Nova edição revista, com um posfácio de Joachim Rehork Com 131 ilustrações em preto e branco, 16 a cores e 3 mapas



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Nova edição revista, com um posfácio de Joachim Rehork

Com 131 ilustrações em preto e branco, 16 a cores e 3 mapas

Título do original em língua alemã: Und die Bibel hat doch recht

© 1955 Econ Verlag GmbH, Düsseldorf e Viena

Tradução de João Távora

Tradução das atualizações de Trude von Laschan Solstein Arneitz

18ª Edição – 1992

ISBN 85-06-00403-9

Comp. Melhoramentos de São Paulo



Mapas e Índice com links no final do livro.

Digitalizado, revisado e formatado por SusanaCap



www.portaldetonando.com.br/forumnovo/




e a Bíblia tinha razão...

Werner Keller

Pesquisas arqueológicas demonstram

a verdade histórica dos Livros Sagrados

***

Aos meus queridos pais e ao amigo Th. Ruth

***

Completamente revista, ampliada e

atualizada de acordo com os mais recentes

resultados das pesquisas, esta obra, consagrada

no mundo inteiro como básica sobre

pesquisas bíblicas, coloca ao alcance

do público leigo uma

quantidade imensa de material

examinado pela ciência, o qual,

por causa do seu inestimável valor

iconológico, se mantinha

guardado, juntamente com os

relatórios das expedições arqueológicas, em

arquivos e bibliotecas especializadas,

somente acessíveis aos peritos da matéria.

***

O maior bem do homem pensante é ter explorado o explorável e serenamente venerar o inexplorável.
(J. W. v. Goethe — Escritos naturalistas)

O fato de um homem que não é teólogo escrever um livro sobre a Bíblia é bastante incomum para que se espere dele um esclarecimento sobre a razão por que se dedicou a essa matéria.

Desde muitos anos o meu interesse de publicista concentra-se exclu­sivamente em questões modernas de ciência e pesquisa. Em 1950, quando me ocupava com o trabalho de rotina diário da minha profissão, topei com o relato da expedição dos arqueólogos franceses Prof. Parrot e Prof. Schaeffer sobre as escavações realizadas em Mari e Ugarit. As inscrições cuneiformes encontradas em Mari, no médio Eufrates, continham nomes bíblicos que situaram subitamente num período histórico as narrativas sobre os patriarcas, até então tomadas por simples “histórias piedosas”. Em Ugarit, na costa do Mediterrâneo, foram descobertos pela primeira vez os testemunhos do culto cananeu de Baal. O acaso quis ainda que no mesmo ano se encontrasse numa caverna, próximo ao mar Morto, um rolo do livro do profeta Isaías, considerado de data anterior a Cristo. Essas notícias sensacionais — permita-se-me o uso desta expressão em vista da importância desses achados para a cultura — despertaram em mim o desejo de me ocupar com mais atenção da arqueologia bíblica, o ramo mais recente e tão mal conhecido da pesquisa da Antiguidade. Procurei, pois, tanto na literatura alemã como na estrangeira, uma exposição resu­mida e clara das pesquisas realizadas. Não achei nenhuma. Porque não existe nenhuma. Fui então eu mesmo às fontes e, ajudado ativamente por minha mulher, reuni, nas bibliotecas de muitos países, o que, até a data, havia de resultados de pesquisas cientificamente comprovados, expostos em livros especializados em arqueologia bíblica. Quanto mais me aprofundava no tema, mais fascinante ele ia se tornando.

A porta para o mundo histórico do Antigo Testamento fora aberta já em 1843 pelo francês Paul-Émile Botta. Em escavações efetuadas em Khursabad, na Mesopotâmia, ele se encontrou inesperadamente diante das imagens em relevo de Sargão II, o rei assírio que despovoou Israel e conduziu seu povo em longas colunas. Os relatos das campanhas desse sobe­rano relacionam-se com a conquista de Samaria, igualmente descrita na Bíblia.

Há cerca de um século, estudiosos americanos, ingleses, franceses e alemães vêm fazendo escavações no Oriente Próximo, na Mesopotâmia, na Palestina e no Egito. As grandes nações fundaram institutos e escolas especializadas nesses trabalhos de pesquisa. Em 1869, foi criado o Palestine-Exploration Fund; em 1892, a École Biblique dos dominicanos de Saint-Étienne; seguindo-se, em 1898, a Deutsche Orientgesellschaft; em 1900, a American School of Oriental Research; e em 1901, o Deutscher Evangelischer Instituí für Altertumskunde.

Na Palestina, são descobertos lugares e cidades muitas vezes men­cionados na Bíblia. Apresentam-se exatamente como a Bíblia os descreve e no lugar exato em que ela os situa. Em inscrições e monumentos arqui­tetônicos primitivos, os pesquisadores encontram cada vez mais perso­nagens do Velho e do Novo Testamento. Relevos contemporâneos mos­tram imagens de povos de que só tínhamos conhecimento de nome. Seus traços fisionômicos, seus trajes, suas armas adquirem forma para a poste­ridade. Esculturas e imagens gigantescas mostram os hititas de grosso nariz, os altos e esbeltos filisteus, os elegantes príncipes cananeus, com seus “carros de ferro”, tão temidos por Israel, os pacíficos e sorridentes reis de Mari — contemporâneos de Abraão. Através dos milênios, os reis assírios não perderam nada de seu semblante altivo e feroz: Teglath Phalasar III, famoso no Velho Testamento com o nome de Fui Senaquerib, que destruiu Lakish e sitiou Jerusalém, Asaradão, que mandou pôr a fer­ros o Rei Manassés, e Assurbanipal, o “grande e famoso Asnafar” do livro de Esdras.

Como fizeram com Nínive e Nemrod — a antiga Cale —, como fize­ram com Assur e Tebas, que os profetas chamavam No-Amon, os pesqui­sadores despertaram do sono do passado a famosa Babel da Bíblia, com sua torre fabulosa. Os arqueólogos encontraram no delta do Nilo as cidades de Pitom e Ramsés, onde Israel sofreu odiosa escravidão, descobriram as camadas de fogo e destruição que acompanharam a marcha dos filhos de Israel na conquista de Canaã, e em Gabaon a fortaleza de Saul, sobre cujos muros o jovem Davi cantou para ele ao som da harpa; em Magedo descobriram uma cavalariça gigantesca do Rei Salomão, que tinha doze mil soldados a cavalo.

Do mundo do Novo Testamento ressurgiram as magníficas constru­ções do Rei Herodes; no coração da antiga Jerusalém foi descoberta a plataforma (litostrotos), citada por João, o Evangelista, onde Jesus esteve diante de Pilatos; os assiriólogos decifraram em tábuas astronômicas da Babilônia os precisos dados de observação da estrela de Belém.

Assombrosos e incalculáveis por sua profusão, esses dados e desco­bertas modificaram a maneira de considerar a Bíblia. Episódios que até agora muitos consideravam simples “histórias piedosas” adquirem de repente estatura histórica. Por vezes, os resultados da pesquisa coincidem com as narrativas bíblicas nos mínimos detalhes. Eles não só “confirmam”, mas esclarecem igualmente os acontecimentos históricos que originaram o Velho Testamento e os Evangelhos. As experiências e o destino do povo de Israel são assim apresentados, não só num cenário vivo e variegado, como num colorido painel da vida diária, mas também nas circunstâncias e lutas políticas, culturais e econômicas dos Estados e impérios da Mesopotâmia e do Nilo, das quais nunca puderam libertar-se inteiramente, durante mais de dois mil anos, os habitantes de estreita região intermédia da Palestina.

Na opinião geral, a Bíblia é exclusivamente história sagrada, teste­munho de crença para os cristãos de todo o mundo. Na verdade, ela é ao mesmo tempo um livro de acontecimentos reais. É bem verdade que, sob esse ponto de vista, ela carece de integralidade, porque o povo judeu escre­veu sua história somente em relação a Jeová e sob a ótica de seus pecados e sua expiação. Mas esses acontecimentos são historicamente genuínos e têm se revelado de uma exatidão verdadeiramente espantosa.

Com o auxílio dos resultados das explorações, diversas narrativas bíblicas podem ser agora muito mais bem compreendidas e interpretadas. É verdade que existem correntes teológicas para as quais o que vale é a palavra e nada mais que a palavra. “Mas como se poderá compreendê-la”, questiona o Prof. André Parrot, arqueólogo francês mundialmente famoso, “se não se puder encaixá-la no seu preciso quadro cronológico, histórico e geográfico?”

Até agora o conhecimento dessas descobertas extraordinárias era pri­vilégio de um pequeno círculo de peritos. Ainda há meio século, o Prof. Friedrich Delitzsch perguntava-se, em Berlim: “Para que tantas fadigas em terras distantes, inóspitas e perigosas? Para que esse dispendioso revol­ver de escombros multimilenários, até atingir as águas subterrâneas, onde não se encontra ouro nem prata? Para que essa competição das nações no sentido de assegurarem para si o privilégio de escavar essas áridas coli­nas?” O sábio alemão Gustav Dalman deu-lhe, em Jerusalém, a resposta adequada, quando expressou a esperança de que, um dia, tudo o que as pesquisas “viram e comprovaram seria não só valorizado em trabalhos científicos, mas também utilizado praticamente na escola e na igreja”. Isso, porém, ainda não aconteceu.

Nenhum livro da história da humanidade jamais produziu um efeito tão revolucionário, exerceu uma influência tão decisiva no desenvolvimento de todo o mundo ocidental e teve uma difusão tão universal como o “Livro dos Livros”, a Bíblia. Ela está hoje traduzida em mil cento e vinte línguas e dialetos e, após dois mil anos, ainda não dá qualquer sinal de que haja terminado a sua triunfal carreira.

Durante a coleta e o estudo do material, que de modo algum pre­tendo seja completo, ocorreu-me a idéia de que era tempo de os leitores da Bíblia e seus opositores, os crentes e os incrédulos participarem das emocionantes descobertas realizadas pela sóbria ciência de múltiplas disci­plinas. Diante da enorme quantidade de resultados de pesquisas autênticos e seguros, convenci-me, apesar da opinião da crítica cética, de que desde o século do Iluminismo até nossos dias tentava diminuir o valor documen­tário da Bíblia, de que a Bíblia tinha razão!

Werner Keller
Hamburgo, setembro de 1955.

Prefácio à nova edição revista

Em 1955, surgiu a primeira edição do meu livro E a Bíblia tinha razão, que foi traduzido em vinte e quatro línguas e usado nas escolas, para o ensino religioso, e nas universidades, para seminários bíblicos, bem como em círculos bíblicos, de confissões cristãs e judaicas, nas quais serviu a título de referência. Ao todo, a tiragem global ultrapassa os dez milhões de exemplares.

Desde aquela época e graças a técnicas e métodos de pesquisa novos e atualizados, a arqueologia bíblica trouxe à luz do dia fatos até então desconhecidos. Algumas teses puderam ser confirmadas e ainda reforçadas, ao passo que ensinamentos outrora considerados como cientificamente garantidos tornaram a ser postos em dúvida, e noções, incluindo aquelas reunidas por cientistas de renome, tiveram de ser revistas. Para que este meu livro conservasse sua necessária autenticidade científica, foi preciso que nele se incluíssem dados mais atualizados da pesquisa moderna, pois não se deve e nem se pode rejeitar conhecimentos novos, embora incô­modos.

Eu próprio gostaria de atualizar meu livro, mas grave e prolongada doença impediu-me de executar essa tarefa complexa e de grande respon­sabilidade. Em vista disso, e muito a contragosto, resolvi confiá-la a outra pessoa, e dou-me por feliz de, para tanto, ter encontrado o Dr. Joachim Rehork. No posfácio, de sua autoria, ele elucidou e expôs os princípios, segundo os quais convencionamos proceder à revisão em questão. A ele apresento meus profundos agradecimentos.


Werner Keller
Ascona, 1978.


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