O dia do juízo que acaba ao contrário



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O DIA DO JUÍZO
O dia do juízo que acaba ao contrário
O ponteiro dos minutos que diz não,
Que corre velozmente para os segundos.
Intensos cheiros nauseabundos
Do tempo que volta atrás sem emoção,
Representação da vida num triste cenário.

Soam os tambores no clamar da guerra


Erguem-se as espadas sobre os decepados
Com suas almas rodopiando no espaço,
A olhar uma coluna que marca passo,
As moscas sobre seus corpos desmanchados,
O horizonte que se desmancha ao fundo, na serra.

Duas moedas de ouro nos olhos,


Pagamento do cadavérico barqueiro.
O medo que corrói o busto tremido,
Que recorda impávido o tempo vivido,
O erro feito, um desgosto verdadeiro.
Nas margens membros... aos molhos.

Pilhas de ossos que gritam a história,


Os feitos deste e daquele que foi seu dono,
Com palavras que pesam nas águas do rio
Cantadas numa melodia que traz o frio,
Que nos traem o olhar, nos faz sono.
O esquecimento, a traição da memória.

Seres bicéfalos que barram a saída,


Monstruosidades que obrigam a desconfiar,
Por entre caminhos de areias movediças
Ladeados por pecadoras noviças
Que um dia, por excesso de fé, souberam amar,


Que um dia foram Eva e fruta proibida.

Mesquinhez desses senhores de tudo


Que controlam a vida que nada vale,
Que deixam viver e que se matem
Cães vadios que felizes correm e latem
Toda a existência que nos faz mal.
Homem que tanto fala, mas é mudo.


DECLARAÇÃO
Fixo a distância que nos separa,
Sinto-a, de dia para dia, a aumentar...
Sei no entanto que estamos tão perto
E que este nosso amor vadio é certo,
Sonho a vontade de te abraçar
De ficar contigo cara a cara.

Finto esta vaga melancolia,


Este medo de te sentir triste,
De chorares por quem te não quer.
Deixa-me ser tua vontade de viver,
O abraço que nunca sentiste,
O encher da tua noite vazia.

O passado amaldiçoou-me o sentimento


Fez de mim um erro, um mau amante
Um caso perdido neste longo deserto.
A felicidade que eu em ti desperto
Faz-me sentir cavaleiro errante...
Procuro-te... espero o meu momento.

Menina dos olhos cor de água


Que dás vida a quem vês passar,
Que a quem tocas pões um sorriso...
Tu que sabes o que eu preciso
E que me dás asas para voar,
Deixa beijar-te, apagar tua mágoa.



Ouço o silêncio que nos envolve,
O bater solitário do meu coração
Enquanto o teu corpo me abraça.
O tempo louco que passa
Sem sentir calor na paixão...
Que tudo perde e nada devolve.


TEMPOS
Do conforto dos teus braços
Retiro a loucura do meu lado
Qual tempestade em mar revolto,
Tentativas vãs em esforços escassos
De um ser selvagem jamais domado
Feito pássaro sobre as ondas… solto.

Teias de uma vida nunca acabada


Levemente temperada com sabor amargo,
Frente a espelhos reflectindo verdades
A par dos sons da servil harpa tocada…
Tudo assim, como um intrincado encargo
Que nada mais comporta senão vaidades.

As crenças que explicam tanta fé,


Todo este desejo de não acreditar,
Olhar o absurdo como algo maravilhoso,
Milagres… quando não se sabe o que é.
Amar, amar sem parar de amar,
Tanto amor em pecado, amor vaidoso.


VERTICALIDADES
Onde quer que esteja
Não estou onde quero estar
Desejo só que ninguém veja
Esta vida que estou a levar.

Quarto escuro,


Uvas pisadas para bom vinho...
Essências do pensamento puro,
Reminiscências de me sentir sozinho.

Quero ouvir o que sonhas,


Uma vez só que seja
Embalado num quente abraço.

Evito encontrar o destino,


Secretamente me escondo ali
Temente de um medo maior,
Esperando conhecê-lo de cor...
Jardins e paraísos que nunca vi.
Alma delicada... de trato fino


ROSAS E CARDOS
Sinto as pernas a tremer,
O chão imperfeito a fugir,
O cabelo a ficar grisalho...
Rugas de riso e trabalho,
A vista a diminuir,
Todo o corpo a desfalecer.

Finto a morte que espreita


E as chamas que consomem a vida,
Vento que atiça a fogueira,
Espinhos que tapam a roseira.
Olho o horizonte em tons de despedida
Desta existência que se enjeita.

Um último salto para o abismo...


Pensado, ponderado, arriscado,
Fito o nome escrito na lápide
O fim mórbido que ninguém decide...
Olhar turvo, apagado
Nestas páginas de eufemismo.

Rosas que brotam dos escombros


Ladeadas de rezas pueris,
Regadas com sangue inocente
Derramado pelo homem intolerante,
Lendas numa história que condiz
Com o simples encolher de ombros.


PRISÃO DE SENTIDOS
Nesta prisão carregada de sentidos
De paredes e grades, em que envelheci
A ouvir os rouxinóis entre a folhagem,
Sinfonias de compositores desconhecidos,
Bandas sonoras dos filmes que não vi...
Mundos feitos à minha imagem.

Sussurro às pedras deste meu chão


Que nem vejo nem sinto...
Recordação dos tempos idos,
A alegria contagiante do meu irmão
À lareira, um copo de bom tinto,
Despiques de xadrez divididos.

Tento abrir os olhos... para nada,


Ouço o respirar ofegante de quem passa,
Cheiro o ar que nos faz definhar,
Apalpo uma lágrima chorada...
Tristeza que apaga a felicidade escassa
A vontade de voltar a amar.

Conto desordenadamente as horas,


Não sei se é noite, se é dia,
Primavera sem andorinhas…
Sinto agora o calor, quando coras
Essa tua vergonha vadia,
As tuas mágoas que são minhas.



Invento o olhar do Sol e da Lua,
O sorriso eterno daquela estrela,
O voar delicado da cegonha
Imperatriz de imponência só sua,
A guardar o ninho qual sentinela
Que dorme… sonha.


CONVERSAS I
Sempre a alma desperta
O coração acelera, a mão treme,
As palavras deslizam dos meus dedos
Dedos que desenham letras com a caneta
Só quando o sinto é que escrevo
E sempre que escrevo... sinto!
Imposições não são perfeições
O sentimento poético é perfeito
Faço tudo com amor e por amor seja lá o que o amor for
O amor que é tudo aquilo que receamos
Que achamos poder correr mal
Sofro muito... porque não vejo dentro das pessoas o amor
Não esse amor fingido que dou sem medida
Mas aquele amor, dádiva sem medida...
Sofro porque são os fracos de espírito
Esses que não deixam abrir-lhes o coração
Há coisas tão belas... ! Eu sou tão frágil!
O teu sofrer teme a distância
Nunca escondemos o barro de que somos feitos
Se lágrimas não houvesse todos seríamos cegos
Choro tanto!
Deixa-me ser eu a secar as lágrimas que te lavam a face
Dizem que as lágrimas purificam a alma…
Já chorei tanto, choro ainda...
Já não será pura o suficiente?
Choras de tristeza e clamas alegria
Encontro explicação para tantas lágrimas
Choro pelos Homens, pelo mundo...
Quando estiveres comigo dá-me um abraço
É sempre tão aconchegante
Imagino-te severa... severa contigo própria.
Alma de quem procura a razão
Sou doce... tranquila, humilde... sou eu...
Severa comigo própria é certo
Tudo se resume a uma simples palavrinha....
No entanto uma palavrinha tão complexa
Vês amor na minha face
É paixão que sentes, vejo-o em teus olhos
Paixão sinto-o às vezes o amor trago-o sempre
Paixão canto eu ás vezes o amor é a melodia
Paixão trai-me por vezes o amor eterno companheiro
Expressivo esse teu olhar de espanto... ou medo?
Escuta o teu coração... ouve o que ele diz...
A verdade está escondida em ti,
A resposta em ti está...
Procura-a nos teus olhos, dentro de ti
Tudo o que sou é apenas os olhares que me entregam,
O sentimento que me entregam,
Os toques que me dão, a vida que me dão...
Sou feita de momentos partilhados por outros


AMANTES
Frases que dobram a Lua
Num singelo movimento.
Mulher no rio…nua,
Beleza de um momento.
Pele macia como a tua
Terna brisa de vento.

