O espaço de fluxos



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CASTELLS, M. O espaço de fluxos. In A era da informação: economia, sociedade e cultura. A sociedade em rede. pp.467-521. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1999.
[p.475]

Principais centros metropolitanos = continuam oferecendo maiores oportunidades, status social e auto-satisfação.


Nas periferias, regiões menos desenvolvidas = existem serviços.


Descentralização do trabalho de escritório afetas as “funções de apoio”, o processamento em massa das transações que executam as estratégias decididas e projetadas nos centros empresariais das altas finanças e de serviços avançados.
Centralização e descentralização estão ocorrendo ao mesmo tempo.
[p.476]

Versatilidade das redes - a cidade não é um lugar mas um processo.


Novo espaço industrial

Nova lógica do espaço industrial = capacidade organizacional e tecnológica de separar o processo produtivo em diferentes localizações

reintegra unidade por meio de conexões de telecomunicações e da flexibilidade e precisão da microeletrônica na fabricação de componentes


  • P&D, inovação e fabricação de protótipos

  • Fabricação qualificada em áreas recém-industrializadas do mesmo país

  • Montagem semi-qualificada - localização no exterior

  • Adequação de dispositivos e de manutenção e suporte técnico pós-venda - principais centros regionais em todo o mundo

[p.478]


Meios de inovação = conjunto específico de relações de produção e gerenciamento com base em uma organização social que, de modo geral, compartilha uma cultura de trabalho e metas instrumentais, visando gerar novos conhecimentos, novos processos e novos produtos.
Especificidade de um meio de inovação = capacidade de gerar sinergia, o valor agregado decorrente da interação.
[p.480]

Tecnópoles = meios de inovação industrial de alta tecnologia - vários formatos urbanos - ficam nas áreas metropolitanas mais destacadas.


Existe continuidade da história espacial da tecnologia e industrialização na era da informação: os principais centros metropolitanos em todo o mundo continuam a acumular fatores indutores de inovação e sinergia.
novo sistema industrial não é global nem local, mas uma nova articulação da dinâmica local e global.” [Amin e Robins, 1991]
[p.482]

Nova divisão espacial do trabalho = geometria variável e conexões de ida e volta entre as empresas localizadas em diferentes complexos territoriais - relações estra-regionais.


Novo espaço industrial não representa o fim das velhas áreas metropolitanas estabelecidas ou o início de novas regiões caracterizadas por alta tecnologia.


Automação no centro fabricação de baixo custo na periferia
Hierarquia de inovação e fabricação articuladas em redes globais

Organizado em torno de fluxos da informação que, ao mesmo tempo, reúnem e separam seus componentes territoriais.


[p.483]

Cotidiano do domicílio eletrônico: o fim das cidades?

Crescente dissociação entre proximidade espacial e o desempenho das funções rotineiras - fim das cidades?


Teletrabalho - substituidores [trabalhadores à distância = substituem o serviço de ambiente de trabalho pelo feito em casa]

autônomos [trabalham online de casa]

complementadores [trazem para casa trabalho complementar]
diversificação dos locais de trabalho
[p.485]

Problemas de transporte - aumento das atividades e compressão temporal, maior mobilidade física.


Dimensão espacial da vida cotidiana:

Telecompras - proliferam áreas comerciais ao redor da paisagem suburbana - lojas com terminais de pedido online entregues no domicílio.

Telebanco - eliminar agências - serviços online e caixas eletrônicos [dicção - comunicação oral].

Interconexão de assistência médica à distância - cirurgia com videoconferência.

Educação à distância - como segunda opção e não como substituta - a qualidade da educação ainda está associada à intensidade da interação pessoal!
[p.487]

Flexibilidade recém conquistada pelos sistemas de trabalho e integração social em redes = lugares tornam-se singulares à medida em que as pessoas circulam entre eles em um padrão cada vez mais móvel.


Transformação = depende das características dos contextos históricos, territoriais e institucionais; ênfase na interatividade entre os lugares por uma rede fluida de intercâmbios - espaço de fluxos.
[p.488]

A transformação da forma urbana: a cidade informacional
Cidade informacional = não é uma forma, um processo com predomínio estrutural do espaço de fluxos.


  • Interdependência funcional de unidade e processos diferentes em um determinado sistema urbano, minimizando a contigüidade territorial e maximizando as redes de comunicação.

  • Forma espacial dependente do território cultural.

Centro empresarial = processamento de informação e funções de controle - existe pela conexão com outros locais.


[p.492]

Urbanização do terceiro milênio: megacidades

Constituem os nós da economia global = funções superiores direcionais, produtivas e administrativas; controle da mídia; política do poder; capacidade simbólica de criar e difundir mensagens.


estão física e socialmente conectadas com o globo e desconectadas do local” = conexões funcionais em várias extensões de territórios sem contigüidade espacial, hierarquias sociais e funcionais misturadas.
Megacidades = centros de dinamismo econômico, tecnológico e social local e globalmente;

centros de inovação cultural e política;

pontos conectores às redes globais de todos os tipos.
[p.499]

Teoria social de espaço e a teoria do espaço de fluxos
Espaço é a expressão da sociedade - não pode ser definido sem referências às práticas sociais.
tempo e espaço não podem ser entendidos independentemente da ação social.” [David Harvey, 1990]
espaço é o suporte material [com sentido simbólico] de práticas sociais de tempo compartilhado [simultâneas no tempo].”
Sociedade = fluxos de capital, fluxos de informação, fluxos de tecnologia, fluxos de imagens, sons e símbolos.

suporte material = conjunto de elementos que sustentam estes fluxos.


[p.501]

Espaço de fluxos é a organização material de práticas sociais de tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos.”


Seqüências intencionais e repetitivas de intercâmbio

e interação entre posições fisicamente desarticuladas


estão embutidas nas estruturas sociais dominantes = procedimentos organizacionais e institucionais.
Suportes materiais:

  • 1ª camada = circuito de impulsos eletrônicos [microeletrônica, telecomunicação, processamento computacional, sistemas de transmissão em alta velocidade]

os lugares não desaparecem, mas sua lógica e significado são absorvidos na rede.


  • 2ª camada = nós [centros de importantes funções estratégicas, constroem atividades e organizações locais] + centros de comunicação [intercambiadores, coordenadores da interação entre elementos, hierarquia é determinada pelas atividades processadas].

Exemplo: economia global, rede de narcóticos.




  • 3ª camada = organização espacial das elites gerenciais dominantes [e não das classes] que exercem as funções direcionais desta articulação [interesses dominantes dos atores sociais].

Articulação das elites e segmentação/desorganização da massa determinam os mecanismos de dominação social.
As elites não podem transformar-se em fluxos.
Manifestação espacial da lógica de dominação = elites constituem comunidades simbolicamente segregadas - microredes pessoais - sucessão de processos hierárquicos de segregação que levam à fragmentação socioespacial.

elites criam um estilo de vida e de projetar formas espaciais de unificação do ambiente simbólico, substituindo especificidades históricas locais. [hotéis de luxo, shoppings, aeroportos, acesso móvel].


[p.507]

A arquitetura do fim da história
Arquitetura pós-moderna declara o fim de todos os sistemas de significados - generalização da arquitetura aistórica e acultural.
Exemplo: saguão do aeroporto de Barcelona, sala de espera da D.E. Shaw & Company.
[p.512]

Espaço de fluxos e espaço de lugares
um lugar é um local cuja forma, função e significação são independentes dentro das fronteiras da contigüidade física.”
Lugares não são comunidades, embora possam contribuir para sua formação.

As relações entre o espaço de fluxos e o de lugares, entre globalização e localização simultâneas, não implicam um resultado determinado.


As pessoas vivem em lugares, mas como a função e o poder organizam-se no espaço de fluxos, a dominação estrutural de sua lógica altera de forma fundamental o significado e a dinâmica dos lugares.
Caminhamos para um hiperespaço social, de universos paralelos, sem compartilhar códigos culturais?


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