O carnaval brasileiro



Baixar 139.19 Kb.
Encontro07.08.2016
Tamanho139.19 Kb.

CGE - GAB. 1 - VEST./2000 2o DIA
LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA - QUESTÕES DE 01 A 30

O carnaval brasileiro





1

5

10



15

20

25



30

35

40



45

50

55



60

65

70



75

80

85



90
95

100


105

110


115

120


125

130


Se carnaval, em acepção popular, é confusão, trapalhada, desordem, como está lá no Dicionário do Aurélio, estejam certos de que a coisa não se restringe a três ou quatro dias anuais aqui no Brasil. É dose para 365 dias. Ou 366, nos bissextos...

E o procedimento é antigo. Secular. Desde o descobrimento. Que a turma discute se foi casual ou intencional...

Imaginemos a cena. Cabral aproxima-se do Porto Seguro, vê dois antepassados do Juruna na praia e pergunta prum deles:

– Isso aí é Índia?

O índio olha pro companheiro com ar gozador e responde:

– Ele leva jeito, mas jura que é macho...

Cabral percebe que o cara não entendeu e insiste:

– Como estás a chamaire essa terra?

– Pindorama.

– Pindó o quê?

– Pindorama. Por enquanto.

E agora quem interroga é o índio:

– E você? Como se chama?

– Pedro Álvares Cabral.

E o índio pro seu colega:

– Pronto! Fomos descobertos! Danou tudo!

Era verdade. E tome confusão, trapalhada, desordem. Pelo que está lá no Aurélio, tome carnaval...

Vem o Martim. Vêm os primeiros escravos. Surgem as capitanias hereditárias. Vem o Tomé pra ver pra crer. Os jesuítas. Os franceses também vêm. Os holandeses...

Surgem as entradas. As bandeiras tropeçam na Linha de Tordesilhas e passam adiante. Descobrem ouro e pedras preciosas. Os governantes mandam tudo pra Portugal e este pra Inglaterra.

Tráfego pra lá e tráfico pra cá. Navio negreiro. Vozes d’África. Quilombo dos Palmares. Guerra dos Emboabas. Guerra dos Mascates. Os franceses de novo. Il n’est pas un pays sérieux. Os jesuítas são expulsos. Inconfidência Mineira. O diabo.

Aí Napoleão dá um aperto nos portugueses, fazendo com que a família real com toda a corte saia às carreiras de Lisboa para passar uma boa temporada no Brasil.

E naquela pressa toda, D. Maria I – que estava louca mas não era boba – foi logo exclamando:

– Gente, não corre não, que eles vão pensar que estamos fugindo!

E estavam...

Mas já tinham as casas de praia garantidas: em muitas residências elegantes do Rio de Janeiro havia o PR. Que nada tem a ver com o Partido Republicano. Mas eram apenas as iniciais de Príncipe Regente. O que havia “requisitado” as casas...

Uma vez em terra firme, D. João, o dito cujo, abriu os portos para as nações amigas, permitiu a criação de alguns jornais e alguns cursos superiores – coisas “terríveis e perigosas” – e foi plantar as palmeiras do Jardim Botânico, isso porque não gostava de ficar em casa, onde havia uma tal de D. Carlota Joaquina, aliás muito feia e muito chata.

Quando teve notícias de que Napoleão havia perdido a guerra, D. João mandou um corvo e uma pomba para uma sondagem da situação, tendo um e outra voltado de mãos abanando. Esperou mais cem dias, Napoleão finalmente teve seu Waterloo e nova pomba é enviada pras bandas de Portugal, tendo agora ela retornado com um par de tamancos, demonstrando que, se Elba não dera conta, agora Santa Helena não tinha falhado.

Mas antes de ir-se embora, D. João VI, agora rei do Brasil, Portugal e Algarve, chamou um play boy que tinha em casa e disse:

– Pedrinho, se estiveres a perigo, pega a coroa antes que outro o faça!

Pedrinho, porém, gostava mesmo era de broto. Nem se importava que se chamasse Domitila...

E, enquanto as Cortes de Lisboa ordenavam: “Vem pra cá, Pedrinho!”, ele ia pra Santos...

E numa dessas idas, comeu uma feijoada meio arretada, de modo que a viagem de volta teve várias interrupções. Numa delas, quando se encontrava atrás de uma moita, às margens plácidas do Ipiranga, gritou pro pessoal:

– Tem papel?

E eles:


– Tem sim. O mensageiro trouxe uma carta do Boni e da Leopoldina, que você diz que é um trem. O negócio não “tá” bom, não! Sai dessa...

Pedrinho saiu e propôs a primeira questão de dupla escolha:

– Independência ou Morte!

A turma ficou apavorada, não sabia o que fazer, e Pedrinho virou Pedro I.

Mas o rapaz não gostava do primeiro; preferia o quarto.

E a Domitila:

– Pára, Pedro; Pedro, pára...

Daí, apesar do antigo “fico”, lá foi ele ser Pedro IV em Portugal, deixando como herdeiro (sem cacófato) o filho de cinco anos.

