Notas sobre Indicadores de Produção Científica em Matemática na Europa 1



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Notas sobre Indicadores de Produção Científica em Matemática na Europa1
Luis T. Magalhães, Maio de 2004


Sumário Executivo





  1. Está a ser dada uma maior importância à análise e divulgação de dados sobre publicações científicas das instituições de investigação de países europeus. As instituições que pretendam ter visibilidade e afirmação internacional têm de ter em conta este tipo de dados.




  1. A Universidade Técnica de Lisboa (UTL) e o Dep. de Matemática do Instituto Superior Técnico (IST) alcançaram recentemente posições relativamente elevadas no panorama Europeu, mas é claro que, com algum esforço, ainda é possível melhorá-las muito significativamente.




  1. O número de publicações e os seus factores de impacto, como outros indicadores puramente quantitativos, não devem ser determinantes, por si só, da avaliação nem do desenvolvimento das actividades científicas. “Na apreciação de desempenho científico deve ser sempre dada precedência a originalidade e qualidade sobre quantidade”2. Contudo, a níveis elevados de agregação institucional (centros, departamentos, faculdades, universidades, países), os indicadores referidos mostram como é vista do exterior a capacidade produtiva das instituições científicas (por organizações de política e financiamento da ciência, mas também por candidatos a pós-doutoramento ou doutoramento). Portanto, são relevantes para instituições que pretendam assegurar uma visibilidade externa e tenham uma estratégia de internacionalização de actividades.




  1. A Matemática é uma das áreas com melhor desempenho relativo em publicações científicas em Portugal. Na ordenação das 26 áreas científicas3 consideradas no relatório da Comissão Europeia (CE) Third Report on Science & Technology Indicators 2003 por ordem decrescente da percentagem do número de publicações em relação ao total da UE-15 na mesma área em 1995-99, a Matemática (1,1%) situa-se em 7º lugar, depois de Engenharia Química (2,2%), Outras Ciências da Engenharia (1,9%), Ciência de Materiais (1,5%), Engenharia Mecânica (1,4%), Ciência de Computadores (1,2%), Química (1,1%). E na ordenação por ordem decrescente da fracção do número de citações4 de artigos no total do mundo na mesma área em 1993-99, a Matemática situa-se em 1º lugar (0,81). Além disso, nos dados do ISI relativos a um conjunto de 19 áreas científicas5 citados no relatório da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) publicado em 2002, Cinco Anos de Actividades - Relatório 1997-2001, a Matemática é a única área em Portugal com impacto por publicação superior à média mundial na respectiva área nos períodos de cinco anos com sobreposições 1990-94 a 1995-99, e a Matemática é a 5ª área científica na contribuição de Portugal para o total de publicações mundiais na respectiva área em 1996-2000 (0,49% das publicações de todo o mundo em Matemática, quando a contribuição de Portugal em todas as áreas foi 0,40%).




  1. A fracção dos artigos de Portugal registados na MathSciNet6 nos artigos de todo o mundo duplicou de 1992 para 2002 e cresceu regularmente de 1982 a 2002: 0,01% em 1982, 0,23% em 1992 e 0, 46% em 2002. Neste período o total de artigos de todos os países registados na MathSciNet cresceu 37%.

  2. A contribuição de Portugal em Matemática + Matemática Aplicada + Aplicações Interdisciplinares da Matemática7 para o total de publicações8 dos 28 países considerados9 duplicou de 1992 para 2002 (de 0,75% para 1,48% do total). Este crescimento foi muito elevado, dado que o total de publicações dos 28 países aumentou 63% nesse período.




  1. De 1992 para 2002, a posição relativa de Portugal entre os 28 países considerados manteve-se baixa relativamente à dimensão populacional do país, embora em valores absolutos tenha passado do 18º para o 16º lugar (nos países da UE-15, do 13º para o 11º lugar ao ultrapassar a Dinamarca e a Finlândia).




  1. Em número de publicações7 em Matemática + Matemática Aplicada + Aplicações Interdisciplinares da Matemática por cidade da instituição de origem, de 1992 para 2002 Lisboa passou do 64º para o 19º lugar nas 359 cidades onde estão situadas as 524 instituições consideradas10 (nas cidades da UE-15 passou do 54º para o 15º lugar).




  1. A contribuição da UTL para o total de publicações7 dos 28 países considerados em Matemática + Matemática Aplicada + Aplicações Interdisciplinares da Matemática mais do que quintuplicou de 1992 para 2002 (de 0,09% para 0,48% do total). Foi um crescimento muitíssimo elevado, dado que o total de publicações dos 28 países aumentou 63% nesse período.




  1. De 1992 para 2002, a posição relativa da UTL entre as 524 instituições de investigação europeias consideradas10 passou de 286ª para 46ª (na UE-15 passou de 250ª para 37ª). Parece estar ao alcance da UTL chegar às primeiras 20 posições europeias em número de publicações em Matemática + Matemática Aplicada + Aplicações Interdisciplinares da Matemática.




  1. O Dep. de Matemática do IST contribuiu no período 1992-2002 com 79% das publicações7 em Matemática + Matemática Aplicada + Aplicações Interdisciplinares da Matemática de toda a UTL (em 2002 com 77%).




  1. A contribuição do Dep. Matemática do IST para o total de publicações portuguesas em 1998-2002 nas 80 revistas de Matemática + Matemática Aplicada + Aplicações Interdisciplinares da Matemática com maior factor de impacto, no total das 329 revistas reconhecidas pelo ISI nessas áreas, foi relativamente elevada: 36% nas 80 primeiras, 35% nas 40 primeiras, 40% nas 20 primeiras, dois dos três artigos nas 10 primeiras. Contudo, o número de publicações nestas revistas permaneceu relativamente baixo. A contribuição do Dep. Matemática do IST para o total de monografias científicas portuguesas publicadas internacionalmente no período 1992-2002 foi de 60%.




  1. O Dep. de Matemática do IST contribuiu para 4 dos 6 artigos portugueses em revistas que integraram os apenas 0,16% que foram seleccionados para as Featured Reviews da Mathematical Reviews (MR)11, entre todos os publicados mundialmente em 1993-02. Em número de artigos publicados em revistas com Featured Reviews na MR, Portugal posicionou-se em 11º dos 28 países europeus considerados (9º dos países da UE-15), e a UTL entre as primeiras 26 das 524 instituições de investigação europeias consideradas.




  1. É claro que é possível melhorar significativamente os indicadores do Dep. Matemática do IST, dado que: 30% de todas as publicações com origem neste departamento no período 1992-2002 foram publicados em revistas não reconhecidas pelo ISI em qualquer área científica, 69% dos artigos publicados em revistas reconhecidas pelo ISI nas áreas Matemática + Matemática Aplicada + Aplicações Interdisciplinares foram publicados em revistas com factores de impacto inferiores aos das primeiras 100 revistas, os membros do departamento e dos seus centros têm referido nos artigos as suas afiliações de forma muito diversificada nem sempre indicando este departamento ou um dos seus centros como afiliação principal, é claro dos números totais de publicações e de doutorados que a produtividade científica pode ser significativamente aumentada.

1 Estas notas começaram a ser preparadas em Janeiro de 2004, com o início da obtenção de informação nas bases de dados MathSciNet da American Mathematical Society e Web of Knowledge do Institute of Scientific Information (ISI).

2 Citado de Proposals for Safeguarding Good Scientific Practice, DFG – Deutsche Forschungsgemeinschaft, Janeiro de 1998.

3 As áreas científicas consideradas foram: 1) Ciências Básicas da Vida, 2) Ciências Biológicas, 3) Ciências Biomédicas, 4) Medicina Clínica, 5) Clínica Dentária, 6) Farmacologia, 7) Ciências da Saúde, 8) Ciência Alimentar e Agricultura, 9) Ciências da Terra, 10) Ciências do Ambiente, 11) Engenharia Aeroespacial, 12) Engenharia Electrotécnica, 13) Engenharia Geológica, 14) Engenharia Química, 15) Engenharia Civil, 16) Engenharia Mecânica, 17) Outras Ciências da Engenharia, 18) Química, 19) Instrumentos e Instrumentação, 20) Ciência de Materiais, 21) Astronomia e Astrofísica, 22) Física, 23) Combustíveis e Energia, 24) Matemática, 25) Análise Estatística e Probabilidade, 26) Ciência de Computadores.

4 Foram excluídas as auto-citações.

5 Nesse relatório da FCT consideram-se 19 áreas científicas, de acordo com dados apresentados pelo ISI: 1) Plant and Animal Science, 2) Microbiology, 3) Biochemistry, 4) Molecular Biology, 5) Neurosciences, 6) Immunology, 7) Clinical Medicine, 8) Pharmacology, 9) Agricultural Sciences, 10) Geosciences, 11) Ecology/Environment, 12) Space Science, 13) Engineering, 14) Chemistry, 15) Material Science, 16) Physics, 17) Mathematics, 18) Computer Science, 19) Economics and Business.

6 Base de dados da American Mathematical Society.

7 Classificação de áreas científicas do ISI na Web of Knowledge.

8 Artigos em revistas reconhecidas pelo ISI e monografias científicas publicadas internacionalmente.

9 Todos os países da UE-15, países em acesso à UE, Islândia, Noruega e Suiça, totalizando 28 países.

10 Instituições com pelo menos uma publicação em 2002 e uma média de pelo menos duas publicações no período 1992-2002 dos 28 países da UE-15 + países em acesso à UE + Islândia + Noruega + Suiça.

11 Mathematical Reviews (MR) é uma base de dados de reviews de publicações nas ciências matemáticas publicada desde 1940 pela American Mathematical Society. O MR Editorial Statement 2004 refere: “These are reviews of items that have been identified by the MR editors, with the advice of distinguished outside mathematicians, as being especially important in one or more of the areas covered by the MRDB (MR DataBase)”. As primeiras Featured Reviews são de artigos publicados em 1993.






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