O eunuco de inês de castro (Teatro no país dos mortos)



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O EUNUCO DE INÊS DE CASTRO

(Teatro no país dos mortos)

de Armando Nascimento Rosa


O Eunuco de Inês de Castro (Teatro no país dos mortos), peça inédita em acto único (escrita em 2005/06), é uma fantasmagoria em jeito de sátira dramática, que foi a melhor forma encontrada para chamar de novo à cena estas figuras históricas, mitificadas pela imaginação literária ao longo de séculos. Mas o foco mobilizador da história que agora se conta na linguagem do teatro não é a mais previsível daquelas que integram o enredo inesiano: trata-se do perturbador e bárbaro episódio - narrado pelo cronista Fernão Lopes - do escudeiro de D. Pedro, Afonso Madeira, que el-rei mandou castrar, ao que tudo indica por ciúmes, posto que «o rei muito amasse o escudeiro (mais do que se deve aqui dizer)» (Fernão Lopes).
A acção decorre na actualidade, mas no não-lugar que é o país dos mortos, mais precisamente na ilha onde «habitam» Inês e Constança, em amistosa convivialidade. O núcleo do conflito pode resumir-se do seguinte modo: Inês está separada de Pedro no país dos mortos, e recusa-se a tê-lo por companhia na sua ilha (o país dos mortos é composto, muito helenicamente, por milhentas ilhas, nas quais a empresa de Caronte & Filhos Ldª. possui o monopólio dos transportes marítimos), em virtude de nunca Inês o ter perdoado pelo crime horrendo que ele praticou sobre Afonso Madeira, seu escudeiro. Isto será motivo para que as personagens teatralizem esses eventos do seu passado, enquanto fantasmas-actores, de modo a operarem uma espécie de catarse psicodramática, na tentativa de perceberem o que as separa, ou não, irredutivelmente. O Eunuco de Inês de Castro é uma peça séria e paródica, grotesca e histórico-poética, recheada de comicidade anacrónica, e de alguma virulência expressiva grand-guignolesca.


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