Você vai dizer:

– Filho de Pedro é Pedrinho...

Não é bem assim. O outro Pedro era quietinho. Tinha cara de coroinha. Levava jeito para governar. Tanto que, aos 15 anos, já era declarado “maior” e coroado Imperador!

Começando a carreira cedo, D. Pedro II imperou muito, sendo o campeão de governo pessoal no Brasil.

Era inspirado o imperador, tanto que, um século antes de Sarney e mais de um século antes de um Presidente intelectual, lá na Europa já liam poemas de um chefe de estado brasileiro. E para cá começaram a vir colonos italianos, poloneses, alemães, sem essa de espírito de dominação. Sem pasta do FMI. Sem ditar quem vai ser Presidente do Banco Central.

Briga boa foi contra os paraguaios, embora a gente ande sabendo que a coisa não foi bem assim...

Mas como tudo que é longo cansa, nos últimos anos seu prestígio já não era o mesmo. Sobretudo depois da abolição da escravatura. Tanto que a turma do PR – agora, sim, Partido Republicano – já queria acabar com a monarquia. Ainda que houvesse algum respeito:

– Gente, esperem o homem morrer!

Como, entretanto, o xará dele lá de cima demorasse a chamá-lo, Deodoro perdeu a paciência e nem colocou a farda, a espada, o quepe...

Arrancou o chapéu mesmo e proclamou a República!

A velha bem mais velha...

Aí, conversa vai, conversa vem, leite pra lá, café pra cá, as oligarquias rurais dando sinal de senectude, os tenentes azucrinando, o inconformismo se generalizando e pluft: estoura a bolsa de New York. Pronto!

Revolução de 30. Adeus, República velha! Getúlio, Paulistas, Bernardes. Prestes e Plínio Salgado. Tempero difícil. Estado Novo. Nazismo. Fascismo. Os brasileiros vão à guerra lutar ao lado... dos países democráticos. Vitória contra o totalitarismo. Getúlio cai.

Começa outra República, que depois vão chamar também de velha...

Dutra põe o povo pra comer broa. Getúlio volta. JK constrói Brasília. Jânio proíbe briga de galos. João Goulart sonha com as reformas de base. Os militares tomam o poder. Brizola atravessa a fronteira vestido de mulher...

Castelo Branco não sabe onde colocar a gravata. Costa e Silva enriquece o anedotário nacional, Médici incrementa a tortura e Geisel elege o João, que ameaça prender e arrebentar...

E aí surgem as “diretas já”, que contam com o apoio do povo nas ruas e do Zequinha no Congresso, razão por que Sarney corre ao Palácio e pede desculpas ao João, o inesquecível.

Mas o mundo dá muitas voltas – todas de 360 graus – e Sarney acaba candidato a vice na chapa do Tancredo, sem que o povo proteste. Afinal o Jô estava sempre perguntando:

– Pra que serve o vice?

Não sabia ele... Serve para usurpar a Presidência e fazer o João sair pelas portas do fundo. Serve para substituir o Collor, que não caçou marajás, mas foi cassado. Nada contra. Mas nada contra a maré o povo que não enxerga o óbvio... É o FIM. Ou FMI...

E tome raposa para cuidar do galinheiro. Vampiro para cuidar do banco de sangue. Dionysos para tomar conta da adega... Deus nos acuda! Senão 2000 não chegará...

E tome confusão, trapalhada, desordem. Pelo que está lá no Aurélio, tome carnaval...


* * *
(Texto em que a História do Brasil em seus 500 anos é carnavalizada*, retirado de Humanas em Destaque, no 4, jornal oficial do IV Congresso e IV Mostra de Ciências Humanas, Letras e Artes, realizado em Viçosa, entre 2 e 6 de agosto de 1999.)


*carnavalizar é transpor para o texto o inesperado, o inusitado, o irreverente, a inversão dos códigos vigentes, tencionando-se provocar o escracho, o riso.

INTERPRETAÇÃO

01. A relação Cabral “versus” índio (linhas 7 a 21) está plena de desentendidos, donde a sua força humorística. A ambigüidade que poderia, na escrita, ser eliminada pela oposição inicial maiúscula “versus” inicial minúscula é:


a) “Isso aí é Índia?” (linha 9)

b) “Ele leva jeito, mas jura que é macho...” (linha 11)

c) “Como estás a chamaire essa terra?” (linha 13)

d) “E você? Como se chama?” (linha 18)

e) “Pronto! Fomos descobertos! Danou tudo!” (linha 21)

02. Num fragmento do texto (linhas 24 a 26) há exemplo de intertextualidade, isto é, a superposição de um texto a outro. No caso específico, onde existe a superposição de um texto bíblico bastante conhecido é em:


a) “Vem o Martim.” (linha 24)

b) “Vêm os primeiros escravos.” (linha 24)

c) “Surgem as capitanias hereditárias.” (linhas 24 e 25)

d) “Vem o Tomé pra ver pra crer.” (linha 25)

e) “Os franceses também vêm.” (linhas 25 e 26)

03. Com base em seus conhecimentos históricos e lingüísticos, assinale a alternativa que contém uma informação INCORRETA:


a) “Tráfego pra lá e tráfico pra cá” (linha 30). Significa que o trânsito de ouro e pedras preciosas era ilegal; o de negros era legal.

b) “Navio Negreiro. Vozes d’África “ (linha 30). Os títulos são poemas de Castro Alves.

c) “Quilombo dos Palmares. Guerra dos Emboabas. Guerra dos Mascates." (linhas 30 e 31). Os títulos são fatos da história pátria.

d) “Os franceses de novo [...] Os jesuítas são expulsos.” (linhas 31 e 32) A segunda invasão francesa nada tem a ver com a expulsão dos jesuítas.

e) “Inconfidência Mineira. O diabo.” (linha 33) A expressão “o diabo” significa quase o mesmo que um “etc.”, “e outras coisas”, especificamente, “e outras trapalhadas”.

04. “...porque não gostava de ficar em casa, onde havia uma tal de D. Carlota Joaquina, aliás muito feia e muito chata” (linhas 48 e 49), D. João fez o seguinte:


a) “... abriu os portos para as nações amigas...” (linhas 45 e 46)

b) “... permitiu a criação de alguns jornais e alguns cursos superiores – coisas ‘terríveis e perigosas’...” (linhas 46 e 47)

c) “... foi plantar as palmeiras do Jardim Botânico...” (linhas 47 e 48)

d) “... mandou um corvo e uma pomba para uma sondagem da situação...” (linha 51)

e) “... chamou um play boy que tinha em casa e disse...” (linha 57)

05. “Pedrinho, porém, gostava mesmo era de broto. Nem se importava que se chamasse Domitila...” (linhas 59 e 60) A passagem que o confirma é:


a) “E, enquanto as Cortes de Lisboa ordenavam: ‘Vem pra cá, Pedrinho!’, ele ia pra Santos...” (linhas 61 e 62)

b) “... numa dessas idas, comeu uma feijoada meio arretada, de modo que a viagem de volta teve várias interrupções.” (linhas 63 e 64)

c) “O mensageiro trouxe uma carta do Boni e da Leopoldina, que você diz que é um trem.” (linhas 68 e 69)

d) “Pedrinho saiu e propôs a primeira questão de dupla escolha...” (linha 70)

e) “...lá foi ele ser Pedro IV em Portugal, deixando como herdeiro (sem cacófato) o filho de cinco anos.” (linhas 76 e 77)

06. O autor usa uns anacronismos – a intencional inobservância da cronologia de algumas ilustrações a acontecimentos –, como colocar a frase atual “Il n’est pas un pays sérieux”, que quer dizer “não é um país sério”, lá no Brasil-Colônia (linha 32) ou o fragmento de uma música “Pára, Pedro; Pedro, pára” (linha 75) lá no Brasil-Império. Outro exemplo de anacronismo aparece em:


a) “O outro Pedro era quietinho. Tinha cara de coroinha. Levava jeito para governar. Tanto que, aos 15 anos, já era declarado ‘maior’ e coroado Imperador!“ (linhas 80 a 82)

b) “Começando a carreira cedo, D. Pedro II imperou muito, sendo o campeão de governo pessoal no Brasil.” (linhas 83 e 84)

c) “E para cá começaram a vir colonos italianos, poloneses, alemães, sem essa de espírito de dominação. Sem pasta do FMI. Sem ditar quem vai ser Presidente do Banco Central.” (linhas 87 a 89)

d) “Mas como tudo que é longo cansa, nos últimos anos seu prestígio já não era o mesmo.” (linhas 92 e 93)

e) “Sobretudo depois da abolição da escravatura. Tanto que a turma do PR – agora, sim, Partido Republicano – já queria acabar com a monarquia.” (linhas 93 a 95)

07. A velha República – “A velha bem mais velha...” (linha 100) – COMEÇA e ACABA respectivamente com:


a) “Gente, esperem o homem morrer!” e “Revolução de 30.” (linhas 96 e 104)

b) “Deodoro perdeu a paciência e nem colocou a farda, a espada, o quepe...” e “Getúlio cai.” (linhas 97, 98 e 107)

c) “Deodoro perdeu a paciência e nem colocou a farda, a espada, o quepe...” e “Revolução de 30.” (linhas 97, 98 e 104)

d) “... conversa vai, conversa vem, leite pra lá, café pra cá, as oligarquias rurais dando sinal de senectude, os tenentes azucrinando, o inconformismo se generalizando” e “pluft: estoura a bolsa de New York.” (linhas 101 a 103)

e) “Gente, esperem o homem morrer!” e “Getúlio cai.” (linhas 96 e 107)

