O brincar no hospital: refletindo sobre as estratégias de humanizaçÃo no hospital santa casa de irati



Baixar 13.69 Kb.
Encontro19.07.2016
Tamanho13.69 Kb.
O BRINCAR NO HOSPITAL: REFLETINDO SOBRE AS ESTRATÉGIAS DE HUMANIZAÇÃO NO HOSPITAL SANTA CASA DE IRATI.
Débora Rickli Fiuza (Unicentro) debora_rickli@yahoo.com.br

Cléa Maria Ballão (Orientadora / Departamento de Psicologia-UNICENTRO)

Palavras-chave: brincar, hospital, psicologia.

Resumo: O presente estudo exploratório tem por objetivo identificar as contribuições do Brincar no processo de hospitalização de crianças. Trata-se de uma busca bibliográfica realizada a partir de textos obtidos na base de dados eletrônicos e na biblioteca da UNICENTRO de Irati e, também, de ida a campo, na brinquedoteca do Hospital Santa Casa de Irati, para registrar dados observados de maneira participante.
Introdução:

Juridicamente o brincar é um direito da criança garantido por lei (ECA, Art. 16 IV.). Psicologicamente é de fundamental importância para desenvolvimento emocional saudável. Winnicott (1975, p. 63) afirma que “é a brincadeira que é universal e que é própria da saúde: o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde”. Nesse sentido, Medrano (2004) aponta para a importância do brincar na infância; reconhece essa atividade como sendo a fala da criança, e negar isso a ela é condená-la ao silêncio. A proposta deste estudo é possibilitar à criança hospitalizada a oportunidade do brincar, que lhe é garantido por lei. O brincar proporciona no hospital momentos de recreação e alegria, além disso, é por meio do brinquedo que o paciente pode verbalizar e elaborar seus sentimentos quanto à hospitalização. Sendo assim, a utilização do brinquedo não pode ser vista apenas como ocupação do tempo ocioso dentro do contexto hospitalar, mas como um valioso instrumento terapêutico e facilitador do tratamento médico.



Método:

A pesquisa exploratória, em seu primeiro momento, se configura numa revisão bibliográfica acerca da temática em questão, a partir de consultas em dados eletrônicos e livros da biblioteca da UNICENTRO de Irati. Os artigos utilizados foram retirados do site de pesquisa - Scielo, os quais fundamentaram o desenvolvimento da pesquisa. A pesquisa empírica está sendo realizada na pediatria do hospital Santa Casa de Irati. Acontece na brinquedoteca do hospital, nas quartas-feiras, por um período de 2 horas. As atividades destinadas a todas as crianças que se encontram internadas são acompanhadas por uma dupla de alunas do curso de psicologia. Semanalmente, são organizadas brincadeiras, como pinturas, desenhos, fantoches e jogos, além disso, promovem o brincar espontâneo disponibilizando materiais lúdicos para as crianças. Após cada período de atividades, que são registradas no diário de campo, a dupla se reúnem com a orientadora e com a psicóloga da instituição para, juntas, desenvolverem discussões e reflexões sobre o brincar no contexto do hospital. Portanto, este estudo além da revisão bibliográfica contempla uma análise dos registros das atividades lúdicas realizadas com as crianças para identificar a contribuição do brincar no processo de hospitalização.


Resultados e discussão:

Reconhecendo as contribuições do brincar para o desenvolvimento emocional saudável da criança, acredita-se que a inserção de atividades lúdicas no hospital é necessária para promover um tratamento mais humano ao paciente e seus familiares, se estendendo para toda equipe de saúde. “A promoção do brincar pode ser uma ferramenta significativa para que se lide com questões tais como: integralidade da atenção; a adesão ao tratamento; o estabelecimento de canais que facilitem a comunicação entre criança-profissional de saúde-acompanhante; manutenção dos direitos da criança, a (re) significação da doença por parte dos sujeitos” (MITRE & GOMES, 2004). O objetivo das brincadeiras dentro do hospital não é apenas proporcionar momentos de recreação, mas é por meio do brinquedo que elas podem verbalizar e elaborar seus sentimentos enquanto pacientes. A utilização do brinquedo não pode ser vista apenas como ocupação do tempo ocioso dentro do contexto hospitalar, mas como um valioso recurso terapêutico e facilitador do tratamento médico. Além disso, a brinquedoteca e o lúdico no hospital também possibilitam um lugar de descontração, de escolhas e experiências prazerosas. Savoy (2007). Durante uma conversa, um paciente de oito anos relata o medo diante da cirurgia a qual seria submetido. O estado de angústia foi elaborado por meio do brinquedo (fantoche) que serviu com um instrumento facilitador no diálogo atendente–paciente. O brinquedo serviu para levar ao paciente os devidos esclarecimentos sobre a cirurgia e os procedimentos utilizados pelo médico e, mais, pode possibilitar ao paciente um espaço para a livre expressão dos sentimentos despertados pela hospitalização. Discutindo sobre o brincar dentro da instituição hospitalaar se percebe as dificuldades que os profissionais de saúde ainda encontram em reconhecer essa atividade como uma estratégia de humanização no processo de hospitalização. Mitre & Gomes (2007) pontuam que a resistência em aceitar o lúdico no tratamento médico se refere à dificuldade de reconhecê-lo como um processo de tratamento, visto que não se configura nos modelos tecnológicos utilizados pelas abordagens convencionais. “Sentimento de que a utilização do brincar fosse algo menos científico e exigisse menos conhecimento do que outras técnicas”. No entanto, foi observado que entre os profissionais de saúde da instituição não houve resistência quanto às práticas lúdicas no contexto da pediatria, pelo contrário, se mostraram receptivos a essa atividade, reconhecendo a importância para a humanização do tratamento e enfrentamento da hospitalização. A inserção do brincar no hospital possibilita aos profissionais de saúde oferecer uma hospitalização mais humana para o paciente infantil. Num sentido prático, é possível observar o efeito imediato das brincadeiras no cotidiano das crianças, que é de proporcionar diversão e alegria. Ao brincar, mesmo em uma situação de risco e de doença, a criança poderá modificar o ambiente de tristeza e dor, que é típico do hospital, em um contexto próximo a sua realidade.
Conclusão:
Durante a realização das atividades, pôde-se constatar uma aceitação da criança, da família e dos profissionais de saúde em relação ao trabalho da psicologia na instituição. O ambiente tenso e angustiante do hospital, por meio do brincar, tem sido transformado em um lugar mais alegre, pessoal e humano. Esse ambiente diferenciado tem refletido diretamente no enfrentamento da hospitalização, diminuindo consideravelmente a tristeza e o choro. É reconhecendo o brincar e suas repercussões para o desenvolvimento mental da criança e, como uma das possibilidades de humanização no enfrentamento da hospitalização, que o brincar no hospital tem se desenvolvido e se fundamentado. Concordando com Savoy (2007) o brincar é um dos únicos instrumentos que atravessa toda e qualquer prática com crianças, que rompe barreiras disciplinares, promovendo um verdadeiro diálogo entre os profissionais da saúde.
Bibliografia:
CAMON, V. A. A. (org). A Psicologia no Hospital. São Paulo: Traço, 1998.
MEDRANO, C.A. Do silêncio ao brincar: história do presente da saúde pública, da psicanálise e da infância. São Paulo: Vetor, 2004.
MITRE, Rosa Maria de Araújo; GOMES, Romeu. A promoção do brincar no contexto da hospitalização infantil como ação de saúde. Ciênc. saúde coletiva.  Rio de Janeiro,  v. 9,  n. 1,  2004.  Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232004000100015&lng=pt&nrm=iso
MITRE, Rosa Maria de Araújo; GOMES, Romeu. A perspectiva dos profissionais da saúde sobre a promoção do brincar nos hospitais. Ciência e saúde coletiva. Rio de Janeiro, v. 12, n.005, 2007.
SAVOY, G.V.C. Brincar no hospital: necessário como remédio! Em. Temas sobre desenvolvimento. 2007; 15(89-90).


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal