Novo Comentário Bíblico Contemporâneo atos



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Notas Adicionais # 7


1:1 / Teófilo: O nome significa "amigo de Deus" e acabou significando todos os amigos de Deus, isto é, os leitores cristãos em geral. Outros o consideram um pseudônimo de alguém cujo nome não poderia ser revelado. Todavia, não se trata de um nome incomum na época, não havendo nenhuma razão para pensarmos que Teófilo não tenha sido uma pessoa real, mas personagem fictícia com esse nome. O emprego do título, à guisa de pronome de tratamento "ó excelente Teófilo", é comprovação disto (Lucas 1:3) e dá a entender, também, tratar-se de pessoa de certa importância. Era título apropriado a um membro das forças eqüestres romanas (pertencente, portanto, a uma classe social média superior), sendo aplicado noutras passagens de Atos aos procuradores da Judéia, visto que muitos destes eram membros das forças militares eqüestres (veja 23:26; 24:3; 26:25). Parece que Teófilo era um cristão.

Começou: Alguns autores consideram inútil esta palavra, sem sentido, mera redundância do aramaico. Todavia, neste contexto, o sentido que sugiro aqui parece mais apropriado. A idéia de que Atos seria apenas uma continuação da história de Jesus choca-se contra a teoria proposta por H. Conzelmann, The Theology of Saint Luke, segundo a qual Lucas dividiu a história em três períodos, dos quais a história de Jesus era o "tempo intermediário", enquanto os eventos relatados em Atos seriam o "período da igreja". Na realidade, a obra toda em dois volumes cobre uma única história sobre Jesus, a qual, na mente de Lucas, pertencia aos "últimos dias".

1:3 / o reino de Deus: Para uma compreensão apropriada deste termo, é preciso notar que tanto as palavras do grego quanto as do hebraico, ou do aramaico, assim traduzidas significam reinado, em vez de reino, e governo, em vez de domínio. Portanto, em essência, o reino de Deus "não é uma comunidade de cristãos e tampouco a vida interna da alma, nem ainda um paraíso terrestre que a humanidade está trazendo à luz, estando agora em pleno desenvolvimen­to" (G. Lundstrom, The Kingdom of God in the Teaching of Jesus [O Reino de Deus no Ensino de Jesus]), Edimburgo: Oliver & Boyd, 1963, p. 232, embora possa abranger todas essas noções, mas em vez disso é Deus agindo com poder real, exercendo sua soberania e, de modo especial, impondo seu governo, objetivando o destronamento de Satanás e a restauração da humanidade ao relacionamento íntimo com o próprio Senhor Deus. Entretanto, isto se concebeu de várias maneiras: às vezes, em termos da soberania eterna de Deus e às vezes, em termos de nossa presente experiência com o Senhor, mas principalmente em termos da manifestação futura do reino, sendo seu estabelecimento marcado pela expressão "Dia do Senhor", quando Deus e/ou o Messias apareceria, ocasião em que os mortos haveriam de ressuscitar, iniciando-se um novo tempo (veja as notas sobre 2:17ss.). Por esta época todos haveriam de conhecer a Deus, do menor ao maior, e todos seriam por ele perdoados (Jeremias 31:34) e o Senhor derramaria de seu Espírito sobre todos (Joel 2:28).

Para os contemporâneos de Jesus, bem como para todas as gerações que os precederam, o reino de Deus concebido nestes termos não passava de uma esperança muito distante. Imagine-se, pois, o tremendo espanto dos discípulos quando o Senhor lhes anunciou que o reino se tomava realidade (veja, p.e., Marcos 1:22, 27). "O tempo está cumprido", afirmou o Senhor (isto é, o tempo tão esperado de sua manifestação), "e o reino de Deus está próximo" (Marcos 1:15; cp. p.e., Lucas 17:21). No entanto, se Jesus estava certo (e as evidências de sua vida, seus milagres, sua ressurreição e o derramamento no Pentecoste nos asseguram que ele estava certo), fica evidente que o reino não chegou da maneira esperada. Por enquanto, o reino haveria de ser uma experiência parcial e pessoal (conquanto muito real) para todos quantos se submeterem ao governo de Deus em Jesus Cristo (cp. 1 Coríntios 13:12). Somente quando o Senhor voltar, o reino de Deus será completamente estabelecido e o governo divino dominará sobre todos (veja as disc. acerca de 3:19-21; 14:22; cp. 1 Coríntios 15:24s.). Assim é que o Dia do Senhor que, em certo sentido, pode-se afirmar ter chegado quando Jesus veio à terra, vem demorando todos esses anos para completar-se até que Cristo retorne. Grande parte dos textos do Antigo Testa­mento que descrevem o Dia do Senhor aplica-se, no Novo Testamento, ao "Dia de Cristo", a saber, ao dia em que ele vai voltar.



1:4/ Estando comendo com eles: A palavra que originou esta tradução (synalizein) não é comum, encontrando-se no Novo Testamento somente aqui e de novo (sujeita a divergência) no Antigo Testamento (LXX, Salmo 140:5). Deriva-se ou de outra palavra que significa "encontrar-se" (GNB) ou de uma palavra que significa "sal", e, desta, "comer juntos". Prefere-se a última deriva­ção, com base em que o autor está recapitulando os acontecimentos de Lucas 24:42ss.

1:7 / os tempos ou as épocas: As duas palavras gregas representadas por estas traduções às vezes são consideradas sinônimas. É sempre difícil estabele­cer uma distinção clara entre uma e outra. Aqui, todavia, tempos (gr. chronous) é palavra usada com o sentido de períodos de tempo ou eras da história do mundo; e épocas (gr. kairous) seriam os momentos críticos dentro dessas eras da história.

1:8/ Ao descer sobre vós o Espírito Santo: A expressão grega aqui pode ser traduzida de duas maneiras. O caso genitivo do Espírito Santo pode relacionar-se a poder, dando o sentido de "vós recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós" (cp. Lucas 4:14; Romanos 15:13, 19), ou pode ser tomado como genitivo absoluto com sentido temporal. NIV preferiu esta última alternativa, que é a melhor.

E sereis minhas testemunhas: Aqui o caso genitivo do pronome pessoal nos apresenta duas possibilidades (alguns textos trazem o caso dativo, que nos daria opções semelhantes). Ou se trata do genitivo objetivo, expressando o pensamen­to de que o Senhor é aquele a respeito de quem eles seriam testemunhas, ou se trata do genitivo possessivo, indicando o relacionamento pessoal dos discípulos com o Senhor — eles são testemunhas dele. Ambas as opções são reais, sendo a ambigüidade intencional.

Em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra: o fato é que no princípio da história da igreja o significado total das palavras de Jesus só foi entendido com muita lentidão, e que, para muitos desses seguidores, tocar nesse assunto eqüivalia a tocar em espinheiro. Mas isto não precisa necessariamente levar-nos a supor que o Senhor jamais lhes deu estíis instruções, e que estas lhes teriam chegado posteriormente, por mão de terceiros. A história de Israel, e na verdade a história da própria igreja está cheia de exemplos de como as pessoas não conseguiram atingir os mais nobres ideais de seus líderes.

A forma do enunciado mostra conhecimento íntimo do contexto político e social da época. Quanto a uma definição mais ampla de Judéia, veja a disc. acerca de 10:37. Aqui, Judéia refere-se àquela parte da Palestina habitada pelos judeus> separada de Samaria e da Galiléia (cp. 9:31; 11:29; 15:1; 26:20; 28:21), e às vezes exclui-se também a Cesaréia (cp. 12:19; veja as disc. acerca de 10:1 e 21:10). Politicamente, no entanto, no tempo em que os procuradores gover­navam de Cesaréia essas províncias, a Judéia era considerada uma província, o que se deduz claramente do texto grego de Lucas, enquanto Jerusalém era sempre considerada pelos rabis como área separada do resto da província, como Lucas também indica não apenas aqui, mas noutras passagens de sua obra (cp. 8:1; 10:39; Lucas 5:17; 6:17; veja as notas sobre 2:9ss.). A frase até os confins da terra ocorre na Septuaginta em Isaías 8:9; 48:20; 49 (cp. Atos 13:47, onde Paulo usa Isaías 49:6 com referência a Barnabé e a si Próprio); 62:11; 1 Macabeus 3:9. caso pareça uma idéia um tanto distorcida sugerir que Lucas entendeu que a pregação de Paulo em Roma foi o cumpri­mento dessa profecia, é digno de nota que nos Salmos de Salomão 8:16, Pornpeu, um cidadão romano, se diz que viera "dos confins da terra".



1:11 / Varões galileus: Parece que a grande maioria dos Doze era constituída de galileus, e que Judas Iscariotes talvez tenha sido a única exceção.



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