08. “Começa outra República, que depois vão chamar também de velha...” (linha 108) Esta República, intermediária entre as ditaduras varguista e militar, INICIA-SE e TERMINA respectivamente com:


a) “Dutra [que] põe o povo pra comer broa” e “João Goulart [que] sonha com as reformas de base.” (linhas 109 e 110)

b) “Getúlio [que] volta” e “JK [que] constrói Brasília.” (linha 109)

c) “JK [que] constrói Brasília” e “Jânio [que] proíbe briga de galos.” (linhas 109 e 110)

d) “Jânio [que] proíbe briga de galos” e “João Goulart [que] sonha com as reformas de base.” (linha 110)

e) “João Goulart [que] sonha com as reformas de base” e “Dutra [que] põe o povo pra comer broa.” (linhas 109 e 110)

09. “Os militares tomam o poder.” (linha 111) Esse ciclo COMEÇA e ACABA respectivamente com:


a) “Castelo Branco [que] não sabe onde colocar a gravata” e “João, que ameaça prender e arrebentar...” (linhas 112 a 114)

b) “Costa e Silva [que] enriquece o anedotário nacional...” e “Médici [que] incrementa a tortura...” (linhas 112 e 113)

c) “Médici [que] incrementa a tortura...” e “Geisel [que] elege o João...” (linha 113)

d) “Geisel [que] elege o João...” e “João, que ameaça prender e arrebentar...” (linhas 113 e 114)

e) “João, que ameaça prender e arrebentar...” e “Castelo Branco [que] não sabe onde colocar a gravata.” (linhas 112 a 114)

10. “Mas o mundo dá muitas voltas ...” (linha 118) O que o comprova é:


a) “E aí surgem as ‘diretas já’, que contam com o apoio do povo nas ruas e do Zequinha no Congresso...” (linhas 115 e 116)

b) “Sarney corre ao Palácio e pede desculpas ao João, o inesquecível.” (linhas 116 e 117)

c) “Sarney acaba candidato a vice na chapa do Tancredo...” (linhas 118 e 119)

d) “Afinal o Jô estava sempre perguntando: ‘Pra que serve o vice?’” (linhas 119 a 121)

e) “Serve para substituir o Collor, que não caçou marajás, mas foi cassado.” (linhas 123 e 124)

GRAMÁTICA


(Aqui carnavalizada é a gramática, na conhecida obra de Mendes Fradique, Grammatica Portugueza pelo Methodo Confuso, vindo a lume em 1927 e de onde transcrevemos fragmentos de texto, tendo o cuidado de atualizar a grafia.)

11. Mendes Fradique já começa a carnavalizar ao tratar do alfabeto. Entre os seus exemplos, dos quais selecionamos cinco letras, assinale a alternativa que contém aquela que seria fruto do desdobramento de outra:


a) A letra B tem o som de b em [...] todos os casos em que se emprega. Ex.: banho, burro, beijo, batata. Em alguns vocábulos dialetalizados pelos caipiras do Brasil, a consoante b constitui sílaba por si só, como se precedesse alguma vogal. Ex.: Absolutamente, que o caipira pronuncia abessolutamente. Há casos em que a consoante b se troca e confunde indiferentemente com o v. Ex.: cobarde ou covarde, assobiar ou assoviar, carne de boi ou carne de vaca.

b) Até a ereção da Torre de Babel, o C tinha som de que se fez onomatopéia. Ex.: Cebastião, Celso, cerveja, cenoura, etc. Após a grande confusão a que deu lugar a construção dessa torre, as letras andaram mudando de sítio, e o c foi parar em certas palavras onde primitivamente havia o k; daí o imbroglio. O c, posto antes de outra consoante, diminui de 100 o valor dest’outra. Ex.: D = 500; CD = 400; M = 1.000; CM = 900.

c) A letra F é fonologicamente um P furado, um P com escapamento. Ex.: Pneu. Se se lhe der um furo, faz FFFFFFFFFF. Talvez em virtude dessa condição fonológica seja sempre o F a letra quase onomatopaica do insucesso, da rateação, do malogro. Ex.: fiasco, falha, feio, fuga, falir, etc.

d) A letra J substitui o G antes de A, O e U, quando há necessidade de quebrar-se a guturalidade do G. No latim essa função incumbia ao I. Mas por força de um pistolão mais eficiente a função do I foi desdobrada, criando-se no alfabeto um lugar para o J.

e) O R é a pior conselheira das letras do alfabeto, uma letra sensata chamar-se-ia antes: Não erre. Em geral diz-se que dois RR têm sempre o som de R forte. Ex.: barra, berra, birra, borra, burra. Excetua-se arara em que os RR, apesar de serem dois, têm o som de R brando.
12. Dentro do propósito carnavalizador de Mendes Fradique, os conceitos abaixo identificam-se como seus, EXCETO em:
a) Gramática é a arte de falar e escrever incorretamente uma língua. Segundo afirmam os gramáticos, a gramática é o conjunto de regras tiradas do modo pelo qual um povo fala usualmente uma língua. Ora, o povo fala sempre muito mal, e escreve piormente...

