Novas actividades económicas em meio rural 1



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NOVAS ACTIVIDADES ECONÓMICAS EM MEIO RURAL1

Fernando PEREIRA

Artur CRISTóVÃO

Dulce VILAS BOAS

Chris GERRY

ESAB-IPB; Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro


Resumo


O tema é abordado em três fases distintas.
A primeira, teórica, procura conceptualizar as novas actividades e os fenómenos de inovação a elas associados. São revistos, deforma sintética, os factores conducentes à inovação. Recorremos, para isso, a estudos de autores anglosaxónicos relativos à reconversão da indústria e da agricultura, Stohr e Slee respectivamente, Outro contributo importante advém das novas teorias do marketing, nomeadamente, no que respeita aos tipos de inovação e ao desenvolvimento de novos produtos e serviços. 0 resultado desta fase é uma tipificação dos processos de inovação, que nos permitiu caracterizar as novas actividades encontradas no trabalho de campo, realizado em Trás-os-Montes.
A segunda parte, prática, é um retrato das novas actividades encontradas na região transmontana, no decorrer de dois trabalhos de campo.- um dedicado exclusivamente às actividades agrárias, que teve lugar em 1994, outro, mais abrangente, realizado em 1997198.
Na terceira e última parte procuramos confrontar o fenómeno encontrado em Trás-os-Montes com o quadro teórico construído. Como veremos, no essencial, a história repete-se, inequivocamente.

0. Introdução


A diversificação das actividades económicas em meio rural não é um fenómeno inteiramente novo. O meio rural do início deste século, embora de matriz agrícola, era consideravelmente mais integrado: pequenas indústrias artesanais e comércios situados a montante e a jusante da actividade agrícola não eram raros.

Entre outras causas, o modelo de desenvolvimento preconizado pelo Estado Novo, assente na industrialização e na litoralização, encarregou-se de esvaziar o interior rural de gente e de actividades. Nada que não tenha sido previsto: "Enquanto o esforço de desenvolvimento se concentrar principalmente nas grandes cidades, onde é mais fácil instalar novas indústrias, arranjar os quadros de pessoal e encontrar o financiamento e mercados que as mantenham a funcionar, a concorrência dessas indústrias irá desorganizar e destruir ainda mais a produção não-agrícola no resto do país, irá aumentar o desemprego fora das cidades e acelerar a migração das pessoas necessitadas para as cidades, que não conseguem absorvê-las" (Schumacher, 1980: 144-145).

Hoje, em Trás-os-Montes, a diversificação das actividades "contracena" com os condicionalismos sócio-económicos e naturais, com a crise de alguns dos sistemas agrários e com os novos desafios como: a protecção ambiental, da paisagem e dos modos de vida; a valorização da especificidade dos produtos tradicionais; o desejo de fixação e atracção de pessoas; o esforço de revitalização da economia local; e, muito importante, um quadro político-institucional mais favorável, resultante da política de protecção do meio rural iniciada com a reforma da PAC de 92 e, agora, reforçada pela Agenda 2000.

1. Factores conducentes à inovação


Seguindo de perto a sistematização proposta por Stohr (1990, 17-19), os factores contextuais conducentes à inovação podem ser:

  • Pré-requisitos internos (de nível local): a existência de condições de crise resultantes da falta de emprego, da escassez de mão-de-obra, da quebra da rentabilidade do trabalho, da dificuldade de venda dos produtos entre outros; a melhoria da transferência de informação do exterior para a comunidade e no seio desta; a democratização e moralização da tomada de decisão, tendo em vista a larga difusão e equidade das oportunidades e benefícios; e, por último, a manutenção de estruturas institucionais flexíveis, sem hierarquias rígidas e sem cristalização das ideias, linguagens e estratégias de actuação.

  • Pré-requisitos externos (de origem estatal): atribuição de substancial poder de decisão e financeiro aos agentes locais; promoção de estruturas institucionais flexíveis; reforço dos mecanismos de feed-back locais e regionais, facilidades de acesso à informação sobre oportunidades de mercado, novas tecnologias e formas inovadoras de organização e gestão, assim como reforço da investigação e formação.

2. O que é uma nova actividade?


Uma nova actividade define-se pela sua singularidade no contexto das actividades existentes num determinado espaço e tempo.

Quanto ao espaço, uma actividade pode ser nova numa região, mas pode ser perfeitamente convencional numa outra. Por exemplo, a produção de flores e de coelhos, ambas já bem desenvolvidas noutras regiões do país, Montijo e Leiria respectivamente, são novas em Trás-os-Montes.

Quanto ao tempo, uma nova actividade hoje, pode deixar de o ser amanhã, quer porque se torna "mainstream", isto é, porque se torna vulgar e largamente praticada numa determinada região, quer porque, simplesmente, é abandonada, porque perde a sua utilidade, ou porque nunca a logrou alcançar2.

Relativamente à singularidade, o seu significado é mais complexo. Para melhor o compreender recorremos à teoria da inovação.

Braumann (1986, 26) distingue entre inovação de processo e inovação de produto: "uma inovação que leva a uma nova técnica para produzir um bem existente pode ser considerada uma inovação de processo, enquanto que uma inovação que muda a forma dos bens existentes, ou gera bens totalmente novos, pode ser considerada uma inovação do produto". Por exemplo, a venda electrónica de produtos regionais transmontanos pela RuralNet3, ou a venda por catálogo de produtos regionais pelo Clube Vinhos e Sabores, é uma inovação de processo, enquanto a produção de chinchilas ou mirtilos é uma inovação de produto.

Partindo do conceito de "produto aumentado" da moderna linguagem do marketing, em que "um produto é o conjunto de atributos tangíveis e intangíveis apresentado por algo que satisfaz a necessidade [real ou induzida] dos clientes que o adquirem ou utilizam" (Pires, 1991: 80) chegamos, pela mão de Barreyre, citado por Helfer e Orsoni (1996, 177 e 178), a uma tipologia de inovação que a seguir se apresenta.


Quadro 1 - Classificação das inovações com base na sua natureza intrínseca


Inovações

Exemplos

Técnica

- Novas matérias ou produtos de base: nylon, DDT, aço inox, etc.;

- Novos componentes, elementos ou sub-sistemas: chip, vidro Scurit, pneu radial, etc.;

- Novos produtos acabados: lente anti-reflexo, castanha congelada, etc.;

- Novos sistemas complexos: TV interactiva, telemóvel, GPS, etc.;

- Novas embalagens ou acondicionamentos que facilitam a utilização e o transporte: graxa em bisnaga, croissants congelados, aspirina efervescente;

- Novas matérias primas para fazer o mesmo produto ou sucedâneo: energia geotérmica, papel reciclado, componentes de motores em cerâmica, etc.;

- Novos processos utilizando novos equipamento: colagem em vez da soldadura, laser no corte de tecidos, GPS na medição de terrenos, etc..


Comercial

  • Nova apresentação ou acondicionamento: obras literárias em fascículos, azeite em almotolias de inox, etc.;

  • Nova combinação estética-função (design): calçado Kickers, etc.;

  • Nova forma de distribuição de um produto: venda de relógios em tabacarias, venda electrónica;

  • Nova aplicação de um produto já conhecido: tónicos capilares;

  • Novos meios de promoção de vendas: publicidade em carros particulares;

  • Novo sistema comercial: cash and carry, lojas dos 300, cartões de férias, Ruralnet.

Organizacional

  • Gestão por objectivos, pagamento-automático, holdings, etc.

Sócio-institucional

  • Plano contabilístico, IVA, etc.

Fonte: Adaptado de Barreyre, citado por Helfer e Orsoni (1996, 177 e 178)
Em resumo consideramos como nova uma actividade que, num determinado espaço e tempo, manifesta, em maior ou menor grau, alguma singularidade. Esta passa sempre pela presença de um factor de inovação, que pode ser de natureza técnica, comercial, organizacional/institucional ou, advir, simplesmente, de uma actividade convencional, mas pioneira, num dado território. Afigura 1 procura representar o que a
Comercial


Técnica



Nova Activ.

Nova Activ. Nova Activ.

Nova Activ.

Nova Activ. Nova Activ.

Nova Activ.

Nova Activ.

cabamos de dizer:


Pioneira




Organizacional/

Institucional




Figura 1 - Tipos de Inovação

3. As novas actividades em Trás-os-Montes

3. 1. Caracterização global


A partir deste quadro conceptual encontramos, à priori, um conjunto de novas actividades na região transmontana (Quadro 2).

