfora do rio expressa as infinitas possibilidades de transformação. Uma técnica transforma-se em cinco, e cinco transformam-se em uma centena. O fluxo é incessante, como um rio.



Acumule energia como um arco retesado. Emita-a como atirar uma flecha.

Acumular energia significa reservá-la. A energia do T'ai-chi não é externa, mas armazenada internamente. No confronto com o oponente, nossa energia interna tem a plenitude de um arco retesado ou de uma bola inflada com ar. Se o atacante toca meu braço, ainda que o braço tenha semelhança com o algodão, ele não conseguirá empurrá-lo para baixo. Isso o deixará muito perplexo. Em meio à sua perplexidade, ele não tem noção de que meu arco já tem uma flecha armada, pronta para voar. Neste momento, eu sou como o arco e meu oponente é como a flecha. A energia é emitida tão velozmente, que o adversário é repelido com a velocidade de uma flecha.


Procure o reto no curvo. Acumule energia antes; emita depois. O poder é emitido a partir das costas; nossos passos devem seguir o corpo. Retirar-se é atacar e atacar é retirar-se. Depois de retirar-se, reconecte novamente.

Permitam-me sumarizar estas linhas com uma simples explanação. “O poder é emitido a partir das costas”, “acumule energia antes, emita depois” e “retirar-se é atacar”, são todos baseados no mesmo princípio. Isto é, nosso espírito deve ser como o gato caçando o rato. Os estudantes deveriam captar isto com uma palavra ou duas.


Ao mover-se para lá e para cá, use o “envolver”. No avanço e no recuo, use rotações e mudanças.

Ao se defrontar com o oponente, algumas vezes você se moverá para dentro; em outras, para fora. “Envolver” refere-se a posturas com o cotovelos flexionados e os braços curvados. O envolver gira a lateral para o corpo ou as mãos do oponente. Esta técnica somente é útil quando a aproximação com o adversário é grande, e é inútil à distância. No avançar e recuar, não fique cravado numa só postura, mas gire e mude de acordo com a situação.


Da maior suavidade provém a maior dureza. Da respiração apropriada provém a sensitividade e a vivacidade.

Deve-se usar métodos suaves na prática das Treze Posturas. Quando nossa arte já está aperfeiçoada, desenvolveremos e acumularemos a energia interior, conciliando-a com esta suavidade. No que diz respeito à respiração, nossa inalação tem a capacidade de levantar um homem e tirar sua perna traseira do chão. Já com a nossa exalação, o poder de nosso ch’i, que atravessa toda a coluna emitindo a energia do corpo todo, pode repelir um homem à grande distância. Quando nossa respiração atinge este nível de perfeição, aí então nossos movimentos tornam-se sensitivos, vivazes e fluídos.


O ch’i deve ser adequadamente cultivado, e não danificado. A energia deve ser armazenada através de sua circulação, e sempre haverá um excedente.

Praticar T'ai-chi é um método para cultivar o ch’i, e não para trabalhar a circulação do ch’i. Qual é o propósito de aprender a circulação do ch’i? Com métodos de treino que envolvem stress, força e raiva, o ch’i é concentrado em um determinado local e não é fácil de ser projetado. É como se houvesse bloqueios internos. Qual é o propósito de “cultivar o ch’i? Mêncio disse: “eu supero a mim mesmo, cultivando meu grande ch’i”. Se você pode eliminar a ansiedade e a precipitação, este intrínseco ch’i se desenvolverá. Ao praticar, provoque a unificação da energia sexual interior, do ch’i e do espírito. Dirija o ch’i para circular pela “pérola com buraco de nove curvas”. Ainda que não se tenha colhido benefícios plenos,é certo que, afinal, não haverá danos.

Ao disputar com o oponente, nunca deixe o braço reto e estendido. Se você pode coordenar as partes superiores com as partes mais baixas do corpo, dando passos com mudanças de posição, deixe os braços arredondados e mantenha um excedente de poder, pois então o oponente será rapidamente arremessado à distância. Este é o significado de “armazenar a energia pela circulação, que haverá sempre um excedente”.
A mente é o comandante, o ch’i é uma bandeira e a cintura é o estandarte.

Os princípios do T'ai-chi são como aqueles que mobilizam tropas em tempo de guerra. É necessário haver comandantes e bandeiras para dirigir a ação. O mesmo se dá com o T'ai-chi: a mente é o comandante, de forma que a mente dirige o ch’i. Se podemos empregar o ch’i como uma bandeira, o ch’i se conduz aonde quer que desejemos. A cintura agindo como um mastro, refere-se às grandes faixas carregadas pelas tropas militares. As pequenas flâmulas controlam os movimentos, e as grandes bandeiras controlam a tranqüilidade. Nos métodos das artes marciais, a cintura opera como o eixo de uma roda, e nunca se deve abandonar ou rasgar a grande bandeira.


Busque primeiro a expansão, depois a contração; assim você chegará a uma técnica impecável.

