O coelhinho Diniz, embora fosse muito feliz, resolveu alargar horizontes comerciais, ou seja, expandir o seu negócio



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Encontro28.07.2016
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CONTO DE NATAL 2006
O coelhinho Diniz, embora fosse muito feliz, resolveu alargar horizontes comerciais, ou seja, expandir o seu negócio.
Habituado que estava a comercializar os seus produtos na semana da Páscoa, como os notabilizados ovos de chocolate (ele que nem era ave produtora de ovos…), por que não iniciar outros produtos que não necessitassem de participação pessoal.
Como primeiro impulso, pensou no Natal. Criou duas mensagens telefónicas dirigidas a públicos-alvos diferentes, uma mais “soft” e institucional e outra mais “hard”, para intimismos personalizados (a inclusão de palavras da cultura anglo-saxónica está na moda…). E, assim, fez circular os seus votos de Boas Festas no ano de 2004.
Como segunda etapa do seu projecto de “marketing” e aproveitando a proximidade da data seguinte do calendário – a Passagem de Ano – tinha que apostar forte, pois o seu principal concorrente, o Peru, já há muito que tinha a sua fatia de mercado controlada e era um adversário comercial de peso.
Nunca se deve desistir dos sonhos (não há numa, vai-se a outra pastelaria…), seja qual for o ramo de actividade. Atendendo a que as crianças hoje em dia já não acreditam na história do Capuchinho Vermelho, muito menos os cerca de 6 milhões de crentes em milagres da Luz, todas as ideias inovadoras poderiam ter eco na sociedade…
O Diniz pensou: se fosse cobra, em vez de coelho, poderia fazer coincidir a passagem de ano com a mudança de pele e, assim, livrar-se-ia da velha e teria uma nova, para o novo ano que se aproximava. Porém, Dezembro não é a altura ideal do ano para trocar o seu quentinho casaco de pele e, como as ideias escasseavam, voltou a pensar no Natal.
Barrete vermelho na cabeça, saco vultuoso às costas, saiu para a rua fria e invernosa. A Brigada de Trânsito não o poupou. Ele soprou, soprou, e com tal volume ficou que pelo ar voou e ninguém mais o avistou. Há quem o consiga ver, na noite de S. João, bem alto, lá no distante firmamento, entre os balões que iluminam o céu.


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