O cruzeiro



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MULHERES BRASILEIRAS NOS CAMINHOS DE SUA HISTÓRIA:

ANÁLISE DE IMPRESSOS ESCRITOS DA REVISTA

O CRUZEIRO” – VESTÍGIOS DE SUA REPRESENTAÇÃO1

Jorge Luiz da Cunha - UFSM2

Carine Martins Godoy Torres Frasson - UFSM³

Cinara Dalla Costa Velásquez - UFSM³

Gabriel Belinazo - UFSM ³

Líndice Martins da Rocha - UFSM³

Luana Dettmer Cabreira - UFSM3



RESUMO
Temos como objetivo geral deste trabalho fazer uma reflexão com relação à história da mulher na sociedade brasileira nos anos 50 do século XX. Essa reflexão visa como a mulher era representada na sociedade e como a mesma é representada nos dias de hoje, entende-se essa representação com relação à questão de gênero, cultural, escolar e as normas de civilidade que instituía a comunidade da época dos anos 50. Dessa maneira fizemos uma comparação das normas de civilidade da época dos anos 50 com as normas instituídas pela sociedade de hoje. As reflexões foram feitas através de análises da revista “O Cruzeiro” do ano de 1953, na seção “Da mulher para a Mulher”, nesse espaço as mulheres escreviam para a revista para tirarem dúvidas a respeito do comportamento feminino. A autora das respostas dadas as mulheres que escreviam a revista se chamava Maria Tereza, que respondia as mulheres o que para a mesma e para a sociedade da época seria o ideal de comportamento feminino e ideal de felicidade. Maria Tereza aconselhava as mulheres a se privarem de seus desejos e anseios para o bem estar dos seus maridos, elas tinham apenas que fazer as vontades dos maridos e cuidar de seus deveres como donas de casa. Vemos, portanto que a mulher era ditada pela sociedade apenas como um sujeito que tinha deveres domésticos e matrimoniais a serem cumpridos, ela não tinha direito de escolha e nem de opinião, apenas deveria cumprir com deveres de esposa, mãe e doméstica. Porém percebemos no decorrer da pesquisa que muitas mulheres não estavam satisfeitas com a maneira em que eram vistas e anuladas pela sociedade, e algumas escreviam para a revista com certa indignação, porém sempre em forma de pergunta, em busca de aconselhamento sobre alguma situação em que a mesma se encontrava no momento.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Este estudo traz uma reflexão da história das mulheres na sociedade brasileira dos anos 50 do século XX e como eram representadas em textos ordinários. A percepção desta representação foi realizada através da análise de textos divulgados na revista “O Cruzeiro” na seção “Da Mulher para a Mulher”, observando as normas de civilidade que instituía a comunidade da época, especificamente, a vida das mulheres.

Percebemos através das análises a posição que as mulheres ocupavam na família e na sociedade brasileira, na década de 50. Realizamos então uma comparação com os dias atuais, pensando-a como sujeito de seu tempo, suas limitações, desafios, e possibilidades, ditadas através de uma sociedade que impunha as mulheres o que era o significado de felicidade.

As análises que se fez da revista “O Cruzeiro” foram das seguintes datas: 21 e 28 de março e 4,11 e 18 de abril do ano de 1953, seção “Da Mulher para a Mulher” um espaço em que as mulheres escreviam para a revista. Com o intuito de esclarecerem dúvidas sobre o comportamento feminino.

ANÁLISE DE IMPRESSOS ESCRITOS DA REVISTA “O CRUZEIRO”
Quem respondia as cartas chamava-se Maria Tereza. As mulheres perguntavam-lhe, como deveriam se comportar em determinadas situações, e que atitudes e comportamentos deveriam seguir.

Percebemos através das leituras que as mulheres eram representadas apenas como donas de casa, mães e que sua “função” era cuidar da família e da casa. Zelando sempre para o bem estar de todos.

Muitas vezes, as mulheres, eram aconselhadas que não se importassem com seus pensamentos, opiniões e sentimentos. Mas que fizessem sua família feliz. Cumprindo seus deveres como mulher, mãe e esposa. A luta das mulheres por autonomia e igualdade só inicia nas décadas de 60 e 70. Buscam refletir sobre os espaços de sua valorização e desvalorização e das normas de civilidades ditadas pela mídia e através de revistas femininas.

Sabemos que a busca das mulheres por independência e autonomia é uma luta antiga e ao mesmo tempo pouco reconhecida. Através das leituras da revista,percebemos que as mulheres que desejavam ser independentes, eram muito criticadas. Eram desvalorizadas em diversos meios de seu convívio, pois eram vistas para o casamento, procriação e etc., não tinham voz ativa para nenhuma decisão.

Percebemos que, ainda na sociedade atual, a mulher continua em busca de maior valorização, independência e autonomia. A revista “O Cruzeiro” trazia, em seu discurso impresso, na seção “Da mulher para a mulher”, o ideal de felicidade. Através dos conselhos dados por Maria Tereza, era recomendado às mulheres que, se tivessem um bom marido e filhos/as, deveriam se considerar uma pessoa feliz. O relacionamento conjugal era o resultado de felicidade.

Na primeira seção lêem-se diferentes conselhos, prescrições e recomendações. Como deveriam agir com o marido e no seu comportamento na vida conjugal. Sempre dando razão ao marido e valorizando-o em todos os momentos. Vemos um exemplo, de um comportamento esperado para uma mulher dos anos 50.

Na sociedade a qual vivemos hoje podemos identificar, embora não tão explícitas expectativas deste tempo, arraigados na linguagem e nos gestos. Marcas culturais que permanecem nos discursos e na construção das identidades de gênero das mulheres, principalmente em relação ao casamento.
Ama-o desde o dia do casamento.

Desde a lua de mel estuda-lhe o caráter.

vires aborrecido, distrai-o.

Se quer brigar, evita-o disfarçadamente ( quando um não quer, dois não brigam...).

Se esta desanimado, dá-lhe coragem.

Se é um intelectual, não faça barulho quando estiver trabalhando.

Se tem tendências para beber, experimenta, com teu carinho, afastá-lo do vício.

Nunca te mostres superior a ele.

Nunca lhe demonstres os teus ciúmes.

Nunca lhe perguntes o que esteve fazendo para chegar tão tarde.

Nunca o censures na vista de amigos e de criados.

Nunca o desautorize quando ele repreender os filhos; se houver injustiça aconselha-o, depois, à parte.

Nunca sejas desleixada, deixando de te enfeitares.

(Educação Physica, n. 51, 1941, p. 21 apud GOELLNER, 2003 p. 80).


Maria Tereza4 responde a uma das leitoras intitulada “esposa Angustiada5”, que ela é feliz, embora a moça relate a revista que ela teria aparência de uma pessoa feliz, porém era o contrário. A autora diz que o caso da moça seria algo patológico sendo que “o marido é um homem de bem, os filhos são normais, economicamente estão bem” (O Cruzeiro, 1953, p. 55), percebe-se nesse exemplo que de acordo com o ideal de felicidade da época a moça não teria motivos para ser infeliz, pois tinha uma família bem estruturada, onde cumpria com seus deveres domésticos e podia cuidar dos filhos.
(...) a maternidade, o casamento é retrato como um acontecimento natural, como também são naturalizadas as relações, as tarefas, as expectativas e as satisfações de esposos e esposas. Afinal, preservar o casamento significa, também, neste contexto econômico e social, preservar a higiene social e a ordem pública. E a mulher pode e deve contribuir de forma eficiente para que assim aconteça. (Revista Educação Physica apud GOELLNER, p. 79-80).
Vemos então, que Maria Tereza, aconselhava as mulheres de privarem-se totalmente de seus desejos e anseios para satisfazerem a vontade do marido e cumprirem com os deveres de dona de casa e esposa. Portanto, casar era um dever, uma obrigação, se não cumprissem, com tal expectativa seriam mulheres infelizes. Como comenta Foucault (1997, p. 18): “casar-se, (...) não se concerne a um “valer mais”; casar-se é um dever”.

Através das leituras notamos que as mulheres, também se preocupavam com a questão da igualdade de direitos. A autora explica às mulheres que já podiam se considerar privilegiadas por estudarem nas mesmas escolas dos homens, e por seus deveres familiares.

Alertava para o fato de que, ao exigirem a igualdade de direitos perderiam privilégios. Como o de ficar em casa cuidando dos filhos. Nesse contexto vemos que a “profissão” da mulher, neste contexto da década de 50, era o casamento. Suas vidas eram planejadas para o matrimônio e para a felicidade de seus maridos e filhos/as. Para os homens lhes importava a beleza de suas esposas e que lhes dessem filhos/as belos e saudáveis.
“O homem deve à sua mulher proteção, ao passo que ela deve a ele respeito e obediência. (...) estabelece o regime de assimetria entre os gêneros, atribuindo-se ao dominador a função de proteger enquanto se relega ao submisso a explicita ordenação da obediência e sujeição” (Olivera, 2004. p. 66).

Vemos, assim, como a mulher era inferiorizada em relação ao homem, dominada pelo mesmo e por seus desejos e vontades como marido e etc.

Nesse contexto de normas a questão da beleza é fortemente marcada para as mulheres. Além de serem donas de casa, mães e esposas ainda deveriam ser belas, pois as mulheres que eram consideradas feias, para essas, era mais difícil conseguir um marido por isso precisavam explorar muito suas qualidades.

Maria Tereza aconselhava as mulheres consideradas feias que deveriam investir em suas qualidades como no humor, por exemplo, pois o humor conquistava as pessoas.

Contudo há a desvalorização da mulher em todos os aspectos nas respostas dadas a elas por Maria Tereza. Na seção “Da Mulher para a Mulher” na revista “O Cruzeiro”, a mulher mostra-se, portanto, através da dominação masculina.

Em 1953, percebemos vestígios desta desvalorização. Assim, acreditamos serem relevantes e pertinentes essas análises e estudos sobre as mulheres e suas construções com relação às normas de civilidade. Dessa maneira, poderemos construir um histórico da luta das mulheres pela construção de sua liberdade que, hoje nós podemos representar sob outra perspectiva. Quem sabe mais próxima da dignidade humana, que nos torne tão capazes e dignas como os homens, nem melhores ou piores, mas respeitadas nas nossas diferenças.



REFLEXÕES DE GÊNERO NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS
Falar da mulher brasileira é falar de várias identidades. Étnica, cultural, religiosa e profissional. Identidades que se constituíram ao longo da História, em diferentes espaços e tempos culturais e sociais.
“[…] o sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas [“…]”. (HALL, 2006, p.13)
Analisar a constituição da mulher brasileira buscando nas veredas de suas trajetórias, nos leva a refletir como e de que forma ser mulher, na sociedade brasileira, se formou nas sombras de sua representação, do desejo intencional que a cultura e a História lhes atribuíram um “jeito de ser mulher”.

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher” (BEAUVOIR, 1967, p. 9) com essas palavras Beauvoir, nos provoca a repensar o destino que a sociedade e a cultura predestinou às mulheres. Pensar a história das mulheres é como vagar em mundos distantes e perguntar ao passado por onde andaram os sujeitos femininos. Como fala (PERROT, 2005, p.427) “[…] As mulheres têm uma História? Essa História é possível? […]”.

Assim como a História das mulheres em sociedades diferentes, a história das mulheres brasileiras, também, é recortada por desejos de vozes e falas, perdidas em um tempo distante… muitas vezes velada em diários, em cartas pessoais… suas histórias como diz Perrot
“[...] são mais imaginadas do que descritas ou contadas, e fazer a sua história é, antes de tudo, inevitavelmente, chocar-se contra esse bloco de representações que as cobre e que é preciso necessariamente analisar, sem saber como elas mesmas as viam e as viviam [...]”.(PERROT 2005, p.11)
É necessário refletir nossa civilidade, entendida aqui na análise de (ELIAS, 1994), como a regulação de comportamentos, controle dos desejos. Processo civilizador onde se instaura uma rede de censuras, refletindo nos comportamentos, nas emoções e manifestando-se no coletivo.

O processo civilizatório dá-se de forma lenta, com uma longa duração histórica. Esse processo consegue adentrar nas subjetividades de homens e mulheres, fazendo-os introjetar desejos, representações, têm-se a normatização e as regulações.

Essas “marcas” que internalizamos são analisadas por Foucault (1979), que introduz uma análise para os comportamentos de homens e mulheres, principalmente a partir da modernidade. Buscando compreender como essas normatizações e comportamentos são constituídos.

Trazendo à discussão o deslocamento do político. As análises das relações sociais, culturais e históricas passam, também, a se constituir em reflexões de relações de poderes que atravessam discursos. Essas, reguladas pela própria vida. Como se refere Foucault (1979) tem-se agora o biopoder pairando sobre nossa constituição humana, ou seja, a vida é regulada pelo poder. E, é à luz dessas tramas, tecidas à luz da história e das culturas que os sujeitos dão-se a conhecer como corpos normatizados e dóceis. (FOUCAULT, 1979).

Nessa teia, as mulheres esmaecem como sombras atrás de um palco, onde o masculino e seu poder regulam suas vidas. Sua presença está na sala de estar como fala Virginia Woolf em seu ensaio “Um Teto todo seu”, escrito em 1928.

São categorias que devemos refletir para compreendermos como em tempos e espaços diferentes as sociedades humanas produzem discursos e de que formas essas subjetivações nos constroem, enquanto sujeitos construtores de História.

Compreender as relações de gênero traz uma discussão pertinente na abrangência da cultura escolar, que deve ter o compromisso com os sujeitos que constroem as relações de ensinar e aprender. Visto que a educação é um processo plural, multifacetado e polissêmico (BRANDÃO, 2002).

Falar em identidades de gênero no espaço escolar da sala de aula leva-nos a buscar a compreensão de nossa formação e nossa construção como mulheres e homens.

Ao longo da cultura e da História construímo-nos homens e mulheres (Scott, 1990), nossas relações, tanto no espaço privado ou público, são reguladas por normas que incidem por comportamentos que nos moldam, nos regulam, que nos normatizam e que muitas vezes, trazem discriminações, desigualdades e violências.

O espaço escolar é um contexto de relações que se dá na socialização, interação e na afetividade com o outro. A educação é a criação de vários cenários, aprender é participar de vivências culturais, é reinventar a si mesmo (BRANDÃO, 2002).

Essas vivências e trocas nos constroem, nos constituem como mulheres e homens. A escola, dessa forma, passa também a ser um lugar que produz e reproduz culturas, valores, normas e que muitas vezes torna as relações desiguais e discriminatórias.

Pensando sob essa perspectiva, os estudos de gênero ganham importância para que venham a desvelar relações autoritárias e que traz um objetivo claro de discussão: o conhecimento e a negação, questionando padrões de atitudes e comportamentos definidos, já introjetados e internalizados como naturais (LOURO 1998).

A prática educativa traz para a discussão a relevância dos professores/as que estão no espaço de formação. Faz repensar o papel que assumem como sujeitos desse processo do ato de educar e aprender. E de que forma podemos assinalar com novos olhares para a transformação de modelos rígidos que se estabeleceram, ao longo de processos culturais, sociais e históricos. Em que se ocorrem relações mulheres/homens de forma que excluem, oprimem e violentam a dignidade humana.

A categoria de análise de gênero através dos estudos introduzidos no Brasil por Scott (1990) revela que as relações sexuais e afetivas são construídas e não são naturais. Em suas vidas mulheres e homens relacionam-se, através de valores e comportamentos que se constituíram através do tempo e de um espaço.

Muitas vezes, a construção que a cultura, a sociedade e a História atribuíram à mulher lhe confere, também, a desigualdade, a incapacidade, a inferioridade, a fragilidade e que traz à discriminação, retirando-lhe sua dimensão e condição humana.

Dessa forma, a escola e seus sujeitos da educação, na sociedade contemporânea são chamados à discussão, pensando novas abordagens sobre a questão da sexualidade. Revisitar práticas, comportamentos e conceitos, faz com que busquemos em novos paradigmas, outras práticas possíveis. Afastando das práticas educativas modelos que se mostraram impraticáveis e autoritários.

Em muitas práticas escolares persistem ações não dialógicas, marcadas por relações autoritárias contribuindo para a ausência do refletir no campo da sexualidade. A escola reflete comportamentos e construções da sociedade. Sociedade essa que preconiza modelos aceitos pela maior parte das pessoas, até de forma inconsciente, muitas vezes. Há regras, a normalidades, o aceitável, em que se constrói mulheres e homens, com padrões de masculinidade e feminilidade entendidos como uma expressão sadia, legítima e normal de sexualidade.

Desviar-se desses “comportamentos normais”, para vivenciarmos, outras formas possíveis de sexualidade é tornar-se uma mulher e um homem, que sai do centro, que se desvia, mostrando-se excêntrico na sua sexualidade e nas suas práticas sociais.

Dessa maneira, a escola e seus agentes de educação devem se preocupar em contemplar em seus currículos as histórias de vida e práticas de seus alunos(as) para que não sejam tratados como “diferentes” ou “não-normais” pela própria escola. Reforçando, na institucionalização formal, os discursos discriminatórios construídos em outros espaços da sociedade.

A falta de discussão em torno da sexualidade e do gênero, vem dos discursos de quem tem posição de autoridade e que legitimam práticas normativas dentro de um comportamento desejado “normal” e que desenvolvem comportamentos desejáveis e aceitáveis (LOURO, 1998).

Quando falamos em educação emancipatória, logo pensamos em meninos e meninas, mulheres e homens que nos espaços de educação e das práticas educacionais, possam expressar-se sob uma perspectiva de educação que contemple um espaço para a humanização. Escola e educação que encontrem novos caminhos e novas posturas e que sejam possíveis outras práticas educativas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da análise da revista “O Cruzeiro” da seção “Da Mulher para a Mulher”, e mais especificamente das perguntas e das respostas que constituíram tal seção, podemos estabelecer uma relação com o espaço escolar e as diferenças de gênero presentes na educação da época. A manifestação dessas mulheres, através das cartas, referindo-se, prioritariamente, ao modo de ser mulher – mãe e esposa – na relação com a sociedade é reflexo, também, de uma educação em que a imaginava predestinada ao casamento e a maternidade. Expectativas já construídas no espaço escolar e re-afirmadas por textos não-escolares.

Percebemos, portanto que é de suma importância refletir sobre a história da mulher como um todo, em sua vida familiar e nos espaços escolares. Pois é através de reflexões como essas que poderemos compreender mais sobre a mulher nos dias de hoje, pois vemos que muitas práticas nos espaços escolares permaneceram iguais as do passado. Além disso, a educação deveria servir como meio não só de reprodução e continuidade das relações sociais, mas também como um incentivo a reflexão crítica para possíveis transformações, ou seja, a educação deveria ser geradora de autonomia.



Pretendemos, assim através de reflexões como essas percebermos nos espaços escolares práticas nas quais possamos ver acolhidas todas as identidades culturais e grupos sociais, em que educação e escola sejam espaços da realização humana de meninos e meninas, de mulheres e homens respeitando suas diferenças e fazendo dessa diversidade um diálogo possível. Uma sociedade que reconheça a mulher, nem melhor nem pior que o homem, mas respeitando ambos com suas diferenças, e particularidades que o são tão importantes para a sociedade.

REFERÊNCIAS
BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo: A Experiência Vivida. Trad. Sérgio Milliet. Vol 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 09.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Cultura: o mundo que criamos para aprender a viver. In Educação como cultura. São Paulo: Mercado das Letras, 2002.
ELIAS, N. O processo civilizador. v.1. Uma história dos costumes. Rio de Janeiro, 1994.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização. Introdução e Revisão Técnica de Roberto Machado, graal. Rio de Janeiro, 1979.
________________. A mulher / os rapazes – da História da Sexualidade. RJ: Paz e Terra, 1997.
GOELLNER, Silvana Vilodre. Bela, maternal e feminina: imagens da mulher na Revista Educação Physica. Ijuí, Ed. Unijuí. 2003 (Coleção Educação Física).
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
LOURO, Guacira. Segredos e mentiras do currículo. Sexualidade e gênero nas práticas escolares. In: SILVA, Luiz H., org. A escola cidadã no contexto da globalização. Petrópolis: Vozes, 1998.
PERROT, Michelle. As mulheres ou os silêncios da história. EDUSC, São Paulo, 2005.
REVISTA O CRUZEIRO, Seção “Da mulher para a mulher”, página 55, ano XXV. Rio de Janeiro. 21 de Março de 1953.
SCOTT, Joan. “Gênero, uma categoria de análise histórica. In: Educação e realidade. V16, Nº.2, Jul/Dez 1990. Tradução de Guacira Lopes Louro. Porto Alegre.
WOOLF, Virgínia. Um Teto Todo Seu. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
OLIVEIRA, Pedro Paulo de. A construção social da masculinidade. Belo Horizonte: Editora UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2004.


1 Artigo decorrente do projeto “Saberes impressos imagens de civilidade em textos não-escolares: composição e circulação (décadas de 50 a 70 do século XX) desenvolvido pelo Núcleo de Estudo sobre Educação e Memória – Clio/UFSM e coordenado pelo Prof. Dr. phil Jorge Luiz da Cunha. Esta pesquisa faz parte de uma parceria entre UFSM, UFRGS e UDESC. A proposta geral destas três IES intitula-se “A Civilidade em Vários Tons” coordenada pela Profª. Maria Teresa Santos da Cunha da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

2 Orientador: Prof. Dr. phil do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM/RS.

3 Integrantes do Núcleo de Estudo sobre Educação e Memória – Clio – UFSM/RS.

4 Autora das respostas as cartas enviadas para a seção “da Mulher para a Mulher” da revista: O Cruzeiro.

5 Carta retirada da seção “da mulher para a mulher” página 55. O Cruzeiro, número 23, de 21 de março de 1953.



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