O canto na Capoeira: como se ensina e como se aprende



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Trabalho apresentado no II Encontro de Musicologia de Ribeirão Preto
Interfaces luso-afro-brasileiras- de 15 a 17 de setembro de 2005

O canto na Capoeira: como se ensina e como se aprende
Joana Malta Gomes (UNIRIO) E-mail: anjoana@aol.com
José Nunes Fernandes (UNIRIO) E-mail: jonufer@globo.com

RESUMO:

Esta pesquisa tem como objetivos: verificar os processos de ensino-aprendizagem do canto, tanto para o solista como para o coro, em grupos de capoeira e averiguar qual influência tem no aprendizado do canto materiais como discos, revistas, vídeos, dentre outros. A metodologia para a coleta de dados será de consultas bibliográficas, de entrevistas e de envio de e-mail para grupos de capoeira brasileiros: entrevistas (participantes, mestres e contra-mestres) 4 mestres de grupo de capoeira da Cidade do Rio de Janeiro, escolhidos aleatoriamente; 30 grupos, também escolhidos aleatoriamente, para o envio de questionário por e-mail. Ao analisar as entrevistas realizadas e os questionários enviados por e-mails, pudemos perceber que o canto tem importante função na capoeira (como comentam todos os entrevistados) por ser por meio dele que se transmitem os conhecimento, a história, a cultura da capoeira. Não há um método específico para se ensinar o canto, apesar de serem comuns aulas específicas de canto e instrumentos dentro da rotina do capoerista. Na verdade parece que o canto na capoeira não exige técnica alguma, e a maior dificuldade é coordenar o canto com a execução do instrumento, como comentam alguns questionários.


Palavras-chave: capoeira, aprendizagem não-formal, canto

The song in Capoeira: process of teaching and learning
Joana Malta Gomes e José Nunes Fernandes

Abstract:

This study has the following objective: verifying the processes of teaching-learning of vocal music both for soloists and choirs, in Capoeira groups, and investigating the influence on the learning of songs of materials such as records, magazines, and videos, among others. The methodology of collection of data was consulting bibliographies, interviewing, and sending e-mails to Brazilian Capoeira groups: interviewing (participants and masters), 8 masters of a Capoeira group in the city of Rio de Janeiro and others cities, choosing randomly, 30 groups, also select randomly, to receive the questionnaire by e-mail. Since analyzing the interviews conducted and the questionnaires sent by e-mail, we may perceive that the song has an important function in Capoeira (as all those interviewed commented) because through it is transmited the knowledge, history and culture of Capoeira. There is no specific method for teaching the songs, beside having specific group classes of vocal music and instrument within the practice of the Capoeira. In truth it appears that the song of the Capoeira does not require any technique, and the nature difficult is to coordinate the song with the playing of the instruments, as was commented on some questionnaires.


Key words: Capoeira – Informal Learning, Vocal Music.

Currículo resumido dos autores:
- Joana Malta Gomes é bolsista IC-UNIRIO e está cursando o 5o período de Licenciatura em Educação Artística- Habilitação: Música na UNIRIO.
- José Nunes Fernandes é flautista e licenciado em Música, Mestre em Música (CBM/RJ) e Doutor em Educação (UFRJ/FE). Professor Adjunto do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), atuando também no Programa de Pós-Graduação em Música (Mestrado e Doutorado). É autor, dentre outros, do livro Oficinas de Música no Brasil. História e Metodologia (1997).

O canto na Capoeira: processo de ensino e aprendizagem
Joana Malta Gomes1 e José Nunes Fernandes (UNIRIO)
INTRODUÇÃO:

Edison Carneiro (1977) mostra que a Capoeira é um "jogo de destreza que tem suas origens remotas em Angola" (p.3). Para alguns a Capoeira é uma prática popular, que, mesmo de origem angolana, foi criada no Brasil, e tem muitas faces. Para outros é um esporte, podendo ser praticado de modo competitivo (existem campeonatos realizados pelas Ligas Regionais, Federações Estaduais, Confederação Brasileira de Capoeira e Federação Internacional de Capoeira). É, para muitos, jogo (ou brincadeira), no qual a participação é o que importa, onde o desempenho do atleta tem menor importância. É Folclore, estando presente, como folguedo, em uma grande lista de festas em todo o território nacional, como o Carnaval e festas diversas. É também Cultura. É dança, música, ritmo, filosofia.

Mestre Pastinha considerado como responsável inicial pela divulgação e urbanização da Capoeira no Brasil, através das palavras de Jorge Amado (apud Muricy, 1999), já dizia que na Capoeira “alunos e mestres de todas as classes se juntavam para brincar ao som dos atabaques, cantar cantigas de escravos”. A capoeira é, portanto, uma prática cultural socializadora, que apresenta várias funções. Uma delas a de transmitir conhecimentos. É uma brincadeira educativa em vários sentidos.

A música é base do jogo corporal, não sendo possível existir um sem o outro. Na capoeira a música acontece em forma de canto, acompanhado por palmas e pelos instrumentos musicais: berimbau Gunga, berimbau Médio, berimbau Viola, pandeiros, agogô, reco-reco e atabaque. O caxixi é executado pelo tocador do berimbau, que utiliza também uma moeda e uma baqueta.

Em relação ao canto, Souza (1998) mostra que ele é composto por solista e pelo coro, sendo que o coro é um complemento do conjunto sonoro, com repetições freqüentes, características da música da capoeira. Só não faz parte do coro o solista e os que estão jogando no meio da roda. A música iniciada pelos instrumentos começa, no caso da Capoeira Angola2, com uma canção livre feita pelo solista, é a ladainha. Em seguida o solista inicia o canto de entrada, o primeiro dos corridos, enquanto os jogadores se cumprimentam e iniciam a brincadeira (o jogo). No final as canções preparam o fim da roda, ou indicam que alguém vai sair da roda.

Caracterização dos cantos da roda de capoeira


- A Ladainha: É um ritmo lento, sofrido, dolente, é como uma reza. As ladainhas, exclusivas do jogo de Angola, são cantadas antes do início do jogo. A ladainha é cantada apenas por um solista acompanhado dos berimbaus e pandeiros. Normalmente o solista faz uma louvação aos seus mestres, às suas origens, à cidade em que nasceu, pode ainda fazer referências a fatos históricos, lendas ou algum outro elemento cultural que diga respeito à roda de capoeira. Os participantes da roda devem ficar atentos ao solista, pois na ladainha pode ser feito um desafio e, quando for dada a senha para o início do jogo, qualquer um pode ser chamado neste desafio. As ladainhas terminam com uma chamada ao coro que pode ser: iêê viva meu mestre...; iêê volta do mundo...; iêê aruandê... ; iêê a capoeira... ; iêê vamo simbora... ; dentre muitas outras. Esse momento do canto é conhecido como louvação ou salva.

- O Corrido: é a cantiga que se segue depois da ladainha e é a senha para o inicio do jogo na roda de capoeira. São versos simples interpretados pelo solista e em seguida pelo coro como num jogo de pergunta e resposta. Um dos versos pode ser alterado de improviso pelo solista. O corrido é cantado de acordo com o ritmo do jogo, seja lento ou rápido. O ritmo do jogo é determinado pelo toque do berimbau que são na Capoeira Angola: toque de Angola; São Bento Pequeno e São Bento Grande de Angola.

- A Quadra: A quadra pouco se distingue dos corridos, por muitas vezes são consideradas as mesmas cantigas. Entretanto há algumas cantigas onde os quatro versos são repetidos fielmente pelo coro e nesse momento o solista tem a oportunidade de improvisar o toque do berimbau.

- A Chula: A chula na capoeira regional são cantigas mais extensas que relatam algum fato acontecido ou conta histórias do passado. A chula difere da ladainha por ser cantada durante o jogo e também pela presença do refrão que é repetido pelo coro entre uma estrofe e outra. A chula é mais comum nas rodas de capoeira regional ou contemporânea e no samba de roda. Alguns mestres de capoeira Angola de Salvador (BA) chamam de chula o que outros chamam de corridos.

Normalmente, depois que a roda acaba, é feito um "samba de roda" para acalmar os ânimos mais exaltados durante o jogo. O samba de roda tem letra um pouco mais longa do que o corrido e a quadra, mas se compara bem de perto ao conteúdo de uma chula ou ladainha.

Uma das funções dos cantos é educar, apontando como deve ser o comportamento do capoeirista, o discurso moral e a filosofia da própria capoeira. Sousa (1998) diz:

“o aprendizado depende, em primeiro lugar, do aprendiz. Uma forma importante de adquirir conhecimentos sobre Capoeira é através das letras das cantigas, nas chulas, nos corridos ou nas ladainhas [...] são os mestres e contramestres que transmitem os fundamentos da capoeira, muitas vezes através das cantigas. Geralmente é através da improvisação do texto num contexto específico que o Mestre explica, mostrando e cantando, o fundamento da Capoeira, para que o aprendiz que está jogando ou observando (p.135) (sic).
Segundo Passos Neto (1999), os capoeiristas, além da improvisação, também criam, ou seja, compõem chulas, cantos-de-entrada, corridos e quadras. Além disso, hoje já existem muitos discos de cantos da capoeira. Nas revistas e nos cursos de capoeira é comum encontrarmos material de divulgação gravado (CD`s). Essa é, sem dúvida, uma característica nova do aprendizado da música da capoeira, a educação informal, através de discos, livros, revistas, vídeos, DVD`s e filmes.

Educação formal, não formal e informal


Libâneo (2004) considera duas modalidades de educação, a educação não-intencional também, chamada de educação informal e a educação intencional que se divide em educação formal e educação não-formal. Para este autor, toda educação que acontece fora de uma instituição e que não está organizada com o objetivo explícito de ensinar é considerada educação informal. Seriam exemplos: a educação familiar (o que se aprende dentro de casa na interação com parentes e amigos), a educação cultural (o que se aprende fora de casa na interação com a comunidade que nos cerca) e a educação social (o que se aprende com a experiência das diversas sociedades através dos tempos). O autor conclui:

“Entendemos, todavia, que o termo ‘informal’ é mais adequado para indicar a modalidade de educação que resulta do ‘clima’ em que os indivíduos vivem, envolvendo tudo o que do ambiente e das relações socioculturais e políticas impregnam a vida individual e grupal. Tais fatores ou elementos informais da vida social afetam e influenciam a educação das pessoas de modo necessário e inevitável, porém não atuam deliberadamente, metodicamente, pois não há objetivos preestabelecidos conscientemente. Daí seu caráter não-intencional. Essas relações educativas são contraídas independentemente da consciência das finalidades que se pretendem.” (p.90)


A educação formal segundo Libâneo (2004) seria: “aquela estruturada, organizada, planejada intencionalmente, sistemática. Nesse sentido, a educação escolar convencional é tipicamente formal. (...) Entende-se, assim, que onde haja ensino (escolar ou não) há educação formal”. Ele comenta que o importante para considerar outras atividades educacionais como formais é preciso “... que nelas estejam presentes a intencionalidade, a sistematicidade e condições previamente preparadas, atributos que caracterizam um trabalho pedagógico-didático, ainda que realizadas fora do marco do escolar propriamente dito” (p. 88)

Já a definição de educação não-formal segundo Libâneo (2004) é um pouco vaga, uma vez que os requisitos são os mesmos que os da educação formal, variando apenas o grau em que a atividade acontece. Ou seja, não é dito exatamente em que medida a atividade deixa de ser não-formal para ser formalizada. Ele diz que:

“A educação não-formal, por sua vez, são aquelas atividades com caráter de intencionalidade, porém com baixo grau de estruturação e sistematização, implicando certamente relações pedagógicas, mas não formalizadas. Tal é o caso dos movimentos sociais organizados na cidade e no campo, os trabalhos comunitários, atividades de animação cultural, os meios de comunicação social, os equipamentos urbanos culturais de lazer (museus, cinemas, praças, áreas de recreação) etc.” (p.89)
Os exemplos citados acima colocam em dúvida ainda mais o sentido de educação não-formal, pois são exemplos de situações que poderiam ser consideradas como informal ou que pelo menos não apresentam um objetivo claro ou uma intencionalidade consciente de transmitir um conhecimento específico.

OBJETIVOS:

(1) verificar os processos de ensino-aprendizagem do canto, tanto para o solista como para o coro, em grupos de capoeira; (2) averiguar qual influência tem no aprendizado do canto materiais como discos, revistas, vídeos etc.



METODOLOGIA:

A metodologia para a coleta de dados será de consultas bibliográficas, de entrevistas e de envio de e-mail para grupos de capoeira brasileiros: entrevistas (participantes, mestres e contra-mestres) 8 mestres de grupo de capoeira, sendo 2 do Rio de Janeiro, 2 de Maceió, 2 de Fortaleza e 2 de Salvador, escolhidos aleatoriamente; 30 grupos, também escolhidos aleatoriamente, para o envio de questionário por e-mail. Os procedimentos a serem tomados são: elaboração do questionário; envio dos questionários; escolha dos grupos para envio dos questionários; elaboração do roteiro da entrevista; escolha dos mestres e participantes; realização das entrevistas.