Expansão significa alongamento e relaxamento dos músculos e tendões. Ao iniciar o aprendizado da forma, tente fazer as posturas largas e abertas. Isto serve para relaxar os nervos, revigorar o sangue e facilitar a construção da força. Depois que sua força já é suficiente, comece a desenvolver a habilidade externa de unificar tendões, ossos e músculos.

A concentração interna de energia sexual, ch’i e espírito é o que se entende por contração. Quando ambos, interno e externo, são desenvolvidos em conjunto, com transformações de movimento e serenidade, aí então pode-se proceder da expansão para a contração. Se o corpo é forte e o entendimento das aplicações é completo, pode-se alcançar o nível de impecabilidade. Falar de “grandes técnicas” e “pequenas técnicas” é errôneo.
Também é dito que as coisas estão primeiro na mente e depois no corpo.

Nas primeiras lições para enfrentar o adversário, mesmo que você concentre a mente, provavelmente não terá sucesso. Porém, depois de aperfeiçoar a arte, tudo funcionará mesmo sem concentração. Aonde quer que seu corpo seja atacado, você será capaz de responder automaticamente. Mesmo sem consciência do que está fazendo, conseguirá arremessar o oponente. Neste nível, seus pés e mãos agirão com autonomia. No começo do estudo isto está na mente, mas depois de dominar a arte, está no corpo. É como quando começamos a aprender cálculos com o ábaco. Primeiramente, a mente recita os versos mnemônicos, enquanto as contas são manipuladas. Mas depois, quando se está suficientemente familiarizado, os versos podem ser esquecidos e as mãos simplesmente se movem em resposta à vontade. Este é um exemplo do que está primeiro na mente e depois nas mãos. Os princípios das artes marciais são precisamente os mesmos.


O corpo deve estar relaxado, para que o ch'i possa permear os ossos. O espírito deve estar aberto e o corpo tranqüilo.

Ainda que usemos a concentração para relaxar o abdômen, evite de qualquer maneira excitar excessivamente a energia. Quando o ch'i é treinado, ele permeia os ossos. Os ossos e músculos devem estar abaixados e pesados. Por fora nossa aparência é como a do algodão, mas por dentro é como o aço, ou melhor, como o aço oculto no algodão.


Traga em mente o tempo todo e lembre-se conscienciosamente de que, tão logo uma parte do corpo se move, o corpo todo também move; tão logo uma parte se aquieta, o corpo também o faz.

Nunca se esqueça nem por um segundo de que, assim que uma parte do corpo está em movimento, o corpo todo também está. Jamais mova uma parte independentemente. O corpo é como um trem: assim que o motor entra em ação, todos os carros o seguem. O movimento da energia no T'ai-chi precisa ser coordenado de modo preciso. Mesmo que ele seja precisamente coordenado, ainda assim ele deve ser natural e vivaz, exatamente como o movimento dos carros de um trem. Mesmo que o corpo esteja em movimento, a mente deve manter sua tranqüilidade. Quando a mente está serena, todo o corpo está sereno. Ainda que ele esteja parado, ele contém o potencial do movimento. A coisa mais importante é que as partes superiores e inferiores do corpo devem se mover em conjunto, em cada movimento.


Empurrando e puxando, para frente e para trás, o ch'i adere-se às costas e permeia a coluna. Fortaleça seu espírito vital internamente e externamente, mantendo a aparência de calma e comodidade.

"Empurrando e puxando, para frente e para trás" refere-se ao movimento das mãos como uma dança. Ao inalar, o ch'i adere à coluna onde se recolhe, aguardando ser projetado. Este armazenamento na coluna é o que significa "fortalecer o espírito vital internamente". Já a aparência externa, deve ser calma, cômoda e refinada. Ainda que você pratique artes marciais, continua sendo um civil.


Ande como o gato: mova-se como o desenrolar da seda de um casulo.

Nossos passos devem ser leves e sutis como os passos do gato no T'ai-chi ch'üan. Na prática da forma, movemos a energia tão suave e continuamente quanto o desenrolar da seda de um casulo.


A atenção de todo o seu ser deve estar no espírito, e não no ch'i. Se ela estiver no ch'i, haverá bloqueios. Aqueles cuja atenção permanece no ch'i não têm poder; quando a atenção não está no ch'i, adquire-se a dureza essencial.

O corpo humano possui três tesouros: energia sexual (ching), ch'i, e espírito (shen). No T'ai-chi, a atenção está no último. Dizer que a atenção não está no ch'i é o mesmo que dizer que ela não está na circulação do ch'i. "Se ela estiver no ch'i haverá bloqueios" significa que quando o ch'i circula, se ele é intensificado em um lugar, ele se tornará bloqueado e insensível. E dizer que "aqueles cuja atenção está no ch'i não têm poder" significa que seu ch'i está morto. Eu posso até sentir que tenho poder, mas meu oponente sabe que não o tenho. "Quando a atenção não está no ch'i, adquire-se a dureza essencial" significa que sem o ch'i morto, possuímos força suave. Aonde você dirigir a mente, o poder chegará. Ao fazer contato na luta, é como se correias amarrassem o braço do adversário. Deste modo, sem usar força, o oponente sente nossas mãos tão pesadas quanto o Monte T'ai. Não usando poder direto, um maravilhoso poder se manifesta. Sem ch'i morto, adquire-se a dureza essencial.


O ch'i é como uma roda, e a cintura é como um eixo.

A sensação do corpo todo é como a de uma roda em movimento. A cintura é o regente do corpo todo, rodando como um eixo. Portanto, todos os movimentos de nossa arte são controlados pela cintura.


Também é dito que, se o oponente não se move, você não se move. Mas quando ele esboça o mais leve movimento, você move-se primeiro.

Não se mova no confronto com o adversário, mas espere pelo seu movimento; aí então, mova-se primeiramente.


Sua energia parece relaxada, mas não está; quase por expandir, mas ainda não expandida. Mesmo quando a energia é lançada, ainda assim a continuidade mental é mantida.

No T'ai-chi, quando estendemos a mão para golpear, dizemos que ela é relaxada, mas não está relaxada. Ao estender os membros, jamais estique-os completamente. Na prática da forma, a idéia de continuidade aplica-se a um conjunto de posturas prescritas, constituindo uma série. Contudo, se falamos de confronto e aplicações práticas, não existem posturas prescritas para repelir um atacante. Minha postura pode parecer acabar em determinado ponto, mas minha consciência jamais está inativa, por um momento que seja.

Ao partir uma raiz de lótus ao meio, os finos cordões de fibra não se quebram. Esta comparação deveria esclarecer a exposição. Mestre Yang sempre repetia: "a energia é lançada, mas a continuidade mental é mantida; a raiz de lótus pode ser partida, mas as fibras permanecem intactas".
O Método para Atingir o Perfeito Esclarecimento no T'ai-chi ch'üan
Usar energia não é correto.

Não usar energia não é correto.

Ser suave mas duro, isto é correto.
Inclinar não é correto.

Pender a cabeça não é correto.

Não inclinar nem pender, isto é correto.
Penetrar não é correto.

Não penetrar não é correto.

Não separar nem ser ansioso, isto é correto.
Flutuar não é correto.

Sobrecarga não é correto.

Leveza, sensibilidade, serenidade

e abaixamento são corretos.


Bravura não é correta.

Timidez não é correta.

Forte coragem e percepção aguçada são corretas.
Bater nas pessoas não é correto.

Não bater nelas não é correto.

Causar a entrega mental do oponente, isto é correto.

Tratado do T'ai-chi ch'üan, de Wang Tsung-yüeh.
( Nota: preste atenção à prática. Os comentários não foram escritos somente por escrever )
T'ai-chi ( a Grande Polaridade ) é nascido do Wu-chi ( o Infinito ), e é a mãe do Yin e do Yang.

Não-ação é Wu-chi; ação é T'ai-chi. Quando o ch'i desperta-se no vazio, nasce o T'ai-chi e este divide-se em yin e yang. Portanto, a respeito do T'ai-chi, devemos primeiro entender o yin e o yang, pois eles abarcam todos os fenômenos. De sua construção ou destruição mútua provém toda a mudança. O T'ai-chi nasce no Wu-chi e é mãe do yin e do yang.



Em movimento, eles separam-se; em repouso, unificam-se.

Quando praticamos o T'ai-chi, tão logo nos movemos, isto é projetado nos quatro membros. O T'ai-chi dá nascimento ao yin e yang, aos quatro duogramas, oito trigramas e o Palácio dos Nove. Isto é equivalente a Aparar, Puxar para Trás, Pressionar, Empurrar, Puxar para Baixo, Tangenciar, Ataque com o Ombro, Ataque com o Cotovelo, Avançar, Recuar, Olhar Fixo à Esquerda, Olhar à Direita e Equilíbrio Central. Quando estamos em repouso, todos retornam ao Wu-chi; a mente e o espírito unificam-se. Todo o corpo fica completamente vazio e nos tornamos conscientes do mais leve toque.


Evite tanto o excesso quanto a insuficiência. Quando o oponente flexiona, estenda; quando ele estende, flexione.

Durante a prática da forma ou da luta, evitar excesso ou insuficiência são igualmente aplicáveis. Entendemos por excesso ir longe demais e por insuficiência, não ir adiante o suficiente. Excesso e insuficiência são divergências a partir do centro. Se o adversário ataca, permita o curso do golpe, flexionando. Flexionar é arquear. Se o oponente ainda não armou o ataque e demonstra intenção de recuar, então eu o sigo, estendendo. Excesso pode ser visto no pender e insuficiência, na perda de contato. Lembre-se conscienciosamente destes quatro termos: perda de contato, pender, beligerância e separação. Se a sua arte pode estar livre de excessiva ansiedade e de separação, você estará pronto para operar prodígios com as mãos.


O oponente é duro, eu sou suave. Isto é ceder. Eu cedo, enquanto meu adversário é resistente. Isto é aderência.

