O envelhecimento da População e as Implicações no Capital Intelectual das Empresas. Carlos Henriques V. do R. Oliveira



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O Envelhecimento da População e as Implicações no Capital Intelectual das Empresas.



Carlos Henriques V. do R. Oliveira

Professor e Mestrando em Sistemas de Gestão


Mestrado Profissional em Sistemas de Gestão – UFF

R. Passo da Pátria, 156/329-A, Caixa Postal: 100.175 – CEP: 24001-970

Niterói – RJ – (21) 2717-6390 – (21) 9986-9529

carloshenriques@easyline.com.br

Mara Telles Salles, D.Sc.

Profa. do Curso de Mestrado em Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense


R. Passo da Pátria, 156/329-A, Caixa Postal: 100.175 – CEP: 24001-970

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RESUMO

Este artigo aborda o fenômeno do rápido crescimento da população idosa, principalmente maior de 60 anos, e os possíveis impactos nas formas tradicionais de trabalho nas empresas, o que demandará uma atenção especial das áreas de Recursos Humanos. O artigo trata do envelhecimento da população, que está ocorrendo em todo o mundo e em especial no Brasil, e sua influência no Capital Intelectual das Empresas, resultado da participação cada vez maior dos idosos, com capacidade produtiva, no seu capital humano, como terceirizados, como empregados temporários, contratados de tempo parcial ou como consultores.



Palavras-chave: Recursos Humanos, Envelhecimento da População, Capital Intelectual


  1. INTRODUÇÃO

A globalização tem forçado com que as empresas cada vez mais estejam atentas às mudanças dos ambientes externos e internos, identificando as ameaças e oportunidades, e a partir daí adaptando-se ao ambiente continuamente.

A literatura mostra diversos exemplos de empresas que conseguiram acompanhar estas mudanças do macroambiente, e adaptaram suas estratégias, mudaram seus sistemas internos e promoveram profundas mudanças culturais, e estão conseguindo manter sua vantagem competitiva (KLOTER, 2001).

As mudanças no ambiente externo precisam ser acompanhadas pelas empresas, e principalmente pelas áreas de gestão de recursos humanos ou pessoas, que afetam e influenciam diretamente nos resultados da empresa. A eterna busca é descobrir quais as necessidades atuais e futuras do mercado, e encontrar soluções ou inovações antes dos concorrentes.

Estas oportunidades passam pela estudo, análise e identificação das tendências atuais e futuras de diversos aspectos sociais, econômicos, políticos e tecnológicos. E independente dos modismos ou idéias inovadoras, as empresas devem ter muita atenção ao estudo destas tendências, em seus diversos níveis, e principalmente no que diz respeito à gestão de pessoas.

Neste sentido, uma das tendências amplamente divulgadas e estudadas recentemente, é o envelhecimento da população mundial e o aumento da parcela feminina na composição populacional mundial (CAMARANO, 2002), e em especial no Brasil.



2. O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO

No Brasil, não diferente do que ocorre nos outros países do mundo, a tendência é a mesma, o envelhecimento da população, sendo este aumento resultado principalmente da alta taxa de fecundidade do passado em relação a atual, e à redução da taxa de mortalidade. Como cita Camarano (1999), “A conciência dessas mudanças é ainda muito incipiente – na verdade, a maioria das pessoas ainda pensa o Brasil como um país essencialmente jovem...”.O envelhecimento da população significa mudanças na estrutura etária, na vida dos indivíduos, nas estruturas familiares, na sociedade e consequentemente nas empresas. Na figura 1 abaixo pode-se visualizar a grande mudança no perfil da população brasileira desde 1950 e suas previsões até 2050.

Fonte: United Nations, 1999.



Figura 1 – Perfil da população do Brasil dos anos 1950, 2000 e 2050.

Diversos são problemas advindos deste cenário futuro de envelhecimento, sendo o primeiro e mais preocupante atualmente é a obseslescência do sistema de seguridade social do governo, que foi idealizado considerando no passado um cenário diferente do que se apresenta hoje, resultando em pressões para transferências de recursos da sociedade. O governo brasileiro está tendo muito trabalho em alterar o modelo atual sem prejudicar os direitos adquiridos por grande parte da população, tendendo a uma privatização do setor, o que está se tornando um desafio também para os setores produtivos e para a família.

O rápido envelhecimento da população, agravada pela automação acelerada dos meios produtivos e a informatização dos processos gerenciais e administrativos, resultará em uma sociedade bastante diferente do conhecemos hoje, onde os processos de aposentadoria e as relações de trabalho serão profundamente alterados.

Para as empresas, a mudança no perfil da população é um aspecto importante a ser acompanhado, principalmente porque é na população onde estão inseridos os clientes, e a força de trabalho que compõe o capital intelectual, muito embora existam outros fatores também importantes como o ambiente sócio cultural, ambiente político-legal, ambiente tecnológico, ambiente econômico e ambiente natural.

Dentro deste macroambiente populacional, são de interesse principal, o tamanho e a taxa de crescimento da população, a composição étnica e a distribuição das faixas etárias, os níveis de instrução, e as características e os movimentos regionais. As empresas devem se preocupar em reconhecer e não deixar fora, ou excluir, nenhum grupo, conhecendo o seu volume e suas características, que são extremamente importantes no processo de seleção, capacitação e retenção de seu capital humano.


  1. AS GERAÇÕES

A população é tradicionalmente dividida em grupos pela faixa etária: pré-escolar, crianças em idade escolar, adolecentes, adultos jovens de 25 a 40 anos, adultos de meia-idade de 40 a 65 anos e adultos idosos com idade superior a 65 anos.

O envelhecimento populacional no Brasil pode ser exemplificado por um aumento da participação da população maior que 60 anos no total da população, além de que a população mais idosa, ou seja, com 80 anos ou mais, está aumentando, o que vem levando a uma heterogeneidade do segmento populacional chamado idoso, inclusive com novas terminologias e conceitos, como “terceira idade” e “quarta idade” (CAMARANO, 1999).

De acordo com Camarano (2002) “o aumento da longevidade conjugado com o momento pelo qual passa a economia brasileira com efeitos expressivos sobre o jovem tem levado a que o idoso assuma papéis não esperados nem pela literatura e nem pelas políticas”.

No caso da população idosa feminina, Camarano (2002) mostra que a mulher, mesmo idosa, continua desempenhando seu papel de cuidadora e assumindo o papel de provedora. Ë muito comum na literatura atribuir à mulher o papel de dependente, porém as idosas estão assumindo papéis cada vez maiores na chefia das famílias, além do grande crescimento em seu número em relação aos homems.

Moreira (1997) diz que no caso brasileiro a intensidade com que se dá o envelhecimento da população não tem correspondência histórica de países que já iniciaram há mais tempo, e é também mais amplo que aqueles países que guardam algumas similitudes com o Brasil. Considerando este cenário, o Brasil do futuro próximo será o país dos jovens dos anos 60-70. Neste sentido, Camarano (1999) cita “ No caso do Brasil...uma proporção importante do seu crescimento já está determinada pela estrutura etária atual: os idosos do futuro já nasceram”.

A
s previsões de crescimento da população idosa até o ano 2050 pode ser vista na figura 2 abaixo, onde além do crescimento da população idosa, mostra o grande aumento da população feminina em relação à masculina.

Fonte: IBGE, 2004.

Figura 2 – A Evolução da População Idosa no Brasil

A figura 2 mostra um crescimento expressivo da população idosos com mais de 60 anos, passando dos atuais 8,7% da população para 24,9% em 47 anos (IBGE, 2004).

Outro aspecto que vem sendo estudado, em função do envelhecimento populacional, são as colisões ou diferenças entre as diversas gerações dentro das empresas. A idade das pessoas dentro das empresas está subindo, e deverá continuar, e com ela surgem os problemas a serem gerenciados, associados às vivências e experiências sociais de cada geração.

Por um lado a força de trabalho está envelhecendo, de outro lado, a procura por novos talentos no mercado de trabalho é evidente, e no meio estão as organizações, com seus processos de “dowsizing”, “upsizing”, “merging” e “acquisitioning”, tão rápido que, pessoas de diferentes idades são colocadas juntas tão rapidamente e intensamente como nunca (MARTIN, 2002). Assim, entender os perfis de cada geração e o fenômeno do envelhecimento, são importantes para se poder administrar as organizações atuais pelos responsáveis por Recursos Humanos e seus lideres.




  1. O CAPITAL INTELECTUAL

O Capital Intelectual é o valor da empresa, que envolve não só os valores visíveis, formado pelos ativos e passivos da empresa do ponto de vista contábil e normalmente apresentado no balanço patrimonial, mas também dos valores dinâmicos ocultos que não têm valor financeiro, como o capital humano.

Edvinsson & Malone (1998) apresentam uma equação simples para o Capital Intelectual: Capital Intelectual = Capital Humano + Capital Estrutural.

Os autores sugerem o modelo para formação do Capital Intelectual mostrado na figura 3.



Fonte: Leif Edvinson e Michael S. Malone, Capital Intelectual, 1998


Figura 3 – O Capital Intelectual

Nesta equação o Capital Estrutural é formado pelos equipamentos, softwares, patentes, marcas e toda a capacidade organizacional que apóia a produtividade dos empregados. O Capital Humano envolve todo o conhecimento, a experiência, o poder de inovar e as habilidades dos empregados, incluindo também os valores, a cultura e as práticas da empresa.

Desta forma, pode-se afirmar que o Capital Intelectual não se enquadra nos modelos de contabilidade tradicionais, o que leva a uma outra forma de mensurar o valor do Capital Intelectual, como: O valor de mercado menos o valor contábil (EDVINSSON & MALONE, 1998).

O Capital Humano, tem portanto, uma importância muito grande no “valor” da empresa, sendo a parcela mais difícil de avaliar ou medir. Este desafio agrava-se pelas grandes mudanças que ocorrem no mercado de trabalho, entre elas a maior oferta de mão de obra idosa, em maior número e cada vez mais capacitada.




4. AS IMPLICAÇÕES

As empresas e seus profissionais responsáveis em gerir seu capital intelectual dentro deste cenário, devem estar atentas à diversas questões que surgem considerando o envelhecimento rápido da população, dentre elas:


Como serão os modelos de relação de trabalho ?

Como ocupar as pessoas idosas capacitadas fora do mercado de trabalho ?

Quais as novas oportunidades nesta nova sociedade ?

Como será a influência feminina nas relações profissionais, sociais e na família?

Qual será o perfil deste novo idoso produtivo ?

Como gerir diversas gerações dentro ou fora das corporações ?


No Rio de Janeiro, o IBGE (Censo demográfico 2000) mostra que é a capital com a maior proporção de idosos, com 12% da população residente, seguido de Porto Alegre, com 11,1%. Além da alta concentração de idosos no Rio de Janeiro, o Censo 2000 do IBGE mostrou que entre 1991 e 2000, o rendimento dos idosos cresceu 63%, sendo os rendimentos médios para os idosos no Distrito Federal e Rio de Janeiro iguais a R$1.796,00 e R$ 1.018,00, respectivamente, havendo uma previsão de manutenção desta tendência.

A indústria de serviços, voltada para a terceira idade, que habitualmente usa o apelo das doenças e da proximidade da morte, mesmo que de maneira sutil, já está mudando para um modelo que valoriza a vida e faça com que os idosos esqueçam as doenças e quaisquer outras preocupações, e passe a fornecer opções para que estes idosos possam conviver com pessoas da mesma idade, trocar idéias com outras gerações, compartilhar experiências, e principalmente se sentirem produtivos.

Dentro das empresas o cenário não será diferente, deverá haver espaço apropriado para as diversas gerações, respeitadas as suas características e necessidades, principalmente porque nas pessoas estão grande parte dos valores e conhecimento das empresas.

5. CONCLUSÕES
A grande parte da população idosa no futuro é uma realildade, e pelos dados disponíveis será em sua maioria feminina, havendo uma redução no número de pessoas dependentes, que hoje vivem em função de pensões ou ajudas do governo. Será também uma população idosa cada vez mais ativa, mais capacitada, mais exigente e consciente de suas necessidades, e que estará participando ativamente da força de trabalho das empresas.

A mudança no perfil da população terá um impacto profundo nos processos de gerir, capacitar e absorver capital intelectual dentro das empresas, que, em função do crescimento da tecnologia da informação, tende a ficar disperso e interligado por uma grande rede (“Network”) de informações e conhecimento. Os processos de aquisição e retenção do conhecimento desta população idosa ocorrerão de diversas formas, sendo através de processos de tercerização, contratações destes como especialistas e consultores, contratos de tempo parcial, entre outras novas relações de trabalho.



6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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