O bom samaritano



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Uma nova abordagem sobre o tema

O BOM SAMARITANO


O Bom Samaritano é sem dúvida uma das parábolas mais populares de Jesus. Nós os pregadores utilizámo-la para animar as pessoas a serem mais generosas e pró-activas nas suas relações com os demais. Porém nesta história existe algo mais do que isso.

Jesus foi muito mais além para desmascarar os hipócritas chefes religiosos. Examinemos isto um pouco mais à frente.

"Descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o retiraram-se, deixando-o meio morto". Ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote, e vendo-o, passou ao largo. Mas um samaritano que ia de viagem, chegou ao pé dele, e vendo-o moveu-se de íntima compaixão, e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhe azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. Ao partir no dia seguinte, tirou dois dinheiros e deu-os ao hospedeiro dizendo-lhe: Cuida dele; e tudo o que mais gastares eu te pagarei quando voltar. Qual destes três, te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores ? " (Lucas 10:30-36). A resposta à pergunta de Jesus era óbvia, porém quero demonstrar-vos que Jesus estava a ensinar algo mais do que uma lição directa sobre a responsabilidade social.

Consideremos o contexto: Jesus estava a responder, em linguagem actual, a um advogado que lhe tinha perguntado: "O que devo fazer para herdar a vida eterna ? (v.25).

Este homem era um advogado religioso que se orgulhava de conhecer os 613 pontos do Tora. Os líderes religiosos do tempo de Jesus eram os herdeiros de um sistema que tinha convertido a obediência a Deus num caminho de obstáculos empedrado com pequenos mandatos de "faz", não "faças", que deixavam as pessoas normais num permanente estado de culpabilidade. Esta orientação contradizia o que Jesus ensinava e a confrontação tornava-se inevitável. Os advogados, bem como os fariseus, os saduceus, os escribas e outros líderes religiosos estavam constantemente tratando de desacreditar Jesus. Por detrás da pergunta havia uma intenção aparentemente inocente do advogado.

Por isso Jesus respondeu sabiamente: "O que está escrito na Lei ? Como lês ?" (vers.26). O advogado sabia a resposta a isso: "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, com todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo" (vers.27). E Jesus disse-lhe: "Respondeste bem". "Fase isso, e viverás" (vers.28).Foi uma boa resposta por agora, porém já sabemos como os advogados actuam. Estão ensinados a procurarem circunstâncias atenuantes que possam de algum modo limitar o alcance da lei. Ele sabia que o mandamento "amarás o teu próximo como a ti mesmo" era muito difícil, e de facto impossível de cumprir, e como tal pensou que tinha descoberto um resquício legal. "E quem é o meu próximo ?" perguntou ele a Jesus. Foi então quando Jesus deu a sua parábola. Jesus situa a sua história no caminho que ia de Jerusalém a Jericó, uma distância de cerca de 25 quilómetros. Em Jerusalém estava o templo, o centro do sacerdócio levítico. Os sacerdotes eram a classe mais alta dos levitas. Eram apoiados por outros milhares de levitas que serviam em níveis inferiores, realizando tarefas como manter aceso o fogo no altar, queimar incenso, cantar no coro do templo e tocar os instrumentos musicais. Quando não estavam de serviço, muitos destes sacerdotes e trabalhadores do templo viviam em Jericó, que se tinha convertido numa "cidade dormitório" de Jerusalém, e logicamente viajavam com frequência por esse caminho entre Jerusalém e Jericó.

Viajar naqueles tempos era arriscado. Havia uma parte do mesmo caminho conhecido como "lugar do sangue", porque muitas pessoas tinham sido roubadas e assassinadas lá. Foi aí onde Jesus situou os exteriores da Sua parábola. As pessoas sabiam exactamente de que lugar estava a falar.

