O contributo de Pedro Calmon



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O contributo de Pedro Calmon

Edivaldo M. Boaventura


Na tentativa de reconstruir a vida e a obra de Pedro Calmon, integrei relatos pontuais que manifestam a vontade de prosseguir no caminho para chegar à sua biografia. Biografia intelectual que emergia das comemorações pelos estabelecimento dos principais papéis desempenhados, relações de lugares de memória e postos ocupados.

Na trilha de Pedro Calmon, edição patrocinada pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e acarinhada pela sua presidente, Consuelo Pondé de Sena, com o selo da Quarteto Editora, é um mosaico de ensaios publicados em mais de vinte e cinco anos. Sucede à uma primeira tentativa que reuniu tudo quanto se publicou depois da sua passagem para a região do silêncio.

Ao lado de sua vida pública e universitária, considerem-se a associativa e a privada, como membro de uma importante família. A personalidade de base que sustentou todos esses desempenhos demonstrou um homem generoso no atendimento aos que o procuravam.. Homem íntegro e agregador soube sempre somar com um singular senso de humor. Perguntado se era baiano, respondeu com graça: “sim, sou baiano, modéstia à parte.“ O humor era uma forte disposição de sua personalidade. A polícia que queria invadir a Faculdade Nacional de Direito, por ele dirigida, para prender estudantes, deu um basta ontológico: “ Aqui só se entra com vestibular” Esta é a mais notável de suas respostas instantâneas..

A sua vida partiu da Bahia, ganhou o Brasil, andou por Portugal, pela Europa e pelas Américas, mas voltou, restando sempre em Salvador com a guarda do seu arquivo.

Em uma vida como a sua, é preciso considerar, pelo menos, três vertentes.A primeira interna, íntima, familiar, relaciona os fatos da vida civil, como homem e como cidadão, arrola nascimento, em Amargosa, educação, casamento, filhos, residência e falecimento, no Rio. A segunda, voltada para a profissão, revela cargos, ocupações, papéis e lideranças assumidas. A terceira e última referência é a obra intelectual produzida ao longo da existência.

Escrever sobre Pedro Calmon é uma tarefa desafiadora em face de um erudito múltiplo com larga produção.Homem-oceano de extraordinário talento canalizado para a construção de significativa obra que encontra sua unidade na história.Na história, sim, por ele cultivada desde muito cedo e até o final da vida.

A opção pela história é o ponto fulcral em torno do qual giram o escritor, o professor, o administrador acadêmico, o político e o orador. É certo que o seu espírito estava prenhe de história. Ele viu o mundo pelas virtualidades da história desde as primeiras manifestações juvenis, pelas personalidades que biografou, pelos heróis de sua ficção, pelos estudos monográficos e pelas sínteses que construiu.

Para tanto, são necessárias as fontes, que indicam lugares, cargos e instituições onde ele viveu, ensinou e trabalhou. Os postos ocupados assinalam o itinerário e indicam documentos, vestígios, impressões, publicações. Em alguns, há a continuidade administrativa do servidor público, em outros, existem a presença do frequentador com intermitência e transversalidades dos papéis exercidos.

Um dos primeiros cargos políticos foi o da representação parlamentar, na Assembléia Legislativa da Bahia de 1927 a 1930. Ele foi relator da reforma da primeira Constituição baiana de 1891. Essa experiência legislativa estadual teve profundas influências nas teses que o conduziram à cátedra de Direito Público Constitucional e de Teoria Geral do Estado, na Universidade do Brasil. Com a revolução de 1930, perdeu o mandato de deputado estadual, retornou ao Museu Histórico Nacional. Prosseguiu, depois, como deputado federal, professor, reitor até ministro da Educação e Saúde.

O seu corpo ficou no Rio, mas o seu espírito sempre esteve na Bahia, Pedro Calmon Filho


+ Lançamento do livro “Na trilha de Pedro Calmon”, de Edivaldo M. Boaventura,

no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Av. Sete de Setembro 94-A, Piedade, Salvador, dia 10 de dezembro de 2010, às 18h


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