RESULTADOS:

A análise das entrevistas realizadas e dos questionários enviados por e-mails, nos revela que o canto tem importante função na capoeira (como comentam todos os entrevistados) por ser por meio dele que se transmite o conhecimento, a história, a cultura da capoeira. Em nenhum momento é revelado pelos entrevistados o método utilizado para se ensinar o canto, apenas é dito que o canto é ensinado na maioria dos casos em aulas específicas de canto e instrumentos. O aprendizado do canto está baseado na memorização da letra, na desinibição e na coordenação do canto com a execução do instrumento, como é citado em alguns questionários. Além das aulas os alunos contam também com o suporte de cds para a memorização das músicas. Mas o processo de aprendizado do canto acontece mesmo a partir da participação de todos os alunos na roda. A música na roda tem um poder especial de envolver os capoeristas, como explica o contra-mestre Girafa (Maceió): “por toda música tem que ter o refrão, o coro, e toda roda tem que participar, por que é a harmonia da roda, os alunos têm que bater palma, responder o coro e se entregar de inteiro com a roda pra que aconteça o jogo da capoeira”.(sic) Mestre Garrincha acrescenta: “no nosso trabalho com criança, o canto tem uma força enorme, por que, a criança (...) quando você responde o coro a partir de uma cantiga dela, você puxa a força dessa criança pra fora,você dá a maior força (...) aí tá o poder da capoeira como processo de educação, de socialização, de integração.”(sic)

Nketia (1985) comenta que para a seleção do líder dos tambores de Dagomba, o primeiro requisito é o conhecimento sobre a literatura oral de Dagomba, a história tradicional da região e a capacidade de transmiti-la durante a apresentação. A voz vem em segundo plano e por último a habilidade em tocar o tambor. Na capoeira não é muito diferente do que acontece em Dagomba, pois o solista é aquele que não só é capaz de tocar e cantar bem, como de transmitir uma mensagem por meio do canto. Por isso normalmente o solista é o mestre que tem maior conhecimento e habilidade para executar esta tarefa. Isso nos leva a entender que o aprendizado do canto é uma questão de tempo e experiência, ou seja, aquele que passou mais tempo em contato com a música e as tradições da capoeira é o mais capaz de ‘puxar’ o canto na roda. Sobre isso comenta Abib (2004):

“A roda, enquanto rito de passagem, traz elementos importantes da cosmologia africana, como saberes ou segredos, guardados pelo mestre, que vão sendo revelados aos poucos, conforme o iniciante vai encontrando o amadurecimento necessário para poder ter acesso a esses conhecimentos.” (p.132).


CONCLUSÕES:

Segundo a definição de Libâneo sobre educação, o ensino da capoeira pode ser considerado formal a partir do momento que está estruturado em academias, com aulas sistemáticas tanto de música como de movimentos e com a intencionalidade do mestre em transmitir um conhecimento específico e também a intenção do aluno em aprender e dominar este conhecimento. Todos os entrevistados demonstraram ter uma organização específica para as aulas, o que sugere um método de ensino. Abib (2004) cita:

“Um dos mestres mais tradicionais da capoeira angola, o mestre João Pequeno, ensina em sua academia no Forte Santo Antônio, uma seqüência básica que inclui não mais de dez ou doze movimentos. Ele fornece através de seu método de ensino, a base sobre o qual o aluno desenvolve seu jogo, a sua forma própria de jogar, a partir de suas características individuais.”(p. 145)
Quanto ao processo de aprendizagem do canto, é difícil analisá-lo separadamente do processo de aprendizagem da capoeira como um todo, pois o canto não é o fim, ou seja, cantar não é o objetivo em si, o canto é um meio, uma ferramenta usada para transmissão e apreensão da cultura da capoeira, assim como na cultura popular de uma forma geral. A melodia, o ritmo e as rimas ajudam na apreensão da mensagem transmitida oralmente cativando, sensibilizando e educando as pessoas envolvidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

-ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Capoeira Angola: cultura popular o jogo dos saberes na roda. Tese (Doutorado em Educação). Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2004.

-CARNEIRO, Edison. Capoeira. 2. ed. Rio de Janeiro: MEC/Funarte, 1977.

-LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê? 7. ed. São Paulo: Cortez, 2004. -LOPES, Nei. O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical: partido alto, calango, chula e outras cantorias. Pallas: Rio de Janeiro, 1992.

-MURICY, Antonio Carlos (Produção). PASTINHA! Uma vida pela capoeira. 1999. 1 fita de vídeo (30 min.), VHS, son., color.

-NKETIA, J. H. Kwabena. The Music of Africa. W. W. Norton & Company: New York/London, 1985.

-PASSOS NETO, Nestor S. de (Nestor Capoeira). Capoeira. Galo já cantou. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1999.

-SOUSA, Ricardo Pamfilio de. A música na Capoeira: Um estudo de Caso. Dissertação (Mestrado em Música, área de concentração: Etnomusicologia). Salvador: UFBA/Escola de Música, 1998.





1 Bolsista IC-UNIRIO (2004-2005).

2 Capoeira Angola é a modalidade de capoeira que foi sistematizada e divulgada por mestre Pastinha. A Capoeira Regional é uma modalidade de capoeira criada por mestre Bimba, mesclando elementos da Capoeira de Angola e do Batuque.






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