Novo Comentário Bíblico Contemporâneo atos



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Notas Adicionais # 4



2:15 / Estes homens não estão embriagados... sendo a terceira hora do dia: (trad. lit.). Em geral, os judeus só tomavam vinho quando comiam carne. E em geral, se comessem alguma carne, só o faziam no fim do dia (cp. Êxodo 16:8). Normalmente, portanto, nunca bebiam vinho senão no fim do dia. É evidente que nem todos seguiam esta prática (cp. Eclesiastes 10:16s.), mas no caso presente, Pedro negou que aqueles discípulos houvessem quebrado tal costume. O argumento de Pedro talvez esteja baseado em nada mais nada menos que o seguinte: era cedo demais para que os discípulos bebessem algum vinho, embora outros tenham sugerido que Pedro poderia ter em mente mais especifi­camente a hora da oração, antes da qual nenhum judeu piedoso comeria nem sequer pensaria em bebericar vinho. Nas festividades como esta os judeus evitavam comer e beber até o meio dia. Todavia, o peso de evidências nos leva a julgar que o sacrifício matinal e, conseqüentemente a oração matutina, ocorriam ao nascer do sol (na primeira hora), de modo que seria difícil Pedro estar referindo-se a este culto (veja a disc. sobre 3:1).

2:17-20 / Nos últimos dias... antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor: O tempo, de modo característico para os judeus, estava dividido em duas eras: esta e a vindoura. A referência a Joel é o ponto de transição entre ambas. A era vindoura é a do reino de Deus (veja as notas sobre 1:3), e diz Pedro (como Jesus havia ensinado), que esse tempo havia chegado. O dom do Espírito de Deus, assim como a ressurreição de Jesus e tudo o mais, em sua vida e sua obra, eram sinais de sua chegada — sinais de que a salvação, que para o judeu sempre havia sido coisa do futuro, deveria ser tomada agora, no presente (veja a disc. sobre 5:32). Todavia, a distinção entre as duas eras não era tão aguda e clara como os judeus a haviam imaginado. Esta nossa era constituía a realidade atual e a era vindoura ainda não havia chegado integralmente. Tampouco fora terminada a obra salvífica; nem poderia terminar, enquanto não se completasse a transição desta era para a vindoura, à volta de Cristo (cp. 3:19ss.). Ao citar toda a passagem de Joel, Pedro na verdade poderia estar movendo-se do Pentecoste para a Parousia, sugerindo que assim como o Espírito era um sinal do novo tempo, assim ele também era um penhor de sua consumação (cp. 2 Coríntios 1:22; 5:5; Efésios 1:14; veja a disc. acerca de l:10s.).

do meu Espírito derramarei: (v. 17), lit, como na LXX, "derramarei de meu Espírito" (o hebraico diz simplesmente: "derramarei meu Espírito"). O pensamento do grego pode ser que o Espírito de Deus permanece com o Senhor e que nós só podemos receber uma parte dele, não o todo. Ou a intenção pode ser que nosso interesse seja dirigido à diversidade dos dons e operações do Espírito, cuja integralidade nunca podemos ver (cp., p.e. 1 Coríntios 12:14ss.; 1 Pedro 4:10).

Prodígios em cima no céu, e sinais em baixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue (vv. 19, 20): a natureza é com freqüência representada nas Escrituras como expressando simpatia pelos atos de Deus (p.e., Isaias 13:10, 13; 34:4, 5), sendo difícil sabermos em cada caso até que ponto essas declarações devem ser tomadas literalmente, conquanto na maior parte são apenas um meio de chamar nossa atenção para o trato de Deus com os seres humanos. É uma espécie de metáfora que se encontra nos poetas de muitas nações.

2:22 / Maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós. Embora os três termos se refiram a milagres, de modo algum são sinônimos. O primeiro é, lit., "poderes" (gr. dynamis). Lucas gosta de usar essa palavra para o poder inerente de Jesus (10:38; cp. Lucas 1:35; 4:14, 36; 5:17; 6:19; 8:46), de modo que o plural é adequadamente aplicado à manifestação externa deste poder, quer no próprio Cristo, como nesta referência (cp. Lucas 10:13), quer nos seus discípulos (cp. 8:13; 19:11; veja a disc. acerca de 1:8). A segunda palavra, prodígios (gr. teras), era a palavra mais comumente empregada para milagres pelo escritores não-bíblicos, com o sentido de ocorrência anormal, implicando no modo de perceber algum acontecimento de importância especial. É digno de nota que essa palavra sempre se encontra no Novo Testamento em conexão com a terceira palavra de nosso texto, sinais (p.e., 2:43; 4:30; 5:12; 6:8; 7:36; 14:3; 15:12), para indicar que se refere apenas aos acontecimentos mais significativos — os que apontam para a presença de Deus (veja Dunn, Jesus, p. 163). Em três ocasiões (4:16, 22: 8:6) ocorre o termo "sinais" (gr. semeion) como única palavra para milagre, muito à semelhança do uso em João (veja F. L. Cribbs, Perspectives, pp. 50ss.).

Como vós mesmos bem sabeis: Têm sido lançados contra os sermões de Atos a crítica de que eles contêm pouquíssimo material efetivo acerca da vida de Jesus. Todavia, dificilmente alguém esperaria que fosse diferente — pelo menos nos primeiros sermões. Muitas das pessoas presentes estariam familiari­zadas com os fatos da vida de Jesus, como fica evidenciado nesta declaração. Esta crítica poderia ser feita com razão quanto aos últimos sermões, mas é preciso manter em mente que Lucas não pretendia dar mais do que um esboço do que havia sido dito em cada ocasião, e ele podia sempre presumir que seus leitores haviam lido o primeiro volume (o evangelho que leva seu nome) e estariam familiarizados com os pormenores da vida de Jesus. A declaração deste versículo, tomada literalmente como referência aos milagres feitos por Jesus em Jerusalém e na Judéia, apóia a tradição desse ministério preservada no evangel­ho de João (cp. João 2:23; 3:2; 5:1-9; 7:31; 9:1-12; 11:38-47).

2:34-35 / O Salmo 110:1 é citado várias vezes noutras passagens (Mateus 22:43ss. e passagens paralelas; 1 Coríntios 15:25; Hebreus 1:13; 10:13) a que se alude com grande freqüência (7:55, em que Jesus fica de pé em vez de sentar-se; Marcos 14:62; Romanos 8:34; Efésios 1:20, 22; Colossenses 3:1; Hebreus 1:3; 8:1; 10:12; 12:2; 1 Pedro 3:22). A conclusão de C. H. Dodd sem dúvida é justificável, portanto, segundo a qual "este versículo em particular foi um dos textos fundamen­tais do kerigma, sublinhando quase todos os seus desenvolvimentos" (According to the Scriptures [De Acordo com as Escrituras], p. 35). O argumento de Atos 2:34s. é estritamente paralelo ao argumento anterior, que envolve o uso do Salmo 16:8-11. Presumiu-se que o salmo era messiânico. Não podia ser aplicado a Davi, visto que dizia: Assenta-te à minha direita, e Davi não havia subido ao céu. Mas Jesus subira ao céu, de modo que o salmo se cumpriu no Senhor. Jesus pode bem adequadamente ser chamado de "Senhor".

2:38 / Seja batizado em nome de Jesus Cristo: O nome de Jesus significa sua pessoa, seu poder e, em certo sentido, sua presença. Quando os crentes falavam no nome de Jesus, acreditavam que ele se tornava pessoalmente envolvido no que estava acontecendo, e passava a operar através deles como seus agentes. Assim é que em seu nome os doentes eram curados (3:6, 16; 4:7, 10), milagres eram realizados (4:30), demônios eram exorcizados (19:13) e pecados perdoados (10:43). A salvação dependia do nome de Jesus (4:12); os discípulos ensinavam e pregavam em seu nome (4:17s.; 5:28, 40; 8:12; 9:15, 27, 29). As pessoas invocavam seu nome (2:21; 9:14; 22:16), davam louvor ao seu nome (19:17), sofriam pelo seu nome (5:41; 9:16; 15:26; 21:13), e eram batizadas em seu nome (2:38: 8:16; 10:48; 19:5).

O fato de o batismo ser administrado em nome de Jesus não invoca necessa­riamente a discussão da fórmula trinitária de Mateus 28:19. O uso do nome de Cristo aqui significa apenas que como a igreja foi chamada para pertencer a Cristo, ao mencionar o rito pelo qual os crentes obtêm acesso à igreja, o nome do Senhor torna-se especialmente preeminente. É a fé em Cristo como o Messias que constitui a base da admissão dos crentes à igreja (cp. Mateus 16:16).



E recebereis o dom do Espírito Santo: Podem estar implícitas as exigências e as promessas deste versículo, ainda que não expressas, em toda pregação de Atos. Este é, p.e., o único sermão que termina com a oferta do dom de Deus, o Espírito Santo, mas não se pode acalentar dúvidas quanto a esse dom estar disponível a todos que, em alguma época, arrependeram-se de seus pecados e creram no Senhor.



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