O código da Vinci Reflexões comuns



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O Código da Vinci – Reflexões comuns

A obra é de bastante erudição, percorrendo realizações artísticas ao longo da História, sobretudo aquelas do período conhecido como o do Renascimento.


Todavia, permite indagação: até onde é lícito que um trabalho de ficção violente a realidade histórica?
Trata-se de filha tardia do iluminismo e do racionalismo exacerbados, aqui considerados como única fonte de conhecimento, sem considerar sequer a possibilidade de utilização de outras formas.

Foi dito que: “....Uma leitura cristã da presente situação cultural não pode deixar de denotar a sua profunda crise, que é sobretudo uma crise da razão. Hoje, muitas pessoas são induzidas a reconhecer somente o papel instrumental da razão, em vista da compreensão científica da realidade em geral e da aplicação tecnológica dos seus resultados, excluindo da sua competência as dimensões moral e transcendente. Deste modo, o homem corre o perigo de renunciar cada vez mais à tarefa de chegar à transcendência, e de propor verdades absolutas, objetivos e valores e normas de caráter incondicionado, postulados pela lei moral natural (...). Há perda do papel da inteligência. ( ...)


O homem do nosso tempo assemelha-se muito ao desafortunado viandante, de que fala a parábola do Bom Samaritano (cf. Lc. 10, 30-37): é despojado, espancado e ferido; deve, portanto, encontrar de novo Deus, seu fundamento, princípio e fim." (João Paulo II, Discurso à Pontifícia Universidade "S. Tomás de Aquino", em 24 de novembro de 1994, L'Osservatore Romano n. 50, edição semanal em português, de 10-12-94, pág 5, 685).
Na realidade, não é imperceptível intenção de reduzir a figura de N. S. Jesus Cristo, já que a tentativa anterior de simplesmente mitificá-lo restou infrutífera.
De certa forma, é a repetição da “Última Tentação”, sobre a qual foi escrito, por Ruy Nunes (“OUTRO FILME BLASFEMO , RUY NUNES – Professor da Universidade de São Paulo, jornal “O Estado de São Paulo”, sexta-feira, 2 de setembro de 1988. p. 2) o seguinte:
“No dilúvio de publicações e filmes que tem inundado o mundo no último quartel do século XX, chama a atenção de qualquer espectador atento a insistência com que se procura atacar virulentamente as pessoas sagradas do Cristianismo, particularmente a do seu divino fundador, N. S. Jesus Cristo, e a de sua Mãe santíssima, a Virgem Maria. Esses livros e filmes blasfemos não podem ser acolhidos por nenhum cristão, sob nenhuma desculpa, já que não passam de dejetos culturais, atentatórios à fé, e lançados ao público sob os clarins de intensa publicidade para suscitar o escândalo, e garantir os lucros de uma corja, não só indiferente aos valores religiosos, como sequiosa de abatê-los e apagá-los da face da terra, enquanto eles se apresentam como expressões da revelação divina feita por N. S. Jesus Cristo.
A mais recente pedra de escândalo, que empunham e atiram em todas as direções os de tratores do Cristianismo, é o filme de Martin Scorsese, A Última Tentação de Cristo, calcado na fantasiosa e ridícula fábula, escrita pelo poeta e romancista grego Nikos Kazantzakis, A Última Tentação, em que o grego fabrica o seu produto novelesco, como um homenzinho completamente cego para a realidade histórica e para o conteúdo da tradição cristã. O leitor ingênuo e curioso, de regra, nem é capaz de fazer a devida distinção entre um livro de reconstrução histórica e uma obra de pura ficção na qual, muitas vezes, o autor projeta, como se fossem fatos inconcussos, as suas idiossincrasias, as suas fantasias quiméricas e absurdas, quando não expõe as próprias manias e perversões. Para o cristão, e para qualquer homem sensato e reto, é inadmissível, blasfema e condenável a molecagem cultural, ultrajante e odienta, de filmes como Je vous Salue, Marie e A Última Tentação de Cristo.
