Nova iguaçU: queremos uma outra Cidade? Qual? Prof. Regina Célia de Mattos



Baixar 19.87 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho19.87 Kb.







EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Formação de valores ético-ambientais para o exercício da cidadania
APOSTILA DO CURSO DE CAPACITAÇÃO

Maio/2009



NOVA IGUAÇU: queremos uma outra Cidade? Qual?
Prof. Regina Célia de Mattos
O processo educacional é uma construção permanente e dinâmica. A educação formal, escolar, é complementada pela denominada informal, que podemos, sem pecar pela simplificação, entender como sendo o conjunto de relações sociais sob as quais o indivíduo está submetido, seja na casa, nos círculos de vizinhança, nas brincadeiras, encontros, enfim, no cotidiano de sua vida. A partir desse entendimento, perguntamo-nos: por que e para que educação ambiental?
A contemporaneidade do capitalismo tem evidenciado, e de maneira assustadora, as conseqüências de um processo concentrador de riquezas e de poder por um lado, e, por outro, a pobreza, o abandono social e a expansão da violência que não se restringe aos espaços classicamente denominados de urbanos. As profundas desigualdades e a intensificação e expansão dos múltiplos processos de transformação da natureza têm propiciado um crescente movimento do reconhecimento dos limites desse tipo de reprodução social, manifestado em inúmeras matizes mas que têm como “pano de fundo”, a preocupação com os derivados “problemas ambientais”.
Torna-se cada vez mais premente a necessidade de entendermos a problemática ambiental no âmbito de um processo de desenvolvimento que assume as suas particularidades a partir de diretrizes norteadoras globalizadas, o que demonstra a impossibilidade de separarmos o uso predatório e aniquilador da natureza e as condições profundamente desiguais em que vivem milhões de pessoas. É a partir desse entendimento que, de novo, fazemos a pergunta: por que e para que educação ambiental?
A relação do homem com a natureza é tão intrínseca que muitas das vezes, não percebemos que somos natureza tanto orgânica como socialmente, a 2ª natureza, se é que podemos separar essas dimensões. Somos água, potássio, magnésio e uma relação imensa de elementos que são responsáveis pela nossa energia, portanto, nossa capacidade de crescer, desenvolver movimentos, raciocinar. Em nossa contemporaneidade, os elementos naturais são cada vez mais transformados por processos que se materializam em vigorosos sistemas técnicos (edificações, equipamentos, fontes energéticas e outros) que impõem padrões de conduta que nos alienam, distanciando-nos dessa orgânica relação, pois vemos a natureza apenas como objeto, fonte de recursos e de lazer.
É esse processo de alienação que faz com que a preservação ou conservação da natureza se torne foco crescente de estratégias de ações tanto de agentes privados como públicos, surgindo como quesito básico para ordenamentos e políticas territoriais, liberação de financiamentos nacionais e internacionais, tornando-se uma verdadeira moeda de troca.
A relação sociedade-natureza coloca a dimensão espacial como fundante nesse debate, na medida em que o espaço é um fato histórico, isto é, fruto da história da sociedade na medida em que a história não se reproduz fora do espaço, e nem a sociedade se realiza, se reproduz sem o espaço. O espaço geográfico é, por natureza, social, por ser transformado, através das práticas sociais, em segunda natureza, em materializações que expressam tanto o uso, o espaço da reprodução, como a troca, o espaço da produção em suas múltiplas formas. Santos (1996, p. 186) afirma que:

A história das chamadas relações entre sociedade e natureza é,em todos os lugares habitados, a da substituição de um meio natural, dado a uma determinada sociedade, por um meio cada vez mais artificializado, isto é, sucessivamente instrumentalizado por essa mesma sociedade. Em cada fração da superfície da terra, o caminho que vai de uma situação a outra se dá de maneira particular; e a parte do “natural” e do “artificial” também varia, assim como mudam as modalidades do seu arranjo.