No sector primário encontramos as actividades agrárias alternativas. Slee (1989, X) define-as como aquelas que vão para além da "(...) produção primária de alimentos e fibras, sendo mínimo o seu processo de transformação ao nível da exploração agrária". A agricultura biológica e a introdução de culturas e produções exóticas são os exemplos mais representativos.

No sector secundário e indústrias extractivas, a sua extrema debilidade na região transmontana, propicia que muitas actividades sejam suficientemente singulares, para poderem ser consideradas como pioneiras4. Aparecem, ainda, alguns exemplos dispersos de inovação técnica na construção civil e na agro-indústria como a construção com materiais e técnicas tradicionais e os lagares de azeite de duas fases (lagares "ecológicos"), respectivamente.
Quadro 2 - Novas actividades em Trás-os-Montes e respectivos serviços e produtos


Sector

Inovação

Serviços e Produtos (exemplos)

PRIMÁRIO

Técnica

- Agro-turismo; explorações-museu; caça e pesca;

- Produtos biológicos; produtos obtidos a partir de espécies, raças e variedades invulgares;






Comercial

  • Venda electrónica, venda por catálogo; venda à porta;




Organizacional/ Institucional

  • Medidas Agro-ambientais; mecanismos de protecção dos produtos tradicionais (DOP e IGP); organizações de agricultores, etc.

SECUNDÁRIO

Pioneira

  • Extracção e transformação de pedra, mármores e talco;




Pioneira/
Técnica

  • Transformação de castanha;

  • Calçado e têxtil;




Técnica

  • Construção civil tradicional (técnica e material)

TERCIÁRIO

Pioneira

  • Publicidade, informação e comunicação, serviço ao cidadão, etc.;




Técnica

  • Turismo de habitação e turismo rural;

  • Cruzeiros no Rio Douro;

  • Caça, pesca e desportos radicais;




Organizacional/ Institucional

  • Parque Nacional Peneda-Gerês

  • Parque Natural do Douro Internacional

  • Parque Natural de Montesinho

  • Parque Natural do Alvão







  • Parque arqueológico do Côa

Fonte: Inquéritos e adaptado de Slee (1989, 62) e Ribeiro (1998).
No sector terciário, regista-se o aparecimento de empresas no campo da publicidade, das tecnologias de informação e comunicação, do apoio técnico ao agricultor e consultoria e, ainda, noutros sectores de serviços ao cidadão, que procuram complementar os serviços públicos, como por exemplo: transporte de doentes, empresas de segurança, instituições de ensino privado, etc. Todas estas novas actividades configuram-se como actividades pioneiras, a razão da sua existência e competitividade parecem resultar do isolamento da região.

Ainda neste sector, o destaque vai para o turismo que, associado, sobretudo, à vontade recente de valorização dos recursos naturais e patrimoniais5, tem propiciado a emergência de novas actividades, como modalidades várias de alojamento e restauração6, circuitos turísticos, programas desportivos, etc.


3.2. Apresentação resultados


No que concerne ao estudo efectuado em 1994, dedicado exclusivamente às actividades agrárias, as principais evidências são as seguintes (Pereira, 1995):

(1) a inovação é sobretudo técnica ao nível do produto (79%), registando-se casos de inovação comercial (21%);

(2) os empresários apresentavam níveis de escolaridade muito elevados, nomeadamente 63% possuía formação superior; e

(3) os empresários tinham acesso privilegiado à informação, através da inserção em redes/circuitos facilitadores.

Relativamente ao estudo de 1998, alargado a todos os sectores da actividade económica, os resultados confirmam em absoluto os indícios deixados por aquele primeiro estudo, permitindo-nos mesmo aprofundar as nossas conclusões.

Quanto ao tipo de inovação, ela distribui-se como mostra o quadro 3.

Como se observa, 21 das 54 actividades (38,9%) são afinal actividades convencionais, isto é, não se verificam os critérios de inovação acima definidos. Doze (22,2%) correspondem às actividades inovadoras do tipo pioneiro. Quanto às restantes (21 casos, 38,9), o destaque vai para a inovação técnica no produto (13,0%). Se aplicarmos o esquema da inovação a estes valores o resultado é o seguinte (Figura 2).