Na história de Jesus, o primeiro a ver a vítima é um sacerdote que em vez de ajudar, afastou-se para o outro lado do caminho. A seguir passa um levita, um trabalhador do templo que faz o mesmo, passando também ao largo. De seguida passa um bom samaritano. Um quê ? Todos se agitaram e ficaram incomodados quando Jesus disse isso. Os judeus daquela época não ouviam amiúde as palavras "bom" e "samaritano" na mesma frase. Os samaritanos eram uma mistura de Judeu e gentio, e os Judeus repudiavam-nos. Eram conhecidos pelos apelidos trocistas de "mestiços" e "cães pagãos" e eram considerados espiritualmente contaminados. Porém na história de Jesus, é precisamente este proscrito que pára para ajudar.

Este samaritano não só ajuda o ferido, mas vai muito mais além do que qualquer pessoa faria. Limpa as feridas da vitima com azeite e vinho e atou-lhas com ligaduras.

Naqueles tempos as pessoas não levavam consigo um estojo de viagem de primeiros socorros. O mais provável é que tivessem de rasgar alguma das suas próprias vestes para fazer as ligaduras. Depois coloca o ferido sobre o seu burro e leva-o para uma estalagem. Tira duas moedas de prata, uma quantia considerável para a época e promete ao estalajadeiro reembolsá-lo de tudo o que de mais gastar.

Isto é um excepcional grau de assistência, especialmente se considerarmos que a vítima é uma pessoa totalmente desconhecida e alguém que se supõe ser um inimigo social. Não obstante, o samaritano não permite que isto altere as suas intenções. Com esta história sagaz, pequena e simples, Jesus apanha o letrado na sua própria armadilha. A pergunta é: "Qual pois destes três, te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores ? (v.36). Que podia responder o erudito da Lei ? "O que usou de misericórdia para com ele". Então Jesus acerta-lhe o golpe que o deixa K.O : "Vai, e fase da mesma maneira" (v.37). Há que recordar que este "mestre da Lei" pertencia a uma classe de pessoas que se gabava de quão meticulosamente obedeciam a Deus. Por exemplo: nem sequer pronunciavam o nome de Deus por o considerarem demasiado santo para o fazerem. Além disso submetiam-se também a um banho ritual para se assegurarem de que estavam totalmente puros antes de escreverem o nome de Deus e junto dos fariseus eram escrupulosos até ao extremo na observância de cada detalhe da Lei.

O advogado tinha perguntado o que devia fazer para herdar a vida eterna, e Jesus respondeu-lhe: "Tens que fazer o impossível".

Como se pode esperar que alguém viva ao nível dos princípios do samaritano nesta história ? Se isso é o que realmente Deus exige, então o escrupuloso advogado estava condenado. Porém Jesus tinha escolhido as suas palavras cuidadosamente. Estava mostrando que os humanos não podem cumprir com os perfeitos requisitos da lei. Jesus é o único que cumpre a lei na sua extensão mais profunda, porque só Jesus é o Bom Samaritano.

Nesta parábola os ladrões representam o pecado e as forças do mal, o demónio e o seu domínio. O homem que foi espancado e roubado, representa toda a humanidade

indefesa, desesperada e abandonada à sua sorte. O sacerdote e o levita representam as leis e os sacrifícios do Antigo Testamento, totalmente ineficazes.

O Bom Samaritano é o único que pode ajudar. O vinho e o azeite corresponde ao sangue de Jesus derramado por nós e ao Espírito Santo que habita em nós crentes. A estalagem poderia representar a igreja, onde Deus abriga o seu povo para ser alimentado espiritualmente até ao Seu regresso. Talvez o hospedeiro simbolize os anciãos da igreja.

Jesus utilizou a pergunta do advogado para demonstrar que até o maior dos esforços humanos é inadequado para conseguir a salvação e quão maravilhosa e segura é a sua obra de redenção pela humanidade. Jesus e só Jesus, nos pode resgatar do "Caminho do Sangue". Aceitemo-lo como nosso Salvador e confessemos que só por meio dele é que podemos ser salvos.


Original: Dr. Joseph Tkach, 08.07 "El buen samaritano"

Tradução: Manuel Morais, 09.07


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