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NOVA ARRANCADA

TESE AO 8º CONGRESSO NACIONAL DA FENAJUFE



Não se diga que o movimento social exclui o movimento político. Não há, jamais, movimento político que não seja, ao mesmo tempo, social.” (Karl Marx)

  1. Realidade Atual – O hábito do movimento sindical de começar os debates pela conjuntura é uma herança sadia. Permite partir da realidade para oferecer propostas que respondam às necessidades. Cada período determinado da realidade social apresenta uma característica central que lhe caracteriza. Como se sabe a História não se repete. Conhecer qual é essa característica central, determinar com exatidão sua natureza, sua origem e limite histórico é primordial para entender todos os demais problemas. Pode-se afirmar que não conhecer a característica central da realidade social que se vive é como viver fora da realidade. Da mesma maneira qualquer proposta que não a leve em conta é irreal.

  2. E qual é a característica central da realidade que vivemos?

  3. Afirmamos que é a da crise terminal do neoliberalismo. Mais precisamente, uma crise lenta, gradual e insegura do neoliberalismo é a principal característica do mundo atual afetando todos os lugares do planeta e todas as classes e camadas sociais.

  4. Desde que começou a vingar, o neoliberalismo sofreu o combate do movimento sindical no Brasil e no Mundo. Isso, contudo, não evitou seu domínio no planeta. Mais do que antes, portanto, é necessário ter clareza sobre sua natureza, origem e limite histórico.

  5. Qual a natureza do neoliberalismo? Afirmamos que é o domínio dos proprietários do capital produtor de juros (ou capital rentista, ou capital usurário, ou capital fictício), dos principais órgãos centrais de poder dos Estados. Sua base é a imposição da liberalização das contas de capital pelos Estados das nações submetidas e a desregulamentação financeira em todas as nações onde ele domina. Daí porque, não é uma nova fase do capitalismo, mas um tipo peculiar de capitalismo onde domina a usura, o rentismo. Ao invés do processo D – M – D’, temos o predomínio do processo D – D’1. Como a usura em períodos históricos anteriores, suas fontes são: alta de juros e dívida pública.

  6. E quando surgiu o neoliberalismo? Em 1979 com a alta unilateral dos juros por parte do FED dos EUA, para as dívidas passadas, presentes e futuras. Partindo de juros próximos à 0% em menos de dois anos elevaram para 20%! Evidente que isso só foi possível porque os EUA à época detinham o monopólio da moeda reserva internacional, um incontrastável poderio militar, e as dívidas públicas de dezenas de nações. Daí em diante eles passaram a drenar para sua economia trilhões de dólares retirados de todas as partes do mundo sem a necessidade da produção, só pelo mecanismo dos juros (dinheiro rendendo dinheiro).

  7. E qual é o limite histórico do neoliberalismo? Como se sabe o capitalismo não pode viver de dinheiro rendendo dinheiro; aliás, nenhum sistema social. Quando em Roma passou a predominar a usura, durante o escravismo, suas manufaturas estavam sendo superadas pelas da Ásia Menor. O mesmo ocorreu quando em Veneza passou a predominar a usura durante a Idade Média, os capitais foram para Amsterdã. Quando as manufaturas holandesas foram ultrapassadas pelas indústrias inglesas, os capitais se deslocaram para Londres. Estes exemplos demonstram que a Europa e o norte da América, cujos órgãos centrais do poder dos Estados são dominados pelos proprietários do capital produtor de juros, ‘capital que vive de usura’, a produção fica estagnada e entra em recessão. É o seu limite histórico.

  8. Daí nossa conclusão que a principal característica dos tempos em que vivemos é o da crise terminal do sistema neoliberal. Não temos dúvidas em afirmar que durante essas mais de três décadas de dominância do neoliberalismo, a humanidade conheceu um verdadeiro retrocesso civilizacional. A principal fonte de miséria, desemprego, individualismo exacerbado, opressão de toda ordem, queda na atividade produtiva, tem sido o neoliberalismo.

  9. Insistimos que esta é uma crise terminal do neoliberalismo e que se dá como atestam os fatos dos últimos seis anos de maneira lenta, gradual e insegura.

  10. Para entender essa característica central da época em que vivemos, é necessário ter em mente que a base econômica do neoliberalismo é o ‘capital produtor de juros’. Este capital fictício, usurário, rentista, difere do ‘capital financeiro’ e do ‘capital estatal’. O capital financeiro caracteriza-se pela fusão do capital bancário com o capital industrial – exemplo: Rockfeller; Os donos do capital financeiro emprestam dinheiro através dos seus bancos para que se comprem produtos de suas indústrias. O capital estatal se caracteriza pela propriedade de bancos e indústrias pelo próprio Estado. Essas duas formas do capital surgiram quando o capitalismo atinge sua fase monopolista, imperialista, e predominaram durante o século XX até o advento do neoliberalismo em 1979. Muitas das nações que se consolidaram no processo de libertação do imperialismo europeu adotaram o capitalismo de Estado. E mesmo nas nações nas quais predominava o capital financeiro, foram adotadas medidas severas para controlar o fluxo de capitais e impedir a liberalização financeira – eram os acordos de Bretton Woods de 1944. No período que vai de 1945 a 1975 foram imensas as conquistas dos povos e dos trabalhadores, a produção crescia em todos os lugares e o movimento sindical se fortalecia em toda parte.

  11. Todo esse panorama muda com o neoliberalismo. Para acabar com o controle de capital e permitir a liberalização financeira, são criadas instituições antes proibidas (os chamados DERIVATIVOS – ‘bancos de investimento’, ‘fundos’, um papel mais especulativo ainda para as ‘seguradoras’ e ‘companhias avaliadoras de riscos’). Ou seja, o capital usurário que antes era reprimido e existia marginalmente, passa a comandar a política econômica dos EUA, Inglaterra, Alemanha, Japão, França, Itália, dentre outros. Essa liberalização do fluxo de capitais somada à desregulamentação financeira com as ‘empresas’ mencionadas acima para administrá-las, fez crescer tanto o capital fictício (no dizer de Marx ‘o fetiche autômato perfeito) que, conforme os dados do BIS ( Bank International Settlements, também chamado Banco do Bancos) de outubro de 2008, exatamente no ápice da crise atual, assim estava distribuída a Riqueza Mundial:

  12. PIB MUNDIAL – US$ 65 trilhões

  13. ATIVOS FINANCEIROS (dívida primária) – US$ 130 trilhões

  14. DERIVATIVOS (e outras inovações financeiras) – US$ 600 trilhões.

  15. Ora ao invés de controlar o fluxo de capitais e coibir a liberalização financeira, adotando medidas que incentivassem à produção, os Estados dos EUA e da Europa, pegaram trilhões de dólares do erário público para salvar o ‘capital fictício’, as empresas e bancos de investimentos que viviam da usura! Passou-se a especular com a dívida pública! Com essas medidas a produção se desloca ainda mais para a Ásia e outras partes do mundo. A economia do norte da América e Europa tornou-se inviável com o neoliberalismo.

  16. Para viabilizar politicamente o neoliberalismo era necessário submeter os Estados de Nações Soberanas aos seus ditames. Daí porque Soberania ou Submissão das Nações passou ao primeiro plano da luta social.

  17. No entanto algumas nações jamais aceitaram o livre fluxo de capitais e a liberalização financeira como é o caso da Índia e da China. Outras, duramente atingidas pelos dogmas neoliberais desde seu início, como a Argentina e o Brasil, passaram a contrariar grande parte deles. Portanto, o neoliberalismo se manifesta de forma diferente nos vários continentes. No entanto, quando a crise estourou no próprio Estado que engendrou o neoliberalismo, tem início sua crise terminal. Contudo, como os fatos tem demonstrado, essa Crise Terminal do Neoliberalismo tem sido LENTA: se arrasta desde 2007; GRADUAL: a cada aparente ‘retomada do crescimento’ ela se aprofunda ainda mais; INSEGURA: tanto porque não surgiram propostas e forças sociais capazes de vencer o neoliberalismo definitivamente como, e principalmente, porque os detentores do ‘capital usurário’ e seus sequazes são e serão capazes de atrocidades inomináveis para tentar manter sues privilégios. Desnecessário acrescentar que estamos falando em Crise Terminal do Neoliberalismo e não do capitalismo. Este ainda tem fôlego porque precisa sempre ‘revolucionar as forças produtivas’. Enquanto aquele tem uma base vazia – o capital rentista, usurário.

  18. Na resistência dos povos e dos trabalhadores ao neoliberalismo é vital o rumo político acertado. Exemplificamos com a Europa onde acontecem manifestações gigantescas contra os descalabros neoliberais. Não há nação soberana sem moeda própria. Enquanto as nações europeias não recuperaram suas próprias moedas, serão alvos fáceis da especulação com suas dívidas públicas pelos detentores do capital usurário. Cabe aos trabalhadores levantarem bem alto essa bandeira, o que ainda não tem acontecido. Em consequência, a resistência ao neoliberalismo carece de uma teoria capaz de explicar seu limite histórico e o caminho para superá-lo e forças sociais organizadas com esse propósito tendo à frente os trabalhadores.

O neoliberalismo na América Latina.

  1. As nações da América Latina foram os primeiros alvos da ofensiva neoliberal. A elevação abrupta e unilateral da taxa de juros pelo FED em 1979, atingiu em cheio o México, a Argentina e o Brasil e as demais nações latino-americanas. Elas haviam contraído, notadamente na década de setenta, enormes dívidas externas, já que o juro era próximo de zero. De uma hora para outra eram aumentadas em 20% ao ano e para as dívidas, passadas, presentes e futuras! As ditaduras militares e depois os governos democráticos da Argentina e Brasil passaram contrair dívidas ainda maiores para pagarem as anteriores. O mesmo acontecia com as demais nações latino-americanas. O México e o Brasil, que de 1930 a 1980 foram as nações que mais cresceram no mundo, PIB médio para todo o período superior a 5%, passaram a um crescimento pífio. As décadas de oitenta e noventa do século passado foram de crescimento da miséria, do desemprego, das privatizações, da precarização das condições de trabalho e vida, do corte de direitos sociais. Processo similar ao vivido atualmente pela Europa.

  2. A partir de 1998, os povos da América Latina que já experimentaram formas variadas de luta, encontraram na eleição de Chaves na Venezuela, um caminho político para enfrentar o neoliberalismo - a disputa dos Executivos centrais através de eleições majoritárias.

  3. Sabemos que o ESTADO é constituído de Órgãos Centralizados de Poder. Na América Latina, os principais órgãos de poder do Estado são: o Executivo; o Legislativo; o Judiciário, as Forças Armadas (que gozam de ampla autonomia em quase todos os países da região); a Mídia (concessão pública e que utiliza verbas e infraestrutura públicas, embora seja controlada de maneira particular e por poucas famílias); as Igrejas (que são centralizadas e gozam de ampla autonomia, embora os estados sejam ‘laicos’, interferem na agenda política como exemplificam o golpe no Paraguai e a recente manifestação na Venezuela); os Bancos (é do Estado a tarefa de cunhar a moeda, mas os bancos, através dos fundos e outros derivativos praticamente emitem também moedas).

  4. A partir de Chaves foram eleitos Kirchener, Lula e outros que estão criando um novo cenário na América Latina, especialmente na América do Sul. É bem verdade que esses governos progressistas eleitos pelo voto majoritário das populações de cada país, controlam os Executivos e não os demais poderes. Zelaya foi derrubado em Honduras e Lugo no Paraguai, pelas forças neoliberais encasteladas nos outros poderes. Tentativa golpista volta e meia rondam a Venezuela, a Argentina, o Equador, o Brasil e a Bolívia. Saliente-se que os únicos desses sete órgãos eleitos pelo povo são o Executivo e o Legislativo sendo que, o primeiro, majoritariamente.

  5. De todos os órgãos de poder de Estado na América Latina o mais ardoroso defensor do neoliberalismo e antidemocrático é a Mídia, a “imprensa”. Defendeu, serviu e se serviu das ditaduras militares. Defende, serve e se serve do neoliberalismo. Impede a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa porque controlam de maneira monopolista, os instrumentos de difusão. Publica o que lhe interessa, destaca o que manda seus proprietários, confunde propositalmente todo o tempo a ‘opinião pública’ com a opinião de seus proprietários publicados por seus órgãos de difusão. Conta com um ‘exército de profissionais’ inteiramente devotado aos seus patrões. Interfere em todos os poderes. No Brasil há um perigoso envolvimento desse poder com a cúpula do Judiciário. Escolheu como inimigo público número um o funcionalismo público. Trata os serviços públicos como ‘gastos’ e não como investimentos necessários. Enquanto não houver uma imprensa plural, democrática, onde se expressem as diversas opiniões, a democracia será limitada e o perigo de retrocesso constante. O principal acionista do grupo argentino Clarin é um conhecido torturador e cúmplice de assassinatos na época da ditadura militar.

  6. A luta na América Latina por nações soberanas, democráticas, desenvolvidas, com distribuição de renda, com uma integração regional solidária e pacífica, bem como dispostas a impedir qualquer intromissão de forças imperialistas é um processo que tem tido avanços. O fato de ter sido impedido a montagem da ALCA, bem como o fim do monitoramento do FMI, são pontos relevantes desse processo. Na atualidade, enquanto as economias da Europa e norte da América afundam na recessão as nações da América do Sul, notadamente, crescem e com crescente distribuição de renda. Aprofundar esse processo e evitar retrocesso é a tarefa principal do movimento sindical latino-americano.

O Brasil e o Governo Dilma

  1. De início é necessário destacar que ao se falar da pessoa da presidenta Dilma, estamos nos referindo a uma heroína do povo brasileiro. Enfrentou a ditadura militar entreguista e terrorista, com raro destemor. Continuou sua militância enfrentando o imperialismo e sua faceta mais recente – o neoliberalismo.

  2. Seu governo, essencialmente, tem sido uma continuidade do governo Lula. A ambiguidade daquele ainda se manifesta neste. Por um lado consegue um crescimento econômico com praticamente pleno emprego, distribuição crescente da renda, retirando dezenas de milhões de brasileiros da miséria. A classe dos operários cresceu em mais de 10 milhões nos últimos anos. Também cresceu a chamada ‘classe média’ (pequena-burguesia). Criam-se, portanto, novas condições para o movimento sindical que, infelizmente, ainda não soube incorporar estes milhões de novos trabalhadores. Afastamos de vez o monitoramento do FMI e temos um Fundo Soberano que nos permite enfrentar em melhores condições a crise atual. E tudo isto convivendo com a estagnação econômica na Europa e EUA. Contudo, ainda se pagam imensos juros para a dívida externa e interna e se permanece com uma política irreal de déficit primário – exigência do neoliberalismo. A redução da taxa SELIC foi fundamental para reduzir os juros, assim como, as políticas de crédito do BNDES, BB e CEF. Essa medida foi o mais duro ataque ao ‘capital produtor de juros’ que não tem poupado ataques, principalmente através de sua mídia e um avanço em relação ao governo Lula.

  3. Contudo, o governo Dilma ainda carece de um projeto para o Brasil que proponha uma nova matriz produtiva e que tenha no Estado Nacional e em seus funcionários, um conjunto indutor do desenvolvimento, da ciência e da tecnologia. Também não foi enfrentado esse terrível poder que é a mídia controlada por um grupo de quatro a cinco famiglias (Marinho, Civita, Mesquista, Frias e Siroksky) que, articuladas com empresários neoliberais na famigerada ONG MILLENIUM, conspiram o tempo todo contra a democracia e a soberania do Brasil. Esses ‘empresários’, definiram os servidores públicos federais como seu alvo central. Qualquer campanha salarial de qualquer categoria é acoimada por essa gente de ‘gastos’, não cansam de repetir que o governo tem que controlar os gastos públicos, que o Estado está muito inchado. E com a recente lei de transparência essas famílias, proprietárias dos meios de comunicação no Brasil, esquecendo nossa Constituição cobram a divulgação do salário do funcionalismo sem divulgarem os seus próprios! Como empresas permissionárias públicas, que recebem dinheiro público e utilizam infraestrutura pública, sabem muito bem que também tem que divulgarem suas fontes de renda e salário de seus funcionários.

  4. Há uma oposição ferrenha ao governo Dilma capitaneada pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e do qual fazem parte o PSDB, DEM e PPS. São contrários à Soberania do Brasil e pretendem retroceder ao completo domínio neoliberal como nos tempos de FHC. São serviçais dos interesses do governo dos EUA no Brasil. O retorno dessas forças ao Executivo Central seria imenso retrocesso.

  5. O Brasil precisa é de uma nova ARRANCADA. Com mais desenvolvimento e democracia. O maior entrave à democracia é o monopólio midiático das quatro ‘famiglias’. O maior entrave ao desenvolvimento é a manutenção de uma matriz produtiva, baseada na produção de carros, que mostra sinais de esgotamento.

  6. O Brasil precisa aproveitar suas imensas riquezas naturais e a capacidade inventiva de seu povo para um projeto de desenvolvimento nacional que assegure nossa soberania e distribua renda. Os setores ferroviário, naval, aeroespacial, energético, saneamento, produção agrícola, dentre outros, requerem pesados investimentos em ciência e tecnologia bem como obras estruturantes. Isso só é possível, nas condições atuais, com um Estado INDUTOR do desenvolvimento econômico, científico e tecnológico, e que galvanize o povo para esse novo projeto. Ora, por si só, isso requer que os funcionários públicos lutem por um Estado que enfatize o planejamento e a execução de obras imprescindíveis. Que se tornem protagonistas na luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento. Que enfrentem todas as forças que obstaculizam a realização de projeto (notadamente a mídia, setores do judiciário que com ela se acumpliciou e setores dos bancos: os proprietários do capital produtor de juros).

  7. O governo Dilma ainda não está convencido desta necessidade. E é bom que se diga muitos setores do funcionalismo público também não. Ao invés de chamar o funcionalismo para ajudar em importantes medidas que seu governo tem tomado, aceita a pressão da mídia e de seus mandantes, congela os salários dos funcionários e não investe na capacitação dos serviços e dos servidores públicos.

  8. É preciso disputar o poder judiciário no Brasil. Historicamente ele tem estado à serviço da Casa Grande contra a Senzala. Notadamente o Supremo Tribunal Federal, que tomou parte no golpe de 1964 e se calou docilmente durante a ditadura militar, tem entre seus membros gente que jamais defendeu a democracia e que estão acumpliciados com o poder mais nefasto do Brasil na atualidade: a mídia. A aliança entre estes dois poderes (o judiciário e a mídia), que, aliás, não são eleitos, é o maior risco atual não apenas para o povo brasileiro como para o funcionalismo do judiciário. Ao qual, aliás, esses dois poderes tem manifestado imenso desprezo.

  9. Mas o judiciário brasileiro também tem seus méritos. Para ficar em dois exemplos: houvesse Justiça do Trabalho na Europa e a crise social que vive este continente não seria tão grave; houvesse Justiça Eleitoral nos EUA e há muito ele não seria comandado por um partido único com duas alas: a ‘democrática’ e a ‘republicana’.

  10. É preciso, portanto, uma reforma do Judiciário que o torne mais eficaz, transparente e, sobretudo, JUSTO. Os funcionários devem ser protagonistas na proposta desta Reforma.

O Governo Dilma e os serviços e servidores públicos

  1. Um dos maiores erros do governo Dilma, diz respeito ao tratamento dispensado aos serviços e servidores públicos. E não é por acaso que é este o único ponto de seu governo que a Imprensa golpista e entreguista concorda. Enquanto a Mídia combate o rebaixamento dos juros, as medidas que assegurem a soberania da nação, a integração solidária com outras nações sul-americanas e a distribuição de renda, tecem elogios à política salarial do governo Dilma em relação aos servidores públicos!

  2. Para o Brasil conseguir um novo patamar no seu desenvolvimento com distribuição de renda, é preciso um número bem maior de funcionários públicos, com treinamento e salários condignos. É uma insensatez do governo Dilma, manter congelados os salários de várias categorias. E, no nosso caso, contando com a complacência do STF.

  3. O Brasil precisa, em todas as áreas de funcionários preparados e satisfeitos. Dispostos a defenderem a Soberania, a Democracia e o Desenvolvimento com Distribuição de Renda. Dispostos a serem, em todas as áreas onde atuam SERVIDORES PÚBLICOS. E não se consegue isso com a política que o governo Dilma vem aplicando com, ou seria melhor dizer contra, o funcionalismo.

  4. Depois que Getúlio criou o DASP, o funcionalismo público brasileiro foi considerado, como relata Celso Furtado, o mais probo e eficiente do mundo. Precisamos resgatar essa posição.

Por Uma Nova Arrancada

  1. Para que o país possa crescer com sustentabilidade, é indispensável um Estado INDUTOR da produção, da ciência e tecnologia e da educação, DEZ VEZES MAIOR DO QUE FEZ GETULIO. Obviamente, um Estado eficiente, transparente e, sobretudo, democrático. E, além disso, reprimir ainda mais o Capital Rentista, criando condições para investimento na produção. Um exemplo: transformar a dívida pública em debêntures, ou seja, ações em empresas fundamentais para a infraestrutura.

  2. Em economia, além de continuar diminuindo os juros, garantir uma taxa de câmbio que nos proteja da guerra cambial desatada pelas Nações comandadas pelos rentistas e abandonar o neoliberal ‘contrôle do déficit’ público’, todas elas medidas monetárias, são necessárias medidas que façam avançar a produção. E isso só se consegue no Brasil, aumentando o Capital Estatal.2

  3. Para isso, é preciso que o Estado (notadamente o poder Executivo) se especialize em programação e execução de um novo projeto industrial, condizente com nossas riquezas, características e as possibilidades da ciência moderna, o que por sua vez exige um aumento significativo no número de servidores para atenderem essa demanda. Para isso, contrariamente ao que afirmam os neoliberais, precisamos de mais e não menos, Estado.

  4. Em conclusão, para um novo projeto nacional de desenvolvimento, o Estado Indutor que ele requer, precisará de milhões de novos servidores! Isso significa que chegou a hora e a vez dos servidores públicos do Brasil. Se quisermos e soubermos ser protagonistas dessa NOVA ARRANCADA, contaremos com o apoio da maioria do povo dessa nação.


Plano de Lutas

1. Em defesa da aposentadoria e da previdência públicas; Pelo fim do fator previdenciário; Contra a adoção de idade mínima e o fator 85-95; Pela recomposição do valor das aposentadorias.

2. Pelo pagamento imediato dos passivos e demais direitos trabalhistas;

3. Defesa do concurso de remoção nacional e regional em todos os órgãos do Judiciário Federal e MPU antes da nomeação de novos servidores concursados;

4. Contra a terceirização, o desvio de função e as requisições de extra-quadros;

5. Defesa da ampliação do Judiciário Federal em todos os seus 4 ramos através de criação de cargos e unidades judiciárias;

6. Defesa da supressão do artigo 366 do Código Eleitoral, garantindo a filiação partidária ao servidor da Justiça Eleitoral;

7. Pela aprovação imediata do PL 319/07;

8. Pela isonomia dos chefes de cartórios eleitorais do interior com os das capitais;

9. Defesa da jornada de 6 horas, sem redução de salário;

10. Pela regulamentação das pausas durante a jornada;

11. Pela manutenção da paridade entre ativos e aposentados e pensionistas;

12. Defesa da aposentadoria especial para os servidores que executam atividades insalubres, perigosas ou de risco, como aquelas relacionadas às áreas de execução de mandados, segurança, obras e conservação, médicas e odontológicas, entre outras, bem como, os servidores com deficiência;

13. Pela aprovação imediata da PEC 555/2006 (que trata da revogação da contribuição dos inativos aprovado na Reforma da Previdência de 2003);

14. Por um plano de carreira elaborado com a participação paritária da Fenajufe.

15. Pela criação do cargo próprio de Oficial de Justiça Avaliador Federal;

16. Defesa da incorporação da GAS dos Agentes de Segurança Judiciária aos proventos de aposentadoria
Assinam a presente tese:

Ramiro López - TRT 4ª Região

José Loguercio - TRT 4ª Região

Walter Oliveira - TRT 4ª Região

Duca Maradona – TRT 4ª Região

E outros


1 Na história humana são três as trocas de produtos registradas: Troca Simples: Produto por Produto (P – P); Troca Mercantil: Mercadoria por Dinheiro e este por outra Mercadoria (M – D – M); Troca Mercantil Capitalista: Dinheiro por Mercadoria e esta por Mais Dinheiro (D – M – D’). A Troca Usurária: Dinheiro por Mais Dinheiro (D – D’), embora exista desde o surgimento da moeda, nunca predominou porque não passa pela produção.

2 Sabemos que as três formas de capitais que tem comandado o mundo nos últimos quarenta anos são: o Capital Produtor de Juros (ou capital rentista, ou capital usurário), o Capital Financeiro (fusão de monopólios industriais com monopólios bancários) e o Capital Estatal (as chamadas Estatais). O neoliberalismo tem sido uma maneira de o Capital Usurários se apoderar do Capital Estatal.



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