Continuando, podemos agora cruzar os diferentes tipos de inovação com o tipo de actividades(quadro 4). Verifica-se que as actividades convencionais se concentram na produção agrícola e na indústria agroalimentar, respectivamente 9,3% e 20,4%. As actividades do tipo pioneiro aparecem, sobretudo, no sector do turismo. A inovação técnica encontra-se representada em todos os tipos de actividade.


Quadro 3 - Tipo de Inovação





Frequência

%

% válida

% acumulada

Convencional

21

38,9

38,9

38,9

Pioneira

12

22,2

22,2

61,1

Téc. Produto

7

13,0

13,0

74,1

Téc. Tecnologia

2

3,7

3,7

77,8

Téc. Prod./tecn.

3

5,6

5,6

83,3

Comercial

4

7,4

7,4

80,7

Org./Inst.

5

9,3

9,3

100,0

Total

54

100,0

100,0




Total

54

100,0







Comercial




Técnica


  1. 4


4 12




F
Pioneira


Organizacional/

Institucional

igura 2 - Tipos de Inovação

Quadro 4 - Tipo de actividade x Inovação








Inovação










Conven-cional

Pioneira

Técnica

Comercial

Org./Inst.

Total

Produção

Nº Casos

5




2







7

Agrícola

% do total

9,3%




3,7%







13,0%

Agro-

Nº Casos

11

1

3

3

1

19

alimentar

% do total

20,4%

1,9%

5,6%

5,6%

1,9%

35,2%

Outras

Nº Casos

1

4

1

1

2

9

Indústrias

% do total

1,9%

7,4%

1,9%

1,9%

3,7%

16,7%

Turismo

Nº Casos

3

6

2







11




% do total

5,6%

11,1%

3,7%







20,4

Serviços

Nº Casos

1

1

4




2

8




% do total

1,9%

1,9%

7,4%




3,7%

14,8%

Total

Nº Casos

21

12

12

4

5

54




% do total

38,9%

22,2%

22,2%

7,4%

9,3%

100,0%

Passemos agora aos factores explicativos do fenómeno de inovação, particularmente no que respeita ao acesso à informação. Para isso, analisámos a formação académica dos promotores e a facilidade de acesso e qualidade da informação. Por facilidade de exposição, agregámos a variável tipo de inovação em três classes, convencional, pioneira e inovadora.



A formação académica é importante para buscar, interpretar e adaptar informação "cinzenta", normalmente disponível para outras actividades e noutros países. Como se pode observar nos quadros seguintes, mantêm-se os padrões elevados verificados no estudo anterior. Por exemplo, quase 57% dos inquiridos7 possuem formação superior (quadro 5). É, no entanto, verdade que a maior percentagem de indivíduos com formação superior se encontra na classe dos encarregados.
Quadro 5 - Formação académica dos inquiridos











Inquiridos













Promotores

Encarregados

Total

Formação

<4 anos

Nº Casos

7




7

Académica




% do total

13,7%




13,7%




Entre 5 e

Nº Casos

6

2

8




9 anos

% do total

11,8%

3,9%

15,7%




Entre 10 e

Nº Casos

5

2

7




12 anos

% do total

9,8%

3,9%

13,7%




Superior

Nº Casos

11

18

29







% do total

21,6%

35,3%

56,9%

Total




Nº Casos

29

22

51







% do total

56,9%

43,1%

100,0%

Cruzando a inovação com a formação académica, verifica-se que os inovadores registam a maior taxa de formação superior (27,5%) que, associados aos 11,8% de pioneiros (que também são inovadores), perfaz 39,3% (quadro 6).


Quadro 6 - Formação académica x Inovação











Inovação













Conven-cional

Pioneira

Inovadora

Total

Formação

<4 anos

Nº Casos

5




2

7

Académica




% do total

9,8%




3,9%

13,7%




Entre 5 e

Nº Casos

3

1

4

8




9 anos

% do total

5,9%

2,0%

7,8%

15,7%




Entre 10 e

Nº Casos

3

3

1

7




12 anos

% do total

5,9%

5,9%

2,0%

13,7%




Superior

Nº Casos

9

6

14

29







% do total

17,6%

11,8%

27,5%

56,9%

Total




Nº Casos

20

10

21

51







% do total

39,2%

19,6%

41,2%

100,0%

Passando ao acesso e qualidade da informação, tratá-la-emos a três níveis, regional, nacional e estrangeira. Os dados encontram-se expressos nos quadros 7, 8, 9, 10 e 11.

Como se observa, o acesso à informação é limitado, mais de metade dos inquiridos ou não tiveram acesso ou este foi muito difícil. O problema aumenta no sentido do regional para o estrangeiro (quadro 7).

Quanto à qualidade da informação obtida, salvaguardando o baixo número de respostas válidas, verificámos que a qualidade tende a ser boa, no mínimo razoável (quadro 8).


Quadro 7 - Acesso à informação regional, nacional e estrangeira





Não teve

Difícil

Razoável

Fácil

n.s./n.r.

Regional

38,9%

7,4%

18,5%

18,5%

16,7%

Nacional

48,1%

3,7%

13,0%

18,5%

16,7%

Estrangeira

75,9%

0,0%

1,9%

3,7%

18,5%


Quadro 8 - Qualidade da informação regional, nacional e estrangeira







Razoável

Boa

n.s./n.r.

Perdidos

Regional

7,4%

9,3%

24,1%

14,8%

44,4%

Nacional

3,7%

13,0%

18,5%

11,1%

53,7%

Estrangeira

0,0%

0,0%

3,7%

11,1%

85,2%

O cruzamento das duas variáveis (quadros 9, 10 e 11) evidencia que, no geral, os inquiridos que acedem facilmente à informação obtêm informação de boa qualidade. Nestas circunstâncias alarga-se o fosso de oportunidades entre os que acedem e os "marginalizados". Este situação, aliás, já foi verificada com o estudo de 1994, no qual, por outros meios, constatámos o mesmo.


Quadro 9 - Acesso x Qualidade da informação regional











Qualidade













Mau

Razoável

Bom

n.s./n.r.

Perdidos

Total

Acesso

Não

Nº Casos













21

21







% do total













38,9%

38,9%




Difícil

Nº Casos

1




1

2




4







% do total

1,9%




1,9%

3,7%




7,4%




Razoável

Nº Casos

2

5

3







10







% do total

3,7%

9,3%

5,6%







18,5%




Fácil

Nº Casos

1




9







19







% do total

1,9%




16,7%







18,5%




n.s./n.r.

Nº Casos










6

3

9







% do total










11,1%

5,6%

16,7%




Total

Nº Casos

4

5

13

8

24

54







% do total

7,4%

9,3%

24,1%

14,8%

44,4%

100,0%



Quadro 10 - Acesso x Qualidade da informação nacional











Qualidade













Mau

Razoável

Bom

n.s./n.r.

Perdidos

Total

Acesso

Não teve

Nº Casos













26

26







% do total













48,1%

48,1%




Difícil

Nº Casos

1




1







2







% do total

1,9%




1,9%







3,7%




Razoável

Nº Casos

1

5

1







7







% do total

1,9%

9,3%

1,9%







13,0%




Fácil

Nº Casos




2

8







10







% do total




3,7%

14,8%







18,5




n.s./n.r.

Nº Casos










6

3

9







% do total










11,1%

5,6%

16,7%




Total

Nº Casos

2

7

10

6

29

54







% do total

3,7%

13,0%

18,5%

11,1%

53,7%

100,0%


Quadro 11 - Acesso x Qualidade da informação











Qualidade













Bom

n.s./n.r.

Perdidos

Total

Acesso

Não teve

Nº Casos







41

41







% do total







75,9%

75,9%




Razoável

Nº Casos







1

1







% do total







1,9%

1,9%




Fácil

Nº Casos

2







2







% do total

3,7%







3,7%




n.s./n.r.

Nº Casos




6

4

10







% do total




11,1%

7,4%

18,5%

Total




Nº Casos

2

6

46

54







% do total

3,7%

11,1%

85,2%

100,0%

4. Conclusões


As novas actividades económicas no espaço rural transmontano são um fenómeno pouco expressivo. Muitas das actividades que, à priori, julgávamos inovadoras afinal revelam-se perfeitamente convencionais, No entanto, a inovação existe sob a forma de actividades pioneiras, isto é, singulares na região em causa e também através da introdução de produtos novos. O primeiro tipo de inovação encontra alguma expressão no sector do turismo, com o aparecimento de empresas de restauração e hotelaria. A inovação pela introdução de novos produtos concentra-se na produção agrícola. A inovação comercial é menos expressiva e circunscreve-se maioritariamente à produção agrícola e agro-indústrias. No que respeita à inovação do tipo organizacional/institucional, a sua expressão é extremamente reduzida. No entanto, podemos incluir nesta a pluriactividade, o aproveitamento das medidas agri-ambientais, os mecanismos de protecção dos produtos de qualidade (DOP e IGP) e, ainda, as dinâmicas organizativas, cuja expressão, essa sim, é proeminente na região transmontana. Por todas estas vias é possível a introdução de factores de diferenciação e competitividade das empresas, É, todavia, necessário aprofundar o conhecimento sobre este aspecto.

Quanto ao confronto com os factores de inovação anunciados no ponto 1, a existência de condições de crise verifica-se, o acesso à informação é deficiente e a qualidade da informação é boa. 0 fosso entre os que acedem e os que se quedam "marginalizados" é agravado pelo facto de aqueles que têm acesso fácil à informação serem "servidos" por uma informação de qualidade.

Em resumo, diremos que a inovação é necessária a todos, só alguns querem inovar e só um punhado, muito escasso, o pode fazer, nas circunstâncias actuais. É, pois, essencial construir mecanismos que promovam a inovação a partir da interacção entre actores, endógenos e exógenos, valorizando as potencialidades e especificidades do território.

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VAZ, M. (1993). Diversificação de Estratégias para o Sector Agrícola: Plantas Aromáticas e Medicinais do Algarve. Comunicação apresentada no 1º Congresso Nacional de Economistas Agrícolas, "Que Futuro para a Agricultura na Economia Portuguesa". Lisboa, 27-29 de Maio de 1993.


1Comunicação elaborada no âmbito do Projecto de Investigação Praxis XXI, denominado "Declínio Populacional no Espaço Rural Transmontano e o Papel das Novas Actividades, Agrárias e Não-Agrárias, na Criação de Emprego".

2A propósito da mortalidade dos novos produtos (ou actividades), estima-se que apenas 2% consegue triunfar, isto é, impor-se no mercado (Booz et al. citados por Helfer e Orsoni, 1996: 172 e 173). Entre outros aspectos, os produtos novos que se impõem evidenciam o seguinte: (1) resultam de uma estratégia de desenvolvimento da empresa; (2) a inovação ocorre no domínio em que a empresa já actua; (3) é mais fácil impor um produto novo no mercado que já existe;(4) o produto novo é superior em performance, ou com performance igual a preço inferior; (5) a dominante técnica da inovação é muito importante; (6) o triunfo da inovação é o sucesso da perseverança e da organização; (7) os mercados estrangeiros são sempre uma fonte de inovação não negligenciável (Rensonnet, citado por Helfer e Orsoni, 1996: 177). A título de exemplo concreto, é impressionante a aderência do sucesso dos produtos biológicos transmontanos com o modelo agora exposto, particularmente no que respeita aos pontos 2, 3, 6 e 7. (Ler a este respeito: Pereira, Fernando (1995). "Novas Dinâmicas de Diversificação da Agricultura Transmontana: O caso das Actividades Agrárias Não Convencionais". Estudos Camar Nº 8, UTAD-DES. Vila Real; e/ou Cristóvão, Artur e Pereira, Fernando (1995). Agricultura Biológica: Uma Alternativa para Trás-os-Montes? Estudos Transmontanos, nº 6. Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Arquivo Distrital de Vila Real).

3Endereço electrónico: www.rurrralnet.pt.

4Um sinal inequívoco disto é a re-qualificação dos Parques Industriais, que despidos das novas unidades industriais ambicionadas, acolhem em substituição as pequenas indústrias e oficinas até aí (mal) localizadas no interior das cidades e vilas.

5Para a região do Douro [e, acrescentamos nós restante região transmontana], o principal motivos de atracção turística é o binómio património natural/paisagem (Ribeiro, 1998:11).

6Nota: excluímos o agro-turismo, porque o incluímos no quadro das actividades agrárias alternativas.

7No quadro distinguimos entre promotores e encarregados, pois nem sempre foi possível indagar a formação dos primeiros, quando a entrevista decorria com o encarregado. Este é, em regra, um técnico superior, por vezes da família do promotor, que funciona como responsável técnico ou executivo.




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