b) Arte é tudo quanto consegue emocionar; ora, gramática paulifica, enfastia, caceteia, encrespa o discurso, inteiriça a frase, mecaniza a expressão, mumifica a idéia, e faz ainda mil e uma coisas mais, qual delas entretanto menos capaz de emocionar. Logo gramática não é arte.

c) Ciência é o trabalho da inteligência tendente ao conhecimento e simplificação dos fenômenos; ora, gramática principia por não ser um trabalho de inteligência, porque quem é inteligente não perde tempo em carrancismos gramaticais. Além disso a gramática, longe de tender à simplificação dos fenômenos, complica tudo: a língua, a linguagem e todas as formas de enunciar-se uma idéia.

d) Língua é um músculo chato, muito móvel, com uma ponta presa e outra solta. E aí é que está precisamente o grande mal da humanidade; se a língua tivesse as duas pontas presas, quantos males se não evitariam, no gênero humano? Donde se tira e conclui que a língua, para não ser o flagelo que é, deverá ter sempre as duas pontas presas ou as duas pontas soltas.

e) Gramaticalidade - Cada falante que, por definição, possui a gramática de sua língua, pode fazer sobre os enunciados emitidos julgamentos de gramaticalidade. Ele pode dizer se uma frase feita de palavras de sua língua está bem formada, com relação a regras da gramática que ele tem em comum com todos os outros indivíduos que falam essa língua...

13. “Procedamos acurada e pachorrentamente ao estudo [...] da gramática, porque na melhor das hipóteses, não ficaremos sabendo coisa alguma...” O autor tem razão diante de afirmativa como:


a) “O emprego facultativo do infinito flexionado. REGRA: Quando o infinito, apesar de não ter sujeito próprio [...] exprime, contudo, uma ação exercida por um agente que conhecemos do contexto e ao qual esta se atribui, pode ser flexionado ou invariável, embora freqüentemente se dê preferência ora a uma, ora a outra, das duas formas do infinito.”1

b) “SUBSTANTIVO é a palavra com que designamos ou nomeamos os seres em geral. São, por conseguinte, substantivos: a) os nomes de pessoas, animais, vegetais, lugares e coisas: Maria, cão, ipê, Brasil, livro; b) os nomes de ações, estados e qualidades, tomados como seres: colheita, patriotismo, velhice, bondade, largura.”2

c) “Os adjetivos se caracterizam morfologicamente por receberem as mesmas marcas de gênero e número que distinguem os nomes, com a diferença de que estas marcas, no adjetivo, resultam de regras de concordância.”3

d) “Os substantivos, todos os artigos, a maioria dos adjetivos, alguns numerais e alguns pronomes podem sofrer uma variação de forma para dar idéia de UM ou MAIS DE UM. A isto nós chamamos de FLEXÃO DE NÚMERO.”4

e) “RAIZ é o morfema comum a várias palavras de um mesmo grupo lexical, portador da significação básica desse grupo de palavras. Assim em claro, clarear, aclarar, esclarecer, esclarecimento e clarividência, a raiz é clar-. Em livro, livrinho, livreiro, livraria e livresco, a raiz é livr-.” 5

1 MAURER JR., Theodoro Henrique. O infinito flexionado português. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968. p. 153.

2 CUNHA, Celso. Gramática do português contemporâneo. 9. ed. rev. Rio de Janeiro: Padrão, 1981. p. 121.

3 LEMLE, Miriam. Análise sintática. São Paulo: Ática, 1984. p. 97.

4 TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensi-no de gramática no 1o e 2o graus. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1997. p. 144.

5 ROCHA, Luiz Carlos de Assis. Estruturas morfológicas do português. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998. p. 102.

14. Na sua intenção carnavalizadora, Mendes Fradique, ao tratar do substantivo, mescla a nomenclatura usual com o que lhe serve ao propósito humorístico. Em termos de Nomenclatura Gramatical Brasileira – e apenas em termos dela – ele somente NÃO inovou em:


a) O substantivo pode ser próprio ou de aluguel. O substantivo é próprio quando nomeia pessoa. Ex.: Presidente da República, Prefeito, Ministro, etc. Esses substantivos só não nomeiam pessoa quando a pessoa não tem pistolão. O substantivo é de aluguel quando o morador paga a renda ao senhorio...

b) O substantivo pode ser real ou abstrato. É real quando se relaciona com o rei ou quando serve de padrão monetário. O substantivo é abstrato quando não passa de conversa fiada. Ex.: Câmbio estável, plataforma governamental, opinião pública, soberania popular, democracia, sorte grande, camarão de empada, Tesouro Nacional, etc.

c) O substantivo pode ser simples ou composto. O substantivo é simples quando é simples mesmo. Ex.: café pequeno. É composto quando acompanhado de entrepitíveis. Ex.: média com pão quente.

d) Quanto ao gênero, podem os substantivos ser masculinos, femininos ou neutros. Masculino: Mesquita Cabral; feminino: Marion; neutro: preguiça, que é comum ao masculino e ao feminino.

e) Os substantivos variam desinencialmente [também] em caso... Ex.: João come frutas. João é aí um caso nominativo. Maria lê jornais. Maria é aí um caso nominativo. Excetuam-se: Pedro toma o trem da Central, porque aí Pedro é um caso perdido.

15. “O substantivo varia segundo o grau, dando uma idéia de aumento no aumentativo; de diminuição no diminutivo [...]. Aumentativo se forma com a terminação inho [...]; diminutivo se forma com a terminação ão.” A exemplificação que completa a doutrina carnavalizada do autor foi quebrada por um exemplo, que é nosso, em:


a) aumentativo: moinho - mó grande.

b) aumentativo: fossinho - fossa grande (nasal).

c) diminutivo: cartão - carta pequena.

d) diminutivo: limão - lima pequena (e azeda).

e) diminutivo: pedrinha - pedra pequena.

16. “No telefone, a primeira pessoa é a que fala; a segunda é a que não ouve; e a terceira é a Light.” Em apenas uma alternativa, Mendes Fradique NÃO carnavalizou:


a) As pessoas gramaticais mais conhecidas são: Mario Barreto, João Ribeiro, Laudelino Freire, Assis Cintra.

b) Os pronomes pessoais do plural são: nós, vós, eles ou elas.

c) Nós é usado pelas pessoas que não conhecem o seu lugar. Ex.: Nós só aceitamos reclamações na Companhia, diz o homem do gás, referindo-se à Light.

d) Vós é a forma de que se servem os homens de letras em alocuções acadêmicas. Ex.: Entrade, macêbado, de onde vindes vós?

e) Eles são os que marcham. Elas são as mulheres deles.

17. “Advérbio é a palavra mais ou menos invariável que modifica um verbo, um adjetivo ou outro advérbio.” O “mais ou menos invariável” atribuído ao advérbio tem sua razão de ser devido à possibilidade de receber um sufixo indicativo de grau nos advérbios da frase NÃO carnavalizada em:


a) Os advérbios mais amáveis são sim, bem, muito bem.

b) Os advérbios mais antipáticos são não, nunca, jamais.

c) Formam-se advérbios de modo normalmente juntando-se ao feminino dos adjetivos o sufixo mente: gostosamente, calmamente, tranqüilamente, dormente, semente.

d) Excetuam-se Clemente e portuguesmente, que se formam de palavras masculinas.

e) Aprendemos cedo a identificar o advérbio; estamos perto de o esquecer?

18. “O verbo deve sempre concordar com o sujeito em gênero, número e pessoa.” Não obstante carnavalizado, cada exemplo está adequado, EXCETO em:


a) Em gênero: Acometidas pelos portugueses as estâncias contrárias...

b) Em número: Os vinte estados do Brasil são dois: São Paulo e Minas.

c) Em pessoa: O governo eletrificará a Central.

d) Em gênero, número e pessoa: Tudo são aplausos!...

e) Vários sujeitos no singular podem levar o verbo ao plural e o fornecedor à falência. Ex.: Fulano, Beltrano e Sicrano compram fiado na casa do Bento.
19. “Quando o escritor tem tutano pode, sem mais aquela, impingir vários sujeitos com o verbo no singular, e ninguém reclama, nem os sujeitos, nem o verbo, nem os críticos literários.” A frase em que o verbo somente poderia ficar é mesmo no singular está em:
a) “A dor constante, o desgosto continuado e o fundo pesar aniquila o espirito e o corpo.” (Pe. Manuel Bernardes)

b) “Passará a quaresma e a semana santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa paixão.” (Pe. Antônio Vieira)

c) “Uma palavra, um gesto, um olhar bastava.” (Eduardo Carlos Pereira)

d) “Cantando espalharei por toda a parte, se a tanto me ajudar engenho e arte.” (Camões)

e) “A noz, o burro, o sino e o preguiçoso, sem pancadas, nenhum faz o seu ofício.” (Pe. Manuel Bernardes)

20. “COLOCAÇÃO DO PRONOME - É menos difícil colocar-se um sujeito no Ministério da Fazenda do que um pronome no seu competente lugar.” Sem a carnavalização dos exemplos colhidos, diríamos que a colocação pronominal está adequada em:


a) O advérbio não repele [...] o pronome, pospondo-o ao verbo. Ex.: Não dou-te as rosas da face / Nem as que tenho na mão... (Afonso Celso)

b) Fosse Jesus no Horto das Oliveiras qualquer pessoa, teria completado a oração de outro modo que não Faça-se a vossa vontade...

c) O pronome precede sempre o verbo quando se trata de nomes próprios. Assim ninguém diz, por exemplo, o Dr. Queira-se, ou o Dr. Abra-se; e sim: o Dr. Sequeira, o Dr. Seabra.

d) Também deve sempre preceder o verbo o pronome que forma adjetivos numerais. Não é correto dizer-se: senta-se e quatro ou tenta-se e oito; e sim: sessenta e quatro, setenta e oito.

e) Em via de regra, em certos utensílios e objetos de uso doméstico ou agrário, o pronome é sempre posposto ao verbo. Não é correto dizer-se: um se cale de licor ou a se foi do lavrador e sim um cálice de licor e a foice do lavrador.


LITERATURA BRASILEIRA

21. Leia o texto:


No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.


Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummond de Andrade:

poesia e prosa. 8. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 15)
No fragmento acima observamos algumas tendências do Modernismo. Assinale a alternativa que NÃO corresponde às características modernistas evidenciadas no poema:
a) a linguagem coloquial e a rejeição do verso perfeito dos parnasianos.

b) o jogo rítmico, refletindo o estado psicológico do movimento.

c) a visão dinâmica da vida expressa por uma poética de tendência exclusivamente futurista.

d) a experimentação lingüística expressa no verso intencionalmente repetitivo.

e) o tom revolucionário, expressivo da preocupação do poeta com o homem e sua problemática político-social.

22. Considere as afirmativas abaixo, relativas ao Simbolismo:



I


II

III



- No plano temático, o Simbolismo foi marcado pelo mistério e pela inquieta-ção mística com problemas transcendentais do homem. No plano formal, caracterizou-se pela musicalidade e certa quebra no ritmo do verso, precursora do verso livre do modernismo.

- O Simbolismo, surgido contemporaneamente ao materialismo cientificista, enquanto atitude de espírito, passou ao largo dos maiores problemas da vida nacional. Já a literatura realista-naturalista acompanhou fielmente os modos de pensar das gerações que fizeram e viveram a Primeira República.

- O Simbolismo, com Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens, nossos maiores poetas do período, legou-nos uma produção poética que se caracterizou pela busca da “arte pela arte”, isto é, uma preocupação com o verso artesanal, friamente moldado. Devido a essa tendência à objetividade na composição, o movimento também se denominou “decadentista”.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) I é falsa; II e III, verdadeiras.

b) I e II são verdadeiras; III, falsa.

c) I é verdadeira; II e III, falsas.

d) I, II e III são verdadeiras.

e) I e III são falsas; II, verdadeira.

23. Dentre as citações extraídas da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, assinale aquela que NÃO traça um perfil psicológico do personagem:


a) “Bem diferente era o tio cônego [...]. Não era homem que visse a parte substancial da Igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia que do altar.”

b) “Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo [...].”

c) “Nem as bichas de ouro, que trazia na véspera, lhe pendiam agora das orelhas, duas orelhas finamente recortadas numa cabeça de ninfa. Um simples vestido branco, de cassa, sem enfeites, tendo ao colo, em vez de broche, um botão de madrepérola, e outro botão nos punhos, fechando as mangas, e nem sombra de pulseira.”

d) “Virgília era o travesseiro do meu espírito, um travesseiro mole, tépido, aromático, enfronhado em cambraia e bruxelas. Era ali que ele costumava repousar de todas as sensações más, simplesmente enfadonhas, ou até dolorosas.”

e) “Então apareceu o Lobo Neves, um homem que não era mais esbelto que eu, nem mais elegante, nem mais lido, nem mais simpático, e todavia foi quem me arrebatou Virgília e a candidatura, dentro de poucas semanas, com um ímpeto verdadeiramente cesariano.”

24. Sobre a construção dos personagens do romance Vidas Secas, é INCORRETO afirmar que:


a) o “herói” personagem é sempre um problema: retirante, não aceita o mundo, nem a si mesmo, em sua dura realidade.

b) na narrativa, todos os personagens representam, realmente, “vidas secas”: mostradas em linguagem sóbria, racional, lúcida, exprimem a visão de um mundo árido e sombrio.

c) Graciliano apresenta seus personagens com uma visão fatalista, de total negação e destruição, enfim, de anulação do homem, num mundo sem amor.

d) no drama dos retirantes, Graciliano interessa-se pela investigação do aspecto social, da hostilidade da terra nordestina, ignorando o aspecto psicológico de seus personagens.

e) o autor constrói seus personagens como figuras humanas animalizadas, vítimas de um ambiente de desencanto e indiferença, de uma terra áspera, dura e cruel.

25. Leia atentamente os seguintes versos:


Não faças versos sobre os acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.

Diante dela, a vida é um sol estático,

não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummond de Andrade: poesia e prosa. 8. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 95s)
Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma leitura correta do poema “Procura da poesia”, de Carlos Drummond de Andrade:
a) O autor defende a transcendência da poesia, superior à própria vida e à morte.

b) Segundo o poeta, a poesia não deve limitar-se a uma temática voltada para os simples acontecimentos da vida.

c) O autor defende um lirismo subjetivo, intensamente elaborado, preocupado em exaltar os mais nobres sentimentos humanos.

d) Para o autor, a poesia ultrapassa os limites do corpo e da própria vida cotidiana.

e) O poeta, em seu discurso metalingüístico, trata da essência da própria poesia.

26. Leia atentamente a proposição:


O Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade.
(Eça de Queirós. In: PROENÇA FILHO, Domício. Estilos de época na literatura. São Paulo: Liceu, 1969. p. 207)
O texto de Eça de Queirós reúne alguns princípios básicos do Realismo. Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que NÃO está em conformidade com as definições do romancista português:
a) O Realismo foi marcado por um forte espírito crítico e assumiu uma atitude mais combativa diante dos problemas sociais contemporâneos.

b) Em oposição à idealização romântica, o escritor realista procurou descobrir a verdade de seus personagens, dissecando-lhes o comportamento.

c) O autor realista retratou com fidelidade a psicologia do personagem, demonstrando um interesse maior pelas fraquezas humanas e pelos dramas existenciais.

d) As preocupações psicológicas da prosa de ficção realista levaram o romancista a uma conscientização do próprio “eu” e à manifestação de sua mais profunda interioridade.

e) O sentido de observação e análise vigente no Realismo exigiu do escritor uma postura racional e crítica diante das contradições do homem enquanto ser social.

27. Observe com atenção o fragmento abaixo:


I-Juca-Pirama
No meio das tabas de amenos verdores,

Cercadas de troncos – cobertos de flores,

Alteiam-se os tetos d’altiva nação;

São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,

Temíveis na guerra que em densas coortes

Assombram das matas a imensa extensão.


São rudos, severos, sedentos de glória,

Já prélios incitam, já cantam vitória,

Já meigos atendem à voz do cantor:

São todos Timbiras, guerreiros valentes!

Seu nome lá voa na boca das gentes,

Condão de prodígios, de glória e terror!


[...]
(DIAS, Gonçalves. I-Juca-Pirama. In: RIEDEL, Dirce. Literatura brasileira em curso. Rio de Janeiro: Bloch, 1969. p. 311)
Reflita sobre as tendências da poesia romântica indianista e assinale a alternativa que NÃO confirma a visão idealizada do poeta em relação ao indígena brasileiro:
a) O índio de Gonçalves Dias ganhou o tom dos valorosos cavaleiros medievais e reafirmou o sentimento nacionalista de nosso Romantismo.

b) O poeta romântico transformou o silvícola em um dos símbolos da autonomia cultural e da superioridade da nação brasileira.

c) O poema gonçalvino enalteceu e preservou as tradições indígenas brasileiras, incorporando-as ao orgulho nacional.

d) “I-Juca-Pirama” expressa o nacionalismo de seu autor, que, ao idealizar a coragem e o heroísmo do índio brasileiro, atribuiu-lhe também alguns distúrbios de personalidade.

e) A poesia romântica indianista resgatou o passado histórico do Brasil e valorizou a bravura de seus habitantes naturais.

28. A respeito de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, somente NÃO podemos afirmar que:


a) os personagens, Fabiano, Sinhá Vitória e os filhos, são convertidos em criaturas brutalizadas, numa sugestão de que a dureza do solo nordestino aproxima a vida humana da vida animal.

b) embora composta de pequenas narrativas isoladas, a obra mantém a estrutura de um romance pela presença quase constante de seus personagens e por uma sucessão temporal.

c) a narrativa denuncia o flagelo do sertão nordestino, onde o homem, fundindo-se ao seu meio, é arrastado por um destino adverso e inútil.

d) o retirante Fabiano, incapaz de verbalizar seus próprios pensamentos, expressa-se, quase sempre, através do discurso indireto livre de um narrador onisciente.

e) a obra insere-se no chamado romance de 30 por uma total fidelidade aos experimentalismos lingüísticos da fase heróica do movimento modernista.

29. Leia atentamente o texto


Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 118)
Todas as alternativas seguintes correspondem a uma leitura possível do poema drummoniano, EXCETO:
a) O poema revela-nos um eu-lírico que, ignorando o passado e o futuro, opta por conhecer a realidade de seu próprio tempo.

b) O poeta renuncia ao isolamento voluntário e reafirma sua solidariedade aos companheiros, dos quais não pretende mais se afastar.

c) O autor de “Mãos dadas” quer unir-se a seus semelhantes para libertar-se do passado, do presente, e do futuro de um mundo caduco que o sufoca.

d) O poeta busca a convivência com os outros homens à sua volta, não pretendendo, pois, entregar-se aos devaneios e à solidão.

e) Ao voltar-se para a vida presente o poeta demonstra uma preocupação maior com o seu momento histórico.
30. Dentre as alternativas abaixo, apenas uma NÃO contém informações totalmente verdadeiras sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas. Assinale-a:
a) O personagem Brás Cubas diz o que pensa dos outros e de si mesmo com uma sinceridade que só a maturidade póstuma lhe pôde propiciar.

b) A narrativa machadiana insere-se na estética realista por denunciar as mazelas sociais brasileiras e por criticar a civilização industrial emergente.

c) Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra típica do Realismo, na medida em que subverte as técnicas narrativas românticas e ironiza os valores burgueses.

d) O defunto autor desordena a cronologia dos fatos reconstituídos em sua memória através de idas e vindas em um tempo não linear.



e) Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, as relações sociais cedem lugar à inquirição sobre a alma humana, que, por sua vez, tornou-se objeto de atenção do escritor realista.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal