O ego e o id e outros trabalhos volume XIX


BREVES ESCRITOS (1922-25)



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BREVES ESCRITOS (1922-25)
PREFÁCIO A O MÉTODO PSICANALÍTICO, DE RAYMOND DE SAUSSURE
Com grande prazer posso assegurar ao público que o presente trabalho da autoria do Dr. de Saussure é um livro de valor e mérito. É especialmente bem planejado para fornecer aos leitores franceses uma idéia correta do que é a psicanálise e o que ela contém.

O Dr. de Saussure não apenas estudou conscientemente meus escritos; foi mais além e fez o sacrifício de vir até mim para fazer uma análise que durou vários meses. Isso o colocou em situação de formar seu próprio juízo sobre a maioria daquelas questões em psicanálise ainda não decididas, e de evitar muitas deformações e erros que se costuma encontrar em exposições da psicanálise, tanto francesas quanto alemãs. Sequer deixou ele de contradizer certas afirmações falsas ou negligentes que os comentadores transmitem uns aos outros; por exemplo, a de que todos os sonhos têm um significado sexual ou a de que, como penso, a única força motivadora de nossa vida mental é a da libido sexual.

Tendo o Dr. de Saussure dito em seu prefácio que eu corrigira seu trabalho, devo adicionar uma ressalva: minha influência apenas se fez sentir em algumas correções e comentários e de modo algum procurei usurpar a independência do autor. Na primeira parte deste trabalho, a parte teórica, eu teria exposto determinado número de coisas de modo diferente do seu: por exemplo, o difícil tópico do pré-consciente e do inconsciente. Sobretudo teria tratado o complexo de Édipo de modo muito mais exaustivo.

O excelente sonho que o Dr. Odier colocou à disposição do autor pode fornecer, mesmo aos não iniciados, uma idéia da riqueza das associações de sonhos e da relação existente entre a imagem onírica manifesta e os pensamentos latentes ocultos por trás dela. Ele demonstra também a significação que a análise de um sonho pode ter no tratamento de um paciente.Finalmente, as observações conclusivas feitas pelo autor sobre a técnica da psicanálise são excelentes. Estão inteiramente corretas e, malgrado sua concisão, não abandonam nada de essencial. São uma prova convincente da sutil compreensão do autor. O leitor, naturalmente, não deve concluir que apenas o conhecimento dessas regras de técnica o tornará capaz de empreender uma análise.

Atualmente a psicanálise começa a despertar, em maior escala, o interesse dos profissionais e do público leigo na França, também; ela certamente não encontrará lá resistências menores do que aquelas que anteriormente encontrou em outros países. Esperemos que o livro do Dr. de Saussure realize uma contribuição importante para o esclarecimento dos debates que se estendem à frente.

FREUD


VIENA, fevereiro de 1922.

PREFÁCIO AO RELATÓRIO SOBRE A POLICLÍNICA PSICANALÍTICA DE BERLIM (MARÇO DE 1920 A JUNHO DE 1922), DE MAX EITINGON (1923)


Meu amigo Max Eitingon, que criou a Policlínica Psicanalítica de Berlim e até aqui a sustentou com seus próprios recursos, tornou públicas, nas páginas seguintes, suas razões para fundá-la, e forneceu também um relato da organização e funções do instituto. Ao que escreveu só posso acrescentar meu desejo de que se possa encontrar em outras partes indivíduos ou sociedades que sigam o exemplo de Eitingon e criem instituições semelhantes. Se a psicanálise, ao lado de sua significação científica, tem valor como procedimento terapêutico, se é capaz de fornecer ajuda àqueles que sofrem em sua luta para atender às exigências da civilização, esse auxílio deveria ser acessível também à grande multidão, demasiado pobre para reembolsar um analista por seu laborioso trabalho. Isso parece constituir uma necessidade social particularmente em nossos tempos, quando os estratos intelectuais da população, sobremodo inclinados à neurose, estão mergulhando irresistivelmente na pobreza. Institutos como a Policlínica de Berlim estão também isolados na posição de superar as dificuldades que, por outro lado, se erguem no caminho de uma instrução completa em psicanálise. Eles tornam possível a instrução de um número considerável de analistas formados, cuja atividade deve ser encarada como a única proteção possível contra o dano causado aos pacientes por pessoas ignorantes e não qualificadas, sejam leigos ou médicos essas pessoas.
CARTA A FRITZ WITTELS (1924 [1923])
O senhor deu-me um presente de Natal que está grandemente em absorção com minha própria personalidade. Faltar com enviar-lhe uma palavra de agradecimento por um presente assim, seria um ato de rudeza apenas explicável por motivos muito peculiares. Afortunadamente, no caso presente não existem motivos dessa natureza. Seu livro de modo algum é hostil; não é indevidamente indiscreto e manifesta o sério interesse no assunto, possível de se prever em um escritor tão competente quanto o senhor.

Mal necessito dizer que não esperava nem desejava a publicação de um livro como esse. Parece-me que o público não encerra interesse em minha personalidade e nada pode aprender de uma descrição dela, enquanto meu caso (por múltiplas razões) não puder ser exposto sem quaisquer reservas. Contudo, o senhor pensou de modo diverso. Seu próprio desligamento de mim, que considera uma vantagem, não obstante provoca sérios inconvenientes. O senhor conhece muito pouco do objeto de estudo e não pôde evitar o risco de exagerar um pouco os fatos, em seus esforços analíticos. Ademais, estou inclinado a pensar que sua adoção do ponto de vista de Stekel e o fato de o senhor contemplar o objeto de estudo a partir da concepção dele, não podem deixar de haver prejudicado a exatidão de seu discernimento.

Em alguns respeitos, penso existirem deformações positivas e acredito que essas sejam o resultado de uma noção preconcebida sua. O senhor julgaque um grande homem deve possuir tais e quais méritos e defeitos, e apresentar certas características extremas. E sustenta que pertenço à categoria dos grandes homens. Essa é a razão por que me atribui toda sorte de qualidades, dentre as quais muitas são mutuamente conflitantes. Bastante coisa de interesse geral poderia ser dita sobre esse assunto; infelizmente, porém, seu relacionamento com Stekel impede outras tentativas minhas de esclarecer o mal-entendido.

Em compensação, fico contente com reconhecer que sua argúcia o capacitou a detectar algumas coisas bem conhecidas por mim. Por exemplo, o senhor tem razão em inferir que amiúde fui compelido a realizar détours ao seguir meu próprio caminho. Tem razão, também, em pensar que não vejo emprego para as idéias de outras pessoas, quando são apresentadas a mim em momento inoportuno. (Apesar disso, com referência ao último ponto, penso que o senhor poderia ter-me defendido da acusação de repudiar idéias quando no momento sou meramente incapaz de submetê-las a um julgamento ou elaborá-las.) No entanto, fico encantado por descobrir que o senhor me faz inteira justiça na questão de minhas relações com Adler…

Compreendo que o senhor pode ter oportunidade de revisar seu texto com vistas a uma segunda edição. Visando a essa possibilidade, anexo uma relação de emendas sugeridas. Elas se baseiam em dados fidedignos e são completamente independentes de minhas próprias prevenções. Algumas delas se relacionam a assuntos de importância trivial, outras, porém, talvez o levem a inverter ou modificar determinadas inferências. O fato de enviar-lhe essas correções constitui penhor de que valorizo seu trabalho, embora não possa aprová-lo inteiramente.
CARTA AO SEÑOR LUIS LOPES-BALLESTEROS Y DE TORRES (1923)
Quando era um jovem estudante, meu desejo de ler o imortal Dom Quixote no original de Cervantes levou-me a aprender, sem mestre, a encantadora língua castelhana. Graças a esse entusiasmo juvenil, estou hoje capaz — em uma idade avançada — de verificar a exatidão de sua versão espanhola de minhas obras, cuja leitura invariavelmente provoca em mim viva apreciação de sua interpretação corretíssima de meus pensamentos e da elegância de seu estilo. Fico sobretudo surpreso com alguém, como o senhor, não sendo médico nem psiquiatra de profissão, ter sido capaz de alcançar um domínio tão absoluto e preciso sobre um material que é intricado e, às vezes, obscuro.
CARTA A LE DISQUE VERT (1924)
Das diversas lições a mim prodigalizadas no passado (1885-6) pelo grande Charcot, na Salpêtrière, duas deixaram profunda impressão em mim: que jamais devemos nos fatigar de considerar os mesmos fenômenos repetidas vezes (ou de nos submeter a seus efeitos), e que não devemos nos importar com depararmos com a contradição de todos os lados, de vez que tenhamos trabalhado com sinceridade
CARTA AO EDITOR DO CENTRO DA IMPRESSA JUDAICA EM ZURIQUE (1925)
…Posso dizer que me coloco tão distante da religião judaica quanto de todas as outras religiões; isso equivale a dizer que elas têm grande significação para mim como tema do interesse científico, porém delas não participo emocionalmente. Por outro lado, sempre tive um forte sentimento de solidariedade para com o povo de minha raça e sempre o incentivei também em meus filhos. Todos nós permanecemos sob a confissão judaica.

No tempo de minha juventude, nossos instrutores religiosos, livres pensadores, não davam valor a que seus alunos adquirissem um conhecimento da língua e literatura hebraica. Minha educação nesse campo, portanto, foi extremamente tardia, como mais tarde muitas vezes lamentei.


POR OCASIÃO DA INAUGURAÇÃO DA UNIVERSIDADE HEBRAICA (1925)
Os historiadores nos contaram que nossa pequena nação suportou a destruição de sua independência como Estado apenas porque começou a transferir, em sua estimativa de valores, o lugar mais alto para suas posses espirituais, para sua religião e para sua literatura.

Vivemos agora numa época em que este povo tem perspectivas de novamente conquistar a terra de seus pais com o auxílio de uma potência que domina o mundo, e celebra a ocasião pela fundação de uma universidade em sua antiga capital.

Uma universidade é um lugar onde o saber é ensinado acima de todas as diferenças de religiões e nações, onde a investigação é conduzida, e que se destina a mostrar à humanidade a que amplitude ela pode compreender o mundo a seu redor, e até onde pode controlá-lo.

Tal empreendimento constitui nobre testemunho do desenvolvimento para o qual nosso povo abriu caminho, em dois mil anos de infeliz sorte.

Acho penoso que minha saúde desfavorável me impeça de estar presente às festividades inaugurais da Universidade Judaica em Jerusalém.
MODIFICAÇÕES EDITORIAIS NA ZEITSCHRIFT (1924)
O Dr. Otto Rank atuou como editor desta revista desde sua fundação em 1913, embora somente a partir de 1920 tenha sido nomeado na página de rosto como editor único. Durante o período de serviço militar na guerra, seu lugar foi assumido pelo Dr. Hanns Sachs, que naquela ocasião se encontrava em Viena. Desde o início do presente volume, o Dr. S. Ferenczi também teve sua participação na editoria.

Na Páscoa de 1924 o Dr. Rank aceitou um convite que o levou a Nova Iorque. Em seu retorno à casa, anunciou que decidira transferir suas atividades como analista didata e clínico para os Estados Unidos — pelo menos durante parte do ano. Assim, tornou-se necessário depositar as funções de editor da Zeitschrift em outras mãos. Não está dentro dos direitos do Diretor dar expressão pública à sua opinião acerca do nível e das realizações desta revista. Ninguém inclinado a apreciá-las deve desprezar ou esquecer quanto de seu sucesso se deve à incansável devoção e trabalho exemplar do editor que se afasta.



O lugar do Dr. Rank será agora assumido pelo Dr. S. Radó, de Berlim. Ele será apoiado, como conselheiros e colaboradores, pelo Dr. M. Eitingon (Berlim) e pelo Dr. S. Ferenczi (Budapest). Todas as comunicações e contribuições para o editor devem ser dirigidas ao Dr. Sándor Radó, Berlin-Schörneberg, Am Park, 20. A parte comercial da Zeitschrift será conduzida, como antes, nos escritórios da Internationaler Psychoanalytischer Verlag em Viena (Gerente: A. J. Storfer).


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