Descoberta estás


Em fantasias dos boémios.
Olhos que se regalam onde vás
Miram teus contornos como prémios,
Creio nas juras que me dás,
Em nossos pensamentos gémeos.

Dinheiro que não paga o prazer,


Teu sofrimento sofro eu,
Esse desejo forte de te ver
Como algo só meu.
Amar contigo… viver,
O prazer que a vida me deu.

És apaixonante e sequiosa


Diabólica e bela,
Mulher eternamente misteriosa,
Razão de querela,
Por demais fogosa…
Amor à luz de vela.



Mulher de rua, de vida e de morte,
Animal selvagem, imparável e louco,
Perdido me deixas, aqui sem norte,
Com tudo o que sei… pouco!
Desejo tudo o que me espera, além da sorte,
Dou-te a vida, sem pedir troco.


DIAS
Não ouses jamais cantar a minha hora
Ao sentires o insistente repicar dos sinos,
Recorda para sempre as palavras escritas
E as passagens mais bonitas
Do brincar alegre dos meninos,
Do silêncio que não me deixa ir embora.

Gargalha graciosamente neste dia grotesco


Que alimenta essa demente alegria,
Essa energúmena fraqueza mundana,
Ópio que te suga a essência humana.
Tu! Ser rastejante da longínqua periferia,
Disforme, monstruoso... dantesco.

Devolvo para ti as pragas maldizentes


Aquelas que te conspurcam a impoluta alma,
Desejo-te o limbo para a eternidade,
Sem nunca esquecer quão bela amizade,
Os teus conselhos que me trouxeram a calma,
Todos aqueles momentos de crises deprimentes.

Aconchegaste-me com histórias de embalar


Com o carinho próprio de quem gosta sem interesse,
Com esse teu terno olhar perdido e distante
Que afastei como se fosse algo repugnante,
Como se o todo o mundo me pertencesse.
Tempestade que me baralha nesta vida virtual.


2007
Dou-vos todos os dias do ano,
Tudo aquilo em que haveis sonhado,
Fim de guerras, desses conflitos impossíveis,
Vida livre do cigano,
Raiva do homem enganado,
Paz assinada em papéis invisíveis.

Dou-vos as terras e os campos do mundo,


Arados para as desbravem e cultivem,
Bestas para que não sofram como os vossos avós...
Limpo-vos os pecados do pensamento imundo,
As dívidas daqueles que vos devem,
O vosso medo atroz.

Dou-vos voz e poder sobre a vossa vontade,


Sepulto-vos na vossa modesta ignorância,
Na estupidez que sempre me acompanha.
Entrego-me a vós, donos da verdade,
Senhores e doutores da ciência...
Ditadores de democracias sem vergonha.


ALMA
Memórias do passado
Que o tempo não esconde,
Num emaranhado imenso
De promessas carregado,
Vindo não se sabe de onde,
Mas tão forte, tão intenso.

A vida deste navegador,


Varão de talhe fácil, voz sincera,
Perdulário e agastado,
Cheio de dor, feliz, animador,
Flutuando nesta quimera,
Um senhor, pobre coitado.

Homem de alma que luta a tristeza,


O tempo… chuva, Sol e mágoa,
O sonho que se entorna em lágrimas
De sabor a mesquinhice e frieza,
Água e terra, terra e água,
Ideias parcas, ideias ínfimas.

O troar dos céus, voz do tormento,


Sobrevoa o mar em cavalos alados,
Qual misticismo de vida sombria,
Assalta-me em tom de agradecimento
Ao lembrar hordas de derrotados,
Sabendo que sua vontade se cumpria.

Será minha a vida que saboreio,
Quando vejo o velho horizonte,
O eterno oceano sanguinário?
Que doce é ela quando a semeio,
Quando amada junto da fonte,
Sonho real e imaginário.

Aclamo a morte num mar de entulho


Para que chore piedosa os que levou,
Para sempre guardados em suas ondas,
Será este o meu motivo de orgulho,
O de conhecer quem matou e não chorou,
Vem a mim vernácula, não te escondas.

Velhos velhacos batendo cartas,


Reis, Damas, Duques e Valetes,
Desconfiança, sorte, crianças,
Pessoas que sofrem, ficam fartas,
Nações fortes, outras valentes…
Saudades, vontades, meras lembranças.




Chegamos ao grande final
Sempre a esquecer como começou,
Esquecendo os erros fatais,
Viver ou acomete-nos de proeza igual,
Reviver a orgia que nos assombrou,
Que nos varou a nós e a nossos pais.


VIVER
Sem medo não te respiro,
Sem respirar não te vivo,
Sem viver não te penso,
Sem pensar não te sonho,
Sem sonhar não te amo,
Sem amar não te sinto,
Sem sentir não te vejo,
Sem ver sinto medo,
Respiro,
Vivo,
Penso,
Sonho,
Amo,
Sinto,
Vejo.


MEDOS
Despeço-me da morte em vida
Que me trespassa como se fosse vento,
Um suspiro que me eleva o olhar
Para te ver assim... despida
Recordar sempre, a qualquer momento,
Sonhar, ouvir, saber esperar.

Espero por alguém desconhecido,


Vejo a sua silhueta entre o nevoeiro,
Desespero pela tua existência,
Pelo tempo esquecido,
Neste barco em que sou timoneiro,
Luto ofegante contra a demência.

Soltam urros as bestas do passado


Que espezinham a tristeza e a saudade,
A dor que um dia foi prazer.
Vê-se o futuro no sangue derramado
A mentira tornada verdade,
Pedras frias num corpo a tremer.

Procuro-te e não te encontro,


Escondo-me na sombra que nos consome
Que nos faz amar por sermos diferentes.
Sinto-me aberração, um monstro,
Mártir numa causa enorme.
Terra lavrada de choro, sementes.



Calos nestas mãos de sacrifício
Que contam histórias bizarras,
Os dedos que já não se endireitam,
A luta que se torna um vício,
Gritar para quebrar as amarras,
Ter medo dos que me enjeitam.


MARGARETE
Musa que se escreve com olhares perdidos,
Alma gémea do tempo escorrido entre os dedos,
Resposta para todas as tentações.
Gladíolos que enfeitam momentos esquecidos
Acompanhados de silêncios e medos.
Rios que correm soltos sem grilhetas ou prisões,
Estradas velhas com rugas de anos vividos
Traçadas por entre fartos arvoredos.
Estrelas que enfeitam eternas paixões


EGO
Que triste sina ver-me assim,

Que sorte vil degradante”.

São palavras que passam por mim

Neste momento desesperante.
O poeta que em mim fala

E desperta a atenção de quem o lê,

Solta a voz que não cala

Aos olhos de quem não vê.
Desespero na minha voz

Aclamando a vitória,

Em mil momentos sós

De uma vida que não tem história.
Sonhos de um momento

Que vagueiam na emoção

De um mundo ciumento

Como é o da ilusão.
Artigos indefinidos,

Verbos sem sinónimos,

Textos que andam perdidos

Espalhados em sentimentos íntimos.
Insensatas palavras

Escritas e sem futuro,

Na terra que tu lavras,

Nas letras que eu murmuro.

AMIZADE
Num sórdido momento da vida

Retratado por leves pensamentos,

Nos dias de uma semana perdida

Que não foi senão de tormentos,

Onde até já passou uma ideia suicida.
O tempo que não volta atrás,

Que não espera por ninguém…

Onde quer que vás,

Tu e eu… nós também!

Este sentimento fugaz

De que a vida é de alguém.
Dores imaginárias

Que cortam o ar com um grito

De vozes várias

Vindas, talvez do infinito.

Destas vidas precárias

Deste mundo tão esquisito.
Um atentado mundano

Toda uma dignidade

De um pensamento insano

Que não passa de vaidade.

Viver mais um ano

Sem qualquer identidade.
Sinto em mim a fadiga

De muito trabalho perdido,

De uma vida que periga,

Do meu orgulho ferido,

Do teu ser… amiga,

Sempre a mim unido.

A PALAVRA
Aquela pergunta que se faz,

Num certo momento… crucial

Sobre uma guerra que mata,

Porque procura aquela paz

Do bem e do mal.

O que não ata nem desata.
Momentos que fogem

Por entre dedos que já não fecham,

Os punhos cerrados

Dos homens que não morrem

E da dor dos que já não se levantam

Para serem chorados.
Passam os dias,

Os meses, os anos…

As vidas.

Momentos que querias,

Em pensamentos insanos,

Matar com guerras santas.
Já não há cemitérios,

Enchem-se as praças

De cheiros nauseabundos

Flutuando dos necrotérios.

Juntam-se as massas

Contra soldados vagabundos.
Da guerra não há culpa

Nem de quem matar,

Nem de quem morrer.

Só os Homens não têm desculpa

Pois querem amar,

Sem querer.
Palavras a mais,

Menos ainda se faz…

Faz-se o medo

Das merdas reais.

Acaba o respeito por quem jaz,

Por quem morre cedo.

MENTIRA!
A quem já não vive…

Um brinde apocalíptico

Com o copo que se levanta.

Um cavalo que se monta

Tal desejo místico

De uma vida que não tive.

Uma dívida que não se deve

Num momento cíclico

Da vida de uma santa,

Onde ninguém se conteve

Ao ouvir o relato bíblico

Da mentira que aumenta.

É esse deus quem tenta

Mostrar a quem é louco

Que o mundo também se move?

Se vem o Sol ou se chove

Não interessa nem um pouco

Mais uma mentira que se inventa…

Eis que cada qual come o ódio que alimenta.

PREFÁCIO
Estas virtuosas palavras

Que vivem perdidas no universo intenso,

Que não são minhas,

Mas de um povo imenso,

Cortam, como lâminas, o tempo

Vindas da boca dos amigos

Misturadas neste verde campo,

Mundo de esperança e de perigos.
Estas divagantes poesias

Que a todos se dedicam…

Escritas ao passar dos dias

Em memória daqueles que não ficam.

Escritas e esquecidas

Num futuro que não existe,

Apenas lidas e relidas

Por quem sabe o que é ser triste.
Significados íntimos

De muitos e variados vícios

Profundos mas ilegítimos.

Mortais e enfadonhos dilúvios.

Palavras grandes, enormes,

Mas também irracionalmente pequenas

De rostos irritantes e infames

Nas suas horríveis cores vagas.

SERÁ?
Pelos campos verdes

Queimados pela humana mão,

Dores que ficam,

Mas que não matam,

Só deixam a recordação

De que o carvão tinha outras cores.
Todo o ar que respiro

Pelo tempo que vivo,

Pelo pouco que gasto,

Por esse fraco gosto

De um homem parvo

Que nem eu admiro.
De que vale o progresso?

Um mundo que não merece

Morrer como morre.

O imortal vento que corre,

Que mata pela teia que não tece,

Que faz viver o nosso insucesso.
Matar tornou-se um prazer,

Um desporto para o homem que nada mais tem,

Que não sabe a verdade,

Não conhece a amizade.

Não sabe ao que vem.

Não aprendeu o que é viver.
Um Sol que luz me dava

No tempo em que aparecia.

Essa grande estrela que morreu

Onde tudo desapareceu,

Onde nada vivia…

Onde nada matava.
Um homem que vi

Numa pedra sentado

A olhar cegamente o infinito.

Já nem o ocaso é bonito

Neste mundo seco e destruído

Onde já nem uma criança ri!

AMOR DE POETA
O calor que me corre pelas veias

O sangue que me faz amar,

São tudo palavras cheias…

Desejo de não mudar.

O prazer de estar contigo

Numa bela realidade,

Junto ao coração amigo

Merecedor de felicidade.

Saem-me estas rimas

Sem destino ou razão,

Ao amor que me destinas,

A essa louca paixão.

O sabor de ter alguém

Para amar junto de mim,

Ser como mais ninguém

E sentir-me assim.

Sentir-me assim

Por não ser igual a ti,

Porque agora, enfim

Já não és mais o que eu senti.

Bem no fundo do coração,

Pois é de lá que vem esse amor.

Surge a dúvida… o senão

O medo de sentir a mágoa… a dor.

MEMÓRIAS
Rimas sem significado

Aparentemente perdidas na memória,

Numa alma gémea do passado

Em festivos dias de glória.
Palavras soltas no ar

Que ecoam num momento,

Como gaivotas sobre o mar

Planando a cortar o vento.
Canetas de poetas adormecidos

Escrevinhando páginas sem parar,

Resmas de poemas esquecidos

Mergulhados no seu mar.
Mentiras de verdade,

Verdades ditas a mentir

Com uma cumplicidade

Tão difícil de atingir.
Música que se lê

Num tempo de alguém,

Numa partitura que não se vê,

Tocada por… ninguém.

SUSANA
Em terras distantes de onde estou

De verdes paisagens altas,

Cerradas de nuvens e água,

Distância de uma mágoa

Azedume pelas minhas faltas

Ao meu amor novo que se encontrou.
Durmo sem poder esquecer

Uma palavra ou uma feição,

O teu sorriso bonito,

O meu olhar no infinito

Ao sentir o bater do teu coração

Aqui, mesmo sem te poder ver.
Cruel será este fado

Que nos juntou sem pensar,

Naquele dia que trago em memória

E que sempre ficará na minha história,

Para de ti me lembrar

Nesta essência sem rumo traçado.
Muitos amores já eu tive

Na minha vida atribulada.

Tormento de boémio estudante

Trajado ao bom Infante,

Palavras ocas que dizem nada

E provam que este amor ainda vive.
O afecto que jamais se esquece

Terna sensação de paz de alma,

Sacode a memória profana,

O teu belo nome… Susana!

Simples, apaixonada, calma

O brilho nos olhos, o amor que padece.

RUMOS
Relampeja no infinito

Sobre o estudo dos compêndios,

O conhecimento dos alfarrábios.

Som tenebroso e bonito,

Determinado e corajoso.

O Homem que corre,

O Deus que nunca morre,

Todo o ser voluntarioso.

Recortam-se as nossas vidas

Como se de papel fossem.

Que eu não fosse Homem

Nas tantas aventuras tidas.

Sofre o tempo…

Todo o meu desejo

Que anseia por um teu beijo.

Mais uma volta no campo.

Choram as flores

Pelo ódio arrancadas

E aí jamais plantadas.

A experiência de muitos prazeres,

Palavras estas sem nexo

Que me saem da boca

Com satisfação pouca

De tudo o que não é sexo.

Não há tempo para beber,

Já é um privilégio rir,

Até mesmo sorrir,

Pensar em subir…

Escada do sucesso com o mundo a ruir!

Nem há já forças a reunir,

Energias a consumir,

Esmolas a pedir…

Só resta ao mundo não vir!

PAISAGEM
Minha caneta chora lágrimas de tinta no papel

Risca erros e traça destinos,

Suposições de tudo aquilo que é possível.

Consigo ouvir tocar os melhores hinos

Pelo afilado conjunto da banda do quartel

Que desafina nos graves e agudos

No soar de uma flauta de Bisel.

Corro pelos campos enevoados

Com cheiros de Begónias e mel.

Flores perdidas nos descampados

Numa tarde nua e inesquecível.

Amores-Perfeitos e descontrolados

Com sua beleza inigualável.

Rumores de ciúmes sentidos,

Soltos num abraço impossível.

EU
Um pássaro que canta num ramo poisado,

Uma árvore que decora um chão queimado,

Um Homem que sofre num mundo perdido.

Uma esperança que volta no brotar de uma flor,

Um grito que se ouve e se julga de dor,

A vontade de sentir do Sol o seu calor.

O desejo de te olhar e de te chamar amigo,

O medo de, entre amigos, estar o inimigo,

O orgulho de nunca mais gritar perigo.

A vida que definha por não haver pão,

Outro dia que por nós passa nesta perdição,

O triste sabor que fica pela última saudação.

A paixão louca que nasce entre nós dois,

A manhã em que só acordo um dia depois,

A flor que no dia a dia pelo jardim dispões.

Chora comigo esta existência e seu destino,


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