Há mais de cem anos, em 1846, o grande Lacordaire pronunciava na catedral de Notre-Dame, em Paris, uma série de conferências sobre Jesus Cristo. Nas três últimas ele examinou os esforços do racionalismo para destruir a vida de Jesus Cristo, negando-lhe a existência histórica; para desnaturá-la, reduzindo Jesus a um mito; e para explicá-la, tomando-o apenas como um grande homem, o filho mais ilustre da Humanidade. Com argumentação acerada e crítica, munido de farta erudição histórica, e com as luzes da teologia e da exegese, o famoso orador dominicano pulveriza as invencionices e as suposições vãs dos racionalistas, demonstrando que, acima de todos os homens, inventores de sistemas religiosos e de doutrinas filosóficas, tal como Buda, Zoaroastro, Maomé, Sócrates e Platão; infinitamente superior a Moisés e a todos os profetas, alteia-se Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Homem-Deus que afrontou o suplício e a morte infamante para expiar os pecados dos homens, e para lhes restituir a vida divina, perdida pelo pecado original.
Há mais de cem anos, portanto, Lacordaire apontava os desatinos dos racionalistas, ainda hoje esposados por sucessores de variegada laia, que teimavam em negar a existência histórica de Jesus, mas que, ao verificarem a impotência do asserto,o reduziam a um mito. Desmascarado, entretanto, este estratagema, insistiam em medir o Divino Mestre pela sua intima craveira, considerando-o apenas um grande homem que teria aglutinado as concepções religiosas do Oriente, do Ocidente e do hebraísmo. Hoje, ensandecidos pela difusão universal da doutrina de Cristo, e pela constante renovação do espírito de fé, os inimigos de Jesus apelam, principalmente, para o achincalhe, a zombaria e a calúnia, renovando um inusitado espetáculo da flagelação de Cristo. Até mesmo certos palavrosos e ocos terateólogos acham de levar em conta os vitupérios de Scorsese et caterva, ao invocarem a abordagem inédita do aspecto erótico-afetivo da humanidade de Cristo, falando como os que vivem segundo a carne e não segundo o espírito, como diz S. Paulo (Rom 8,1-13).
Jesus é um homem perfeito, em tudo igual aos homens, exceto no pecado. Esse homem perfeito é, ao mesmo tempo, o verdadeiro Deus, o Verbo, e como diz São João: “Tudo foi feito por meio Dele e sem ele nada foi feito". Ele próprio, antes de Abraão e Adão, o Verbo que estava com Deus, presidiu à criação de tudo quanto existe, à concepção e à produção do homem e da mulher. Ao assumir a forma de homem, revelou-se uma pessoa de constituição perfeita e única, de consumado e incomparável equilíbrio psicológico, de harmoniosa conjunção de tendências, afetos, idéias e volições, enfim, um ente único e maravilhoso, que nenhum pendor inconveniente, nenhum desejo irregular da concupiscência pecaminosa poderia tisnar. Homem-Deus, Jesus é inacessível à tentação que assalta o homem fraco e pecador, e, quando o próprio Tentador o assedia, ele o repudia, como soberano Senhor.
Como o declarou Lacordaire, na primeira das conferências sobre Jesus Cristo, ao tratar da sua vida intima, "a ternura de Jesus Cristo, embora sem limites, é de uma virgindade sem mácula". O homem comum deve sustentar um combate ininterrupto para se manter casto no terreno do amor, mas o Homem-Deus não conheceu tal pena, e levava o seu amor num vaso tão puro que O derramou em ondas de sangue sobre os homens de todos os tempos.
Do alto da Cruz, a cumprir os desígnios do Pai, no momento mais sagrado da história humana, o Cordeiro imaculado e sacrificado; sacerdote e vitima, oferece a seu Pai as arras do desagravo a Deus e da redenção dos homens. Da sua inteligência onisciente e do seu coração prestes a abrir-se com o golpe da lança, o Salvador abarcou no seu amor todos os homens e mulheres, o discípulo virgem e a pecadora arrependida, pedindo ao Pai que perdoasse os seus algozes, os seus perseguidores e caluniadores, surdos e blasfemos. “
Assim, a conclusão do grupo foi no sentido de que esses elementos para reflexão fossem examinados e colocados à disposição de todos.


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