Por exemplo, quando duas pessoas lutam e uma delas está dura e reta, eu usarei mãos suaves para cobrir o atacante. Eu firmemente cubro sua energia, como um chicote golpeando. Será extremamente difícil de repelir-me. Meu contato é semelhante a tiras de borracha atando sua habilidade de emitir ou expandir. Se ele usar muita força, agarro seu pulso e jogo meu peso para a retaguarda. Ao mesmo tempo, sem separação, recebo a força de aproximação e giro a cintura meio círculo, para neutralizá-lo. Estendo minhas mãos para o seu lado esquerdo, tornando-o sem poder. Eu estou cedendo, enquanto que ele resiste. Pela aderência, previno-me de seu escape.

Há uma velha história sobre um monge conhecido por seu talento em cabecear golpeando. Ele estava a ponto de tirar satisfações com um homem que estava a par de sua invencibilidade como aríete10, mas que estava extremamente intimidado. Bem, este homem, notando que o monge havia acabado de raspar a cabeça, elaborou um plano. Entrou em casa e pegou uma roupa molhada. Quando o monge resolveu aplicar sua técnica de golpear com a cabeça,o homem atirou a roupa molhada sobre a sua cabeça e puxou-o para baixo, provocando a queda do monge. Este é o princípio do suave superando o duro.
Responda à velocidade com velocidade; à morosidade, com morosidade.

Até o presente, a maioria dos meus companheiros praticantes de T'ai-chi compreendeu a arte de ceder, mas não o método da resposta rápida. Receio que eles se dariam muito mal enfrentando estilistas externos. "Velocidade" significa rapidez; "morosidade" é deliberar. Se o adversário aproxima-se lentamente, respondo cedendo e seguindo-o. Este princípio é muito claro. Se o atacante vem para cima de mim com muita velocidade, como posso usar o ceder? Neste caso, é necessário usar o método do T'ai-chi de "interceptar energia" e o princípio do "nem cedo, nem tarde". É como ocultar tropas em moitas para surpreender o inimigo. Mas a que nos referimos com "nem cedo, nem tarde"? Quando o adversário já lançou seu ataque, mas ainda não o descarregou, intercepto seu braço com minha mão, antes que ele se torne reto. Isto defletirá imediatamente seu golpe. Sem receber a verdadeira transmissão, "responder à velocidade com velocidade" é impossível.


Ainda que as mudanças sejam infinitas, os princípios permanecem os mesmos.

Ao lutar com adversários, seja à mão-livre ou no Tui-shou, não importando como os consideremos, os princípios são: o grande, pequeno e meio círculo, os prodígios do yin e do yang, o cheio e o vazio nos pés, os dois "peixes" do T'ai-chi e a verticalidade mantida. Embora fluindo através de uma miríade de transformações, os princípios do T'ai-chi são sempre os mesmos.


Adquirindo maestria nas posturas, gradualmente desperta-se a interpretação da energia. Interpretando-a você chegará ao esclarecimento espiritual. Todavia, sem longo e árduo treinamento, você não romperá esta barreira. Isto não se dá repentinamente.

"Posturas" referem-se à forma do T'ai-chi. Até o presente, meus colegas praticantes buscam somente controlar a interpretação da energia, mas são incapazes de repelir oponentes. Ao invés disso, deveriam primeiro aprender as posturas corretamente, praticando-as até que sejam dominadas. Só depois deveriam estudar como interpretar a energia, gradualmente. Os ancestrais tinham um ditado: ignorar s raízes e podar os galhos, é como levantar um pequeno bloco de madeira acima do mais alto edifício. Isto nos ensina que devemos primeiro desenvolver as posturas e depois aprender a interpretar energia. Então não será difícil alcançar o "esclarecimento espiritual". Este esclarecimento refere-se às miraculosas habilidades marciais; "romper barreiras" significa alcançar os magníficos segredos das artes marciais. Se você pode fazer o ch'i circular pela "pérola com buraco de nove curvas", então você adquiriu maestria dos princípios do T'ai-chi. Mas sem longa prática e familiaridade, como pode alguém atingir este nível?


Há uma energia leve e sensitiva na coroa da cabeça. Baixe o ch'i para o tan-t'ien. Não incline.

A "coroa da cabeça" refere-se, na verdade, ao ponto mais alto, no topo. Os Taoístas chamam este ponto de ni-wan ( pílula de barro11) ou, mais usualmente, de t'ien-men ( portal celeste ). Ele deve dar a sensação de vazio, e a cabeça deve ser mantida ereta. O espírito sobe, mas não permita que o ch'i alcance a coroa. Depois de longa prática, os olhos tornam-se brilhantes, e jamais sofremos de dores de cabeça. O tan-t'ien está situado a pouco menos de três centímetros abaixo do umbigo. Este é o lugar onde todo o ch'i do corpo deve se recolher. Com nosso movimento, ele é emitido como um mar de ch'i, circulando através dos quatro membros. Quando o ch'i é conduzido para o tan t'ien, o corpo "não inclina". Pender ou inclinar é como uma jarra de porcelana cheia de água; se ela é virada, a água é derramada. Se o tan-t'ien pende ou inclina, o c'hi não pode ser conduzido e armazenado. Os Budistas chamam este método de "relíquia sagrada" (she-li-tzu, a "pedra preciosa" que permanece da cremação de quem atingiu o ápice do ensinamento budista), e os Taoístas chamam-no de "elaborar o elixir" (lien-tan).

Com esta prática, pode-se tornar forte e viril. Após esforço persistente, os músculos e ossos parecem leves e suaves por fora, mas com força e substância ocultas por dentro. Quando o ch'i é forte, tornamo-nos imunes a centenas de enfermidades.
Repentinamente desapareça e repentinamente apareça. Se o adversário pressiona à esquerda, torne-se vazio à esquerda; se ele pressiona à direita, esvazie à direita.

"Desaparecer" significa ocultar. "Aparecer" significa expor. O método de subitamente aparecer e desaparecer na luta é o mais sutil e difícil de aprofundar. Quando o atacante deseja golpear-me, eu me retiro "subitamente desaparecendo", prevenindo-me de que ele seja capaz de aplicar sua força. Em seguida, quando ele puxa sua mão de volta, eu o sigo e avanço, "subitamente aparecendo". O oponente não tem a menor idéia se a minha postura será alta ou baixa, ou se atacarei de cima ou de baixo. Ele não terá auxílio algum para opor-se à minha investida.

A prática do T'ai-chi é com um pequeno barco num rio. Quando um homem pisa dentro dele, ele inclina, repentinamente desaparecendo; mas quando ele está a bordo, o barco sobe novamente, repentinamente aparecendo. Isto também é semelhante às transformações do dragão, o qual se monta no alto e depois abaixa-se. Quando ele vem abaixo, ele desaparece ocultando a si mesmo em formas físicas. Então ele reaparece novamente, planando nos céus e atravessando as nuvens, revelando-se. Este princípio expressa a idéia de que o T'ai-chi pode ascender e baixar. "Desaparecer e aparecer" é a teoria de subitamente existir e não existir.

Aqueles que são pesados não podem mover-se. E é, por acaso, possível lutar sem mover-se? Para empenhar-se nas artes marciais, deve-se ter o corpo ativo. Nossas mãos e pés devem ser ágeis; só então temos condições de enfrentar um adversário. Se o oponente ataca meu lado esquerdo, eu inclino levemente, tornando-me vazio, sem deixar nada para que ele possa tirar vantagem. Se ele ataca o lado direito, removo meu cotovelo, deixando seu punho sem nada para se apoiar. Meu corpo é ágil e impossível de apanhar. Esta é a idéia de esvaziar o lado esquerdo se ele é atacado; e de desvanecer o lado direito, se este é atacado.


Olhando para cima, tudo parece alto e mais alto; olhando para baixo, tudo parece cada vez mais profundo. Avançando, mais e mais distante; recuando, mais e mais próximo.

"Olhar para cima" é o alto, e "olhar para baixo" é o baixo. se o oponente pretende atacar de uma posição elevada, eu torno-me tão alto que ele não pode alcançar-me; se ele busca empurrar-me para baixo, eu desço tão baixo que ele perde seu centro de gravidade. Diga a si mesmo: "olhando para cima, tudo parece alto e mais alto", olhe para cima com seus olhos e imagine-se atirando-o para cima de uma construção. Dizendo "olhando para baixo, tudo parece cada vez mais profundo, imagine-se jogando-o para dentro da terra.

Esta é uma história sobre Yang Pan-hou. Num dia de verão, ele estava num campo ao lado de um pequeno vilarejo (um celeiro no norte da China) refrescando-se, quando subitamente apareceu um homem que o saudou, perguntando sobre o paradeiro de Pan-hou. Quando respondeu dizendo que era o próprio, o homem o atacou violentamente com três dedos, sem aviso prévio. Pan-hou havia notado uma choupana com mais de dois metros de altura; então moveu sua mão e disse: "amigo, por que você não vai lá para cima?" e, tendo dito isso, atirou-o sobre a choupana. Depois disso, disse: "Por favor, agora desça, vá para casa e procure tratamento médico". Um camponês perguntou como ele havia sido capaz de atirá-lo no topo da choupana, ao que ele respondeu: "olhando para cima, tudo parece mais e mais alto", mas o camponês não podia captar seu significado.

No norte da China, havia um homem de nome Lo Wan-tzu, que fora aluno de Yang Pan-hou. Depois de estudar por alguns anos, ele quis testar sua arte. Mestre Pan-hou perguntou se ele gostaria de ser atirado como um molde de lingotes de prata, semelhante àqueles da dinastia Yüan. Wan começou a rir e convidou-o a tentar. Eles começaram a lutar, mas ele logo terminou com as mãos e pés apontando para o céu, e o lado direito de seu quadril voltado para baixo, precisamente no molde de um lingote Yüan. Ainda que ele não tenha sido atirado literalmente sob a terra, ele sofreu um deslocamento do quadril. Ele foi curado, mas ainda hoje ele manca ligeiramente. Este homem é um refinado artista marcial e ainda está vivo. Ele sempre diz que "olhando para baixo, tudo parece cada vez mais profundo" é, sem dúvida, uma técnica temível.


Uma pena não pode ser adicionada ao corpo, nem o pouso de uma mosca.

Depois de longo treino, você se torna tão sensitivo e alerta, que percebe qualquer toque, por mais leve que seja. Você não pode suportar nem mesmo o peso de algo tão leve como uma pena. Mesmo uma minúscula mosca não pode pousar em meu corpo, pois seria como aterrissar em uma jarra de fino vidro reluzente, tão escorregadio que impossibilitaria sua permanência. Uso meu poder de neutralizar para fazer com que as pernas da mosca deslizem para baixo. Isto pode verdadeiramente ser chamado de culminação da habilidade no T'ai-chi.

Há uma história que conta como Pan-hou costumava descansar sob a sombra de uma árvore, quando treinava durante o verão. Quando surgia a brisa, provocando a queda de algumas folhas, nenhuma delas podia pousar em seu corpo, escorregando para o solo. Ele costumava testar tal habilidade abrindo a camisa e deitando em sua cama. Ele colocava uma pitada de painço sobre seu umbigo. Podia-se ouvir um som exalante e ver os grãos serem atirados com projéteis de uma besta12, atingindo as telhas do teto. A arte de Pan-hou era verdadeiramente suprema. Meus amigos, dediquem-se fervorosamente para igualá-lo.
Meu oponente não me conhece, mas eu o conheço. Aonde vai o herói, ele é incomparável. Esta é a meta à qual aspiramos.

Ao lutar com adversários, não use posturas predeterminadas. Além disso, faça com que seja impossível tocá-lo com suas mãos. Usamos a estratégia militar do grande general Chu Ke-liang, que consiste em alternar ofensa e defesa, de maneira que o inimigo não possa prever nossos movimentos. Há um provérbio que diz: "eles não podem saber que tipo de remédio eu tenho para vender em minha cabaça". O oponente não sabe que dominamos a técnica do T'ai-chi de avaliar o adversário. Quando se está muito familiarizado com a interpretação da energia, a mão torna-se miraculosamente sensitiva. Ao mais leve gesto do atacante, nós antecipamo-nos a ele, seguimos sua mão e empregamos toda a nossa habilidade para atacá-lo e repeli-lo. Se ainda não estivermos próximos, usamos o método de avaliar o oponente e visualmente averiguar seu movimento. A Arte da Guerra (Sun Tzu ping-fa), de Sun Tzu, afirma: "conheça a si mesmo e ao inimigo; para uma centena de batalhas, uma centena de vitórias". "Aonde vai o herói, ele é incomparável. Esta é a meta à qual aspiramos".


Há muitas escolas de artes marciais. Ainda que haja diferenças de estilo, elas não vão muito além de intimidar a fraqueza com a força, de fazer a lentidão ceder lugar à velocidade, ou de transformar as mãos lentas em rápidas. Todas estas coisas são dons físicos inatos, e nada têm a ver com tudo aquilo que é adquirido através do estudo sério e profundo.

Embora existam inumeráveis escolas de artes marciais, cada qual com suas posturas e aplicações próprias, o que elas têm em comum, em suma, é a ênfase na velocidade e na força. Deste modo, elas operam simplesmente com habilidades inatas, e não com os resultados do estudo. Há muitos homens famosos de várias escolas, mas eles não podem sequer se aproximar da sutileza e magnificência dos princípios do T'ai-chi.


Examinando o conceito da capacidade de 100 gramas repelirem 500 quilos, fica claro que não é a força bruta que prevalece.

Quem conquista pela força não conquista o coração, isto os sábios ensinaram-nos. Quando aprendemos a arte de sobrepujar a força pela fraqueza e a velocidade pela morosidade, além de usar a habilidade para controlar o adversário, aí então conquistamos verdadeiramente o coração do oponente. Mais ainda, não teremos do que lamentar pelo nosso árduo estudo. A prática do T'ai-chi nos dá meios de atrair o atacante, sem dar qualquer apoio para sua força bruta. Mesmo 500 quilos de força serão inúteis. Somente quando somos sensitivos e vivazes podemos demonstrar a maravilha de não dar ao oponente nada em que possa apoiar-se. Quando somos capazes de atrair o adversário sem fornecer-lhe qualquer ponto de apoio, então possuímos o magnífico conceito de mover 500 Kg com 100 g.

Há uma história muito antiga sobre um homem afortunado e idoso que viveu no oeste de Pequim. Suas propriedades eram grandes como uma cidade; o povo a chamava de "a pequena prefeitura de Chang". Chang amava as artes marciais e mantinha mais de trinta lutadores como guarda-costas em sua casa. Após ouvir falar de um homem de Kuang- p'ing chamado Yang Lu-ch'an, pediu que seu amigo Wu Lu-ch'ing fosse convidá-lo para um encontro. Com a chegada de Yang, Ch'ang notou que ele era muito magro e com muito custo passava de 1,5 m de altura. Ele aparentava honestidade e generosidade, e seus trajes eram muito simples. Ch'ang o cumprimentou com pouca cerimônia; o banquete em sua honra era para lá de suntuoso. Mestre Yang tudo compreendeu, comendo e bebendo sem prestar muita atenção a qualquer coisa. Ch'ang não escondeu seu desagrado, e disse: "tenho freqüentemente ouvido meus homens mencionando seu famoso nome. Ora, pode o T'ai-chi ser usado para realmente derrotar um adversário?" Lu-ch'an, sabendo que de nada adiantaria a modéstia, respondeu: "Há três tipos de homens imbatíveis, os que são moldados em bronze, os feitos em ferro e os constituídos de madeira; o resto não oferece problemas". Ch'ang disse: "tenho trinta homens sob minha guarda e Mestre Liu é o primeiro dentre eles. É tão forte que é capaz de levantar 250 Kg. Gostaria de enfrentá-lo?" Yang respondeu que não haveria mal em tentar. Liu lançou-se para cima dele com a fúria do Monte T'ai; seus punhos chegavam a produzir um ruído sibilante. Conforme ele aproximou, Yang usou a mão esquerda para neutralizar e a direita para bater. O homem foi atirado a três metros de distância. Ch'ang segurou o punho13e exclamou: "você, meu caro, é detentor de uma arte milagrosa". Em seguida, ordenou aos seus cozinheiros que preparassem novo banquete, com pratos chineses e manchus. A partir de então, respeitou-o como seu próprio instrutor. Liu era forte como um touro, mas sem habilidade, como poderia ele competir? Com isto, podemos ver os resultados de aplicar o "fica claro que não é a força bruta que prevalece".
Quando vemos um homem idoso defender-se com sucesso de um grande número de homens, o que tem isto a ver com velocidade?

Podemos considerar um "homem idoso" como pertencendo à faixa dos 70 ou 80 anos. Se ele é capaz de "defender-se com sucesso de um grande número de homens", isto indica que ele praticou T'ai-chi ch'üan. Sem esta prática, é difícil mesmo para um jovem defender-se contra um ou dois homens. Se praticarmos desde o primeiro dia de treino até a idade avançada, os ossos e músculos permanecem fortes, e o sangue e o ch'i ficam cheios e abundantes. Assim, um homem de 70 ou 80 anos pode derrotar toda uma multidão; como o general Huang Chung, que disse na batalha da Montanha Ting-chün que "o homem pode ser velho, mas o cavalo não é. O cavalo pode ser velho, mas a espada não é". Suas palavras são muito fortes. Aqueles que praticam o T'ai-chi ch'üan podem tornar-se idosos em alguns anos, mas seus espíritos são jovens, possibilitando-os a derrotar muitos homens. Esta é a idéia básica.

Há outra história, esta de Yang Chien-hou. Um dia, após um temporal, havia uma passagem tão estreita sobre o pântano, que possibilitava a uma única pessoa atravessá-la. Um estudante chamado Chao estava parado na passagem olhando o céu, sem notar que o velho Mestre havia saído de casa e vinha caminhando atrás dele. Chien-hou quis pregar-lhe uma peça. Tocou seu ombro levemente com a mão direita. Chao a sentiu como se uma viga de um teto tivesse desabado sobre ele; de fato, ele foi atirado contra uma das laterais da passagem. O velho Mestre sorriu, e sem dizer coisa alguma, prosseguiu em seu caminho.

Em outro dia, Chien-hou estava num pátio conversando com um grupo de estudantes, quando resolveu divertir-se às custas deles. Oito ou nove alunos o pressionavam em todas as direções, quando o velho Mestre girou seu corpo umas poucas vezes, atirando todo o grupo longe, em grande dispersão. Sua idade aproximava-se dos 80 nesta ocasião. Portanto, dizer que "um homem pode defender-se com sucesso de um grande número de homens" não é uma hipérbole. A palavra "velocidade" na frase seguinte, "o que tem isto a ver com velocidade?", refere-se à velocidade caótica, a qual é simplesmente selvagem e confusa. Velocidade selvagem e confusa não tem qualquer utilidade. Não ter velocidade não é uma boa coisa, mas tê-la sem habilidade é completamente inútil.


Permaneça como uma balança sensível; mova-se ativamente, como uma roda.

"Permanecer como uma balança sensível" é o mesmo que manter uma postura ereta, sem inclinação. Só então controlamos as oito direções correspondentes aos oito trigramas do I Ching, ou os quatro lados e os quatro ângulos do quadrado. "Mover-se ativamente como uma roda" refere-se à contínua circulação do ch'i. Os ancestrais diziam: "encontre o centro do círculo e você será capaz de responder a qualquer situação". A cintura é como um eixo, e os quatro membros são como uma roda. Se a cintura não puder agir como um eixo, os membros não poderão revolver com desenvoltura. Mas se você deseja fazer um eixo rodar, é preciso lubrificá-lo. Os colegas que o considerarem cuidadosamente não terão dificuldades em atingir o objetivo por si mesmos. Não há necessidade de maior elaboração do conceito.


Mantendo todo o peso em um dos lados, você será capaz de acompanhar; mas com dupla sobrecarga, você será inepto e desajeitado.

Empregamos a metáfora da roda no comentário acima. Ao usar um pé para empurrar para baixo em uma roda, ele acompanhará sua rotação naturalmente. A dupla sobrecarga ocorre quando o pé direito pressiona o lado direito e o pé esquerdo pressiona o lado esquerdo, simultaneamente. Se as pressões forem iguais, é natural que você não consiga rodar, permanecendo bloqueado. Este princípio é óbvio e dispensa maiores comentários.


Vemos freqüentemente pessoas que estudaram fielmente a arte por vários anos, mas são incapazes de neutralizar um ataque e freqüentemente são superados pelo adversário. Isto acontece simplesmente pelo fato deles ainda não terem corrigido o erro da dupla sobrecarga.

Amigos, vocês podem obter um grande benefício a partir de uma explanação muito simples. Consideremos, por exemplo, algumas pessoas que praticaram o T'ai-chi todos os dias, durante cinco ou seis anos, mas são sempre vencidos em competições. Eis que um colega pergunta: "você tem praticado fielmente por seis anos; qual será a razão de não obter sucesso? Mostre-me as Treze Posturas para que eu possa ver". O que observamos na forma são "posturas de cavalo", punhos travados, uma fisionomia selvagem e dentes cerrados. Ele possui tanta força quanto um touro, mas não podemos observar seu ch'i em lugar algum. Este é o resultado da prática com dupla sobrecarga. O colega mencionado comenta sorrindo: "meu caro, você falhou na compreensão da dupla sobrecarga". Eis que surge outro comentário: "tenho praticado por sei anos sem aplicar força, mas qual a razão de ser incapaz de bater até em um garoto e dez anos?" Novamente é solicitada a mostra das Treze Posturas; vemos que, de fato, não há emprego de força. No entanto, ele flutuava como um ganso e não ousava estender as mãos ou pés. Ora, ele tinha receio até de abrir amplamente seus olhos. O colega sorriu e disse: "já você, meu caro, peca pelo erro do duplo flutuar. Dupla sobrecarga é um erro, mas duplo flutuar também é". Todos riram e questionaram-se como poderiam descobrir um verdadeiro método para praticar.


Procure evitar este erro.

Os erros da dupla sobrecarga e do duplo flutuar devem ser evitados. Agora isto já oferece facilidade na compreensão. Com este manual, não é difícil entender. Leia os métodos de treinamento deste livro em primeiro lugar. Os princípios são muitos, e não se pode assimilá-los de uma só vez. Pratique por dez dias e leia-o novamente. Pouco a pouco, os benefícios deste livro se farão conhecidos. Ao encontrar dificuldades em qualquer passagem, consulte um instrutor qualificado.


Conheça bem o Yin e o Yang. Aderir é ceder; ceder é aderir. Yin nunca deixa o Yang; Yang nunca deixa o Yin. Quando Yin e Yang complementam-se um ao outro, isto é interpretação de energia.

Yin e Yang são o cheio e o vazio ou, em suma, aderir, conectar, ceder para neutralizar e interpretar a energia de aproximação do oponente. Isto já foi suficientemente explicado acima. Não é necessário repeti-lo.


Após o aprendizado da interpretação da energia, quanto mais você pratica, mais você avança em sua habilidade. Memorize silenciosamente e cuidadosamente pondere. Passo a passo, você atingirá o estágio em que o corpo seguirá a mente automaticamente.

A capacidade de interpretar a energia de aproximação do atacante mais a prática diária referem-se ao treino e maestria adquiridos por um longo período. "Ponderar cuidadosamente" é procurar esclarecimento nas aplicações práticas ensinadas por um instrutor. Quando elas tornam-se completamente familiares, simplesmente estendemos as mãos, e tudo aquilo que a mente conceber será realizado. Neste ponto, você terá alcançado o estágio do corpo seguindo a mente automaticamente.


A raiz de tudo é desistir de si mesmo e seguir os outros.

No confronto com oponentes, você deve seguir os movimentos da outra pessoa, ao invés de mover-se independentemente. Meu Mestre, Yang Chen-fu, sempre dizia que mover por si mesmo é grosseiro e desajeitado, enquanto que seguir o outro é ágil e esperto. Seguindo os outros, pode-se adquirir a maravilhosa habilidade de neutralizar energia. Se você segue o outro, você não pode prosseguir independentemente. Este princípio é extremamente real e sutil.


A maioria das pessoas comete o equívoco de desprezar o que está próximo e buscar o que é distante. O mais leve desvio implica sair do rumo por muitos metros. Os estudantes devem discriminar apuradamente; eis a razão deste tratado.

No combate com adversários, a maioria negligencia o que está próximo em favor do que está distante. Usar a tranqüilidade para esperar pelo movimento e atacar quando a oportunidade surge, isto é baseado na idéia do que é próximo. Mover-se acima e abaixo, procurando um lugar para atacar, esta é a idéia do distante. O T'ai-chi é assunto de centímetros, ou mesmo de milímetros. Segue-se que não há lugar para erros. Um engano de milímetros é como perder o alvo por centenas de metros. Os caros amigos praticantes do T'ai-chi ch'üan devem prestar especial atenção para isto


Tudo que vai acima são os ensinamentos de T'ai-chi ch'üan transmitidos por Wang Tsung-yüeh.
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