Como foram construídas, portanto, as relações entre a sociedade e natureza no município de Nova Iguaçu? Como se estruturam, hoje, tais relações? Como se organizam os múltiplos usos de seu espaço?
Para entendermos as relações entre sociedade e natureza na contemporaneidade de Nova Iguaçu, é preciso que as contextualizemos historicamente. O crescimento populacional através de fluxos migratórios e o ordenamento territorial de municípios da Baixada Fluminense ocorreram a partir de 1930 devido a quatro fatores, segundo Abreu (2006, p.107):
as obras de saneamento realizadas na década de 30 pelo DNOS (através do Serviço de Saneamento da Baixada Fluminense); a eletrificação da Central do Brasil, a partir de 1935; a instituição da tarifa ferroviária única em todo o Grande Rio (que beneficiou sobretudo os subúrbios afastados e os municípios da Baixada); e a abertura da Avenida Brasil, em 1946, que aumentou sobremaneira a acessibilidade dos municípios periféricos.
Essas ações propiciaram um retalhamento espacial e a formação de um cinturão agrícola abastecedor da Capital da República. Desde meados do século XIX, Nova Iguaçu desempenhou importante papel no abastecimento da cidade do Rio de Janeiro. As obras de saneamento possibilitaram um vigoroso crescimento do cultivo de laranjas, abastecendo, inclusive, o mercado externo, que encontra seus limites, a partir da 2ª Guerra Mundial. Espaço intensamente fragmentado, deu origem aos municípios de São João de Meriti, Japeri, Belford Roxo, Queimados e Mesquita, ocupando, hoje, 11,1% da área da Baixada Fluminense.
O Município de Nova Iguaçu faz parte da Região de Governo concebida pelo Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro- CIDE – denominada Região Metropolitana que, em 2005, de acordo o Gráfico 01, participou (sem a cidade do Rio de Janeiro), com 47,5% no PIB do estado do Rio de Janeiro.

Na escala da Região Metropolitana, o Gráfico 02 (Comparativo da evolução do PIB a preços básicos (R$ mil correntes, de 2000 a 2005), indica o crescimento econômico do município, quando ocupa a 3ª posição na Região.

Já na escala municipal, podemos ver a distribuição dos diferentes setores (Gráfico 03 – Participação de setores produtivos no PIB do município, 2005 ) na composição do seu PIB, em 2005. Essa distribuição é mais reveladora no Gráfico 04, Evolução do PIB no município, de 2000 a 2005, quando os setores que mais se destacam são: Aluguéis (23,3%) e Administração Pública (18,5%).
Outro dado bastante interessante pode ser retirado do Mapa 01 – Distribuição de royalties pelas Regiões de Governo do estado do Rio de Janeiro, onde Nova Iguaçu, desde 2006, participa como Zona de Produção Secundária.
Com mais de 844.000 habitantes estimados pelo IBGE para 2005, o município apresenta elevada densidade demográfica: 1.594,62 hab./km² (1.304,9 para a Baixada, 5.048,28 para a cidade do Rio de Janeiro e 350,28 para o estado do Rio de Janeiro) talvez explicada pelo fato de 67% de seu território serem considerados áreas de preservação ambiental, segundo dados fornecidos pela Prefeitura.
Com pouca integração territorial diante da reduzida conexão entre bairros e diferentes URGs, o município apresenta, também, problemas derivados principalmente da distribuição de água potável e esgotamento sanitário.
Os diferentes usos do espaço de Nova Iguaçu promoveram e promovem desigualdades socioespaciais que podem ser revertidas a partir da mobilização de sua população. O Plano Diretor Participativo do município, embora possa não representar grande parte dos seus anseios, pelo menos indica os problemas vividos e a necessidade de ações coletivas podendo, portanto, uma “Outra Cidade” ser concebida. Queremos uma outra Cidade? Qual?

REFERÊNCIAS
ABREU, Mauricio de A. Evolução urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPP, 2006.

ACSERALD, Henri. Sentidos da sustentabilidade urbana. In: Acserald, Henri (org.). A duração das cidades: sustentabilidade e risco nas políticas urbanas. Rio de Janeiro:DP&A, 2001, p. 27-57.

CIDE. Baixada em Dados, 2005. Disponível na internet: http:/www.cide.rj.gov.br/cide.index.php. Acesso: em 04/05/2009.

Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Estudo Socioeconômico 2007, Nova Iguaçu.



Plano Diretor Participativo do Município de Nova Iguaçu, 2008.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Editora Hucitec, 1996.






www.nima.puc-rio.br



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal