O Anticomunismo católico representado nos artigos da revista



Baixar 88.3 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho88.3 Kb.
Esta é a Hora”: o Anticomunismo católico representado nos artigos da revista Hora Presente em anos Ditatoriais (1968-1974).

Resumo: A revista Hora Presente, lançada na imprensa paulista em agosto de 1968, era editada por intelectuais católicos que se congregavam em torno do grupo batizado com o mesmo nome do periódico. Em sua essência, seus membros fizeram parte dos meios da magistratura e do magistério da cidade de São Paulo, sendo professores, diretores e reitores de universidades que se ligavam diretamente ao regime militar. Por serem vinculados aos setores da extrema direita política, objetiva-se nesse trabalho a análise do discurso anticomunista produzida por Hora Presente em oposição aos grupos que compunham a esquerda católica da época. Dessa forma, serão apresentados os artigos referentes aos conflitos políticos e teológicos vividos entre os setores conservadores e progressistas da Igreja no Brasil com o intuito de contribuir com a história das relações entre Igreja e Estado. Por ser considerado um gênero discursivo, os artigos da revista Hora Presente eram constituídos, em sua maioria, por artigos de opinião, pois refratavam uma visão de mundo marcada pela oposição e critica ao “outro”. Partindo desse pressuposto, o trabalho terá por base teórica as contribuições do círculo de Bakhtim e dos trabalhos do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Apesar de pertencerem a contextos intelectuais distintos, as teorias não apresentam incompatibilidades teórico-epistemológicas, pois redimensionaram a inserção da linguagem, do sujeito, da história, da ideologia e do social no âmbito das ciências humanas, oferecendo ferramentas conceituais para o trabalho historiográfico. Em relação à metodologia, o trabalho se utiliza de uma fonte histórica produzida por um grupo de religiosos católicos. Sendo assim, por se tratar de um fenômeno religioso, sujeito as transformações advindas da estrutura social de um determinado contexto histórico, a pesquisa se utiliza das orientações historiográficas proveniente da História Cultural, denominada como História Cultural do Sagrado. Dessa forma, ao catalogar os artigos referentes à disputa política e teológica dos grupos em análise, objetiva-se a representação histórica de um contexto marcado por uma ideologia política dominada pela censura e pelo autoritarismo do regime militar, o que possibilita a reconstrução histórica de um passado recente. Deseja-se, com isso, contribuir com a história sobre os acontecimentos ocorridos durante a ditadura militar, abrindo a possibilidade de novas perspectivas, análises e pesquisas sobre a história da Igreja Católica nesse período.

Palavras-Chave: Intelectuais Católicos, Revista, Anticomunismo e Ditadura Militar.

Introdução
Esta é a Hora! Esse é o título do artigo de apresentação da primeira revista lançada pelo grupo Hora Presente no dia 22 de agosto de 1968, na cidade de São Paulo. Percebe-se com esse título que a militância política e religiosa do grupo encontra-se nos seus primeiros escritos, pois “convocam” os fiéis da Igreja a se posicionarem contra “os males que afligem os tempos atuais” 1, que, segundo os editores, surgiu com advento do pensamento moderno e do pensamento progressista na Igreja Católica.

O “tom” discursivo do grupo caracteriza-se por uma linguagem adaptada ao imaginário anticomunista, presente, a partir da década de 1930, nos grupos católicos e políticos da sociedade brasileira. Esse pensamento conservador e reacionário foi construído em contraposição aos grupos comunistas e anarquistas que adentraram o cenário político do país nesse período2. Diferente dessa primeira fase anticomunista, o discurso produzido pelos grupos de extrema direita católica em 1968 era direcionado aos grupos internos da instituição religiosa, o que representa uma mudança na estrutura discursiva dessas fontes devido ao conteúdo teológico e filosófico de tais críticas.

Representante do catolicismo leigo de São Paulo, os jornalistas, professores e políticos que compunham o grupo Hora Presente se caracterizaram pela posição reacionária e conservadora diante dos assuntos polêmicos vividos pela Igreja Católica no Brasil, pois eram herdeiros do integrismo francês do século XIX, cujo objetivo era combater a infiltração do pensamento moderno dentro da instituição religiosa. Dessa forma, o trabalho pretende analisar o discurso anticomunista presente nos artigos que retratam os conflitos políticos e teológicos vividos pelos grupos católicos durante o regime militar brasileiro. Tal conflito foi marcado pela oposição de dois grupos antagônicos: os conservadores, representados pelos grupos Hora Presente, Permanência e da TFP (Tradição Família e Propriedade), e os progressistas, caracterizados por dialogarem com o pensamento moderno, notadamente o marxismo, e por contestarem a política ditatorial vigente na época.

Por ser um gênero discursivo, os artigos escritos pelo grupo, constituídos em sua maioria por artigos de opinião, são marcados pela critica ao “outro”, que, no caso do trabalho, são os progressistas católicos. Partido desse pressuposto, a pesquisa terá por base teórica as contribuições do círculo de Bakhtim, especificamente, suas análises sobre as interações sociais, tomando como fundamento a concepção dialógica da linguagem. Outra teoria inserida nesse trabalho provém das análises de Bourdieu em relação à linguagem, sendo ela considerada pelo sociólogo como um produto ideológico determinado por seu campo social3.

Pretende-se, portanto, considerar o periódico Hora Presente como um instrumento de produção por representar um signo ideológico, pois ele pode “refletir” ou “refratar” outras percepções de uma mesma realidade social. Apesar de constituído por sua materialidade, capa, papel e tinta, a revista em análise se revestiu de um sentido ideológico por representar a consciência de um grupo de pessoas que, ao mesmo tempo, se ligava as estruturas sociais de uma determinada época. Dessa forma, todo signo expressa uma consciência individual (discurso interno), que, por sua vez, se estende ao meio ideológico e social (externo). Em outras palavras
Essa cadeia ideológica estende-se de consciência individual em consciência individual, ligando umas às outras. Os signos só emergem, decididamente, do processo de interação entre uma consciência individual e uma outra. E a própria consciência individual está repleta de signos. A consciência só se torna consciência quando se impregna de conteúdo ideológico (semiótico) e, consequentemente, somente no processo de interação social. (BAKHTIM, 1992: 34)
Sendo assim, ao se trabalhar com um signo ideológico (revista), criado por um grupo de católicos laicos durante o contexto do regime militar brasileiro, pretende-se analisar as formas de representação dos católicos progressistas. A partir da critica ao “outro”, tem-se presente uma determinada fala, constituindo-se em uma linguagem referente a outro significado que, no caso da presente pesquisa, reflete a própria ideologia da época. Por meio da critica aos católicos de esquerda, percebe-se uma disputa política e teológica que, ao desqualificar o “outro”, acaba justificando uma posição ideológica e a permanência do jogo político liderado, na época, pelo regime militar.

Por esse viés, o ato da fala (ou da linguagem), presente nos artigos de opinião da revista Hora Presente e que caracteriza os progressistas pelo discurso anticomunista e antimodernista, se refere à ideologia política da época, sendo ela (a fala) formada pela consciência individual dos homens que compunham o periódico. Dessa forma, a enunciação que, segundo Bakhtim (1992: 109), seria o resultado da fala, do discurso, “não pode de forma alguma ser considerado como individual no sentido estrito do termo; não pode ser explicado a partir das condições psicofisiólogicas do sujeito falante. A enunciação é de natureza social”.

Dessa forma, por ser o elo entre as estruturas sócio-políticas e a ideologia religiosa, a enunciação dá forma ao que Bakhtim denomina de “psicologia do corpo social”, que se manifesta sob o formato de “diferentes modos de discursos”. De acordo com Bakhtim (1992: 42), a psicologia do corpo social deve ser estudada a partir de duas perspectivas:
[...] primeiramente, do ponto de vista do conteúdo, dos temas que aí se encontram atualizados num dado momento do tempo; e, em segundo lugar, do ponto de vista dos tipos e formas de discurso através dos quais estes temas tomam forma, são comentados, se realizam, são experimentados, são pensados, etc.

Em última análise, por ser um instrumento de produção vinculado a um grupo de intelectuais católicos de extrema direita, pretende-se nesse trabalho situar os acontecimentos políticos e religiosos da época tendo como recorte o conflito interno que se processou entre os grupos conservadores e progressistas da Igreja Católica. O intuito é constatar como o “outro” foi tomado e desqualificado pelos articulistas da revista Hora Presente. Dessa maneira, essa análise permite reconstruir um período conturbado da histórica política e religiosa do Brasil, partindo da visão de um grupo católico que atuou e militou conforme as disposições políticas do regime militar brasileiro.




O Grupo e sua Revista
O grupo Hora Presente foi fundado em São Paulo em 1968 e seus intelectuais congregavam-se em torno da revista de igual nome. O lançamento do seu primeiro periódico aconteceu no dia 22 de agosto, com o primeiro número referente ao mês de Outubro4. O movimento distinguia-se de outros grupos católicos por sua atuação política, pois a maioria dos artigos dedicados aos assuntos dogmáticos da Igreja eram menos aparentes, visto a pouca participação dos clérigos em seu meio. Como descreve Antoine (1980: 58), “suas análises sobre os vícios do sistema democrático brasileiro e sobre a significação do regime militar aproximam estreitamente das do governo, especialmente do Ministério da Justiça”.

Quanto a sua direção, o grupo foi composto inicialmente por José Orsini, tendo por secretário Alfredo Leite. Em agosto de 1971, Clovis Leme Garcia assumiu a direção da revista até o seu término. A personalidade do grupo era influenciada, principalmente, pela figura de Adib Casseb, ex-professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica de São Paulo, ligado ao ministro da justiça da época, Alfredo Buzaid. José Pedro Galvão de Souza5, por sua vez, foi o “homem símbolo” do grupo, estando à frente do Conselho de Redação e representando a revista em encontros internacionais, como os de Lausanne6.

O corpo editorial da revista era composto por José Pedro Galvão de Souza, Adib Casseb, Clóvis Leme Garcia7, José Fraga Teixeira de Carvalho8, Ítalo Galli9, Lauro de Barros Siciliano10 e Ruy de Azevedo Sodré11. Dentre os colaboradores, destacam-se os professores universitários Alfredo Lage, Gerard Dantas Barreto, Leonardo Van Acker, Nilo Pereira, Armando Dias de Azevedo e o advogado Claudio de Cicco, além dos políticos Gladstone Chaves de Melo, Pedro Kassab e Luis Delgado. Somam-se ao corpo de edição, os eclesiásticos Paulo Bannwart, Alfonso Rodrigues, Carlos Beraldo e o Cônego Emilio Silva.

Em relação ao pensamento católico, os intelectuais do grupo foram herdeiros do integrismo europeu, cuja orientação se caracterizou pela militância política e teológica em defesa dos dogmas pregados pela Igreja Católica Romana, personificada na figura do papa, autoridade suprema dos assuntos temporais. A corrente integrista representou uma parcela minoritária da instituição, mas lideraram a reação conservadora da sociedade contra os males da modernidade e do comunismo ateu.

Por ser uma corrente de pensamento ligada ao campo social, o grupo Hora Presente deve ser compreendido dentro do seu espaço religioso. Dessa forma, parte-se de uma investigação sobre um grupo de intelectuais católicos acerca da sua compreensão simbólica da realidade brasileira, no qual o sagrado passa a ser abordado, de acordo com a historiografia francesa, na perspectiva da História Cultural do Sagrado12. Deseja-se, com isso, refletir sobre o conceito de intelectuais13, por se estudar uma revista católica, publicada por um grupo de pessoas que se reuniam constantemente para debaterem, sentirem e imaginarem uma situação histórica vivida pela Igreja Católica diante da modernidade e da ameaça comunista.

Dessa forma, a orientação filosófica e teológica do grupo Hora Presente seguia o pensamento maurrassiano de José Pedro Galvão de Souza. Quanto ao integrismo europeu, o pensamento de Souza era influenciado pelos escritos de Jean Ousset e da revista Permanences, representantes das ideias católicas vindas da França nesse período. Segundo Paul Airiau (2009), o catolicismo integral surgiu nesse país a partir dos anos de 1950 e ganhou força durante os eventos que antecederam a crise interna na Igreja, que corroboraram com a realização da primeira seção do Vaticano II e com o fortalecimento do movimento progressista no mundo católico.

De acordo com o autor, esses eventos pré-conciliares “testemunharam também a reorganização e a reaparição de um catolicismo intransigente da geração antimodernista14” (AIRIAU, 2009: 01). Esse catolicismo conservador e dogmático nasceu nos finais do século XIX, contrário ao movimento de secularização pelo qual passava a Igreja no contexto de formação dos Estados Nacionais europeus. São quatro os fundadores do pensamento católico integrista: Lucien Lefèvre (185-1987), Henri Lusseau (1986-1973), Victor Berto (1900-1968) e Alphonse Roul (1901-1969), todos formados pelo padre Henri Le Floch (1862-1950), conhecido pelo seu antiliberalismo, antilaicismo e antimodernismo. Sendo assim,
Eles procuram acima de tudo a aplicação total da verdade católica, em particular o que concerne as relações entre Igreja e Estado e o lugar social que deve ser reconhecida a Igreja. Eles também são favoráveis a uma ação de todos os católicos a fim de obter um poder suscetível de recolocar em causa as leis laicas resultantes da secularização republicana dos de 1878-191415. (AIRIAU, 2009: 2)

Sobre as características do pensamento integrista, Pierucci (1990, p. 149) afirma que ele se desenvolveu no mundo católico a partir da crise modernista, “na qual fez que aparecesse um catolicismo moderno, ‘junção da razão com a fé’, e um catolicismo integral ou intransigente, ‘totalmente tradicional e hierárquico’”. Assim, a corrente integrista teve como objetivo combater o pensamento moderno que se difundia na Europa desde o final do século XIX. Dessa maneira, o integrismo acolheu os grupos tradicionalistas, ultraconservadores, ultra-ortodoxos e antimodernos da Igreja católica, com o intuito de combater a ofensiva ad intra, ou seja, perseguir os pensadores católicos progressistas dentro da própria instituição. Para Pierucci, o vocábulo integrista apareceu na França em 1910, na querela entre católicos intransigentes e modernistas e possui as seguintes características:


1) a autoridade sacra para a qual se pretende inerrância literal é o texto papal (melhor dizendo, certos textos de papas), não a Sagrada Escritura; 2) a motivação do zelo militante é a defesa de valores religiosos ameaçados de decomposição pelos efeitos da modernidade; 3) a modernidade, por conseguinte, é pensada como síndrome antagônica à tradição que se quer preservar; 4) numa sociedade condenada a se desagregar pelos próprios erros, o único e legítimo portador da boa ordem sociopolítica a restaurar é a Igreja hierárquica , o alto clero; 5) para a restauração de uma sociedade integralmente cristã, ou seja, confessional em seu conjunto, é indispensável a manipulação ou o exercício do poder político.

Percebe-se, assim, que o movimento integrista francês é nitidamente identificado em Hora Presente, pois são frequentes artigos e documentos editados nas revistas de origem francesa. Porém, uma das peculiaridades do movimento de São Paulo são as publicações de artigos de outras revistas integristas que pertenceram a grupos católicos de outros países, como o movimento espanhol Verbo de Madri, com Eugenio Vegas Latapié, Juan Vallet, Julio Garrido e Pe. Bernardo de Monsegú; os argentinos Juan Alfredo Casagrande e Pe. Julio Meinvielle; e o integrismo português com Luís de Sena, da revista Resistência.

Quanto à estruturação interna, a revista Hora Presente divide-se em seis partes. A primeira é composta pela Seção de Comentários sobre a Atualidade, que se caracteriza por artigos voltados ao conflito entre os grupos da Igreja Católica relacionados ao contexto brasileiro e internacional. Seus discursos se referem ao âmbito cultural, político e econômico. O grupo Hora Presente caracteriza-se pela prática anticomunista e antimodernista referentes ao seu posicionamento como grupo católico de extrema direita. Várias notícias são retiradas de alguns jornais brasileiros e revistas internacionais, de cunho conservador.

Em sequência encontra-se a seção de Artigos, editados por se relacionarem com algumas questões referentes à seção de comentários, voltados ao conflito político e teológico da Igreja Católica naquele contexto. Outra parte são artigos de teor dogmático e teológico que tratam sobre a estrutura interna do pensamento político, filosófico da instituição, direcionadas a informar os fiéis leitores sobre os propósitos sociais e cristãos da doutrina católica. Alguns artigos são retirados das revistas francesas, europeias e da América Latina, de cunho integrista.

Logo após os artigos segue a seção de Documentos, que são, em geral, enxertos de jornais de extrema direita, como a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, referentes ao debate entre intelectuais conservadores católicos, como Gustavo Corção, e vários personagens da cena progressista. Retratam o debate sobre temas atuais da histórica política da Igreja relacionadas à ditadura militar ou ao conflito interno entre os grupos em cisão. Encontrava-se também uma seção de críticas a obras cinematográficas do cinema brasileiro e internacional e de livros publicados no mundo todo.

No final do periódico encontra-se a seção de Correspondência, na qual se torna visível o publico leitor que se informava sobre o conflito existente na instituição. Eles se caracterizavam por serem membros de várias dioceses do Brasil e do Exterior, principalmente de Portugal, como padres, bispos, freiras e fiéis católicos. A maioria agradecia o esforço da revista por combaterem o pensamento moderno, além de serem contra os progressistas católicos e todos os grupos de extrema esquerda.

Nas Contracapas das revistas eram publicados artigos sobre os embates políticos e teológicos entre os grupos de extrema direita e esquerda, referentes à instituição católica. São escritos por Gustavo Corção e são publicações de jornais de extrema direita contra o jornal “O São Paulo”, da arquidiocese de São Paulo, a revista “Pasquim”, de esquerda, e a CNBB, de caráter progressista.

Dispersa por todas as seções que estruturavam a revista, os editores enxertavam as Janelas, notas rápidas referentes ao assunto abordado no artigo, seção ou documento anterior. Caracteriza-se por serem documentos, discursos, artigos de jornal e nota dos editores.


O Anticomunismo nos artigos de opinião do grupo Hora Presente
O anticomunismo católico, enquanto produto do discurso do grupo Hora Presente, permite ao pesquisador do fenômeno religioso estabelecer categorias de análises que conectam o indivíduo, e seu grupo, as condições sócio-históricas determinadas, revelando acontecimentos sociais impregnados por um discurso estruturado na visão de mundo de quem produz, ou produziu, determinada fonte. Neste sentido, as contribuições teóricas advindas da sociologia de Bourdieu e do círculo de Bakhtim revelam as relações das forças culturais (centrípetas/centrifugas) na produção da linguagem do gênero discursivo. Nessa perspectiva, as teorias convergem ao afirmarem que o sujeito se individualiza, tem a sua personalidade constituída, quanto mais ele se socializa, como se o sentido da constituição do sujeito caminha do social para o individual. Como descreve Grillo (2005: 156)
Os sujeitos são formados pela incorporação de disposições produzidas por regularidades objetivas, situadas dentro da lógica de um campo determinando (ciência, religião, mídia, família, classe social etc), mas que são redimensionadas em razão da trajetória e da posição ocupada pelo sujeito no campo.
Dessa forma, a linguagem, enquanto uma fração ideológica, concebe a palavra como um ato de compreensão e interpretação da dinâmica histórica de um determinado campo social. Portanto, o trabalho compreende que todo campo produz uma linguagem própria que caracteriza os seus agentes e seus produtos. Essa linguagem cria esquemas e categorias que visam à manutenção da regra social e mantém a lógica interna do campo. Por esse motivo, empreende-se nesse trabalho a análise do discurso anticomunista produzido pelo grupo Hora Presente no contexto da ditadura militar brasileira, no intuito de apreender a construção do “outro” na disputa do controle ideológico pelo campo religioso16.

A Revista Hora Presente foi vinculada na imprensa brasileira durante as décadas de 1960 e 1970, editada e lida por grupos vinculados as tradições católicas no Brasil. Ela esteve inserida no jornalismo brasileiro em um período conhecido pela história contemporânea como “anos de chumbos” do governo ditatorial17. O discurso anticomunista produzido nos jornais e nas revistas dos principais grupos que atuaram junto à ideologia política do regime militar tratavam de episódios e acontecimentos históricos silenciados pelos setores da extrema direita brasileira durante o processo de redemocratização da sociedade brasileira na década de 1980.

Nessa perspectiva, por ser considerado um gênero discursivo, os artigos da revista Hora Presente serão analisados com o intuito de averiguar os acontecimentos históricos referentes ao conflito entre os grupos conservadores e progressistas da Igreja. Pretende-se, com isso, a reconstrução histórica de um passado em que indivíduos participaram e foram agentes de eventos da história política da época. Sendo assim, o primeiro quadro de análise compreende os artigos sobre os episódios da Igreja progressista em conflito com o regime militar brasileiro. O discurso anticomunista se dirige aos progressistas como inimigos da ordem estabelecida por se envolveram com questões que se referem ao assunto temporal, situado fora dos interesses da instituição. Entre os episódios que se destacam encontra-se o caso dos dominicanos no caso Mariguela18, a propaganda “enganosa” realizada pelos órgãos progressistas da Igreja no cenário internacional; encabeçada por Dom Helder Câmara, e sobre os esquadrões da morte.

Na Seção dos comentários sobre a atualidade, o grupo se dirige ao conflito entre Igreja e Estado em 22 artigos. O apoio oferecido pelo grupo ao governo militar é observado na edição dos discursos proferidos pelo presidente, pois a importância do regime, segundo o grupo, reside no fato de protegerem o Brasil do avanço comunista dos governos populistas da década de 1960:


[...] grandes esperanças que o movimento de 31 de Março trouxe para a nação serão baldadas. A serem ouvidos os que querem a chamada liberalização do regime ou pedem a revogação do Ato Institucional nº 05 e a anistia ampla e imediata, o Brasil seria reconduzido à anarquia à beira da qual deixaria o governo João Goulart e à qual quase novamente o País foi levado pelas titubeações dos dois primeiros governos revolucionários19.

Sendo assim, por salvar o Brasil da ameaça comunista foi que o grupo empenhou uma campanha contra as propagandas divulgadas no exterior pelos grupos progressistas, consideradas pelos redatores da revista como “terroristas”

Mas não é apenas o governo que tem deveres nesse campo. Qualquer brasileiro tem a obrigação de zelar pelo bom nome de seu país e a opinião pública pode esperar muito, a esse respeito, de nossos senhores bispos. Um fato constatado por pessoas que viajaram recentemente ao exterior é que a campanha contra o Brasil é alimentada em grande parte por jornais e semanários católicos, que estão freqüentemente publicando as piores calunias contra o Brasil, quase sempre sob a forma de ‘cartas’ assinadas por pessoas que se ocultam sob cômodos pseudônimos ou até sob simples asteriscos. Por outro lado, é fato público é notório que um dos membros de nosso episcopado, o arcebispo de Olinda e Recife, tem girado o mundo denegrindo o País e estimulando os que se dedicam a violência. Também tem contribuindo para a divulgação de uma falsa imagem do Brasil a atitude de um pequeno grupo da CNBB que divulga documentos redigidos em uma linguagem ambígua ou cheia de reticências, quando não chega a fazer afirmações tão espantosas como a que põe em pé de igualdade a ação dos terroristas e a punição dos responsáveis por ela, contrapondo, por exemplo, o “terrorismo da subversão” ao “terrorismo da repressão” 20.

Dessa forma, por viverem em um estado de constante ameaça comunista no país, o grupo defende a eliminação dos inimigos políticos pelos esquadrões da morte, composto por policiais do regime militar brasileiro. Apesar do grupo ser contra a violência, a morte tornou-se legitima no período pois o Estado procurava defender os valores cristãos da sociedade brasileira21. Além da Seção de Comentários, as Janelas também trazem notas que referentes aos episódios entre Igreja e Estado nesse período. São 11 notas sobre a “enganosa” perseguição religiosa e o envolvimento de Dom Helder nessa propaganda. O grupo Hora Presente deixa a sua opinião sobre esse assunto bem clara: “Se um bispo disser: amo o Brasil e quero a desordem e um soldado disser: amo o Brasil e quero a ordem, eu direi: cale-se o bispo e fale o soldado” 22.

Na seção de Artigos foram 3 artigos publicados que retratam as relações entre Igreja e Estado, nos quais os autores discutem conceitos no âmbito da filosofia e da especulação religiosa, no concerne a esfera do político. Como conclui Machado Paupério, “[...] é graças à ação política das forças armadas que muitos povos conseguiram escapar até agora da barbárie comunista” 23. Nas outras seções, apenas um livro e duas cartas foram publicadas sobre a tensão entre Igreja e Estado no contexto em análise.

Outro quadro de análise que se procura estabelecer na análise desses artigos retrata o conflito que envolveu os grupos internos da Igreja em questões teológicas e dogmáticas, mas que refletem nos episódios históricos da época. Na Seção de Comentários sobre a Atualidade foram 30 artigos publicados pelo conselho da redação que denunciam a corrente progressista por ser responsável de um cisma na Igreja católica, por “materializarem” a fé cristã nos preceitos do marxismo científico. Ao caracterizarem a cisão ocorrida no interior da Igreja, o grupo alerta seus fiéis:


Portanto, nem “aberto” nem “fechado”, nem “preconciliar” nem “posconciliar” nem “conservador” nem “progressista”. O uso freqüente desta viciada nomenclatura tem tido um efeito devastador, o de introduzir a dialética no seio da Igreja. Por motivos práticos poderá ser tolerável valer-se alguém dessa nomenclatura eventualmente, mas com a convicção interior do seu caráter inevitavelmente relativo. São rótulos perigosos que às vezes obrigam a tomar falso partido. O único Nome seja Jesus Cristo e a fidelidade à Igreja de sempre. É isto o essencial. O mais são falácias24.

Na seção dos Artigos, o grupo Hora Presente editou 23 artigos com debates mais densos sobre a estrutura doutrinária do pensamento progressista, considerada um sincretismo de posições teóricas que denigrem o homem e subvertem a autoridade da Igreja Católica. Nas Janelas, o número de notas que se referem ao quadro sugerido foram 42. Muitas notas são enxertos de artigos de jornal que trata sobre Teologia da Libertação25, considerada a síntese final do pensamento progressista, ou discursos sobre os males da síntese progressismo/comunismo para a vida da Igreja, como cita o Papa Paulo VI, a Igreja


[...] sofre, pela falta, em tantos católicos, da fidelidade, de que a tradição secular a faria credora, e que o esforço pastoral, pleno de compreensão e de amor, deveria grangear-lhe. Sofre, principalmente, pela rebeldia inquieta, crítica, indócil e demolidora de tantos de seus filhos, os prediletos – sacerdotes, doutores, seculares, consagrados ao serviço e ao testemunho de Cristo vivo na Igreja viva -, contra sua íntima e indispensável comunhão, contra sua existência institucional, contra sai norma canônica, sua tradição e sua coesão interior, contra sua autoridade, insubstituível principio de verdade, de unidade e de caridade; contra suas próprias exigências de santidade e de sacrifício; sofre pela defecção pelo escândalo de certos eclesiásticos e religiosos que hoje crucificam a Igreja26.

Por último, na seção de Documentários, os artigos e livros sugeridos para a leitura apresentam episódios e temas sobre a corrente progressista. Na seção de Correspondência a maioria das cartas escritas para o grupo Hora Presente reconhece o trabalho feito por eles na perseguição aos grupos progressistas da Igreja. Nas matérias de Contracapa os artigos eram retirados, em geral, do jornal o Globo. Eram da autoria de Gustavo Corção sobre episódios relacionados ao conflito do escritor católico com o jornal progressista da arquidiocese de São Paulo, O São Paulo, a CNBB e a revista de esquerda, o Pasquim.


Conclusão
Uma das unidades básicas de reflexão acerca das interações sociais concentra-se nas análises da relação eu/outro de um determinado contexto sócio-histórico. Por ser considerado um gênero discursivo os artigos presente na revista Hora Presente revelam um saber sobre o “outro”. Desse modo, ao desqualificarem os católicos progressistas tornou-se possível o resgate histórico de episódios referentes à atuação da Igreja Católica no cenário político armado pelo regime militar.

Nota-se, portanto, que a estrutura da narrativa jornalística do grupo Hora Presente se constituiu em oposição aos grupos progressistas da Igreja. Por meio do discurso anticomunista torna-se possível visualizar os conflitos sentidos pelo grupo que tocam a esfera pública e privada, permitindo o acesso à realidade no qual eles pertenceram. Mas, é importante ressaltar, cabe ao historiador prestar atenção nas distorções dessa realidade cultural, que são produzidas nos discursos anticomunistas do grupo em análise, tanto no plano político quanto no plano religioso.




1 Esta é a Hora! Hora Presente, nº 1 (Outubro de 1968), p. 3.


2 O Historiador Rodrigo Patto Motta (2202) estuda o anticomunismo brasileiro no decorrer da história por meio de suas singularidades temporais sem, entretanto, descuidar das regularidades. Para ele, os períodos de 1935-1937 e 1961-1964, apresentaram generalizações nas manifestações anticomunistas. Para que se entenda o conceito de imaginário anticomunista da década de 1960, momento de criação da revista Hora Presente, Motta afirma que nos anos 30 o catolicismo representou o papel do bem x mal e perseguiu os comunistas em seus partidos e sindicatos. Já nos anos de 60, o anticomunismo apresentou transformações com o aparecimento de tendências renovadoras no interior da instituição. Essas transformações que ocorreram no interior da instituição católica podem ser observadas nos discursos da revista e no posicionamento político dos seus intelectuais. Por isso, faz-se necessária suas análises para que se compreenda o conflito que existiu dentro da Igreja no período abordado e para que se reconheça a quem se dirigiam os discursos contidos nos artigos dessas fontes.


3 O artigo deriva de reflexões acerca das contribuições teóricas do círculo de Bakhtim e do sociólogo francês Pierre Bourdieu durante a participação na disciplina História e Religiões ministrada pelo professor doutor Ricardo Gião Bortolotti no programa de pós-graduação da Unesp/Assis. Nesta disciplina foram apresentados os princípios e as aplicações da Semiótica/Semiologia aos campos da História e da Religião. As teorias relativas ao círculo de Bakhtim e as análises de Bourdieu se assemelham por contraporem e buscarem alternativas ao subjetivismo idealista e ao objetivismo abstrato reinantes no período em que os autores viveram. Ambos procuraram inserir a ordem social, a história e o sujeito em suas teorias. De acordo com Grillo (2005: 154), a diferença entre as duas teorias decorre das diferentes áreas de atuação dos autores e seus respectivos objetos de análise: “Bourdieu concentra-se no estudo da relação entre estruturas sociais e constituição da subjetividade, enquanto que a obra do círculo, embora também aborde esses aspectos, privilegia o estudo da natureza social da linguagem”.


4 O primeiro número da revista, com a tiragem de 5.000 exemplares, esgotou-se rapidamente. O segundo vendeu 3.000 exemplares em quinze dias. Segundo Antoine (1980) a tiragem não cresceu mais que isso.


5 Foi professor da Universidade Católica de São Paulo e da Faculdade de jornalismo Cásper Líbero. Em relação ao seu pensamento foi influenciado pelo pensamento conservador de Charles Maurras (1868 a 1952), poeta monarquista francês, jornalista, dirigente e principal fundador do jornal nacionalista, anti-semita e germinador da Action Française e teórico do nacionalismo integral.


6 O Congresso de Lausanne era realizado todo ano e se caracterizava por reunir os maiores nomes do integrismo internacional. Quem o criou foi o católico leigo francês Jean Oussset, um dos maiores representantes do movimento conservador da Igreja Católica leiga. Também foi coordenador do Centro de Estudo Crítico e Síntese, criado em 1946, cuja revista se chama Permanences. Os congressos de Lausanne eram comentados em diversos artigos e notas da revista.


7 Professor de direito na faculdade Cásper Líbero e na Universidade Católica de São Paulo. Um dos membros mais ativos do grupo Hora Presente.


8 Trabalhou na magistratura de São Paulo como promotor e acumula a função de professor na Universidade Católica de São Paulo.


9 Ítalo Galli foi juiz do tribunal de Segunda Instância de São Paulo.


10 Presidente do Conselho Superior dos Veteranos da Revolução de 1932 em São Paulo e engenheiro.


11 Um dos membros mais reacionários do grupo. Foi professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica de São Paulo, ex-presidente do Instituto dos advogados de São Paulo, considerado o bastião mais conservador da magistratura de São Paulo, sendo partidário ferrenho da pena de morte instituída pelo regime.


12 Neste artigo o professor Eduardo Bastos de Albuquerque (2007: 47) trata das orientações historiográficas advindas da História Nova e da História Cultural francesa, quando ambas tratam da religião. Ele discute sobre as contribuições dos conceitos de mentalidade e representação, no qual aponta para os refinamentos conceituais que podem contribuir para o estudo do pesquisador. Assim, Albuquerque propõe o desdobramento epistemológico da história religiosa praticada nos anos anteriores e chama a atenção dos historiadores aos conceitos de sentidos e prática, pois tais conceitos possuem a “finalidade de perceber o significado atribuído ao mundo (...) de modo a atribuir historicidade a visões de mundo que estão no cotidiano e que fundam a religiosidade de um grupo social (...)”.


13De acordo com Michel Lagrée (1998: 382), a história religiosa encontra-se em um momento de Fascinação da interface, no qual recorre a novos objetos de estudos de outros campos historiográficos, englobando a percepção do social e cultural. Dessa forma, o autor reconhece que uma das linhas de frente do estudo do religioso é a história intelectual, que “Contribuiu para aclimatar a história social e cultural dos intelectuais enquanto grupo, com os instrumentos de análise apropriados: redes, gerações”.


14“ [...] Elle témoignent aussi d’une réorganisation et d’une réapparition d’un catholicisme intransigeant de la gérération antimoderniste [...]”.


15 Ils demandent avant tout l’application totale de la vérité catholique, en particuler en ce qui concerne les relations entre l’Église et l’État et la place sociale qui doit être reconnue à l’Église. Aussi sont-ils favorables à une action de tous les catholiques afin d’obtenir une puissance politique susceptible de remettre en cause les lois laïque issue de la sécularisation républicaine des annés 1878-1914.


16 Campo, segundo as análises de Bourdieu, pode ser definido como uma forma de organização social que possui dois aspectos centrais: (a) uma configuração de papéis sociais, de oposições dos agentes e de estrutura às quais estas posições se ajustam; (b) o processo histórico no interior do qual estas posições são efetivamente assumidas, ocupadas pelos agentes individuais ou coletivos (HANKS, 2008: 43). Portanto, as posições no campo são definidas por oposição onde os agentes disputam e competem pelo poder simbólico.


17 Conhecido como “golpe dentro do golpe” o período compreende o momento da edição do ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968 até o final do Governo Médice, presidente que liderou a ala da “linha dura”, com a radicalização imposta aos setores de esquerda e pelo avanço das medidas repressivas. Para mais informações consultarem o artigo escrito por Coimbra (2001).


18 Vários artigos foram escritos na Seção de Comentários sobre os problemas da Atualidade sobre a morte de Carlos Mariguela, líder da guerrilha comunista no Brasil, episódio no qual o líder foi entregue pelos padres dominicanos Frei Ivo e Frei Fernando após esquema de forte tortura. O artigo: O ”Affaire” Mariguela e a Traição dos Clérigos. (Hora Presente. Fevereiro de 1970, nº 5, p. 53-56) descreve os passos da investigação da polícia no início do caso até o assassinato do líder comunista. Nesse relato não consta a tortura sofrida pelos padres dominicanos.


19 Da Hora da Saudade à Hora da Verdade. Hora Presente, nº 8 (Janeiro de 1971), p. 22.


20 A Campanha do Brasil no Exterior. Hora Presente, nº 8 (Janeiro de 1971), p. 46.


21 Em Hora Presente, na Seção de Comentários sobre os problemas da Atualidade, encontra-se um artigo que legitima os assassinatos cometidos nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro contra subversivos da ordem política e moral. Por protegerem a sociedade civil desses elementos o grupo era a favor desses extermínios. O Protesto do esquadrão da Morte. Hora Presente, nº 3 (Janeiro/Fevereiro de 1969), p. 33-42.


22 A Hora do Soldado. Hora Presente, nº 8 (Janeiro de 1971), p. 20. É um discurso de D. José Pedro Costa, Arcebispo-Coadjutor de Uberaba, na Escola Superior de Guerra.


23 Política e Forças Armadas. Hora Presente, nº 8 (Janeiro de 1971), p. 130.

24 Aberto”, ou “Fechado”? “Preconciliar” ou “Posconciliar”? “Conservador” ou “Progressista”. Hora Presente, nº 12 (Maio de 1972), p. 13.


25 Entre as que destacam pela critica ao seu sistema de pensamento encontra-se: Vai se Condenada a Chamada “Teologia da Libertação”? Hora Presente, nº 14 (Maio de 1973), p. 47.


26 A Igreja Sofre. Hora Presente, nº 10 (Agosto de 1971), p. 184.


FONTE
- Revista Hora Presente (1968-1974)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
AIRIAU, Paul. Les Hommes de la Pensée Catholique. In: Revue Catholica, n. 60, Abril/2009, pp. 01-11.
ALBUQUERQUE, Eduardo Basto de. Da História Religiosa à História Cultural do Sagrado. In: Ciência da Religião – História e Sociedade, n. 5, 2007, pp. 34-49.
ANTOINE, Pe. Charles. O Integrismo brasileiro. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1980.
BAKHTIM, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na Ciência da Linguagem. Tradução: Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira, 6º Ed. São Paulo: Ed. Hucitec, 1992.
COIMBRA, Cecília Maria Bouças. Tortura Ontem e Hoje: Resgatando Uma Certa História. In: Psicologia em Estudo. Maringá, nº 2, p. 11-19.
GRILLO, Sheila Vieira de Camargo. A Noção de Campo nas Obras de Bourdieu e do Circulo de Bakhtin: Suas implicações para a teorização dos Gêneros do Discurso. In: Revista da ANPOLL, São Paulo,v. 19, 2005, p. 151-184.
HANKS, William F. Lingua Como Prática social: das relações entre língua, cultura e sociedade a partir de Bourdieu e Bakhtin. Tradução: Anna Christina Bentes, Marco Antonio Rosa Machado, Marcos Rogério Cintra e Renato C. Rezende. São Paulo: Cortez, 2008.

LAGRÉE, Michel. História Religiosa e História Cultural. In: RIOUX, Jen-Pierre; SIRINELLI, Jean-François (orgs). Para Uma História Cultural. Lisboa: Editorial Estampa,1998.


PIERUCCI, Antônio Flávio de Oliveira. Fundamentalismo e Integrismo: o nome e as coisas. In: Revista da USP, São Paulo, nº13, 1999, pp. 144-156.
MOTTA, Rodrigo Patto. Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). São Paulo: Pespectiva\Fapesp, 2002.




©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal